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domingo, 29 de janeiro de 2012

COMUNICADO EXPLICATIVO

Motumbá prezados(as) amigos (amigas) do BLOG OLHOS DE OXALÁ.

Como é do saber de todos, este BLOG é mais voltado aos irmãos(ãs) do Candomblé. Pelo fato, de que eu mesmo, participo do mesmo setor espiritual. Mas  não vou negar que assim como muitos, hoje, do Candomblé, também tiveram suas primeiras raízes na Umbanda Sagrada.

Este é um dos motivos de estar me preocupando em postar assuntos voltados à UMBANDA SAGRADA. Não esqueçendo de jeito e forma alguma, que este instrumento de comunicação é bem visitado por estes nossos irmãos de fé. Bem como Católicos e Protestantes. Sim, isto é um fato.

O segundo motivo, que me faz vir aqui dar satisfações é que movido pela regra imposta em nosso BLOG, que são as "Três Peneiras: Bondade, Verdade e Utilidade", bem como a seguinte regra "SEQÜÊNCIA DE ASSUNTOS" demos e estamos ainda dando continuidade aos assuntos voltados ao tema: "Umbanda Sagrada", que envolve não meramente conheçimentos sobre esta realidade espiritualista. Mas como também as linhas que a compõem em suas giras e outras coisas.

Estaremos temporareamente finalizando estas postagens voltadas a este tema, previsto para amanha: Segunda-feira: dia 30/01/2012.

E o terceiro ponto é justamente exclarecer que este BLOG, não é de propriedade do CANDOMBLE expecificamente falando. Mas sim da RELIGIOSIDADE QUE ENVOLVE TODO O MÉDIUM, seja ele Candomblecista, Umbandista, Kardecista ou outra qualquer realidade.

Falo isso movido por um leve comentário feito numa das comunidades que posto as novidades e atualizações no ORKUT, em que o BLOG em si é uma bagunça por abranger estes tipos de assuntos sendo ele voltado ao povo Candomblecista.

Desta forma, eu deixo claro que descriminar qualquer tipo de facção seja ela Umbandista, Candomblecista, Kardecista e outras é CRIME DE PRECONCEITO. Fato este que nosso BLOG, sempre vai ser contra. Pois se temos uma espiritualidade onde usamos de nosso corpo para prestar serviços a nossos ORIXÁS OU ENTIDADES, nos tornando médiuns de alguma forma. Então que se entenda de fato a finalidade deste BLOG que nada mais é que um instrumento de comunicação a fim de fornecer condições de crescimento e entendimento espiritual.

Um crescimento e entendimento de forma básica e bem básica mesmo. Atingindo a todos que muitas vezes interpretam mal a religiosidade, ou que fazendo parte dela ainda nao sabem quase nada ou literalmente nada.

Desta forma, agradeço a todos que aqui participam, acompanham e que de alguma forma ele têm ajudado muita gente.

Que Oxalá e Ogum abençõem a cada um de vocês. E obrigado por fazer parte da vida dos OLHOS DE OXALÁ.

Pedro de Ogum;

AXÉ.

A LINHA DOS MALANDROS


LINHA DE AÇÃO E TRABALHO DOS MALANDROS

As entidades que hoje se manifestam nessa “nova” linha de ação e trabalho umbandista, antes chegavam nas giras nas linhas dos Baianos ou dos Exus. Aos poucos, foram sendo aceitos, respeitados e procurados, ganhando linha própria, comandados por Seu Zé Pelintra.

Originaram-se no Catimbó nordestino, com identidade na pajelança xamânica dos índios brasileiros e no catolicismo, na chamada Linha dos Mestres e do culto à Jurema sagrada, bem antes da Umbanda. O resultado da grande miscigenação cultural e racial brasileira e retratam as populações marginalizadas, desfavorecidas, pobres e sofredoras das periferias do país, tanto rurais quanto urbanas.

O Catimbó se desenvolveu paralelamente à Umbanda, mas ambos se encontraram nos grandes centros urbanos. O termo “Mestre”, usado no Catimbó, vem da feitiçaria européia, principalmente a portuguesa, da qual adotou várias práticas, inclusive o uso do caldeirão e rituais de magia. É fundamental no Catimbó o uso de ervas e raízes, a fidelidade aos dogmas do catolicismo, aos santos, ao terço, à água benta e à reza. O trabalho e a força estão na fumaça e nas ervas. O fumo é especialmente preparado e a magia do trabalho vai pelo ar, no tempo, junto com a fumaça e a bebida.

