Follow by Email

quarta-feira, 7 de março de 2012

AS FESTAS DE OBRIGAÇÃO DENTRO DO CANDOMBLÉ

Obrigações 


Iyawo São os novos iniciados de Orixá da Casa de Candomblé, durante o período de sete anos, e serão subordinados pelas pessoas de Cargos/Posto da casa. E deve obediência aos seus mais velhos. E deverão concluir suas obrigações de 1, 3 e 7 anos. 

Ser Iyawo, além de outros preceitos, é permanecer recolhido por um período de 21 dias, passando por doutrinas e fundamentos, para conceber a força do Orixá. Saem da vida material e nascem na vida espiritual com um novo nome orùnkò. O Mòócan e os Delègún são os comprovantes e o diploma do iniciado. 

OBRIGAÇÃO DE UM ANO 


(Oduetá) ou (odú Kíní) São obrigações muito importantes é considerada como fim do resguardo do Iyawo após sua iniciação. Somente esta obrigação dará ao iniciado à liberdade de viver materialmente sem restrições na sociedade e no seu convívio familiar e pessoal. 

Até fazer um ano de feitura ou pagar sua obrigação de um ano (odú Kíní), ainda terá algumas restrições (ewo temporário. como cortar cabelo, tomar banho de mar e outros). Será feita na obrigação de um ano de feitura, uma nova festa para comemorar a data onde serão oferecidas: comida ritual, frutas e flores. 

OBRIGAÇÃO DE TRÊS ANOS 


(Oduetá) Esta obrigação é considerada a confirmação da continuidade do iniciado no Axé, e já está autorizado a conceber o seu ajuntó, e a começar ser liberado e graduado pelo seu Babalorixá, a usar fios com Seguis e Bràjà dependendo do Orixá, e poderá deixar de usar Mòócan e Delègún, (conforme orientação do Babalorixá)

Outra obrigação é feita aos três anos de feitura (odú kétà), algumas casas ou nações fazem também uma de cinco anos, mas no candomblé Ketu considera-se um ano, três e sete anos. Ele ou ela permanecerá como Iaô até completar os sete anos de feitura e fazer a obrigação de sete anos (odu ejé)

OBRIGAÇÃO DE SETE ANOS
 

(Oduijé) ou Odu ejé (a pronúncia do acento é fechada) É uma das maiores obrigações de uma casa de Candomblé, que todos os iniciados serão obrigados a tomar sem exceção. Com essa obrigação o iniciado poderá receber posto, cargo, titulo e direitos de independência do seu Babalorixá. 

Só quando fizer a obrigação de sete anos Odu ejé é que será considerado um Egbomi. 

A obrigação de sete anos é tão grande e importante quanto a feitura, nessa obrigação é que será definido se o Egbomi irá abrir uma casa ou não. A Iyalorixá entregará para o Egbomi no ato da festa seus pertences (jogo de búzios, pembas, favas, sementes, tesoura, navalha, tudo que vai precisar para iniciar Iaôs) no Ketu é chamado Odu Ijê com Oyê, em outras nações é chamado de Deká, Peneira, Cuia, etc. 

Caso o Orixá da pessoa não queira abrir uma casa e queira continuar na roça da Iyalorixá, o Orixá depositará os objetos recebidos nos pés da Iyalorixá e sua filha não abrirá uma casa, continuará na roça onde normalmente receberá um posto para ajudar a Iyalorixá. 

Quando o Orixá aceita, a Egbomi receberá todas as homenagens dos presentes pois está sendo consagrada como uma nova Iyalorixá; se for homem Babalorixá. Nesse caso terá que providenciar uma casa para onde será levado seu Orixá e iniciar um novo Ilê axé. 

OIYE - quer dizer titulo de independência, são pessoas que já tomaram seus sete anos e necessitam de um TITULO dado pelo seu Babalorixá, para ser independente e Zelador(a) de Orixás, sacerdócio. Esse Oiye pode ser também um cargo na casa do Babalorixá onde fez a obrigação. 

DEKA - é autorização (direitos) de conduzir a sua própria casa de Candomblé, atendimento de seus adeptos e consulentes, jogar búzios, tirar ebós e iniciar pessoas no Orixá, etc.. Na nação Jeje receberá um Húnjèbé é o Titulo de sacerdócio exclusivo da nação Jeje e um amuleto do Egbomi, é o diploma dado pelo Babalorixá para dar continuidade do aprendizado dos fundamentos dos Orixás.

