segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O BOM CARÁTER - PARTE I



Ègbé, 

Costumo sempre que possível perguntar aos abians e os mais novos o que eles sabem a respeito de nossa religião. O que realmente vieram colher, o que realmente irão cultuar e o que eles objetivam. 

Para minha surpresa, ninguém conhece o cerne da questão. 

Por que cultuamos òrìsá? 

Qual a finalidade de tudo isto? 

Onde fica o fim da estrada? 

Pecado, absolvição, punição, Èsú, o que será que tudo isto quer dizer? 

O que devemos fazer dentro de um Ilè àse? 

Lavar, passar, cozinhar, arrumar, guardar, olhar, falar, fofocar, concertar, desentupir, capinar, varrer, ajudar, comer, aprender, osé, acender vela, rezar, òfò e etc... 

Quem poderia levantar o braço e dizer que a canção mais importante, é a que você está compondo? 

Sua canção tem que ser linda e ela não pode ser dividida e nem ter parceria, letra e musica devem ter inspiração própria, você tem compromissos seríssimos com sua evolução 

O sentido de caridade e ajuda ao semelhante é magnífico, porém, devemos olhar nossa estrada, devemos objetivar evoluir, devemos ascender, devemos buscar a superação. 

Dentro deste conceito, se analisarmos friamente, o grupo será beneficiado, se há evolução pessoal dentro do grupo, então existe um objetivo a ser alcançado pelos demais. Devemos servir de inspiração e não ajudantes de entrega ou meros ajudantes de estiva, ajudar o outro a carregar um peso que ele se desobriga a carregar, visto que chegou um auxilio luxuoso. Neste caso, você. 

O conceito de evolução espiritual está na base de nosso culto, é a atividade fim de nosso sacrificio, o objetivo maior do ser humano. E esta base chama-se caráter. Caráter é muito importante dentro desta cadeia espiritual, uma pessoa desprovida de caráter sempre terá obstáculos a ser ultrapassados, sua vida sempre terá um plus nos problemas, sempre ouviremos aquelas famosas frases: 

Mas como? 

Eu dei comida, dei até bicho de quatro pés calçado e nada aconteceu. E começa a transferência de responsabilidades, a mão do Ogan é ruim, o sacerdote não tem àse, me disseram que não foi feito direito, pelo que eu sei ficou faltando algo, enfim... 

Uma gama de subterfúgios para poder mascarar o erro individual, o desvio de caráter. Não podemos em hipótese alguma fugir de nossas responsabilidades, não estamos aqui para simplesmente vestir, bailar e ralar dentro de uma casa de àse. 

Nossas atitudes dentro e fora contaram muito, não se embriagar, a não promiscuidade, os maus costumes, os desvios de conduta, a falta de cuidado com o que não lhe pertence e muito mais exemplos que não são necessários exemplificar aqui, pois o conceito de certo e errado nasce com você, ele nós é ofertado na hora do sopro divino de Òlódúmarè (Emi), sabemos muito bem onde está o fiel da balança e para que lado ela pende conforme nossas atitudes no dia-a-dia. 

Dito isto, espero que fique menos confuso a forma de se relacionar com os objetivos de nossa religião. Orí é o ponto a ser alcançado e o caráter é a base para se conseguir atingir a meta. 

Lembrem: Se o ebo não fez efeito é por que faltou “folha” e esta folha muitas vezes pode ser o nosso caráter. 

Ire gbogbo. 

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - COBRANÇA DE VALORES


Motumbá, meus (minhas) irmãos(ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. Bom Dia!!! 

Como é de costume, aqui estamos nós para adentrarmos um pouco mais em nossa fé, seja por conceitos, por interpretações, seja como for. E uma das coisas que sempre nos afrontam dentro de nossa religiosidade é a questão famosa de VALORES (financeiros). 

Para explanar melhor este assunto, achamos conveniente este texto enviado por um de nossos colaboradores do BLOG O CANDOMBLÉ. Um texto muito bom que através de uma Mitologia pode se falar muito para nossa melhor compreensão. 

Ogbe Meji / Eji Ogbe / Eji Onilé. 


A questão da cobrança de valores sempre foi um caso sério. Onde vemos tudo de ruim em torno disso. Existe também uma pressão devido à prática de outras religiões que abominam a cobrança, assim não cobrarem é ético e cobrar não é ético. 

São religiões diferentes e o que não é ético é se comportar apenas motivado por dinheiro, lembrando que um Babalawo nunca será rico, é assim que os encontramos nas histórias, é assim que o babalawo diz. Não que eu esteja dizendo que Òlodumare recrimina os que assim não se comportam ou que nosso òrìsá nos virará as costas, não, estou dizendo isso apenas pelo aspecto ético. Mas o pior de tudo é ouvir que a pessoa só cobra porque “o anjo da guarda dela exige”

No odù Ofun’ogbe Òrunmila usa seus próprios materiais e dinheiro para fazer o sacrifício para Òrìsán’la (Osalá) e depois é compensado em 200x vezes o que gastou. Mas no odu Ogbe meji existe uma história muito direta sobre o assunto que é usado como explicação porque um babalawo cobra por seus serviços. 