Em geral, os mestres são espíritos curadores que tiveram mortes trágicas e se “encantaram”. Trabalham para a solução de alguns problemas materiais e amorosos.

As entidades que se manifestam na Linha dos Malandros são um agrupamento de espíritos que viveram suas reencarnações na pobreza e no sofrimento, mas souberam tirar da dor o humor e o jogo de cintura para driblar a miséria e o baixo astral. Por onde passam levam alegria e arrancam sorrisos e gargalhadas, com seu samba no pé, sua ginga e malandragem.

Os malandros do astral não são marginais do além, como muitos supõem. São espíritos amigos, voltados para a prática da caridade espiritual e material. Propagam o respeito ao ser humano, a tolerância religiosa, a humildade, os bons exemplos, o amor ao próximo, o amparo às crianças desamparadas e aos idosos. Combatem as trevas e desmancham feitiços e magias negras.

Em locais de extrema pobreza e ausência de assistência pública e de justiça humana, os malandros estão presentes com sua misericórdia, buscando aliviar o sofrimento e socorrer os necessitados, enxugando as lágrimas dos que sofrem.

Manifestam-se na Linha dos Malandros muitos “Zés”: Zé Pelintra, Zé da Virada, Zé Navalha, Zé Malandrinho, Zé da Faca e outros, como Chico Pelintra, Cibamba, Seu Malandro. São “mandingueiros” do bem e apresentam grande senso de humor em suas manifestações. São entidades da rua, encontrados em bares, festas, subidas de morros etc.

Zé Pelintra é uma entidade urbana, que pode até nada ter a ver com a origem dos mestres, mas é chamado de mestre catimbozeiro, doutor, curador, conselheiro, defensor das mulheres, das crianças e dos pobres, guerreiro da igualdade social, médico dos pobres, advogado dos injustiçados, dono da noite e rei da magia. Tem grande importância nos catimbós e nas macumbas cariocas e é o protetor dos comerciantes, principalmente de bares, lanchonetes, restaurantes e boates.
A saudação para essa linha é: Salve os Malandros! Salve a Malandragem!

Suas cores são o vermelho e o branco ou o preto e o branco. A regência dos malandros é de Pai Ogum e, pelas cores, Pai Omolu.

A LINHA DOS MARINHEIROS

SALVE O POVO DA ÁGUA!!!


Eles chegam do mar e desembarcam em terra, sua alegria é contagiante, abraçam a todos, brincando sempre, com aquele jeito meio “maroto”, embriagado. São os Marinheiros, grupo de Espíritos que trabalham na Umbanda em prol da caridade.

Eles conheceram muito bem o mar e a navegação, pois participaram da descoberta de novos mundos através das viagens que empreenderam que duraram anos e anos.

As Entidades dos Marinheiros trabalham na Linha de Yemanjá e também de Oxum, que compõem o chamado “Povo da Água”. Seus conselhos e mensagens são sempre cheios de esperança e de fé. Costumam trabalhar em grupos. São fortes, pois enfrentarem guerras e mares agitados, mas também conheceram a calmaria e a bonança.

Dão consultas, passes e também fazem trabalhos fortes de descarrego que envolvem grandes demandas. Em algumas casas, também costumam trabalhar nas giras de desenvolvimento de Médiuns.

Quando dão consultas, essa Falange costuma ir direto ao ponto, sem rodeios, mas também sabem como falar aos consulentes sem criar um clima desagradável ou de medo. Assim, conseguem atingir fundo as almas dos aflitos que costumam procurá-los em busca de auxilio e de esperança.

Carregam consigo um sentimento profundo de amizade. Nas consultas, gostam muito de ajudar àquelas pessoas que se apresentam com problemas amorosos. Seus conselhos são sempre fiéis e certeiros, têm uma grande responsabilidade e assumem o compromisso de um trabalho bem-feito.