As Diferenças entre algumas nações no Candomblé - parte II



Como se sabe, muitas são as formas existentes de culto no Brasil que se utilizam da denominação Candomblé. Isto se dá pela grande variedade de etnias de negros, que reduzidos a condição de escravos, chegaram ao nosso país. Cada grupo/etnia que aqui aportou pertencia a locais distintos na África, tendo assim, costumes e culturas diferenciadas. 

Assim, portanto, chegaram daometanos, yorubás, congolenses, angolanos, malês e inúmeros outros grupos, que em terras brasileiras procuraram manter seus hábitos, sua cultura e também seus ritos religiosos. 

Daí surgiram as nações de candomblé, ou seja, a prática do candomblé conforme ritos específicos da origem do povo praticante, como a nação de Ketu, a nação Jêje, a nação Efon, Angola e Kongo ( atualmente, estas duas últimas, consideram-se fundidas dada a grande semelhança das prá ticas religiosas e a proximidade das línguas utilizadas, que são respectivamente, o Kimbundo e o Kikongo). 

Portanto, cada nação de candomblé possui características próprias, que a diferencia das demais. Estas diferenças se encontram na língua utilizada, nas divindades cultuadas, em determinadas práticas de caráter sigiloso (fundamento), no modo de se enxergar determinadas questões, enfim, numa série de fatores distintivos.


Faço abaixo algumas distinções entre a Nação Angola e outras denominações de candomblé, como a Nação Jêje e Ketu ( no meu ponto de vista, as mais conhecidas/difundidas ), para um maior esclarecimento:

A primeira (e primordial) diferença entre as citadas nações de candomblé se encontra com relação as divindades, objeto do culto. Assim:

Mukixes para os Angolanos;
Inkices para os Congolenses;
Orixás para os Yorubás ( Nação Ketu );
Voduns para os Daometanos ( Nação Jêje ).

Outra diferença encontrada, dentre muitas, é a variação do idioma/língua/dialeto utilizado em cada vertente, assim:

Kimbundo para os Angolanos;
Kikongo para os Congolenses;
Yorubá para os Yorubás, e;
Ewe-fon para os Daometanos.


Distinguem-se ainda pelo próprio ritmo dos atabaques, pelas denominações que cada nação dá a estes, ou mesmo pela maneira de tocá-los, assim teremos:

Kongo de Ouro, Barra Vento e Kabula para as tradições Bantu ( Angola e Kongo ), ritmos estes, obtidos através do toque com as mãos. Sendo denominados, os atabaques, simplesmente de engomas ou "ngomas".

Ijexá, Igbin, Aguere, Bravum, Opanijé, Alujá, Adahun e Avamunha para as tradições Yorubás e Daometanas. As denominações dos atabaques para os últimos (Jêjes) são: rum, rumpi e lé (os atabaques nesta cultura diferem-se das demais até mesmo no formato, pois são acomodados em suportes na posição horizontal, diferentemente das demais tradições); Para os primeiros ( Yorubás ), os atabaques são chamados genericamente de ilus, sendo tocados com a ajuda de varetas e não diretamente com as mãos (exceto o Ijexá, que se utiliza também do toque com as mãos).

Como todos podem ter observado, as diferenças aqui elencadas são superficiais devido ao breve espaço que disponho, mas creio, já servem de alguma forma de ajuda aos mais leigos. Então, gostaria que ficasse registrado que as diferenças não se esgotam apenas nesses poucos quesitos, pois existem inúmeras outras, talvez possa-se até arriscar dizer que existem em maior quantidade que as semelhanças.

Texto encontrado no seguinte site: http://alamindelocy.vilabol.uol.com.br/diferencas.htm

A ORAÇÃO DENTRO DO CANDOMBLÉ

Motumbá meus (minhas) irmãos(as). 


Mais uma vez eu venho aqui para tentar em algumas linhas que podem ser pequenas, médias ou grandes, falar sobre nossa religiosidade. Na verdade, sou como uma folha - levada onde o vento me levar e desta forma fui levado a postar novamente esta matéria que fazia parte da versão antiga de nosso BLOG. Mas venho aqui de forma, digamos, meditativa postar alguma coisa sobre um tema que muitas vezes passa por desapercebido ou para os mais cegos, nem se percebe, mas que é real e concreto dentro de nossa religiosidade. 

