domingo, 10 de março de 2013

COLETÂNEA PROTESTO - PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

Pastor é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara 


Marco Feliciano (PSC-SP), acusado de ser homofóbico e racista, recebeu onze votos; diversos parlamentares abandonaram a sessão em protesto.

BRASÍLIA - O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), pastor da Assembleia de Deus, foi eleito nesta quinta-feira, 7, o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Onze membros da comissão votaram em seu nome e um votou em branco. Em represália ao nome de Feliciano, parlamentares do PT e do PSOL deixaram o plenário da comissão, negando-se a votar no candidato único. 

O ex-presidente da comissão, Domingos Dutra (PT-MA), renunciou ao cargo momentos antes do início da votação que elegeu Feliciano. "Não posso concordar que a minha gestão termine com a população impedida de entrar aqui. Por isso encerro meus trabalhos aqui e renuncio", disse, com a voz embargada. Para conduzir o processo de votação, foi designado o deputado Costa Ferreira (PSC-MA), parlamentar mais antigo da comissão. 

A eleição do novo presidente do colegiado estava inicialmente marcada para quarta-feira, 6, mas foi adiada após manifestações de ativistas que entraram na sala da comissão. Por ordem do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a escolha do presidente da comissão deveria ocorrer a portas fechadas e integrantes de movimentos sociais foram impedidos de entrar. Foram montadas barreiras de seguranças no corredor das comissões impedindo que os manifestantes chegassem próximo às salas. 

Ao final da sessão de quarta, Feliciano disse que seus "direitos como ser humano" haviam sido "tolhidos". Afirmou também que chegou a "apanhar" dos manifestantes e "levar arranhões" em meio à confusão instalada na sala da comissão. "Xingaram a minha família, a minha mãe. Mas meu espírito cristão não me permite revidar", afirmou. 

A eleição do pastor para o cargo foi possível porque PMDB, PSDB e PT cederam suas vagas na comissão para o PSC, partido do deputado. Além disso, a maioria dos titulares da comissão são evangélicos que apoiam Feliciano. "Aqui sou magistrado", disse o pastor, ao negar novamente ser homofóbico e racista e garantir que vai conduzir os trabalhos da comissão com isenção. 

"O fato dele defender determinadas bandeiras não significa que ele vai trabalhar de forma tendenciosa à frente da comissão", afirmou o líder do PSC, André Moura. 

'Fase obscura'. Em 2011, Feliciano escreveu em sua página no Twitter que o amor entre pessoas do mesmo sexo leva "ao ódio, ao crime e à rejeição" e que descendentes de africanos são "amaldiçoados". 

Ex-secretário de Direitos Humanos no governo Lula, o deputado Nilmário Miranda (PT-MG) admitiu o desconforto: "Em 18 anos, nunca vi uma situação dessas. Não tenho condições de votar nele". "As declarações que ele fez conflitam com o trabalho desta comissão", observou o petista. 

O deputado Jean Wyllys (PSOL-SP) afirmou ser “assustador” que o pastor assuma o órgão. “Ele é confessadamente homofóbico e fez declarações racistas sobre os africanos”, disse. Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), ex-vice-presidente da comissão, a escolha do pastor marca uma fase “obscura” do colegiado. Segundo a parlamentar, a conduta de Feliciano atenta contra “os princípios básicos dos direitos humanos”

'Papai do Céu'. Entre os projetos de lei apresentados por Feliciano, há um que institui o programa “Papai do Céu na Escola” na rede pública de ensino e outro que pretende sustar a decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu como entidade familiar a união entre pessoas do mesmo sexo. Ele propôs ainda um projeto de lei para punir quem sacrifica animais em rituais religiosos, prática adotada em algumas cerimônias do candomblé. 

Feliciano afirma que a comissão se tornou um espaço de defesa de “privilégios” de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais e defende “maior equilíbrio”. Ele diz ter feito um cálculo: 90% do tempo da última gestão da comissão foi dedicado a assuntos relacionados à comunidade LGBT, deixando “em segundo plano” outras minorias como índios, quilombolas e “crianças”

O pastor diz que sua religião “o gabarita” para fazer um bom trabalho à frente do órgão. “Se tem alguém que entende o que é direito das minorias e que já sofreu na pele o preconceito e a perseguição é o PSC, o cristianismo foi a religião que mais sofreu até hoje na Terra”, disse. 

FONTE: http://www.estadao.com.br

COLETÂNEA PROTESTO - PEDRO MANUEL T' OGUM

Motumbá para quem é de Motumbá, Kolofé para quem é de Kolofé, Saravá para quem é de Saravá e tantas outras saudações a todos os outros irmãos de outras NAÇÕES, TRIBOS E REDE SOCIAIS.


O motivo que me trouxe hoje aqui é de fato minha total indignação de como hoje em dia as coisas na visão de nossa politica tem sido tão manipulada e usurpada por pessoas que tentam tentam fazer de nosso País, que tem tudo para ser de PRIMEIRO MUNDO, voltar aos tempos pre-históricos ou ainda do tempo da INQUISIÇÃO.

Sabemos que somos parte de um PAÍS LAICO. Um PAÍS, que abraça todas as RAÇAS, CREDOS, RELIGIÕES E OPÇÕES SEXUAIS, que até isso tem sido mudado passando para CONDIÇÃO SEXUAL. É como se estivéssemos perdendo nosso lugar de LIBERDADE, deixando de lado até a famosa expressão carimbada com muito orgulho em nossa BANDEIRA: ORDEM E PROGRESSO.

ORDEM que virou DESORDEM e PROGRESSO que ta virando RETROCESSO.

Estamos hoje, nos somando a inumeras pessoas, tribos, raças, credos e outros artigos que forem bem cabíveis no momento, para nos consolidar ainda mais contra a ELEIÇÃO de MARCOS FELICIANO, como PRESIDENTE DA COMISSÃO DOS DIREITOS HUMANOS, aqui do BRASIL.

Uma pessoa que acusada por HOMOFOBIA, RACISMO, receber votos para PRESIDIR uma comissão que tem por foco central e objetivo real, LUTAR A FAVOR DE TUDO QUE ENVOLVE os ditos DIRETOS HUMANOS.

Mas enfim, para entender melhor o assunto que gira sobre isto, vamos acompanhar as postagens seguintes e não deixe de participar, comentando sobre o ASSUNTO, pois chegou a hora do BLOG OLHOS DE OXALÁ, deixar de ser uma ESCOLA mas ser uma VIVENCIA, UMA COMUNIDADE DE FATO QUE LUTARÁ TAMBÉM PELOS NOSSOS DIREITOS DE SER HUMANO E DE NOSSA RELIGIOSIDADE, seja ela qual for.

Pedro Manuel T' Ogum.

sábado, 9 de março de 2013

COLETÂNEA UMBANDA SAGRADA - NÃO CONFUNDA MÉDIUM COM ENTIDADE



Somos apenas um canal… 

Confundir o médium com a entidade é um assunto que vejo com frequência nas listas de bate-papo, nos canais de chat ou até mesmo dentro de terreiros de Umbanda. Isso acontece tanto da parte do médium quanto da parte do consulente e, cabe a nós, como médiuns, evitar ao máximo que isso aconteça exatamente pelo fato de que o médium é apenas... um dos canais de comunicação com o mundo espiritual. 

O médium é o meio e não o fim. 

O Consulente 

É muito comum ver esse tipo de confusão sendo feita pelos consulentes, pessoas que vão ali no terreiro para conversar com as entidades, pedir conselhos ou apenas ouvir uma palavra de conforto pois, muitas vezes, elas fixam em suas cabeças a imagem do médium (que está com o corpo ali presente) proferindo aquelas palavras de conforto ou dando sábios conselhos sem sequer notar que quem na verdade está falando (ou deveria estar) é a entidade que está (ou deveria estar) ali trabalhando. 

