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sexta-feira, 16 de março de 2012

CONHEÇENDO AINDA MAIS O SIGNIFICADO E USO DOS FIOS DE CONTAS


Fios de Contas 

Conhecidas também como "Cordão de Santo", "Colar de Santo" ou "Guias", são ritualisticamente preparadas, ou seja, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam. 


São compostas de certo número de elementos (contas de cristal ou louça, búzios, Lágrimas de Nossa Senhora, dentes, palha da costa, etc.), distribuídos em um fio (Cordonê ou fibra vegetal), obedecendo a uma numerologia e uma cronologia adequada; ou ainda, de acordo com as determinações de uma entidade em particular. 

As contas de louça lembram, por sua composição, a mistura de água e barro, material usado para criar o mundo e os homens, por isso são as mais usadas.


Para que servem 

Têm poder de elevação mental. Se utilizadas durante um trabalho espiritual, tem função de servir como ponto de atração e identificação da vibração principal e/ou falange em particular, atuante naquele trabalho, servindo assim como elemento facilitador da sintonia para o médium incorporado. Elas nos auxiliam em nossas incorporações, pois estas atraem a "energia" particular de cada entidade, captando e emitindo bons fluidos, formando assim, um círculo de vibrações benéficas ao redor do médium que as usa. 

Servem como pára-raios. Se há uma carga grande, ao invés desta carga chegar diretamente no médium, ela é descarregada nas guias, e se estas não agüentarem, rebentam. 


Podem ser utilizadas pelo médium, para "puxar" uma determinada vibração, de forma a lhe proporcionar alivio em seus momentos de aflição.

Que Fios de Conta Utilizar: 


Ao ser batizado na Umbanda, o filho de santo recebe a guia de Oxalá e a de Iansã (Orixá que rege nossa casa). Ao fazer as demais iniciações, vai recebendo as guias correspondentes. 

O que já acontece diferente no Candomblé, ao ser ainda um Abiã, este recebe do responsável da casa um cordão simples com a cor do Orixá do Ori daquela pessoa. Ao ser iniciada dentro do Ronkó (Peji) esta já recebe uma sequencia de fios confeccionados naquele período em questão, referentes ao Orixá da pessoa, do Pai ou Mãe de Santo, do Axé em questão e da mãe criadeira. 

A seguir, conforme o desenvolvimento do médium, as entidades do médium poderão pedir que se confeccionem suas guias de trabalho. 

Existem também as guias "especiais", como por exemplo, a "guia de sete linhas", a “guia de aço”, etc., cuja necessidade e cores, serão determinadas pelo guia chefe da casa. 

Devemos entender que a proteção maior, encontra-se na guia de Oxalá; guia esta, normalmente a primeira a ser consagrada ao médium, feita basicamente p/ nossa proteção.

As guias devem ser tratadas pelos médiuns com todo carinho e o máximo de respeito, pois elas representam o Orixá e a segurança do médium.

Confecção

Dependendo o ritual de cada terreiro deve ser feita uma firmeza (acendendo uma vela, por exemplo) antes de montar a guia. 

Para montar uma guia, deve-se estar em silêncio, com respeito. As contas, miçangas, etc. são enfiadas uma a uma no fio. 

Toda guia deve ser fechada e cruzada pelo chefe de terreiro, seja pela Mãe/Pai de Santo ou pelos Guias Espirituais Chefes de seu terreiro. As guias podem ser cruzadas com pemba, ou com um amaci com as ervas do Orixá, ficando de molho por 3 dias e depois estão prontas. 

Ter uma guia no pescoço, sem esta estar consagrada e imantada não representa nada, energeticamente falando, seria apenas mais um colar.