Ogbe meji veio para a terra para trazer o bem e fazer o bem a todo mundo. Ele incansavelmente dia e noite ajudava a todas as pessoas que encontrava e que o procurava e nada exigia delas para isso. A benevolência do jovem Eji Ogbe o fez muito popular e sua casa tinha um fluxo imenso de pessoas que o procuravam pedindo sua ajuda, dia e noite. 

Ele curou os doentes, fez sacrifícios para os pobres, ajudou mulheres estéreis a terem filhos e garantiu o nascimento seguro de crianças de todas as mulheres grávidas que o procuravam. 

Com essas atividades ele ganhou muita admiração dos beneficiados, mas também ganhou inimizades dos sacerdotes mais antigos que ele que não se uniam a ele em seu altruísmo e benevolência. 

Um dia cansado ele dormiu e seu Ori veio em seu sono o advertindo que esses sacerdotes estavam conspirando contra ele. Ele acordou de manhã e logo foi para o oráculo. Ele procurou os sacerdotes Osigi sigi le epo, Usee mi ookagba igba e abu kele kon lo obe ide que juntos consultarem Ifá para ele, então eles o aconselharam a outros sacerdotes que se sentiram atingidos e prejudicados em seu modo de vida porque Ogbe meji fazia milagres sem cobrar nada foram para o Òrun um depois do outro para relatar a Ólodumarè acusando Eji Ogbe de prejudicá-los ao introduzir um novo código de comportamento o qual era totalmente estranho à ética no ayè. 

Ogbe meji por sua parte não tinha vida própria porque gastava todo o seu tempo a serviço de outros. Quando as crianças tinham convulsão ele era chamado, quando grávidas precisavam de ajuda ele era chamado, etc.. 

Òlodumare ouvindo esses relatos enviou Esù a terra para trazer Eji Ogbe de volta. Esù usou de discrição como uma estratégia para trazer Eji Ogbe de volta ao Òrun. Ele se transformou em uma pessoa sem emprego, procurando por um trabalho e foi bem cedo à casa de Eji Ogbe. Chegando lá ele implorou a ele para lhe dar um trabalho que o permitisse a viver. Eji Ogbe disse que não tinha como dar um trabalho a ele porque ele trabalhava de graça para as pessoas do mundo. 

Como ele ia comer o seu desjejum ele chamou o visitante para comer com ele, mas esse disse que não se qualificava para comer no mesmo prato de Ogbe meji assim iria comer após Ogbe meji ter comido. Contudo enquanto essa discussão se dava uma nova pessoa aparecia pedindo ajuda, ela disse que o seu único filho estava em convulsão e ela queria que Eji Ogbe viesse reviver o garoto. 

E assim se foi o dia todo resolvendo duvidas, brigas e disputas. O sol já se punha quando ele se sentou para comer seu desjejum matinal. Ele insistiu para o visitante comer com ele, mas esse disse que somente depois iria comer. Quando ele começou a comer Esù se transformou em Esù e Eji Ogbe viu que o seu visitante era um enviado de Òlodumare. 

Ele parou de comer e perguntou que mensagem teria para ele, e Esù disse que Òlodumare queria vê-lo no Òrun. Esù o abraçou e eles foram transportados para o Òrun. Tão logo chegando lá ele ouviu a voz de Òlodumare perguntado a ele, Eji Ogbe, por que estava criando tanta confusão no mundo! 

Eji Ogbe se pôs de joelhos para dar a sua explicação, mas, Esù, se pôs a frente e se ofereceu para explicar. Esù explicou que Òlodumare em pessoa não poderia estar fazendo tanto quanto Eji Ogbe no ayè. Ele disse que desde cedo e sem tempo até para comer, Eji Ogbe estava a serviço da humanidade sem receber nenhuma recompensa por isso. 

Esù disse que Eji Ogbe fazia no ayè a mesma coisa que fazia no Òrun e que por isso ela estava apenas aborrecendo os sacerdotes que eram amantes de dinheiro. 

Òlodumare disse que Eji Ogbe se levantasse dos seus joelhos e que voltasse para o ayè e continuasse o seu bom trabalho, mas, que cobrasse um valor razoável por seus serviços, mas continuasse a ajudar a quem necessita e que receberia por isso as bençãos dele Òlodumare. 

