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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - INICIAÇÃO RELIGIOSA E SOCIAL


Na história dos cultos afro-brasileiros existe uma categoria de pessoas que são determinadas ou classificadas de abian – uma palavra de origem yorubá que quer dizer Abi= “aquele que” e An= seria uma contração de onã, que quer dizer “caminho”. A junção destas duas palavras formou o termo abian, que quer dizer “aquele que começa um novo caminho”

Ou seja, o abian é aquele que está começando um novo caminho, uma nova vida espiritual. Esse é um momento de uma importância, pois, é nesse período que o noviço ou recém chegado tem contato com os já iniciados passando a observar os vários comportamentos e desempenhar também várias tarefas, sem exercer um maior envolvimento com a religião. 

Desta forma, entendemos que abian é um rito de passagem presente no cotidiano da religião de matriz africana, marcados por cerimônias que dentro do contexto representam igualmente a progressiva aceitação do iniciado e sua participação na comunidade na qual está inserido, considerando tanto o seu valor individual quanto o coletivo. 

Assim, é importante ressaltar as formas organizativas das sociedades africanas e como seu transplante pelo atlântico de forma escravizada enraizou-se na cultura dos povos negros no Brasil. Com isso, teremos a oportunidade de entender as formas de organização, mobilização e resistência dessa cultura nos seus variados aspectos sociais, culturais e educativos. 

Por isso, é importante de buscar na essência dessas culturas “primitivas” o significado histórico de suas organizações, de sua vida social, cultural e do seu processo educativo, para que de forma reflexiva possamos construir uma proposta de transformação social. E ainda o passado dessas culturas, atualizando-as a sua contemporaneidade e solidificando novas significações culturais e educativas tendo como foco uma passagem afirmativa para um futuro de igualdade racial. 

Diante disto, buscamos no rito de passagem de uma das mais antigas culturas africanas no mundo que é o candomblé, um significado do seu processo de iniciação abian, fazendo uma análise comparativa com o processo de ações afirmativas como fonte de educar para a igualdade racial na sociedade atual. No entanto, o processo de iniciação resulta na compreensão, no conhecimento e na prática no seu ciclo de passagem, levando a uma mudança de status e ao mesmo tempo trabalhando a personalidade e a desconstrução de padrões pré-estabelecidos e na construção de novos padrões que nortearão a sua conduta e existência. 

Os ritos de passagem servem como base e fonte de inspiração para uma análise reflexiva da sociedade atual, visto que, torna-se um objeto de variadas abordagens teóricas e possibilita descortinar um panorama muito mais amplo. Pois, suas diversas abordagens teóricas associadas às ações afirmativas como forma de educar para a igualdade racial demonstram a vitalidade da proposta como ferramenta conceitual para nos ajudar a compreender mais determinada sociedade, seus valores pensados e suas vivências. 

Desta maneira, o rito de passagem marca simplesmente a culminância do processo de cerimônia de iniciação, do teor da jornada iniciativa como sujeito de transformação individual e do seu processo de reconstrução da sociedade como forma de reparar prejuízos causados a populações excluídas do processo de desenvolvimento educacional, cultural, social e econômico. 

É neste contexto que fazemos uma relação entre abian, um ritual de passagem para ações afirmativas que visam combater os efeitos acumulados em virtude das discriminações ocorridas no passado e promover a educação para a igualdade racial. Essa relação dar-se através de um processo histórico que se inicia no século XVI, quando da cruzada forçada de milhões de negros pelos colonizadores para o Brasil, para trabalhar como escravos. 

Durante mais de 350 anos, a mão-de-obra escrava constituiu a principal força de trabalho no país e a base de toda atividade econômica. Mesmo após a abolição da escravidão os negros encontram até hoje no século XXI, dificuldade para integrar a sociedade brasileira, visto que, as reformas agrária e educacional não ocorreram e o acesso dos negros a escola e terra tornou-se bastante difícil. 

Compreendendo o significado do rito abian como aquele que tem que nascer de novo, pode-se traçar um paralelo com a história de organização da sociedade brasileira. Uma sociedade que se acostumou a superar obstáculos, a nascer e renascer para criar um novo cenário, por muito tempo escravocrata, dolorosa e inconseqüente. 