Há casos em que o consulente que esteve presente em alguma sessão no terreiro encontra um médium no meio da rua e resolve, sabe-se lá por qual motivo, pedir-lhe conselhos ali mesmo ou até mesmo contar uma longa história de sua vida, achando que ali, no meio da rua, o médium vai poder lhe ajudar da mesma forma que o ajudou no quando estava em transe mediúnico no terreiro. 

É de fundamental importância que se tenha consciência que quando você vai a algum terreiro e conversa com uma entidade o médium está ali apenas como um canal de comunicação e não é ele (ou não deveria ser) que está proferindo aquelas palavras e, por mais que você se apegue à imagem do médium, você não estava conversando realmente com ele. 

Portanto, se você quer algum conselho, espere até a próxima sessão e vá até o terreiro para conversar com alguma das entidades, não ache que o médium está sempre com pensamentos positivos o suficiente para lhe dar um bom conselho. Médiuns são pessoas comuns e, como tal, tem sua vida e seus próprios problemas. Lá no terreiro é outra história, ele está ali disposto a deixar seus problemas de lado e permitir que as entidades venham para, quem sabe, resolver os problemas de outras pessoas. 

O Médium 

Como diz o sábio ditado, “quando um não quer, dois não brigam” e isso é válido também para os médiuns que são abordados por pessoas no meio da rua que pedem insistentemente por algum conselho ou, com a desculpa de “apenas conversar”, tentam conseguir uma consulta fora de hora, em local inapropriado ou até mesmo com assuntos completamente alheios ao conhecimento do médium. O pior é que em alguns casos, o médium tentando dar uma de bom samaritano, acaba caindo na conversa e começa a dar conselhos e pitacos na vida de uma pessoa e esquece daquele outro velho ditado que diz que “se conselho fosse bom, não se dava, vendia”

O perigo de sair dando conselho à revelia é que, vai que o conselho que você deu ali na maior das boas intenções acabou por desencadear uma série de acontecimentos que fugiram completamente ao controle tanto do seu “novo amigo” quanto ao seu próprio controle, se é que alguém alguma vez teve qualquer tipo de controle sobre os acontecimentos. 

Quando acontece algo deste tipo, você acaba manchando o seu nome, o nome do seu terreiro (claro, porque quando acontece algo de ruim a culpa é do terreiro que não presta, mesmo que o conselho não tenha saído diretamente lá de dentro) e, é aí que vem a pior parte, acaba manchando também o nome da entidade pois quando o fulano foi no terreiro, foi aconselhado por determinada entidade e, quando te encontrou no meio da rua e veio lhe pedir conselhos, na verdade estava querendo ouvir um conselho da entidade e vai, sem sombra de dúvidas, achar que é a entidade que a está aconselhando novamente. 

Outro grande perigo para os médiuns é quando, em sua cabeça, ele começa a se confundir com a entidade que está ali trabalhando e começa a achar que ele deve interferir no que está sendo dito. Se você é um médium consciente (e imagino que muitos sejam) concentre-se ao máximo possível para que você nunca interfira no que a entidade está falando e se você sentir que algo não está certo ou que a entidade “se afastou” muito de você, é melhor parar a consulta e falar que a entidade foi embora, mesmo que seja no meio de uma conversa, vai ser muito melhor para você e para a pessoa que está ali se consultando. 

Volte a se concentrar, peça auxílio para o dirigente da casa ou algum outro médium com mais experiência para que a entidade volte e possa continuar a conversa com o consulente ou apenas para que ela (a entidade) fique ali energizando o seu corpo para que haja novamente o equilíbrio. Nunca tente continuar a conversa caso você sinta que a entidade não está mais ali ou “se afastou” muito. 

Há também os que acabam desenvolvendo amizade ou contato mais próximo com algum consulente. Não é nenhum crime ter amizade por alguém, acontece que é muito importante, desde o início, que fique bem claro que uma coisa é a entidade dentro do terreiro, outra coisa é o médium, a pessoa que serve de canal para a entidade. Esse assunto é muito delicado e deve sempre ser tratado com o máximo de seriedade e cuidado.

COLETÂNEA UMBANDA SAGRADA - INTERPRETAÇÃO DE SONHOS


É no momento do sono que nosso espírito se desprende do corpo físico, permanecendo ligado por um cordão fluídico, e assume suas capacidades espirituais. 

Como está descrito no Evangelho Segundo o Espiritismo, "o sono foi dado ao homem para a reposição das forças orgânicas e morais. Enquanto o corpo recupera as energias que perdeu pela atividade no dia anterior, o espírito vai se fortalecer entre outros espíritos"

Por isso a importância de termos uma conduta moral aplicada, com boas companhias, leituras e músicas. Nossas companhias do dia serão as da noite, ou seja, o nosso pensamento vai atrair espíritos encarnados ou desencarnados que tenham a mesma sintonia que a nossa. 

É através dos sonhos que temos contato com amigos, parentes, instrutores e desafetos. Dessa forma, precisamos aproveitar o máximo para podermos ser esclarecidos sobre as dificuldades que estamos passando. É através dessa conversa que teremos com esses espíritos afins que poderemos, no dia seguinte, estarmos aptos a tomar decisões mais precisas. Mesmo não lembrando do sonho na maioria das vezes, através de uma visão, uma frase ou uma conversa, podemos lembrar de algo que nos foi elucidado durante o sonho e, assim, podermos tomar a decisão correta. 

Existem sonhos proféticos, em que a pessoa tem visões de acontecimentos futuros? A experiência diz que sim. A Bíblia é um repositório de fatos dessa natureza. Destaque especial para os sonhos do faraó, interpretados por José, filho de Jacó, sobre anos de fartura e escassez que se aproximavam. 

Os sonhos do faraó falavam particularmente em sete vacas gordas e sete vacas magras, algo nebuloso. É assim mesmo? Sonhos proféticos exprimem, geralmente, intervenção de mentores espirituais. Eles não falam de forma simbólica, mas a pessoa registra como simbolismo, em face da dificuldade em fazer a transposição de uma experiência extracorpórea para o cérebro físico. 

Por que isso acontece? Nosso cérebro tem registro objetivo apenas para experiência que passam pelos cinco sentidos – tato, paladar, olfato, visão e audição. Essa é uma das razões pelas quais não lembramos das existências anteriores. Ao reencarnar, ficamos na dependência de cérebro “zero-quilômetro, sem registros do pretérito. Algo semelhante ao que ocorre em relação às nossas atividades no plano espiritual, durante o sono. 

É sempre assim? Há exceções, envolvendo pessoas dotadas de uma mediunidade especial, chamada onirofania, que permite o registro objetivo das experiências vividas no mundo espiritual durante as horas de sono. Exemplos típicos são os sonhos de José, pai de Jesus, que, em inúmeras oportunidades, foi orientado durante o sono por Gabriel, mentor espiritual de elevada hierarquia que o acompanhava. 

Pode não se cumprir um sonho profético? Sim, mesmo porque, não raro, sonhos premonitórios apenas exprimem uma fantasia relacionada com nossas preocupações. Um familiar viaja. Apreensivos, sonhamos com um acidente. A premonição pode apenas exprimir um aviso da Espiritualidade para que sejamos cuidadosos. É como se nossos mentores avisassem: “Há problemas na estrada. Seja prudente! Vá com cuidado.” 

Há premonições que não são meros avisos, mas a antecipação de algo que fatalmente ocorrerá? Sim, envolvendo situações difíceis, doenças, problemas e até a morte. Ex.: O presidente Lincoln sonhou que acordava em plena noite e, dirigindo-se ao salão principal da Casa Branca, notou que havia um velório. Perguntou a um soldado, que lhe respondeu que era do presidente, que fora assassinado. Comparecendo a um teatro, naquele mesmo dia, Lincoln foi morto num atentado. 

