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domingo, 2 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - GOLPES E MOVIMENTOS

Para cada um de nós que agora compomos a EQUIPE OLHOS DE OXALÁ, um BLOG desenvolvido por nosso amigo e coordenador PEDRO MANUEL, ou para muitos, PEDRO DE OGUM, que nos direciona sobre tópicos, formas de postagens e na escolha de fotos ou vídeos. É de fato uma alegria imensa conseguir chegar ao final de uma coletânea e ver de fatos os frutos. 

O fato desta EQUIPE ter surgido, foi mais uma forma também de nos conscientizar sobre nossa responsabilidade dentro de nossa religiosidade. E que logo estaremos neste MÊS falando um pouco de como surgiu esta EQUIPE e quem faz parte dela. 

Frutos estes que a cada dia avaliamos as visualizações e participações, sejam por emails, comentários de alguma postagem. Para nossa alegria esta COLETÂNEA sobre o tema "OXÓSSI E A CAPOEIRA", foi de fato, muito bem visualizada e até comentada. 

Hoje, estamos finalizando esta primeira etapa deste tema, após a reformulação do BLOG OLHOS DE OXALÁ, ter começado. MAS PARA QUEM CURTIU, fique tranquilo. Já estamos providenciando um APROFUNDAMENTO sobre este tema, onde iremos mostrar os fundamentos espírituais envolvidos nesta prática esportiva; que um dia foi tão perseguida e hoje é uma das novas etapas a ser incluída até mesmo nas OLIMPÍADAS DO BRASIL EM 2016

Não deixe de participar disso. 
ARTHUR DE OXAGUIÃN

GOLPES E MOVIMENTOS


A capoeira usa primariamente os pés como ataque. Golpes podem ser diretos, como no caso do Martelo, ou giratórios, como no caso da Meia-lua de compasso. A rasteira é de suma importância, considerada por muitos como a melhor arma disponível para o capoeirista. Desenvolvida para o combate em desvantagem, o ataque do capoeirista deve ser aplicado no momento oportuno e de forma definitiva. 

A defesa usa o princípio da não-resistência, isto é, evitar um golpe com uma esquiva em vez de apará-lo. Esquivas podem ser executadas tanto em pé quanto com os apoios das mãos no chão. No caso de impossibilidade da esquiva o Capoeirista se defende aparando ou desviando o golpe com as mãos ou as pernas. 

A ginga é importantíssima para a defesa e para o ataque do capoeirista, tornando o capoeirista imprevisível durante o ataque e dificultando um possível contra-ataque, além de evitar que o capoeirista se torne um alvo fixo. 

Completam a técnica as cabeçadas, floreios (acrobacias no solo), tesouras, cotoveladas e outras.


GRADUAÇÃO


Devido à sua vastidão e à sua origem, a capoeira nunca teve unidade ou consenso. O sistema de graduação segue o mesmo caminho, nunca tendo existido um sistema padrão que fosse aceito pela maioria dos grandes mestres. Dessa forma o sistema de graduação varia muito de grupo para grupo. A própria origem do sistema é recente, tendo partido com a Luta Regional Baiana de Mestre Bimba, na década de 1930. Bimba utilizava lenços de seda para diferenciar seus alunos entre aluno formado, aluno especializado e mestre. Alunos novos não possuiam graduação. 

Atualmente o sistema de graduação mais comum é o de cordas (também chamadas cordéis ou cordões) de diferentes colorações amarrados na cintura do jogador. Alguns grupos usam diferentes sistemas, ou até mesmo nenhum sistema. 

Existem várias entidades (Ligas, Federações e Confederações) que tentam organizar e unificar a graduação na capoeira. O sistema mais comum é o da Confederação Brasileira de Capoeira, que adota o sistema de graduação feito por cordas seguindo as cores da bandeira brasileira, de fora para dentro (iniciado na época em que a capoeira oficialmente era considerada parte da Federação Brasileira de Pugilismo). 

Apesar de muito difundido com diversas variações, muitos grupos grandes e influentes utilizam cores diferentes ou mesmo graduações diferentes. A própria Confederação Brasileira de Capoeira não é amplamente aceita como representante principal da capoeira.

Sistema de graduação da Confederação Brasileira de Capoeira

Graduação básica adulta (a partir de 15 anos) 

Iniciante: sem corda ou cordão 

Batizado: verde 

Graduado: amarelo 

Graduado: azul 

Intermediário: verde e amarelo 

Avançado: verde e azul 

Estagiário: amarelo e azul 

Graduação avançada - Docente de capoeira 

Formando: verde, amarelo e azul - 5 anos de capoeira - idade mínima 18 anos 

Monitor: verde e branco - 7 anos de capoeira - idade mínima 20 anos 

Professor: amarelo e branco - 12 anos de capoeira - idade mínima 25 anos 

Contramestre: azul e branco - 17 anos de capoeira - idade mínima 30 anos 

Mestre: branco - 22 anos de capoeira - idade mínima 35 anos 

Graduação infantil (até 14 anos) 

Idêntica à graduação básica, porém com a cor mais clara. Após a sétima graduação, o aluno infantil passa para a segunda graduação adulta, corda verde. Em alguns casos (dependendo de seu desempenho) pode pegar a terceira graduação, corda amarela. 

