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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

COLETÂNEA OXÓSSI NA UMBANDA - OS BOIADEIROS DE OXÓSSI - PARTE II



Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. 

Os Boiadeiros também são conhecidos como “Encantados”,pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em entidades especiais. 

Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham muito próximos aos Exus. 

Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. 

Possuem enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade. Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. 

Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos. Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática dada magia na terra. Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. 

São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. 

É de extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos). 

Quando bradam altoe rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina. Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros é no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus. 

Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. 

Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas. São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium que ele goste. “Gostar” para um boiadeiro, é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”. Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa. 

Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles. 

Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc… Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

COLETÂNEA OXÓSSI NA UMBANDA - OS BOIADEIROS DE OXÓSSI - PARTE I


São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda. 

Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta. Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins. 

O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre tocando seu berrante para guiar o seu gado. Normalmente, eles fazem duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino mímico, lidando bravamente com os bois. 

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. 

Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo e cigarro de palha. 

No Terreiro os Boiadeiros vêm “descendo em seus aparelhos” como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração. Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus. 

Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos. Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, etc. 

Sua saudação: Getruá Boiadeiro, Xetro Marrumbaxêtro! 

Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai. 

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé. 

Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa. É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. 

À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações. Sofreram preconceitos, como os “sem raça”, sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas. 

Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande. 

O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro – habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço laço para laçar um novilho. 

Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens. Enquanto os “caboclos índios” são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores. 

Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).

COLETÂNEA OXÓSSI NA UMBANDA - ALGUNS PONTOS CANTADOS

Com alegria para darmos continuidade aos nossos ESTUDOS SOBRE OXÓSSI representados na COLETÃNEA OXÓSSI NA UMBANDA. Nada melhor que partilharmos com vocês alguns dos PONTOS DE OXÓSSI, mais cantados em forma de LOUVOR ao grande ORIXÁ DA CAÇA E DA FARTURA.

Confiram!





OLHOS DE OXALÁ - NOTA DE NOSSO COORDENADOR

Motumbá meus (minhas) irmãos de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.

Meus respeitos aos meus mais velhos e meus respeitos aos meus mais novos. Com alegria, nesta Sexta-feira, dia de nosso tão amado PAI OXALÁ, venho até vocês para de fato agradecer a sua paciência quanto a reformulação que temos feito em nossas postagens de MAIO para cá. 

O serviço ainda é grande, mas estamos de fato nos esforçando para dar andamento com as postagens voltadas a grade referente ao ORIXÁ OXÓSSI. O mesmo ORIXÁ que no mês de MAIO foi tido como tema central do mês, mas que por vários motivos ficou pendente em vários assuntos. Assim como aconteceu com os assuntos focados posteriores a este mesmo assunto em questão.

Tenho diáriamente acompanhado o andamento do BLOG, quanto ao número de visitas e de participações em questão de nossos seguidores. E para minha surpresa que me acarretou até hoje uma grande alegria é ver que para meu espanto. O número de visitas em relação ao MÊS DE MAIO, quando este tema foi abordado pela primeira vez, esta de fato atingindo muito mais visualizações do que anteriormente.

Para minha surpresa até o número de novos seguidores aumentou e isso eu só posso dizer OBRIGADO. Pois de fato como já foi colocado foi de fato uma decisão minha, mas que como qualquer outra na vida, poderia ter seus pós e seus contras. Mas eu estava decidido a enfrentar isto, desde que todos os ASSUNTOS referentes à OXÓSSI, fossem devidamente postados. E de fato, ELE tem provado que era isso mesmo que havia de ser realizado. 

Deixo claro, que ainda temos muito mais a postar, aumentando o nosso conhecimento. Mas nunca esquecendo que só postamos o BÁSICO DO BÁSICO. Não procurando fazer do BLOG OLHOS DE OXALÁ, um pai de santo virtual. Mas sim uma fonte de conhecimento MÍNIMO para que nossa ESPIRITUALIDADE quanto a nossa RELIGIOSIDADE, seja de fato demonstrada em sua realiade.

Em relação à ausência de postagens do dia 21/11, pedimos de fato desculpas, mas tivemos um problema técnico de rede aqui em nosso escritório. O que nos impossibilitou temporareamente o acesso à Internet. Mas isto já esta sendo resolvido a fim de não fugirmos do foco de postarmos tudo que se refere à OXÓSSI.

Mas uma coisa eu ressalvo. Tudo que foi até agora postado, quanto aos ORIXÁS OXALÁ (OXALUFÃ E OXAGUIÃN), YEMANJÁ e OGUM. Tendo agora OXÓSSI na sequência, teremos futuramente em tempo ainda não determinado uma continuidade destes mesmos assuntos. Pois nunca é dimais aprender sobre cada ORIXÁ em questão. 

Espero que estejam gostando de nossas atualizações e nossos novos assuntos a fim de fazermos deste meio de comunicação, de fato um instrumento verídico tanto nas realidades da UMBANDA SAGRADA bem como com o CANDOMBLÉ.

E para agradecer a todos vocês que participam de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, dedico com todo respeito a você querido(a) irmão(ã) de fé, este vídeo que tem uma grande mensagem a nos transmitir.



Meu muito obrigado a todos.

Pedro Manuel T'Ogum.