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sábado, 10 de março de 2012

RESPONDENDO UM COMENTÁRIO ANÔNIMO

Motumbá irmãos (ãs).

É engraçado ver como ainda hoje pessoas de nossa religião estarem tão desinformados em tudo que se refere à religiosidade. 

O motivo que me fez postar este tipo de assunto foi justamente um COMENTÁRIO ANÔNIMO, que respeito o fato da pessoa não se identificar. Mas pelo seu teor, fui levado a meditar e ficar ao mesmo tempo preocupado pela falta de preparo, informação e ensinos concretos que evitem este tipo de situação. Segue o seguinte comentário:

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ENDEREÇOS NA NET": 
meus parabens em primeiro lugar, esse blog e muito bom para quem quer saber ou se interar sobre a religiao

gostaria de pedir, para postarem sobre ogam, pois eu e meu pai que esta para abrir a nossa casa, temos alguns irmãos ainda nao iniciados, mas burizados, nao sei se é essa a melhor expressao, e se vcs, me passa-sem, um pouco sobre ogam, qual a importancia e respeito e a função que tem na casa de candomble, para que eles, desde ja, saberem como se portar e respeitar e ja terem uma noção, deste assunto...
e tbem como posso saber se vc sabe algum curso bom para eu me aprimorar em lingua e aprender a cantar em yoruba, vlw brigadao, 
mojuba



Pelo que vimos, existem algumas situações a serem analisadas:

1ª - duas pessoas prestes a abrir uma casa de santo:
2ª - pessoas não iniciadas mas burizadas que visam aprender sobre um assunto em questão;
3ª - bons cursos para se aprimorar a línguagem em Yorubá;

Então vamos às devidas respostas:
- Para se abrir uma casa de santo, seja a origem que for a pessoa já deve ter não somente completado no mínimo os seus sete anos de iniciação e de preferencia com a OBRIGAÇÃO DE SETE ANOS FEITA.

Neste mesmo sentido, a(s) pessoa(s), em questão devem ver sua vocação sacerdotal para se abrir uma casa através do JOGO DE IFÁ ou JOGO DE BÚZIOS. Tendo além disso recebido os seus devidos direitos por seu BABALORIXÁ ou YALORIXÁ. Não se vai abrindo uma casa de santo assim a torto e a direito, como se abre um comercio em qualquer esquina. 

Além da nova casa de santo, que deve ter todos os assentamentos, fundamentos necessários para este tipo de função religiosa. Feitos pelo BABALORIXÁ, pai do responsável da nova casa em questão.

- pessoas não iniciadas mas burizadas que visam aprender sobre um assunto em questão;

O fato de pessoas não iniciadas ou apenas burizadas aprenderem sobre a religiosidade é de grande proveito sim. Mas deve-se ter sempre em mente que qualquer tipo de função dentro de uma casa de santo deverá ser sempre exercido por pessoas iniciadas, indiferente da posição ou cargo a ser exercido.

- bons cursos para se aprimorar a línguagem em Yorubá;

Existem sim vários cursos, muito bons sobre Yorubá. Mas de fato para uma pessoa que faz parte de uma casa de santo. Ainda mais voltada na realidade do CANDOMBLÉ, pela sua participação e assiduidade na mesma, já vai aprendendo a mesma linguagem. A menos que nesta casa não se faça uso do Yorubá, coisa que eu não acredito particularmente.

Como foi solicitado para falar sobre OGANS, neste mesmo comentário em questão. Como já é de conhecimento de todos, já postamos algumas coisas referentes a este assunto em questão.

Mas confesso que antes de resolver postar a resposta deste mesmo comentário que também confesso que foi excluído da referente página em questão por minha pessoa: PEDRO DE OGUM. Preferi antecipadamente tomar algumas atitudes e procedimentos antes de respondê-lo.

Atitudes como colocar esta mesma postagem no meu congá do meu BAIANO ZECA VAQUEJADA DAS SETE CORDAS DA ENCRUZILHADA, durante o prazo de CINCO DIAS, onde a resposta veio com a seguinte palavra: CILADA.

Bem como me aconselhar com uma pessoa já do Santo, com uma vida dentro da religião com 40 anos de Santo a fim de poder responder de forma acertada e coerente. 

Assim espero que este mesmo tipo de dúvida levantada como este tipo de COMENTÁRIO, possa servir não somente a quem o escreveu. Em si tratando de uma pessoa ANÔNIMA. Mas bem como servir de aprendizado a quem como ele tenha a mesma dúvida. 

MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE ESTE TIPO DE ASSUNTO ACONSELHO CLARAMENTE E DIRETAMENTE QUE SE ACONSELHEM COM SEUS DEVIDOS BABALORIXÁS OU YALORIXÁS. 

ATENCIOSAMENTE

PEDRO DE OGUM.

A FUNÇÃO DO OGAN NO CANDOMBLÉ


Ogan (do yorubá -ga: "pessoa superior, chefe", com possível influência do jeje ogã "chefe, dirigente") é o nome genérico para diversas funções masculinas dentro de uma casa de Candomblé.