Todas as pessoas têm uma idéia muitas vezes distorcida desta linha de trabalho. Os marinheiros são em sua grande maioria espíritos que militam a umbanda para dar sustento no campo da diluição de cargas trevosas, outros atuam como elementos de sustentação de trabalhos voltados a curas, atraindo os poderes elementais dos quais estes espíritos de alto grau espiritual, trazem consigo.

Na realidade estes abnegados servidores da lei são verdadeiros “magos que atuam nos mistérios aquáticos” e com uma forma de atuação única dentro dos domínios da umbanda. Como magos, trazem para nós, a possibilidade de nos libertar de nossos entraves, com uma forma bem simpática lidam com os consulentes de forma extrovertida, deixando o assistido muito avontade com trejeitos peculiares desta linha maravilhosa da umbanda.

Muito diferente do que imaginamos, estes irmãos do astral não são e não estão embriagados, como muitos se mostram, na realidade sua forma de balanço é uma maneira de liberar suas ondas energéticas se utilizando do próprio médium.

Como isso ocorre?

Em torno do médium existe um campo de energia sustentado por seus centros de força e, além da energia gerada a partir da energia corpórea, existe um campo espiritual que se reflete em todo o ambiente.

Quando incorporados em seus médiuns, dançam, giram, balançam, gesticulam, etc. Desta forma os guias liberam não só a energia que se desprende do médium, mas também libera de forma salutar o poder de seu mistério através de ondas magnéticas que são liberadas dentro do campo espiritual do médium e do templo. É desta forma que os marinheiros fazem, em formas onduladas, ou através de seu balanço, que mais parece de uma pessoa embriagada, é que este irmão na luz faz seu trabalho redentor dentro dos campos da Umbanda Sagrada.

É importante que os médiuns e principalmente os assistidos, saibam de tal fato, para que estes não deturpem e não dêem um mal sentido aos trabalhos de Umbanda.

Os marinheiros são sustentados pelo poder de nossa Mãe Iemanjá e sua cor de atuação é a mesma desta mãe Divina, que é o azul claro. Podemos sempre que necessitarmos, ativar o poder destes servidores da lei em nossa vida, acenda sua vela e faça uma prece, pedindo para eles abrirem seus caminhos e protegê-los. É maravilhoso.

Todos devem estar sempre com os pensamentos voltados ao Pai Celestial, para que assim a fé interior esteja sempre renovada. Que todos tenham a consciência de que as mudanças, só serão possíveis se partirem primeiramente de vosso íntimo e acreditar, lutar pelos vossos idéias. A busca do sucesso depende de vosso próprio esforço, dedicação e merecimento. Portanto, não pare no tempo, cruzando os braços a espera de milagres. Levantem-se, tenham fé, renovem suas esperanças, acreditem no poder do Pai Maior e corram atrás de seus objetivos.

Alimentem vosso espírito com muito amor, esperança e fé para assim projetar a verdadeira essência divina a todos os vossos semelhantes. Vossa mente tem um poder grandioso. Use-a para exercitar o bem, com o objetivo de unirmos nossas forças para estarmos cada vez mais ligados a Deus, receba de braços abertos à energia de todos os Orixás, dos vossos marinheiros que estão o tempo todo a vos ajudar quando solicitados.

Sejam positivos em qualquer situação.

Se você quer o melhor para sua vida, comece fazendo uma reflexão de seus próprios atos, pois muitas pessoas reclamam de determinados acontecimentos em suas vidas, mas esquecem de que tudo tem um porquê. Portanto, reflitam sobre vossos pensamentos e atitudes para que não sofra conseqüências negativas.

A vida é um espelho. Vigie-a sempre. E lembre-se de que tudo pode quando trazemos “Deus” em nossos corações.


A ALEGRIA DOS MARINHEIROS
“Quantas ondas tem o mar?
Quantos grãos tem de areia?
Eu vim pra descarregar
Sou marinheiro da mamãe sereia.”

Aos poucos eles desembarcam de seus navios da calunga grande e chegam em Terra. Com suas gargalhadas, abraços e apertos de mão. São os marujos que vêm chegando para trabalhar nas ondas do mar.

Os Marinheiros são homens e mulheres que navegaram e se relacionaram com o mar. Que descobriram ilhas, continentes, novos mundos. Que enfrentaram o ambiente de calmaria ou de mares tortuosos, em tempos de grande paz ou de penosas guerras.

