domingo, 9 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - O MITO DO OVO



O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e èbós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. 

Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”, com o 1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo, com o 2º deu origem a Ògún a forma, o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida. 

O Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo: 

O ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares

O ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz

E finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural

Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. 

Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento = ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ

O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). 

O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário. 

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubà, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. 

A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubà principalmente no culto de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ e etc... 

Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéia de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo

Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. 

Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àsé (poder realizador). 

O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. 

O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em èbós de seu a ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ

O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “EKURU” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agradar os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà, Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa. 

O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranqüilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. 

Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. 

Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). 

Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. 

Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrificatórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase, com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. 

Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. 

Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa. 

Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. 

Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú. 

Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè. Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) encima de seu Okuta. 

Por motivo não admiti a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé. Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé. 

Classificação dos Ovos: 

Ovo de galinha cru – purifica e tranqüiliza. 

Ovo de galinha cozido – tirar doenças. 

Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia. 

Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas. 

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço. 

Ovo de pombo - propicia traquilidade e fertilidade. 

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios. 

TEXTO COLABORADO POR Baba Oju Omy.

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - PALAVRAS DE BABA KLEBER DE OGUM



YÁ MÍ AJÉ SAREYE YÉ SOSRONGÁ YAMÍ OXORONGÁ 

Iyá Mi Ajé, que em Yorubá significa: Minha mãe feiticeira, ou também como é conhecida, Iyami Oxorongá, é nossa figura materna mais antiga citada no contexto yorubá, e existem uma série de mistérios que rondam essas entidades, isso devido ao fato de elas guardarem os segredos da criação, assim como Ifá.

As Yás, são detentoras do poder ancestral feminino, por isso fala através do Odú Oxê. 

Dizem as mais velhas que, Iyami toma a forma de uma coruja, e se ela passar próximo a uma casa e grita é porque alguém vai morrer ou acontecerá algo ruim. 

Tem forte ligação com OXUM, OBÁ E OYÁ, pois faziam elas parte da sociedade de Geledé, que tinha como objetivo fortalecer o poder feminino e se opor aos homens, e essa sociedade ainda é cultuada na Nigéria. 

O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. 

E aqui relato a relação das yami oxorongá e o ovo..

Quando Olorun criou os animais, que quando davam cria, elas eram fracas, e quase nunca vingavam, então Olorun pediu a ajuda de Ifá para saber o que podia ser feito para proteger a criação, foi então que Ifá orientou Olorun a ir até as Yámim Ajé, que elas teriam o segredo. 

Chegando ao pé da árvore sagrada onde morava nas mães ancetrais, Olorun as explicou o ocorrido e pediu que ela o ajuda-se, foi então que elas ofereceram o Ovo, e disse que ele iria proteger a vida, até que aqueles animais, como a cobra, a galinha, os oviperos em geral, pudessem estar prontos para nascer, e que o só calor materno poderia despertá-los. 

Por essa graça, Olorun deu as Yás, o poder sobre ajé, o ovo e suas propriedades. 

Babalorisá Kleber Ti Ogún

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - AS FEITICEIRAS AFRICANAS


Iyami Oshorongá é o termo que designa as terríveis Ojés, feiticeiras africanas, uma vez que ninguém as conhece por seus nomes. As Iyami representam o aspecto sombrio das coisas: a inveja, o ciúme, o poder pelo poder, a ambição, a fome, o caos o descontrole. No entanto, elas são capazes de realizar grandes feitos quando devidamente agradadas. Pode-se usar os ciúmes e a ambição das Iyami em favor próprio, embora não seja recomendável lidar com elas. 

O poder de Iyami é atribuído às Mulheres Velhas, mas pensa-se que, em certos casos, ele pode pertencer igualmente a moças muito jovens, que o recebem como herança de sua mãe ou uma de suas avós. 

Uma mulher de qualquer idade poderia também adquiri-lo, voluntariamente ou sem que o saiba, depois de um trabalho feito por alguma Iyami empenhada em fazer proselitismo. 

Existem também feiticeiros entre os homens, os oxô, porém seriam infinitamente menos virulentos e cruéis que as ajé (feiticeiras). Ao que se diz, ambos são capazes de matar, mas os primeiros jamais atacam membros de sua família, enquanto as segundas não hesitam em matar seus próprios filhos. 

As Iyami são tenazes, vingativas e atacam em segredo. Dizer seu nome em voz alta é perigoso, pois elas ouvem e se aproximam pra ver quem fala delas, trazendo sua influência. 

Iyami é freqüentemente denominada eleyé, dona do pássaro. O pássaro é o poder da feiticeira; é recebendo-o que ela se torna ajé. É ao mesmo tempo o espírito e o pássaro que vão fazer os trabalhos maléficos. 

Durante as expedições do pássaro, o corpo da feiticeira permanece em casa, inerte na cama até o momento do retorno da ave. Para combater uma ajé, bastaria, ao que se diz, esfregar pimenta vermelha no corpo deitado e indefeso. Quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar o corpo maculado por seu interdito. 

Iyami possui uma cabaça e um pássaro. A coruja é um de seus pássaros. É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, e é silencioso. 

"Se ela diz que é pra matar, eles matam, se ela diz pra levar os intestinos de alguém, levarão"

Ela envia pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos e os pulmões das pessoas, dá dores de cabeça e febre, não deixa que as mulheres engravidem e não deixa as grávidas darem à luz. 

