quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

YEMANJÁ – PARTE I


Yemanjá, cujo nome deriva de Yeye oman ejá (“Mãe cujos filhos são peixes”), teria sido filha de Olokun, deusa do mar. Seu Axé é constituído por pedras marinhas e conchas, guardadas numa sopeira de porcelana azul. Considerada a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma matrona, de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva.

Na Bahia, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada no dia 8 de dezembro. Ela é mais ligada às águas salgadas do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxun. Curiosamente, é no dia 2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias, sincretizada com Oxun, que se organiza um solene presente para Yemanjá. O que mostra que o sincretismo não é de uma rigidez absoluta.

Ela dança com um leque de metal branco nas mãos e suas danças imitam o movimento das ondas, dobrando e endireitando o corpo. Ela executa um curioso movimento de mãos, levadas alternadamente sobre a testa e a nuca. Os adeptos de Yemanjá usam colares de contas de vidro transparente como o cristal e vestem-se, de preferência, de azul-claro. Sábado é o dia da semana que lhe é consagrado. Yemanjá recebe sacrifícios de carneiros e oferendas de comida à base de milho branco, azeite, sal e cebolas (Eboyá). Saúda-se Yemanjá gritando Odóia! 

Yemanjá, Odóia, e a Cozinha Afetiva


Yemanjá é considerada a mãe dos outros Orixás, tem o aspecto de uma matrona, de seios enormes, símbolo da maternidade fecunda e nutritiva, e as mães são as autoridades supremas das Cozinhas Afetivas. Mães são as provedoras maiores da nutrição, e a mãe Yemanjá, Rainha do Mar, tem suas comidas afetivas para seus filhos fiéis.

No dia 2 de fevereiro a Bahia, especialmente na mágica cidade de Salvador, muda de cor, muda para o azul-claro em homenagem a Rainha do Mar, e quem tem fé vai a pé à praia do Rio Vermelho depositar seus presentes, flores, perfumes, muita fé e esperança nas cestas que são levadas por embarcações para alto mar, onde são depositadas sobre as ondas.

OS ORIXÁS

Motumbá amigos.

Que alegria poder, mais uma vez, estar com todos vocês. Hoje os "OLHOS DE OXALÁ" tem uma forma mais clara, objetiva de esclarecer cada Orixá a fim de podermos ir tendo um contato melhor com cada um deles. Poder conhecer, saber seu arquétipo, seus gostos, suas finalidades e reinos onde habitam.

Um local onde podemos ter uma noção mais básica que seja, mas muito prática. Que este instrumento seja de fato uma colaboração a mais para nosso Candomblé.

Orixá

Na mitologia yorubá, os orixás (yorubá: Òrìsà; no espanhol: Orichá; no Inglês: Orisha; e em nosso português: Orixá), que são divindades ou semideuses criados pelo deus supremo Olórun. Os Orixás são os grandes guardiões dos elementos da natureza e representam todos os seus domínios no AYE (a realidade física em que os humanos estão inseridos segundo a tradição Yorubá). Também existem os Orixás intermediários entre os homens e o panteão africano que não são considerados deuses, são considerados "ancestrais divinizados após a morte". Os Orixás hoje são cultuados no Brasil, Cuba, República Dominicana, Porto Rico, Jamaica, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos, México e Venezuela.

História
postagem feita em 06/10/2011

Na mitologia, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").

Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).

Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, deus da sobrevivência.
Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
Ayrá, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras, Deus da transformação.
Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas.
Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do amor.
Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquezas materiais e espirituais, e da fertilidade.
Yemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás.
Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte, mãe de Obaluayê. Mais velha dos orixás do panteão africano.
Yewá ou Ewá, orixá feminino do Rio Yewá, considerada a deusa da beleza, da adivinhação e da fertilidade.
Obá, orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô, é a deusa do amor.
Axabó, orixá feminino da família de Xangô.
Ibeji, divindade protetor dos gêmeos.
Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
Omulu, Orixá da morte.
Onilé, orixá do culto de Egungun.
Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmilá, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yorubá.
Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
Olokun, orixá divindade do mar.
Olossá, orixá dos lagos e lagoas.
Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
Orixá Oko, orixá da agricultura.

África
postagem feita em 07/10/2011

Na África cada Orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.

Sàngó em Oyo, Yemonja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.

A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Brasil

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

O culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
O culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
O Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
O Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.

Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.

Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.

A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos: Iaôs, e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Existem ainda orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogum, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados: Orixá funfun (branco).

Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação, mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

Desta forma, estaremos continuando nosso estudo sobre os ORIXÁS, lembrando que já demos início nas pessoas de OXALUFÃN e OXAGUIÃN. E agora vamos seguir para águas mais profundas, rumo aos conhecimento voltado à YEMANJÁ

AS FESTIVIDADES DENTRO DO CANDOMBLÉ

Estamos dentro de um período civil em que todas as pessoas, indiferente da sua crença, se preparam para comemorar (brincar) o Carnaval. Uma festividade considerada pra muitos como profana. Mas para nós, membros do Candomblé ou ainda da Umbanda Sagrada, em nossa religiosidade estamos ainda no período dedicado ÀS ÁGUAS DE OXALÁ.

Uma festa que em tempos primórdios, se perpetua até hoje o culto dedicado ao perdão, a reconciliação, um verdadeiro recolhimento familiar. Onde todos os membros de uma família (Ilê) se organizam para celebrarem tal data comemorativa e simbólica (para muitos), mas de grande fundamentação.

Dentro de nossa religiosidade, se reverencia e se respeita muito esta data. As casas reúnem os filhos do Ilê para se comemorar com dedicação esta festa, pois dela se dá andamento a todas as outras posteriores em honra a todos os Orixás.

Assim como nossos irmãos Católicos possuem seus calendários religiosos, onde se encontram suas maiores festividades. Com períodos de oração, penitência, jejuns e outras formas. Nós do Candomblé temos também um Calendário básico que deve ser respeitado. Mas é válido lembrar que cada nação é uma nação. Cada casa é uma casa. Infelizmente, vejo que ainda existem certas discordâncias, mas, atualmente tenho visto certa conciliação de calendários, nas diversas casas aqui em São Paulo.

Desta forma, apresento a vocês a seqüência das Datas Festivas, claro que aqui é só uma explanação básica. O que não ordena que se faça assim ou que esteja certo ou errado, mas sim uma posição básica das festividades tradicionais seja ela no Candomblé ou na Umbanda.

Vejamos a seguir:

JANEIRO

Festa de Oxalá - coincide com a festa do Bonfim, em Salvador, no segundo domingo depois do dia de Reis, 6 de janeiro. Data onde se organizam a festividade das Águas de Oxalá e o Pilão de Oxalá.


QUARESMA

O encerramento do ano litúrgico acontece durante os quarenta dias que antecedem a Páscoa no catolicismo, com o Lorogun, em homenagem a Oxalá.


ABRIL

Feijoada de Ogum
festa de Oxóssi - associado a São Sebastião, em qualquer dia.


JUNHO

Fogueiras de Xangô (associadas a São João e São Pedro), dias 25 e 29.


AGOSTO

Festa de Obaluaiê (associado a São Lázaro e São Roque)
festa de Oxumaré (associado a São Bartolomeu), em qualquer dia.Tida como a festividade do Olubajé.


SETEMBRO

Começa um ciclo de festas chamado: Águas de Oxalá, que pode ir até Dezembro.
Festa de Erê, em homenagem aos espíritos infantis - associados a São Cosme e Damião, que seguem até outubro.
Festa das Yabás - esposas dos orixás
Festa de Xangô - associado a São Jerônimo, em qualquer dia.


DEZEMBRO

Festas da Yabás : Iansã - Santa Bárbara, dia 4
Oxum - associadas a Nossa Senhora da Conceição, dia 8
Iemanjá - também é homenageada na passagem do ano ou no dia 02/02 a ela dedicado.
Período em que muitas casas, sejam do Candomblé e da Umbanda, se dirigem às praias, para ali depositarem suas oferendas como forma de ação de graças por um ano que se passou e ao mesmo tempo já irem fazendo seus pedidos para um novo Ciclo que se inicia. 


*Válido lembrar que algumas casas ainda hoje realizam algumas festas antigas, como as ÁGUAS DE YEMANJÁ E AS ÁGUAS DE NANÃ. Hoje as mesmas inseridas na festividade da FESTA DAS YABÁS. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

COMUNICADO

Motumbá meus (minhas) irmãos(ãs)

Chegamos ao fim da Primeira Etapa sobre postagens de UMBANDA SAGRADA. Deixo claro que este tema é muito vasto, portanto, ainda vamos num futuro próximo postar muito mais para dar continuidade ao assunto.

Em poucas palavras, mais informações e grandes surpresas estão ainda por vir, referentes a este tema.

Mas isto não é motivo de tristeza para nossos irmãos da UMBANDA. Lembrando que este BLOG se destina, não meramente aos membros do CANDOMBLÉ, mas a todos que se referem à espiritualidade mediunica, seja a ramificação que for.