Os Marinheiros trabalham na linha de Iemanjá e Oxum (povo d’áqua) e trazem uma mensagem de esperança e muita força, nos dizendo que se pode lutar e desbravar o desconhecido, do nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança e trabalho unido, em grupo.

Seu trabalho é realizado em descarregos, consultas, passes, no desenvolvimento dos médiuns e em outros trabalhos que possam envolver demandas.

A gira de marinheiro e bem alegre e descontraída. Eles são sorridentes e animados, não tem tempo ruim para esta falange. Com palavras macias e diretas, eles vão bem fundo na alma dos consulentes e em seus problemas.

A marujada coloca seus bonés e, enquanto trabalham, cantam, bebem e fumam. Bebem Whisky, Vodka, Vinho, Cachaça, e mais o que tiver de bom gosto. Fumam charuto, cigarro, cigarrilha e outros fumos diversos.

Em seus trabalhos são sinceros e ligeiramente românticos, sentimentais e muito amigos. Gostam de ajudar àqueles e àquelas que estão com problemas amorosos ou em procura de alguém, de um “porto seguro”.

A gira de marinheiro, em muito, parece uma grande festa, pela sua alegria e descontração, mas também, existe um grande compromisso e responsabilidade no trabalho que e feito.

Salve o Povo D’água!

MAROLA DO MAR


Entidade ligada ao povo d’água. Sua função dentro desta linha é de fazer a limpeza de toda a carga acumulada, após algum trabalho mais pesado, levando todas as cargas negativas para as ondas do mar sagrado.

Entidade que trabalha na linha de Iemanjá, com forte influencia de Ogum, facilmente (ou comumente), confundido com marinheiro, é uma entidade que não bebe e nem fuma, seu descarrego é baseado no movimento da “marola do mar”, que vai e vem.

Foi um ser vivente em uma época muito distante. Quando vivo, tinha fixação pelas ondas do mar, conseqüentemente por Iemanjá, passava horas a fio a observar as ondas na esperança de vê-la. Cansado de esperar pela visão tão esperada, foi ao encontro das ondas julgando ouvir o chamado de Iemanjá, sendo assim tragado pelas ondas, encontrando enfim a morte nos braços de sua paixão.

Passado o tempo, voltou como entidade, por sua afinidade com este Orixá, passou a trabalhar nesta linha, com a função de levar para Iemanjá toda a carga negativa que se encontrasse ao redor de seus filhos queridos.

É uma entidade rara em terreiros de umbanda, até hoje poucos se viram ou se sabe da existência, porém, é uma entidade de muita força e luz.

Material de trabalho: Velas azul e branca

Local de entrega: Na marola do mar

Ponto cantado:

A “marola do mar” E vem tombando, e vem tombando, e vem tombando A “marola do mar”
E vai tombando e todo mal vai carregando.


