quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Escolas de samba homenageiam os Orixás

Motumbá irmãos, com grande alegria venho postar para todos vocês alguns vídeos muito legais. 

Vídeos estes, dedicados aos nossos grandes ORIXÁS. Verdadeiras coreografias, cheias de alegria, beleza e acima de tudo alegria em dedicar parte do tempo e esforço de um CARNAVAL, aos Orixás. Espero que gostem. 




A Quaresma e a Semana Santa no Candomblé


Muito antes do Advento de Jesus de Nazaré, o povo africano já respeitava a Quaresma, porém com um significado totalmente diferente do Cristianismo. Enquanto estes celebram a morte e a ressurreição de Cristo, os africâneres param suas funções e celebram o Olorogún, período em que os Orixás e Voduns entram em guerra contra o mal, para trazer o pão de cada dia para seus filhos.

Na quarta-feira de cinzas, todos os Orixás da casa devem ser vestidos e cada filho oferece a eles suas comidas preferidas, os atabaques são recolhidos, depois de serem lavados com ervas, somente sendo acordados no Sábado de Aleluia. Sendo a forma de fortalecer os Atbaques da casa.

No Sábado de Aleluia Ogun, guerreiro maior do panteão africano, faz a distribuição dos pães, representando a vitória na guerra pela paz.

No Candomblé a Semana Santa representa a Criação do Mundo, por este motivo, neste período seus seguidores devem vestir-se de branco, principalmente na sexta-feira, por ser este o dia em que os Orixás descem do Orún par conhecerem a grande criação de Olorun, executada por Ododuwa.

Na noite de quinta para sexta-feira os seguidores do Candomblé devem se proteger, usando seus contra-eguns, pois nesse dia Yansã está em guerra e não pode conter os eguns que nos rondam. Da mesma forma devemos nos alimentar com comidas brancas, tais como cangica, arroz, arroz doce, acaçás e pães.

Devemos também oferecer esses pratos a Oxalá, em busca de paz e prosperidade.

A Umbanda e a Quaresma


Esse é um assunto polémico para muitos umbandistas. Praticar ou não Umbanda no período da quaresma?

Para aqueles que entendem que podem e devem realizar, aparece um outro dilema. Realizar ou não uma gira de esquerda?

Entendemos que a quaresma é um período de enorme importância para algumas religiões, em especial a católica, em que se recorda um período entre a morte e a ressurreição de Jesus e que é seguido por determinados preceitos. Não que haja algo de mal ou errado nisso, apenas entendemos que este não é um principio da religião de Umbanda.

Entendemos que a Umbanda é uma religião nova e devido a isso grande partes dos seus adeptos são imigrantes de outras religiões, e que a força do hábito e do sincretismo religioso são muitas vezes, por demais fortes, e que acabam se misturando em conceitos e fundamentos.

Mas devemos aprender a separar o que é base fundamental de uma religião de outra.

Assim não compreendemos como algo errado ou pecaminoso (ainda mais que a Umbanda não se utiliza do termo pecado) praticar Umbanda no período da quaresma. Até porque se formos adentrar mais profundamente no assunto, a Umbanda pratica justamente aquilo que o divino mestre tanto pregou: a fé, o amor e o auxilio ao próximo. Tendo isso em vista não vemos como algo contrário e nem motivos para se suspender um trabalho que espalha luz, amor, alegria a vários corações.

Também como não vemos razão de suspender trabalhadores da Luz seja em que período ou época for, por isso não colocamos a nossa esquerda em “stand by”.

Esse conflito em praticar ou não a esquerda na Umbanda durante a quaresma, é mais uma confusão devido a falta de conhecimento do próprio umbandista. Pois a esquerda da umbanda foi no seu início associada com um outro culto, a Quimbanda (nome o qual também ficou conhecido a Esquerda na Umbanda), que é um culto afro-brasileiro com fortes influências da magia negra européia.

Porém, mais uma vez temos que separa uma coisa da outra.

No culto de Quimbanda, onde também se associa Exu, que por sua vez foi associado aos demônios (do grego dáimon que significa “divindade”, “espírito” e que com o tempo ganhou uma conotação negativa) da cabala hebraica. O que acabou por gerar muita confusão ao culto de Exu e suas entidades.

Porém a Umbanda não interpreta e não ver em Exu algo de negativo ou ruim. Pelo contrário, ela enxerga em todos os Orixás da sua esquerda como qualidades divinas que tem como função estimular, potencializar e a impulsionar os homens a desenvolverem suas qualidades e virtudes, e a buscar seu progresso espiritual constantemente, onde através das entidades que atuam através da Esquerda da Umbanda resguardam, protegem a nossa caminhada contra os ataques das sombras.

São verdadeiros e abnegados trabalhadores da Luz, pois atuam como uma polícia especial contra os mercenários das trevas.

Abolir a Esquerda de nossos trabalhos, seja em que período for é o mesmo que dar ferias coletivas a todos os agentes responsáveis pela segurança, pela lei e pela ordem. O que a nosso ver estimularia um caos, pois os agentes do submundo das trevas não respeitam nenhum período e estão sempre pronto a nos armar uma cilada e prejudicar nossas vidas sempre que houver espaço para isso.

E por entender que o trabalho da luz é constante, a Umbanda não para seus trabalhos durante esse período e até entende que a melhor maneira de louvar a vida do mestre é levantar sua bandeira branca em seu nome, dos sagrados Orixás e de nosso divino criador Olorum.

Carnaval, Quaresma, Páscoa e Ano Novo no candomblé – Lorogun


Olorogum, Lorogun ou lórogúné uma obrigação que acontece antes do carnaval e determina um período sem festas nos terreiros de umbanda e candomblé. 

O Olorogum marca o período para descanso coletivo, marcando o final do ano litúrgico. 

O lorogun acontece propositadamente no período da quaresma católica, logo depois do carnaval, terminando justamente no sábado de aleluia (primeiro sábado da lua cheia), onde começa o início do ano litúrgico (Ano Novo) para o povo do santo. 

O encerramento do ano litúrgico acontece durante os quarenta dias que antecedem aPáscoa no católicismo, com o Lorogun, em homenagem a Oxalá. 

Neste ritual não acontece sacrifício animal, embora seja oferecida comida ritual não só aos Deuses, mas à todos os participantes, servidos diretamente por todos os orixás do terreiro, extraordinariamente vestidos com roupas estampadas, menos os orixás funfuns que sempre estão com os seus vestes brancos. 

A comida é comportada em duas capangas à tira colo e distribuída a todos os presentes, depois estas capangas são penduradas na árvore sagrada do terreiro. 

Em seguida, todos os orixás saem com um ichã devida enrolado com tecidos ou papéis e começam simbolicamente uma luta, parecido com maculelê, este mesmo objeto é levado e depositado aos pés da árvore sagrada do terreiro. 

Neste momento todos os orixás seguram nas mãos uma quantidade de folha sagrada, que são passada no corpo de todos os presentes, inclusive uns aos outros, formando um verdadeiro alarido, dando uma impressão de briga ”guerra” que é interrompida com a manifestação de Oxalá, imediatamente tudo volta a calmaria e todos dançam sob um grande alá (pano branco), os cânticos sagrado deste orixá da paz.

 

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

LEMBRANDO DE NOSSOS TEMPOS DE CRIANÇAS

Bom dia amados (as).

Logo cedo fui movido a vir aqui no Blog e meditar num assunto que muitas vezes pela correria do nosso dia-a-dia nos esquecemos de relembrar. Lembrar de algo que já se passou na nossa vida seja bom ou ruim é sempre uma forma de buscar um acerto, o nascimento de uma qualidade ou até mesmo uma virtude. Até mesmo um defeito ou lembranças, que nos fazem as vezes chorar.



Baseado no sonho que tive esta noite dos meus tempos de moleque. Mas é como já disse nada vem ao acaso e nada é coincidência, tudo é providência. E de tudo mesmo que situações ruins como a de ontem temos de tirar sempre coisas boas. 

No sonho fui levado ao meu tempo de menino onde sempre queria ter um amigo de verdade, seja homem ou fosse mulher. Meus tempos que era humilhado na escola por causa da minha educação. Dos dias em que mamãe ia me buscar ou levar na escola, com os meus visinhos que comigo estudavam fazendo revezamento das mães, que cada dia, uma levava a gente.



Dos dias em que subia no pé de abacate pertinho de casa com meus primos Antonio, Daniel, Claudia, Cecília e Sandra. Do dia em que Antonio deu com o martelo na cabeça de Sandra, que situação foi aquele dia. Do dia em que joguei Claudia num Riacho literalmente podre, pertinho de casa, onde ela saiu daquela água toda enlameada.