Há diversos estudos sobre os sonhos na parapsicologia, tentando desvendar esse enigma que nos afeta sempre que acordamos na intenção de decifrarmos algo que às vezes é um sinal, outras não passa de meras imagens sem significado. Antigamente, os sonhos eram considerados visões proféticas e reveladoras do futuro, onde homens entravam em contato com deuses e demônios. Muitas vezes, suas interpretações ligavam-se a superstições, numerologia, crendices, astrologia, entre outros. 

Ainda hoje, pessoas aproveitam da ignorância dos homens sobre o assunto e ganham dinheiro fácil na interpretação dos sonhos de quem as procura com o intuito de decifrá-los. Assim, tornam-se vulneráveis nas mãos de gente insensata ou espíritos zombeteiros, levianos e obsessores. 

Portanto, NÓS ESPÍRITAS NÃO INTERPRETAMOS OU BUSCAMOS A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS. Mas, respeitamos aqueles que buscam e acreditam.

COLETÂNEA UMBANDA SAGRADA - LINHAS, FALANGES E LEGIÕES


Aqui estamos postando mais uma importante realidade que muitas vezes não conhecemos: a existência da diferença entre as LINHAS, as FALANGES e as LEGIÕES, na UMBANDA SAGRADA

De forma simples, clara e objetiva, buscamos esclarecer de forma básica estas diferenças a fim de podermos aos poucos ir aprendendo um pouco mais. Vamos ver como isto acontece: 

LINHA 



Grupo de entidades que pertencem a determinada vibração de um Orixá. 

1) LINHA: 

Linha é a grande e magnífica força energética que direciona esses espíritos para o trabalho na caridade. Essa energia é comandada por determinado Orixá. Daí, em se tratando de trabalhadores espirituais na Umbanda, essa linha receber o nome desse Orixá. 

Assim vejamos: 

a) Os Caboclos Índios, boiadeiros e baianos atuam na energia vegetal, daí,serem da linha de Oxossi. 

b) Pretos Velhos atuam na energia telúrica, dentro da essência da Sabedoria, na Confraria das Santas Almas, pertencendo, portanto,'a Linha de Obaluaiê( Linha das Almas,Yorimá, Africana e Iofá). 

c) Os Caboclos Marujos ou Marinheiros, tendo em vista sua essência aquática,pertencem a linha de Iemanjá. 

d) As Crianças na Umbanda não tem linha específica, dizemos pertencer a Linha de Ibêji. 

e) Exús são espiritos como nós na biusca da evolução que, ao adentrarem na Umbanda para trabalhar, na Linha de Exú do orixá do médium. 

LEGIÃO 

Cada linha é composta de Legiões e cada Legião tem um chefe que será uma entidade espiritual de grande força e luz. 

FALANGE 

São todos as entidades que participam daquela Legião e produzem o trabalho espiritual necessário. 

2) FALANGE: 

É o agrupamento dentro da Linha a que pertence aquela Entidade. Espíritos de muita luz e escolta iniciam as diversas falanges ,dando o seu nome a todos os espíritos que nela integrem. 

Assim a Cabocla Jupira pertence à falange da Jupira, Pae Benedito pertence à falange de Pai Benedito, Exu Tranca Ruas, pertence a Falange dos Trancas Ruas,e assim por diante. Daí num mesmo terreiro podem estar presentes, incorporados tantas Jupiras, tantos Pai Beneditos, Tranca Ruas, quantos médiuns que trabalhem com Entidades que estão integradas nessas mesmas falanges. 

3) VIBRAÇÃO: 



Cada Entidade trabalha com as energias da Natureza. É a natureza magística dos trabalhos de Umbanda e que é tão bem manipulada pelos seus trabalhadores espirituais. 

Embora manipulem e trabalhem com todas as sete forças energéticas da natureza, sempre haverá a predominância de uma, que é regida por determinado Orixá, sendo como se fosse o Ancestral daquela Entidade. 

Assim, temos a Cabocla Jupira que trabalha sob a Vibração Sagrada da Água tendo como, orixá Regente a Mãe Oxum. 

Querer identificar a Vibração de uma Entidade pelo seu nome ou Falange é confundir-se pois não será a realidade dita e apresentada por eles, além, do que estaríamos congelando o movimento energético vibracional e irradiador dos Guias.

COLETÂNEA UMBANDA SAGRADA - O DESENVOLVIMENTO MEDIUNICO


Muitas vezes, as pessoas chegam num terreiro de UMBANDA SAGRADA, passam por uma consulta com o dirigente da casa ou alguma entidade e descobrem ou ouvem a seguinte frase: "VOCÊ TEM DE DESENVOLVER"


Para muitos esta frase ou expressão, como queiram é de fato a princípio para os não entendidos no assunto talvez um verdadeiro "SUSTO" ou para outros um "VERDADEIRO CHAMADO". Mas se esquecem que para o cumprimento desta expressão nas suas vidas, não basta meramente ir frequentando a ASSISTÊNCIA DO TERREIRO, como mero participante sentado na cadeirinha e deixar o tempo passar. 

Para aqueles que de fato levam esta frase "VOCÊ TEM DE DESENVOLVER" à sério. Devem se esforçar para entender e por a prática esta expressão nas suas vidas. 

Para começar devemos entender que para se desenvolver tem que querer antes de mais nada. Afinal ORIXÁ ou ENTIDADE não obriga nada a ninguém, POIS EXISTE O LIVRE ARBÍTRIO e todos respeitam isso. Mas optando pela busca do desenvolvimento devemos colocar algumas coisas em pauta: 

1. RENÚNCIA; 

2. COMPROMETIMENTO EM BUSCAR APRENDER; 

3. HUMILDADE; 

4. OBEDIÊNCIA; 

Não adianta querer ser um médium se você não tem tempo para as aulas de desenvolvimento espiritual. Muito menos se você não tem tempo para participar de uma "GIRA" seja ela qual for. 

Não adianta você buscar possuir uma roupa linda e maravilhosa. Com toda a pompa e paetês. Se você não se colocar na humildade de vestir uma roupa meramente branca e tomar seus banhos de ervas. De varrer um chão ou até de lavar um banheiro. 

A obediência é de fato um fator primordial para o crescimento espiritual. Como vou ser um bom filho de santo, ou como vou saber atender a solicitação de uma determinada entidade se não for obediente? 

É muito fácil chegar num terreiro, ou já frequentar a muito tempo, e virar no "SANTO OU NA ENTIDADE", atender mil pessoas se o seu coração não tiver espaço para o amor, o desprendimento e a doação. 

Não adianta ser o melhor médium virante de um terreiro, se no seu dia a dia, a sujeira que se encontra sua vida interior não for varrida pela RENÚNCIA. O que de vale estar digamos no exemplo: "ESTAR NUMA GIRA DE PRETOS VELHOS", estar virado no preto(a), dar mil conselhos lindos, principalmente para alguém parar de beber e você mesmo numa simples festa, seja lá qual for, encher a cara ao ponto de cair. QUE EXEMPLO VOCÊ ESTARÁ DANDO COMO TESTEMUNHO? 

São pequenas coisas assim que temos de parar, respirar, pensar e refletir. Afinal, não adianta nada dizer eu sou eu e a entidade é outra pessoa. Sim concordamos de fato, mas a entidade num CORPO SUJO nada faz.



COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - PAI OGUN OU PAI ESTRELA


A Degradação do Sacerdócio dos Ogans 

Hoje observo, sobretudo no Sudeste, um acentuado processo de degradação no que concerne a história e importância dos Ogans, nas Sociedades Religiosas. Após ter criado esse espaço, muitas pessoas me pedem para falar um pouco sobre postura dos Ogans e o verdadeiro papel dos mesmos. Quando os indago a razão desse interesse, em sua maioria afirmam estarem descontentes com seus próprios Ogans, com a forma a qual se manifestam nas Sociedades Religiosas. 

