quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - NEM TODOS TEM CAMINHOS PARA O SACERDÓCIO

Este assunto entre os demais postados hoje, digamos de passagem é o de maior ponto de POLÊMICA em nossos dias. 

Desde os tempos primórdios do CANDOMBLÉ ou até mesmo da UMBANDA SAGRADA, para se alcançar o posto de PAI DE SANTO/ MÃE DE SANTO (Umbanda) ou BABALORIXÁS/IALORIXÁS (Candomblé). Sempre existiu, e ainda hoje, naquelas casas que de fato buscam fazer as coisas como a tradição pede e manda, existe um tempo certo pra tudo, até se chegar ao posto e recebimento de tão grande CARGO OU FUNÇÃO

Mas existem outras realidades que devemos por em pauta. Será que todo o Yawô, que chega a completar os seus sete anos, recebendo a função de Egbomi, vem a ser um BABALORIXÁ OU IALORIXÁ? A resposta é única: NÃO! 

Tem se visto por ai, muitas casas dizerem: "TODOS AQUI PODEM SER BONS PAIS DE SANTO OU BOAS MÃES DE SANTO". Se fosse assim, pode ter a certeza que a cada esquina teria um terreiro, ou um Ilê Asé. 

Dos mais antigos, aos que buscam de fato fazer as coisas certas, bem sabem que a função PAI/MÃE DE SANTO ou BABALORIXÁ/IALORIXÁ, por si só tem um peso enorme de responsabilidade. Pois todos que exercem esta função, antes de mais nada tem de se conscientizar que nada mais são que ZELADORES DE SANTO. Onde vidas são postas ali nas mãos dessas pessoas para serem zeladas. 

Vamos pegar alguns exemplos que infelizmente não estão mais entre nós fisicamente: 

PROCÓPIO DE OGUM; 

MÃE MENININHA DO GANTUÁ; 

TATÁ PÉRCIO DE XANGÔ; 

Pessoas que de fato, foram antes de mais nada "CONFIRMADAS" pelos ORIXÁS a exercerem tal função. Confirmação esta dada em IFÁ, para muitos "JOGO DE BÚZIOS". 

A "coisa" não é só completar os seus sete anos e pronto. Já se vai abrindo uma casa de santo, raspando cabeças a torto e a direito, como que numa competição para dizer: "OLHA JÁ TENHO TANTOS FILHOS DE SANTO". Pode parar com isso, quem pensa assim, infelizmente dessa forma. 

Além de vermos hoje em dia, e isso é triste, pessoas totalmente despreparadas, assumindo cargos de PAI/MÃE DE SANTO ou BABALORIXÁS/IALORIXÁS. Uma situação que esta crescendo numa proporção enorme. Ainda vemos coisas piores: YAWÔS, se posicionando como tais. Mal acabam de completar seus TRÊS ANOS, ou nem isso, e já saem raspando pessoas por ai. 

Como assumir uma função destas sem poder oferecer aquilo que naõ se tem? DESCULPE mas é impossível!!! Para se ter essa noção antes de mais nada não se visa ter casas abertas, verdadeiros monumentos arquitetônicos ou ate´mesmo casas cheias para dizer que é o bom. Precisa ter conteúdo. Preceitos. Como exigir um dia comprometimento e obediência de alguém se estas pessoas não o foram nem comprometidas muito menos obedientes de esperar o tempo certo? 

Como se exigir algo de alguém que naõ se fez em sua própria realidade? Fica difícil né! 

Vejamos o que este texto que recebemos da própria CASA DE OXUMARÊ nos diz:

Nem todos têm caminho para o sacerdócio.


A formação do Sacerdote de culto de òrìsá e longa e penosa. As noites, as histórias contadas e guardadas, os ensinamentos passados e as duras lições das madrugadas frias ou abafadas. As indagações, a insegurança e o verdadeiro clamor pela fé.

A sabedoria, o conhecimento e a sensibilidade, advêm de saber muito mais ouvir do que falar, o precioso silencio, o saber que na hora exata tudo se mostrará, faz de figuras ímpares os verdadeiros disseminadores do amor e da fé de nosso culto maravilhoso, explendoroso e mágico. 

Não basta a vontade, tem que ter 'tombo', ser o escolhido e ser verdadeiramente "verdadeiro" em seus propósitos. Ser sacerdote é calar, admirar e adorar quando se está diante de uma divindade. 

Diz um itan: 

Foram os Babalawo que fizeram a adivinhação. Quando Ómósile veio para à Terra, foi consultar com os Babalawo para saber qual deveria ser a sua profissão para ter uma vida prospera. 

Eles lhe disseram que deveria se dedicar ao mercado. E que somente rendesse culto às divindades, sem exercer o sacerdócio. 

Ao chegar ao Mundo, Òmósile esqueceu-se do mercado e iniciou-se no culto aos Orisa. Sem ter os devidos conhecimentos, abriu seu próprio templo sem fazer os ritos nem os ebo necesários. Começou em pouco tempo a trabalhar com a religião e a iniciar outros. 

Èsù, olhando que o templo feito por Ómósile não tinha a permissão das divindades, fez mexerico entre alguns seguidores de outro culto, dizendo que Òmósile fazia bruxaria para eles. 

Avisados por Èsù, foram pela noite até o templo de Ómósile e atearam fogo. 

Ao outro dia, quando Ómósile chegou e olhou tudo queimado, foi para a adivinhação. Os Babalawo disseram que deveria esquecer-se da religião, pois não era seu caminho, pois deveria ser comerciante e apenas render culto às divindades sem exercer o sacerdócio. Lhes aconselhou que fizesse ebó para achar o caminho da prosperidade. 

Ele fez o ebó. 

Ao tempo, sua vida mudou para melhor e começou a prosperar com as vendas. Casou e teve muitos filhos. Ele cantou e dançou em louvor aos Babalawos que fizeram a adivinhação. 

"Nem todos tem caminho para o sacerdócio.” 

Sabedoria celeste. 

Por: Bàbá Osvaldo ómó Obàtálá. 

Assim, com este texto, finalizamos este assunto e novamente dizemos não basta fazer filhos de santo. Mas tem de saber zelar, cuidar e fazer crescer.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ÉTICA E O SACERDOTE

Quando vemos uma criança apontar um coleguinha como sendo o culpado por uma de suas travessuras, já podemos imaginar como vai ser o futuro dessa pessoa se não houver a interferência dos pais.


Nas diversas áreas podemos sentir as distorções de personalidade, e a falta de caráter, de um indivíduo, que muitas vezes começa lá na infância; quando isso é notado em um sacerdote, me faz lembrar uma conhecida frase Yorubana ( En ti ase loore ti ko Du pé buru ju olósa Ti ó kò ní léru ló) aquele a quem concedemos bondades que não expressa gratidão, é pior que o ladrão que rouba nossas coisas.

Quando confiamos em alguém, nossa fé, isso nos torna vulneráveis, abrimos nosso coração e expomos nossas feridas, assim como as mais profundas angústias de nossa alma e, muitas vezes, reconhecemos naquela pessoa um elo de ligação com o sonho e a esperança da realização, e isso nos conduz a conceder bondades a esse suposto confiável, amigo, e orientador.