Sonhar com meu primeiro cachorro. Sonhar tudo num mesmo sonho do dia em que sofri o acidente de carro, em que tive os ligamentos dos joelhos rompidos. Sonhar com o sorriso do meu falecido pai e com o abraço caloroso de minha falecida mãe. Sonhar com o dia que apanhei feio na escola e depois de algum tempo descontei a surra que levei com outra em porção maior no moleque que tinha me batido.
Uma verdadeira viajem astral, e tem gente que não acredita nisso. Mas eu acredito. Sonhar com os dias em que ficava debaixo do pé de maracujá que minha mãe tinha atras de casa, numa pequena horta que ajudei a plantar e ficar ali horas chorando pedindo a Deus que me livrasse de minha homossexualidade pois sabia que nunca seria fácil.



Mas nunca esqueço do dia em que pedi a Ele que se fosse para ser do jeito que eu era, que ele colocasse um cara maneiro na minha vida, não precisava ser bonito, mas que me amasse pelo que eu fosse ou viria a ser quando viesse a ser adulto. Alguém que trabalhasse, que fosse de fé, uma pessoa honesta, verdadeira, sincera e que pudesse demonstrar em gestos pequenos a sua porção de amor por mim.


Sonhar com o dia em que ganhei meu primeiro ramo de flores de um amigo, hoje já falecido, que gostava muito de mim e que por vaidade ou arrogância minha nunca dei uma oportunidade dele estar comigo. Sonhar em contrapartida no mesmo sonho meus desejos que eu sempre quis que fossem realizados e os que ainda não foram.

Sonhar com minha falecida mãe de Santo, e que alegria vê-la no sonho. E olha que nunca havia sonhado com ela. Quando ela nos dava lição de Rumbê, todos sentados à sua volta. Ela num pequeno apoti, e todos os seus filhos: abiãns, yawôs, ebgomis, ogãns todos sentados escutando calados suas histórias, seus ensinamentos. Todos sentados a sua volta, no chão como crianças. Que tempo gostoso era aquele.


Mas hoje temos medo de sonhar. Temos medo de voltar ao passado e relembrar de tudo que desejamos pra nós. Lembrar do que buscavamos ser quando crescesse como toda criança responde ao perguntarmos: O que vc quer ser quando crescer? Minha resposta era sempre a mesma. Quero ser veterinário, ter uma fazenda e poder ter todos os animais. Um lugar para plantar minhas plantinhas e poder mecher na terra... E que hironia amo animais de coração. Mas vim a ser um Psicólogo, que fez mestrado em Recursos Humanos e depois doutorado em Administração de Empresas.


Para pagar meu curso, fiz com minha mãe começei a lidar com cabelos, fiz meu curso de cabeleireiro no empurrão do meu amigo Edson, que na epoca me deu de presente o curso e o material todo que precisaria. E hoje sou um cabeleireiro que não vou dizer super bem sucedido, mas graças a Deus tenho meu sustento, meu trabalho digno, honesto, verdadeiro.

Mas nada na minha vida foi fácil. Os meus sonhos, o mundo que buscava pra mim nada se concretizou pois de tudo já vivi na vida. Apanhar de namorado por ciumes de um primo meu e acabar no hospital com hemorrágia interna no intestino ( um fato que hoje se alguem pergunta: principalmente quem foi estuprado como atendo pessoas nessa situação - e olha que naõ sei como mas esses casos sempre vem do nada parar na minha mão).

Hoje os sonhos de ter amigos em criança se tornaram em ver pessoas sentadas nas cadeiras dos meus salões e que por ventura se tornaram meus clientes em busca de um corte novo ou uma mudança radical. Coisa que hoje só assino os cortes, pois colorações, reflexos e outros serviços eu deixo meus auxiliares fazerem por mim. E é muito  bom ver cada um deles sentar e dizer: Pedro, hoje eu vim conversar com vc enquanto vc meche no meu cabelo e do nada ver na medida da conversa prosseguir os seus olhos verterem aguas incontroláveis de fatos ou magoas atuais ou do passado. Ver cada uma delas sair da minha cadeira com o rosto melhor e sorridente e poder dizer: Pedro obrigado por ter me escutado.


Sei que sou um cara sempre de cabeça erguida, que não abaixa a guarda. Talvez por coisas do passado sinta ainda a necessidade de ter sempre uma armadura vestida, uma espada empenhada e um escudo nas mãos para me defender... sou chato, exigente, rabujento. Nossa se alguem grita comigo seja o que for..meu Deus eu viro um bicho incontrolável. Mas no fundo no fundo, com todo meu jeito maduro de ser, marrento as vezes, mas sempre amigo e em busca de ajudar em tudo naquilo que posso ou que esteja a meu alcançe. Sou uma pessoa que é meiga (que sorri com os lábios sim, mas no fundo, chora com o coração), forte, sorridente, as vezes meu palhaço, as vezes sério.


Como é bom lembrar dos tempos de infância, de tranformação, das lutas, das batalhas e principalmente das vitórias. Será que vc consegue fazer isso na correria de seu dia-a-dia? Tente é muito bom!!! Como é bom poder terminar um dia, ascender uma vela para seu anjo da guarda e para seu Orixá, com o pensamento em Deus e poder agradecer por tudo que nos aconteceu. É gente hoje, acordei assim. Mas sei que de alguma forma esta postagem pode de alguma forma ajudar vc a pensar no seu dia e saber que até os Orixás um dia foram crianças com sonhos, virtudes e defeitos.

FALANDO SOBRE SONHOS


Sonho

O sonho é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religião, ciência e cultura. Para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebês no útero têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, mas não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência.

Sonho e Freud



Foi em 1900, com a publicação de A Interpretação dos Sonhos, que Sigmund Freud (1856-1939) deu um caráter científico à matéria. Naquele polêmico livro, Freud aproveita o que já havia sido publicado anteriormente e faz investidas completamente novas, definindo o conteúdo do sonho, geralmente como a “realização de um desejo”. Para o pai da psicanálise, no enredo onírico há o sentido manifesto (a fachada) e o sentido latente (o significado), este último realmente importante. A fachada seria um despiste do superego (o censor da psique, que escolhe o que se torna consciente ou não dos conteúdos inconscientes), enquanto o sentido latente, por meio da interpretação simbólica, revelaria o desejo do sonhador por trás dos aparentes absurdos da narrativa.

Sonho e Jung


O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, baseado na observação de seus pacientes e em experiências próprias, tornou mais abrangente o papel dos sonhos, que não seriam apenas reveladores de desejos ocultos, mas sim, uma ferramenta da psique que busca o equilíbrio por meio da compensação. Ou seja, alguém masculinizado pode sonhar com figuras femininas que tentam demonstrar ao sonhador a necessidade de uma mudança de atitude.


Na busca pelo equilíbrio, personagens arquetípicas interagem nos sonhos em um conflito que buscam levar ao consciente conteúdos do inconsciente. Entre essas personagens, estão a anima (força feminina na psique dos homens), o animus (força masculina na psique das mulheres) e a sombra (força que se alimenta dos aspectos não aceitos de nossa personalidade). 


Esta última, nos sonhos, são os vilões. Um aspecto muito importante em se atentar nos sonhos, segundo a linha junguiana, é saber como o sonhador, o protagonista no sonho (que representa o ego) lida com as forças malignas (a sombra), para se averiguar como, na vida desperta, a pessoa lida com as adversidades, a autoridade e a oposição de idéias. Jung aponta os sonhos como forças naturais que auxiliam o ser humano no processo de individualização.


Ao contrário de Freud, as situações absurdas dos sonhos para Jung não seriam uma fachada, mas a forma própria do inconsciente de se expressar. Para o mestre suíço, há os sonhos comuns e os arquetípicos, revestidos de grande poder revelador para quem sonha. A interpretação de sonhos é uma ferramenta crucial para a psicologia analítica, desenvolvida por Jung.


Abordagem psicológica


Os sonhos são cargas emocionais armazenadas no inconsciente, que projetam imagens e sons, e de acordo com Freud como sabemos que os objetos nos sonhos são derivados de cargas emocionais, podemos através deles chegar a raiz ou seja as emoções que geraram essa imagem ou som. Sendo estudados corretamente pode-se descrever, ou melhor, conhecer o momento psicológico do indivíduo. Fazendo uma analogia, poderíamos pensar numa especie de "fotografia" do inconsciente naquele momento.