Perguntei a essas pessoas quais as atitudes motivaram todo esse descontentamento e, para minha surpresa (ou não), a resposta mais incidente foi justamente a “falta de atitude” dos Ogans. 

Sacerdotes com os quais conversei, relataram que de alguns anos para cá, os Ogans simplesmente deixaram de serem Ogans. Comentaram que no passado, tinha no Ogan, a figura de uma pessoa que não somente cantava ou tocava para os Òrìsàs, mas sim, principalmente, Sacerdotes que zelavam pelos Deuses, pela casa e pelos seus respectivos sacerdotes. 

Diante desses comentários refleti sobre o tema e sobre minhas lembranças mais remotas tangentes a figura dos Ogans. Deixando de lado as memórias relacionadas a música, que obviamente sempre me despertou de forma latente, lembrei-me de alguns fatos, que me fizeram ter tanta admiração pela figura do “Ogan”

Engraçado que esses mesmos Ogans, eram virtuosos no barracão, cantavam, tocavam, etc. Todos eles, sem exceção, eram chamados por todos de “Pai”, “Meu Pai Ogan”. À época, pensei que a razão que conferia aos mesmos o “status” e respeito para serem chamados de “PAI”, seria o fato de serem Ogans. Afinal Ogan é Pai, não?. Com o passar do tempo, descobri que estava errado. 

Aqueles Pais, não eram respeitados dessa forma por serem Ogans, mas sim, por aquilo que eles faziam. Afinal, por exemplo, uma antiga egbon-mi estava chamando de pai, um novo Ogan não por ele ser Ogan, mas pelo fato dele ter arrumado a telha do quarto do santo dela, zelando pela divindade que lhe rege a cabeça, ou por ter pego as folhas que foram utilizadas para seu Òrìsà, para seu banho. 

Quantas vezes ouvi antigas egbon-mi dizerem: Meu Pai Ogan “fulano de tal” cortava para o meu santo! Meu Pai “fulano de tal” limpou o Obuko da minha feitura....Fez meu “prefuré”

Corrobora a ideia de o Ogan ser Pai não por ser Ogan, mas por aquilo que ele faz, diversas histórias que cercam os maiores Ogans da Bahia. 

Em uma entrevista, Mãe Cidália de Iroko comenta que: “Poxa, meu Pai Vadinho, como ele cuidava da roça, você já prestou atenção pra ver que o barracão do Gantois não tem muro pra cercar ele? Que é na rua? Pois é, Vadinho, Pai Preto, Amorzinho, eles cuidavam da roça, ninguém se metia a besta lá não, nem precisava ter muro”

Na pequena passagem comentada por mãe Cidália, ela não fala da virtuosidade de Vadinho em ser o maior dobrador de Hun da Bahia, ou do conhecimento da língua Yoruba de Amorzinho, mas sim, o fato deles salvaguardarem o terreiro do Gantois. 

Há relatos que discorrem que a construção do antigo barracão do Gantois, ocorreu com a ajuda, não financeira, mas braçal dos Ogans, que juntos com seu Álvaro (marido de Mãe Menininha), levantaram aquelas paredes. 

Vejamos, por exemplo, a importância Social dos Obas do Opo Afonjá, Ogans que mais que sacerdotes espirituais, tiveram e têm a missão de zelar pela Sociedade Civil daquele Candomblé, conferindo-lhes o status de Pai. 

Outro exemplo, louvável, refere-se ao venerável Antônio Agnelo Pereira, saudoso Pai Elemoso da Casa Branca do Engenho Velho (que merece um post sobre sua história). O Elemoso Agnelo foi de importância sem igual, para que o Ile Ase Iya Naso Oka tivesse novamente sobre sua posse, o terreno que hoje fica o barco de Ósun, mas que estava sendo explorado por um posto de gasolina. 

Mas por que então, há o processo de degradação? 

Em parte, isso se deve aos próprios Babalorisas e Iyalorisas que conferiram aos Ogans (nesse caso, aos que cantam e tocam) um status de “estrela” e não de Ogans. Quando aparece em uma casa, um Ogan que toca ou canta bem, ele passa a ser estrela naquela casa, estrela essa como já dito, conferida pelo seu sacerdote. 

Nesse caso, para que ele vai aprender como tirar as costelas do Obuko, ou que folha pegar para o seu santo? Estrela não faz isso! Os Ogans estrelas, geralmente não conhecem seu Òrìsà, pois jamais deram Osé nele, os Ogans estrelas não sabem onde se costuma levar os ebós da sua casa, pois ele nunca fez isso. O maior trabalho desse tipo de Ogan é trocar fitas de Candomblé, não importa de quem, o importante é ter centenas de fitas, de diversas casas, afinal, para ele pouco importa a tradição de cânticos ou toques de sua casa, o que importa é calar o barracão, enunciando uma cantiga que somente ele conhece, geralmente sem nada ter haver com o seu Asè. 

Nesse processo de enaltecimento do Ogan estrela, o Ogan de verdade, aquele que arruma o telhado, que limpa o bode, que pega a folha para onde vai? Ele vai para a igreja, buscar alguém que olhe e ore por ele, sendo que para esse, nos Candomblés não há espaço.... 

Como mudar? Como reverter esse processo de degradação quase que terminal que vivemos hoje? Fácil, os Babalorisas e Iyalorisas devem mudar de postura frente aos seus Ogans. 

Devem principalmente, se libertarem. Exemplifico, há casas em que há somente um Ogan que toca ou que canta! Pronto se o Babalorisa não se libertar deste, será seu refém a vida inteira! 

Ensine as crianças, elas serão os Pais da sua casa! Não centralize, mesmo que tenha um Ogan que cante ou que toque na sua casa, incentive os novos (DA SUA CASA) a fazer o mesmo! 

Ensine a importância de uma Màrìwò desfiado, de como arriar os Asès de frente ao Òrìsà, a importância de conhecer e de como se colher as folhas dos Òrìsàs. 

Converse com seus Ogans. Os Ogan precisam saber que Candomblé não é somente cantigas e atabaque e que o papel e função dos Ogans não se restringe a isso. Palestre aos seus filhos, retome as histórias de antigamente! 

Aqui, deixo meus respeitos àqueles grandes Pais Ogans, que vão à mata retirar a folha do Igi Ope para transformar em mariwo, aqueles que sabem entregar um carrego, aqueles que consertam as telhas das casas dos Orisas, aqueles que podam as árvores das roças, que tiram as folhas, aqueles que lutam para a manutenção e defesa da sua casa, enfim, meu respeito aos Pais Ogans. 

Sem mais, Dofono Wallace ti Yemonja.

sexta-feira, 8 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - MÃE SENHORA


By Mãe Salvina do Cantuá 

Dona Senhora de Oxum teve a satisfação de ver reconhecida a sua liderança espiritual, ainda em vida, em muitas homenagens que recebeu: 

Em 1957, por ocasião do cinquentenário de sua iniciação, foi homenageada com uma grande festa no barracão do Axé lotado dos filhos-de-santo, obás e demais integrantes do egbé, delegações dos mais diversos candomblés da Bahia, personalidades da vida intelectual, muitas delas vindas do Rio de Janeiro e São Paulo, inclusive representações do presidente Juscelino Kubitschek e do seu ministro da Educação. 

