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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DO PANO DA COSTA


PANO DA COSTA - PARTE I

Presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileiras, o pano – da - costa, não é apenas um complemento da indumentária da mulher; é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros, aqui no Brasil, claro. 

Observemos a profunda conotação sócio religiosa desse simples pedaço de tecido, que atua em tão diversificadas situações, desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivência dos rituais africanos. O pano – da - costa é assim chamado por ter sido um tipo de tecido vindo da costa dos escravos, Costa Mina, Costa do Ouro. O tecido original foi substituído por outros tipos de tecidos, o que não diminui em nada as funções do pano – da - costa. 

O pano – da - costa, identifica a mulher feita, iniciada, aqui no Brasil, mesmo que ela não esteja de roupa de santo completa. Mas na realidade, esse pano, protege as costas das mulheres, e servem de “carrega bebê”, proteger órgãos importantes como os do ventre e os seios por exemplo. Nada mais que isso. Aqui no Brasil acabou virando indumentária religiosa. O que não é. 

A situação do pano – da - costa é de maior importância, se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócio religioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade, isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher. 

O sentido protetor do pano – da - costa é outro aspecto que merece atenção. As Yaos, ao terminar o período de feitura começam a travar seus primeiros contatos com o mundo exterior protegidas pelo pano – da - costa branco, que representa o prolongamento do Ala de Oxalá, envolvendo praticamente todo o seu corpo no grande pano - da - costa, procura manter os valores religiosos de sua feitura quando em contato com os valores profanos encontrados extramuros dos terreiros. 

Nos sirruns / axexes, a mesma proteção ta, ateado como capa envolvente mágica, aparece guardando as mulheres das presenças de egum. 

O pano – da - costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos africanos, porque uma das principais funções do mesmo é proteger os órgãos reprodutores das mulheres, das Yamis. 

Nos rituais de sirrum / axexe as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios. 

O pano – da - costa deve ter no mínimo 60 cm de largura para que possa proteger os órgãos que necessitam de proteção. As famosas mães de santo não usam o pano-da-costa na cintura nunca. 

No Rio de Janeiro e outros estados, onde a chamada evolução está destruindo e recriando situações a bel prazer, convencionou-se que o pano – da - costa deve ser usado de acordo com a idade de santo, isto é, só usa preso acima dos seios aquelas que ainda são yaos. Esta errado, pano – da - costa é para ser usado dessa forma mesmo independente da idade de feitura, quando muito, pode-se enrolar até abaixo dos seios. 

De alguns anos para cá os homens aderiram o pano – da - costa, mas nenhum deles até agora explicou o porquê de usá-lo e nem podem explicar, pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino. E pior ainda, o usam na cintura. Para proteger o que? Observem que as santas mulheres usam o pano – da - costa, os santos homens usam o pano - da - costa amarrados no ombro lembrando um Alaka (esse sim pertence ao homem) ou amarrado para trás, ou simplesmente ficam com o peito nu adornados pelas contas e brajas.

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