As Iyami costumam se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas. Toda Iyami deve levar uma vítima ou o sangue de uma pessoa à reunião das feiticeiras. Mas elas têm seus protegidos, e uma Iyami não pode atacar os protegidos de outra Iyami

Iyami Oshorongá está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. 

Tudo é pretexto para que Iyami se sinta ofendida. 

Iyami é muito astuciosa; para justificar sua cólera, ela institui proibições. Não as dá a conhecer voluntariamente, pois assim poderá alegar que os homens as transgridem e poderá punir com rigor, mesmo que as proibições não sejam violadas. 

Iyami fica ofendida se alguém leva uma vida muito virtuosa, se alguém é muito feliz nos negócios e junta uma fortuna honesta, se uma pessoa é por demais bela ou agradável, se goza de muito boa saúde, se tem muitos filhos, e se essa pessoa não pensa em acalmar os sentimentos de ciúme dela com oferendas em segredo. É preciso muito cuidado com elas. 

E só Orunmilá consegue acalmá-la.

COLETÂNEA OXUM E AS IYÁ MI - AS MÃES DO SEGREDO

Ajé Ògúgúlùsò Aiye Olámbó yèyé. 
Ibá awon Ìyáàmi, 
Èìswù Alágogo haguná to p'oní ma.

Tradução:

Homenagem ao Espírito da riqueza e boa sorte, a honra vem da Mãe Terra. Eu saúdo todas as Mães Sábias. O Pássaro branco de poder é a fonte de seu medicamento.


O simbolismo em Ifá, é uma expressão da dinâmica e da forma, que ocorrem na natureza. É uma tentativa de explicar as maneiras pelas quais as forças invisíveis da natureza afetam o universo visível. 

Todos os aspectos de Ifá, suas histórias sagradas, simbolismos e rituais expressam a polaridade entre as forças de expansão e contração, que são as expressões fundamentais do poder na Natureza. 

Em termos simplificados, essa polaridade é expressa na relação entre Òrìsà feminino e o masculino. 

Dentro da estrutura sócio-religiosa, política da religião de Ifá, essa polaridade é expressa através de uma série de ordens religiosas específicas quanto ao sexo. 

Destaque entre essas ordens religiosas que honra o poder feminino são as Ìyáàmi awo. É comum para os antropólogos descrever esta sociedade como "as bruxas". O significado original de "bruxa" da cultura européia é: "Mulher sábia"

No entanto, o termo tende a ser pejorativo no uso contemporâneo ocidental. 

Mulheres Ìyáàmi awo preservam ou estão associadas aos mistérios da menstruação. Parece absurdo atribuir qualquer conotação negativa a esta tradição sagrada, porque o mistério da menstruação é a fonte da vida na Terra. 

Literalmente, falando a verdade, cada ancestral, mesmo os divinizados, ou não que já viveram, vieram à Terra através do útero de uma mulher, tarefa esta, possibilitada pelas Ìyáàmi.

COLETÂNEA OXUM E AS IYÁ MI - MINHA MÃE FEITICEIRA

Motumbá, meus (minhas) irmãos (ãs) visitantes, seguidores e participantes de nossa tão amada RELIGIOSIDADE, seja do CANDOMBLÉ como da UMBANDA SAGRADA, presentes em nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.

Conforme a introdução de nosso COORDENADOR PEDRO MANUEL T'OGUM, percebemos que existe uma ligação muito forte entre OXUM e as IYA MÍ OXORONGÁ. Bem como, com todas as ORIXÁS FEMININAS do panteão africano.

Assim vamos dar início a esta COLETÂNEA OXUM E AS IYÁ MI, justamente para nos adentrarmos neste assunto de forma bem simples e básica. A medida que formos nos aprofundando dentro dos limites deste assunto, respeitando TODA A HIERÁRQUIA E TRADIÇÃO de nossa RELIGIOSIDADE, fazendo de nosso conhecimento uma forma de analisar não somente a belaza mas a misticidade encontrada em nossa fé.

Mas quem vem a ser IYA MÍ OXORONGÁ? Vamos acompanhar esta COLETÂNEA a fim de buscarmos os conhecimentos necessários para responder esta nossa pergunta.

Iyami-Ajé


Iyami-Ajé - (Iyá Mi Ajé = Minha Mãe Feiticeira) também conhecida por Iyami Oxorongá - é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Identificada no jogo do merindilogun pelo odu Ôxê

Tudo que é redondo remete ao ventre e, por consequência, as Iyá Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por OXUM, YEMANJÁ E NANÃ BURUKU, mas o poder de Iyá Mi é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

Iyami Ajé na forma de pássaro (Coruja Rasga-Mortalha ou coruja rasgadeira) pousa nas árvores favoritas durante a noite principalmente na jaqueira (Artocarpus heterophyllus). Contam os antigos africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído característico ou aproxima-se de uma casa é porque vai morrer alguém.

Iyami Agbá


Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Ìyámi Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Oxorongá chamada também de Ìyá NIa, a grande mãe. 

Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Gëlèdé", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. 

O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.