Vale ressaltar que a organização dessas sociedades africanas era inicialmente matriarcal e que se prolonga até os dias de hoje em algumas tribos do imenso continente africano. Esse ponto é importante e serve como reflexão da sociedade atual. Esta não se fundamenta no processo de inclusão tanto de gênero quanto de raça. 

Isso implica buscar uma análise, diante do propósito de pesquisa, que foca numa confluência de reflexões sobre o não aproveitamento das experiências de organizações sociais de outras culturas, provocando assim, uma construção incompleta de sociedade por conta de uma dicotomia entre sociedade democrática e exclusão da população negra do desenvolvimento social, político, econômico e cultural. Neste sentido, é extremamente relevante conhecer a história da África para o mundo e para a compreensão da sociedade brasileira. 

Devemos pensar que, a história da humanidade tem seu inicio no continente africano, é o que aponta as mais modernas pesquisas antropológicas e arqueológicas, sendo um ponto central a saga dos povos africanos em superar os obstáculos hostis e sua forte ligação com a natureza “criando sociedades resistentes capazes de no decorrer do tempo, suportar as agressões vindas das regiões mais favorecidas”. (SOUZA, 2008, P. 15) 

Com essa perspectiva, é salutar uma reflexão critica como forma de compreender o quanto é importante os estudos sobre a África nas escolas brasileiras e especificamente nas escolas do Estado de Sergipe. 

Um fator importante é a história cultural de matriz africana que traz marcas aprofundadas na formação e no desenvolvimento da sociedade brasileira como forma indelével da nossa identidade. Por isso, a necessidade de estudar a África e inserir como um novo olhar no conhecimento. Não refletindo, uma visão eurocêntrica e utópica como nos primeiros momentos da descolonização, mas sim na aplicação de uma metodologia diversificada e critica da realidade. 

Diante disto, assinalamos como elemento fundamental para o reconhecimento das necessidades históricas da população negra a implementação da Lei 10.639/03, que obriga todos os níveis de ensino ao “estudo da história da África, dos africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra e do negro na formação da identidade nacional.” (MUNANGA, 2006, P. 25). Assim, estabelecemos a Lei como instrumento de ligação entre um processo comparativo do Abian – um ritual de passagem para as ações afirmativas e a educação para a igualdade racial. 

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - CADA COISA AO SEU TEMPO


Amados (as) amigos (as), dentre minha jornada no CANDOMBLÉ fui reparando que existe sim um tempo pra tudo em qualquer situação, não somente na nossa vida pessoal, social ou profissional; mas também dentro de nossa vida religiosa. 

Vejam bem, a vida nos permite coisas as quais, temos de passar por elas sabendo lidar com cada situação de uma forma, jeito e modo diferente. Desde o tempo em que nascemos, passamos pela infância, o primeiro trabalho numa empresa, enfim, cada coisa no seu devido tempo e espaço. 

Sou neto de uma ialorixá, Mãe Rosa de Nanã. Nasci na África em Angola (CASO TENHAM DÚVIDAS TENHO FOTOS DISSO NO MEU FACEBOOK), filho de Maria Irene, filha de Iansã, a qual seria sucessora do Ilê de minha avó, mas que por escolha própria renunciou a esta função, passando para o encargo de meu tio Antonio de Omulu, cujo Ilê esta fincado no RIO DE JANEIRO, na cidade de NITERÓI

Já fui membro ativo no Candomblé, desde meus 11 anos, quando por intermédio das orações e ebós da FALECIDA MÃE CARMEM DE OXUM, Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo, fui curado de uma paralisia nas duas pernas decorrentes de um acidente auto-mobilístico, cujos resultados ainda hoje são desconhecidos da medicina, devido aos ligamentos dos dois joelhos estarem rompidos e ando, corro, pulo e salto. 

Mas mesmo tendo frequentado a casa dela durante 13 anos de minha vida, onde aprendi muitas coisas da RELIGIOSIDADE tanto do CANDOMBLÉ, como da UMBANDA SAGRADA, pois existiam as duas realidades nesta casa. Cuja movimentação era constante naquele barracão - manha, tarde e noite. 