Quando uma consulta a um sacerdote acontece, nos desnudamos e assumimos nossas falhas, e nossa real condição de impotência para lidar com o desconhecido ou com o inesperado.


Isso coloca, o então, senhor da resposta,como solução as nossas angústias e lhe concede o direito de colocar na solução, custos, mesmo que algumas coisas jamais possam ser pagas, quando de fato acontecem.

A condição de solucionador de problemas do corpo e do espírito, não é verdadeira, na realidade o sacerdote, é somente um elo de ligação, entre a solução e o problema, isso não justifica algumas vaidades exteriorizadas, quando do sucesso do tratamento, até porque a solução partiu do Orisa e não do sacerdote.

Quando analisamos do ponto de vista ético, um orientador, jamais deve afastar uma pessoa de sua religião, e sim fortalecer nela aquilo que naturalmente se desenvolveu: confiança, credibilidade e esperança; jamais tal comportamento deve unir o adepto ao emissário e sim a divindade.


Nada mais justo que por esse caminho não trafegue a ilusão, o dever de quem orienta é ajudar a sonhar e jamais iludir.

Quando buscamos em uma consulta aos Orisas, orientação, evidentemente que os interesses do sacerdote, devem ser omitidos, assim como a opinião pessoal do mesmo.

Tal fato transfere a responsabilidade ao Orisa que orientou, mas em nenhum momento isenta o sacerdote da interpretação.

Acredito de fato que quando alguma coisa deixa de acontecer é um erro de interpretação e nunca um equivoco divino.


Assumir tais erros, é um ato de coragem, e sem dúvida, é uma questão ética, considerando o fato que, além dos interesses envolvidos, houve uma expectativa gerada, nada mais justo que um resultado positivo seja sentido, e a resposta aos questionamentos venha como solução ao problema.

Assumir responsabilidades é um atributo de quem oferece soluções.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - POR QUE OS ANTIGOS VIRAM SEUS COPOS?

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs), saudações e grandes saudades. 

Muitos devem ter se perguntado o motivo de ter demorado de postar algo aqui. Mas o fato é que andamos muito ocupados nestes dias. Com assuntos diversos aqui para serem resolvidos. Mas graças a Deus, Ogum e a Oxaguiãn, aqui estamos novamente para dar andamento ao nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ

Hoje, estamos compartilhando algumas novidades interessantes que achamos convenientes postar aqui para crescimento de todos e claro familiarização com os tempos atuais de nossa RELIGIOSIDADE

Entre elas esta postagem vinda do FACEBOOK, mas que de fato é de grande aprendizado pra todos nós. Tirada do BLOG DA CASA DE OXUMARÊ.


Porque as Pessoas Antigas do Candomblé Emborcam o Copo após Beber? Mania de Gente Antiga, ou Conhecimento da Religião? 

É muito comum, sobretudo em Salvador, observamos os antigos membros do Candomblé emborcarem o copo após terem bebido qualquer coisa. Muitas pessoas acham que é mania de gente antiga, mas porque eles fazem isso? 

Uma antiga história Nago, diz que Ògún viajou por longos sete anos, desbravando novas terras. Ao retornar para a sua cidade, Ire, ninguém o reverenciou, pois estavam em voto de silêncio que durariam sete dias. Além do silêncio, ficariam em jejum, razão pela qual, esvaziaram todas as vasilhas que continham água, para evitar olhar para o líquido, o que lhes daria mais vontade de beber. 

Ogun ficou muito irritado, pois ninguém o reverenciou e, ao ver muitos copos, começou a procurar algo para beber e saciar sua sede. No entanto, todos estavam vazios, afinal toda a população ficaria em jejum por sete dias. Sem conseguir imaginar a razão daquilo, Ogun cometeu um grande ato violento contra aquelas pessoas, dizendo que ninguém o reverenciou e ninguém deixou nada para que ele pudesse beber. 

Seu Pai, ao chegar e ver o que Ogun estava fazendo, o advertiu, lembrando que todos estavam em voto de silêncio, razão pela qual as pessoas não o cumprimentaram e, todas as vasilhas estavam vazias, sendo que eles estavam de jejum. 

Em lembrança dessa história, as pessoas na casa de Candomblé, após beberem, viram o copo, para que Ògún saiba que eles estão vazios, não despertando a sua ira. 

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoado todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - POR QUE JOGAMOS ÁGUA NA RUA?


Porque Jogamos Água à Rua? 

A misteriosa Religião dos Òrìsàs é norteada de costumes e dogmas, um deles é aquilo que chamamos de “despachar a rua”, que condiz em jogar três punhados de água, antes de entrar ou sair de casa. Mas porque fazemos isso? Primeiramente é importante recordarmos da importância da água na nossa cultura. No Candomblé não se faz nada sem água, ela que umidifica, resfria e fertiliza. Nós mesmos, antes de nascermos, no útero de nossa mãe, ficamos o período gestacional na água do ventre materno, somente isso já seria o suficiente para sermos gratos à água diariamente, afinal, sem ela não existiríamos. 

Há muitos momentos em que despachamos a porta. As ocasiões mais comuns são ao acordamos, ao sairmos de casa e ao retornarmos para casa. Mas não são somente nesses momentos. Por exemplo, há determinadas cantigas que retratam um momento de muita turbulência na vida do Òrìsà, podendo despertar sua cólera se entoadas em momentos inoportunos. Nessas situações, o Babalòrìsà ou Ìyálòrìsà, sempre atento, solicita à uma antiga egbon, que jogue água à rua, apaziguando o Òrìsà que foi recordado de um momento adverso em sua vida no Aye. 

Em suma, em todos esses momentos, o objetivo é apaziguar. Há uma frase em yorùbá que diz “Somente a Água Fresca Apazigua o Calor da Terra”. Ao acordamos, despachamos a porta, recitando palavras que tem por objetivo, pedir que aquele dia seja de tranqüilidade e de harmonia. Quando estamos saindo de casa, jogamos água à rua, rogando à Èsù Oná (O Senhor dos Caminhos), que aquela água, apazigúe os caminhos que vamos percorrer e que, sobretudo, não nos deparemos com situações que nos exponha a riscos. 

Ao entrar na Casa de Candomblé, por exemplo, despachamos a rua, pedindo licença aos Donos da Porteira, reverenciando-os sempre. Em muitas casas de Candomblé a porteira está sempre aberta, isso não significa que não há dono, muito pelo contrário. Nesse aspecto, pedimos licença (Ago) aos Donos da Porteira, mostrando nosso respeito e, pedindo que a água resfrie a terra, até o momento em que, vamos nos purificar por meio do Omi Ero ou Omi Agbo, para poder então, partilhar do convívio no Terreiro de Asè. 

Por isso, jamais se esqueçam, apazigúe a terra antes de caminhar sobre ela. 

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoado todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ÁGUA, A FOLHA E A PEDRA

Certamente que encontrar a essência do orisa,não é ir à áfrica,existem várias essências no ritual de culto aos Orisas,nunca deveríamos confundir com ir até as origens.


