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domingo, 9 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - O MITO DO OVO



O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e èbós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. 

Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”, com o 1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo, com o 2º deu origem a Ògún a forma, o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida. 

O Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo: 

O ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares

O ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz

E finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural

Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. 

Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento = ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ

O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). 

O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário. 

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubà, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. 

A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubà principalmente no culto de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ e etc... 

Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéia de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo

Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. 

Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àsé (poder realizador). 

O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. 

O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em èbós de seu a ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ

O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “EKURU” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agradar os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà, Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa. 

O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranqüilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. 

Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. 

Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). 

Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. 

Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrificatórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase, com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. 

Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. 

Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa. 

Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. 

Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú. 

Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè. Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) encima de seu Okuta. 

Por motivo não admiti a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé. Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé. 

Classificação dos Ovos: 

Ovo de galinha cru – purifica e tranqüiliza. 

Ovo de galinha cozido – tirar doenças. 

Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia. 

Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas. 

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço. 

Ovo de pombo - propicia traquilidade e fertilidade. 

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios. 

TEXTO COLABORADO POR Baba Oju Omy.

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - PALAVRAS DE BABA KLEBER DE OGUM



YÁ MÍ AJÉ SAREYE YÉ SOSRONGÁ YAMÍ OXORONGÁ 

Iyá Mi Ajé, que em Yorubá significa: Minha mãe feiticeira, ou também como é conhecida, Iyami Oxorongá, é nossa figura materna mais antiga citada no contexto yorubá, e existem uma série de mistérios que rondam essas entidades, isso devido ao fato de elas guardarem os segredos da criação, assim como Ifá.

As Yás, são detentoras do poder ancestral feminino, por isso fala através do Odú Oxê. 

Dizem as mais velhas que, Iyami toma a forma de uma coruja, e se ela passar próximo a uma casa e grita é porque alguém vai morrer ou acontecerá algo ruim. 

Tem forte ligação com OXUM, OBÁ E OYÁ, pois faziam elas parte da sociedade de Geledé, que tinha como objetivo fortalecer o poder feminino e se opor aos homens, e essa sociedade ainda é cultuada na Nigéria. 

O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. 

E aqui relato a relação das yami oxorongá e o ovo..

Quando Olorun criou os animais, que quando davam cria, elas eram fracas, e quase nunca vingavam, então Olorun pediu a ajuda de Ifá para saber o que podia ser feito para proteger a criação, foi então que Ifá orientou Olorun a ir até as Yámim Ajé, que elas teriam o segredo. 

Chegando ao pé da árvore sagrada onde morava nas mães ancetrais, Olorun as explicou o ocorrido e pediu que ela o ajuda-se, foi então que elas ofereceram o Ovo, e disse que ele iria proteger a vida, até que aqueles animais, como a cobra, a galinha, os oviperos em geral, pudessem estar prontos para nascer, e que o só calor materno poderia despertá-los. 

Por essa graça, Olorun deu as Yás, o poder sobre ajé, o ovo e suas propriedades. 

Babalorisá Kleber Ti Ogún

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - AS FEITICEIRAS AFRICANAS


Iyami Oshorongá é o termo que designa as terríveis Ojés, feiticeiras africanas, uma vez que ninguém as conhece por seus nomes. As Iyami representam o aspecto sombrio das coisas: a inveja, o ciúme, o poder pelo poder, a ambição, a fome, o caos o descontrole. No entanto, elas são capazes de realizar grandes feitos quando devidamente agradadas. Pode-se usar os ciúmes e a ambição das Iyami em favor próprio, embora não seja recomendável lidar com elas. 

O poder de Iyami é atribuído às Mulheres Velhas, mas pensa-se que, em certos casos, ele pode pertencer igualmente a moças muito jovens, que o recebem como herança de sua mãe ou uma de suas avós. 

Uma mulher de qualquer idade poderia também adquiri-lo, voluntariamente ou sem que o saiba, depois de um trabalho feito por alguma Iyami empenhada em fazer proselitismo. 

Existem também feiticeiros entre os homens, os oxô, porém seriam infinitamente menos virulentos e cruéis que as ajé (feiticeiras). Ao que se diz, ambos são capazes de matar, mas os primeiros jamais atacam membros de sua família, enquanto as segundas não hesitam em matar seus próprios filhos. 

As Iyami são tenazes, vingativas e atacam em segredo. Dizer seu nome em voz alta é perigoso, pois elas ouvem e se aproximam pra ver quem fala delas, trazendo sua influência. 

Iyami é freqüentemente denominada eleyé, dona do pássaro. O pássaro é o poder da feiticeira; é recebendo-o que ela se torna ajé. É ao mesmo tempo o espírito e o pássaro que vão fazer os trabalhos maléficos. 

Durante as expedições do pássaro, o corpo da feiticeira permanece em casa, inerte na cama até o momento do retorno da ave. Para combater uma ajé, bastaria, ao que se diz, esfregar pimenta vermelha no corpo deitado e indefeso. Quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar o corpo maculado por seu interdito. 

Iyami possui uma cabaça e um pássaro. A coruja é um de seus pássaros. É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, e é silencioso. 

"Se ela diz que é pra matar, eles matam, se ela diz pra levar os intestinos de alguém, levarão"

Ela envia pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos e os pulmões das pessoas, dá dores de cabeça e febre, não deixa que as mulheres engravidem e não deixa as grávidas darem à luz. 

