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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO YAWÔ - A LISTA DE COMPRAS

É engraçado que hoje fomos solicitados a meditar sobre a real atualidade de uma iniciação, obrigação de um filho de santo, quanto ao seu valor financeiro. 


Temos visto que além de pagar um preço digamos que exorbitante em muitas casas por um simples jogo de búzios, vem o preço absurdicamente caro de uma iniciação. Ou para quem já é do santo, o valor de uma Obrigação de um, de três, de sete e por ai vai a quantidade de anos. 

Muitas vezes, vemos pessoas tirando de onde não se tem, para poder então se iniciar ou dar seguimento às suas respectivas Obrigações. O mais engraçado. O preço não para ai não. Tem a mão do Baba/Ialorixá, tem as comidas secas, tem os boris, tem os bichos, tem ainda até o preço do chão onde se vai ficar como em algumas casas que se cobram valores de um hotel de luxo de cinco estrelas. 

Eu me perguntava, se tudo isso seria necessário em tempos antigos, no tempo de Mãe Menininha, no tempo de Procópio de Ogum? Por que talvez o uso da caridade hoje não se usa tanto assim nas Casas de Candomblé? Fico me perguntando como se faz na questão de uma pessoa pobre, que não teria nem para dar comida aos filhos e precisaria de fato iniciar-se no Orixá? Ou ainda se a pessoa fosse doente, ela morreria por tirar o valor de seus remédios para dar seguimento a sua iniciação? 

Onde será que ficou o tempo onde o ORIXÁ ao vir em terra punha seus pés no chão e no barro? Onde estão de fato às casas simples que existiam para serem trocadas pelos grandes palácios reais que se vêem hoje em dia? Será que o Candomblé resolveu adotar o método de um certo bispo "Mais Cedo" que em lugar de Igrejas resolveu criar Palácios Reais? Ai eu pergunto, mas Jesus, não teria nascido num Estábulo com bois e cavalos e ter sido colocado numa manjedoura cheia de feno? 

Por achar que estaria eu errado em meu modo de pensar, fui levado a pesquisar e engraçado achei vários sites, com pontos de vistas de pessoas da RELIGIÃO que pensam como eu. Por que será que hoje MÃE MENININHA É DE FATO LEMBRADA ATÉ OS DIAS DE HOJE, APÓS ANOS DE SEU FALECIMENTO, COMO GRANDE EXEMPLO DO CANDOMBLÉ? Por uma simples razão, seu amor ao Orixá, e não por fazer uso da fé das pessoas para lucros próprios. 

E entre minhas pesquisas este artigo que vou postar foi o melhor que exprime toda uma realidade que existe hoje em dia. Seria um ponto para se meditar. 

LISTAS, COMPRAS, INGREDIENTES NO CANDOMBLÉ SÃO TODOS NECESSÁRIOS? 


Tenho sempre orientado os amigos que praticam o candomblé que tenham em mente de que precisamos apenas o NECESSÁRIO para o culto, ou melhor dizendo o ESSENCIAL

Mas o que de fato é essencial na nossa religião? 

Sabemos que a crescente "comercialização" da Fé, faz com que zeladores criem LISTAS sem fim de ingredientes para uma feitura. Muito acima da realidade financeira de clientes e futuros filhos. 

É verdade, somos uma religião onde o culto é baseado na culinária sagrada, onde existem animais para sacrifício, onde costumamos assentar nossos Orixás e divindades em panelas, potes, sopeiras, mas quem disse que um determinado ELEMENTO é fundametal? Não pode ser adaptado? Substituido e mesmo deixado de lado? 

Sem entrar no mérito, nos segredos, nos orôs, propriamente ditos, sabemos que o fundamental é o Otá, onde vive, fixa-se o Orixá, o resto, como dizia meu amigo "é perfumaria", quer dizer, é OPCIONAL, dentro das posses (ou desvarios) de cada um. 

Coisas como búzios banhados a ouro, Igbás folheados a ouro, pedras preciosas, jóias, ou mais simples como chaves, nota de Euro, Dólar, miniaturas de peixinhos dourados, espadas, adagas, abanos, chapeuzinhos, etc, são coisas absolutamente desnecessárias, pois não fazem qualquer diferença "nos fundamentos"

Do mesmo modo, indumentárias e paramentos carnavalescos, não fazem daquele Orixá melhor que o outro, que vem enrrolado em panos, em folhagens, em palhas da costa ou folhas de mariô (coqueiros). 