Durante a iniciação de uma pessoa de Osun , retiramos a água do rio que será usada nos rituais,essa é uma forma de extrair a essência,assim como quando preparamos as folhas maceradas ou calcinadas também estamos extraindo parte do conjunto necessário ao culto do orisa em seu Igba (vasilha de assentamento),no momento que seguramos em nossas mãos um minério de ferro e invocamos Ogun em seu igba sentimos a presença do orisa,mesmo quando uma pessoa retira das águas do rio um okuta (pedra) cor amarelada, que não tem nenhuma rachadura obtemos uma das essências de Osun.

A brancura do okuta de formas delicadas representa certamente um dos princípios de Obatala,mas é com a inclusão de outras essências como o efun e o chumbo e as folhas certas, que formam um conjunto de elementos que caracteriza o início do assentamento, mas o ofo (encantamento sagrado) certo, e o ase (axé) de quem o pronuncia é que vai completar o ritual,a escolha do sacerdote continua sendo o elemento que dá o equilíbrio.

Então a escolha do individuo permanece como o ponto fundamental em todas a situações,o acerto, ou o erro vai caracterizar o sucesso ou o fracasso de uma iniciação.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DO PANO DA COSTA - PARTE II



PANO DA COSTA - PARTE II

Presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileiras, o pano – da - costa, não é apenas um complemento da indumentária da mulher; é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros, aqui no Brasil, claro. 

Observemos a profunda conotação sócio religiosa desse simples pedaço de tecido, que atua em tão diversificadas situações, desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivência dos rituais africanos. O pano – da - costa é assim chamado por ter sido um tipo de tecido vindo da costa dos escravos, Costa Mina, Costa do Ouro. O tecido original foi substituído por outros tipos de tecidos, o que não diminui em nada as funções do pano – da - costa. 

O pano – da - costa identifica a mulher feita, iniciada, aqui no Brasil, mesmo que ela não esteja de roupa de santo completa. Mas na realidade, esse pano, protege as costas das mulheres, e servem de “carrega bebê”. Nada mais que isso. Aqui no Brasil acabou virando indumentária religiosa. O que não é. 

A situação do pano – da - costa é de maior importância, se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócio religioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade, isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher. Nos sirruns / axexes, a mesma proteção ta, ateado como capa envolvente mágica, aparece guardando as mulheres das presenças de egum. 

O pano – da - costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos africanos, porque uma das principais funções do mesmo é proteger os órgãos reprodutores das mulheres, das Yamis. 

Nos rituais de sirrum / axexe as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios. 

O pano – da - costa deve ter no mínimo 60 cm de largura para que possa proteger os órgãos que necessitam de proteção. As famosas mães de santo não usam o pano-da-costa na cintura nunca. 

No Rio de Janeiro e outros estados, onde a chamada evolução está destruindo e recriando situações a bel prazer, convencionou-se que o pano – da - costa deve ser usado de acordo com a idade de santo, isto é, só usa preso acima dos seios aquelas que ainda são yaos. Esta errado, pano – da - costa é para ser usado dessa forma mesmo independente da idade de feitura, quando muito, pode-se enrolar até abaixo dos seios. 

De alguns anos para cá os homens aderiram o pano – da - costa, mas nenhum deles até agora explicou o porquê de usá-lo e nem podem explicar, pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino. E pior ainda, o usam na cintura. Para proteger o que? 

Observem que as santas mulheres usam o pano – da - costa, os santos homens usam o pano - da - costa amarrados no ombro lembrando um Alaka (esse sim pertence ao homem) ou amarrado para trás, ou simplesmente ficam com o peito nu adornados pelas contas e brajas. 

Em algumas casas encontramos abians usando pano da costa, não considero este procedimento correto. As abians ainda não tiveram seus pontos de energias abertos durante uma feitura, portanto as mesmas não necessitam dessa proteção ainda... 

Kolofé

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DO PANO DA COSTA


PANO DA COSTA - PARTE I

Presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileiras, o pano – da - costa, não é apenas um complemento da indumentária da mulher; é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros, aqui no Brasil, claro. 

Observemos a profunda conotação sócio religiosa desse simples pedaço de tecido, que atua em tão diversificadas situações, desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivência dos rituais africanos. O pano – da - costa é assim chamado por ter sido um tipo de tecido vindo da costa dos escravos, Costa Mina, Costa do Ouro. O tecido original foi substituído por outros tipos de tecidos, o que não diminui em nada as funções do pano – da - costa. 

O pano – da - costa, identifica a mulher feita, iniciada, aqui no Brasil, mesmo que ela não esteja de roupa de santo completa. Mas na realidade, esse pano, protege as costas das mulheres, e servem de “carrega bebê”, proteger órgãos importantes como os do ventre e os seios por exemplo. Nada mais que isso. Aqui no Brasil acabou virando indumentária religiosa. O que não é. 

A situação do pano – da - costa é de maior importância, se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócio religioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade, isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher. 

O sentido protetor do pano – da - costa é outro aspecto que merece atenção. As Yaos, ao terminar o período de feitura começam a travar seus primeiros contatos com o mundo exterior protegidas pelo pano – da - costa branco, que representa o prolongamento do Ala de Oxalá, envolvendo praticamente todo o seu corpo no grande pano - da - costa, procura manter os valores religiosos de sua feitura quando em contato com os valores profanos encontrados extramuros dos terreiros. 

Nos sirruns / axexes, a mesma proteção ta, ateado como capa envolvente mágica, aparece guardando as mulheres das presenças de egum. 

O pano – da - costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos africanos, porque uma das principais funções do mesmo é proteger os órgãos reprodutores das mulheres, das Yamis. 

Nos rituais de sirrum / axexe as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios. 

O pano – da - costa deve ter no mínimo 60 cm de largura para que possa proteger os órgãos que necessitam de proteção. As famosas mães de santo não usam o pano-da-costa na cintura nunca. 

No Rio de Janeiro e outros estados, onde a chamada evolução está destruindo e recriando situações a bel prazer, convencionou-se que o pano – da - costa deve ser usado de acordo com a idade de santo, isto é, só usa preso acima dos seios aquelas que ainda são yaos. Esta errado, pano – da - costa é para ser usado dessa forma mesmo independente da idade de feitura, quando muito, pode-se enrolar até abaixo dos seios. 

De alguns anos para cá os homens aderiram o pano – da - costa, mas nenhum deles até agora explicou o porquê de usá-lo e nem podem explicar, pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino. E pior ainda, o usam na cintura. Para proteger o que? Observem que as santas mulheres usam o pano – da - costa, os santos homens usam o pano - da - costa amarrados no ombro lembrando um Alaka (esse sim pertence ao homem) ou amarrado para trás, ou simplesmente ficam com o peito nu adornados pelas contas e brajas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - APRENDIZADO, UM LONGO CAMINHO


• Longo Caminho do Aprendizado no Candomblé, por Candomblé é para quem tem FÉ

Há muito tempo me questiono sobre a forma como são educados os iniciados da nossa religião, já falei disso em outra oportunidade, mas agora, tenho dedicado mais tempo a desvendar os mecanismos do aprendizado e de apreensão das informações. Sem querer me passar por Antropólogo ou Historiador, somente um filho de santo com questões e dúvidas a esse respeito. 