Desta forma, as postagens desta semana que terá início amanhã: dia 02/02/2012, quinta-feira, dia de YEMANJÁ. Iremos dar início a toda uma sequência voltada em honra a esta ORIXÁ MÃE DE TODAS AS CABEÇAS.


Sua história, suas lendas, suas qualidades, seus arquetipos, suas ervas, suas cantigas, suas caboclas e catiços e suas comidas; farão parte de todo o conjunto voltado ao conheçimento sobre esta grande Orixá.

Uma Orixá, dedicada e comemorada no dia 02/02 por todos os ramos da religiosidade. Seja em São Paulo, Rio de Janeiro e até na Bahia.

Assim meus (minhas) queridos(as) irmãos(ãs). Espero que gostem do que esta por vir a fim de ser uma grande homenagem a esta divindade tão poderosa e cultuada em nosso Brasil.

Axé.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A LINHA DOS PRETOS VELHOS


Pretos-velhos são espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos".
São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria geralmente ligados à Confraria da Estrela Azulada dentro da Doutrina Umbandista do Tríplice Caminho (AUMBANDHAM - alegria e pureza + fortaleza e atividade + sabedoria e humildade).
Trazendo esperança e quietude aos anseios da consulência que os procuram para amenizar suas dores, ligados a vibração de Omolu, são mandingueiros poderosos, com seu olhar prescrutador sentado em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, rezando com seu terço e aspergindo sua água fluidificada, demandam contra o baixo astral e suas baforadas são para limpeza e harmonização das vibrações de seus médiuns e de consulentes.
Muitas vezes se utilizam de outros benzimentos, como os utilizados pelo Pai José de Angola, que se utiliza de um preparado de "guiné" (pedaços de caule em infusão com cachaça) que coloca nas mãos dos consulentes e solicita que os mesmos passem na testa e nuca, enquanto fazem os seus pedidos mentalmente; utiliza-se também de vinho moscatel, com o que constantemente brinda com seus "filhos" em nome da vitória que está por vir.
São os Mestres da sabedoria e da humildade. Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o Amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por si só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito.
Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são Mestres dos elementos da natureza, a qual utilizam em seus benzimentos.
Os Pretos Velhos: Os espíritos da humildade, sabedoria e paciência.
Os Pretos Velhos são entidades cultuadas pelas religiões afro-brasileiras, em especial a Umbanda. Nos trabalhos espirituais desta religião, os médiuns incorporam entidades que possuem níveis de evolução e arquétipos próprios. Estas se dividem em três níveis:
As Crianças – chamadas eres, ou ibejis, representam a pureza, a inocência, daí sua característica infantil.

Os Caboclos – onde se incluem os Boiadeiros, Caboclos e Caboclas, representam a força, a coragem, portanto apresentam a forma do adulto, do herói, do guerreiro, do índio ou soldado.

Os Pretos Velhos – incluem os Tios e Tias, Pais e Mães, Avôs e Avós todos com a forma do idoso, do senhor de idade, do escravo. Sua forma idosa representa a sabedoria, o conhecimento, a fé. A sua característica de ex-escravo passa a simplicidade, a humildade, a benevolência e a crença no “poder maior”, no Divino.

A grande maioria dos terreiros de Umbanda, assim também suas entidades possuem a fé Cristã, ou seja, acreditam e cultuam Oxala (no sincretismo com o catolicismo, Jesus). Entidades aqui tomada no sentido de espíritos que auxiliam aos encarnados, o mesmo que guia de luz.
A característica desta linha seria o conselho, a orientação aos consulentes devido a elevação espiritual de tais entidades, são como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma.
Os Pretos Velhos seriam as entidades mais conhecidas nacionalmente, mesmo por leigos que só ouviram falar destas religiões Afro-Brasileiras. O Preto Velho é lembrado também pelo instrumento que normalmente utiliza, o cachimbo.
Os nomes de alguns Pretos Velhos comuns de que se tem notícia são Pai João, Pai Joaquim de Angola, Pai José de Angola, Pai Francisco, Vovó Maria Conga, Vovó Catarina. Pai Jacó, Pai Benedito, Pai Anastácio, Pai Jorge, Pai Luís, Mãe Maria, Mãe Cambina, Mãe Sete Serras, Mãe Cristina, Mãe Mariana, Maria Conga, Vovó Rita, Vovó Joana dentre outros.
Na Umbanda os Pretos Velhos são homenageados no dia 13 de maio, data que foi assinada a Lei Áurea, a abolição da escravatura no Brasil.
Os pontos servem para saudar a presença das entidades, firmar sua força durante os trabalhos espirituais e envolver a todos presentes, mas principalmente aos médius de incorporação, como uma harmonia a ajudá-los a se desligarem para que esta ocorra.
Pontos de preto velho:
Saudação dos Pretos Velhos quando iniciada uma gira
Bate tamborlá na Angola, bate tambor
Bate tambor
lá na Angola, bate tambor...
Bate tambor, Pai Joaquim*...
Bate tambor, Maria Conga*...
Bate tambor, Pai Mané*...
(* coloca-se o nome dos pretos velhos da casa)