Quem convive no candomblé sabe o que estou dizendo. Eu sempre discordei disso! Desde "pequenininho" na religião. Lembro-me de que na minha feitura tinha um rabo de cascavel. Na época era muito caro! 

Não me lembro o preço, mas imaginei que para chegar na loja (Mercadão de Madureira) Rio de Janeiro, aquele rabo de cascavel "viajou" muito, e que aquela soma exorbitante que eu pagava, jamais chegaria a quem retirou o chocalho da cobra e ficaria na mão dos "atravessadores". Isso sem falar da pobre cobra que perdeu seu rabo! 

Aí vem as penas de pavão (caríssimasssssssssssssssss) e o faisão para Oxum (mais caro ainda) e um monte de "coisas" que no final das contas não fariam a mínima diferença no AXÉ mas só fariam diferença na minha fatura do cartão de crédito. 

Isso sem falar em Ogum usando capacete de soldado romano, Xangô com corôas de três andares cravejadas, as Yabás com paramentos que mais pareciam um bolo de festa de casamento - daqueles de 3 andares - e se bobear, pisca-pisca de árvore de Natal em cima. 

Um Oxósse ou Logun que vinha numa carroagem de verdade, puxado, ao invés de cavalos, por dezenas de Yabás (viraram éguas?) e centenas de periquitos presos à roupa, etc. etc. etc. 

Parecia mais uma fantasia de CLÓVIS BORNAY NOS BAILES DO MUNICIPAL

Sempre me revoltei com isso tudo! 

Fora aquelas besteiras de colocar chaves dentro do assento de meu Pai Airá, como se ele tivesse algum "enredo" com São Pedro e suas chaves do céu! Enfim... digo isso tudo apenas para exemplificar. 

Os "Mais Velhos" sabem muito bem, gente séria no santo, o que PODE TER NUM ASSENTO E O QUE NÃO É ESSENCIAL

Quem sabe, sabe, e para não ferir preceitos, não vou dizer aqui. Mas, também sabemos as listas milionárias que saem dos Ilês Axés para as lojas de santo, com o aval do zelador, ou conluio dele com o comerciante. Para "meter a faca" no filho ou no cliente. 

Isso quando o zelador não diz: "Vou te mandar aí a Dona Fulana, dondoca, mete a faca nela que ela é desentendida do culto"

Já passei por "causos" de atender pessoas que eu, ao pedir um frango, me perguntou a marca! Juro por Deus! (Sadia, Perdigão, Rica, etc). O nível de desentendimento dos clientes as vezes assusta, mas nem por isso podemos abusar deles e tê-los como tolos! 

Este tópico é para propor uma reflexão geral. 

Para propor que voltemos ao tempo de que "com uma vela e um copo dágua se levantava uma vida" ou comparativamente, com um galo, um frango, uma comida seca, um padê pra Exú, um pombo, se abria caminhos de muita gente! Quem tem santo de verdade e já viu MILAGRES sabe do que estou falando. Não somente na Nação, mas também na Umbanda. 

Não estou desqualificando nem generalizando as Casas sérias. As listas justas. Os ingredientes realmente necessários, como uma d`Angola, um pombo, um Igbi. (Quem sabe sabe!) Nem um Obi ou Orobô! (Quanto poder tem!!!!), mas apenas refletindo sobre esta comercialização absurda, conta o "gasta-gasta" do candomblé, e repensando que para Deus, "copo dágua é remédio"

Repito. Não sou contra as casas e seus métodos, mas a favor de uma reflexão e tomada de consciência para que o CANDOMBLÉ SEJA ALGO VIÁVEL E POSSÍVEL

Eis a pergunta: EM SUA CASA DE SANTO, COMO ISSO ACONTECE, COMO SE DÃO AS LISTAS DE COMPRAS PARA CLIENTES E FUTUROS YAÔS POR EXEMPLO? 

Meus respeitos. 

Pai Obàtundè. 

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