O processo de aprendizado em uma Casa de Orixá, para mim, é uma troca constante e sempre em duas vias, aprende-se com os mais velhos e com os mais novos. Com os mais velhos da religião se aprende hierarquia, respeito e o modelo de funcionamento da Casa com suas quizilas e seus macetes. Com os mais novos se aprende e se relembra da inquietação dos tempos de noviço, quando queríamos aprender tudo ao mesmo tempo e agora. E vejo como é saudável esta busca, por que foi esta inquietação que nos trouxe até este blog, uns para buscar ajuda ou informação e outros para repassar o que dispomos de informações. 

Ao longo dos anos de aprendizado e observação se percebe que o tempo é o senhor do saber numa Casa de Orixá, é ele quem determina quando uma pessoa está apta a conhecer ou a saber alguma coisa. 

Numa Casa de Orixá não se antecipa o aprendizado, mas deve-se estimulá-lo, não se antecipam as obrigações, nem mesmo uma cantiga ou uma reza pode ser antecipada em sua ordem de entrada no xire, elas têm seu tempo e hora para serem colocadas, tudo em seu tempo certo. Mas é importante ressaltar que o “tempo certo” não pode servir de escudo para o não aprendizado e a sonegação de informações. Neste aprendizado se troca informação por sorriso, informação por ajuda no lavar dos pratos, informação por depenar galinha, informação por lavar as quartinhas, informação por informação. 

Os mais velhos quase sempre escolhem ou apadrinham aqueles eleitos a quem vão dar a informação detalhada, o fundamento, o segredo. Porém sempre fazendo absoluta questão de dizer (por palavras e gestos) que não ensinam e não sabem nada para ensinar. Muitas são as decepções dos mais velhos que investem seus esforços em ensinar e muitas vezes não são recompensados com o desejo tão intenso do mais novo em aprender, quanto o desejo do mais velho em ensinar. 

Os mais jovens normalmente escolhem aqueles mais velhos a quem irão pedir auxílio, é uma troca entre o saber ouvir o saber falar e o saber calar. Os mais novos as vezes se decepcionam com os mais velhos quando não conseguem a informação desejada no momento desejado. Mas é o tempo cumprindo sua função. 

Coió (bronca) deveria ocupar um capítulo a parte nas Casas de Orixá, em tudo e por tudo há um coió, as vezes engraçados, as vezes constrangedores, mas mesmo nos coiós há informação. 

O coió pode ser: Explicativo (“já te falei que só se corta os bichos pelas juntas, nunca se corta o osso, não falei?”). Inclusivo (“por que você não usa roupa estampada? Você já é velho bastante para isso, então use ta?”). Exclusivo ("por que você está usando roupa estampada? Você ainda é muito novo para isso"). E outros. 

O aprendizado é longo e cheio de regras, não se aprende tudo em único dia nem em único Bori, o conhecimento vem com a repetição dos gestos, das cantigas, dos rituais, das danças. Aprender é um eterno fazer e refazer, ordenar e reordenar os pensamentos e os conceitos predeterminados. Para aprender sobre o que não se vê, e Orixá não se vê, sobre o sentimento e sobre emoções, deve-se estar aberto ao inesperado, ao novo e até ao contraditório. 

Aprender numa Casa de Orixá é diferente de uma escola convencional, não há cartilha, nem quadro negro, muito menos professores. Mas há a cozinha…, o melhor lugar para dar e receber informação, lugar sagrado de se falar baixo e pouco, sobre o estritamente necessário. É na cozinha que se aprende de fato. É na sala que se confirma o que foi aprendido. 

Aprender numa Casa de Orixá é essencialmente observar, quando Abian (novato), se permanecer muito tempo abaixado e a visão pode ser comparada a de uma criança por entre as pernas e saias dos mais velhos, neste período há pouca informação, pouco conhecimento e poucas e raras responsabilidades. 

Quando Iaô, o ângulo de visão melhora e as informações têm mais conteúdo, principalmente os “coiós” e as responsabilidades lhes são atribuídas aos poucos. Quando Ebomis, as informações que foram recebidas e assimiladas ao longo dos sete anos que o separavam dos “segredos guardados” serão finalmente cobradas e exercitadas plenamente, o iniciado já está apto e pronto para…. informação e “coió”

Parece-me que a informação anda junto com “coió”, um depende do outro é uma relação de amor. 

Muitos querem saber hoje o que só poderão saber amanhã, eles buscam de Casa em Casa, vão a todas, mas não se fixam em nenhuma e como costumamos falar eles “catam” a informação desejada, mas o aprendizado fica prejudicado, no Candomblé o que vale é o modo como se faz ou se fez na sua Casa na sua raiz e no seu Axé, foi assim que fomos ensinados. Informação extra Casa deve ser comedida e de fonte segura. 

O aprendizado no Candomblé se faz da seguinte forma: Mais ouvir que falar, mais fazer que perguntar. 

Um detalhe. A iniciação por si só não garante acesso a todas as informações no Candomblé. De fato, podemos dizer que as formas de aprendizagem nessa religião são variadas e complementares. Mas o cumprimento das obrigações “de ano” no tempo devido é que podem credenciar o iniciado ao saber mais profundo. Mas, enquanto algumas das assimilações de conhecimento podem ser substituídas, a hierarquia e tempo de santo, o convívio com a Casa e a observação ainda são imprescindíveis para se aprender candomblé. 

Uma Casa de Orixá está sempre em movimento, sempre ativa, sempre viva, portanto sempre disponível aos que desejam aprender, tanto a colher as folhas no local e horário correto, quanto a depenar e retirar os axés, o modo correto de acender ou apagar o fogo de lenha ou a usar roupa branca ou estampa adequada ao seu Orixá ou ao evento do dia. Em uma Casa de Orixá há sempre necessidade da colaboração de todos, da participação de todos, de todos e qualquer um. 

O aprendizado se dá na mesma velocidade com que você percebe que seus atos e palavras interferem, colaboram ou não para fortalecer a comunidade, vem com o tempo de iniciação? Sim vem, mas também com as boas amizades e com as trocas de bênçãos. 

Aprendizado no candomblé vem com o tempo…e humildade. 

Tomege do Ogum.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ASCENSÃO ESPIRITUAL


Autores de livros de auto-ajuda frequentemente listam coleções de atitudes e sentimentos que resultam em entraves para a trajetória daqueles que se empenham na sua evolução espiritual. Aqui vai a nossa lista de observações para o seu autoexame, com itens que consideramos perigosas armadilhas sempre à espreita do Ego desavisado e que podem conduzir a enganos, resultando em grande perda de tempo na senda: 

1. Não reconhecer a negatividade do seu Ego como fonte primeira de todos os problemas, tudo atribuindo a fatores exteriores. Deixar de vigiar e educar de modo correto o seu Eu Interior, mergulhando intensamente na vida espiritual e tudo ao sobrenatural atribuindo, em desconsideração ao aspecto psicológico da sua personalidade. 

2. "Amar" aos outros, descurando a si mesmo. Utilizar o álibi do "serviço ao próximo", ignorando as responsabilidades para consigo próprio e para com os seus dependentes imediatos. Quem não ama a si mesmo é incapaz de amar a quem quer que seja. Só compartilha quem dispõe de algo a ser compartilhado. A Escola Terra destina-se ao burilamento do Eu Divino que se encontra em estado bruto e revestido por camadas egóicas no interior de cada um. 