Por isso, o sonho sempre demonstra aspectos da vida emocional. Nos sonhos sua linguagem são o que Freud denomina símbolos. Para entender seus variados conteúdos, temos que reconhecer o que os símbolos representam nesse sonho. semelhante ao que foi estudado por Stanislavski, a simbologia dos sonhos não só está dada pelo contato que o criador do sonho teve com o objeto mas também com o caráter, ou seja, a forma que ele lida relaciona sentimentalmente esse objeto a coisas de sua vida, um exemplo pratico o mar pode apresentar distintas simbologias( que são importantes para a interpretação dos sonhos se trata de descobrir a raiz ) variando de pessoa a pessoa( inclusive a época ) para alguns o mar pode significar destruição( o mar destruindo estruturas deixadas na praia ) mas para outros invasão( a água avançando e invadindo território ) de acordo com Freud o que a pessoa sente quanto a esse objeto ou essa situação é fundamental para a interpretação de sonho."Os sonhos são a estrada real para o conhecimento da mente".


Portanto as terapias psicanalíticas usam interpretação dos sonhos como um recurso para "elaborar".Carl Gustav Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Em sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos.


Sonho e sono REM


Existem outras correntes, que vêem o sonho de modo diverso. Os neurocientistas, de modo geral, afirmam que o sonho é apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem. Essa teoria só não explica como esses enredos supostamente desconexos são responsáveis por grandes insights, como em Thomas Edison, por exemplo. Existem muitos outros casos de sonhos reveladores em várias áreas da ciência e da arte, que todavia não impedem que os sonhos sirvam também para recuperar a saúde do organismo e do cérebro.


Sonhos e revelações


A oniromancia, previsão do futuro pela interpretação dos sonhos, tem grande credibilidade nas religiões judaico-cristãs: consta na torá e na bíblia que Jacó, José e Daniel receberam de Deus a habilidade de interpretar os sonhos. No Novo Testamento, São José é avisado em sonho pelo anjo Gabriel de que sua esposa traz no ventre uma criança divina, e depois da visita dos Reis Magos um anjo em sonho o avisa para fugir para o Egito e quando seria seguro retornar à Israel.


Na história de São Patrício, na Irlanda, também figura o sonho. Quando escravizado, Patrício em sonho é avisado de que um barco o espera para que retorne à sua terra natal.


No Islamismo, os sonhos bons são inspirados por Alah e podem trazer mensagens divinatórias, enquanto os pesadelos são considerados armadilhas de Satã.
Filósofos ocidentais eram céticos quanto ao tema religião e sonhos, por alegarem que não haveria controle consciente durante os sonhos, mas estudos recentes analisando movimentos dos olhos (REM) durante o sono mostram resultados cientificamente comprovados com sonhos lúcidos, que se contrapõem às teorias anteriores.


Pensadores e matemáticos como René Descartes e Friedrich August Kekulé von Stradonitz também tiveram em sonhos visões reveladoras. Descartes, em viagem à Alemanha, teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Kekulé propôs a fórmula hexagonal do benzeno após sonhar com uma cobra que mordia sua própria cauda.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ILUSÃO E CONSCIÊNCIA O SENTIDO DA VIDA


O tema do sonho e da ilusão presente nas nossas vidas é corrente no pensamento filosófico e literário. Na sua forma mais radical, esse pensamento proclama que o homem vive imerso em ilusões e sonhos.


Ver Comentário/EnsaioIlusão e Consciência





Atenção! Os seres humanos vivem numa caverna. (…) Eles apenas vêem as suas sombras, ou as sombras dos outros, projectadas pelo fogo na parede oposta da caverna.
Platão, 428-347 a.C., filósofo grego, A República

Castelos no ar - eles dão tão facilmente abrigo. E são tão fáceis de construir.
Henrik Ibsen, 1826-1906, escritor norueguês, The Master Builder

Somos o material
De que os sonhos são feitos, e a nossa pequena vida
Está rodeada de sonho…
William Shakespeare, 1564-1616, poeta e dramaturgo inglês
A tempestade
O homem que nasce cai num sonho equivalente ao do homem que cai no mar.
Joseph Conrad, 1857-1924, escritor anglo-polaco, Lord Jim

O que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção. E o maior dos bens é de pouco valor, já que toda a vida é sonho, e os sonhos não passam de sonhos.
Caldéron de La Barca, 1600-1681, poeta e dramaturgo espanhol,

A Vida é Sonho
Na noite que trás o sono, os sonhos riem-se de nós, errando diante dos nossos olhos.
Petrónio, século I d. C., escritor romano, Sataricon

Os sonhos são verdadeiros enquanto duram… E não vivemos nós em sonhos?
Alfred Lord Tennyson, 1802-1809, poeta inglês, The Higher Pantheism.

Aqueles que compararam as nossas vidas a um sonho, têm mais razão do que pensaram.
Montaigne, 1533-1592, escritor francês, Essais

O HOMEM NÃO PODE PRESCINDIR DA ILUSÃO

Alguns pensadores, sobretudo modernos e contemporâneas defendem que o homem não pode prescindir da ilusão. Ela faz parte da natureza humana, e é uma forma de fugirmos à vida real, e ao sofrimento e falta de sentido presente no fundo da nossa existência. A vida passa pelo sonho. O homem não suporta viver constantemente a verdadeira realidade.

Estão acordados, mas dormem.
Heraclito, 540-480 a. C., filósofo grego, citado por E. Morin, Método V

Uma simples trivialidade consola-nos porque uma simples trivialidade distrai-nos.
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos

A espécie humana não suporta demasiada realidade.
T. S. Eliot, 1888-1965, escritor anglo-americano, citado por E. Morin, Método V

Os homens têm sempre lutado contra a realidade com todas as suas forças.
Jean Servier, escritor francês, citado por E. Morin, Método V

Tirar ao homem comum a vida de mentiras em que ele vive, é retirar-lhe a felicidade.
Henrik Ibsen, 1826-1906, escritor norueguês, The Wild Duck

Para o homem, tão importante quanto a técnica, é a criação de um universo imaginário e a proliferação fabulosa de mitos, crenças, religiões.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V

Existe uma propensão universal para acreditar em fantasmas e espíritos, para acreditar em feitiços e, com mais frequência, na eficácia da magia e do sacrifício.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V

A ilusão atravessa toda a história, todas as sociedades, todos os indivíduos, e os espíritos, mal saem de uma desilusão, estão prontos para cair noutra.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V

Os arcaicos viviam num universo povoado de espíritos, de seres sobrenaturais, de lendas fabulosas, de quimeras, de milagres. Os sonhos faziam parte da realidade.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V
  
O mito fortifica o homem, ocultando-lhe a incompreensibilidade do seu destino e preenchendo o nada da morte.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V

OS SONHOS SÃO UMA PARTE DA NOSSA REALIDADE

Os sonhos e a nossa imaginação dão sentido à vida, ainda que por vezes os sonhos não sejam mais do que isso mesmo: apenas sonhos.

Abençoado seja o que inventou o sono, a manta que cobre todos os pensamentos humanos, o alimento que satisfaz a fome, a bebida que apazigua a sede, o fogo que aquece o frio, o frio que modera o calor, e, finalmente, a moeda corrente que compra todas as coisas, e a balança e os pesos que igualizam o pastor e o rei, o ignorante e o sábio.
M. Cervantes, 1547-1616, escritor espanhol, Dom Quixote

Apenas na imaginação do homem encontra toda a verdade, e a sua efectiva e indesmentível existência.
Joseph Conrad, 1857-1924, escritor anglo-polaco, Some reminiscences

Um homem é sempre um contador de histórias; vive rodeado pelas suas histórias e pelas histórias dos outros, e vê tudo o que lhe acontece através delas.
Jean Paul Sartre, 1905-1980, filósofo e escritor francês, A náusea

Tive um sonho, que não era de todo um sonho.
Lord Byron, 1788-1824, poeta inglês, Darkness

Quando brinco com a minha gata, quem sabe se ela não está a brincar mais comigo do que eu com ela…
Montaigne, 1533-1592, escritor francês, Essais

Faças o que fizeres, esta vida é ficção, e feita de contradição.
William Blake, 1757-1827, poeta inglês, Gnomic Verses

Uma vez, eu, Tchuang-Tseu, sonhei que era uma borboleta, e estava feliz como borboleta. Estava perfeitamente consciente de que estava satisfeito comigo mesmo, mas não sabia que era Tchuang. Não sei se era Tchuang a sonhar que era uma borboleta, ou se era uma borboleta a sonhar que era Tchuang.
Tchuang-Tseu, século III ou II a.C., filósofo taoista chinês, Book of Tchuang-Tseu

A MENTIRA E SUAS VÁRIAS FACES



 "Não cometerás falso testemunho "- Bíblia, 9o Mandamento.


"A verdade transforma as palavras em facas" - EURÍPEDES - Iphigênia.

"Não importam os fatos e sim as versões" - Getúlio Vargas.