O culto a Naê no Maranhão pode ser comparado ao das Iyamí Oxorongá da Nigéria, Benin e outras regiões da África - mães ancestrais respeitadas e temidas, que não incorporam e que têm o poder de se transformar em pássaro.

É um orixá apenas assentado para ser cultuado pela comunidade, não é um orixá de iniciação, por ser uma energia ancestral aglutinada de forma coletiva. Representando todas as mães mortas e ninguém pode incorporá-las ou manifestá-las.

sábado, 8 de dezembro de 2012

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T' OGUM

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ

Espero que se encontrem num excelente final de semana tão quente. Mas que acima de tudo, nos preparando para logo iniciarmos mais uma semana cheia de batalhas e grandes conquistas.


Como é do saber de todos nosso BLOG, que esta sendo um bom meio de comunicação, esta passando por uma reestruturação nas postagens em sua grade de assuntos. Onde agora estamos nos corrigindo de erros a respeito de falta de assuntos que seriam de extrema importância, quanto aos assuntos centrais propostos para cada mês.

Após a decisão tomada de fazer essa reformulação para minha surpresa as postagens referentes a OXÓSSI foi de fato muito mais visualizada como ainda esta sendo nesta segunda versão do que a anterior. Mas infelizmente não tenho visto esta mesma quantidade de visualizações quanto a ORIXÁ OXUM.

Como todo o bom filho de OGUM E OXAGUIAN que sou, não vou me preocupar com esta questão a primore. Pois antes de mais nada sei que este novo mês de Dezembro ainda esta apenas no começo e ainda temos muita coisa a ser estudada e avaliada.

Sendo assim estamos envolvidos em conheçer e apresentar a todos pontos fundamentais sobre quem vem a ser de fato OXUM, dentro de toda uma RELIGIOSIDADE, seja ela na UMBANDA como no CANDOMBLÉ. Pontos estes que até me preocupei em me aprofundar junto com a EQUIPE OLHOS DE OXALÁ sobre a diversidade que originou todo o SINCRETISMO RELIGIOSO desta ORIXÁ DAS ÁGUAS DOCES com várias SANTAS CATÓLICAS em nossa realidade atual, proveniente de nossos ancestrais escravos.

E se tratando deste tipo de assunto: ANCESTRALIDADE. É válido lembrar que OXUM bem como IANSÃ tem uma forte ligação com as YAMIS. Bem como toda uma ligação extremamente real com o JOGO DE BÚZIOS. Então já fica claro que estes dois assuntos também farão parte de nossos estudos referentes a esta grande ORIXÁ.

Nunca podemos esqueçer que sempre que falamos de OXUM, vemos uma Senhora doce, materna, meiga e sedutora em nossa visão e imaginação. Mas devemos nos lembrar que OXUM também possui seu lado guerreira, feiticeira, e acima de tudo é ela que junto com OGUM, vai caminhando e abrindo caminhos. 

Também é a SENHORA DO RONKÓ, pois através dela é que todos os ORIXÁS vêem em terra. Ou seja, teremos ainda varios e vastos assuntos a serem postados. Questionados e espero que comentados. Desta forma, que o andamento de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, quanto a estar voltado ao aprendizado sobre OXUM seja de fato produtivo para todos que aqui se fazem presentes, seja por uma simples visita. Por ser um seguidor ou ainda mais um amigo nosso de fato. 

Que Oxum em sua ternura materna possa nos cobrir com suas águas doces e nos proteger de todos os maus caminhos. 

Pedro Manuel T' Ogum.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - OXUM NO NOVO MUNDO


Entre todo o vasto conhecimento que envolve a GRANDE ORIXÁ DAS ÁGUAS DOCES - OXUM, percebemos que a cada dia mais informações obtemos sobre sua personalidade, sua força e energia.

Também nestes quatro (4) dias em que começamos a reformular toda a SEQÜÊNCIA sobre os estudos que envolvem OXUM como foco central, de fato, somos obrigados a concordar que foi necessário fazer esta reformulação conforme a indicação de nosso COORDENADOR PEDRO MANUEL T' OGUM, pois a ausência de vários tópicos, percebemos que foi notória. 

Fato este, que com esta nova estrutura de postagens, estamos de fato aprendendo muito mais e nos colocamos, assim como você, como de fato os primeiros alunos, pois antes de postar qualquer coisa, é lido, questionado, verificado quanto a sua veracidade. Ou seja, até nós da EQUIPE OLHOS DE OXALÁ, estamos de fato em constante aprendizado.

E uma das coisas que tem nos chamado muito a atenção de fato é a dedicação e as fontes de estudos que encontramos no interior da DEVOÇÃO À OXUM tanto no BRASIL como em CUBA. Claro que dois países que em seu vasto conhecimento vem muito depois do CONTINENTE AFRICANO de onde vieram suas raízes.


É interessante saber que, no Brasil e em Cuba, os adeptos de Oxum usam colares de contas de vidro de cor amarelo-ouro e numerosos braceletes de latão dourados. 

O dia da semana consagrado a ela é o SÁBADO e é saudada, como na África, pela expressão “Ore Yèyé o!!!” (“Chamemos a benevolência da Mãe !!!”).

É recomendável fazer sacrifícios de cabras a Oxum e oferecer-lhe prato de mulukun (mistura de cebolas, feijão-fradinho, sal e camarões) e de adum (farinha de milho misturada com mel de abelha e azeite doce). 

A sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora que vai ao rio se banhar, enfeita-se com colares, agita os braços para fazer tilintar seus braceletes, abanando-se graciosamente e contemplando-se com satisfação num espelho. 

O ritmo que acompanha as suas danças denomina-se “ijexá”, nome de uma região da África, por onde corre o rio Oxum.

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - TRONO MINERAL E VEGETAL

Motumbá amigos(as) do BLOG OLHOS DE OXALÁ.

Estamos de fato nos aprofundando cada vez mais nos aspectos gerais referentes às condições para conhecer cada vez melhor a nossa tão amada ORIXÁ OXUM.

Além de termos noção que ela é a SENHORA DAS ÁGUAS DOCES, já vimos que ela esta tão ligada ao AMOR E A CONCEPÇÃO, sendo ela a progenitora de todos os ORIXÁS

Ela através de seu conhecimento e por sua ousadia,  digamos assim, foi de fato a primeira ORIXÁ INICIADA. Tanto que vamos ver isto futuramente quando abordarmos AS LENDAS DE OXUM. Fato este que a liga diretamente ao RONKÓ (QUARTO DE SANTO) DE ONDE TODOS OS ORIXÁS NASCEM. Sendo então conhecida carinhosamente de ÚTERO.

Desta forma, usando palavras de RUBENS SARACENI, um grande mestre da UMBANDA SAGRADA, vamos conhecer ainda mais coisas relacionadas à OXUM. Com um ponto de vista SACERDOTAL e ao mesmo tempo CIENTÍFICO


Oxum é o Trono Natural, irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos. Como "Mãe da Concepção" ela estimula a união matrimonial, e como Trono Mineral, ela favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância material. 

A Orixá Oxum é o Trono Regente do pólo magnético irradiante da linha do Amor e atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e união.


Seu elemento é o mineral e, junto com Oxumaré, forma toda uma linha vertical cujas vibrações, magnetismo e irradiações planetárias multi-dimensionais atuam sobre os seres que os estimulam ou paralisam. Em seus aspectos positivos, ela estimula os sentimentos de amor e acelera a união e a concepção. Não vamos comentar seus aspectos negativos ou punidores dos seres que desvirtuam os princípios do amor ou da concepção.

Na Coroa Divina, a Orixá Oxum e o Orixá Oxumaré surgem a partir da projeção do Trono do Amor, que é regente do sentido do Amor. Onde Oxum assume os mistérios relacionados à concepção de vidas porque o seu elemento mineral atua nos seres estimulando a união e a concepção.

A energia mineral está presente em todos os seres e também está presente em todos os vegetais. E por isto Oxum também está presente na Linha do Conhecimento, pois sua energia cria a "atração" entre as células vegetais carregadas de elementos minerais. Já em nível mental, a atuação pelo conhecimento é uma irradiação carregada de essências minerais ou de sentimentos típicos de Oxum, a concepção em si mesma.


A água doce, por estar sobrecarregada de energia mineral, é um dos principais "alimentos" dos vegetais. Logo, Oxum está tão presente nas matas de Oxóssi quanto na terra de Obá, que são os dois Orixás que pontificam a linha vertical (irradiação) do Conhecimento. A Senhora Oxum do Conhecimento é uma Oxum vegetal pois atua nos seres como imantadora do desejo de aprender.


Saibam que a ciência dos Orixás é tão vasta quanto divina, e está na raiz de todo o saber, na origem de todas as criações divinas e na natureza de todos os seres. É na ciência dos Orixás que as lendas se fundamentam, e não o contrário. Rubens saraceni

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - O AMOR PURO

Oxum, é o Orixá irradiador do amor divino e da concepção da vida em todos os sentidos. Como "Mãe da concepção" estimula a união e favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundancia material. É a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede, lava a alma e alimenta o corpo.

OXUM É O AMOR PURO


É a Mãe da água doce, rainha das cachoeiras, Deusa da candura e da meiguice. Orixá da prosperidade e da riqueza interior, ela é a manifestação do Amor. O amor puro, real, maduro, solidificado, sensível e incondicional, por isso é associada a maternidade e ligada ao desenvolvimento da criança ainda no ventre da mãe, da mesma maneira que Yemanjá.

Oxum é o amor, é a capacidade de sentir amor. A partir desse amor é que se dá a origem, as agregações, e consequentemente, origina a concepção das coisas.

OXUM É O ELO QUE UNE E AGREGA


Ela é o elo que une os seres sob uma mesma crença, trazendo a união espiritual. É o elo que une dois seres sob o mesmo amor, agregando-os e gerando à concepção de uma nova vida. Ela é quem agrega os bens materiais que torna um ser rico, portanto, é conhecida como Orixá da riqueza, Senhora do ouro e das pedras preciosas.

OXUM É QUEM FECUNDA, GERA E CUIDA


É Oxum quem gera o nascimento de novas vidas, que estarão no período da gestação numa bolsa d'água - como ela, Oxum, rainha das águas. A regência mais fascinante de Oxum é, sem dúvida, o processo de fecundação, na multiplicação da célula mater. É, sem dúvida alguma, das regências fascinantes, pois é o inicio, a formação da vida. É Oxum que "tomará conta" até o nascimento, quando, então, entrega à Yemanjá que será responsável pelo destino daquela criança.