O tempo de cada graduação varia dependendo da sua importância. As cordas iniciais, como a verde e a amarela, podem ser conquistadas em menos de um ano. Cordas avançadas, notadamente as de contra-mestre e mestre, levam diversos anos e exigem um profundo conhecimento da capoeira para serem conquistadas.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - CAPOEIRA REGIONAL E CONTEMPORÂNEA

Dando seguimento a coletânea "OXÓSSI E A CAPOEIRA", vamos de fato explanar o que vem a ser CAPOEIRA REGIONAL e CAPOEIRA CONTEMPORÂNEA. Duas realidades distintas, mas que nasceram na tradição Afro-descendente e muitas delas em Casas de Santo de suas épocas tradicionais.

REGIONAL


A capoeira regional começou a nascer na década de 1920, do encontro de mestre Bimba com seu futuro aluno, José Cisnando Lima. Ambos acreditavam que a capoeira estaria perdendo seu valor marcial e chegaram à conclusão de que uma reestruturação era necessária. Bimba criou, então, sequências de ensino e metodizou o ensino de capoeira. Aconselhado por Cisnando, Bimba chamou sua capoeira de Luta Regional Baiana, visto que a capoeira ainda era ilegal na época. 

A base da capoeira regional é a capoeira tradicional mais enxuta, com menos subterfúgios e maior objetividade. O treinamento era mais focado no ataque e no contra-ataque, com muita importância para a precisão e a disciplina. Bimba também incorporou alguns golpes de outras artes marciais, notadamente o batuque, antiga luta de rua praticada por seu pai. O uso de acrobacias e saltos era mínimo: um dos fundamentos era sempre manter ao menos uma base de apoio. Como dizia Mestre Bimba, o chão é amigo do capoeirista. 

A capoeira regional também introduziu na capoeira o conceito de graduações. Na academia de mestre Bimba, existiam três níveis hierárquicos: calouro, formado e formado especializado. As graduações eram determinadas por um lenço amarrado na cintura. 

As tradições da roda e do jogo de capoeira foram mantidas, servindo para a aplicação das técnicas aprendidas em aula. A bateria, contudo, foi modificada, sendo composta por um único berimbau e dois pandeiros. Uma das maiores honras para um discípulo era a permissão para jogar iúna. O jogo de iúna tinha a função simbólica de promover a demarcação do grupo dos formados para o grupo dos calouros. 

A única peculiaridade técnica do jogo de iúna em relação aos jogos realizados em outros momentos da roda de capoeira era a obrigatoriedade da aplicação de um golpe pré-estabelecido no desenrolar do jogo. O jogo também destacava-se pela maior habilidade dos capoeiristas que o executavam. Praticado apenas ao som do berimbau, sem palmas ou outros instrumentos, o que reforçava seu caráter solene. 

Ao final de cada jogo, todos os participantes aplaudiam os capoeiristas que saíam da roda. A luta regional baiana tornou-se rapidamente popular, levando a capoeira ao grande público e finalmente mudando a imagem do capoeirista, tido no Brasil até então como um marginal. Das muitas apresentações que mestre Bimba fez com seu grupo, talvez a mais conhecida tenha sido a ocorrida em 1953 para o então presidente da república Getúlio Vargas, ocasião em que teria ouvido do presidente: A capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional.

CONTEMPORÂNEA


A partir da década de 1970 um estilo misto começou a adquirir notoriedade, com alguns grupos unindo os fatores que consideravam mais importantes da Regional e da Angola. Notadamente mais acrobático, este estilo misto é visto por alguns como a evolução naturalda capoeira, por outros como descaracterização ou até mesmo mal-interpretação das tradições capoeirísticas. Com o tempo toda capoeira que não seguia as linhas da Regional ou da Angola, mesmo as amalgamadas com outras artes-marciais, passou a se denominar Contemporânea.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - OS TOQUES DA CAPOEIRA

Toques de capoeira 

O toque de capoeira é o ritmo tocado pelos berimbaus, seguidos pelos demais instrumentos. Podem ser executados desde bem lentamente (como no toque de Angola), induzindo a um jogo mais lento e estratégico, até bastante acelerados (como em São Bento Grande), induzindo a um jogo rápido, ágil e acrobático. Podem também ter outros significados que vão além do jogo ou comandar uma roda restrita, como o toque de Iúna.


Em uma roda de capoeira a forma mais usual é iniciar com o toque de Angola e subir o ritmo gradualmente, encerrando com o toque São Bento Grande em alta velocidade. Contudo não existem regras, uma roda pode manter sempre o mesmo toque ou mesmo inverter, começando de modo acelerado e terminando de modo lento. 

