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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANBOMBLÉ - A ESTRUTURA - PARTE II


Quando Olorun começou a respirar, uma parte do ar transformou-se em massa de água, originando Orixalá — o grande Orixá Funfun do branco. O ar e as águas moveram-se conjuntamente e uma parte deles transformou-se em bolha ou montículo uma matéria dotada de forma — um rochedo avermelhado e lamacento. Olorun soprou vida sobre ele e com seu hálito deu a vida a Exu, o primeiro nascido, o procriado, o primogênito do Universo. 

Olorun abrange todo espaço e detém três poderes que regulam e mantém ativos a existência e o Universo: Iwá, que permite o Universo genérico o ar, a respiração; Axé, que permite a existência advir dinâmica; Abá, que outorga propósito e dá direção. Ou como diz o poeta Moraes Moreira em "Pensamento Iorubá”: 

“Para tudo ser tem que ter IWA 
Para vir a ser tem que ter AXÉ 
Para o sempre ser tem que ter ABÁ”. 

Ao combinar esses três poderes de forma específica, Olorun transmite-os aos Irunmalé, entidades divinas que remontamos primórdios de universo, encarregados de mantê-las nas diferentes esferas de seu domínio. Os Irunmalé seriam em número de seiscentos, quatrocentos da direita (os Orixás, detentores dos poderes masculinos) e duzentos da esquerda (os Eboras), detentores dos poderes femininos). Vimos que quando Olorun começou a respirar, gerou Orixalá e Exu, o procriado. Na qualidade de procriado, Exu não pode ser isolado nem classificado em qualquer categoria. Minha homenagem ao meu BARA! Nestes escritos sobre os 

Orixás, Exu com seu perfil psicológico e o tipo determinante dos seus filhos, abrirão os caminhos sendo o primeiro a ser evocado. 

Os Orixás — deuses Iorubás na África e no Novo Mundo — seriam ancestrais míticos encantados e metamorfoseados nas forças da natureza. Cada Indivíduo tem um principal que é o "dono da cabeça", e outros três que exigem cultuação e que também oferecem proteção. A tradição afirma que cada ser humano, no momento em que é criado, escolhe livremente sua cabeça (Ori) e seu destino (Odu). 

Cada pessoa tem uma origem divina, que a liga a uma divindade específica. Esta parte divina à situada dentro da cabeça. A substância de origem divina (Ipori) torna manifesta a filiação a um deus especifico — o Eledá, por isso chamado o dono da cabeça. 

Conhecer seu Eledá possibilita ao homem ser artífice de seu próprio destino, cumprindo as obrigações ou interdições que seu Eledá determina. Saber manipular tais influências eqüivale ao conhecimento do horóscopo natal com as melhoras de vida, que se pode obter sabendo ouvir os astros. 

O "dono da cabeça" (Eledá) determina o tipo psicológico de seu filho e responde, também, por suas características físicas e seu destino. Tradicionalmente, sabe-se qual o da cabeça, pela leitura de búzios Orixá-forma divinatória na qual se lê o Odu. Para isso, usa-se búzio africano (Cauri) previamente preparado para esse fim. Voltaremos, após uma visão geral da estrutura do Candomblé aos Orixás e tipos psicológicos. 

Os praticantes do Candomblé ainda costumam se definir como praticantes de uma seita e não religião. Os integrantes do Candomblé do grupo yorubá, definem a prática religiosa como um conjunto de crenças — Ìgbàgbó —, obrigações — Orò, e práticas — Ìlò, através das quais se reconhece o mundo divino — Òrun — cumprem-se seus preceitos — Rúbo —, e pedem seus favores — Àse.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - TERMOS TÉCNICOS - PARTE II


FUNFUN — branco. 

EXU — do original ÈSÙ — pronúncia correta ÊXÚ — o primeiro Orixá a ser cultuado em qualquer ocasião. 

IWÁ — pronúncia? — um dos poderes usados por Olorun para regular e manter ativo a existência e o Universo. O IWÁ permite o Universo genérico o ar, a respiração. 

ABÁ — um dos poderes usados por Olorun para regular e manter ativo a existência e o Universo. O ABÁ que outorga propósito e dá direção. 

IORUBÁ — ou YORUBÁ — do original YORÙBÁ — etnia predominante na região da Nigéria. 

IRUNMALÉ — do original IRÚNMÀLÈ — entidades divinas que remontamos primórdios do universo, encarregados de mantê-las nas diferentes esferas de seu domínio. 

Os Irunmalé seriam em número de seiscentos, quatrocentos da direita (os Orixás, detentores dos poderes masculinos) e duzentos da esquerda (os Eboras, detentores dos poderes femininos). Segundo outro autor, os Irunmalé seriam os quatrocentos deuses da esquerda (e não da direita, como vimos acima, grifo nosso) que, após a destruição do Igbá Imolé foram conduzidos por Ogum. 

Segundo outros autores, ainda, com suas variantes Imalè e Imolè, a denominação dada às divindades nos textos de Ifá. Sua origem está conectada com as divindades ou espíritos específicos da Terra, uma categoria diferente da de Òrìsà. 