Em 1959, por ocasião do IV Colóquio Luso-Brasileiro, realizado pela UFBA, Dona Senhora ofereceu no Axé um grande amalá de Xangô, numa festa pública dedicada aos congressistas. Durante a festa, o escritor Jorge Amado saudou os convidados, em nome do terreiro e de sua ialorixá, dizendo “…Estais em vossa casa porque este terreiro de Xangô, este candomblé de Senhora, tem sido – permanentemente e sempre – uma casa da cultura e da inteligência baiana… somos orgulhosos deste templo e de seu significado. Aqui passaram e estudaram Martiniano do Bonfim, babalaô da casa, nosso Édison Carneiro, o feiticeiro Pierre Verger e hoje nós, homens de cultura, somos os defensores do seu segredo e de sua grandeza, ao lado desta figura invulgar de mulher, feita de uma só peça, rainha, se a este título damos sua significação mais profunda…” 

Em 1965, Mãe Senhora recebeu o título de “Mãe Preta do Brasil” e foi aclamada pelas comunidades religiosas afro-brasileiras, que lotaram o Maracanã, no Rio de janeiro, com seus representantes, além de políticos e jornalistas.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - DONÉ RUNHO


Maria Valentina dos Anjos Costa nasceu no ano de 1877, descendente direta de escravos oriundos do antigo Dahomey, foi a terceira sacerdotisa da comunidade de candomblé jeje do Terreiro do Bogun (Zoogodo Bogun Male Hundo). Iniciada para o Vodun Sogbo, assumiu o terreiro do Bogun em 1925 - após o falecimento de Gaiakú Romana de Kposú (Kposusi Romaninha) - onde se tornou uma das mais memoráveis sacerdotisas do Candomblé Jeje. Conhecida pelo nome de Mãe Runhó. 

Mãe Runhó comandou o Terreiro do Bogun mantendo os princípios e a tradição africana de culto aos Voduns. Faleceu em 27 de Dezembro de 1975 vítima de um enfarte. Seu enterro foi realizado conforme a tradição; o caixão saiu pela janela da casa e foi transportado pelos filhos de santo, que o carregavam nas costas; a cada encruzilhada três passos a traz e três passos a frente eram dados e seguia o cortejo com cânticos específicos. Ao chegar ao cemitério na Quinta dos Lázaros o caixão é largado ao chão e canta-se em louvor a Ayizan - que representa a memória ancestral, na seita - e logo após é enterrado diretamente na terra como manda a tradição. Antes de cobrir o caixão com terra, cada filho de santo deve jogar um punhado de terra em cima. 

Após a morte de Mãe Runhó o terreiro passou a ser comandado por Evangelista dos Anjos Costa - Mãe Nicinha ou Gamo Lokosi - filha carnal de Mãe Runhó. 

FONTE: Hùngbónò Charles | Maio 3, 2012 at 2:17 am | Categorias: Candomblé | URL: http://wp.me/pds6I-183

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O MATRIARCADO NO CANDOMBLÉ


A mulher sempre teve uma posição de grande força dentro da nossa religiosidade. Uma religiosidade que se estende diretamente também à UMBANDA SAGRADA, como também dentro do CANDOMBLÉ

Como dirigentes de diversas casas de Santo, são muitas vezes encontradas na política, na organização de todas as funções de grande porte dentro de suas organizações dos seus respectivos Ilês. Um poder que vem de tradição desde suas chegadas aqui no tempo da escravidão, representadas pelas MULHERES NEGRAS, que trouxeram para todos nós essa sublimidade de nossa religiosidade. 

Na África, era comum as mulheres participarem do Conselho dos Ministros. Elas tinham organizações próprias e lideravam um intenso comércio que incluia rotas internacionais. Foi por isso, que na Bahia, a partir século XIX, elas conseguiram o que parecia impossível. Deram à luz a uma Organização religiosa, que conciliou tradições de diferentes povos da Diáspora Africana, resistindo à escravidão e a perseguição policial, com diplomacia, inteligência e fé. 

Esta produção é uma reportagem pensada e produzida por Urânia Munzanzu, Vilma Neres e Lívia Machado, estudantes de Comunicação Social (Jornalismo) pelo Centro Universitário Jorge Amado. Uma produção pensada para a disciplina de Telejornalismo II, sob orientação da Mestre Silvana Moura.


COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - NAÇÃO BATUQUE



O Batuque ou simplesmente Nação, é uma religião afro-brasileira, ou quem sabe afro-gaúcha, pois está presente principalmente neste estado e em lugares vizinhos a ele (como Santa Cataria, e outros países como Uruguai e Argentina). 

Tem seu culto voltado aos Orixás e é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as nações Jeje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô (e as chamadas “mistas” como Jeje-Ijexá, Jeje-Nagô, Nagô-Ijexá, etc). Apesar de diversas nações o culto do Batuque é praticamente homogeneo em todas as casas predominando a cultura Ijexá que cultua doze orixás (Bará, Ogum Oyá, Xangô, Odé e Otin, Ossanha, Obá, Xapanã, Oxun, Yemanjá e Oxalá), além dos Ibejis. 

A Nação Oyó se caracterizava principalmente pela ordem das rezas: primeiro tocava-se para todos os Orixás masculinos, depois para os femininos, e finalizava-se com Oyá, Xangô e Oxalá (Oyá e Xangô no final, representando o Rei e a Rainha de Oyó)e dizem também que ao final da cerimônia, os orixás carregavam a cabeça dos animais a eles sacrificados, já em estado de decomposição, na boca. 

A Nação Cabinda embora de origem bantu não cultua nkisis (muitos desconhecem esta palavra), mas sim Orixás, os mesmos de Ijexá, com acréscimo de algumas qualidades de Bará (Bará Legba) e Oyá (Oyá Dirã, Oyá Timboá) e o culto aos Eguns é muito forte nesta nação, tendo toda a casa de Cabinda o assentamento de Igbalé (casa dos mortos). Nesta nação os filhos de Oxun, Yemanjá e Oxalá podem entrar e sair dos cemitérios quando bem quizerem, sem que sua obrigação ou feitura seja prejudicada, diferentemente das demais nações, onde os filhos destes orixás só podem entrar em cemitérios quando for algo extremamente importante. 

A Nação Jeje, assim como a Cabinda, adotou o panteão Yoruba dos orixás, que são os mesmos de Ijexá, sendo muito comum as casas de Jeje-Ijexá. Muitos sacerdotes da Nação Jeje do Batuque desconhecem a palavra Vodun, embora se tenha relatos de culto a algumas destas divindades antigamente. Os descentendes de Pai Joãozinho do Bará (Esú By) são os que mantém firme as tradições desta nação, como o uso de agdavís em seus rituais (chamado “Jeje de pauzinhos”), o assentamento de Ogun semelhante ao do Vodun Gun no Daomé, e existência de pessoas iniciadas para Dan e Sogbo. As cerimônias se iniciam com a parte Jeje (com cânticos no dialeto fongbe) e a dança em pares (simbolizando o par da criação Mawu-Lisa) e o toque com as “varinhas” e depois a parte Yorubá com as rezas tradicionais do Batuque. 

A Nação Nagô é muito parecida com o candomblé tanto nas cerimônias como nas características dos Orixás. Nesta nação usa-se sacrificar os animais deitados e não suspensos como nas demais. Está quase extinta. 

Orixás do Batuque 

Os Orixás cultuados no Batuque são doze: Bará, Ogun, Oyá, Xangô, Odé, Otin, Ossanha, Obá, Xapanã, Oxun, Yemanjá e Oxalá. O culto aos Ibejis varia de acordo com a nação, sendo que em algumas (como na Cabinda) são associados e considerados como qualidades de Xangô (Xangô Aganju di Ibeji) e Oxun (Oxun Ipandá di Ibeji). Alguns orixás se dividem em qualidades, chamadas de “classes de orixá” no Batuque e depois é revelado somente ao filho e ao sacerdote o “sobrenome do orixá” que seria como o orukó/digina do candomblé. No Batuque acredita-se que a pessoa não deve ficar sabendo que foi possuida (“ocupada” é o termo do Batuque) pelo seu orixá, sob pena de ficar louco. Mas alguns dizem que não pode é ficar comentando sobre o que o orixá fez ou deixou de fazer, não se comenta sobre a incorporação. Os orixás do Batuque 

Bará 

É o primeiro a ser saudado em todas as ocasiões, e também é chamado de Exu. É o orixá que representa a comunicação entre os homens e as divindades e é aquele que abre os caminhos. Trás a chave nas mãos, simbolizando o “guardião de todas as portas” e é responsável pelo bom andamento dos negócios e tudo que se relaciona a dinheiro. Suas oferendas são basicamente constituidas com milho torrado, azeite de dendê e opetés de batata inglesa. A cor é o vermelho. Se divide nas classes: 

BARÁ LEGBA ou ELEGBA: é sincretizado ao demônio e usa o tom escuro de vermelho, assentado fora dos templos e é responsavel pela comunicação entre os mundos. Segundo a tradição é daomeano, mas é cultuado somente na Nação Cabinda (?). 