Alguns dos toques mais comumente utilizados: 

* Toque de Angola 

* São Bento Pequeno 

* São Bento Grande de Angola 

* São Bento Grande da Regional 

* Iúna 

* Cavalaria 

* Samango 

* Santa Maria 

* Benguela 

* Amazonas 

* Idalina

A dança e a capoeira 

Devido à sua origem e história, existiu sempre a necessidade de se esconder ou disfarçar o aprendizado e a prática da capoeira. Na época da escravidão era um risco enorme aos senhores de engenho possuir escravos hábeis em uma arte-marcial. Para evitar represálias por parte de seus senhores, os escravos praticavam enquanto seus companheiros cantavam e batiam palmas. Os golpes e esquivas eram praticados durante uma falsa dança que seria o embrião da atual ginga. 

Da falsa dança da época dos engenhos de açúcar até os tempos mais atuais, a ginga evoluiu até se tornar uma estratégia de combate, cujo objetivo principal é não oferecer ao oponente um alvo fixo. Mesmo hoje em dia a maioria dos leigos à primeira vista acredita tratar-se a capoeira de uma coreografia, ou de uma dança acrobática. Outras manifestações culturais como o batuque, o maculelê, a puxada de rede e o samba de roda são danças fortemente ligadas à capoeira, por também terem nascido da mesma cultura.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - A MUSICALIDADE



Música 

A música é um componente fundamental da capoeira. Introduzida como forma de ludibriar os escravizadores, fazendo-os acreditar que os escravos estavam dançando e cantando, quando na verdade estavam desenvolvendo e treinando uma arte-marcial para se defenderem. Componente fundamental de uma roda de capoeira, ela determina o ritmo e o estilo do jogo que é jogado. 

A música é criada pela bateria e pelo canto (solista ou em coro), geralmente acompanhados de um bater de palmas. A bateria é tradicionalmente composta por três berimbaus, dois pandeiros e um atabaque, mas o formato pode variar excluindo-se ou incluindo-se algum instrumento, como o agogô e o ganzuá. Um dos berimbaus define o ritmo e o jogo de capoeira a ser desenvolvido na roda. Desta maneira, é a música que comanda a roda de capoeira, não só no ritmo mas também no conteúdo. 


Canções 

As canções de capoeira são divididas em partes solistas e respostas do coro, formado por todos os demais capoeiristas presentes na roda. Dependendo do seu conteúdo podem ser classificadas como ladainhas, chulas, corridos ou quadras. 

A ladainha, ou lamento, é utilizada unicamente no início da roda de capoeira. Parte do longo grito iê, seguido de uma narrativa solista cantada em tom solene. Geralmente é cantada pelo capoeirista mais respeitado ou graduado da roda. Neste momento não existe jogo, não se bate palmas e alguns instrumentos não são tocados. 

A narrativa é seguida pelas homenagens tradicionais feitas pelo solista (a Deus, ao seu mestre, a quem o ensinou e mais qualquer personagem importante ou fator relevante à capoeira, como a malandragem), respondidas intercaladamente pela louvação do coro e pelo início das palmas e dos instrumentos complementares. O jogo de capoeira somente pode iniciar após o fim da ladainha. 

A chula é um canto em que a parte solista é muito mais longa do que a a resposta do coro. Enquanto o solista canta dez, doze, ou até mais versos, o coro responde com apenas dois ou quatro versos. A chula pode ser cantada em qualquer momento da roda. 

O corrido, forma musical mais comum da roda de capoeira, é um canto onde a parte solista e a resposta do coro são equivalentes, em alguns casos o número de versos do coro superando os versos solistas. Pode ser cantado em qualquer momento da roda e seus versos podem ser modificados e improvisados durante o jogo para refletir o que está acontecendo durante a roda, ou para passar algum aviso a um dos demais capoeiristas. 

A quadra é composta de um mesmo verso repetido quatro vezes, seja três versos solistas e uma resposta do coro, seja a parte solista e a resposta intercaladas. Pode ser cantada em qualquer momento da roda. 

As canções de capoeira têm assuntos dos mais variados. Algumas canções são sobre histórias de capoeiristas famosos, outras podem falar do cotidiano da comunidade. Algumas canções comentam o que está acontecendo durante a roda de capoeira, outras divagam sobre a vida ou um amor perdido. 

Outras ainda são alegres e falam de coisas tolas, cantadas apenas por diversão. Basicamente não existem regras e alunos são encorajados a criar suas próprias canções. Os capoeiristas mudam as canções frequentemente de acordo com o que ocorre na roda ou fora dela. 

Um bom exemplo é quando um capoeirista novato demonstra notável habilidade durante o jogo e o solista canta o verso "e o menino é bom", seguido pelo coro com o verso "bate palma pra ele". A letra da música é constantemente usada para passar mensagens para um dos capoeiristas, na maioria das vezes de maneira velada e sutil.