É difícil dizer quem consegue viver sem ter faltado com a verdade, pelo menos uma vez na vida. Pode ser até por erro. Por exemplo, quem descreve alguma coisa para alguém está passando algo que viu ou presenciou. Mas está passando uma visão própria. Tente interrogar uma pessoa logo após uma experiência dramática. Tente a mesma coisa, horas depois. Ou algum tempo, uns meses. Trata-se de outra visão da mesma situação.

Falso testemunho ou engano? Se colocarmos o assunto na boca de um advogado criminalista (o tipo de advogado com menor duração de vida aqui no Brasil) ou qualquer pessoa bastante escolada na retórica, o que para alguns passa como mentira adquire outro significado. Na Bíblia, a mentira é um dos dez pecados capitais (vale lembrar que não existe uma gradação de qual pecado é o maior, matar alguém ou invejar a mulher do próximo é tão pecado quanto mentir, aos olhos de Deus).

Clinton cometeu o perjúrio ao dizer que manteve relações incompletas com Mônica Lewinski? Ele não podia negar o exame de DNA no vestido da estagiária (que cuspiu do lado esquerdo, parece que fez questão de guardar o vestido).

Isso leva a outra questão: Será possível pegar um mentiroso e demonstrar que ele está mentindo? Depende muito.

A mentira pode ser descrita como uma verdade que deixou de acontecer. Em se tratando de falso testemunho, a falha está no fato de que o sistema de comunicação é algo imperfeito. Por exemplo, nós brasileiros falamos a língua portuguesa ou a língua brasileira? Depende de quem esteja perguntando. Será que dois brasileiros falam a mesma língua? Alguém conhece aquela piada do engenheiro e caipira numa aposta de rinha de galo?

Vou lembrar:

O sujeito foi com toda aquela panca fazer uma obra numa cidadezinha do interior. De acordo com o capataz da obra, não havia nenhuma diversão no local, exceto briga de galo (coisa proibida, inclusive). E o cara foi lá, ver como é que era a coisa. Chegou e viu um monte de gente apostando dinheiro. Perguntou para o capataz, qual galo que era o bom:
- O bom é aquele galo amarelo, ali.
O engenheiro apostou firme no tal galo. Que perdeu, levou uma surra bonita do oponente. O engenheiro foi reclamar com o capataz:
- Você não me disse que aquele galo é que era o bom?
- E num tava certo? O ruinzão é o outro, você viu como que bateu sem dó?

Pois é, no caso acima, não houve mentira, houve uma falha de comunicação. Claro que se pode também falar emDesinformação, que é a possibilidade de se apresentar a verdade de tal forma que pareça mentira. A Retórica, tão querida do pessoal que faz advocacia, já é outro esquema: consiste em aumentar ou diminuir para atingir o efeito de influenciar o resultado de uma discussão.


A comunicação é um ato social. A mentira, por mais imoral ou danosa que possa parecer, é um ato social. Vide a novelaRoque Santeiro, uma novela de enorme sucesso baseada nessa questão: uma cidade havia se desenvolvido em torno do mito de um herói. Esse mito era mentira, mas era justo acabar com o desenvolvimento da cidade só para esclarecer a verdade? A Rede Globo (e mais um montão de gente) acabou por votar pela manutenção do mito. Ariano Suassuna, em entrevista com Jô Soares (sexta, 23/03/01), falou sobre o personagem Chicó do  "Auto da Compadecida". 

Foi baseado numa pessoa (que já faleceu) que era o maior mentiroso da paróquia. Em determinada ocasião, estava esse "recontando" um evento e um dos que tinham participado, estado lá na ocasião, teve a audácia de falar que o Chicó não estava falando a verdade. Ao que este respondeu, contrariado e constrangido:

- Tá certo. O senhor é testemunha, estava lá, eu concordo. Mas todo mundo sabe quem sou eu. Está todo mundo reunido para me ver contar um caso. Vocês todos aqui, o que vocês preferem? Aquilo que estou contando ou a verdade desse besta aqui?

Claro que alguns podem colocar o fato de que existe alguma diferença cultural entre o Suassuna comentou (que o Chicó teria falado em determinada ocasião) durante o  "Talk-Show" do Jô e o que se pratica na maioria dos lugares. Porém, com relação a contar histórias, o cinema faz isso, o tempo todo. Só que chama esse ato de "linguagem cinematográfica". É preciso alterar a história para que possa ser filmada (o que são outros quinhentos, mas rendeu um belo de um processo para os realizadores do filme  "O que é isso, companheiro").

Há então a questão daquilo em que a pessoa quer acreditar. É preciso ler nas entrelinhas. O problema da verdade é o  "business" de lidar com o que ela acarreta. Como naquela piada do português:


O detetive chega para o português, depois de passar dias e dias disfarçado, seguindo a Maria, suspeita de estar traindo o Manuel:
- Segui ela ontem o Motel  "Vamunessaqueébão". Me disfarcei de empregado, vi os dois sorridentes entrando na suíte presidencial, que tem cama redonda, espelhos e outros equipamentos. Aí, quando cheguei perto da fechadura, olhei pelo buraco, sua esposa estava tirando a roupa e aí..
- Fala, gajo, o que aconteceu?
- O cara tirou a cueca e pendurou na maçaneta, não vi mais nada.
- Ora, raios, esta dúvida é que me mata!


Isso é uma piada, eu sei. Mas e o caso dos médicos, por exemplo? O que que interessa para a família ouvir, quando o parente está a beira da morte (supondo-se que o parente seja mesmo um ente querido)? 

Até um tempo atrás, um amigo meu foi fazer uma entrevista num hospital e pediu para o médico residente para ver alguns desenganados (doentes sem chance de recuperação). A resposta que recebeu é que todos tinham chance de recuperação, não havia essa coisa de desenganado. Uma auxiliar de instrumentadora (sei lá o nome do cargo, a pessoa que entrega os bisturis para o cirurgião) me contou que o apelido da UTI (entre os médicos e enfermeiros) é "ante-câmara do inferno". De acordo com ela, a internação na UTI, na maioria dos casos, é só uma forma que o hospital usa para arrancar um dinheiro absurdo das famílias que ainda acreditam numa última chance. Vai saber.. milagres acontecem. Será que a pessoa que recebe a notícia de que vai morrer não desiste também de lutar até o fim?

As várias formas de se mentir para alguém:

Existem livros sobre o assunto. Mas de acordo com um tratado muito bom,  "Telling Lies - Clues to Deceit ", alguns (dos muitos exemplos) podem ser alinhados:


Ocultar a verdadeBem mais fácil. A pessoa não tem que se preocupar em memorizar nada ou inventar, já que nada aconteceu.
Exemplo:
(situação baseada em fatos reais que presenciei, numa república estudantil.. ):
- Mano, você está viu as minhas cuecas?
- Olha, não me venha com essa, você achou alguma entre as minhas coisas? Então pare de me acusar.
- Pô, cara, foi mal..
- Ah, tudo bem.. mas relaxa, cara..

Outros exemplos: Tentar ocultar a vitória do seu time de futebol ou falar pro seu dentista que não tem medo de injeção.
Falsificar
Falsificar implica um bom conhecimento de como as emoções funcionam. Por exemplo, mentir que já tem experiência anterior implica em:
  • Esconder o medo de ser pego
  • Aparentar ter trabalhado
Exemplo:
- Mano, você está usando uma das minhas cuecas.
- Você está louco, esta é minha! Você fica esquecendo as coisas na lavanderia e coloca a culpa em mim.. tenho que sair fora.

Dizer a verdade como se fosse mentira - Dizer a verdade como se fosse mentira, é coisa para ator, por que implica em fazer de modo que a pessoa duvide da verdade.
Exemplo:
- Mano, você pegou minhas cuecas?
- Peguei elas e tô usando para lustrar sapato.

Evitar a resposta - É bastante comum, quando o mentiroso é apanhado  "em flagrante"
Exemplo:
- Você está usando uma das minhas cuecas?
- Eu estou ocupado agora, não está vendo? Tenho que sair correndo antes que o banco feche.

Dicas para tentar diferenciar mentira e verdade:

Claro que uma coisa é ver a verdade vazando, outra é o mentiroso admitir. Lembrando a piada do cego e do cachorrinho:


Juca Chaves: Estava eu pela rua, de noite, quando vi um ceguinho passeando com um cão-guia, pastor alemão. De repente, o cão parou e deu uma senhora mijada no pé do dono. Que, aparentemente, não demonstrou raiva. Só enfiou a mão no bolso e tirou um biscoito. Estando eu do lado, não pude deixar de exclamar:
- Que mostra de paciência, o cachorro lhe dá um "banho" e tudo o que o senhor faz é enfiar a mão no bolso para dar-lhe um biscoito.. que generosidade..
- Estou só procurando a cabecinha dele para meter a bengala!