A interpretação de uma história depende sempre do interlocutor, não existe uma interpretação única ou mesmo sentido literal. Essa história justifica o fato de os babalawo cobrarem por seus serviços. Também mostra que fazer o bem é o que se espera de uma boa pessoa e não trocar benfeitorias por dinheiro é o que de melhor se poder esperar de uma pessoa; mostra também que as pessoas se incomodam com o bem que você faz e não com o mal as traz. 

Enfim, muitas interpretações podem ser feitas por cada pessoa. 

Texto compilado da Net sem autoria e sem fonte.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - FÉ, DINHEIRO E AMBIÇÃO


Estão vendo a religião, não apenas como alimento para a sua fé, mas com um caminho para seus ganhos materiais. Um assentamento de orisá, virou um investimento.

Os menos avisados rezam hoje pensando em acordar ricos amanhã; dentro de pouco tempo provavelmente será criado um contrato, aonde devera constar o valor aplicado e a pretensão de retorno, juros e lucros de forma bem clara, com possíveis clausulas que gerem uma provável indenização; só nos resta saber quem vai assinar em nome do orisa esse contrato maluco, é verdade que as promessas em nome dos orisas todos já sabemos quem faz,a desinformação e a ignorância. 

Precisamos parar, e analisar melhor a definição do que é ter fé, e como se coloca essa fé dentro de uma religião. 

Vejo tantas pessoas diante de um orisá, reivindicar as suas necessidades financeiras, e me pergunto por que isso acontece dentro de nossa religião? 

Alguém já viu isso acontecendo em outras religiões? 

É raro alguém pedir ao orisá que lhe dê um caminho, que lhe de compreensão e paciência diante dos obstáculos. 

Em um momento de dificuldade as pessoas que não forem orientados corretamente podem encontrar na sua caminhada religiosa obstáculos e em muitas situações podem terminar fazendo uma interpretação de maneira errada, outrora crédulo, agora culpa a religião, por acreditar que os orisás não lhe deram o bem material necessário. 

Não é errado pedir ajuda ao orisa, mas a grande maioria das pessoas também deveriam trabalhar bastante e se capacitar para enfrentar as dificuldades da vida moderna, nos dias de hoje mais do que nunca rezar, faz bem, mas trabalhar é fundamental. 

Fico me perguntando, até quando poderemos manter essa religião tão linda, com tanta falta de cultura, será que em um futuro, ainda veremos uma mulher em sua gravidez rezando a Osun por um bom parto, um enfermo clamando a Obaluaiyê por sua saúde? 

Enfim esta sendo difícil, para mim, um praticante da religião, entender o que está acontecendo, me pergunto se as pessoas não deveriam assumir uma postura diferente diante dos orisa. 

Algumas pessoas estão se sentindo verdadeiros proprietários dos orisás, chegamos ao ponto de achar que o orisá tem o dever de nos deixar ricos, ou dar caminho para isso, caso contrario, ele não esta mais servindo. Nós precisamos da força dos orisas, para prosseguir diante as dificuldades, mas tornar isso um negocio é inconcebível. 

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O OBI



Obi é um elemento muito importante no culto de Orisa. A noz de cola, Obi, é o símbolo da oração no céu. É um alimento básico, e toda vez que é oferecido seu consumo é sempre precedido por preces. 

Foi Orunmilá quem revelou como a noz de cola foi criada. 

Quando Olodunmare descobriu que as divindades estavam lutando umas contra as outras, antes de ficar claro que Exú era o responsável por isso, Ele decidiu convidar as quatro mais moderadas divindades (Paz, a Prosperidade, a Concórdia e Aiye, a única divindade feminina presente ), para entrarem em acordo sobre a situação. 

Eles deliberaram longamente sobre o motivo dos mais jovens não mais respeitarem os mais velhos, como ordenado pelo Deus Supremo. Todos começaram então a rezar pelo retorno da unanimidade e equilíbrio. Enquanto estavam rezando pela restauração da harmonia, Olodumare abriu e fechou sua mão direita apanhando o ar. Em seguida abriu e fechou sua mão esquerda, de novo apanhando o ar. 

Pós isso, Ele foi para fora, mantendo Suas mãos fechadas e plantou o conteúdo das duas mãos no chão. Suas mãos haviam apanhado no ar as orações e Ele as plantou. No dia seguinte, uma árvore havia crescido no lugar onde Deus havia plantado as orações que Ele apanhara no ar. Ela rapidamente cresceu, floresceu e deu frutos. Quando as frutas amadureceram para colheita, começaram a cair no solo. 

Aiye pegou-as e as levou para Olodumare, e Ele disse a ela para que fosse e preparasse as frutas do jeito que mais lhe agradasse. Primeiro, ela tostou as frutas, e elas mudaram sua textura, o que as deixou com gosto ruim. No outro dia, Ela pegou mais frutas e as cozinhou, e elas mudaram de cor e não podiam ser comidas. Enquanto isso, outros foram fazendo tentativas, no entanto todas foram mal sucedidas. 