BARÁ LODÊ: assentado fora do terreiro, é responsável pela segurança do mesmo. É o orixá que mantém a estrutura do templo; sua sustentação depende do Bará ou Exu Lodê. 

BARÁ ADAGUE: assentado dentro do terreiro e recebe suas oferendas na encruzilhada. É o mais chamado, pois faz a frente dos orixás Ogun, Oyá, Xangô, Odé, Otin, Ossanha, Obá e Xapanã. 

BARÁ AGELU: é o Bará que faz frente para os orixás das aguas como Oxun, Yemanjá e Oxalá. Em suas oferendas usa-se, além do azeite de dendê, o mel. 

BARÁ LANÃ: tem as mesmas atribuições do Bará Adague. 

Saudação: Alúpo ou Lalúpo 

Dia da Semana: Segunda-feira 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Vermelho 

Guia: Corrente de aço (para alguns), vermelho escuro (Legba), vermelha 

Oferenda: Pipoca, Milho torrado, 07 batatas inglesas assadas e azeite de dendê 

Ogun 

Orixá da guerra, do ferro, da metalurgia. Tem praticamente as mesmas caracteristicas que a ele se aplicam no candomblé. Sua cor é o verde e vermelho, mas pode-se usar o azul escuro. Ogun Avagã tem seu assentamento do lado de fora e tem a mesma função de defender e equilibrar a casa, assim como Bará Lodê, e usa cores no tom escuro. Dizem que ele é um Vodum, conhecido como Gún Awagàn. Temos também Ogun Onira (ou Onire) e Ogun Adiolá (que vive junto aos orixás da água, Oxun e Yemanjá). A saudação do Ogun é Ogunhê. 

Saudação: Ogunhê 

Dia da Semana: Segunda-feira para Ogum Avagã 

Quinta-feira para os demais 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Vermelho e Verde 

Guia: Vermelho e Verde escuros 

Oyá 

É a divindade dos ventos e das tempestades, uma das esposas de Xangô. Rainha dos raios, ventos e tempestades, Oyá é um Orixá feminino, enérgico, sensual e autoritário. Na mitologia dos Orixás, Oyá primeiramente foi casa com Ogum, traindo-o mais tarde com Xangô, não abandonando as relações com seu primeiro casamento. Em outra passagem mitológica, Oyá é presenteada por Xapanã, que a concede o poder sobre os eguns – espíritos, tornando-se conhecida também por a Rainha dos Eguns. 

Saudação: Epaiêio 

Dia da Semana: Terça-feira 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Vermelho e Branco 

Guia: 01 conta vermelha, 05 contas brancas, 01 conta vermelha 

Oyá Timboá (Cabinda) é tida como “a mais quieta” que sabe fazer as coisas. Oyá Dirã (igualmente Cabinda) é a dona dos Eguns. 

Xangô 

O Orixá do fogo e do trovão, Senhor da Justiça, considerado um Orixá vaidoso, que gosta de festas e comemorações. Sua sensualidade atrai as mulheres de modo geral, na Mitologia dos Orixás, Xangô é casado com três mulheres: Oyá, Obá e Oxun. Tem as classes Aganju e Agodô. 

Este Orixá é sempre lembrado, pelos fiéis do Batuque, em casos de difícil resolução e justiça, já que suas atitudes são sábias e rígidas. 

Saudação: Caô Cabecile 

Dia da Semana: Terça-feira 

Número: 06 e seus múltiplos 

Cor: Vermelho e Branco 

Guia: 01 conta vermelha, 01 conta branca, 01 conta vermelha 

Odé e Otin 

No Batuque, estes dois Orixás são cultuados juntos. São os protetores das matas e dos animais silvestres e selvagens. Os filhos de Otin são quase inexistentes, pois na Mitologia, Otin não teve filhos na terra, dando assim as cabeças dos filhos para Odé. Com o passar dos tempos já se nota a existência de filhos de Otin, caso raro e absurdo para muitos Pais-de-Santo. Não se sacrifica para um sem dar para o outro, os animais são os mesmos, mudando apenas o sexo. 

Saudação: Oquebambo 

Dia da Semana: Sexta-feira, pois é o dia da Iemanjá, que é mãe de Odé, para outros Segunda-feira 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Azul forte e branco para Odé e Azul forte e rosa para Otin 

Guia: 01 conta azul, 01 conta branca, 01 conta azul, para Odé e 01 conta rosa, 01 conta azul, 01 conta rosa, para Otin. 

Ossanha 

A este Orixá pertence todas as folhas medicinais e ervas utilizadas nos rituais de Nação, por este motivo, temos um Orixá muito respeitado e cultuado em todos as Casas de Religião, podemos dizer que Ossanha possui a solução para todos os problemas relacionados a cura de enfermos, tanto material quanto espiritual. Este Orixá não possui uma das pernas, caminha com auxílio de muletas, quando se manifesta em algum filho, este dança normalmente em apenas em uma de suas pernas. 

Saudação: Ewe o 

Dia da Semana: Segunda-feira 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Verde Claro e amarelo. 

Guia: 01 conta verde e 01 conta branca alguns usam verde e amarelo. 

Obá 

Todas as máquinas, carros e navios estão relacionados com Obá, pois a ela pertencem a roda e o leme. Tem as mesma lenda do candomblé. 

Saudação: Exó 

Dia da Semana: Segunda-feira ou Quarta-feira 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Rosa 

Guia: toda rosa 

Xapanã 

Sua Mãe, Nanã Burucun, abandonou-o na praia quando pequeno por suas feridas em grande quantidade. Xapanã foi recolhido as profundezas do oceano, cuidado e criado por Iemanjá, que fez para ele uma roupa de palha-da-costa, cobrindo-o da cabeça aos pés. Ficou forte e saudável, porém as cicatrizes nunca desapareceram. Normalmente os filhos deste Orixá são marcados pelo corpo, com pequenas feridas, espinhas, manchas e secreções que assim como aparecem, desaparecem, ficando neste processo pelo resto da vida. Tem as qualidades Jubeiteí, Belujá e Sapatá (este último vem do nome do vodun Sakpata) 

Saudação: Abáo! 

Dia da Semana: Quarta-feira 

Número: 07 e seus múltiplos 

Cor: Vermelho e Preto e para Sapatá roxo. 

Guia: 01 conta vermelha, 01 conta preta, 01 conta vermelha e para sapatá roxa. 

Oxun 

Senhora soberana das águas doces. Todos os rios, lagos, lagoas e cachoeiras pertencem a este Orixá. O casamento, o ventre e a fecundidade e as crianças são de Oxun, assim como, talvez por consequência, a felicidade. O ouro e o dinheiro em todas as suas espécies também são de Oxun. Pela hierarquia é o primeiro Orixá doce seguida de Iemanjá e Oxalá, formando assim o grupo de Orixás chamado de Cabeças Grande. Tem as qualidades Oxun Ipondá ou Pandá (jovem e muito bonita, esposa de Xangô), Oxun Ademun (misteriosa, representa o fundo dos rios), Oxun Adocô ou Docô (cuida das crianças e faz frente com Oxalá) e Oxun Olobá (muito antiga). 

Saudação: Iê iêu! 

