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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - AÇÃO SOCIAL NOS TERREIROS

Através de oficinas profissionalizantes, feiras de saúde e intervenções com a participação dos moradores, os terreiros de candomblé têm proporcionado melhorias para as comunidades de baixa renda de Salvador.


Segundo Anselmo Santos, responsável pelo Terreiro Mokambo e mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universidade Estadual da Bahia (Uneb), o trabalho desenvolvido nos terreiros atende a todos que precisam, independentemente do credo. 

“Nossas atividades tem minimizado os riscos sociais e elevado o conhecimento cultural nessas comunidades”, afirma. 

De acordo com Anselmo, desde 1993, o Terreiro Mokambo faz intervenções junto à comunidade da Vila Dois de Julho, no bairro do Trobogy, resultando em melhorias como a pavimentação das ruas, canalização de água e parcerias com médicos da comunidade que oferecem atendimento gratuito para a população. 

No espaço, são promovidos cursos profissionalizantes de eletrotécnica, além de uma série de projetos em parceria com órgãos públicos, como oficinas de percussão, de simbologia do candomblé, que capacita jovens para a produção de artesanatos afros, campanha de vacinação, distribuição de cestas básicas e mini fábrica de velas. 

“Trabalhos como esses são importantes para tirar do imaginário popular a ideia de que os terreiros são espaços voltados apenas para a religiosidade. É importante que a comunidade tenha conhecimento da sua ancestralidade para saber se defender e gerar políticas públicas com mudanças concretas”, destaca Anselmo. 

Muito antes da existência da lei 10.639, que regulamenta o ensino da cultura africana e afro-brasileira no pais, os terreiros de candomblé já aplicavam os ensinamentos. Um exemplo disso é a Escola Municipal Eugenia Anna dos Santos, liderada por Mãe Stella de Oxóssi, do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo. 

O terreiro se tornou conhecido pela sua contribuição ao culto dos orixás e, principalmente, pela força de suas Iyalorixás, que alcançaram papéis de destaque na história do povo negro na Bahia. Lá são desenvolvidos muitos projetos culturais e educacionais. 

Mãe Aninha se mostra muito preocupada com a educação dos seus descendentes. “Quero ver meus filhos aos pés de Xangô com anel de doutor”, afirma. 

Foi com essa finalidade que a escola foi fundada. Hoje ela atende cerca de 350 crianças do bairro de São Gonçalo e adjacências. 

Mãe Stella, seguindo os ensinamentos de Mãe Senhora e Mãe Aninha, fez questão de manter a tradição intelectual dentro do terreiro. Engajada na luta pela preservação da cultura iorubana, ela criou lá mesmo o Museu Ilê Ohum Lailai, que significa a Casa das Coisas Velhas, em português. 

Fonte: Tribuna da Bahia/Portal Povo de Axé

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