3. Comer incorretamente, ignorando a constituição química do seu corpo físico. Acreditar que numa alimentação que restrinja o prazer degustativo, ou no jejum, encontrará as chaves mágicas da ascensão espiritual. Não praticar exercícios físicos para cuidar do corpo físico que, afinal, é o nosso instrumento principal. Tender para o ascetismo e desligar-se demasiadamente das coisas da Terra, vitais para a nossa experiência em matéria. Identificar-se excessivamente com seus corpos mental ou emocional, sem ter ainda atingido o equilíbrio necessário. Considerar-se evoluído demais para estar na Terra, ao invés de tentar contribuir para uma mudança de paradigma aqui e agora. 

4. Exercer domínio sobre os outros através de ameaças e manipulações, sufocando as manifestações do seu livre-arbítrio. Deixar-se enredar pelo glamour e ilusão dos próprios poderes, acabando por esquecer o amor incondicional - onde reside o poder espiritual supremo. Ter a pretensão de acreditar e assegurar que está no "final da roda encarnações"

5. Tornar-se um extremista fanático, sem enxergar o equilíbrio do caminho do meio. Buscar argumento e justificativa nos dogmas das religiões formais, sem exercer com lucidez o seu próprio discernimento. Apoiar-se e depender da figura de um sacerdote ou guru como intermediário entre si e o Divino. 

6. Tornar-se sisudo, autoritário e formal, a ponto de privar-se da alegria e da diversão. Mascarar tranquilidade e suavidade, enquanto a presunção interior ferve com irritação e intolerância. 

7. Ser indisciplinado nas suas práticas espirituais, abandonando-as quando se envolve num relacionamento amoroso e conferindo prioridade a ele, em detrimento do seu processo interno. 

8. Esperar que Deus, os Mestres ascensionados - ou seja lá quem for - resolvam todos os seus problemas, intercedam pelas suas dívidas cármicas ou assumam as suas responsabilidades. Acreditar que alguém teve o privilégio de nascer "pronto" e que os Seres e Mestres ascensionados não trilharam o mesmo caminho dos desafios, provas que a evolução requer. 

9. Convencer-se de que o sofrimento e o cultivo da pobreza são méritos que poderão acelerar a sua evolução ou engrandecê-lo espiritualmente. O trabalho eficiente que produz frutos e riqueza que a muitos beneficia é uma bendita missão na Terra. Cada um tem o direito de honrar o seu próprio esforço e reconhecer o seu valor. O manto da humildade costuma servir de disfarce para a arrogância e o orgulho exacerbado. Falsa humildade não deve ser confundida com elevação espiritual. Quem conhece a sua verdadeira e ínfima dimensão perante o Divino, não precisa mascarar humildade, inferiorizando-se perante os seus semelhantes. 

10. Não fechar o seu campo energético, convencido de que "as boas intenções" o tornam imune a todas as influências negativas. Achar que, partindo da premissa de ser merecedor, seus desejos e pedidos devem ser sempre "atendidos". Ser bem-sucedido é muito gratificante, mas o objetivo principal da vida não é a obtenção de tudo o que se deseja. 

11. Viver na zona de conforto relaxando a vigilância sobre suas falhas, acreditando que está imune a quedas e retrocessos. 

12. Ler demais, não meditar o bastante e colocar em prática menos ainda. 

13. Considerar uma grande honraria poder servir como canal para entidades de outros planos, ao invés de expressar a sua própria voz. É preciso estar ciente de que, mesmo o mais evoluído dos Seres - da Terra ou de outro orbe - não detém o conhecimento total ou poderes ilimitados. Esta é uma prerrogativa da Divindade Suprema - que comanda todo(s) o(s) Universo(s) com seus muitos trilhões de galáxias. 

14. Forçar a elevação da sua kundalini e a abertura dos chakras, sem ter ainda o necessário amadurecimento em outros aspectos, como se isso, por si, assegurasse o acesso ao "nirvana". Portanto, o ideal é procurar equilibrar e integrar intuição, intelecto, sentimento e instinto, cada qual na sua devida proporção e valor. 

15. Considerar o seu caminho espiritual - quando não o único-melhor do que o dos outros e aferrar-se a este caminho como Verdade única e definitiva, sem considerar que as vias são inúmeras e que a impermanência é constante no Universo manifestado. É preferível abster-se de discussões ou da pretensão de, no entusiasmo das suas experiências, convidar o outro a experimentar as vivências que são suas. Para cada patamar há afinidades próprias e experiências particulares. 

16. Julgar as pessoas em função da sua antiguidade na senda espiritual ou do nível de iniciação que alcançaram. Gabar-se das próprias façanhas espirituais ou das dos seus mentores e guias. Forçar com ansiedade as próximas etapas, ao invés de concentrar-se na realização do trabalho - e nos dissabores - da etapa atual. 

17. Competir, comparar-se com outras pessoas e acabar invejando o sucesso alheio, ao invés de perceber que somos únicos, com dons e potencialidades próprias, cada qual segundo circunstâncias e vivências específicas. Por fim, jamais esquecer que o Caminho é individual e, portanto, solitário. Não se imbuir da busca infrutífera de uma eventual "alma gêmea", sem perceber que a sua própria Alma - a Mônada - dispõe de ambas as polaridades para se complementar plenamente. 

Por Òya gbémi – Eliane Haas 

Ìyá Ègbé Ilè Àsè Efunlase 

www.aguiadourada.com

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - VAMOS APRENDER A FAZER RICHILLIER?

Percebemos que o assunto de hoje, aborda a VESTIMENTA do membro de uma casa de CANDOMBLÉ. Muitos se preocupam claro com o famoso e bélissimo RICHILLIER. Uma fazenda de tecido, que na nossa RELIGIOSIDADE deveria ser usado após os SETE ANOS DE SANTO COMPLETOS


Mas curiosamente falando, hoje vemos o contrário, vemos irmãos(ãs) ainda com sua obrigação de um ou de três anos já usando. Sendo que o certo deveria ser uma LESSY ou algum outro tecido JÁ MEIO QUE BORDADINHO, pois ai eu pergunto: Se já esta usando RICHILLIER antes dos seus SETE ANOS ou que vai usar ao completá-los?

Mas como a proposta é passar a facilidade de fazer, devido aos altos preços que se encontram no mercado. Nada melhor que demonstrar, não é mesmo?! Desta forma, estou aqui apresentando estes vídeos para ensinar a todos como se faz o verdadeiro RICHILLIER bem como apresentar formas de ensinar a fazer o FALSO RICHILLIER e que possui um custo mais barato e com um resultado igual ou bem parecido ao encontrado por ai. 

Vamos lá?




Percebemos que para este serviço a dificuldade é mínima na sua execução. Desta forma, só precisamos de bons instrumentos de trabalho ao qual nos facilitem na sua confecção e quem sabe até fazer disto uma forma de renda para ajudar no rendimento familiar.