PONTOS DE MARINHEIRO

Andai No Mar! (2x)
Quem Acompanha Marinheiro
Toda Vida Anda No Mar!
—————————————–
Marinheiro, Marinheiro…
Marinheiro Só…
Quem Te Ensinou A Nadar…
Marinheiro Só…
Oi Foi O Tombo Do Navio…
Marinheiro Só…
Oi Foi O Balanço Do Mar!
Marinheiro Só…
Lá Vem…Lá Vem…
Ele É Faceiro… Todo De Branco…
Com Seu Bonezinho… Marinheiro, Marinheiro!
Quem Te Ensinou A Nadar…
Oi Foi O Tombo Do Navio…
Oi Foi O Balanço Do Mar…
Eu Não Sou Daqui…Eu Sou Do Amor!
Eu Sou Da Bahia…De São Salvador!
Marinheiro Só…
—————————————–
Marinheiro Agüenta O Leme
Não Deixa A Barca Virar!
É Contra O Mar
É Contra O Vento!
É Contra O Vento
É Contra O Mar!
—————————————–
Ô Martim Pescador Que Vida É A Sua?
Bebendo Cachaça E Caindo Na Rua!
Não Vá Beber… Não Vá Se Embriagar!
Não Vá Cair Na Rua Pra Polícia Te Pegar!
Eu Já Bebi… Eu Já Me Embriaguei!
Eu Já Caí Na Rua E A Polícia Não Pegou!
—————————————–
Eu Venho De Longe Pisando Na Areia
Na Areia Tenho Que Pisar!
Mas Ele É Seu Marinheiro Verdadeiro…
Aqui Em Qualquer Lugar!
—————————————–
Um Barquinho Vem Vindo Do Mar…
É O Marinheiro Que Vem Trabalhar!
Ele É Filho Das Águas Claras…
Eu Venho Aqui Quando Me Chamar!
—————————————–
Marinheiro Vem Do Mar…
No Balanço Do Navio…
Vem Trazendo A Santa Bênção…
Para Todos Os Seus Filhos!
Yemanjá Governa As Águas
Yansã A Tempestade
Com A Força Do Divino
Vem Trazendo A Caridade!
No Céu A Lua Brilha
As Ondas Do Mar Balançam
No Dia De Nossa Senhora
Na Areia A Sereia Canta!
—————————————–
Ei Marinheiro
Seu Barco Estava Afundando!
Ainda Bem Que Ele Foi Salvo
Na Jangada Dos Baianos!
—————————————–
ô, Marinheiro…
Dá licença de passar,
Seu navio está no porto,
Ele veio de alto mar.
É no balanço do mar q ele vem…
É no balanço do mar q ele vai…
É no balanço do mar q ele vem…
É no balanço do mar q ele vai…
—————————————–
Rema a canoa, Canoeiro…
Rema a canoa, Devagar…
Rema a canoa.
Canoeiro, não deixe o barco virar.
—————————————–

PONTOS P/ BAIXAR:

NOTAS:
Os marinheiros permitem aos médiuns a desenvolverem o equilíbrio emocional, entrar em contato com as emoções mais intimas desbloqueando e liberando os excessos, os vícios. Desenvolvendo no médium a capacidade de sentir as dores dos outros e com isso aprimorando as relações com o seu irmão.

VELAS – branca, azul ou bicolor branca e azul.

FONTES:
REVISTA ESPIRITUAL DE UMBANDA – EDIÇÃO 9
Mensagem do marinheiro Jerônimo- pelo médium Ortiz Belo de Souza Sacerdote do OFA – Ordem dos Filhos de Aruanda
http://www.guardioesdaluz.com.br/linhasdeumbanda.htm
Comunidade Povo de Aruanda: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=11739186

UMBANDA SAGRADA - PARTE III

AS LINHAS VIBRACIONAIS DA UMBANDA



A Umbanda, como já vimos, tem no simbolismo um de seus fundamentos mais importantes e tem recorrido a ele desde sua fundação. O simbolismo está tão visível, que todas as entidades que trabalham na Umbanda são evocadas através de nomes simbólicos. Baseados também neste simbolismo os campos de trabalho são divididos em linhas vibracionais, conhecidas como As Sete Linhas da Umbanda.


 Todas as Escolas Iniciáticas sempre consideraram o sete como um número cabalístico e sagrado, por isso ele está sempre presente em toda sua simbologia. O Sete também é considerado o número da “expansão e centralização” da unidade, pois é formado da soma do ternário com o quaternário, resultando no “Setenário Sagrado”.

Para entender um pouco mais a Umbanda devemos conhecer suas linhas ou campos vibracionais, que são na verdade sete irradiações divinas onde cada qual flui em um grau vibratório próprio e dá sustentação a vida. Mas para isso comecemos por esquecer de conformar DEUS a um senhor de barbas, e vê-lo simplesmente como “a forma energética primeira” da qual se formaram todas as coisas e seres existentes.

Tudo no Universo é energia em estado de maior ou menor densidade e com diferentes formas de montagens de seus átomos e moléculas. Após a chamada Criação, o DEUS UNIVERSAL, ou essa energia primária, continuou a se desdobrar em uma infinidade de energias que circulam por todo o Universo criado e não só pelo planeta Terra, que não é nem nunca foi seu centro.

Se uma energia mãe se desdobra, sempre há as primeiras energias que partem dela e que depois também vão se desdobrando, interagindo e formando outros tipos de energia. Para você entender melhor visualize o gráfico abaixo:
 
Podemos observar que se trata de um gráfico que representa a refração da luz solar através de um prisma, onde ao passar pelo prisma, a luz, anteriormente branca, se decompõe em diversas outras cores sendo que as sete visíveis para nós estão aqui representadas.