Presumindo que se queira duvidar da pessoa com quem falamos, há vários métodos. Se algum curso, livro ou método lhe prometer 100% de acerto nesse assunto, está faltando com a verdade. Não existe nenhum método perfeito para pegar mentirosos. E muito menos um método perfeito para faze-los admitir que mentiram. Existe uma teoria que mentirosos falam devagar (por que estão pensando a resposta). Tudo bem, só que vários caras que conheço passam o dia inteiro na frente do computador, realmente falam aos pedaços.

O mentiroso que realmente é escolado consegue acreditar na mentira que está contando. Quer um exemplo? O cara fala que não houve nenhum contato íntimo com outra mulher. Tranquilo. Ele usou camisinha, não houve contato íntimo. Para uma mulher, a traição só ocorre se ela se apaixona por outro cara. Não apaixonou, pode sair transando com todo mundo, as amigas chamarem ela de vagaba e tudo. Na cabeça dela, o que aconteceu foi algo sem importãncia.Esse campo amoroso dá uma grana preta para "detetives".

Além de métodos alternativos, existem as seguintes dicas:
  • O "vazamento" - quando a pessoa não consegue esconder aquilo que fez e a coisa aparece
  • As dicas de enganação - uma série de atitudes típicas de enganação
É preciso pensar que o corpo, numa interação social (vulgo "conversa") emite uns 2000 sinais diferentes (a nível consciente e inconsciente) que se complementam. É informação redundante. A pessoa está emocionada, faz voz de quem está emocionada. Agita as mãos. Arregala os olhos. Ou não. Atores, Políticos, jogadores de Truco e de Poker sabem muito bem a necessidade de controlar esses sinais. Eles constroem um  "muro de credibilidade".


Vazamento:

Há casos em que é possível ver a verdade "vazando". Por exemplo, a gesticulação das mãos não combina com o que o rosto diz. A voz muda o tom, a fala gagueja. Seria o caso em que a pessoa diz "NÃO", mas o corpo diz "SIM". Que nem o sujeito falando com a esposa ciumenta no campo de nudismo. Piadas aparte, existe um livro bom nesse assunto, chamado  "O Corpo Fala". É bem didático. Na verdade existe toda uma ciência em torno do assunto, chamada de "Kne???-não-sei-o-quê " (odeio dar informação incompleta, mas esqueci). Dentro dessa ciência, o conteúdo das ações do indivíduo compõem um quadro de falsidade ou sinceridade, que pode ser interpretado.



Inconsistências ou Dicas de que há algo errado no ar

Essa daí é o que mais pega o sujeito  "em flagrante". A mulher observa que de um dia para o outro, o marido começa a se vestir melhor, sorri todo dia, não se incomoda com nada. Começa a praticar esportes, fazer dieta. Alguma coisa aconteceu com ele. O contexto não bate com o que está sendo dito.

A cabeça de quem mente:

Excetuando-se a mentira social (você encontra alguém que te pergunta: "tudo bem?" e responde "tudo bem", afasta pessoas que podem emprestar dinheiro), ninguém tenta enganar alguém sem levar em consideração alguns dados, como:
  • Conhecimento do nível de experiência de vida da vítima: Ou "calma que o diabo é velho". O problema nunca é ser o diabo. É ele ser velho. Portanto, mais experiente, mais capaz de distinguir entre mentira e verdade.
  • Momento: A pessoa pode estar vulnerável ou pouco capaz de perceber.
  • A Cobertura ou Conversa ensaiada: É preciso estar com aquilo que será dito como verdade na ponta da língua, mas conseguir também esconder as verdadeiras emoções. A mentira tem que convencer.
O fato da pessoa mentir de vez em quando não implica que ela seja vil. Por exemplo, uma loira pode se fingir de burra para facilitar as coisas na hora de arrumar namorado. É uma estratégia. Ou um perigo. 
Ex:

Os 2 surfistas conversando na praia..
- Pô, meu, ontem estava na minha encarando as ondas, rolou um lance q nem te conto, cara..
- Contaí..
- Veio um coroa tentando puxar papo.. jeito de baitola
- E vc?
- Vc sabe, né? Surfista, 20 ano de praia, fiquei na minha.. Aí o cara chamou o vendedor de sorvete e deu uma nota de cinquentinha pro cara trazer um mé com gelo. Pleno sábado de sol, o cara tava tomando Vodka na praia. E ainda deu uma gruja pro moleque.
- E vc?
- Eu, vc sabe como é, né? 20 ano de praia, comecei a bater papo com o cara e aproveitar a vodka dele.
- Isso aí, boa.. e como é que rolou então?
- Aí fui bebendo uns lances.. o cara convidou para ir jantar na casa dele
- Vc recusou, né?
- Queisso.. comida de graça? Sabe como é, né? Eu, 20 ano de praia.. fui na minha, nem preocupei.
- E como terminou a história, bem ou mal?
- Merda, O CARA TINHA 40 ANO DE PRAIA!


Métodos de Avaliação (o cara mente ou não):

Há métodos que pretendem fazer a avaliação da pessoa usando vários recursos:

Grafologia - avalia a escrita da pessoa. Virou ciência e é empregada por departamento de Recursos Humanos de empresas para avaliar funcionários. Trata-se da análise do texto da pessoa com o fim de descobrir o caráter, já que a forma da letra, a pressão, o uso da página podem dar pistas sobre a personalidade. O problema é que a pessoa pode caprichar na caligrafia e "fraudar" o teste com um pouco de prática. Mesmo que profissionais mais gabaritados sejam capazes de enxergar pistas por cima disso, são uma minoria. Existe a análise do conteúdo do texto, que é uma outra história, mas que ainda assim, exige prática.

Polígrafo ou Detetor de Mentiras - Ainda é usado nos EUA, como se fosse uma panacéia. Quem assistiu o filme "Instinto Básico" (aquele da Sharon Stone mostrando que está sem calcinha) já tem alguma dúvida sobre se funciona mesmo. Os resultados não são conclusivos. O que acontece é que um monte de fios são ligados a várias partes do corpo da pessoa e presume-se que a mentira gera uma diferença na resposta. A idéia tem alguma coisa boa, exceto que: existem muitos profissionais incompetentes aplicando (lá, aqui não sei se é aplicado). 

Se os filmes de Holywood estão sendo feitos com personagens enganando esse tipo de coisa, é sinal que está caindo de moda por aquelas bandas, por que americano não mexe em time que está ganhando. Mas a melhor avaliação do polígrafo que fala em 92% de acertos com pessoas "normais". Falta definir o que são pessoas  "normais". Seria muito fácil usar isso como prova, mas a justiça brasileira não aceita desde a Constituição de 1988.

Stress da Voz - Outro tipo de detetor de mentiras, baseado no fato de que a voz da pessoa se altera de acordo com o que diz. Existe um artigo bom sobre isso, no http://www.loompanics.com/Articles/MikeKempSnitch.htm . 

Há vários softwares do gênero, disponíveis na internet, alguns até tem depoimentos do Clinton falando sobre Mônica Lewinski. Seria gravar a voz da pessoa enquanto diz a verdade ou mentira e depois rodar no computador para ver se os gráficos. Como o próprio artigo coloca, demora pra caramba para se treinar alguém no assunto.

"Paulígrafo" ou Tortura - Método muito usado pelas polícias de vários países. O grande problema é que tanto os inocentes quanto os culpados confessam. Em caso noticiado pela revista VEJA, um cidadão comum relatou a morte de um policial pelo disque-denúncia e foi barbaramente torturado (membro da corporação acreditou que o cara sabia quem fez). Dependendo da pessoa, funciona ou não. Um cara que trabalha(va) na polícia me contou que há casos em que o sujeito confessa na boa, mas precisa ter uns hematomas para poder justificar. O interessante é que a confissão sob tortura não é aceita como prova final em nenhum julgamento que preste (o que não impede da pessoa carregar sequelas).

Ameaça - Tudo depende da experiência de vida da pessoa. Há quem confesse sob ameaça e há quem não o faça.

Roscharch - O método tem história. Baseia-se na análise do que a pessoa fala quando vê determinados desenhos. Claro que presume-se a sinceridade nas respostas. Muito usado em entrevistas de emprego. Há cursos caríssimos sobre o assunto.

Soro da verdade - Se fosse bom, a polícia usava. Precisa de médico do lado para prevenir overdose.
Bebida - "In vino veritas" (a verdade está no vinho). Cada caso é um caso. O maior problema é determinar a dosagem. Alguém de estômago cheio leva mais tempo para se embriagar do que quando passa fome.  E quem é que aguenta papo de bêbado?