É o sacerdote escolhido pelo orixá para estar lúcido durante todos os trabalhos. Ele não entra em transe, mas mesmo assim não deixa de ter a intuição espiritual.

Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo Rum (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no Rum que o Orixá vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum. O Rum é que comanda o Rumpi e o Lê.
Os atabaques são chamados de Ilú na nação Ketu, e Ngoma na nação Angola, mas todas as nações adotaram esses nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de ser denominação Jeje.

Candomblé Jeje


Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados:

Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. O mais velho de todos os ogans geralmente mais sábio. Tem a função de cuidar do Peji, altar dos santos e zelar pelo assentamentos dos filhos da casa.

O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e são Jeje.

Axogun - É um ogan de suma importância no Candomblé, é o responsável pela execução sacrificial dos animais votivos, é um especialista no que faz.

Candomblé Ketu


Alagbê - O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão, dominante do atabaque Rum, que através dele o Orixá fará sua dança e com isso comandando os atabaques Rumpi e Lê.

Ogan gibonã - Zelador da casa de exu, outro ogan de suma importância, pois seus conhecimento ajudam na firmeza da casa.

Ogan Apontado - Pessoa apontada como possível candidato a Ogan. Equivalente ao Ogan suspenso.

Ogan Suspenso - Pessoa escolhida por um Orixá para ser um Ogan, é chamado suspenso, por ter passado pela cerimônia onde é colocado em uma cadeira e suspenso pelos Ogans da casa, significando que futuramente será confirmado e passará por todas obrigação para ser um Ogan.

Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé.

Candomblé Bantu


  • Tata NGanga Lumbido - Ogã, guardião das chaves da casa.
  • Kambondos - Ogãs.
  • Kambondos Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas.
  • Tata Kivanda ou Tata Pocó - Ogã responsável pelos sacrifícios animais (mesmo que Axogun).
  • Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas sagradas e cabaças.
  • Tata Mavambu - Ogã ou filho de santo que cuida da casa de exu (de preferência um homem; as mulheres não devem exercer essa função, uma vez que entram no ciclo menstrual, só o podendo fazer após a menopausa).
  • Xicarangoma - O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão.

A HIERARQUIA NO CANDOMBLÉ, NAS SUAS NAÇÕES

Motumbá queridos (as) amigos (as) do nosso BLOG.

É com alegria que vamos dando continuidade ao assunto que estamos abordando: “O CANDOMBLÉ”. E dentro dele não deixaríamos de falar sobre: “Os Cargos dentro da casa de candomblé”.

Lembrando que esta postagem faz parte das inúmeras que foram excluídas da versão antiga do nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, por  motivos de inveja de algumas pessoas totalmente desinformadas sobre minha pessoa e minhas atitudes. Bem como todas foram muito bem pesquisadas e confirmadas por pessoas amigas e de grande status dentro de nosso Candomblé, amigas e amigos, muitos queridos meus.

Ainda lembrando que algumas colocações foram retiradas da Wikipédia: WWW.wikipedia.com.br. Bem como da revista “Mundo Místico dos Orixás”. Bem como do Jornal “Umbanda Sagrada”. Desta forma, tudo que está aqui postado, não indica a minha autoria mas sim de pessoas com grande gabarito para falar melhor do assunto.

Já sabemos que o candomblé é uma religião que muito teve que lutar pra chegar até os dias de hoje, um dos fatores que manteve a sua sobrevivência foi a sua hierarquia. Uma realidade até hoje inquestionável.

Primeiro vamos ver os cargos que também designam uma hierarquia dentro de uma casa de Ketu:

Yalorixá/Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira.
Yaegbe/baegbeé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia. Iyalaxé: Mãe do axé, a que distribui o axé.
Iyakekere ou Babakekere: Mãe / Pai pequeno do axé ou da comunidade. Sempre pronta (o) a ajudar e ensinar a todos iniciados. Ojubonã: É a mãe criadeira.
Iyamoro: Responsável pelo Ipadê de Exú.
Iyaefun / Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iyawos. Iyadagan: Auxilia a Iyamoro.
Iyabassê: Responsável no preparo dos alimentos sagrados. Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando.
Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas”.
Aiybá: Bate o ejé nas obrigações.
Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê. Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar recolhido.
Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.
Babalossayn: Responsável pela colheita das folhas. Kosí Ewé, Kosí Orixá.
Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hierarquia.
Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Trabalha em conjunto com Iyalorixá / Babalorixá, iniciados e Ogans. Não pode errar.
Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens.
Iyalorixá ou Babalorixá: A palavra iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai.
Iyaquequerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa. Babaquequerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote. Iyalaxé (mulher): cuida dos objetos ritual.
Agibonã: mãe criadeira supervisiona e ajuda na iniciação.
Ebômi ou “Egbomi”: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho). Iyabassê: (mulher): responsável pela preparação das comidas de santo.
Iaô ou Yawô: filho-de-santo (que já incorpora Orixás).
Abiã ou abian: Novato. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação.
Axogun: responsável pelo sacrifício dos animais. (não entram em transe).
Alagbê: Responsável pelos atabaques e pelos toques. (não entram em transe).
Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe). Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). 

Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.

Lembro aqui que o primeiro povo a chegar no Brasil, foram os Banto (ou Bantu), o segundo; Os Nagô, trazendo a Nação Ketu e por último os Ewê-Fon que aqui passaram a ser denominados como Djeje, hoje uma grande Nação.
 
A hierarquia do candomblé Jeje:
Doté é o pai-de-santo, cargo ilustre do filho de Sogbô.
Doné é a mãe-de-santo, cargo feminino na casa Jeje, similar à Yalorixá.

Os vodunses da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviuno, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné. No Jeje-Mina Toivoduno Noche No Kwe Ceja Undé Gaiacú, cargo exclusivamente feminino Ekede.

Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados:
Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje.

A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = "altar sagrado" e Gan = "senhor".

O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Rumpi e Lé são Jeje. No Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc.

A hierarquia do candomblé Bantu: Este povo chegou ao período colonial cuja economia era a cana de açúcar.

Títulos Hierárquicos Bantu, Angola, Congo:
Tata Nkisi - Zelador.
Mametu Nkisi - Zeladora.
Tata Ndenge - pai pequeno.
Mametu Ndenge - Mãe pequena (há quem chame de Kota Tororó, mas não há nenhuma comprovação em dicionário, origem desconhecida).
Tata Nganga Lumbido - Ogã, guardião das chaves da casa. Kambondos - Ogãs.
Kambondos Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas.
Tata Kivanda - Ogã responsável pelas matanças, pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun).
Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas e cabaças.
Tata Mavambu - Ogã ou filho de santo que cuida da casa de exu (de preferência homem, pois mulher não deve cuidar porque mulher menstrua e só deve mexer depois da menopausa, quando não menstrua mais, portanto, pelo certo as zeladoras devem ter um homem para cuidar desta parte, mas que seja pessoa de alta confiança).
Mametu Mukamba - Cozinheira da casa, que por sua vez, deve de preferência ser uma senhora de idade e que não menstrue mais. Mametu Ndemburo - Mãe criadeira da casa (Ndemburo = runko). Kota ou Maganga - Em outras nações EKEJI (todos os mais velhos que já passaram dos sete anos, mesmo sem dar obrigação, ou que estão presentes na casa, também são chamados de Kota).
Tata Nganga Muzambù – babalawo - pessoa preparada para jogar búzios.
Kutala - Herdeiro da casa.
Mona Nkisi - Filho de santo.
Mona Muhatu Wá Nkisi - Filha de santo (mulher).
Mona Diala Wá Nkisi - Filho de santo (homem).
Tata Numbi - Não rodante que trata de babá Egun (Ojé).  

Sacerdotes na África BANTU (ANGOLA-KONGO):
Kubama..................adivinhador de 1a categoria. Tabi....................adivinhador de 2a categoria.
Nganga-a-ngombo.........adivinhador de 3a categoria. Kimbanda................feiticeiro ou curandeiro.
Nganga-a-mukixi.........sacerdote no culto de possessão (Angola). Niganga-a-nikisi........sacerdote do culto de possessão (Kongo). Mukúa-umbanda...........sacerdote do culto de possessão (Angola-Kongo).  

Divisão Sacerdotais no Brasil (ANGOLA-KONGO):
Mametu ria mukixi......sacerdotisa no Angola.
Tateto ria mukixi......sacerdote no Angola.
Nengua-a-nkisi..........sacerdotisa no Kongo.
Nganga-a-nikisi.........sacerdote no Kongo.
Mametu ndenge..........mãe pequena no Angola.
Tateto ndenge..........Pai pequeno no Angola.
Nengua ndumba...........mãe pequena no Kongo.
Nganga ndumba...........pai pequeno no Kongo.
Kambundo ou Kambondo....todos os homens confirmados. Kimbanda................Feiticeiro, curandeiro.
Kisasba.................pai das sagradas folhas.
Tata utala..............pai do altar.
Kivonda.................Sacrificador de animais (Kongo).
Kambondo poko...........sacrificador de animais (Angola).
Kuxika ia ngombe........Tocador (congo).
Muxiki.................. tocador( Angola). Njimbidi................ cantador. Kambondo mabaia.........responsável pelo barracão. Kota....................todas as mulheres confirmadas.
Kota mbakisi............responsável pelas divindades.
Hongolo matona..........especialista nas pinturas corporais.
Kota ambelai............toma conta e atende aos iniciados.
Kota kididii............toma conta de tudo mantém a paz.
Kota rifula.............responsável em preparar as comidas sagradas. Mosoioio................as (os) mais antigas.
Kota maganza............titulo título alcançado após a obrigação de 21 anos.
Maganza.................título dado aos iniciados. Uandumba................designa a pessoa durante a fase iniciatória. Ndumbe..................designa a pessoa não iniciada