Bem me lembro que nos tempos antigos, muitos adeptos da nossa RELIGIOSIDADE, confeccionavam suas próprias roupas e hj em dia ainda existem casos de pessoas que praticam este hábito, muito louvável. Desta forma, pense se você também não pode confeccionar suas próprias roupas seja de função ou até mesmo as dos seus ORIXÁS OU DOS SEUS IRMÃOS DE SANTO

Bem sabemos também, que ainda possuímos uma forma mais prática e barata para fazer boas roupas com aparência de RICHILLIER. Estou falando o mesmo trabalho feito somente com tinta. Uma forma, mais prática onde seguimos a nossa criatividade para fazer de um tecido um belo RICHILLIER, que chame a atenção de todos.

Desta forma, apresento também outras formas de fazermos o FALSO RICHILLIER, que produz a mesma aparencia e que de fato nos ajuda a economizar de fato em nossa vestimentas. 

Aprenda com este curso:



Espero que tenham gostado desta sugestão e que de fato colabora para nossa realidade ESPIRITUAL.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ROUPA NÃO FAZ O HOMEM

A roupa não faz o homem


Em um país colonizado por um outro, de religião católica, é evidente a influência religiosa e cultural, percebemos esses traços a cada minuto. Quando andamos nas ruas sentimos os hábitos dos colonizadores presentes na cozinha, em nossa língua e na cultura, com influência arquitetônica e comportamental, moramos e vivemos como europeus, com raras exceções. 

Até ai estaria tudo correto é a história do vencedor sobre o vencido, natural e em todos lugares podemos sentir isso, porém é natural que com o tempo as pessoas consigam cortar tais influências, e terminem valorizando grande parte da essência original de uma cultura. 

Quando falamos das religiões, podemos citar claramente uma tendência, cada vez maior, dos católicos visitarem Roma na tentativa de se aproximar de sua raiz, o mesmo acontece com os Judaicos, e também com os muçulmanos que constantemente viajam para suas terras de origem buscando informação e aumentando o conhecimento religioso e filosófico. 

Para as pessoas que tem como religião o Orisa,  a própria palavra em língua Yoruba, mostra o caminho a ser seguido, nossas raízes estão na Nigéria nos estados Yorubas que fazem parte desse país. 

O natural seria com o tempo nos aproximarmos cada vez mais desse povo e tentar transformar a religião afro brasileira, em religião Yorubana, se falamos Yoruba nos rituais, e se cultuamos os Orisas divindades Yorubanas, isso é perfeitamente normal.


Em território Yoruba, as mulheres não costumam usar saia de armação, não usam sapatos para dançar para os Orisas; entre tantas outras coisas. Todos rituais são praticados com roupas muito simples e tanto homens como mulheres permanecem de pés descalços nos rituais. 

Isso é só um detalhe, em nossa terra ainda existe quem leva o iyawo na igreja para rezar. A minha pergunta é: será que nossos irmãos ignoram suas raízes ou admiram a origem de outras culturas; ou, seria pior ainda, tem vergonha da real condição de nossa essência? 

A roupa não faz o homem, em muitos casos podemos ver um comportamento padrão como se tudo seguisse a famosa receita de bolo da roupa branca, não sabem nossos irmãos que em muitos rituais o que menos importa é a roupa. 

É comum ver um sacerdote Yoruba praticando um ritual sem camisa, isso é natural. Praticamos uma religião que é muito fácil de entender. O Orisa nos conhece desde antes de nascermos e dele não escondemos nada muito menos nosso corpo, haja visto que em algumas iniciações, o uso da roupa é desnecessário e a divindade se é que podemos chamar assim, o Orisa não reconhece o indivíduo vestido. 

As informações estão a disposição das pessoas, mas a boa vontade em aprender tem que partir delas, e o esforço para retirar de suas vidas o preconceito, vai exigir muito. Temos que estar preparados para o encontro com nossas raízes que certamente não é em Roma, e muito menos em Salvador. 

Não tenho nada contra o povo baiano, bem pelo contrário admiro muito esse povo alegre e lutador, mas nossa raiz não está na Bahia e sim na Nigéria. Na Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, e no Rio Grande do Sul, assim como em outros estados que receberam grande número de escravos, foi e continua sendo vivenciada parte de uma história que começa em território Yoruba.


COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - AS VESTIMENTAS


Vestuário do Candomblé 

Roupa de ração é a roupa usada diariamente em uma casa de Candomblé. São roupas simples feitas de morim ou cretone. 

As roupas de ração podem ser coloridas ou brancas, dependendo da ocasião na roça de candomblé. Compõem o jogo: saia (axó) de pouca roda para facilitar a movimentação, singuê (espécie de faixa amarrada nos seios que substitui o sutian), camisu ou camisa de mulata, geralmente branco e enfeitado com rendas e bordados, calçolão (espécie de bermuda amarrada por cordão na cintura, um pouco larga para facilitar a movimentação e proteger o corpo em casos que se é necessário sentar no chão), pano da costa e o ojá, um pano que se amarra à cabeça. 

O axó tem uma representação muito grande no Jeje. A roupa fala de um simbolismo muito especial, que além de ético e moral, os axós dão para as mulheres posição e postura. É bonito se notar a forma e a reverência que estas roupas expressam em sua aparência e jeito: respeito acima de tudo! As mulheres de jeje, especialmente o mahin, quanto a composição de singuê, de xokotô (espécie de calça, também chamado "cauçulu" ou "calçolão"), saia, e camisu, compoem seu axó. 

O vestuário de uma Iyalorixá é diferente das roupas usadas pelas ekédis e yaôs, é caracterizada pelo uso da "Bata" que é usada por fora da saia com o camisu por baixo, nas casas tradicionais somente a Iyalorixá pode usar, se ela permitir suas filhas egbomis podem usar também, mas nunca permitirá o uso da Bata por uma ekédi, Yaô ou abian. 

A Bata é símbolo de cargo ou posto dentro da hierarquia do candomblé. O pano da costa dobrado sobre o ombro também tem sua representação, é um símbolo de cargo pois as Yaôs o usam amarrado no peito, as egbomis na cintura e Iyalorixás no ombro. 

Normalmente, saias e Batas de bordado richelieu , também só são usadas pelas Iyalorixás, assim como o pano da costa de Alaká africano. 

Os turbantes também chamados de torço ou ojá, usados na cabeça normalmente são maiores e mais ornamentados, assim como determinados fio-de-contas não podem ser usados por pessoas que não tem cargo, o (fio de ouro) por exemplo só pode ser usado por Iyalorixás com mais de 50 anos de Santo, símbolo de senioridade (como o usado por mãe Menininha). 

Além do simbolismo do vestuário, existem muitos objetos que podem ser caracterizados e usados somente por Iyalorixás e Babalorixás, o anél de ouro com um búzio incrustado é um deles. O brinco de ouro com búzio antes também exclusivo das iyalorixás tornou-se de uso comum, sendo usado até por pessoas que não fazem parte da religião. 

Na nação Jeje o uso do Humgebê só é permitido a quem já fez a obrigação de sete anos, ou melhor, é quando a pessoa recebe o hungebê que passa a ser um vodunsi. 