Foram então até Olodumare para dizer que a missão de descobrir como preparar as nozes era impossível. Quando ninguém sabia o que fazer, Elenini, a divindade do Obstáculo, se apresentou como voluntária para guardar as frutas. Todas as frutas colhidas foram então dadas a ela. 

Elenini então partiu a cápsula, limpou e lavou as nozes e as guardou com as folhas para que ficassem frescas por catorze dias. Depois, ela começou a comer as nozes cruas. Ela esperou mais catorze dias e depois disso percebeu que as nozes estavam vigorosas e frescas. Após isso, ela levou as frutas para Olodumare e disse a todos que o produto das preces, Obi, podia ser ingerido cru sem nenhum perigo. 

Deus então decretou que, já que tinha sido Elenini, a mais velha divindade em Sua casa quem conseguiu decodificar o segredo do produto das orações, as nozes deveriam ser dali por diante, não somente um alimento do céu, mas também, onde fossem apresentadas, deveriam ser sempre oferecidas primeiro ao mais velho sentado no meio do grupo, e seu consumo deveria ser sempre precedido por preces. 

Olodumare também proclamou que, como um símbolo da prece, a árvore somente cresceria em lugares onde as pessoas respeitassem os mais velhos. 

Naquela reunião do Conselho Divino, a primeira noz de cola foi partida pelo Próprio Olodumare e tinha duas peças. Ele pegou uma e deu a outra para Elenini, a mais antiga divindade presente. 

A próxima noz de cola tinha três peças, as quais representavam as três divindades masculinas que disseram as orações que fizeram nascer a árvore da noz de cola. 

A próxima tinha quatro peças e incluía assim Aiye, a única mulher que estava presente na cerimônia. 

A próxima tinha cinco peças e incluiu Orisa-Nla. 

A próxima tinha seis peças representando a harmonia, o desejo das orações divinas. 

A noz de cola com seis peças foi então dividida e distribuída entre todos no Conselho. 

Aiye então levou a noz de cola para a Terra, onde sua presença é marcada por preces e onde ela só germina e floresce em comunidades humanas onde existe respeito pelos mais velhos, pelos ancestrais e onde a tradição é glorificada. 

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - CONSULTA AO OBI


A consulta ao Obi tem mais de cinco caídas? A resposta é sim, estamos diante de um momento histórico.

Podemos mudar o rumo,de tudo que está acontecendo,é chegada a hora da recuperação do que foi perdido, mas para isso temos que estar dispostos. Exemplos como esse do jogo de obi (fruto, que também serve como Oráculo) podem sim ser usados no nosso país, que ensina que o jogo de obi tem cinco caídas, poucos sabem que no obi existe partes masculinas e partes femininas. 

O número de estórias inventadas em nossa religião é tão grande, que ainda existe quem acredita que embaixo da roupa de Baba egungun, não tem nada.

As nove caídas do jogo de Obi.

1. Ilera - 1 masculino: boa saúde, poder masculino, também trás o insucesso.

2. AJE -1 Feminino: o poder das mulheres traz prosperidade, mas uma manifestação negativa feminina tem o poder de bloquear a prosperidade .

3. Ejire - 1 masculino e 1 feminino: harmonia entre o sexo masculino e feminino , sucesso em qualquer negócio.

4. Akoran -2 masculinos: determinação, manifestação negativa de disputas, conflitos.

5. Ero -2 femininos: paz, tranqüilidade e relaxamento, preguiça leva ao fracasso.

6. Akita - 2 masculinos 1 feminino: sucesso após dificuldades mas a falta de entendimento pode levar ao fracasso. 

7. Obita - 2 femininos e 1 masculino: vitória e sucesso podem desaparecer..

8. Alaafia - Todos os quatro abertos: harmonia em todos os aspectos, uma vitória completa, as medidas devem ser tomadas para atingir o sucesso.

9. Oyeku - Todas as quatro partes estão fechadas manifestação obstáculos e doença, até a morte.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - BOAS MANEIRAS NO SANTO


BOAS MANEIRAS NO SANTO 

I. Quando saímos de nossa casa material e vamos para o terreiro ou barracão de santo, preciamos compreender que apesar de ser nosso lar espiritual onde nosso Orixá e nossas entidades se representam, não é lugar de se achar a vontade usando conversas e tendo atitudes desrespeitosas. Mantenha sempre a concentração com assuntos pertinentes ao culto, evite conversas que dispersam o foco, e mulheres! tenham bom senso evitem roupas ousadas, você não está em uma balada e sim em um templo religioso. Evite ser vulgar. 

II. Lembre-se sempre, mantenha o celular no vibra ou de preferência desligado. Se é proibído você atender dirigindo por exemplo, imagine que abuso você atender diante de quem dirige você?. Tenha noção! 