As três primeiras cores que se formam são as que conhecemos como cores primárias, indivisíveis, que são o AZUL, o AMARELO e o VERMELHO. Todas as outras se formam pela ação dessas três cores umas sobre as outras. Dessa forma o VERDE é composto pelo amarelo com o azul, a cor LARANJA, é formada pela soma do amarelo com o vermelho, o VIOLETA é formado pelo vermelho com o azul.

Assim como a luz ou a energia do Sol supõe-se que essa energia mãe em seu processo de desdobramento decompõe-se primeiramente em três energias primárias que posteriormente por interações geram mais quatro energias que voltam a interagir entre si e entre as primárias gerando outras energias. Tudo isso é para que você entenda o que é um Orixá e como ele é visto pela Umbanda.

Se fizermos uma analogia entre as cores da refração solar e as energias primeiras que se supõe serem geradas pelo Criador, as sete primeiras energias seriam os “Sete Primeiros Orixás” gerados, ou os “Sete Raios” como são chamados em outras filosofias, ou as “Sete Vibrações Originais”.

Cada Linha ou Vibração, ali representada, equivale a um grande exército de espíritos afins que rendem “obediência” a um “Chefe” ou um Líder, o qual representa para nós um Orixá ou Energia da Natureza, e cabe a ele uma grande missão no espaço. Esse verdadeiro exército se subdivide em sete grandes Legiões, que por sua vez se divide em sete Falanges, que se subdivide em sete sub-falanges, e assim por diante, sempre cada qual com seu respectivo “comandante”.

Este assunto, como a maioria na Umbanda, é muito controverso, pois como sabemos, a Umbanda é formada por diversas correntes de pensamento, cada qual com sua Doutrina e Fundamentos bem específicos. Todavia, na sua manifestação mais popular sabemos que os “Falangeiros” ou “Chefes das Falanges” são espíritos evoluídos que representam diretamente os Orixás, suas forças são a emanação pura de suas energias. Sendo assim, quando incorporados, mostram sua presença e sua força através de uma roupagem fluídica que os representem. Suas irradiações divinas alteram nossos sentimentos e nosso padrão vibratório, estimulando em nós sentimentos nobres e virtuosos.

Os “Falangeiros” se agrupam em Linhas ou Falanges que são conhecidas como as Sete Linhas da Umbanda, onde temos:
 
1ª -  Linha de Oxalá: Que representa o princípio a Fé, o reflexo de Deus, o verbo solar. É a luz refletida que coordena ou se desdobra nas demais vibrações em suas manifestações na terra, por tanto não temos incorporações de falangeiros de Oxalá na Umbanda, pois todos somos filhos Dele. Suas irradiações da Fé nos estimulam a Religiosidade.

2ª -  Linha de Yemanjá ou Linha do Povo D’água: Representa o Amor e a Geração. Também trabalham nesta Linha as Orixás Oxum e Nanã (Originalmente um Nkise  que foi incorporada no panteão dos orixás iorubás aqui no brasil). Suas irradiações de geração e de amor nos estimulam a maternidade, a fecundação e as uniões tanto carnais quanto materiais.

3ª -  Linha de Oxóssi: Representa o Conhecimento, a Fartura e o Trabalho. Suas irradiações do conhecimento nos estimulam o raciocino. Suas falanges trabalham na doutrinação dos irmãos sofredores e na cura através da medicina herbanária.

4ª -  Linha de Xangô: Representa a Justiça. É a linha que coordena as Leis kármicas. Suas irradiações da Justiça nos estimulam a razão.

5ª -  Linha de Ogum: Representa a Lei. É a linha mediadora que controla os choques conseqüentes da Lei do kárma e as demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas da vida. Suas irradiações da Lei nos estimulam a Ordem.

6ª -  Linha de Omulú/Obaluayê ou Linha do Oriente: Representa a Evolução e a Saúde. Suas irradiações da Evolução e da Saúde nos estimulam o equilíbrio. Nem todos os espíritos que trabalham nesta Linha são oriundos do povo ori­ental, ela abri­ga as mais di­ver­sas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora da Umbanda, a falange dos Médicos é um exemplo delas.

