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quarta-feira, 7 de março de 2012

A ORAÇÃO DENTRO DO CANDOMBLÉ

Motumbá meus (minhas) irmãos(as). 


Mais uma vez eu venho aqui para tentar em algumas linhas que podem ser pequenas, médias ou grandes, falar sobre nossa religiosidade. Na verdade, sou como uma folha - levada onde o vento me levar e desta forma fui levado a postar novamente esta matéria que fazia parte da versão antiga de nosso BLOG. Mas venho aqui de forma, digamos, meditativa postar alguma coisa sobre um tema que muitas vezes passa por desapercebido ou para os mais cegos, nem se percebe, mas que é real e concreto dentro de nossa religiosidade. 

Abaixo eu coloquei este vídeo enviado ao PERFIL DOS OLHOS DE OXALÁ NO ORKUT muito bacana mas que nos diz muita coisa:


Antes de mais nada se estamos aqui é por que de alguma forma temos fé. Eu tenho fé que este simples Blog, possa de alguma forma, estar ajudando alguém neste exato momento. Outros têem fé em tudo que fazem nas suas vidas. Outros ainda têem a mesma fé que diante de uma dificuldade ou problema, tudo será resolvido. 

Mas o que vem de fato a ser fé? Fé é tudo aquilo que acreditamos no que não se vê. É a elevação da alma ao que vem a ser Divino completando a sua essência. Fé é acreditar sem olhar atrás. 

Afinal todos dizem ter fé em Deus, apesar que ninguém até hoje viu Deus. Mas como será esta questão dentro de nossa religiosidade? Como será que devemos nos portar, ao estar diante de uma dificuldade? 

O primeiro ato que fazemos seja em casa, no terreiro ou no barracão é rezar. Sim rezar. Seja na preparação de uma festa, de um toque, do recolhimento de um yaô. Todos os atos possuem em sua essência suas orações, suas rezas e suas cantigas, que não deixam de ser uma oração ou uma invocação.


Eu mesmo não deixo de sair de casa, sem antes firmar uma velinha, fazer minhas orações, pedindo proteção do meu anjo da guarda, pedindo que Deus em sua divina misericórdia possa me dar um dia de vitórias, mas que todas sejam conforme a Sua Vontade e não a minha; bem como peço a proteção dos Orixás, para me dirigir durante o andamento do dia. 

Mas o que vem a ser Oração? A oração é vista como uma necessidade e não como uma opção. Sempre que nos sentimos acuados pelo mundanismo ou sempre que percebemos um esfriamento espiritual nos dispomos à oração, na busca do reavivamento e da unção espiritual necessária para uma vida vitoriosa. 

Quando estudamos sobre a oração verificamos que esta prática espiritual e religiosa assume formas bem divergentes, dependendo do tipo de religião ou espiritualidade em que se acha. Na verdade, identificamos seis tipos de oração: a primitiva, a ritual, a de cultura grega, a filosófica, a mística e a profética. Na oração do homem primitivo Deus é visto como um ser superior que escuta e responde aos pedidos dos seres humanos, embora em geral, ele não seja considerado onipotente e santíssimo. A oração primitiva nasce da necessidade e do medo, e freqüentemente o pedido visa o livramento dos infortúnios e dos perigos.

A oração ritual representa uma etapa mais avançada de civilização, embora não seja necessariamente mais profunda nem mais significativa. Nesse caso é a forma e não o conteúdo da oração que traz a resposta. A oração é reduzida a litanias e repetições, por causa da crença de que há um efeito mágico nesse ritual.

Na religião grega popular a petição era centrada nos valores morais mais do que nas necessidades rudimentares simples. Acreditava-se que os deuses eram benignos, mas não onipotentes. A oração dos gregos antigos era uma forma purificada de oração primitiva. Refletia, mas não transcendia os valores culturais da civilização helênica.

A oração filosófica significa a dissolução da oração realista ou ingênua. Agora, a oração passa a ser uma reflexão sobre o significado da vida ou a resignação à ordem divina no universo. Na melhor das hipóteses, a oração filosófica inclui uma nota de ações de graça pelas bênçãos da vida.

Os dois tipos mais sublimes de oração são a mística ou profética. O misticismo, representa uma síntese dos temas neo-platônicos, mas também é um fenômeno religioso universal. Nesse caso o alvo é a união com Deus, que é geralmente retratado em termos supra-pessoais.

A oração profética significa tanto uma reapropriação como uma transformação do discernimento espiritual do homem primitivo. Agora, a oração se baseia não somente na necessidade como também no amor. Não é um encantamento nem uma meditação, mas uma forte expressão espontânea de emoção. Realmente, a súplica vinda do fundo do coração é a essência da oração verdadeira.

Devemos tomar muito cuidado com o fenômeno contemporâneo conhecido como espiritualidade secular, que é uma espécie de misticismo, onde a ênfase recai em imergir no mundo na busca de prosperidade, de curas milagrosas, de adivinhações profeteiras e de toda a espécie de egocentrismo e de realizações antropocêntricas, isto é, voltadas para o homem e totalmente distanciadas de Deus e da verdadeira devoção.


Com esta postagem, já vou anunciando que logo estaremos falando sobre o ORIXÁ OGUM, cujo tempo litúrgico, esta se aproximando. 

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