Outra característica do vestuário é o uso do Ojá na cabeça, no Candomblé Jeje quem é de santo aboró usa o ojá com uma aba, e quem é de santa Iyabá ou Aiabá usa duas abas.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA CANDOMBLÉ - CANDOMBLÉ PARTE III

Dando continuidade ao estudo APRENDENDO MAIS SOBRE O CANDOMBLÉ, estamos postando hoje a ultima parte desta primeira parte de uma sequência inúmera de assuntos que fazem parte de nosso amado CANDOMBLÉ, mas que aqui apresentamos de forma bem BÁSICA, pois isto compete a cada BABALORIXÁ OU IALORIXÁ fazer em seus ILÊS, junto aos seus filhos de santo.


Urupim ou Oropim 

É um ritual que ocorre logo depois do Apanan, na feitura de santo. 

Tem como objetivo despachar o cabelo dos iniciados e todos seus objetos que serviu na sua iniciação, como adoxu, Ekodidé, Mariô, resto de efun que usou em sua pintura e vários tipos de comida ritual. 

Tudo é devidamente embrulhado em pano branco, posto em um alguidar e colocado na cabeça do iaô, os cânticos são entoados, o noviço dá três voltas no barracão, seguindo para um rio ou mar, para entregar esta importante oferenda, que simboliza a despedida da sua vida de Abian. 

Este rito acontece também, toda vez que um adepto passa por ritual de raspar a cabeça, seja na mudança de nação ou quando for tirar a Mão de Vumbe.

ALGUNS PROCEDIMENTOS A SEREM CUMPRIDOS

Após alguns dias pesquisando sobre o assunto levantado: A INICIAÇÃO, bem como acrescentando alguma coisa do meu conhecimento adquirido sobre esta mesma questão. Sendo assim lhes apresento uma síntese prática sobre isto e espero que possam de alguma forma ajudar nas suas decisões. 

A finalidade deste texto é orientar as pessoas que não conhecem o candomblé. Porque se iniciar ou não no candomblé, bem como outros pontos importantes, dentro da religiosidade. 

A iniciação: Com a globalização que aí está e a Internet, vai ser muito difícil esconder segredos guardados a sete chaves como vinha sendo feito há uma centena de anos pelos antigos do candomblé. 

A finalidade de se guardar esses segredos era justamente para que não caíssem em mãos erradas e fossem usados para fins inescrupulosos, como já está acontecendo. O candomblé é uma religião iniciática mas nem todos nasceram para ser sacerdotes, gostaria de salientar que essa iniciação só deve ser feita em última instância, só em caso de extrema necessidade, quando não tiver outra alternativa. 

A iniciação no candomblé não é uma coisa que se faça levianamente sem observar as conseqüências provenientes de erros, caso o pai ou mãe de santo não estejam preparados devidamente para isto. 

Por que iniciar uma pessoa que não precisa ser iniciada? Só pelo dinheiro? 

Tem muita gente fazendo isso sem nenhum escrúpulo. São os mercenários de nossa religião, que não tem o menor respeito pelo Orixá, que dirá pelas pessoas desavisadas que caem em suas mãos. 

Sempre que for fazer uma consulta em qualquer casa de candomblé, fique atento, não dê dinheiro algum sem antes confirmar em outros lugares se é isso mesmo que estão dizendo. Se disserem que tem que fazer um ebó, borí, ou iniciação, vá jogar em outros lugares para confirmar a resposta do jogo, se for igual em pelo menos três lugares diferentes então faça. Caso contrário não faça nada, não gaste seu dinheiro sem saber se é realmente necessário. Caso for a primeira vez em que você busca a consulta pelo Jogo de Búzios, faça como os antigos, a famosa roda dos sete

Uma roda composta de sete jogos, com sete pais (mães) de santo diferentes. Mas que só você saiba a quem procurar ou a quem vai se dirigir e nunca diga a alguém que esta fazendo a Roda dos Sete. Pois se o jogo é verdadeiro de fato ou todos falarão a mesma coisa, ou como digo pelo menos três devem estar concisos. A partir daí você já saberá o caminho que deverá percorrer. 

Muitas pessoas pensam que é só fazer o santo e já pode ser pai ou mãe de santo, a coisa não é bem assim... Não é porque a pessoa se iniciou, que obrigatoriamente terá que abrir casa ao completar sua iniciação na obrigação de sete anos. Não são todos filhos de santo que tem cargo para ser um sacerdote. O sacerdote já nasce com essa missão e em proporção seria 1 em cada 1000 que deveria se preparar para essa árdua tarefa. 

O que está acontecendo no candomblé é uma distorção grave, quando se pensa que todo iaô tem que abrir casa. Um absurdo. Muitos não tem nem fibra e nem capacidade para ser um líder, abrem suas casas e depois de um tempo despacham tudo no rio e vão para as igrejas de crentes como se isso resolvesse o problema. 

E os culpados disso são os pais e mães de santo que inventaram essa nova modalidade de ganhar dinheiro, pois cada iaô que o incompetente for tirar, terá que chamar o pai ou a mãe para raspar porque ele não sabe. Pois não conviveu o tempo suficiente na roça para aprender o mínimo necessário e já abriu uma casa. 

Mesmo com pais ou mães de santo competentes, é preciso saber que candomblé não se resume às festas de barracão, a festa é só a ponta do iceberg, não é só chegar na hora da festa para dançar, candomblé não é só isso. 

O candomblé propriamente dito começa uma semana antes de cada festa, com muita gente na casa lavando, passando, cozinhando, limpando e enfeitando, quando você entra no barracão e vê as bandeirinhas no teto da cor do Orixá que está sendo homenageado, alguém teve que comprar, cortar e colar as bandeirinhas e colocá-las no lugar para que o barracão fique bonito. 

As anáguas, toalhas brancas, ojás precisam ser engomadas e passadas, (detalhe na maioria das roças é no tanque por não ter máquina de lavar, e se tiver não é usada porque gasta muita luz) isso normalmente é feito pelas Ekedis ou pessoas que moram na casa de candomblé, mas e as suas anáguas quem vai engomar? Quem vai passar? É durante o período de abian que muita gente vai aprender a lavar suas roupas, engomar e passar para poder usar na festa. 

Se você não sabe lavar roupa ou nunca lavou vai ter que aprender ou pagar para que alguém faça por você. Na maioria das vezes é do que vivem as pessoas que moram dentro de uma casa de candomblé, lavam e passam as roupas dos que não sabem ou não tem tempo para fazer. 

Durante a semana diversas obrigações são feitas, de acordo com a determinação do jogo de búzios, Exús, Eguns e os Orixás homenageados. Os bichos tem que ser limpos por alguém e tratados pois será servido uma parte para os Orixás e outra parte para todos os presentes na festa. Você já limpou uma galinha, um pato, um pombo ou um cabrito? 

Ah! tem dó?!!!, Tem nojo? ah bom!!! Então pode ir pensando no assunto, na hora de tirar as penas todo mundo tem que ajudar não importa cargo, é uma das coisas que os abians e iaôs podem fazer. 

Alguém precisa limpar a casa e deixar impecável para que ninguém saia falando. Isso os abians e iaôs também podem fazer sem problemas, se você nunca varreu sua casa, vai aprender a varrer barracão e quintal que normalmente são enormes. 

A comida precisa ser preparada e estar pronta antes de começar a festa para que as pessoas que estavam no fogão possam tomar banho e se arrumar para a dita festa. 