EBORA — do original EBORA — pronúncia correta EBORÁ ? — Os Irunmilá são entidades divinas que remontamos primórdios do universo, encarregados de mantê-las nas diferentes esferas de seu domínio. 

Os Irunmalé seriam em número de seiscentos, quatrocentos da direita (os Orixás, detentores dos poderes masculinos) e duzentos da esquerda (os Eboras, detentores dos poderes femininos). 

Segundo outro autor, os Irunmalé seriam os quatrocentos deuses da esquerda (e não da direita, como vimos acima, grifo nosso) que, após a destruição do Igbá Imolé foram conduzidos por Ogum. 

BARA — do original BÁRA — pronúncia correta BÁRÁ? — significa “no corpo”, ou seja, preso a ele. Refere-se a Exu.

ORI — pronúncia ORI — cabeça, manteiga vegetal. 

IPORI — Cada pessoa tem uma origem divina, que a liga a uma divindade específica. Esta parte divina está situada dentro da cabeça e chama-se IPORI

ELEDÁ — do original ELEDÁ — Orixá dono da cabeça, ou seja, “o dono da cabeça”. Segundo Beniste é um título atribuído a Oxalá e que quer dizer “O criador”

CAURI — búzio africano, com o qual se faz “O Jogo de Búzios”

YORUBÁ — ou IORUBÁ — do original YORÙBÁ — etnia predominante na região da Nigéria. 

ÌGBÀGBÒ — pronúncia correta IBÁBÓ? — conjunto de crenças com a qual os integrantes do Candomblé do grupo Yorubá definen a prática religiosa. 

ORÒ — pronúncia correta ÔRÔ — obrigações. Consagração, sacrifício, ritual. 

ÌLÒ — pronúncia correta ÍLÔ? — práticas através das quais se reconhece o mundo divino: o ORUN

ÒRUN — pronúncia ÔRUN — o outro plano do universo, o mundo dos deuses. Além, habitação dos Orixás, mundo paralelo ao mundo real, que coexiste com todos os conteúdos deste. 

RÚBO — pronúncia correta RUBÓ — preceitos do Candomblé. 

ÀSE — pronúncia correta AXÉ — é a força vital e sagrada que está presente em todas as coisas que a natureza produz; grande frente de poder que é mantida, ampliada e renovada por meio dos ritos que se processam nos Candomblés. 

Axé significa “que assim seja”, ou “que Deus permita que isto aconteça”. É uma palavra sagrada tão importante quanto Amém, Assim Seja, Aleluia e tantas outras.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ESTRUTURA - PARTE I



Candomblé é uma estrutura de culto às forças da natureza, à um hino à vida como Eterno Movimento, que se manifesta nas danças, nas cores dos Orixás, nos elementos sacramentais. 

Ritual comunitário de cantos, danças e alimentos sagrados na sua forma pública, o Candomblé é sacramentado pelo Pai ou Mãe de Santo, pelos filhos de Santo, pelos tocadores de atabaque (Ogan), que entoam os cantos sagra dos possibilitando a vinda do , com a participação da comunidade dos mais velhos às criancinhas. 

Todos cantam e saúdam os Orixás, executam a dança sagrada, num hino à Alegria, Amor e Partilha. 

O Candomblé expressa-se nos terreiros ou roças, onde se cultuam os Orixás e os ancestrais ilustres. O terreiro contém dois espaços, com características e funções diferentes: um espaço urbano, construído, onde se dá a dança; um espaço virgem (árvores e uma fonte, equivalentes à floresta africana), que é considerado sagrado. O chefe supremo do terreiro é o Babalorixá ou Iyalorixá (pai ou mãe).

Eles são detentores de um poder sobrenatural — o Axé, a força propulsora de todo Universo. 

O Axé impulsiona a prática sagrada que, por sua vez, realimenta o Axé, pondo todo sistema em movimento. O Axé sendo principio e força é neutro. Transmite-se, aplica-se e combina-se aos elementos naturais, que contém e expressam o Axé do terreiro, que pode ser: (a) o Axé de cada, realimentado através das oferendas e do ritual; (b) o Axé de cada membro do terreiro, somado ao do seu , recebido na iniciação, mais o Axé do seu destino individual (Odu) e o herdado dos próprios ancestrais; (c) o Axé dos antepassados ilustres. O Axé como força pode diminuir ou aumentar dependendo da prática litúrgica e rigorosa observância dos deveres e obrigações. 

 A força do Axé é contida e transmitida através de elementos representativos do reino vegetal, animal e mineral (oferendas) e podem ser agrupados em três categorias: (a) sangue vermelho do reino animal (sangue), vegetal (azeite de dendê) e mineral (cobre); (b) sangue branco do reino animal (sêmem, a saliva), vegetal (seiva), mineral (giz); (c) sangue preto do reino animal (cinzas de animais), vegetal (sumo escuro de certos vegetais) e mineral (carvão, ferro). 

Estes três tipos de sangue, por onde veicula o Axé, com sua coloração, vai determinar a fundamental importância da cor no culto. Resumindo: o Axé é, portanto, um poder que se recebe, partilha-se e distribuí-se através da prática ritual, da experiência mística e iniciática, conceitos e elementos simbólicos servindo de veículo. É a força do Axé que permite que o venha e realize-se. 