7ª -  Linha de Iansã ou Linha das Almas: Representa a Maturidade, Humildade e a Bondade. É comandada por Iansã auxiliada por Omulú. Esta linha, como os próprios valores expressam, é composta dos primeiros espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas as suas manifestações. Eles são a Doutrina e a Filosofia, em fundamentos e ensinamentos. São os senhores da magia e da experiência adquirida através de seculares encarnações.
 
Temos também o cruzamento dessas Falanges, onde temos determinadas as qualidades dos “Falangeiros”. Vejamos alguns exemplos:
 
           Ogum Delê ou Delei é um Falangeiro de Ogum que trabalha na Linha de Oxalá;

           Ogum Beira-Mar, Ogum Sete Ondas, Ogum Iara são Falangeiros de Ogum que trabalham na Linha das Águas;

           Ogum Megê, Ogum Sete Espadas são Falangeiros de Ogum que trabalham na Linha das Almas;

           Ogum Rompe Mato é um Falangeiro de Ogum que trabalha na linha de Oxóssi.
 
Esses nomes simbólicos são um recurso utilizado pelas entidades na Umbanda para identificar qual nível vibracional atuam cada um desses espíritos e por qual Orixá ele é regido. Assim temos Falangeiros e entidades trabalhando em todas as Linhas, cada qual com seu nome e simbolismo próprio. Podemos observar várias entidades se identificando como: Caboclo Rompe Mato, Caboclo Pena Branca, Caboclo Cobra Coral, isso não quer dizer que é a mesma entidade ou o mesmo espírito, e sim entidades que trabalham em um mesmo campo vibracional.

Em alguns terreiros, por falta de conhecimento e vaidade, é corriqueiro acontecer de no templo já ter um Caboclo, ou um Preto Velho, ou um Exú manifestando-se com um determinado nome e caso um novo médium manifeste uma entidade que se identifique com o mesmo nome, o médium mais velho reage negando a veracidade da nova manifestação, pois se sente o “dono” de tal entidade, chegando as vezes a expulsar o novo guia tachando-o de mistificador, quiumba ou até mesmo um impostor.

Na Umbanda, os Falangeiros, guias ou protetores, e todas as entidades que fazem parte de sua corrente astral que trabalham dentro das Sete Linhas também são divididos em Linhas de Trabalho conhecidas como Linha da Direita e Linha da Esquerda, onde temos:

 
           Linha de Direita: Os Falangeiros dos Orixás, os Pretos-Velhos, os Caboclos, os Boiadeiros, as Crianças, os Marinheiros, os Baianos e os Orientais.

           Linha de Esquerda: O Povo de Rua, espíritos guardiões, que são os Exus, Pomba-giras, Ciganos e Malandros.
 
A Umbanda por ser considerada no Astral um Ritual de ação positiva à humanidade, atrai milhares de espíritos sedentos para trabalhar em suas searas em beneficio do próximo. Esses espíritos são doutrinados e dirigidos a uma das linhas de trabalho de acordo com seu campo vibracional, segundo a Lei das Afinidades. Sendo assim, nem todas as entidades que manifestam nos Terreiros como Pretos Velhos, por exemplo, foram necessariamente negros e escravos, como nem todos os Caboclos foram necessariamente índios, são apenas uma roupagem fluídica simbólica, uma homenagem a esses povos que contribuíram para a formação do povo brasileiro.

Os espíritos se utilizam desse simbolismo nas manifestações para afastar a vaidade dos médiuns, pois a eles, entidades, só interessam a caridade e o amor ao próximo, e não quem foram ou o que fizeram, ou até mesmo que título tiveram em suas encarnações passadas. Não se incomodam em manifestar-se de uma forma humilde e simples. Nesses grupos de espíritos não há distinção de raças, origem religiosa ou títulos terrenos, neles o que impera é a beleza da Alma, o valor do caráter. Amam a todos e sabem que a carne é somente um veículo transitório.

Uma gíra de Umbanda é uma verdadeira aula de humildade e desprendimento, o que a nós deve interessar saber é que todos tem algo a nos ensinar, independente de sua origem. Devemos ter a consciência de que eles nos auxiliam no que for permitido pela Lei Maior e no que for de nosso merecimento e não para suprir nossas futilidades.