III. Procure manter todos os ambientes do seu templo limpo e conservado. O Zelador apesar do nome, é Zelador de Santo e não como Zelador de prédio, não tem obrigação nenhuma de trabalhar para você, a obrigação dele é com os Orixás. Nunca se esqueça que a organização e limpeza é também uma forma de evoluir. 

IV. As divergências sempre irão existir, porque são pessoas de educação e culturas diferentes tentando interagir. Respeite o seu irmão e ao invés de apontar ou criticar ressalte os pontos positivos, evite fofocas, bate boca. Todos estão alí, buscando solução para seus problemas pessoais e espirituais e não para somar mais problemas. 

V. Contribua financeiramente para a sua casa de santo. Não pense que o Pai ou Mãe de santo tem sociedade com a companhia de Luz e Água, porque não tem!. E ele já faz o bastante cedendo o seu espaço e sua privacidade, para que todos possam cultuar suas entidades e Orixás. É um absurdo ele ainda ter que pagar por isso! Tenha bom senso, existem coisas que não se precisa pedir e aliás, o Zelador nem deve! Isso deve partir de cada um. Seja pro-ativo colabore inclusive para que você possa ter mais conforto, afinal alí também é sua casa e como toda casa, tem suas despesas e seus gastos. Se dividir entre todos não pesa pra nínguem e o seu Pai ou Mãe de santo, poderá investir em melhorias para todos. 

VI. Amar o orisá é passar por cima do orgulho, da vaidade, do ego. 

VII. Quando estiver em sua casa de santo, esqueça o mundo exterior. Vá sem pressa para sair ou então não vá. Além de você quebrar a corrente daqueles que estão voltados e entregues totalmente ao culto, você está perdendo seu tempo, pois o Orixá e as entidades dependem de você por inteiro, se sua outra metade ficou lá fora de nada adiantou você ir. Festas, passeios, e outros compromissos temos outros dias para fazer, mas o culto não é todo dia. Dedique-se inteiramente. 

VIII. Ao levantar e ao deitar agradeça a Deus e seu Orixá. Não vá apenas para pedir, vá principalmente quando não tiver nada para pedir. Esse é o verdadeiro gesto de amor ao santo. 

IX. Irmão de santo nem sempre é agradável, alguns fazem questão da fofoca, outros são puxa saco, outros folgados. No entanto saiba aprender observando e valorize o que cada um tem de bom. Isso mostra o seu amadurecimento dentro do culto. 

X. Nunca minta para o seu Orixá. Estará apenas se engando. 

XI. Diferente de outras religiões nós não temos uma bíblia ou um livro universal. Por isso, é muito mais difícil de compreender. Estude, pesquise, procure aprender e conhecer sobre sua religião. Tenha assim como os evangélicos e os demais, conhecimento do que fala. Um filho de santo mal informado acaba ajudando a espalhar a ignorância daqueles que nada sabem. Não fique dizendo apenas porque ouviu, Estude! pesquise! Aprenda!. Apesar da nossa cultura se passar de forma oral, hoje em dia temos bons escritores e bons conhecedores do culto onde podemos nos basear. Seja humilde, não sabe ? pergunte ! mesmo que ainda não seja a hora de você saber, mas pelo menos tenha interesse. Tudo no culto de Orixás tem resposta e cada uma no seu tempo. 

XII. Respeite os outros credos. Quando temos postura, mesmo o mais rebelde se cala. Uma postura de respeito à si e com o outro faz com que ele baixe as armas do ataque.Lembre-se: Fé é toda certeza que dispensa provas, você não precisa provar nada a ninguém apenas exerça o livre arbítrio. Não precisa sair por ai cheio de fios de contas ou ostentando qualquer coisa desnecessária, mas tenha orgulho da sua religião. Não discuta com os ignorantes, não devemos perder tempo com o que não evolui. Toda vez que cair ou se levantar diga ao mundo, agradeço ao meu Orixá. Aprenda com os crentes, divulgue as vitórias que obteve com o seu santo e jamais meta o malho nele, ou você já viu algum crente mesmo quando sai da Igreja metendo o malho em Jesus? Ganhar e perder faz parte da vida, mas cada um escolhe o que quer contar. 

XIII. A alegria faz parte do culto, nossos antepassados cantavam o tempo todo. Esta na roça? Cante, seja alegre, participe. Se seu humor não esta legal, fique em casa, não desconte nos irmãos e na casa sua falta de atitude na vida e seus problemas. 

XIV. Orixá da caminhos, não é uma maquina de resolução de problemas e de formar ricos e famosos, se fosse o primeiro seria o Pai e Mãe de Santo. Quando alguém vai a Igreja e faz um pedido e não é atendido, nem assim deixa de ir a Igreja ou sai falando mal, no máximo diz: ah não deve ser do meu merecimento. Sendo assim, o que te faz pensar que o Orixá tem que realizar tudo que você deseja, se nem mesmo Jesus realiza? 