Livre associação - O entrevistador fala uma coisa e o entrevistado vém com a primeira palavra que aparece na mente dele.

Engenharia Social - Já comentei em diversas edições do Barata Eletrica. Só acessar http://barataeletrica.cjb.net e procurar na máquina de busca. Um exemplo simples é o do  "hacker" que se recusa a comentar a vida pessoal, principalmente se o sujeito trabalhar para o governo. Já para um caçador de talentos (vulgo vou-te-dar-emprego), repórter ou pseudo-pesquisador, ele se abre todo, conta tudinho, mesmo o que incrimina. Nos EUA, quando a polícia começou a prender, sempre se impressionaram com os caras que foram pegos em flagrante, faziam questão de confessar tudo, sem se lembrar que estavam se incriminando.

Experiência de Vida - Algumas vêzes funciona bem. Querendo saber se a pessoa fuma, é bem melhor pedir um cigarro a ela do que perguntar:  "você fuma?".

Algumas conclusões:

Todos os métodos acima pretendem passar por cima do fato de que o mentiroso "profissional" (para não usar outra palavra) não irá conseguir "ensaiar" sua mentira. No caso de entrevistas de emprego, sempre há margem de erro. Em interrogatórios, também. No livro  "Telling Lies", um verdadeiro tratado sobre o assunto, chegou-se a várias conclusões, entre as quais que bons "pega-mentirosos" não aprendem isso através de treinamento. A pessoa também pode ser boa para enxergar determinados tipos de mentira, mas não outros. Métodos para avaliar, nenhum merece confiança. Num determinado caso, uma paciente de manicômio conseguiu enganar todos os médicos. Era o caso de uma suicida em potencial. Como tinham filmado a cena dela mentindo, ficaram horas e hora até enxergarem momentos nos quais, por frações de segundo, a mentira aparecia. Todo mundo assinou a alta para a mulher. A mentira foi descoberta por que ela revelou.

Mentiras Sociais (no cinema, para dar alguns exemplos):

É difícil pensar ou acreditar que as pessoas próximas são capazes de mentir. Mas .. "o diabo existe" (.. e é casado, por que têm chifres). O filme do Stanley Kubrick (De olhos bem fechados) mostra bem vários aspectos interessantes. O casal Nicole Kidman (Alice) e Tom Cruise (Bill) estão numa festa, mas se separam. Quando um volta a encontrar o outro, o Cruise está com 2 garotas e a Nicole dançando com um cara. Apesar da bebida, nenhum dos dois faz nada demais. Mas, chegando em casa, conversa vai, conversa vem, coisa de casal, aparece a pergunta:

Alice: Quem eram aquelas garotas com quem você estava na festa?


Bill: Apenas modelos



Alice:  Você transou com elas?



Bill: Não, o Ziegler me chamou, blá, blá, blá, etc..


E começa a mentir por conta de um pedido do anfitrião (para quem quebrou um galho). Acaba falando que não transaria outra mulher por amar a esposa que tem e depois pergunta sobre o cara (Szandor, o personagem) que estava dançando com ela, o que ele queria com ela? Os dois começam um papo. Ela sabe que o cara estava a fim de sexo e o Bill também. Só que quando fala que acha isso compreensível, a coisa muda. Alice começa a pressionar:

Alice: Quer dizer que a única razão para aquele cara (Szandor) conversar comigo seria sexo?


Bill: Nós sabemos como são os homens.



Alice: Então, pela lógica, você queria transar com aquelas modelos? (aí começa tudo)


O filme fala muito sobre mentiras de vários tipos. Claro que se for comentar, poderia colocar (algumas d)a(s) esplêndida(s) obra(s) de Nélson Rodrigues (como),  "O casamento". O filme (assisti no cinema, apesar de ser teatro) começa com o médico da família contando pro pai da noiva que o futuro genro é gay. Não dá para resumir o suficiente para comentar, acontece muita coisa. É o que considero algo leve, em termos da obra desse cara. "Bonitinha mas Ordinária" é também excelente. Os outros filmes, considero muito pesados.

Algo mais pé no chão (os filmes acima tratam mais de gente "high-society" com mais de 30 anos) seriam os filmes  "Garotos não choram" (Boys don't cry) e o filme peruano  "No se lo digas a nadie" ou  "Não diga a ninguém". Os dois tratam de pessoas que curtem gente do mesmo sexo. O "Garotos não choram" fala de uma menina que fazia todo mundo acreditar que ela era homem, caso verídico. "No se lo digas a Nadie" é o tipo de filme que  "queima o filme" (uma menina me levou para assistir). Podendo editar algumas cenas de sexo (ou fechar os olhos), a enredo é interessante. Aborda um  "maricon" tentando esconder que é gay. Tem as passagens hilárias, como a primeira relação dele com uma mulher, as formas de esconder, o momento que descobre que ser gay não tem cura, o casamento para salvar as aparências, etc.. Só recomendo por conhecer várias histórias similares à do filme.

Quando você conhece alguém que a vida inteira faz pose de machão e depois vê essa mesma pessoa rodando a bolsinha, leva dias procurando o queixo que caiu no chão. É que nem levar chifre (aqui em São Paulo, isso NÃO é raro).

Mentiras Sociais II:

As pessoas, algumas vezes, curtem muito tecer ilusões sobre a vida de modo geral. Quando se trata de vida afetiva então, nem se fala. Todo mundo (ou quase todos) já inventou uma história daquela "menina incrível" que conheceu numa festa e das coisas que aconteceram depois. O que se pode fazer?

Falar que conheceu a menina e que acabou não rolando nada? As vezes o fato não aconteceu, mas quase, então é contado como se tivesse acontecido. Melhor para animar uma conversa do que falar que foi encontrar uma puta bem barata no centro da cidade. Aliás, falando nisso, a revista da Folha num domingo desses comentou que as prostitutas estão se vestindo como "patricinhas" e encarando discotecas. O sujeito vai paquerar a menina, recebe a oferta "programa por X Reais". 

Pois é, me contaram uma história: o sujeito foi no hotel, pagou adiantado, tirou a roupa, aí depois de tirar a roupa a menina pediu mais dinheiro, se fingindo de coitada. O cara não tinha, mas perdeu a vontade de fazer. Pediu o dinheiro de volta, a menina começou a chamar o segurança do lugar, alegando que o cara estava tentando agredi-la.
  
Interrogatórios

Praticamente qualquer conversa pode ser um interrogatório, vide aqueles que entendem de  "Engenharia Social". Mas existem aqueles que são assustadores, como dar depoimentos (especialmente quando se tem alguma "culpa no cartório"). 

Como na polícia, por exemplo. Numa conversa sobre a ALCA (pintou umas manifestações em sampa, videhttp://www.midiaindependente.org , quem estiver interessado), foi comentada a questão do procedimento dos policiais em caso de prisão de manifestantes.

Para quem vai preso, há duas formas de se entrar na cela, chorando e morrendo de medo ou de cabeça erguida. De cabeça erguida, é mais fácil obter respeito (de outros presos) e sofrer menos. 

Mas óbvio que o objetivo é amedrontar o "elemento" ao máximo. Se brincar, falam que o amigo dele já falou tudo, só precisam de confirmação. Podem até colocar alguém "deles" junto na cela, só para ouvir histórias. O cara com ódio, medo ou dúvida, revela mais do que devia. E pode até dar pista para se incriminar em outra coisa que não tem nada a ver com o motivo pelo qual o interrogatório começou. Então, todo mundo tinha sido avisado que não era para conversar com os policiais, só na presença do advogado. O problema é que os três tinham estavam na viatura e nunca chegávamos na delegacia. Só trocavamos de viatura. A cabeça estava a mil. Uma hora, um dos policiais, curioso, começou a puxar papo:


- O que que vocês estão fazendo aqui? Não parecem ladrões.
- Ah, (todo emocionado) somos da passeata contra a ALCA.
- Que é isso?

A gente deu um beliscão no cara para ele se calar. Por quê para a polícia, o primeiro passo é fazer você abrir a boca. O problema era tal que não se podia avisar para o imbecil que aquilo era interrogatório. Isso seria chamar a atenção do guarda para quem estava mais a par da coisa ou quem era o "cabeça" do grupo.

Se a pessoa pode mentir para a polícia, a legislação brasileira não é muito severa em relação ao assunto. Confissão não serve como prova. Ninguém é obrigado a falar contra si próprio ou se incriminar. Como legislação é algo que muda muito (um novo código penal está chegando) consulte um advogado. Na dúvida, fique calado até ele chegar.