Abaixo eu coloquei este vídeo enviado ao PERFIL DOS OLHOS DE OXALÁ NO ORKUT muito bacana mas que nos diz muita coisa:


Antes de mais nada se estamos aqui é por que de alguma forma temos fé. Eu tenho fé que este simples Blog, possa de alguma forma, estar ajudando alguém neste exato momento. Outros têem fé em tudo que fazem nas suas vidas. Outros ainda têem a mesma fé que diante de uma dificuldade ou problema, tudo será resolvido. 

Mas o que vem de fato a ser fé? Fé é tudo aquilo que acreditamos no que não se vê. É a elevação da alma ao que vem a ser Divino completando a sua essência. Fé é acreditar sem olhar atrás. 

Afinal todos dizem ter fé em Deus, apesar que ninguém até hoje viu Deus. Mas como será esta questão dentro de nossa religiosidade? Como será que devemos nos portar, ao estar diante de uma dificuldade? 

O primeiro ato que fazemos seja em casa, no terreiro ou no barracão é rezar. Sim rezar. Seja na preparação de uma festa, de um toque, do recolhimento de um yaô. Todos os atos possuem em sua essência suas orações, suas rezas e suas cantigas, que não deixam de ser uma oração ou uma invocação.


Eu mesmo não deixo de sair de casa, sem antes firmar uma velinha, fazer minhas orações, pedindo proteção do meu anjo da guarda, pedindo que Deus em sua divina misericórdia possa me dar um dia de vitórias, mas que todas sejam conforme a Sua Vontade e não a minha; bem como peço a proteção dos Orixás, para me dirigir durante o andamento do dia. 

Mas o que vem a ser Oração? A oração é vista como uma necessidade e não como uma opção. Sempre que nos sentimos acuados pelo mundanismo ou sempre que percebemos um esfriamento espiritual nos dispomos à oração, na busca do reavivamento e da unção espiritual necessária para uma vida vitoriosa. 

Quando estudamos sobre a oração verificamos que esta prática espiritual e religiosa assume formas bem divergentes, dependendo do tipo de religião ou espiritualidade em que se acha. Na verdade, identificamos seis tipos de oração: a primitiva, a ritual, a de cultura grega, a filosófica, a mística e a profética. Na oração do homem primitivo Deus é visto como um ser superior que escuta e responde aos pedidos dos seres humanos, embora em geral, ele não seja considerado onipotente e santíssimo. A oração primitiva nasce da necessidade e do medo, e freqüentemente o pedido visa o livramento dos infortúnios e dos perigos.

A oração ritual representa uma etapa mais avançada de civilização, embora não seja necessariamente mais profunda nem mais significativa. Nesse caso é a forma e não o conteúdo da oração que traz a resposta. A oração é reduzida a litanias e repetições, por causa da crença de que há um efeito mágico nesse ritual.

Na religião grega popular a petição era centrada nos valores morais mais do que nas necessidades rudimentares simples. Acreditava-se que os deuses eram benignos, mas não onipotentes. A oração dos gregos antigos era uma forma purificada de oração primitiva. Refletia, mas não transcendia os valores culturais da civilização helênica.

A oração filosófica significa a dissolução da oração realista ou ingênua. Agora, a oração passa a ser uma reflexão sobre o significado da vida ou a resignação à ordem divina no universo. Na melhor das hipóteses, a oração filosófica inclui uma nota de ações de graça pelas bênçãos da vida.

Os dois tipos mais sublimes de oração são a mística ou profética. O misticismo, representa uma síntese dos temas neo-platônicos, mas também é um fenômeno religioso universal. Nesse caso o alvo é a união com Deus, que é geralmente retratado em termos supra-pessoais.

A oração profética significa tanto uma reapropriação como uma transformação do discernimento espiritual do homem primitivo. Agora, a oração se baseia não somente na necessidade como também no amor. Não é um encantamento nem uma meditação, mas uma forte expressão espontânea de emoção. Realmente, a súplica vinda do fundo do coração é a essência da oração verdadeira.

Devemos tomar muito cuidado com o fenômeno contemporâneo conhecido como espiritualidade secular, que é uma espécie de misticismo, onde a ênfase recai em imergir no mundo na busca de prosperidade, de curas milagrosas, de adivinhações profeteiras e de toda a espécie de egocentrismo e de realizações antropocêntricas, isto é, voltadas para o homem e totalmente distanciadas de Deus e da verdadeira devoção.


Com esta postagem, já vou anunciando que logo estaremos falando sobre o ORIXÁ OGUM, cujo tempo litúrgico, esta se aproximando.