Cada um tem aquilo que merece. Pedir é livre mas receber é por mérito. Não procure na nossa religião realizar milagres! Milagres só quem faz é Deus, aqui realizamos a evolução e o Orixá lhe mostra o melhor caminho, no mais, é com você. Seja consciente. 

XV. Seja senhor das suas palavras para não ser escravo delas. Lembre-se do poder da palavra. Ouvir é Ouro e falar é prata! ATENÇÃO

A LEI DO RETORNO EXISTE! CUIDADO COM O QUE PEDE E COM O QUE DESEJA AO PRÓXIMO. 

Gabriel D'Xangô - Zelador de Santo ( retirado da página Muito Axé ) 

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - AMOR AOS MAIS VELHOS


Motumbá meus irmãos, mais uma semana juntos, através do nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ

Muitas vezes pensamos que vamos encontrar aqui, somente o que nos agrada ou que de fato nos interessa. Devemos sempre nos lembrar que o BLOG OLHOS DE OXALÁ é de fato voltado ao público CANDOMBLECISTA, bem como do público UMBANDISTA, ou ainda de qualquer outra facção ESPIRITUALISTA

Mas dentro destas realidades também devemos nos posicionar quanto a fatos da vida que nos fazem pensar o nosso proceder e modo de agir como pessoas que buscam viver uma ESPIRITUALIDADE REAL E VERDADEIRA, não somente dentro de seus barracões, ou Ilês Asés, mas esta realidade deve sim ver vivida dia-a-dia, sem esmorecer. 

Com esta postagem compartilhada por nossos amigos da CASA DE OXUMARÊ, é interessante tomar este texto como exemplo e ver de fato o que podemos melhorar em nossa existência.


OLHOS DE OXALÁ E FEDERAÇÃO UMBANDISTA CARAPICUIBANA CONVIDAM

Amados (as) irmãos (ãs) outro evento esta por vir nestes novos tempos que se aproximam. 

Todos nós de alguma forma, temos uma certa devoção, carinho e respeito pelos mestres CABOCLOS,  seja na realidade da UMBANDA SAGRADA como também na realidade do CANDOMBLÉ

Desta forma, nós do BLOG OLHOS DE OXALÁ E A FEDERAÇÃO UMBANDISTA CARAPICUIBANA, representada por seu diretor OGÃN FRANKLIN DE OGUM, um de nossos COLABORADORES como CO-AUTOR, de nosso BLOG, que se mostra presente com estes eventos voltados à RELIGIOSIDADE, estamos juntos CONVIDANDO VOCÊ a participar: 


Acompanhem conosco alguns dos melhores momentos da 1ª HOMENAGEM AOS CABOCLOS DE 2012, no mesmo local.







OLHOS DE OXALÁ - LEMBRANÇAS DE NANÃ

Motumbá nossos (as) amados (as) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. Bom dia!!

Chegamos em mais um Domingo, e muitos se devem estar perguntando o motivo de termos ficado um pouco distantes de vocês durante estes dias. Mas graças a Deus, tivemos mais uma vitória. Desta vez, vinda pelos braços de Mamãe Nanã.

A pedido de um amigo de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, o querido e novo amigo, OGÃN SÉRGIO RICARDO T'OXAGUIAN, da região da grande São Paulo, na cidade de PIRACICABA, nos solicitou nossos serviços; onde desde o dia 05/02, buscamos integralmente nos centrar na confecção de suas LEMBRANCINHAS DE ORIXÁS - NANÃ, para presentear a sua YALORIXÁ que estaria dando obrigação.

Foram exatamente 200 unidades, todas feitas com muito carinho, amor e dedicação. Ainda mais sendo uma OBRIGAÇÃO, o que requer um requinte a mais. Neste caso, sabiamente escolhido com sua apresentação do KIT LUXO, que além das bonequinhas devidamente vestidas em NANÃ, conforme sugestões do mesmo, para estar de proximidade com a roupa que a ORIXÁ estaria vestida em seu RUM. Tivemos a bela escolha de confeccionar as cestas de Nanã. Cujas fotos estamos compartilhando agora.

Nosso muito obrigado por ter confiado em nosso trabalho e que NANÃ ABENÇÕE A TODOS

Aqui começa nosso trabalho, a elaboração da roupinha, fazemos várias tentativas para combinar cores, adereços a fim de não deixar luxuoso dimais para não perder a essencia, buscando respeitar a QUALIDADE DO ORIXÁ em questão, até chegar na arte final.




Deste processo em diante começa a confecção em larga escala. Todas tem de ficar iguais, para que o conjunto todo fique harmonioso.




