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domingo, 13 de janeiro de 2013

COLETÂNEA FILHAS DE OXUM - MÃE MENININHA DE OXUM

Maria Escolástica da Conceição Nazaré (Salvador, Bahia, 10 de fevereiro de 1894 - 13 de agosto de 1986), conhecida como Mãe Menininha do Gantois, foi uma Iyálorixá (mãe-de-santo) brasileira, filha de Oxum.



Biografia 

Nasceu em 1894, no dia de Santa Escolástica, na Rua da Assembléia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, tendo como pais Joaquim e Maria da Glória. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria. 

Foi apelidada Menininha, talvez por seu aspecto franzino. “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar… Agora, dançava o candomblé com todos desde os seis anos”

Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê - em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena). Menininha seria sua sucessora na função de Iyalorixá do Gantois. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado. Por um curto período, enquanto a jovem se preparava para assumir o cargo, sua mãe biológica, Maria da Glória Nazareth, permaneceu à frente do Gantois. 

Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras. Sucessora de sua mãe, Maria da Glória Nazareth, foi sucedida por sua filha, Mãe Cleusa Millet. 

"Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer que não, mas tinha um medo horroroso da missão (...): passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento". 

O terreiro, que inicialmente funcionava na Barroquinha, na zona central de Salvador, foi posteriormente, transferido para o bairro da Federação onde hoje é o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, na Avenida Vasco da Gama, do qual Maria Júlia da Conceição Nazaré sua avó também fazia parte. 

Com o falecimento da iyalorixá da Casa Branca Iyá Nassô, sucedeu Iyá Marcelina da Silva Oba Tossi. Após a morte desta, Maria Júlia da Conceição e Maria Júlia Figueiredo, disputaram a chefia do candomblé, cabendo à Maria Júlia Figueiredo que era a substituta legal (Iyakekerê) tomar a posse como Mãe do Terreiro. 

Maria Júlia da Conceição afastou-se com as demais discidentes e fundaram outra Ilé Axé, o (Terreiro do Gantois), instalando-se em terreno arrendado aos Gantois - família de traficantes de escravos e proprietários de terras de origem belga - pelo cônjuge de Maria Júlia, o negro alforriado Francisco Nazareth de Eta. Situado num lugar alto e cercado por um bosque, o local de difícil acesso era bem conveniente numa época em que o candomblé era perseguido pelas forças da ordem. Geralmente, os rituais terminavam subitamente com a chegada da polícia. 

Em 1922, através do jogo de búzios, os orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê confirmaram a escolha de Menininha, então com 28 anos. Em 18 de fevereiro daquele ano, ela assume definitivamente o terreiro. "Quando os orixás me escolheram eu não recusei, mas balancei muito para aceitar", contava. 

A partir da década de 1930, a perseguição ao candomblé vai arrefecendo, mas uma Lei de Jogos e Costumes, condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas. Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições. "Isso é uma tradição ancestral, doutor", ponderava a iyalorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. "Venha dar uma olhadinha o senhor também". 

Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. "Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas", analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia. 

Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé. 

Aos 29 anos, Menininha casou-se com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendente de escoceses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem. “Meu marido, quando me conheceu, sabia que eu era do candomblé… A gente viveu em paz porque ele passou a gostar de Candomblé. Mas, quando fui feita Iyalorixá, passamos a morar separados. No meu terreiro, eu e minhas filhas. Marido não. Elas nasceram aqui mesmo”.  

Em uma entrevista à revista Isto É, mãe Carmem conta que ela adorava assistir telenovelas, sendo que uma de suas preferidas teria sido Selva de Pedra. Era colecionadora de peças de porcelana, louça e de cristais, que guardava muito zelo. Não bebia Coca-Cola, pois certa vez lhe disseram que a bebida servia para desentupir os ralos de pias, e ela temia que a ingestão da bebida fizesse efeito análogo em si. 

Mãe Menininha do Gantois faleceu em Salvador em 1984 de causas naturais, aos 92 anos de idade.


Homenagens 

O terreiro está localizado na rua Mãe Menininha do Gantois (antiga rua da Boa Vista, renomeada em 1986), no Alto do Gantois, bairro da Federação, em Salvador. Após a sua morte, seus filhos deixaram seu quarto intacto, com seus objetos de uso pessoal e ritualísticos. O aposento foi transformado no Memorial Mãe Menininha e é uma das grandes atrações do Gantois.

COLETÂNEA FILHAS DE OXUM - MÃE NITINHA DE OXUM


Areonithe da Conceição Chagas ou Iyá Nitinha, nasceu na Bahia e é um dos mais tradicionais nomes do Candomblé brasileiro. Filha de Mãe de santo, Mãe Nitinha "fez o santo" aos quatro anos de idade, no tradicional terreiro da Casa Branca, onde nasceu Mãe Nitinha, professora primária e parteira da comunidade, foi Iyakekerê, Iyatebexê, Ojuodé e Iyalorixá em sua casa no Rio de Janeiro, Terreiro de Nossa Senhora das candeias em Miguel Couto na baixada fluminense. 

Em 2005, foi escolhida pelo governo brasileiro como representante do candomblé na comitiva multirreligiosa que participou, em Roma, das cerimônias funerais do Papa João Paulo II. Contudo, não conseguiu embarcar, perdeu o vôo por haver chegado atrasada. 

Mãe Nitinha se casou aos 14 anos, conseguiu que a família composta pelos filhos naturais e de criação, além de 12 netos, aprendesse a compartilhá-la com os fiéis que tanto a respeitavam. 