Mentiras na Internet:

Aí é demais. Precisaria de um enciclopédia. Existem desde Hoax, os embustes, (como o aviso de que o ICQ se tornará pago), até os que se fingem de mulher para poder conversar com alguém. Um que merece destaque é o caso da Carla Coelho, uma menina que se apaixonou por Flávio de Souza, através da internet. O cara falava que era um fazendeiro rico e que iria casar com ela. Durante um mês, gastaram fortunas em impulsos telefônicos e emails. Depois foram se encontrar. Ela tinha enviado uma foto de quando estava mais magra. Ele, não tinha um tostão furado. Viajaram juntos, sumiram, viraram notícia na TV. Depois a realidade: o cara era um duro e a menina tinha gastado todas as economias e mais alguma coisa para pagar a "lua de mel".

Recursos Humanos e Entrevistas para Emprego:

Se vc é mais um daqueles que está na moda (desempregado) é bom saber: da mesma forma que há candidatos que mentem, há entrevistadores, agências de emprego e ofertas que não tem a ver com a realidade. No caso de concurso público, por exemplo: tem prefeitura que precisa equilibrar o orçamento e lança um concurso público fictício com uma vaga que só exige 2o grau completo. Chovem inscritos, todos pagando a taxa de inscrição. Nenhum presta atenção na cláusula que diz:  "a entrevista é eliminatória". Pronto, resolveu o problema de caixa da prefeitura.

Uma parte dos recursos de avaliação de candidatos, como  "dinâmica de grupo", "inteligência emocional", não tem nada a ver com a realidade. Já trabalhei nesse tipo de coisa para contratar estagiários. A questão é que fica muito mais fácil o sujeito aceitar a resposta sem discutir.

Não acredito em tentar um desses sites de currículos on-line. Acho bem mais negócio jogar na loteria esportiva. Se colocar o C.V. online e ficar esperando ajudasse, desemprego não era notícia.

Outra coisa que acontece muito (para a desgraça de muita gente), é o aparecimento daquele amigo todo sorridente, falando que vai ajudar. Fala que conhece todo mundo. Aí ele aproveita e pede um monte de favores, do tipo "me ajuda com um problema no micro", "me ensina JAVA". E por aí vai, sugando, sugando ... quando não fica te enrolando até o dia em que fala "olha, por mim você estava dentro, a culpa foi do filho do patrão". É uma das melhores formas de suborno que conheço.

Mentira em grande escala:

A forma que a chamada  "Grande Imprensa" funciona é a seguinte: informação misturada com entretenimento. Por isso, poucos repararam na morte da Madre Teresa de Calcutá (mas todo mundo comentou a morte da Lady Di, que aconteceu no mesmo dia). O problema não é tanto a mentira ou verdade da coisa. 

Os jornais (imprensa escrita) tendem a se basear na imprensa on-line (Rádio e TV). Dificilmente há controvérsias entre o que diz um tipo de imprensa e outro. Não é raro copiarem-se uns aos outros, as vezes até sem checar se o que estão transmitindo é a verdade. O pior é o que podem fazer com o visual da notícia tanto para esvaziar o conteúdo (todo mundo fica sabendo mas ninguém dá bola) como para exagerar. Vide http://www.epl-lousa.pt/mediana/vm.html . Algumas vezes se usa propaganda como notícia ou mesmo inverdades.

Vide o caso famoso da "Guerra dos Mundos". Se você entende inglês bem e seu micro tem uma boa conexão internet (mais) placa de som, siga este link http://www.phy.syr.edu/courses/modules/SETI/HISTORY/SOUNDS/METEORITE.AIFF . 

Trata-se de um trecho do que foi transmitido pelo rádio, numa noite de Halloween em 1938, por Orson Welles (mais tarde se tornou um grande cineasta com o famoso filme "Cidadão Kane"). Foi uma dramatização do livro de H.G. Wells, "Guerra dos Mundos". O enredo foi bastante imitado em vários livros e filmes (existe uma fita baseada no livro). Trata-se da invasão do nosso planeta por marcianos. Só que o Orson Welles fez a coisa pelo rádio de tal forma que parecia o Cid Moreira ou outro cara do Jornal Nacional cobrindo um evento REAL (naquele tempo as pessoas acreditavam no rádio). Houve até gente que tentou o suicídio para não virar comida de marciano! Quando repetiram esse mesmo show (traduzido para o espanhol) em 1949, no Equador, uma multidão incendiou a estação de rádio, ao descobrir que era tudo mentira! 20 pessoas morreram. Querendo, veja o link http://earthstation1.simplenet.com/wotw.html para ouvir o show completo.

Mas a história mais interessante (sobre manipulação da opinião pública) é a de um livro que comentava uma estação de rádio, a ABSIE, American Broadcasting Station in Europe (Emissora Norte-Americana na Europa). Fez contra-propaganda, durante a 2a Guerra Mundial. A situação era a seguinte: já se sabia que a Alemanha não ia ganhar a guerra. O problema não é fazer o país se render, é convencer o povo que a rendição fosse encarada como coisa boa. Mais ou menos como fazer um corintiano baixar a cabeça com humildade e admitir para um palmeirense seu time não está bom. Como fazer para veicular mensagens radiofônicas de forma que a população alemã ouvisse. Havia a BBC de Londres, índice alto de audiência. Mas tinha o problema da pena de morte. Ouviu, descobriram, fuzilamento sumário. Os americanos fizeram essa emissora, denominada 12-12, cuja locação fictícia era na Renânia, só para despistar.

Na primeira fase, o trabalho era convencer o público (alemão) que a emissora era do governo (alemão). Tomaram algumas precauções, como só se falar alemão (no prédio) durante as emissões de rádio.

 Foram reunidos peritos para fazer os programas e escolher vocabulário usado por outras emissoras militares. Quando uma cidade alemã era bombardeada, os radialistas recebiam fotos (em alguns casos até mesmo relatos de prisioneiros eram usados) para poder descrever para os ouvintes o que ainda estava de pé e o que podia ser guardado num cinzeiro. Como em qualquer rádio, os discursos de líderes nazistas eram repetidos, assim como propaganda do exército.

Qual a diferença? Quando se sentiu que já havia uma audiência cativa, começou a outra fase da emissora: a emissão de notícias que fariam confusão e discórdia. 

Em alguns casos faziam quase a mesma coisa que aconteceu na letra daquela música dos Paralamas - "Vital andava a pé e achava que a vida estava mal.. [..] conselho de seu pai - motocicleta é perigoso, Vital". Então, faziam propaganda de oficiais que recebiam medalhas por ações completamente estúpidas, como movimentar seus soldados à luz do dia (os outros imitavam e ficava mais fácil para os americanos bombardearem as tropas). Divulgavam de forma indireta que a disciplina estava de mal a pior. Noticiavam batalhas que nunca existiram. Do jeito que funcionaram na segunda fase, era quase a mesma coisa que contratar um jogador de futebol super craque para fazer baderna na concentração em noite anterior à jogo de decisão.

Mentiras Literárias:

Um dos maiores casos de falsificação do século XX foram os famosos "Diários de Hitler".

"Descobertos" por um repórter da revista alemã Stern, Gerd Heidemann, que comprou-os do antiquário Konrad Kujau. A  "história" era que tal material estava num avião derrubado. A revista pagou uma nota pelo material e outras revistas, como a Newsweek também entraram com dinheiro vivo para garantir os direitos de publicação. Teve até um sujeito de Cambridge, Hugh Trevor-Roper, historiador renomado, que checou e garantiu a autenticidade dos documentos. Só teve um probleminha: a análise química do papel revelou o uso de polyester. Que não era usado durante a II guerra mundial. O próprio tipo de papel do diário só ficou disponível para o mundo a partir de 1955. 62 volumes.. tudo falso! a dupla Heidemann-Kujau ganhou 4 anos de estadia gratuita (prisão) por conta disso. Existe até filme desse lance.

O plágio é algo muito comum no mundo tudo. No Brasil, putz, nem vou falar. Existem caras se posando de  "hacker" e escrevendo textos totalmente copiados de outros textos famosos na internet. As vezes até colocam no finalzinho, (lá numa parte onde ninguém lê) que reconhecem não serem os autores oficiais. O pior é que são textos horríveis (alguns até úteis porém desatualizados). E a moçada paga para ler esses  "marci@nos". Alguém conhece um desses casos?

Mentiras Cinematográficas:

O caso mais notável seria a lenda da  "Bruxa de Blair". Alguém assistiu esse filme? Manja só:  "Em Outubro de 1994, 3 estudantes de cinema desapareceram nas matas perto de Burkittesville, Maryland, durante a filmagem de um documentário. Um ano depois, os filmes da filmagem foram recuperados". Nem vou gastar meu tempoO filme "F for Fake" de Orson Welles é outro, muito bom sobre o assunto. O tempo todo parece um documentário, mas trabalha o tempo todo o que é falso e verdadeiro.