Uma das coisas que mais me chamava a atenção nesta mulher era de fato o amor INCONDICIONAL aos ABIÃNS (carinhosamente chamados NOVIÇOS, por ela). Um carinho onde ela sentava contando suas histórias, colocando todos para estudar e trabalhar para já irem discernindo se seria a vida dentro de um ILE ASÉ, o certo para a vida de cada um deles. E este estágio com ela podia demorar dias, meses, anos. Pois um dos seus ensinamentos era: "TUDO TEM SUA HORA CERTA"

Hoje, após vários anos de seu falecimento, vejo na realidade do CANDOMBLÉ uma pressa de se iniciar logo um ABIÃN. Como se fazer um IAÔ fosse caso de baciada. E a coisa não funciona bem assim não. 

A iniciação é uma coisa séria, que deve ser pensada, avaliada, reavaliada pois é uma posição para a vida toda. Mas não podemos também esquecer que todos os grandes BABALORIXÁS E IALORIXÁS de hoje já foram também um dia ABIÃNS. Mas parece que isto esta caindo um pouco no esquecimento de muitos. 

De ABIÃN, até se chegar ao estágio de "mais velho", leva muito tempo. Mas muito tempo mesmo. Quanto mais para chegar à função de BABALORIXÁ ou IALORIXÁ, cargo este que não é para todo mundo. Existe uma escolha, escolha esta de 1 em 1000. Pois isso vem da escolha dos ORIXÁS e não meramente do nosso "BEM QUERER"

Vamos ver o que uma palavra tirada da BÍBLIA SAGRADA CATÓLICA, nos diz sobre isto. Quem quiser ler depois esta em ECLESIASTES, CAPÍTULO 3, VERSÍCULOS DE 1 ATÉ 8. Vamos lá: 

"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo de nascer, tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo pra rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para tirar pedras, tempo para juntá-las; tempo pra dar abraços, e tempo para apartar-se; tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra e tempo para a paz." 

Ou seja percebemos que de fato, tudo tem o tempo. Não importa se o seu tempo de ABIÃN (caso ainda esteja nesta situação) dure: um dia, uma semana, um mês, um ano ou vários anos. Mas tudo tem o tempo certo de acontecer. Assim como existe o tempo certo para um YAWÔ chegar a ser um EGBOMI

Nada mais são que exatamente SETE ANOS de puro aprendizado. Tempo que hoje, infelizmente, vemos muitos com pressa de chegar. Ao ponto de se atropelar as coisas. Buscando logo mesmo sem ter os seus ditos SETE ANOS seguir-se a fazer coisas como se já fossem os sábios e entendidos. 

Bom existe tempo pra tudo, inclusive de alertar que: "Jesus também falava: O REINO DOS CÉUS NÃO FOI FEITO PARA OS SÁBIOS E ENTENDIDOS. MAS PARA OS PUROS DE CORAÇÃO QUE SABEM OUVIR A VOZ DO MEU PAI"

Então queridos ABIÃNS, um conselho de propriedade própria. Não se da cabeça para qualquer pessoa. É a sua cabeça, a sua vida, o seu destino que esta em risco. Quer vir a ser um Yawô, ótimo seja mesmo. Mas busquemos ser Yawôs que zelem, que saibam esperar os tempos certos, com acima de tudo humildade. 

Não importa se você já tenha um dia, cinco anos, ou mais de ABIÃN. O ORIXÁ sabe a hora certa e o lugar certo para ele nascer. Faça essa escolha sabiamente, cautelosamente. Aprenda a namorar o lugar, pois o ORIXÁ vai mostrar de fato o lugarzinho certo para ser iniciado. E se você se sentir apressado, pressionado ou como que empurrado para dar logo seu passo de iniciação; cuidado ALI PODE NÃO SER O SEU LUGAR

Afinal tudo tem seu tempo.

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - O DISCERNIMENTO


( Trechos O Abiyan / O Adosu: Olòrisá) 

(...) O período de Abiyan é de suma relevância, principalmente para os de conta-lavada e o de obrigação de borí. É o período de experiência, digamos assim; podem refletir sobre as responsabilidades do filho de santo, de maneira apurada. Ver se é isto mesmo que desejam. 

Vão conhecendo o Egbé, pensando sobre a hierarquia, vivenciando o dia-dia 
do Ase. Devem observar o comportamento dos mais velhos, e dos Olóyè; falar pouco e abrir os ouvidos. Verificar de adaptam ao Ilê e a Iyálòrisa. 