OXUM É A MÃE DAS CRIANÇAS


Oxum não vê defeitos nos seus filhos, verdadeiras jóias, e ela só consegue ver o seu brilho. É por isso que Oxum é amãe das crianças, seres inocentes e sem maldade, zelando por elas desde o ventre até que adquiram sua independencia. Seus filhos, ou melhor, suas jóias são sua maior riqueza.

OXUM "TEM" PERSONALIDADE MARCANTE

De menina-moça faceira, passando pela mulher irresistivel até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser colocada em segundo plano, afirmando-se em todas as circunstancias da vida. Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum; como tembém não podemos segurá-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil feminino, considerada a deusa do amor, a Vênus africana.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - SINCRETISMO EM CUBA

Terminando esta nova SÉRIE SINCRETISMO RELIGIOSO, voltado à ORIXÁ OXUM. Vamos abordar toda a realidade deste mesmo SINCRETISMO, na religiosidade da SANTERIA em Cuba.

Desta forma, até conhecer um pouco mais a história de NOSSA SENHORA DA CARIDADE DO COBRE, que muitos sequer conhecem.

Nossa Senhora da Caridade do Cobre


A história da colonização cubana conta que em 1509, um certo soldado espanhol estava muito doente e foi levado do oeste da Ilha para ser tratado pelos curandeiros da tribo indígena da região da Macaca. Ele sarou, mas o tratamento foi lento. O soldado, durante a recuperação, aprendeu a língua dos nativos e lhes ensinou o Evangelho de Cristo. Depois, estimulou os índios a erguerem uma pequena igreja para as preces comunitárias. No altar eles colocaram o crucifixo e o "santinho" com a imagem da Virgem Maria, que o soldado lhes dera. Com o tempo ao redor desta capela surgiu uma nova vila, atual El Cobre. 

No início do século XVII, quer a antiga tradição, que Nossa Senhora tenha manifestado um especial sinal à estes queridos filhos, permitindo que três humildes pescadores encontrassem sua imagem flutuando nas águas agitadas do alto mar do Caribe os dois irmãos índios João e Rodrigo de Hoyos, mais o escravo João Moreno, um menino de dez anos de idade avistaram algo no meio das águas. Após confundir com uma gaivota morta, com alegria recolheram a estátua de Nossa Senhora com o Menino em seus braços, que trazia sob os pés uma plaqueta com os dizeres: "Eu sou a Virgem da Caridade". 

Desde a aparição da imagem uma grande devoção se propagou por toda Ilha de Cuba. O povo preferiu que a Virgem fosse venerada no antigo Templo Paroquial do Cobre, aquele construído pelos índios e o soldado espanhol. A pedido dos veteranos da Guerra da Independência, Nossa Senhora da Caridade do Cobre, como era invocada pelos devotos, foi declarada Padroeira de Cuba, pelo Papa Bento XV, cuja festa fixou em 08 de setembro, data em que foi encontrada no mar. 

Porém, a partir de 1960 o regime comunista de exceção proibiu as procissões e outras manifestações públicas de fé. Isto só fez aumentar esta devoção, que se propagou com as famílias cubanas exiladas. Em 1977, contrariando esta política, o Papa Paulo VI elevou o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Caridade do Cobre à categoria de Basílica. 

O Papa João Paulo II, anunciou sua visita apostólica à ilha de Cuba em 1997. Após a histórica visita do Sumo Pontífice a Cuba, o governo revogou a antiga proibição dos cultos públicos e procissões em todo o país.

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - SINCRETISMO NO SUL E SUDESTE DO BRASIL

Dando continuidade ao fato do SINCRETISMO RELIGIOSO relacionado à ORIXÁ OXUM pelo BRASIL, vamos nos estender a esta realidade nas REGIÕES SUL E SUDESTE, através da devoção à NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

Motivo principal deste SINCRETISMO foi o fato desta devoção ter se dado inicialmente no final do tempo da ESCRAVATURA dos NEGROS, no BRASIL. Bem como o encontro de sua imagem nas águas do RIO PARAÍBA, em APARECIDA DO NORTE - SP, de onde sua imagem foi retirada. Seguida de vários fatos milagrosos relatados em nossa história brasileira.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida


Imagem de Nossa Senhora Aparecida, que apareceu para os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves em outubro de 1717. Nossa Senhora da Santa Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.

Instituição da festa: 1980. Venerada pela Igreja Católica.
Principal igreja: Basílica de Nossa Senhora Aparecida, Aparecida, São Paulo.
Festa litúrgica: 12 de outubro.
Atribuições: Pesca milagrosa.
Padroeira de: do Brasil, das grávidas e recém-nascidos, rios e mares, do ouro, do mel e da beleza.
Polêmicas: O Chute na santa.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, popularmente chamada de Nossa Senhora Aparecida, é a padroeira do Brasil, venerada na Igreja Católica. Um título mariano negro, Nossa Senhora Aparecida é representada por uma pequena imagem de terracota da Virgem Maria atualmente alojada na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, localizada na cidade de Aparecida, em São Paulo. 