Quando se trata de um KIT LUXO, onde as CESTAS DO ORIXÁ, também são solicitadas, buscamos fazer de acordo com os tons que utilizamos nas LEMBRANCINHAS. Trata-se de um carinho votivo dedicado à ORIXÁ em questão, que vai ser homenageada.



Não podemos negar que durante a sua confecção houveram de fato alguns contratempos com correios e outras coisinhas, mas tudo deu certo. E graças a Deus foi mais uma conquista e uma honra pra nós fazermos tais lembrancinhas.

Querendo maiores informações meus (minhas) amados (as), podem entrar em contato conosco por aqui mesmo em nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, ou pelo FACEBOOK, só procurar PEDRO MANUEL T'OGUM, ou ainda visitando nosso perfil ainda no velho ORKUT OLHOS DE OXALÁ (O BLOG) ou nossa página também no FACEBOOK BLOG OLHOS DE OXALÁ

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - NEM TODOS TEM CAMINHOS PARA O SACERDÓCIO

Este assunto entre os demais postados hoje, digamos de passagem é o de maior ponto de POLÊMICA em nossos dias. 

Desde os tempos primórdios do CANDOMBLÉ ou até mesmo da UMBANDA SAGRADA, para se alcançar o posto de PAI DE SANTO/ MÃE DE SANTO (Umbanda) ou BABALORIXÁS/IALORIXÁS (Candomblé). Sempre existiu, e ainda hoje, naquelas casas que de fato buscam fazer as coisas como a tradição pede e manda, existe um tempo certo pra tudo, até se chegar ao posto e recebimento de tão grande CARGO OU FUNÇÃO

Mas existem outras realidades que devemos por em pauta. Será que todo o Yawô, que chega a completar os seus sete anos, recebendo a função de Egbomi, vem a ser um BABALORIXÁ OU IALORIXÁ? A resposta é única: NÃO! 

Tem se visto por ai, muitas casas dizerem: "TODOS AQUI PODEM SER BONS PAIS DE SANTO OU BOAS MÃES DE SANTO". Se fosse assim, pode ter a certeza que a cada esquina teria um terreiro, ou um Ilê Asé. 

Dos mais antigos, aos que buscam de fato fazer as coisas certas, bem sabem que a função PAI/MÃE DE SANTO ou BABALORIXÁ/IALORIXÁ, por si só tem um peso enorme de responsabilidade. Pois todos que exercem esta função, antes de mais nada tem de se conscientizar que nada mais são que ZELADORES DE SANTO. Onde vidas são postas ali nas mãos dessas pessoas para serem zeladas. 

Vamos pegar alguns exemplos que infelizmente não estão mais entre nós fisicamente: 

PROCÓPIO DE OGUM; 

MÃE MENININHA DO GANTUÁ; 

TATÁ PÉRCIO DE XANGÔ; 

Pessoas que de fato, foram antes de mais nada "CONFIRMADAS" pelos ORIXÁS a exercerem tal função. Confirmação esta dada em IFÁ, para muitos "JOGO DE BÚZIOS". 

A "coisa" não é só completar os seus sete anos e pronto. Já se vai abrindo uma casa de santo, raspando cabeças a torto e a direito, como que numa competição para dizer: "OLHA JÁ TENHO TANTOS FILHOS DE SANTO". Pode parar com isso, quem pensa assim, infelizmente dessa forma. 

Além de vermos hoje em dia, e isso é triste, pessoas totalmente despreparadas, assumindo cargos de PAI/MÃE DE SANTO ou BABALORIXÁS/IALORIXÁS. Uma situação que esta crescendo numa proporção enorme. Ainda vemos coisas piores: YAWÔS, se posicionando como tais. Mal acabam de completar seus TRÊS ANOS, ou nem isso, e já saem raspando pessoas por ai. 

Como assumir uma função destas sem poder oferecer aquilo que naõ se tem? DESCULPE mas é impossível!!! Para se ter essa noção antes de mais nada não se visa ter casas abertas, verdadeiros monumentos arquitetônicos ou ate´mesmo casas cheias para dizer que é o bom. Precisa ter conteúdo. Preceitos. Como exigir um dia comprometimento e obediência de alguém se estas pessoas não o foram nem comprometidas muito menos obedientes de esperar o tempo certo? 

Como se exigir algo de alguém que naõ se fez em sua própria realidade? Fica difícil né! 

Vejamos o que este texto que recebemos da própria CASA DE OXUMARÊ nos diz:

Nem todos têm caminho para o sacerdócio.


A formação do Sacerdote de culto de òrìsá e longa e penosa. As noites, as histórias contadas e guardadas, os ensinamentos passados e as duras lições das madrugadas frias ou abafadas. As indagações, a insegurança e o verdadeiro clamor pela fé.