Eu andava perambulando,
sem ter nada p'ra comer
Fui pedir as Santas Almas
Para vir me socorrer
Foi as Almas que me ajudou
Foi as almas que me ajudou
Meu Divino Espírito Santo
Glória Deus, Nosso Senhor
Nessa casa
tem quatro cantos
Cada canto tem um santo
Pai e filho, Espírito Santo
Nessa casa tem 4 cantos...

Quem vem, que vem lá de tão longe?
São os pretos velhos que vem trabalhar
Quem vem, que vem lá de tão longe?
São os pretos velhos que vem trabalhar
Ô da-me forças pelo amor de Deus, meu pai
Ô da-me forças pros trabalhos teus

Zum zum zum
Olha só Jesus quem é
Eu rezo para santas almas
Inimigo cai
Eu fico de pé

O preto por ser preto
Não merece ingratidão
O preto fica branco
Na outra encarnação
No tempo da escravidão
Como o senhor me batia
Eu chamava por Nossa Senhora, Meu Deus!
Como as pancadas doíam

Tira o cipó do caminho,
oi criança
Deixa a vovó atravessar
Tira o cipó do caminho,
oi criança
Deixa a vovó atravessar

A bença Vovô
Quando precisar lhe chamo
A bença Vovô
Quando precisar lhe chamo
Zambi lhe trouxe, Zambi vai lhe levar
Agradeço a toalha de renda de chita de pai Oxalá

Vovô já vai, já vai pra Aruanda...
Abença meu pai, proteção pra nossa banda


Pontos de Pretos Velhos
Negro está molhado de suor, mas tá feliz porque Deus o libertou (bis);
Ô sinhá sinha, segura a chibata não deixa bater, faz uma prece prá negro morrer, negro não quer mais sofrer (bis);
Ponto p/firmar a gira: Viva Deus, viva a Gloria, viva o rosário de nossa Senhora (bis);
Ponto para benzimentos: Pai João d"angola com sua ternura, sentado no tronco ele benze as criaturas(bis), a estrela de Oxalá seu ponto iluminou, ele é Pai João d"angola ele é nosso protetor;
Ponto de subida de pretos velhos: Já vai pretos velhos subindo pro céu e nossa senhora cobrindo com véu (bis).
A linha de Preto Velho, na Umbanda, são entidades que se apresentam estereotipados como anciãos negros conhecedores profundos da magia Divina e manipulação de ervas, o qual aplicam frequentemente em sua atuação na Umbanda, porém no Candomblé são considerados Eguns.
Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro (período de trevas no território brasileiro), a linha de preto velho reflete a humildade, a paciência e a perseverança característica da atuação da linha nominada de Yorima, cujo apresenta-se de pés no chão, cachimbo de barro bem rústico, quando não cigarro de palha, café, e um fio de contas de rosários (Lágrima de Nossa Senhora) e cruzes, figas e breves os quais utilizam magisticamente em sua atuação astral.
Os pretos velhos apresentam-se com nomes de individualizam sua atuação, conforme nação ou orixá regente, evidenciando sua atuação propriamente dita.
Em sua linha de atuação eles apresentam-se pelos seguintes codinomes, conforme acontecia na época da escravidão, onde os negros eram nominados de acordo com a região de onde vieram:
  • Congo  Ex: (Pai Francisco do Congo), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Iansã;
  • Aruanda  Ex: (Pai Francisco de Aruanda), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxalá. (OBS: Aruanda quer dizer céu);
  • D´Angola  Ex: (Pai Francisco D´Angola), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Ogum;
  • Matas  Ex: (Pai Francisco das Matas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxóssi;
  • Calunga, Cemitério ou das Almas Ex: (Pai Francisco da Calunga, Pai Francisco do Cemitério ou Pai Francisco das Almas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Omolu/ Obaluayê;
Entre diversas outras nominações tais como: Guiné, Moçambique, da Serra, da Bahia, etc...
Muitos Pretos Velhos podem apresentar-se como Tio, Tia, Pai, Mãe, Vó ou Vô, porém todos são Pretos Velhos. Na gira eles só comem o que for feito de milho como por exemplo:
  • Bolo de milho, pamonha, cural e etc.

"AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO"

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando o seu cachimbo um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face e... Foram sete.
A Primeira... A estes indiferentes que vem no Terreiro em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber;
A Segunda... A esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam;
A Terceira... Aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar ao semelhante;
A Quarta... Aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, e não conhecem a palavra gratidão;
A Quinta... Chega suave, tem o sorriso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem seu semblantes verão escrito: creio na Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se resolverem o meu caso ou me curarem disto ou daquilo;
A Sexta... Aos fúteis, que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchego, conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente;
A Sétima... Como foi grande e como deslizou pesada! Foi à última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Aos médiuns vaidosos (as), que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual.

A LINHA DOS ERÊS OU CRIANÇAS - PARTE II

Aqui estamos abordando mais uma vez o tema sobre Os Ibejis, Erês ou Crianças, mais popularmente conheçidos. Espero que esta segunda parte desta postagem possa edificar ainad mais a cada um de nós.

IBEJÍ E OS ERÊS


África

Ìbejì ou Ìgbejì - divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos (twins) na Mitologia Yoruba, identificado no jogo do merindilogun pelos odu ejioko e iká. Cada gêmeo é representado por uma imagem.

Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em sua honra.

O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África subsariana. A espécie em questão é o colobus polykomos, ou "colobo real", que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos.

Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses.

A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. Chamado em Yorubá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.

Na África , as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza.

O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia-a-dia. Não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado.

O poder de Igbeji jamais pode ser negligenciado, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade.

Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de geração a geração pelos povos africanos), que os Igbejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa , também recebem oferendas.

Entre as divindades africanas, Igbeji é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Mostrando que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.

Os gêmeos (Ibeji entre os Yorubas e Hoho entre os Fon) são objeto de culto. Não são nem Orixá e nem Vodun, mas o lado extraordinário desses duplos nascimentos é uma prova viva do princípio da dualidade e confirma que existe neles uma parcela do sobrenatural, a qual recai em parte na criança que vem ao mundo depois deles.

Brasil


Existe uma confusão latente entre Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade, confundindo até mesmo como Orixá.

Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.

Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconseqüente; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram.

Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas, tudo enfim que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem então revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, sua leveza perante a vida se revela no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.

Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, à vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em torno de si a princípios simplistas como "gosta de mim" ou "não gosta de mim". Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com certa facilidade. Ao mesmo tempo, suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades esportivas, sociais e das festas.

A grande cerimônia dedicada a Ibeji acontece a 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, portanto) são oferecidas tanto a eles como aos freqüentadores dos terreiros.

É a divindade da brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância. Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo.

Rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a criança carrega. Ibeji é tudo de bom, belo e puro que existe; uma criança pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes.

Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o vôo das aves, na beleza e perfume das flores. A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de uma felicidade, de uma travessura e você estará vivendo ou revivendo uma lenda dessa divindade. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, ele já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.

A palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. O Ere (não confundir com criança que em yorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou seja, o Ere é o intermediário entre o iniciado e o orixá.
Durante o ritual de iniciação, o Ere é de suma importância pois, é o Ere que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado.

O Ere na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Ere é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão. O Ere conhece todas as preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”.

O comportamento do iniciado em estado de “Ere” é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá.

Após o ritual do orúko, ou seja, nome de iyawo segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas chamado Apanan.

Símbolos: 2 bonecos gêmeos, 2 cabacinhas, brinquedos;

Plantas: jasmim, maçã, alecrim, rosa;

Dia: domingo e segunda-feira para nações Ketu e Jeje Jexá;

Cor: azul, rosa, verde, mas na verdade gosta do colorido em si.

Metal: estanho. Seus elementos: fogo, ar.

Saudação:Omi Beijada! Bejiróó! farami sóibeji!

Domínios: parto e infância. Amor união.

Comidas: caruru, cocada, cuscuz, frutas doces.

Animais: passarinhos.

Quizilas: morte, assobio.

Características: alegre, otimista, brincalhão, esperto, trabalhador, imaturo, birrento, voraz.

O que faz: ajuda a resolver problemas de crianças, dá harmonia na família, facilita uniões.

Riscos de saúde: alergias, anginas, problemas de nariz, raquitismo, acidentes.