Quando chegar num candomblé e notar algumas pessoas com cara de cansadas e cochilando em alguma cadeira, não repare essa pessoa deve estar com todos os ossos do corpo doendo de uma semana de trabalho duro para que você possa ver uma festa bonita. 

Se você é leigo no assunto, procure conhecer um pouco mais antes de fazer qualquer coisa. Não deve se iniciar só porque acha bonito, porque gosta das roupas, porque gosta do ritmo envolvente sem pensar nas responsabilidades e conseqüências da iniciação. Não se inicia para depois de um ano chegar a conclusão que não era bem isso que se queria. 

Quando você se inicia no candomblé você está criando um vínculo com o seu Orixá, com a casa, com o pai ou mãe de santo, você passa a fazer parte de uma comunidade, por isso deve escolher bem a casa. 

Antes de qualquer coisa, acho que a pessoa precisa consultar vários jogos de búzios para saber se todas as respostas de jogo são iguais, não se deve confiar cegamente em ninguém. 

Depois de consultar vários jogos já dá para saber se precisa realmente ser iniciado ou não, aí a pessoa precisa escolher a casa e o pai ou mãe de santo que mais lhe inspire confiança, procurar saber quem são seus ancestrais, em que casa ele foi feito, tudo isso para não ter surpresas e aborrecimentos no futuro. Estou dizendo isto porque existem muitas pessoas com casa aberta e nem são iniciados no candomblé e dizem que são. Estou falando de Candomblé !!! E muitos aqui vão concordar comigo. 

Uma pessoa que não foi iniciada, não pode iniciar outras pessoas, porque não recebeu o Axé de ninguém. E pelo que me consta ninguém pode dar aquilo que não tem. 

Mesmo que lhe digam que precisa ser iniciado (fazer o santo), tenha calma e não vá fazendo no primeiro lugar que lhe disseram, procure outros lugares, se informe, o santo não vai te matar se você não fizer imediatamente, se ele é seu Orixá ele quer o melhor para você. Por isso mesmo existem os abians nas casas de candomblé, são pessoas que participam das festas e algumas obrigações na casa sem a responsabilidade de ser um iniciado. 

Para fazer parte do candomblé não pode ser preguiçoso, se está pensando que vai chegar numa roça de candomblé e ficar encostado olhando os outros trabalharem, esqueça! Todos trabalham por igual em prol da comunidade, se é uma casa para todos os filhos, todos os filhos tem que ajudar. E não é ao pai ou mãe de santo que estão ajudando. Quando limpar a roça pense que alguém está fazendo a comida que você vai comer e o que você está fazendo se reverterá em benefício de todos e para que todos tenham um lugar agradável e limpo para ficar. 

Durante o período de abian é que você aprende a dançar no barracão, aprende as cantigas, convive com todos da roça e tem a possibilidade de conhecer um por um, nesse período é que você vai descobrir se está no lugar certo, caso não seja poderá ir para outra casa pois ainda não tem vínculo nenhum com o pai ou mãe de santo e nem com a casa. 

O Axé é transmitido do pai ou mãe de santo para o iniciado de diversas formas, uma delas é na iniciação através do Adoxu que é colocado na parte superior da cabeça, onde penetrará o Axé ali depositado. O Axé vai sendo transmitido aos poucos, através das rezas, cantigas, banhos, boris, na feitura, na obrigação de 1 ano, 3 anos, (em algumas nações tem a de 5 anos), 7 anos, 14 anos, 21 anos de santo, daí em diante enquanto o pai ou mãe for vivo. 

O certo é permanecer na casa onde se foi iniciado, mas em decorrência de muitos desentendimentos entre pais e filhos de santo, tem havido uma grande e constante mudança de casa. Para os que não sabem... você nunca vai ser tratado em outras casas, como na casa onde você foi iniciado, existe uma diferença, ou seja (você não é do meu Axé), pode ser muito bem camuflado mas que esse sentimento existe, existe... Na primeira discussão você pode ouvir isso, não digo do pai de santo, mas dos outros filhos da casa com certeza. 

Depois da morte: Quando um iniciado morre esse Axé depositado precisa ser retirado antes do enterro, através de uma outra cerimônia e dependendo do tempo de iniciação a cerimônia do Axexê vária de 1 a 7 dias. 

Então quando uma pessoa pretende se iniciar no candomblé, já deve estar ciente que sua família terá que arcar com as despesas da cerimônia do Axexê após sua morte, caso não tenha deixado dinheiro para esse fim. 

São cerimônias caríssimas tanto a iniciação como o Axexê, lógico que as despesas terão que ser custeadas pelo iniciado ou por sua família. Se você não tem o dinheiro o Orixá sabe disso e não vai pedir aquilo que você não pode dar. Normalmente ele espera o tempo que for necessário, desde que ele veja que você está guardando nem que seja um centavo por mês. 

O que acontece com mais freqüência é a pessoa se iniciar (fazer o santo) sem saber desses detalhes e só depois de alguns anos de feito é que vai descobrir que quando morrer estará deixando um compromisso para a família que muitas vezes nem sabe do que se trata. 

Quando o iniciado não fez a obrigação de 7 anos ou seja ainda é um iaô, na maioria das vezes nem é feito o axexê individual, só é feita a 1ª cerimônia, isso se a família permitir que se faça. E muitos, mesmo tendo obrigação de 7 anos a família que não faz parte do candomblé não permite que se faça as cerimônias necessárias. 

Esse é um dos maiores problemas que os pais e mães de santo enfrentam quando morre algum filho de santo, ter que fazer as cerimônias e encontram obstáculos em virtude da família do filho de santo não conhecer a religião e não permitir e nem arcar com as despesas das mesmas. 

A parte que se refere a casa de santo, o pais e mães de santo fazem, jogam os búzios e o que for determinado será feito com relação ao Orixá do filho de santo, será despachado ou ficará na casa. 

Para os filhos de santo nessas situações são feitos axexês coletivos sem a ajuda da família, cumprindo a obrigação da casa reverenciando todos os que já morreram. Quando o falecimento é de um pai ou mãe de santo é muito mais complicado. Todos os filhos da casa se reúnem e chamam um outro pai ou mãe de santo mais velho que saiba fazer a cerimônia do axexê. 

Logicamente esse pai ou mãe de santo cobrará por seus serviços. Normalmente os pais de santo já deixam um dinheiro reservado para essa finalidade. Caso não tenha deixado, as despesas com os materiais, bichos, bem como o serviço do pai ou mãe de santo contratado terão que ser pagos pelos filhos de santo da casa. 

É uma cerimônia trabalhosa e cansativa que dura 7 dias e quem estiver no primeiro dia não poderá sair da roça até que termine tudo. E não termina por aí... tem o axexê de mês, de 3 meses, 6 meses, 1 ano e daí por diante... 

Além disso, todos os filhos da casa terão que tirar a mão do pai(mãe) de santo falecido(a), seja com a pessoa que herdar a casa ou com outro pai ou mãe de santo de sua escolha. Por isso antes de pensar em fazer o santo, pense bem, mas pense mesmo em tudo o que escrevi acima. 

Só se inicie no candomblé em caso de extrema necessidade, deixo bem claro que esta é a minha opinião. Cada um deve saber onde amarrar seu burro, o ditado é velho mas ainda é válido.