O tempo mais significativo na vida de um filho-de-santo é este o de Abiyan. É temerário a iniciação imediata de pessoas completamente neófitos sobre a complicada hierarquia do Mundo dos Candomblés. Daí erros, arrependimento e acusações. Hoje em dia tem muita pressa de se infiltrar pelos os corredores de um terreiro, sem qualquer respaldo. 

Há iniciadores que, talvez por inexperiência, ganância e outras diferentes razões, voa logo botando os clientes no Quarto-de-Asé. Na maioria das vezes, isto não dá certo, acaba sendo motivo de arrependimento e frustrações para ambos os lados. 

Têm que haver vivência previa, antes. Em especial as pessoas mais esclarecidas e eruditas. 

No nosso Asé não dispensamos o período de Abiyan, salvo casos extremados, de vida ou morte. Cada caso é um caso... em geral o Orisá espera, se quer o melhor para o seu filho. Não cabe a nós julgar e, sim, orientar. A pressa é inimiga da perfeição. 

(...) Todos os iniciados têm de se conscientizar de que são a essência desta religião milenar, tão deturpada. São sacerdotes de Orisa, seu templo, a religião do Orun com a terra: passado, presente e futuro. (...) O Egbón ou Egbómi, expressão usual está, de direito apto a ser um iniciador, podendo participar do corpo de Olyé do terreiro. O conselho religioso é formado por Egbón, escolhido para o desempenho de determinadas funções. 

As Ojúbóna são Egbón apontadas para criar Iyáwó no Quarto-de-Asé: é importantíssimo o trabalho delas. São as “Mães-Criadeiras” do iniciado, responsáveis pelo aprendizado desenvolvido, em principio dos sete anos. Elas agem como intermediárias entre o Iyáwó e Iyálòrisa. Hierarquia é tudo: princípio, meio e fim. Sem ela, o caos... 

Trevas, desinteligência, falta de comando anarquia. Não é certo, pela hierarquia, que um Olòrisá vá ter com a Iyá, desprezando bons conselhos da Ojúbóna, a menos que esteja havendo alguma coisa terrível, muito errado: se a confiança que Sàngó e sua representante depositaram na mãe pequena do filho não estiver sendo correspondida. Então é preciso acertar tudo, o que é constrangedor e triste. 

Não tem sentido uma Adosu sem educação, ignorante, bruto, de nariz em pé, senhor da situação e da verdade. Existem três tipos de Adosu às avessas: o cabeça dura, o rebelde e o desinformado, mal orientado. O rebelde sofrerá muito vitima de si mesmo entregue a própria sorte. O desinformado poderá está sendo vitima de uma trama diabólica: a sonegação de informações e disciplina, como forma de agressão dos insatisfeitos e falsos, à figura da Iyálasé. 

“Estão vendo os filhos de Fulano? Não tem a mínima educação... por mim... eu mesmo! No meu tempo... e bla ,bla ,bla... “ 

O mais velho irresponsável está entregue à própria sorte. As conseqüências podem ser terríveis para omissão do maldoso ou covarde. Existe um dia, único dia, sem retorno, no qual o Adosu, por mais sábio que seja, depende dos outros... O julgamento é atroz. 

O Iyáwó, alem dos deveres dos filhos-de-santo assentados, é sujeito a outros tantos mais complexo. É necessário que saiba tudo a respeito da vida do terreiro: ciclo de festas, obrigações dos irmãos mais velhos, borí entrada de Iyáwó, asese. Deve participar na medida do possível, de diferentes obrigações, para que aprenda. 

Tem que aprender a dançar, cantar, responder os cânticos, comporta-se com dignidade, consideração, simpatia. Hoje é filho amanhã quem sabe? 

Em iniciação não se queimam etapas. Iyáwó que não viveu a vida de Iyáwó será um Egbón frustrado. Diga-se o mesmo para o Abiyan. (...) É lamentável um Iyáwó isolado dos demais, em virtude de seu comportamento reprovável, em desacordo às condições de Adosu. 

(...) Tudo por disciplina e, mais importante, amor! Talvez nem saibam o ase que adquirem... (...) É o cumulo a falta de traquejo. 

O bom senso é transmitido ou depende da sensibilidade de cada qual? A educação doméstica é trazida “de casa”. O novato sempre é novato na religião, tem que aprender o bê a bá. A hierarquia e a disciplina têm que ser mantida. O respeito aos Àgba é a essência da cultura Yoruba; as mensuras, saudações rituais, etc... quem ama o Ase deve evitar que pereça. Somos responsáveis por nossos atos. 

