Follow by Email

domingo, 24 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - BOAS MANEIRAS NO SANTO


BOAS MANEIRAS NO SANTO 

I. Quando saímos de nossa casa material e vamos para o terreiro ou barracão de santo, preciamos compreender que apesar de ser nosso lar espiritual onde nosso Orixá e nossas entidades se representam, não é lugar de se achar a vontade usando conversas e tendo atitudes desrespeitosas. Mantenha sempre a concentração com assuntos pertinentes ao culto, evite conversas que dispersam o foco, e mulheres! tenham bom senso evitem roupas ousadas, você não está em uma balada e sim em um templo religioso. Evite ser vulgar. 

II. Lembre-se sempre, mantenha o celular no vibra ou de preferência desligado. Se é proibído você atender dirigindo por exemplo, imagine que abuso você atender diante de quem dirige você?. Tenha noção! 

III. Procure manter todos os ambientes do seu templo limpo e conservado. O Zelador apesar do nome, é Zelador de Santo e não como Zelador de prédio, não tem obrigação nenhuma de trabalhar para você, a obrigação dele é com os Orixás. Nunca se esqueça que a organização e limpeza é também uma forma de evoluir. 

IV. As divergências sempre irão existir, porque são pessoas de educação e culturas diferentes tentando interagir. Respeite o seu irmão e ao invés de apontar ou criticar ressalte os pontos positivos, evite fofocas, bate boca. Todos estão alí, buscando solução para seus problemas pessoais e espirituais e não para somar mais problemas. 

V. Contribua financeiramente para a sua casa de santo. Não pense que o Pai ou Mãe de santo tem sociedade com a companhia de Luz e Água, porque não tem!. E ele já faz o bastante cedendo o seu espaço e sua privacidade, para que todos possam cultuar suas entidades e Orixás. É um absurdo ele ainda ter que pagar por isso! Tenha bom senso, existem coisas que não se precisa pedir e aliás, o Zelador nem deve! Isso deve partir de cada um. Seja pro-ativo colabore inclusive para que você possa ter mais conforto, afinal alí também é sua casa e como toda casa, tem suas despesas e seus gastos. Se dividir entre todos não pesa pra nínguem e o seu Pai ou Mãe de santo, poderá investir em melhorias para todos. 

VI. Amar o orisá é passar por cima do orgulho, da vaidade, do ego. 

VII. Quando estiver em sua casa de santo, esqueça o mundo exterior. Vá sem pressa para sair ou então não vá. Além de você quebrar a corrente daqueles que estão voltados e entregues totalmente ao culto, você está perdendo seu tempo, pois o Orixá e as entidades dependem de você por inteiro, se sua outra metade ficou lá fora de nada adiantou você ir. Festas, passeios, e outros compromissos temos outros dias para fazer, mas o culto não é todo dia. Dedique-se inteiramente. 

VIII. Ao levantar e ao deitar agradeça a Deus e seu Orixá. Não vá apenas para pedir, vá principalmente quando não tiver nada para pedir. Esse é o verdadeiro gesto de amor ao santo. 

IX. Irmão de santo nem sempre é agradável, alguns fazem questão da fofoca, outros são puxa saco, outros folgados. No entanto saiba aprender observando e valorize o que cada um tem de bom. Isso mostra o seu amadurecimento dentro do culto. 

X. Nunca minta para o seu Orixá. Estará apenas se engando. 

XI. Diferente de outras religiões nós não temos uma bíblia ou um livro universal. Por isso, é muito mais difícil de compreender. Estude, pesquise, procure aprender e conhecer sobre sua religião. Tenha assim como os evangélicos e os demais, conhecimento do que fala. Um filho de santo mal informado acaba ajudando a espalhar a ignorância daqueles que nada sabem. Não fique dizendo apenas porque ouviu, Estude! pesquise! Aprenda!. Apesar da nossa cultura se passar de forma oral, hoje em dia temos bons escritores e bons conhecedores do culto onde podemos nos basear. Seja humilde, não sabe ? pergunte ! mesmo que ainda não seja a hora de você saber, mas pelo menos tenha interesse. Tudo no culto de Orixás tem resposta e cada uma no seu tempo. 

XII. Respeite os outros credos. Quando temos postura, mesmo o mais rebelde se cala. Uma postura de respeito à si e com o outro faz com que ele baixe as armas do ataque.Lembre-se: Fé é toda certeza que dispensa provas, você não precisa provar nada a ninguém apenas exerça o livre arbítrio. Não precisa sair por ai cheio de fios de contas ou ostentando qualquer coisa desnecessária, mas tenha orgulho da sua religião. Não discuta com os ignorantes, não devemos perder tempo com o que não evolui. Toda vez que cair ou se levantar diga ao mundo, agradeço ao meu Orixá. Aprenda com os crentes, divulgue as vitórias que obteve com o seu santo e jamais meta o malho nele, ou você já viu algum crente mesmo quando sai da Igreja metendo o malho em Jesus? Ganhar e perder faz parte da vida, mas cada um escolhe o que quer contar. 

XIII. A alegria faz parte do culto, nossos antepassados cantavam o tempo todo. Esta na roça? Cante, seja alegre, participe. Se seu humor não esta legal, fique em casa, não desconte nos irmãos e na casa sua falta de atitude na vida e seus problemas. 

XIV. Orixá da caminhos, não é uma maquina de resolução de problemas e de formar ricos e famosos, se fosse o primeiro seria o Pai e Mãe de Santo. Quando alguém vai a Igreja e faz um pedido e não é atendido, nem assim deixa de ir a Igreja ou sai falando mal, no máximo diz: ah não deve ser do meu merecimento. Sendo assim, o que te faz pensar que o Orixá tem que realizar tudo que você deseja, se nem mesmo Jesus realiza? 

Cada um tem aquilo que merece. Pedir é livre mas receber é por mérito. Não procure na nossa religião realizar milagres! Milagres só quem faz é Deus, aqui realizamos a evolução e o Orixá lhe mostra o melhor caminho, no mais, é com você. Seja consciente. 

XV. Seja senhor das suas palavras para não ser escravo delas. Lembre-se do poder da palavra. Ouvir é Ouro e falar é prata! ATENÇÃO

A LEI DO RETORNO EXISTE! CUIDADO COM O QUE PEDE E COM O QUE DESEJA AO PRÓXIMO. 

Gabriel D'Xangô - Zelador de Santo ( retirado da página Muito Axé ) 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou desta postagem? Deixe aqui seu comentário, sugestão, critica a fim de melhorar nossos serviços.