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terça-feira, 12 de março de 2013

COLETÂNEA CURIOSIDADES - O CASAMENTO NA ÁFRICA

Casamento africano e suas tradições


África, o continente com mais civilizações antigas, com as culturas mais diversas, repleta da enorme diversidade que a caracteriza..., tudo isto naturalmente se reflecte nas tradições que dizem respeito ao casamento. Embora muitas das tradições possam não ser aceites na nossa sociedade, existem algumas ou até mesmo o seu simbolismo que podem sempre ser incorporadas no vosso casamento.

A maioria das regiões africanas que celebram o casamento tem por base uma premissa: a família. Um casamento africano é isso mesmo: a celebração do conceito da família através da união de duas pessoas; a junção de duas famílias e por vezes até de duas tribos.

África - o continente da diversidade - apresenta muitas religiões e muitas crenças. Existem mais de 1.000 unidades culturais e cada tribo tem a sua própria tradição relativamente ao casamento. As maiores religiões de África são o Cristianismo e todas as suas diversidades, o Islamismo, Religiosa-Étnica, Não-Cristã, Hinduísmo e Baha’i. No norte de África o Islamismo está mais presente e mais para o sul surge o Cristianismo, o Hinduísmo e até algumas tradições Judaicas misturadas com outros costumes antigos

As festas coloridas, a música e as danças são elementos fundamentais de um casamento africano. Tudo depende da parte de África onde o casamento é celebrado, mas muitas cerimónias de casamento podem durar dias, sendo extremamente elaboradas. Por vezes, existem cerimónias conjuntas onde diversos casais são casados ao mesmo tempo. O casamento pode ser algo bastante elaborado, envolvendo uma festa na comunidade que pode durar dias, cheia de dança.

Tal como no restante mundo, o casamento em África é um acontecimento que envolve a família e a junção de duas pessoas. Existem muitas tradições relativas ao casamento em África e nenhuma é igual a outra. Contudo, existe algo em comum, a noiva tem sempre um papel especial sendo sempre tratada com o respeito devido pois ela significa uma nova possibilidade de continuar a família. Em alguns locais, a família do noivo chega a mudar-se para a vila da noiva e monta a sua casa lá.

Em muitos locais de África, as mulheres são ensinadas desde crianças a serem boas esposas, chegando a aprender linguagens secretas passadas pelas anciãs mais velhas para poderem apenas comunicar acerca dos problemas do casamento, sem que os maridos percebam o que elas dizem. Os noivos, em geral, são preparados desde cedo para serem parceiros ideais. Em algumas tribos os mais idosos reúnem-se com a noiva e dão-lhe sábios conselhos para um casamento feliz. Muitas raparigas vão para escolas onde mães mais velhas as ensinam como ser boas esposas.
Etiópia

Na Etiópia, a povoação Karo decora as suas noivas com tatuagens no abdómen com diferentes símbolos.

Na tribo Amhara, muitos casamentos são negociados pelas duas famílias, com uma cerimónia civil a selar o contrato. Por vezes um sacerdote está presente, outras vezes não. Existe um casamento temporário celebrado através de um contrato verbal antes de ser realizado o casamento em frente às testemunhas. 
Kenya

O povo Massai do Kenya faz acordos entre eles relativamente ao destino das suas crianças. Usualmente uma criança está destinada a casar com outra quando chegar à idade apropriada. No casamento, as mulheres são casadas com homens que não conhecem, usualmente muito mais velhos que elas. A noiva recolhe todos os seus bens, e é vestida com as mais finas jóias. Durante a cerimónia o pai da noiva cospe na sua cabeça e peito como sinal da sua bênção; depois a noiva parte com o seu marido para a sua nova casa sem olhar para trás, pois reza a lenda, que se assim não fizer ela transformar-se-á em pedra.

O povo Swahili do Kenya banha as noivas em óleos de sândalo e tatuam henna nos seus pés e mãos. Uma mulher mais velha dá instruções à noiva sobre como ser uma boa esposa, como agradar e fazer sentir bem o seu marido. Por vezes, esta mulher mais velha esconde-se por debaixo da cama dos recém-casados para o caso de serem necessárias instruções adicionais.

Noutra parte do Kenya a maior festa do casamento é a Kupamba, que surge na noite depois do casamento, sendo basicamente um exibir da noiva às mulheres. Nesta festa só estão mulheres, sendo uma festa onde elas podem remover os seus véus, e podem exibir umas às outras os seus magníficos vestidos e penteados, tornando a festa quase numa competição entre mulheres, pois um bom marido providencia boas roupas e boas jóias à sua mulher para que ela as possa exibir às outras.
Nigéria

Os Wodabee da Nigéria cortejam as primas para casar. Os rapazes usam amuletos poderosos para demonstrar o seu encanto às suas primas. Se existirem 2 primos que pretendam a mesma mulher a mulher escolhe um deles, sendo o outro primo convidado a ser amigo do casal e a frequentar a sua casa, e por vezes até a sua cama! 
Namibia

O povo Himba da Namíbia rapta a noiva antes da cerimónia do casamento e coloca-lhe uma espécie de coroa de noiva feita em pele. Depois da cerimónia ela é levada à casa da família onde esta a informa das suas novas responsabilidades de casada, e depois ela é besuntada de manteiga para lhe demonstrar que foi bem aceite na família. 
Sudão

No povo Neur do sul do Sudão, o noivo tem de pagar 20 a 40 cabeças de gado à família da sua noiva e o casamento só é considerado completo depois da mulher ter dado à luz 2 filhos. Se a mulher não conseguir dar à luz, ele pode pedir o retorno das cabeças de gado. No entanto, se o marido falecer, a família do noivo deverá providenciar um irmão do falecido à viúva e este deverá adoptar as crianças do seu irmão como suas.