AS CORES DOS ORIXÁS CORRESPONDENTES AOS FIOS DE CONTAS




Orixás (Umbanda e Candomblé – Asé Oxumarê)
Oxalá
Contas brancas (leitosa). Umbanda
Oxalufã
Contas brancas (leitosa). Candomblé
Oxaguiã
Contas brancas com azul turquesa ou azul escuro, (conforme a qualidade). Candomblé
Oxossi
Contas verdes (Umbanda). Azul turquesa (Candomblé)
Xangô
Contas marrons. (Umbanda ou Candomblé). Vermelho e brancas leitosas (conforme qualidade no Candomblé).
Ogum
Contas vermelhas (Umbanda). Azul Escuro (Candomblé), ou ainda Verde escuro (conforme a qualidade no Candomblé). 
Yemanjá
Contas transparentes (Umbanda e Candomblé), Azul-clara intercaladas com brancas (conforme a qualidade).
Oxum
Contas de cristal azul-claras (em algumas casas da Umbanda), Cristal amarelo (outras casas de Umbanda), Cristal cor de Mel (Candomblé).
Yansã
Contas amarelas (em algumas casas de Umbanda), marrom ou vermelha (em outras casas de Umbanda), Marrons (Candomblé), ou ainda contas de coral vermelhas ou rosas (conforme a qualidade).
Nanã
Contas roxas (Umbanda e Candomblé), ou contas brancas rajadas de azul (conforme a qualidade).
Obaluayê (Omulu)
Contas pretas com contas brancas (Umbanda), Rajadas pretas com branco (Candomblé). 
Ossain
Contas verdes com branco (Candomblé), dependendo do Axé toda verde.
Oxumarê
Contas laranja com amarelo (Candomblé).
Obá
Contas vermelhas intercaladas com amarelas ou Vermelhas rajadas com amarelo (Candomblé).
Ewá
Contas: vermelho escuro (Candomblé).
Iroko
Contas verdes intercaladas com brancas (Candomblé).
Logun Edé
Contas azul-turquesa intercaladas com contas mel (Candomblé).
Exú
Contas pretas intercaladas com vermelhas.
Ibejí
Contas de todas as cores.
Entidades da Umbanda ou Catiços do Candomblé
Pretos Velhos
Contas pretas com contas brancas, lágrimas de Nossa Senhora Sementes,  cruzes, figas (arruda, guiné,etc.)
Crianças
Contas rosa e contas azuis, (podem incluir diversas cores), chupetas, etc.
Caboclos
Contas verdes (podem incluir outras cores), sementes, dentes, penas, etc...
Boiadeiros
Contas verdes (podem incluir outras cores), olho de boi, sementes, dentes, pedaços de couro, etc.
Marinheiro
Contas de cristal transparente ou leitosas, azuis, brancas.
Baianos
Idem aos boiadeiros.
Exu/Pombo Gira
Contas pretas com contas vermelhas; ou contas pretas com contas brancas; além de instrumentos de ferro, aço, etc.
Malandros
Contas vermelhas com contas brancas; além de instrumentos de ferro, aço, etc.

MITOLOGIA DOS FIOS DE CONTAS

Maio 2, 2008 por Manuela, blog: "mundo dos orixás".


Na mitologia sobre a invenção do candomblé, os colares de contas aparecem como objectos de identificação dos fiéis aos deuses e o seu recebimento, como momento importante nessa vinculação. De acordo com o mito, a montagem, a lavagem e a entrega dos fios-de-contas constituem momentos fundamentais no ritual de iniciação dos filhos-de-santo, os quais, daí em diante, além de unidos, estão protegidos pelos orixás.

Feitos com contas de diferentes materiais e cores, esses fios apresentam uma grande diversidade e podem ser agrupados por tipologias de acordo com os usos e significados que têm no culto. Assim, acompanham e marcam a vida espiritual do fiel, desde os primeiros instantes da sua iniciação até às suas cerimónias fúnebres.

Como nos momentos da montagem e do recebimento, também o instante da ruptura é significativo; entretanto, o rompimento do fio-de-contas, mais do que indicar um mau presságio, que assusta e preocupa o indivíduo e a comunidade, pode ser o início de um novo ciclo, um recomeço, um momento de viragem que pede um novo fio. Dos primeiros fios – simples, ascéticos e rigorosos – às contas mais livres, exuberantes, complexas e personalizadas que a pessoa vai produzindo ou ganhando ao longo do tempo, delineia-se o caminho de cada um na sua vinculação aos orixás e à comunidade do terreiro.

