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segunda-feira, 16 de abril de 2012

MENSAGEM DO DIA - ISRAEL ARAUJO

A mensagem do dia de hoje veio de nosso amigo ISRAEL ARAUJO. Membro assíduo do nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ e participante em nosso perfil no ORKUT OLHOS DE OXALÁ ( O BLOG ).

Assim como ele e muitos (as) outros (as) irmãos (ãs) faça o mesmo. Como? Se inscrevendo em nosso perfil do ORKUT e aqui no BLOG POSTANDO SEUS COMENTÁRIOS BEM COMO DANDO SUGESTÕES

COMIDAS DE OGUM - PARTE IX - EFUN (FAROFA DE MEL)

Motumbá meus (minhas) irmãos (irmãs).

Temos percebido em nossas estatísticas a grande visualização das COMIDAS DE OGUM, por esta razão estamos hoje postando a nona parte referente aos pratos mais oferecidos a este ORIXÁ das guerras, do ferro e das demandas.

Hoje vamos falar do EFUN - FAROFA DE MEL. Esperamos que gostem.


Ingredientes:

250 grms de farinha de mandioca ou inhamê assado e ralado.
Mel de Abelhas

Modo de fazer:

Num alguidar coloque a Farinha de Mandioca ou a Farofa de Inhame previamente assado no forno ou na brasa. Este deverá ser ralado em fatias não muito grandes. Acrescenta-se o Mel de Abelhas. 

Com as mãos vai se misturando os dois ingredientes chegando no ponto de uma farofa seca e bem soltinha (esfarelada). 

Este prato, ofertado na beira das estradas, serve para pedir a OGUM a docilidade nos caminhos a seguir. 

CONHECENDO OGUM OGUNJÁ



Ogunjá


Nesta fase Ogun veste branco ou verde. Sua ferramenta pode ser na forma de um chapéu, um guarda chuva contendo nas pontas como pingentes ferramentas da pesca, caça e da agricultura. Ou ainda de acordo como o jogo de Ifá indicar com os devidos materiais a serem incorporados.

Tem uma grande relação com OXAGUIÃ e YEMANJÁ. Antes de falar mais sobre esse caminho de ogum preferi primeiro falar de Ogum de uma forma geral: Ogum é o filho mais velho de Odudua e de Yemanjá, irmão de Odé e de Exu. Ele foi o filho que reinou no lugar de seu pai quando este, temporariamante, ficou impedido.

Ele é o orixá dos ferreiros, também da tecnologia. Foi ele quem abriu caminho para que os orixás chegassem ao Aiye ( Planeta Terra ) por isso ganhou o título Osi Imole. 

Segundo o pesquisador Fantumbi Verger a palavra deriva da seguinte frase Ogun Jé Aja. O escritor Reginaldo Prandi publicou a seguinte itan:

Ogum faz instrumentos agrícolas para Oxaguian

Oxaguian, rei de Ejigbô, o Elejigbô, chamado "Orixá-Comedor-de-inhame-pilado", inventou o pilão para saborear mais facilmente seus prediletos inhames. Todo o povo do seu reino adotou a sua preferência. Todo o povo de Ejigbô comia inhame pilado. E tanto seu comia inhame em Ejigbô que já não se dava conta de plantá-lo. E assim, grande fome se abateu sobre o, povo de Oxalá.

Oxaguian foi consultar Exu, que o mandou fazer sacrifícios e procurar o ferreiro Ogum, que naquele tempo viva nas terras de Ijexá. O que podia fazer Ogum para que o povo de Ejigbô tivesse mais inhame? Consultou Oxaguian. Ogum pediu sacrifícios e logo deu a solução. Em sua forja, Ogum fez ferramentas de ferro.

Fez a enxada e o enxadão, a foice e a pá, fez o ancinho, o rastelo, o arado. "Leve isso para o seu povo, Elejigbô, e o trabalho na plantação vai ser mais fácil. Vão colher muitos inhames, mais do que agora quando plantam com as mãos", disse Ogum. E assim foi feito e nunca se plantou tanto inhame e nunca se colheu tanto inhame. E a fome acabou.

O povo de Ejigbô, agradecido cultuou Ogum e ofereceu a ele banquetes de inhames e cachorros, caracóis, feijão-preto regado com azeite-de-dendê e cebolas. Ogum disse a Oxaguian: "Na casa de seu Pai todos se vestem de branco, por isso também assim me visto para receber as oferendas". E o povo o louvava e Ogum ficou feliz. E o povo cantava: "A kaja lónì fun Ògúnja mojuba" - "Hoje fazemos sacrifício de cachorros a Ogum, Ogunjá, Ogum que come cachorro, nós te saudamos"

Oxaguian disse a Ogum: "Meu povo nunca há de se esquecer de sua dádiva. Dê-me um laço de seu abadá azul, Ogum, para eu usar com meu axó funfun, minha roupa branca. Vamos sempre nos lembrar de Ogunjá". E, do reino de Ejigbô até as terras de Ijexá, todos cantaram e dançaram.

Referência Bibliográfica: VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997. VERGER, Pierre; Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999. PRANDI, Reginaldo; Mitologia dos Orixás; Companhia das Letras, São Paulo, 2001.

Quando o culto chega ao Brasil sua predileção continua sendo o aja ( cachorro) tanto que não se muda o nome, porém aqui seu culto recebe adaptações, pois esse cachorro, ao qual se refere a iton, é um animal selvagem muito perigoso tanto que ao cruzar com um sêr humano o seu ataque provoca muitoas mortes, então se olharmos por este aspécto veriámos que ao se oferecer tal animal em sacrifício para um guerreiro seria um ato muito glorioso e honroso.

As adaptações

Aqui, em solo brasileiro, assim como houve com outros elementos que, não puderam ser importados como o feijão fradinho, farinha de akaçá, farinha de mandioca etc, o cachorro vai ser substituido pelo animal doméstico e também vai mudar o rito: quando o yawo recolhe ele o faz junto com um filhote de cão e na hora do sacrifício o cachorro é trocado por um bode e este yawo vai cuidar deste animal até que ele venha a falecer.

Por ser um caminho de Ogun muito quente, é comum quando um yawo deste santo/orixá está recolhido, acontecer grandes brigas entre as pessoas daquela casa, o que os mais velhos chama de ¨casa quente¨, sendo assim o baba ou a iya antes de recolher este yawo deve preparar a casa, colocando na cumieira inhame cará, muito ebô, canjica e água tudo coberto com muito mariwo. Na hora do Lagbe deste Ogun o yawo também deverá estar coberto com muito mariwo.

Por estar numa fase muito quente este ogun deve ser cuidado somente com água de côco, azeite doce e muito ebô. É comum se ver, em casas tradicionais, o ato de confirmar a aláfia com o inhame cará que, substitui os búzios ou o obi.