MARIA STELLA DE AZEVEDO SANTOS, 
EDITORA ODUDUWA, SÃO PAULO, 1993

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - A ESCOLHA CERTA


Tomei a liberdade de pegar uma das postagens do FACEBOOK, que na verdade, não era bem essa que eu queria. Mas como o sentido é o mesmo, esta me da liberdade para abordar este tema, o qual eu prefiro postar com minhas próprias palavras. 

Muitas e muitas vezes, tenho percebido situações quanto a dificuldade hoje em dia de se achar uma casa séria, verdadeira e com Axé. Hoje infelizmente tenho percebido uma grande quantidade de casas abertas, coisa que acho louvável, mas em certo ponto muito triste também e explico o motivo que falo isso. 

Pessoas despreparadas, pessoas sem ter seus anos de santo literalmente completos e se apresentando com a maior cara lavada como BABALORIXÁS ou YALORIXÁS, brincando não somente com a vida das pessoas mas com os ORIXÁS

A procura de uma casa certa, também já foi motivo de vários contratempos até mesmo na minha vida. Onde até comentários de uma pessoa que aprendi a gostar, mas por ver atitudes que não estavam de acordo com meu modo de ser, me entristeceram ao ponto de fazer questão de deletar da minha vida. Me fizeram ouvir este triste comentário: "Como pode uma pessoa viver 15 anos como Abiãn e não se iniciar logo de cara?" 

Bom, eu antes de mais nada, só posso dizer: "QUE PENA SOBRE ESTE COMENTÁRIO". Por que no bem da verdade, podemos ficar o tempo que quisermos como Abiãns. Pois nunca se deve entrar num ILÊ ASÉ, sem ter o mínimo de conhecimento sobre a procedência do local, a procedência do zelador (a) do local, enfim, são vários os aspectos que devemos por na balança para discernir se ali é ou não o local onde deve se dar o processo de iniciação. 

Na minha jornada de 40 anos de idade, já passei por lugares dos mais luxuosos aos mais simples. E no bem da verdade, percebia que não parava em lugar algum e sempre me questionava por isso. Mas os meus questionamentos nunca se preocuparam com isso pois sempre tive na minha concepção de quem escolheria a CASA CERTA, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, SERIA MEU ORIXÁ, no meu caso meu PAI OGUM e MEU PAI OXAGUIAN

Mas por que resolvi partilhar isso com vocês? Por um simples motivo, tenho visto hoje muitas casas apresentarem uma vasta oportunidade "falsa" para se iniciar pessoas para a RELIGIÃO. E isto não procede, pois o ORIXÁ sabe bem quem é que vai seguir o caminho de fato correto na RELIGIOSIDADE. E este ato impensado de forçar uma iniciação não vem de acordo com o que se via e se pratica nas verdadeiras CASAS DE AXÉ. Onde de fato não se visa uma quantidade de pessoas iniciadas (raspadas), mas sim uma QUALIDADE. Coisa que tenho percebido foi meio que colocada de lado. 

Nem todos nasceram para ter funções ou cargos, quanto mais, nem todo mundo nasceu para ser BABALORIXÁ ou YALORIXÁ. Me perdõem os meus mais velhos, MAS QUEM É DE AXÉ DE FATO, SABE MUITO BEM QUE ESTOU FALANDO O CERTO E COERENTEMENTE. Nem todos nasceram para ter uma casa aberta. 

Então meus amados, antes de tomar qualquer tipo de decisão, namorem primeiro muito bem a casa onde você pode estar participando. Analisar situações, ver o comportamento do(a) Zelador (a) e dos filhos da casa, é uma prática louvável. E se algo te incomodou, converse com quem de fato importa suas perguntas. Caso não esteja satisfeito, parta pra outro sem medo de ser feliz. 

Afinal como diz a mensagem, o que não podemos é desistir, pois se na sua vida esta destinado a ser e viver no Axé... pode ter certeza onde você estiver o seu ORIXÁ vai te levar direitinho onde ele quer ser iniciado ou dar sua obrigação. E se já esta numa CASA DE SANTO, seja na UMBANDA OU NO CANDOMBLÉ firme suas raízes, nunca pelas pessoas, mas sim pelo seu ORIXÁ

Afinal tudo que é feito por amor aos ORIXÁS, produz frutos 100 por 1.