Desta maneira, mais do que a libertação do gosto particular, as transformações nos colares revelam o conhecimento adquirido pela pessoa e sua ascensão na hierarquia religiosa. De tal modo que um leigo pode passar despercebido por um fio-de-contas ou vê-lo apenas como um adorno, enquanto um iniciado na cultura do candomblé o tomará como um objecto pleno de significados, que pode ser “lido” e no qual é possível identificar a raiz, o orixá da cabeça e o tempo de iniciação, entre outros dados da vida espiritual de quem o usa.

Dos ritos secretos e espaços fechados do culto aos orixás, os fios-de-contas ganharam o mundo e adquiriram novos usos. De África vieram para o Brasil e para todo o mundo onde o candomblé se tem difundido. Hoje, devido ao sincretismo religioso, além dos espaços de culto, é possível observar a presença de fios-de-contas em lugares inusitados como automóveis e lojas, mas já destituídos das funções e sentidos primordiais, usados apenas para proteger os espaços e as pessoas contra maus agouros.

Pode ser chamado fio-de-contas desde aquele de um fio único de missangas até a um colar com vários fios presos por uma ou várias firmas. A quantidade de fios pode variar de uma nação para outra na correspondência de cargos.

Na hierarquia do candomblé toda a pessoa que entra para a religião será um Abiã e assim permanecerá até que se inicie. Ao Abiã só é permitido o uso de dois fios-de-contas simples de um fio só, um na cor branco leitoso que corresponde a Oxalá, de acordo com a nação e um na cor do Orixá da pessoa, quando já tenha sido identificado, dessa forma pode-se saber que a pessoa é um Abiã e qual é o seu Orixá.

Um Egbomi usa diversos colares de um fio só, com contas na cor dos Orixás que já tem assentados e estas já podem ser intercaladas com corais ou firmas Africanas.

Tipos de fios-de-contas:

Yian/Inhãs: Fios de uma só “perna”, isto é, o colar simples de uma só fiada de missangas cuja medida deve ir até a altura do umbigo.


Delogum: Colares feitos de 16 fiadas de missangas com um único fecho cuja medida, como os Inhãs, vai até à altura do umbigo. Cada Iaô deve possuir, normalmente, um Delogum do seu orixá principal e outro do orixá que o acompanha em segundo plano.


Brajá: longos fios montados de dois em dois, em pares opostos. Podem ser usados a tiracolo e cruzando o peito e as costas. É a simbologia da inter-relação do direito com esquerdo, masculino e feminino, passado e presente. Quem usa esse tipo de colar é um descendente dessa “união”.


Humgebê/Rungeve: Feito de missangas marrons, corais e seguis (um tipo de conta).


Lagdibá/Dilogum: Feito de fios múltiplos, em conjuntos de 7, 14 ou 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica).

As Cores dos fios-de-contas de cada Orixá 

Exú – Contas Pretas intercaladas com Contas Vermelhas ou contas Cinzas.
Ogum – Contas Verde ou azul marinho
Oxóssi – Contas Azul-turquesa
Omulú – Contas Brancas Raiadas de Preto e Marrom
Oxumaré – Contas verdes Raiadas de Amarelo
Ossaim – Contas Verdes rajadas de branco
Iroko – Contas Verdes intercaladas com Contas marron
Logun Edé – Contas Azul-turquesa intercaladas com Contas douradas.
Oxum – Contas Douradas ou Contas de Âmbar
Iemanjá – Contas Brancas translúcidas ou Contas de Cristal
Iansã – Contas Marrom ou Contas de Coral.
Obá – Cinco Contas Vermelho escuro intercalada com uma Conta Amarela, podem ser tipo cristal.
Ewá – Contas Vermelhas rajadas de amarelo
Nanã – Contas Brancas Rajadas de Azul marinho
Xangô – Contas Vermelhas ou marron intercaladas com Contas Brancas 

Oxalá – Contas Branco Leitoso
Oxaguiãn - Contas brancas leitosas intercaladas com contas azul turquesa.

BABÁLORIXÁ JOÃO DE LOGUN - PRAIA GRANDE - CONVIDA



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