Dia da Semana: Sábado 

Número: 08 e seus múltiplos 

Cor: Todos os tons de amarelo, a escolha do tom depende da característica da Mãe 

Guia: toda amarela de um mesmo tom, o tom varia com a característica da Mãe 

Yemanjá 

Com certeza não existiria outro elemento da natureza para representar e ser o habitat deste Orixá, como o mar. O mar é lindo, fascinante e belo, porém na maioria das vezes severo e perigoso quando não respeitado ou usufruído da maneira correta, características diretamente relacionadas com a Grande Mãe. Nanã Borocun que no candomblé é um orixá a parte, no Batuque é uma qualidade mais velha e antiga de Yemanjá. Tem também as qualidades de Boci e Bomi. 

Saudação: Omi odô! alguns usam Omi Odo Iyá! 

Dia da Semana: Sexta-feira 

Número: 08 e seus múltiplos 

Cor: azul claro, azul forte ou incolor, dependendo da característica da Mãe. Para Nanã Borocun usa-se o lilás. 

Guia: toda da mesma cor, o tom do azul ou se for incolor varia com a característica da Mãe e para Nanã o lilás. 

Oxalá 

Pai de todos os Orixá e mortais, Oxalá é o maior e mais respeitado Orixá nas Nações africanas, a paz e a harmonia espiritual são as características deste que é o Criador e Administrador do Universo. Quando moço, se manifesta em seu Cavalo-de-Santo dançando como os outros Orixás, quando se apresenta em suas passagens velhas, chega se arrastando caminhando com dificuldade, muitas vezes fica parado no lugar esperando o auxílio de algum Orixá moço. Pertence a Oxalá de Orumiláia (que no Batuque é qualidade de Oxalá e seria Orumilá no candomblé) a visão espiritual, como consequência o jogo de Búzios. Existem qualidades como Oxalá Olocun (ligado a Yemanjá e as águas), Oxalá Jobocun e Oxalá Dacun. 

Saudação: Epaô Baba! 

Dia da Semana: Domingo 

Número: 08 e seus múltiplos 

Cor: Branco e Branco com preto para Oxalá de Orumiláia 

Guia: toda branca ou 01 branca, 01 preta, 01 branca para Oxalá de Orumilá. A ordem de saudação destes orixás é: Bará (legba, lode, adague, lanã, agelu), Ogun (avagã, onira, olobedé, adiolá), Oyá (oyá timboá, oyá dirã), Xangô (aganju, agodô), Odé e Otin, Obá, Ossanha, Xapanã (jubetei, belujá, sapatá), Oxun (pandá, ademun, doco, olobá), Yemanjá (boci, bomi, nanã-borocun) e Oxalá (olocun, obocun, dacun, jobocun e Oromiláia).

quinta-feira, 7 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - INICIAÇÃO DE EKEDJIS E OGÃNS


Para os cargos ou postos de Ogan e Ekedi, normalmente são pessoas escolhidas pela Iyalorixá ou por algum Orixá da casa. Serão pessoas de sua inteira confiança, pois ficarão com a responsabilidade de zelar da casa e da festa enquanto a (o) Ialorixá/Babalorixá estiver em transe. 

Uma vez que não entram em transe, Ogans e Ekedis passam por todos os preceitos que passam os Iaôs inicialmente e até um determinado momento, mas durante o desenrolar da obrigação constatado que não entrará em transe, é confirmado através do jogo de búzios no merindilogun o Orixá que trará o Orunkó do Ogãn ou da Ekedi na festa. 

Se foi escolhido pelo Orixá da Iyalorixá ou Babalorixá ou pelo Orixá de uma das Egbomis da casa, o Orixá que o escolheu é que sairá no barracão acompanhando o iniciado. Nesse caso a festa não terá tantas saídas como as saídas de Iaô. Mas no final terá o mesmo banquete de confraternização entre todos presentes. 

Quanto ao resguardo e ewo também não será igual ao do Iaô, será de acordo com o jogo de búzios, mas geralmente é de 21 dias de Quelê e normalmente cumpridos na roça, no caso de impossibilidade por motivo de trabalho, sai de manhã para trabalhar e vem dormir na roça até terminar o período de Quelê. 

Normalmente o Ogan e a Ekedi não cumprem o mesmo resguardo do Iaô, por não ter realizado todos os preceitos necessários ao último. Quando iniciados, equivalem ao Ebômi em idade de santo, tendo portanto os 7 anos de idade perante os Iaôs.

OBS: Com esta postagem, daremos início aos assuntos referentes aos PAIS OGÃNS, a partir de amanha. Não percam.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - TESTEMUNHO DE EKEDJI CÉLIA T'OSUN

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ

Aqui estamos postando um TESTEMUNHO DE FÉ proveniente do grande exemplo de vida e dedicação aos ORIXÁS: EKEDI CÉLIA T' OSUN.




COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - EKEDJI, MAKOTA

BY DOFONO WALLACE T' YEMONJÁ 



A Ekedj em seu papel de Mãe exerce a função de Dama de honra do Vodun regente da Casa. É dela a função de zelar, acompanhar, dançar, cuidar das roupas e apetrechos do Vodun da casa além dos demais Voduns dos filhos e até mesmo dos visitantes. Atua sempre ao lado do Vodun e que também cuida dos objetos pessoais do babalorixá ou Yalorixá. 

O cargo de Ekedj é muito importante, pois será ela a condutora do Vodun incorporado no Abassá (sala de festividades) e dela a responsabilidade de recolhê-los e "desvirá-los", observando as condições físicas daqueles que desviraram. O procedimento para se tornar uma Ekedj é o seguinte: primeiramente ela é apresentada - não suspensa como Ogã - e logo depois será confirmada com as obrigações de acordo com cada Nação. 

Lenda Djeje de como surgiu a primeira Ekedj: 

Olissá criou a d’angola , quando habitantes de uma aldeia estavam sendo assombrados por Ikú , que por ordem do grande rei pegaram uma galinha preta e pintaram com efun , e quando Ikú viu aquele animal estranho fugiu assustado e nunca mais voltou. 

Aziri pegou então a d’angola que passou a ser um animal sagrado e fez dela seu primeiro Yao. 

Até que um dia Aziri resolveu fazer em sua mucama e assim foi criado o primeiro vodunci que mais tarde se tornaria uma sacerdotiza. 

Vendo que a noticia se espalhara depressa e que os outros voduns fariam o mesmo Aziri resolveu fazer uma reunião e consultou Orunmilá que convidou todos os voduns. 

Chegando a reunião Orunmilá ordenou que cada vodun escolhesse ainda no ventre da mãe uma criança para que ela fosse o sacerdote do vodun e que não virasse com nada . Já que se na terra fariam vduncis e mais tarde seriam sacerdotes quem zelaria por eles , se todos virassem com vodun quem olharia pela casa de santo por tudo , quem zelaria por eles voduns quando viessem no ori dos vodunces. 

Assim surgiu a primeira ekedji do ventre de uma mucama de Aziri.... 

Kolofé!

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - SER UMA EKEDJI



Comumente, vemos pessoas do Santo, dizerem que Ekédi, não é um cargo alto dentro de uma casa de Candomblé. Estão enganados. Ser uma Ekédi é antes de tudo ser a eleita para cuidar dos Orixás da casa. 

Este cargo é de muito valor dentro das “roças” de Santo, e seu nome varia conforme a nação em que a pessoa foi feita. No Jêje ela é conhecida como Ekédi, já no Kêtu são chamadas de Ajoié na Casa Branca e de Iyárobá no Gantois. Na Nação Angola conhecem-nas como Makota. O termo Ekédi tem sua origem na nação Jêje como disse, mas se popularizou em todas as casas de Candomblé do Brasil. 