Sua festa litúrgica é celebrada em 12 de outubro, um feriado nacional no Brasil desde que o Papa João Paulo II consagrou a Basílica em 1980. A Basílica é o quarto santuário mariano mais visitado do mundo, e é capaz de abrigar até 45.000 fiéis.

Aparição

Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo da Companhia de Jesus, em Roma. 

A história foi primeiramente registrada pelo Padre José Alves Vilela em 1743 e pelo Padre João de Morais e Aguiar em 1757, registro que se encontra no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá. 

Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, durante uma viagem até Vila Rica.

O povo de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Almeida e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba com a intenção de oferecerem peixes ao conde. 

Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus. Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu. Eles já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente. Ao invés de peixe, ele apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço. 

Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la. A partir daquele momento, segundo os relatos, os três pescadores apanharam tantos peixes que foram obrigados a voltarem para o porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar a embarcação deles. Este foi o primeiro milagre atribuído à imagem.

Início da devoção

Durante os quinze anos seguintes, a imagem permaneceu na residência de Filipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para orar. 

A devoção foi crescendo entre o povo da região e muitas graças foram alcançadas por aqueles que oravam diante da imagem. A fama dos supostos poderes da imagem foi se espalhando por todas as regiões do Brasil. 

Diversas vezes as pessoas que à noite faziam diante dela as suas orações, viam luzes de repente apagadas e depois de um pouco reacendidas sem nenhuma intervenção humana. Logo, já não eram somente os pescadores os que vinham rezar diante da imagem, mas também muitas outras pessoas das vizinhanças. A família construiu um oratório no Porto de Itaguaçu, que logo tornou-se pequeno para abrigar tantos fiéis.

Assim sendo, por volta de 1734, o vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no alto do morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745. A capela foi erguida com a ajuda do filho de Filipe Pedroso, que não queria construí-la no alto do Morro dos Coqueiros, pois achava mais fácil para o povo entrar na capela logo abaixo, ao lado do povoado. Em 20 de abril de 1822, em viagem pelo Vale do Paraíba, o então Principe Regente do Brasil Dom Pedro I e sua comitiva visitaram a capela e conheceram a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O número de fiéis não parava de aumentar e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (a atual Basílica Velha), sendo solenemente inaugurada e benzida em 8 de dezembro de 1888.

COLETANEA CONHECENDO OXUM - SINCRETISMO NA BAHIA

Como vimos na postagem anterior, OXUM é venerada de acordo com o SINCRETISMO em vários lugares do BRASIL e em CUBA

Associar um ORIXÁ do panteão AFRICANO, com Santos Católicos, teve seu início ainda no tempo da escravidão aqui no BRASIL. Não estamos aqui dizendo que OXUM seja NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS, ou NOSSA SENHORA DOS PRAZERES, muito menos NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA.

Mas esta ligação da ORIXÁ OXUM, com estas SANTAS CATÓLICAS, foi a forma mais simples, digamos assim, que os NEGROS ainda escravos, encontraram para continuar seus CULTOS. Sem a proibição dos SEUS SENHORES, naquela época. 

Mas para se ter conhecimento quanto a esta ORIXÁ, devemos abrir os nossos olhos, abrindo o nosso entendimento, para que através desta coligação, diga-se de passagem, seja mais fácil para compreendermos ainda mais seus mistérios. Afinal como já falamos anteriormente OXUM é a ORIXÁ dos mistérios.

História de Nossa Senhora da Candelária


A origem da devoção à Senhora da Luz tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora ("Candelária"), quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). 

De acordo com a Lei mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto. Nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacríficio (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se. 

Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria-lhes proferido a Profecia de Simeão: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo» (Lucas 2:29-33).

Com base na festa da Apresentação de Jesus / Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora da Luz/das Candeias/da Candelária, cujas festas eram geralmente celebradas com uma procissão de velas, a relembrar o facto.

Aparição

A Virgem da Candelária ou Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400.

Os nativos guanches da ilha ficaram com medo dela e tentaram atacá-la, mas suas mãos ficaram paralisadas. A imagem foi guardada em uma caverna, onde, séculos mais tarde, foi construído o Templo e Basílica Real da Candelária (em Candelária). Mais tarde, a devoção se espalhou na América.

É santa padroeira das Ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.

História de Nossa Senhora dos Prazeres


A devoção à Virgem Maria, com o título de Nossa Senhora dos Prazeres, é muito antiga e teve sua origem em Portugal. A mãe de Jesus foi assim chamada para recordar as suas sete alegrias aqui na terra junto de Seu Filho, Jesus. 

Essas ale­grias foram reveladas por Nossa Senhora a um frade franciscano que tinha o costume de oferecer-lhe uma linda coroa de flores. Estas são as maiores alegrias da mãezinha do céu: anunciação do anjo, visita à sua prima Isabel, nascimento de Jesus, encontro com o menino no Templo, ressurreição de Jesus, vinda do Espírito Santo e sua Assunção e coroação como Rainha do céu.

A aparição em Lisboa

O culto a Nossa Senhora dos Prazeres ganhou grande impulso principalmente depois de sua aparição no século XVI. Aconteceu durante uma terrível peste que matava a população de Lisboa, Portugal.

A bondade de Deus manifestou-se por meio da Virgem Maria, que apareceu em uma fonte e deu aquela água a graça para curar os doentes. Daí nas­:eu o costume de pedir a bênção para a água com a intercessão de Nossa Senhora dos Prazeres e levá-la aos enfermos.