COLETÂNEA CURIOSIDADES - O CASAMENTO


Casamento religioso e a escolha de nomes de filhos de acordo com a religião dos pais.

A Constituição Federal determina que o casamento religioso tenha validade civil. Isto é, obedecidas as regras da lei civil, um casamento celebrado por Ministro Religioso de qualquer religião ou crença deve ser reconhecido legalmente (Constituição Federal, art. 226, § 216º).

Existem dois tipos de casamento religiosos (Lei dos Registros Públicos, arts. 71 e 72):

1. o casal registra e cartório toda a documentação necessária, e, posteriormente, celebra-se o casamento perante o Ministro Religioso;
2. o casamento é celebrado por um Ministro Religioso e, posteriormente, o casal apresenta a documentação necessária no cartório.

Uma vez que a documentação esteja regular, o casamento terá validade legal (Código Civil, arts. 1.515 e 1.516 – Lei n. 1.100, de 23 de maio de 1950).

Quanto aos nomes dos filhos escolhidos de acordo com a religião dos pais, a lei garante aos pais o direito de escolher livremente a denominação dos filhos.

O sobrenome deve ser o mesmo da família, mas o primeiro nome é de livre escolha.

Havendo recusa arbitrária ou preconceituosa do oficial de registro, os pais têm o direito de pedir ao Judiciário que mande fazer o registro.

Lembrem-se, é importante sempre estarmos informados acerca das leis que nos protegem!!!

Que Òsùmàrè proteja todos de qualquer tipo de preconceito e discriminação.

Casa de Òsùmàrè

COLETÂNEA CURIOSIDADES - O HÁBITO DAS CICATRIZES NA FACE


HÁBITO DE ABRIR CICATRIZES NO ROSTO 

Antiga prática muito difundida entre os iorubá, hoje em dia já não é tão comum, pois com o desenvolvimento cultural e tecnológico perdeu a finalidade, e tende a desaparecer por completo.

A origem desse costume foi na Nigéria Ocidental (povo iorubá), devido à grande quantidade de guerras que havia na região. Os fulani estavam sempre em guerra com os iorubá, e as próprias cidades guerreavam entre si. No meio de uma batalha uma pessoa poderia matar alguém do seu próprio grupo. Já com as marcas no rosto a identificação tornou-se bem mais fácil, e só eram mortos ou aprisionados como escravos aqueles com marcas diferentes, ou os que não tinham marca alguma.

Outro motivo para as marcas era que os escravos, quando não tinham marcas, levavam no rosto a marca de seu dono. 

Os grupos familiares também costumavam marcar o rosto para facilitar a identificação de pessoas da mesma família, ao se encontrarem fora da cidade. Finalmente, algumas pessoas se achavam mais bonitas com cicatrizes no rosto, para “estar na moda”.

Atualmente os ijebú e os ijesá não cortam mais marcas no rosto dos recém-nascidos. Em Ondo são feitas marcas somente no rosto do primogênito, enquanto em Oyo existem famílias que fazem as cicatrizes até hoje.
Alguns exemplos das marcas usadas nas diversas cidades do grupo iorubá: 

1. Àbàjà meta - três marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou seis menores.

2. Àbàjà merin - quatro marcas horizontais grandes de cada lado do rosto, ou oito menores.

3. Àbàjà alagbele - um dos modelos anteriores com mais três marcas verticais em cima.

4. Pélé - este tipo de marca é feito para embelezar. São três marcas verticais de cada lado do rosto. Característica da cidade de Ife.

5. Gombo - são três marcas verticais laterais bem grandes de cada lado, da cabeça até ao queixo. São características da cidade de Oyo. 

6. Marca da cidade de Ondo - Uma cicatriz vertical, comprida, de cada lado, na frente do rosto.

7. Marca de Ijebú - Três marcas verticais curtas de cada lado do rosto.

8. Àbàjà de Egbá - três marcas verticais em cima de três horizontais.

9. Àbàjà de Ijesà - quatro marcas horizontais de cada lado.

10. Pélé de Èkitì - uma marca vertical de cada lado do rosto (encontra-se também três de cada lado).

11. Àbàjà de Èkitì - nove pequenas marcas horizontais (três a três) com três verticais acima.

12. Ture - diversas marcas verticais finas de cada lado.

Ao encontrar uma pessoa com uma destas cicatrizes, você poderá facilmente identificá-la como nigeriana.

Tudo indica que as “curas” feitas nos filhos de santo foram originadas nesse costume, pois servem também como identificação das pessoas de candomblé. 

Pesquisa/texto: Maria Inez de Almeida - Ifatosin 

Fotos: Internet 

Fernando D'Osogiyan | Março 8, 2013 ás 12:38 am | Categorias: Candomblé | URL: http://wp.me/sds6I-4976