Dentro da hierarquia feminina do candomblé, este é o cargo mais conhecido, e muitas mulheres sentem ânsia em ter esse cargo, mas, somente as escolhidas podem ter acesso a este posto hierárquico. Elas não entram em transe, ou seja: não incorporam, mas nem por isso são menores que os rodantes, pois que, precisam estar acordadas para exercerem sua função. 

Dentro de uma casa de Santo onde se tem axé, Ekédi é chamada de mãe e tem o respeito dos demais como tal, afinal ela assiste todos os rituais que nós rodantes muitas vezes não assistimos pelo fato de estarmos manifestados por nosso Orixá. 

A importância de uma Ekédi é tanta, que a ela cabe o direito de dançar com o santo do zelador da casa, de enxugar seu rosto dentre muitas outras funções. É a Ekédi quem ajuda os Orixás a se vestirem, de cuidar das roupas de Santo e dos demais utensílios pertinentes a eles. Além de tudo isso, ela cuida dos pertences pessoais do Zelador da Casa. 

Este cargo é de suma importância dentro do Candomblé, afinal são as Ekédis que conduzirão os Orixás manifestados em seus filhos. E quando chega o momento desses Seres voltarem para sua morada, são as Ekédis quem e os recolhem e os desviram, cuidando ainda das condições físicas daqueles que cederam seus corpos para que nossos Encantados pudessem vir ao Oyê, Terra. 

Este cargo é, portanto, de uma grandiosidade incomparável dentro de uma casa de santo, mesmo porque, o babalorixá ou a yalorixá não dariam conta de atenderem a todos os requisitos dos Orixás, sem essas pessoas que são, seus verdadeiros Ministros. 

A complexidade de uma casa de Santo é muito maior do se pensa, e os rituais exigem muito das pessoas, principalmente no pertencente ao esforço físico, para que tudo esteja sempre ao contento e assim, os Orixás estejam plenamente satisfeitos. 

A Ekédi não é suspensa como o Ogã, ela é apresentada ao povo, e com sua cantiga própria,não podendo de forma alguma a mesma, ser usada para outra finalidade, e, quando seu Santo pede, ela então passa pelo processo de confirmação, dado que seu ritual de iniciação é diferente de todos os demais, mesmo dos Ogãs. 

Durante todo o período de festividade de uma “roça” vemos as mães Ekédis, ocupadas, de um lado para outro, garantindo que tudo esteja ao agrado tanto da Divindade como do zelador da casa, pois nada pode dar errado, caso contrário à vida da pessoa que está passando pela obrigação poderá ter sérias complicações. 

Mesmo seu vestuário se diferencia dos demais membros da casa. Em algumas casas como a Casa Branca, ela se veste com um vestido discreto e não de baiana, usa o fio de contas de seu Santo, e um pano da costa que geralmente é dobrado e posto no ombro. Nesta casa, ela também não tem o hábito de dançar no Xirê dos Orixás. 

Já em outras casas, e podemos considerar na grande maioria, ela se veste de baiana, mas com um certo toque de requinte, diferenciando-se das Yawôs e dança as cantigas que são entoadas em homenagem aos Orixás, toca o Adjá, e participa de forma ativa de todos os rituais litúrgicos. 

Porém, mesmo nas casas onde ela dança, se um Santo “virar”, ela imediatamente vai ao seu encontro, amparando e cuidando D’ele, para que se sinta amado e repeitado. Se não fossem as Ekédis, muita coisa nas casas de santo não poderiam ser feitas com a perfeição que são, porque até mesmo nas matanças, elas ali estão acudindo a todos, cuidando para que o Santo e o zelador estejam sempre amparados da melhor forma possível. 

Devemos às Mães Ekédis, um respeito maior do que se imagina, pois que, da mesma forma que os Ogãs, elas têm um contato com nosso Orixá de uma forma que Jamais teremos, dado que estamos incorporados por eles. São elas que conseguem identificar até mesmo na forma de um Orixá pisar se ele está mesmo satisfeito, se está alegre ou aborrecido. 

E, quando identificam um aborrecimento na Sagrada face de um Orixá, imediatamente tomam as medidas necessárias para que aquela Divindade sinta-se à vontade, alegre e feliz dentro daquela casa. 

Alguns que não merecem os Orixás costumam levantar calúnias contra nossas mães e até mesmo as abordarem com assuntos mundanos. Enganam-se e muito, pois elas são mães de nossos santos e eles as amam tanto que farão sim, a justiça sempre que verem que elas estão sendo sub julgadas ou desrespeitadas. 

Nada fazemos sem elas estarem presentes, pois que, nos acompanham em todos os rituais, desde os ebós do iniciado, até sua catulagem e matança. Em todos os seus atos de nascimento, elas ali estão, nos auxiliando e garantindo que tudo saia a contento daquele Orixá. 

Então, para aqueles que insistem em desrespeitar uma Ekédi, saibam que por mais velhos que possamos ser, temos mesmo que trocar de benção com elas, afinal, não têm culpa do cargo que seu Orixá traz.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - EKEDJI


Ekedi, Ajoiê e Makota nomes dados de acordo com a nação do candomblé, é um cargo feminino de grande valor, escolhida e confirmada pelo Orixá do Terreiro de candomblé (não entram em transe). 

Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de "Iyárobá" e nos terreiros de Angola do candomblé Bantu, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. 

Dentre os cargos femininos na hierarquia do candomblé no Brasil, o mais conhecido é da Ekedi, como os ogans, elas não são possuídas por seu orixá de cabeça, ou seja não entram em transe, pois necessitam estar acordadas para atender as necessidades dos Orixás, Voduns ou Inkices para os quais foram devidamente preparadas para servir. 

A ekedi na maioria das casas também é chamada de mãe, exerce a função de dama de honra do Orixá regente da casa. É dela a função de zelar, acompanhar, dançar, cuidar das roupas e apetrechos do Orixá da casa, além dos demais Orixás, dos filhos e até mesmo dos visitantes. É uma espécie de “camareira” que atua sempre ao lado do Orixá e que também cuida dos objetos pessoais do babalorixá ou iyalorixá. 

O cargo de ekedi é muito importante, pois será ela a condutora dos Orixás incorporados no Egbê (barracão ou sala de festividades) e dela é a responsabilidade de recolhê-los e “desvirá-los”, observando as condições físicas daqueles que “desviraram”. Para se tornar uma ekedi, ela primeiramente é apresentada e não suspensa como o Ogan, e logo depois será confirmada, com as obrigações de Roncó. 

Vestuário 

Existe muita diferença de uma casa para outra e mesmo de uma nação para outra, na forma de se vestir. Na Casa Branca do Engenho Velho a ajoiê não usa roupa de baiana e nem dança na roda do xirê, o traje tradicional da ajoiê é um vestido discreto, um fio-de-contas e um pano da costa dobrado sobre um ombro ou na cintura. Sempre tem uma toalha ou tecido à mão para secar o rosto do filho-de-santo que está em transe, no dia a dia usa uma roupa de ração como todas as participantes do candomblé. 

Já em outras casas, vai depender do babalorixá ou iyalorixá deliberar o uso da roupa de baiana pelas ekedis. Em muitos candomblés de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo é muito comum encontrar ekedis vestidas de baiana e dançando na roda do xirê.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - ORIGEM DA PALAVRA DAOMÉ



A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com um certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. 

Daí ficou "Dan Imé" ou "Dahomé", ou seja, aquele que morreu na Terra da Serpente. 

Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. 

Esse seria um dos significados encontrados: Dan = "serpente sagrada" e Homé = "a terra de Dan", ou seja, Dahomé = "a terra da serpente sagrada". Acredita-se ainda que o culto à Dan é oriundo do antigo Egito. 

Ali começou o verdadeiro culto à serpente, onde os Faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de cobra. Encontramos também Cleópatra com a figura da cobra confeccionada em platina, prata, ouro e muitos outros adornos femininos. 

Então, posso dizer que este culto veio descendo do Egito até Dahomé.