Em 2000, reconhecida a aposentadoria aos pais e mães de santo, Mãe Nitinha tornou-se a primeira a beneficiar-se com a medida. Morreu em 4 de fevereiro de 2008, quando foi enterrada com as vestes brancas e douradas de Mãe Oxun. 

Quem conheceu Mãe Nitinha diz que ela seguia à risca os passou ditados por Mãe Oxun, seu Orixá, pois cresceu dentro do terreiro, aprendendo orikís e cantigas. Iniciou-se muito cedo, por isso, sabia conduzir um candomblé como ninguém. 

Conheceu o presidente Lula no no Rio de Janeiro e, cerca de dez anos depois, foi escolhida para participar da comitiva ao enterro do Papa João Paulo II. Ao ser perguntada sobre o atraso no vôo, Mãe Nitinha dizia: "O santo mandou ficar"

Em vida, Mãe Nitinha foi mulher ilustre, importante dentro da comunidade e que se relacionava muito bem com outras religiões, sempre lutando pelas "mulheres do santo", tanto que em 2007, recebeu do presidente Lula a "Comenda do Rio Branco"

Mãe Nitinha não era apenas um exemplo de Iyalorixá, tinha poder nas decisões e a magia no olhar, foi incontestavelmente uma das maiores lideranças religiosas no Rio de Janeiro. 

Pesquisa: Revista Cultura Afro-Brasileira " Candomblé"

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T'OGUM

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.


Bom dia a todos. Com grande alegria, venho hoje, nesta manha de Domingo, partilhar com vocês alguns dos motivos que me fizeram ficar um pouco afastado do andamento de nosso BLOG. Mas que com toda a certeza, acredito que irão compreender.

Em primeiro lugar, como é do saber de muitos aqui. No final deste ano de 2012, fui viajar a trabalho, e cujo retorno eu já estaria me preparando para dar alguns passos importantíssimos em minha vida. Tanto na minha vida particular, bem como na vida do meu companheiro, Fernando T' Oxum.

Bom, tem horas que passamos por situações, as quais nos deixam tão chateados e nervosos que parece que hoje em dia ninguém se importa de fato com o ser humano. E sim, somente com uma questão: dinheiro.

Pois é 2012, pra mim, de fato foi um ano que posso dizer com todas as letras de muitas lutas, verdadeiras batalhas e que me trouxeram em algumas delas muitas lágrimas e uma tristeza fora do normal. Principalmente no lado espiritual. 

Neste ano, por resolução própria de Fernando, ele resolveu se iniciar ao Orixá. Quanto a isto fiquei imensamente feliz por este passo na vida dele. Mas por caminhos do destino, o mesmo entreguou sua cabeça a uma pessoa que mal conheçia, acarretando um problema enorme em nossas vidas. Pois de Oxum, ele passou a ser de Oxaguiãn. 

Não estou reclamando do Orixá plantado na cabeça dele, mas sim do modo que tudo foi feito e do que aconteceu com ele e com nossa vida a partir daí. Pois para uma pessoa que tinha todo o enxoval e tudo que era necessário para o Orixá dele. Tudo foi perdido, pois tiveram de assentar Oxaguiãn, como eu mesmo digo nas COCHAS, somente com uma sopeira, uma lasca de cristal, alguns idés e alguns búzios. Tudo tirado de outros Assentamentos de Orixás, que haviam sido desmontados neste dito Ilê Asé.

A partir daí, começou minha corrida contra o tempo para encontrar alguém que de fato pudesse cuidar dele de forma digna. Pois inclusive os atos, foram feitos todos de forma errada e de má fé. Onde a partir daí, Fernando começou a se tratar com uma pessoa que para mim era de suma credibilidade. Onde neste ano de 2013 o mesmo seria recolhido novamente para se concertar o que fora errado e assentar Oxum, a fim de ainda dar caminhos para a vida dele. Pois tudo a partir deste ocorrido ficou fechado.

Para minha surpresa, esta mesma pessoa que eu acreditava piamente, mudou literalmente seu modo de ser ao ponto de excluí-lo sem motivos aparentes do Ilê Asé. Desta forma, mais uma vez, a corrida contra o tempo aconteceu. E com isso, neste final de semana, após tantas lágrimas, batalhas, corridas contra o tempo. Fernando tem novamente seu ORIXÁ ascentado, comendo dignamente, através das Águas de Oxalá, pelas mãos de Mãe Ana de Ogum. Tornando-se de fato FERNANDO T' OXAGUIÃN.


Por estes motivos, é que venho aqui não somente partilhar estas situações. Mas aproveitar para pedir minhas mais sinceras desculpas por ter permitido o atraso das postagens do mesmo BLOG, em questão. Mas hoje, posso levantar minhas mãos aos Céus e agradecer do coração a Deus primeiramente, à Baba My Ogum e Baba My Oxaguiãn, que nunca me desampararam, mesmo quando o céu parece escurecer e não achar, digamos assim, uma luz no final do túnel.

Tenho ciência, que isto foi somente o primeiro passo de uma nova jornada. Afinal como ele bem já sabe, muitas outras coisas serão necessárias para corrigir o que fora feito de errado. Mas pelo menos, já é meio caminho andado.

Posso dizer que o problema pode ser grande sim, mas perder a esperança da vitória, nunca! E se você ao ler este depoimento, perceber que sua vida não está lá aquelas maravilhas. Eu posso dizer com todas as letras: NÃO DESISTA NUNCA! Pois a resposta, mais hora menos hora, ela chega.

Desta forma, meus irmãos. Aqui estamos novamente de fato, para dar andamento ao BLOG OLHOS DE OXALÁ, e que neste ano de 2013. Muitas vitórias, ainda possam vir e serem conquistadas.

Pedro T' Ogum.