Boatos e Fofocas

O que seria a imprensa brasileira sem os boatos? O que seria de várias revistas sem as fofocas?

Advogados

Há muita piada sobre advogados. A REVISTA DA FOLHA de 20/05/01 publicou uma extensa reportagem sobre o assunto. Não é engraçado. Mais de 7.000 queixas por ano na Ordem dos Advogados do Brasil. Só 3 advogados perderam o direito de exercer a profissão e me parece que a Ordem não divulga os nomes. É bom saber que algumas áreas da advocacia são perigosas. Advogados criminalistas, por exemplo, tem uma expectativa de vida baixa (talvez por que alguns clientes decidem por formas menos burocráticas de resolver diferenças jurídicas e/ou relativas a incompetência). É possível que o mesmo advogado que você contratou para processar alguém aceite dinheiro da outra parte. No caso, pode ter certeza que você será o último a saber. Acredito que é bem comum, essa prática. Muito cuidado.

Política?

Voltando ao assunto.. Abraham Lincoln (o último cara que conseguiu ser presidente dos EUA a despeito de ter sido madeireiro), dizia (entre outras) que  "é possível enganar todos durante pouco tempo, também é possível enganar poucos durante muito tempo mas não é possível enganar todos durante todo o tempo". E tinha até razão. Só que pela estatística, basta enganar a grande maioria (entre 50% e 90%). Com isso já se ganha qualquer votação e só com a ajuda da televisão é que se pode tentar tirar o sujeito do cargo. Lincoln talvez não conhecesse esse lado da imprensa, quando falou aquilo (mesmo que tivesse idéia, seria só mais uma mentira entre tantas que todo mundo escuta). 

Mesmo que conhecesse, ainda tinha o fato de que um político fala aquilo que interessa para que o povo o apoie.

Sobre isso, ver o regime nazista. Adolph Hitler conseguiu convencer todo mundo. Inovou as técnicas de propaganda (pergunte a qualquer publicitário). Uma máxima era que "a mentira, repetida muitas vêzes, vira verdade". Triste, né? As técnicas de propaganda inventadas pelo partido nazista são bastante simples e práticas. E muito usadas até hoje, para vender carros, políticos, religião, etc:
  • O conteúdo da mensagem tém que ser simplificado ao máximo, visando compreensão imediata
  • O melhor horário para dispersão de determinada mensagem é à noite, quando o indivíduo chega cansado em casa e está com menor disposição para pensar (aceita qualquer besteira).
  • A mensagem deve ser repetida ao máximo, em todos os meios de comunicação.
  • etc, etc..
Deve ser pensando em melhorar suas chances com o público que os políticos brasileiros detém 3.000 dos 5.000 concessões de rádio existentes no país (sem falar em emissoras  "piratas" que são de políticos). Aquele deputado, dono de construtora cujo prédio desabou no RJ, era dono de uma estação de TV. Ah, sim, o resto que não está nas mãos de políticos, está nas mãos de empresários ligados a políticos.

Acreditar naquilo que este ou aquele político (ou mesmo as chamadas  "fontes seguras") dizem na imprensa é um jogo de advinhação. Pode-se escrever livros sobre isso. As vezes fica uma coisa de negar o tempo todo boatos que são verdade cristalina, depois. Apesar que algumas vezes é necessário manter o segredo. Se existe hipótese de congelamento e isso é divulgado com antecedência, todo mundo reajusta os preços. Se todo mundo acreditar que a moeda vai desvalorizar em 20%, os preços são reajustados e a moeda é realmente reajustada em 20%.

Algo muito interessante é o chamado cover-up, gíria americana, para invencionices para a imprensa divulgar, quando tudo dá errado. A expressão em si tem a ver com cobertura. Mas é usada quando alguém (às vezes o governo) faz uma besteira gigantesca. Alguém tem que inventar alguma história para abafar ou encobrir o caso. O público mais esclarecido normalmente percebe que se trata de um embuste. Mas a história de cobertura é destinada à velhinha de Taubaté.

Esta velhinha (a nova geração não conhece) é um personagem das crônicas do Luiz Fernando Veríssimo no final da ditadura. Relembrando: o Brasil já tinha tido a censura e o tempo áureo das vitórias do regime militar estava para trás. A inflação subia, desemprego. Ninguém mais acreditava no governo. Menos uma velhinha que morava em Taubaté, com seu cachorro de estimação (chamado Átila, nome do porta-voz do governo). Enquanto essa velhinha acreditasse que o Brasil estava indo bem, os banqueiros internacionais continuaram achando que o governo militar tinha  "sustentação popular". Era a única pesssoa (personagem de crônica) que ainda acreditava nos desmentidos de escândalos e besteiras dos choques econômicos.

Nos EUA, existem escândalos dos quais até hoje o governo e alguns políticos se recusam a explicar totalmente, com medo das consequências. Vários estão na página http://www.whatreallyhappened.com/

Uma coleção de casos do tipo "tem algo podre no reino da Dinamarca". O caso de Mônica Lewinski foi apenas um que foi explorado até as últimas consequências, sem resultado, Clinton continuou lá. O caso do Wacko foi o que mais deixou o governo americano de calças na mão. Não vou contar a história toda, mas muitos devem ter visto referências a esse incidente em desenhos animados, como no South Park e em filmes, como  "Até as vaqueiras ficam tristes". Basicamente trata-se de um rancho de crentes que foi cercado e depois invadido. Só que algo deu errado e houve um incêndio gigantesco que queimou as famílias dentro do rancho. Uma série de procedimentos policiais teria sido feita de modo errado e história contada pela polícia não cheira bem. Em suma, desconfia-se (alguns tem certeza) de que foi um escândalo (mal abafado). Outra seria o caso da contagem de votos na Flórida, da qual já falei na matéria Hackers e as Eleições. Se você quiser pesquisar mais  "podres", alguns muito bons estão no site Skeleton Closet (Armário de Esqueletos) http://www.realchange.org .

O filme Wag the Dog mostra um presidente americano (papel interpretado por Justin Hoffman) que não hesita em declarar uma guerra contra um país qualquer só para que a imprensa pare de falar no escândalo que tem com sua secretária. Outro seria o filme Em nome do Pai, que conta a história de 2 jovens (e mais um monte de gente) presa por um atentado terrorista na Inglaterra. Simplesmente obrigaram 2 jovens a confessar (através de tortura mental e chantagens) o atentado a bomba. Dessa forma o governo inglês passaria uma imagem (para o povo) de que estaria preparado para combater a ameaça de novos ataques. A questão é que a medida que vai ficando patente que os presos são inocentes, descobre-se também que o governo que os mandou para uma prisão de segurança máxima para cumprir pena perpétua sabia que eram inocentes.

Quanto aos escândalos brasileiros, basta ler os jornais. Sempre tem alguma coisa que não querem explicar, acham um culpado (que é comodamente chamado de SUSPEITO). Esse cara aparece na mídia como se fosse o criminoso. As investigações são cobertas passo a passo, como se fosse um filme americano de mistério, publicado dia-a-dia nos jornais.Um tempo depois as notícias começam a rarear e quando você percebe, talvez um ano depois, aparecem as notícias de que as provas eram inconclusivas, houve um engano e inocentes pagaram pelos culpados. Isso quando não ficam adiando o resultado para ver se o povo esquece do assunto.

Quem se lembra do que aquele político disse há anos "o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde", sem saber que a câmara estava ligada e a conexão via satélite também, resultando numa queimação de filme logo nas primeiras semanas de um governo tido como esperança contra a corrupção? Se a imprensa insiste em mostrar os "podres" do passado deste ou daquele político, não consegue saber nem a agenda dele no dia seguinte. Nunca mais recebe colaboração nenhuma do sujeito (que pode chegar a ser ministro ou quem sabe, presidente, algum dia). Com medo desse futuro, o passado (bastante ruim) de alguns políticos não é vasculhado. Claro, ainda há a possibilidade de se sofrer outras represálias mais sérias.

Finalizando:

Não dá para finalizar. Comecei querendo escrever sobre algo bem específico, foi aumentando, aumentando. Se brincar, qualquer dia escrevo mais sobre o assunto.

Bibliografia:
BRANT, Joseph E. - Segredos da Guerra Psicológica. Ed. Difusora Cultura. São Paulo, SP
Revista Caros Amigos - Ano 1 - Número 2 - Maio 1997
WEIL, Pierre - O corpo fala - Editora Vozes
Revista Caros Amigos - ano 1 - n 2- maio 1997