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T' OGUM

Motumbá meus irmãos e irmãs do BLOG OLHOS DE OXALÁ.


Bom dia a todos. Com grande alegria venho hoje me dirigir a todos vocês para agradecer não somente a participação através de suas visitas diárias; mas agradecer também os comentários que estão aqui aparecendo relatando o quanto esta sendo bom este meio de comunicação para todos através de suas postagens.

Nada disso estaria acontecendo se não fosse você, que esta lendo estas minhas palavras, neste exato momento. Pois cada postagem, cada artigo ou até cada página foi exatamente pensada e repensada para que de forma clara todos estes assuntos pudessem chegar até você bem objetivamente.

É válido lembrar que muitas das postagens que ainda estamos postando aqui são da grade antiga, antes de darmos o passo de reformular a SEQÜÊNCIA dos assuntos em questão. Lembrando que desde Dezembro do ano passado (2012), até hoje, ainda estamos falando sobre OXUM. Mas seguindo este mesmo tema central estamos acoplando de fato, assuntos que na primeira vez foram esquecidos. 

Mais válido ainda é ressaltar que tudo que temos postado até agora é de uma forma bem básica, pois aprofundamentos mesmo de fato, só compete a cada BABALORIXÁ ou YALORIXÁ em questão para fazê-lo dentro de suas casas de Asé.

Hoje, estamos mais voltados aos assuntos que envolvem a hierarquia. Desde o tempo que todos ainda são ABIÃNS, passando para YAWÔS, até chegarem à idade de EGBOMIS. Buscando ressaltar que cada realidade em anos é um processo lento e que cada coisa no seu devido tempo deve ser seguido e aprendido. Evitando assim, situações como temos visto quanto a muitos quererem pular ETAPAS, que NÃO É E NEM PODE SER correto. 

Pois é válido lembrar que NEM TODOS nasceram para ser BABALORIXÁS ou YALORIXÁS. E muitos hoje em dia nem esperam o tempo devido para receber seus devidos direitos sacerdotais. E nisto o BLOG OLHOS DE OXALÁ, é literalmente contra. Buscando de fato manter, conservar e explicar, que cumprir seus devidos tempos e´de suma importância dentro de nossa religiosidade.

Para ser mais claro, assim como na RELIGIÃO CATÓLICA ou até mesmo na RELIGIÃO PROTESTANTE, para ser um PADRE OU UM PASTOR, o mesmo candidato tem de ter VOCAÇÃO para tão grande grau e função. Na nossa religião é a mesma coisa, cada um tem as suas vocações ou para exercerem cargos SACERDOTAIS ou para serem EGBOMIS. E outros ainda já nascem para serem OGÃNS OU EKEDJIS

Na religião CATÓLICA E PROTESTANTE, são exatamente oito (8) anos para se chegar ao SACERDÓCIO, na função de PADRE (catolicismo) e exatamente de 5 a 7, conforme a denominação religiosa PROTESTANTE, para se chegar ao cargo de PASTOR. Ou seja, tudo tem seu tempo. Na nossa religião é necessário o cumprimento das devidas OBRIGAÇÕES: INICIAÇÃO, OBRIGAÇÃO DE 1 (UM ) ANO, OBRIGAÇÃO DE 3 (TRÊS) ANOS E OBRIGAÇÃO DE 7 (ANOS). Todas devidamente arriadas. E mesmo assim, lembrando que quem escolhe a função ou cargo a ser exercido é o próprio ORIXÁ, através do JOGO DE BÚZIOS OU IFÁ, que determina conforme a sua vocação estabelecida. Nada mais, nada menos.

Então neste dia 15/01/2013, vamos de fato prestar muita atenção nas postagens que vamos aqui postar a fim de compreender melhor e buscar de fato cumprir as regras de acordo com a VOCAÇÃO estabelecida pelo seu ORIXÁ. Lembrando que OXUM, esta de fato, presente neste processo todo desde a INICIAÇÃO, sendo ela SENHORA DO ÚTERO, ou seja, SENHORA DO RONKÓ, SABEJÍ ou como muitos conheçem também chamado PEJI.