A existência transcorre em dois planos: o Aiyé (mundo, habitação do homem) e o Orun(além, habitação dos Orixás, mundo paralelo ao mundo real, que coexiste com todos os conteúdos deste). Cada indivíduo, árvore, animal, cidade, etc, possui um duplo espiritual e abstrato no Orun. Os mitos revelam que em épocas remotas, o Aiyé e o Orun estavam ligados, e os homens podiam ir e vir livremente de um local a outro. 

Houve, porém, a violação de uma interdição e a conseqüente separação e o desdobramento da existência. Um mito da criação nos conta que nos primórdios, nada existia além do ar. Quando Olorun começou a respirar, uma parte do ar transformou-se em massa de água, originando Orixalá — o grande Orixá Funfun.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - TERMOS TÉCNICOS

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs), Bom dia!!!

Dando continuidade aos nossos estudos sobre a COLETÂNEA O CANDOMBLÉ, em nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, hoje resolvemos passar para vocês alguns dos termos mais utilizados em nossa linguagem para que cada um de nós possa de fato se adentrar neste conhecimento a fim de aprimorar ainda mais nosso aprendizado. 


CANDOMBLÉ — é uma estrutura de culto às forças da natureza, à um hino, à vida como Eterno Movimento, que se manifesta nas danças, nas cores dos ORIXÁS, nos elementos sacramentais. 

Ritual comunitário de cantos, danças e alimentos sagrados na sua forma pública, o Candomblé é sacramentado pelo Pai ou Mãe de Santo, pelos Filhos de Santo, pelos tocadores de atabaque (OGAN), que entoam os cantos sagra dos possibilitando a vinda do, com a participação da comunidade dos mais velhos às criancinhas. 

Todos cantam e saúdam os ORIXÁS, executam a dança sagrada, num hino à Alegria, Amor e Partilha. 

A palavra Candomblé possui dois significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de "Candonbé", um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de "Candonbidé", que quer dizer "ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa".

ORIXÁ — do original ÒRÌSÀ — deuses Iorubás na África e no Novo Mundo — seriam ancestrais míticos encantados e metamorfoseados nas forças da natureza. Os deuses ou divindades do Candomblé. A palavra Orixá vem do sânscrito e é composta de OR ou ORI que significa “luz” e em Iorubá “cabeça”; XA que significa “senhor, chefe, dono”. São pois, as forças criativas da natureza. No Candomblé significa, dono da cabeça. A palavra “Orixá” significa, em iorubá “Ministro de Olorum”

OGAN — do original ÒGÁ — pronúncia correta OGÃ deveria ser OGÁ, grifo nosso) — homem que não entra em transe, iniciado para tocar os atabaques, fazer sacrifícios ou cuidar dos assentamentos rituais dos Orixás; grande autoridade dentro do terreiro. 

O Ogan é uma pessoa escolhida diretamente pelo Òrìsà para exercer a função. Após ser iniciado é denominado Ogan “confirmado”, passando a ter direito à sua cadeira. A palavra vem do yorubá Ògá, significando mestre e senhor. 

BABALORIXÁ — do original BABALORISÁ — sacerdote do Candomblé; pai (no culto de) Orixá; dirigente masculino. Para uns, Babalaô e Babalorixá são diferentes. Para uns, Babalaô é o Senhor predestinado à adivinhação e o Babalorixá é predestinado ao meridilogun, ou seja, Senhor do Segredo dos Orixás; logo, são diferentes (grifo, nosso). 

IYALORIXÁ — ou IALORIXÁ — do original ÌYÁLÓRÌSÀ — sacerdotisa do Candomblé; mãe (no culto de) Orixá. Dirigente Feminina.

AXÉ — do original ÀSE — é a força vital e sagrada que está presente em todas as coisas que a natureza produz; grande frente de poder que é mantida, ampliada e renovada por meio dos ritos que se processam nos Candomblés. Axé significa “que assim seja”, ou “que Deus permita que isto aconteça”. É uma palavra sagrada tão importante quanto Amém, Assim Seja, Aleluia e tantas outras. 

ODU — pronúncia ODÚ — caminho, destino. 

ÀIYÉ — pronúncia correta AIÊ — de acordo com o Candomblé, o universo está dividido em duas dimensões: o aiyé corresponde ao mundo físico, ou seja o mundo dos homens. 

ORUN — do original ÒRUN — pronúncia ÔRUN — o outro plano do universo, o mundo dos deuses. Além, habitação dos Orixás, mundo paralelo ao mundo real, que coexiste com todos os conteúdos deste. 

OLORUN — pronúncia ÓLÓRUN — o Deus Supremo. O mesmo que Olódùmarè. — segundo dizem é um título conferido a Olodumaré e que quer dizer “O Rei do Céu — Sua habitação é o Céu, como majestade única e incomparável”

ORIXALÁ — do original ÒRÌSÀLÁ — o grande Orixá Funfun, Orixá do branco. O mesmo que Oxalá. Segundo dizem é uma qualidade de Oxalá do meio-dia.