Nesse mesmo tempo, a rainha do céu aparece a urna menina pedindo a construção de uma igreja, para ser venerada pelo povo com o título de Nossa Senhora dos Prazeres. Por meio desse pedido, queria indicar o sentimento que jamais deve faltar no coração dos filhos de Deus: Alegria.

Tudo foi feito de acordo com o pedido da mãe de : Jesus e logo as graças começaram a acontecer.

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - O SINCRETISMO RELIGIOSO

Sincretismo 


Nas religiões afro-brasileiras é sincretizada com diversas Nossas Senhoras. 

Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres.

No Sul do Brasil, é muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora da Conceição Aparecida, enquanto no Centro-Oeste e Sudeste é associada ora à denominação de Nossa Senhora. 

Cuba 

Na Santeria Cubana é chamada OXUM. O sincrestismo deste orixá se dá com Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba.

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - O ESPÍRITO DOS RIOS


Embora o ORIXÁ OBATALÁ, seja o Senhor dos Mistérios do equilíbrio e igualdade e o proprietário dos Mistérios dos princípios feminino e masculino, é a ORIXÁ OXUM quem é a proprietária das Forças de atração, Ibadana (afinidade), entre o masculino e o feminino. 

Embora YEMANJÁ, seja a Dona dos mistérios da maternidade, é OXUM quem manipula a natureza sexual não só dos buscadores de Deus, mas de todas as criaturas e criações. Como a viagem do rio para o oceano é em última análise, a afinidade entre as criações masculinas e femininas é basicamente para a reprodução. 

Toda área abdominal é sagrada para OXUM e para que as mulheres, quando desejam ter filhos devem propiciar esta ORIXÁ, para ajudá-las a alcançar seus desejos. Fertilidade é apenas uma das preocupações de OXUM. Esta  ORIXÁ também é responsável por todas as doenças abdominais e operações. 

Apesar de OXUM ser muito preocupada com a "reprodução", ela é tão ou mais preocupada com as forças avassaladoras e prazeres provocadores que desbloqueiam os potenciais criativos dos princípios feminino e masculino. 

"Òrìsà Òsún Oluwa áwo inu didun ipilese. A Dona dos Mistérios do Princípio do Prazer". OXUM é a ORIXÁ do encantamento de amor incondicional, receptividade e diplomacia. 

OXUM é associada com o mel, porque o mel é ao mesmo tempo agradável aos sentidos e tem grandes poderes de cura. Desta forma,  incorpora todos os aspectos da natureza sexual da fêmea. 

Ela é Iwa Wundia (a virgindade), a maturação dos frutos na videira - aproximando a sua disponibilidade para satisfazer a fome e os sentidos de quem tiver a sorte de provar sua doçura. 

Ela é Iwa Obinrin (O Ser Mulher); encorporando todos os atributos femininos e masculinos de um ser ciente de estar maduro e fornecer a tela sobre a qual o homem pode escrever suas realizações como um homem, ela é o "espelho" que reflete o macho de si mesmo. Se o macho não respeitar, cuidar, elevar, apoiar e proteger a mulher e o fruto do seu ventre, ele só terá sucesso em diminuir a si mesmo. 

OXUM também é Pansaga Obirin (A Sedutora fêmea) - que através de seus prazeres, pode tentar o homem a arriscar o trono que ele tem, ou inspirá-lo a tomar o trono de outro. Quando o Àse se tornou auto-consciente e OLODUMARÉ experimentou a primeira emoção do amor, - o aspecto do Àse que é a ORIXÁ OXUM, 'nasceu'

Um dos símbolos de OXUM é o espelho, mas isso não deve levá-lo a pensar que OXUM representa apenas a beleza externa. Como Mason e Edwards salientaram, "Òsún é a qualidade de uma mulher que emana beleza de tal modo que a visão não é necessária a fim de lhe apreciar." Ela é: "... a idéia da excelência, tal como refletida por gosto, requinte e delicadeza." 

Oríkì Òsún 

Eu me humilho diante dos mistérios de OXUM. Você é a Deusa do rio. Você é a proprietária dos Mistérios da Civilização. Você é a proprietária dos Mistérios do Amor. Você é a ORIXÁ mais bonita. Você é a proprietária dos Mistérios do mel. Você é a proprietária dos mistérios do sexo e intimidade.

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - A GRANDE DESAVENÇA

Motumbá para quem é de Motumbá. Kolofé para quem é de Kolofé. Saravá para quem é de Saravá. Bom dia.

Aqui estamos novamente, mesmo sendo dia de OXÓSSI, nesta quinta-feira, que já começa digamos bem quente. Mas cheios de amor e dedicação para passar para todos vocês esta grande graça que é conhecer a cada dia que passa um pouco mais sobre esta ORIXÁ DAS ÁGUAS DOCES. SENHORA DOS ENCANTAMENTOS. E que entre suas idas e vindas, com grandes mistérios dentro de toda sua MITOLOGIA.