As Iyami costumam se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas. Toda Iyami deve levar uma vítima ou o sangue de uma pessoa à reunião das feiticeiras. Mas elas têm seus protegidos, e uma Iyami não pode atacar os protegidos de outra Iyami

Iyami Oshorongá está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. 

Tudo é pretexto para que Iyami se sinta ofendida. 

Iyami é muito astuciosa; para justificar sua cólera, ela institui proibições. Não as dá a conhecer voluntariamente, pois assim poderá alegar que os homens as transgridem e poderá punir com rigor, mesmo que as proibições não sejam violadas. 

Iyami fica ofendida se alguém leva uma vida muito virtuosa, se alguém é muito feliz nos negócios e junta uma fortuna honesta, se uma pessoa é por demais bela ou agradável, se goza de muito boa saúde, se tem muitos filhos, e se essa pessoa não pensa em acalmar os sentimentos de ciúme dela com oferendas em segredo. É preciso muito cuidado com elas. 

E só Orunmilá consegue acalmá-la.

COLETÂNEA OXUM E AS IYÁ MI - AS MÃES DO SEGREDO

Ajé Ògúgúlùsò Aiye Olámbó yèyé. 
Ibá awon Ìyáàmi, 
Èìswù Alágogo haguná to p'oní ma.

Tradução:

Homenagem ao Espírito da riqueza e boa sorte, a honra vem da Mãe Terra. Eu saúdo todas as Mães Sábias. O Pássaro branco de poder é a fonte de seu medicamento.


O simbolismo em Ifá, é uma expressão da dinâmica e da forma, que ocorrem na natureza. É uma tentativa de explicar as maneiras pelas quais as forças invisíveis da natureza afetam o universo visível. 

Todos os aspectos de Ifá, suas histórias sagradas, simbolismos e rituais expressam a polaridade entre as forças de expansão e contração, que são as expressões fundamentais do poder na Natureza. 

Em termos simplificados, essa polaridade é expressa na relação entre Òrìsà feminino e o masculino. 

Dentro da estrutura sócio-religiosa, política da religião de Ifá, essa polaridade é expressa através de uma série de ordens religiosas específicas quanto ao sexo. 

Destaque entre essas ordens religiosas que honra o poder feminino são as Ìyáàmi awo. É comum para os antropólogos descrever esta sociedade como "as bruxas". O significado original de "bruxa" da cultura européia é: "Mulher sábia"

No entanto, o termo tende a ser pejorativo no uso contemporâneo ocidental. 

Mulheres Ìyáàmi awo preservam ou estão associadas aos mistérios da menstruação. Parece absurdo atribuir qualquer conotação negativa a esta tradição sagrada, porque o mistério da menstruação é a fonte da vida na Terra. 

Literalmente, falando a verdade, cada ancestral, mesmo os divinizados, ou não que já viveram, vieram à Terra através do útero de uma mulher, tarefa esta, possibilitada pelas Ìyáàmi.

COLETÂNEA OXUM E AS IYÁ MI - MINHA MÃE FEITICEIRA

Motumbá, meus (minhas) irmãos (ãs) visitantes, seguidores e participantes de nossa tão amada RELIGIOSIDADE, seja do CANDOMBLÉ como da UMBANDA SAGRADA, presentes em nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.

Conforme a introdução de nosso COORDENADOR PEDRO MANUEL T'OGUM, percebemos que existe uma ligação muito forte entre OXUM e as IYA MÍ OXORONGÁ. Bem como, com todas as ORIXÁS FEMININAS do panteão africano.

Assim vamos dar início a esta COLETÂNEA OXUM E AS IYÁ MI, justamente para nos adentrarmos neste assunto de forma bem simples e básica. A medida que formos nos aprofundando dentro dos limites deste assunto, respeitando TODA A HIERÁRQUIA E TRADIÇÃO de nossa RELIGIOSIDADE, fazendo de nosso conhecimento uma forma de analisar não somente a belaza mas a misticidade encontrada em nossa fé.

Mas quem vem a ser IYA MÍ OXORONGÁ? Vamos acompanhar esta COLETÂNEA a fim de buscarmos os conhecimentos necessários para responder esta nossa pergunta.

Iyami-Ajé


Iyami-Ajé - (Iyá Mi Ajé = Minha Mãe Feiticeira) também conhecida por Iyami Oxorongá - é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Identificada no jogo do merindilogun pelo odu Ôxê

Tudo que é redondo remete ao ventre e, por consequência, as Iyá Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por OXUM, YEMANJÁ E NANÃ BURUKU, mas o poder de Iyá Mi é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

Iyami Ajé na forma de pássaro (Coruja Rasga-Mortalha ou coruja rasgadeira) pousa nas árvores favoritas durante a noite principalmente na jaqueira (Artocarpus heterophyllus). Contam os antigos africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído característico ou aproxima-se de uma casa é porque vai morrer alguém.

Iyami Agbá


Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Ìyámi Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Oxorongá chamada também de Ìyá NIa, a grande mãe. 

Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Gëlèdé", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. 

O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.

O culto a Naê no Maranhão pode ser comparado ao das Iyamí Oxorongá da Nigéria, Benin e outras regiões da África - mães ancestrais respeitadas e temidas, que não incorporam e que têm o poder de se transformar em pássaro.

É um orixá apenas assentado para ser cultuado pela comunidade, não é um orixá de iniciação, por ser uma energia ancestral aglutinada de forma coletiva. Representando todas as mães mortas e ninguém pode incorporá-las ou manifestá-las.