É válido lembrar que OXUM,  assim como seu filho, LOGUN-EDÉ (que vamos estudar mais pra frente) é um ORIXÁ, que além de possuir sua beleza própria e encantadora é cheia de SEGREDOS. Segredos estes, que muitas vezes a fazem confundir com outros ORIXÁS, como no caso de OPARA (qualidade de oxum) muitas vezes confundida com IANSÃ (OYÁ). Ocasionando assim grandes desavenças, quanto aos seus estudos.

Mas entre todas as ditas: "DESAVENÇAS", hoje vim partilhar com todos vocês: amigos(as), seguidores (as) e até aos visitantes, uma realidade que acontece sim algumas vezes nos XIRÊS, ou certas festas exclusivamente dedicadas à ORIXÁ DAS ÁGUAS DOCES, e que ao meu ponto de vista é bom termos um pouco deste conhecimento para não se falar besteiras por ai.

A Grande desavença 

É de nosso conhecimento que "OXUM, IANSÃ E OBÁ" eram esposas de Xangô. E isto é fato!

Muitos dizem que Oxum enganou Obá e a induziu a cortar a orelha e colocá-la no amalá de Xangô, criando, com isso, uma grande desavença entre ambas. Conforme encontramos esta realidade na MITOLOGIA DOS ORIXÁS, sendo esta uma das lendas mais conhecidas de OXUM. Mas, pensa-se que Obá apenas cortou sua orelha para provar seu amor a Xangô. Muitos difundiram este mito porque Oxum é a orixá da beleza e da juventude, ao passo que Obá tem mais idade e protege as mulheres dignas, idosas e necessitadas, além de trabalhar com Nanã. 

Portanto, Quem afirmar que há uma desavença entre Oxum e Obá e que esta é a menos amada por Xangô está totalmente enganado, porque Obá é aquela mulher que fica ao lado do marido e que mais recebe o amor dele. 

Quanto ao fato de algumas qualidades lutarem entre si, não é por causa da "desavença", que nem é verdadeira, e sim porque as qualidades fazem uma representação de conflitos e guerras do tempo em que tais qualidades estavam na Terra. 

Do mesmo jeito que, se houver uma qualidade de Iansã que, quando viveu na Terra, teve uma guerra com Ogum, quando ambos incorporarem, representarão uma luta entre si, para mostrar que possuíam certa desavença, e um pouco da história do mundo. Vale lembrar que estamos falando dos ORIXÁS OBÁ E OXUM, e não de suas qualidades (caminhos). 

Os orixás tiveram uma história aqui na Terra, e as qualidades, outra. Então, se Iansã tiver um conflito com Ogum, não podemos dizer que a Iansã (ORIXÁ) tem conflito com o Ogum (ORIXÁ), porque quem tem a desavença são suas qualidades, e não os orixás entre si.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

COLETÂNEA CONHECENDO OXUM - ÁFRICA E BRASIL



Oxum, na religião Yorubá, é uma (Orixá) que reina sobre a água doce dos rios, o amor, intimidade, beleza, riqueza e diplomacia. Muito querida para os seguidores do candomblé. Sendo ela a dona do ouro, e dona da nação ijexá.  

África 


Osun, Oshun, Ochun ou Oxum, na Mitologia Yorubá é um orixá feminino. O seu nome deriva do rio Osun, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de Ijexá e Ijebu. Identificada no jogo do merindilogun pelos odu Ejioko e Ôxê, é representada pelo candomblé, material e imaterialmente, por meio do assentamento sagrado denominado igba oxum. 

É tida como um único Orixá que tomaria o nome de acordo com a cidade por onde corre o rio, ou que seriam dezesseis e o nome se relacionaria a uma profundidade desse rio. As mais velhas ou mais antigas são encontradas nos locais mais profundos (Ibu), enquanto as mais jovens e guerreiras respondem pelos locais mais rasos. Ex.: Osun Osogbo, Osun Opara ou Apara, Yeye Iponda, Yeye Kare, Yeye Ipetu, etc. 

Em sua obra Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns, Pierre Fatumbi Verger escreve que os tesouros de Oxum são guardados no palácio do rei Ataojá. O templo situa-se em frente e contém uma série de estátuas esculpidas em madeira, representando diversos Orixás: "Osun Osogbo, que tem as orelhas grandes para melhor ouvir os pedidos, e grandes olhos, para tudo ver. Ela carrega uma espada para defender seu povo".

O Festival de Osun é realizado anualmente na cidade de Osogbo, na Nigéria. O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, onde se encontra o Templo de Osun, é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2005.

Brasil 


Oxum é um Orixá feminino da nação Ijexá, adotada e cultuada em todas as religiões afro-brasileiras. É o Orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza. 

Em Oxum, os fiéis buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões, e também na vida financeira, a que se deve sua denominação de "Senhora do Ouro", que outrora era do Cobre, por ser o metal mais valioso da época. 

Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais. Oxum é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, característica que se transfere a seus filhos, identificados por chorões. 

Candomblé Bantu - a Nkisi Ndandalunda, Senhora da fertilidade e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi, tem semelhanças com Oxum. 

Candomblé Ketu - Divindade das águas doces, Oxum é a padroeira da gestação e da fecundidade, recebendo as preces das mulheres que desejam ter filhos e protegendo-as durante a gravidez. Protege, também, as crianças pequenas até que comecem a falar, sendo carinhosamente chamada de Mamãe por seus devotos.