A sabedoria, o conhecimento e a sensibilidade, advêm de saber muito mais ouvir do que falar, o precioso silencio, o saber que na hora exata tudo se mostrará, faz de figuras ímpares os verdadeiros disseminadores do amor e da fé de nosso culto maravilhoso, explendoroso e mágico. 

Não basta a vontade, tem que ter 'tombo', ser o escolhido e ser verdadeiramente "verdadeiro" em seus propósitos. Ser sacerdote é calar, admirar e adorar quando se está diante de uma divindade. 

Diz um itan: 

Foram os Babalawo que fizeram a adivinhação. Quando Ómósile veio para à Terra, foi consultar com os Babalawo para saber qual deveria ser a sua profissão para ter uma vida prospera. 

Eles lhe disseram que deveria se dedicar ao mercado. E que somente rendesse culto às divindades, sem exercer o sacerdócio. 

Ao chegar ao Mundo, Òmósile esqueceu-se do mercado e iniciou-se no culto aos Orisa. Sem ter os devidos conhecimentos, abriu seu próprio templo sem fazer os ritos nem os ebo necesários. Começou em pouco tempo a trabalhar com a religião e a iniciar outros. 

Èsù, olhando que o templo feito por Ómósile não tinha a permissão das divindades, fez mexerico entre alguns seguidores de outro culto, dizendo que Òmósile fazia bruxaria para eles. 

Avisados por Èsù, foram pela noite até o templo de Ómósile e atearam fogo. 

Ao outro dia, quando Ómósile chegou e olhou tudo queimado, foi para a adivinhação. Os Babalawo disseram que deveria esquecer-se da religião, pois não era seu caminho, pois deveria ser comerciante e apenas render culto às divindades sem exercer o sacerdócio. Lhes aconselhou que fizesse ebó para achar o caminho da prosperidade. 

Ele fez o ebó. 

Ao tempo, sua vida mudou para melhor e começou a prosperar com as vendas. Casou e teve muitos filhos. Ele cantou e dançou em louvor aos Babalawos que fizeram a adivinhação. 

"Nem todos tem caminho para o sacerdócio.” 

Sabedoria celeste. 

Por: Bàbá Osvaldo ómó Obàtálá. 

Assim, com este texto, finalizamos este assunto e novamente dizemos não basta fazer filhos de santo. Mas tem de saber zelar, cuidar e fazer crescer.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ÉTICA E O SACERDOTE

Quando vemos uma criança apontar um coleguinha como sendo o culpado por uma de suas travessuras, já podemos imaginar como vai ser o futuro dessa pessoa se não houver a interferência dos pais.


Nas diversas áreas podemos sentir as distorções de personalidade, e a falta de caráter, de um indivíduo, que muitas vezes começa lá na infância; quando isso é notado em um sacerdote, me faz lembrar uma conhecida frase Yorubana ( En ti ase loore ti ko Du pé buru ju olósa Ti ó kò ní léru ló) aquele a quem concedemos bondades que não expressa gratidão, é pior que o ladrão que rouba nossas coisas.

Quando confiamos em alguém, nossa fé, isso nos torna vulneráveis, abrimos nosso coração e expomos nossas feridas, assim como as mais profundas angústias de nossa alma e, muitas vezes, reconhecemos naquela pessoa um elo de ligação com o sonho e a esperança da realização, e isso nos conduz a conceder bondades a esse suposto confiável, amigo, e orientador.

Quando uma consulta a um sacerdote acontece, nos desnudamos e assumimos nossas falhas, e nossa real condição de impotência para lidar com o desconhecido ou com o inesperado.


Isso coloca, o então, senhor da resposta,como solução as nossas angústias e lhe concede o direito de colocar na solução, custos, mesmo que algumas coisas jamais possam ser pagas, quando de fato acontecem.

A condição de solucionador de problemas do corpo e do espírito, não é verdadeira, na realidade o sacerdote, é somente um elo de ligação, entre a solução e o problema, isso não justifica algumas vaidades exteriorizadas, quando do sucesso do tratamento, até porque a solução partiu do Orisa e não do sacerdote.

Quando analisamos do ponto de vista ético, um orientador, jamais deve afastar uma pessoa de sua religião, e sim fortalecer nela aquilo que naturalmente se desenvolveu: confiança, credibilidade e esperança; jamais tal comportamento deve unir o adepto ao emissário e sim a divindade.


Nada mais justo que por esse caminho não trafegue a ilusão, o dever de quem orienta é ajudar a sonhar e jamais iludir.

Quando buscamos em uma consulta aos Orisas, orientação, evidentemente que os interesses do sacerdote, devem ser omitidos, assim como a opinião pessoal do mesmo.

Tal fato transfere a responsabilidade ao Orisa que orientou, mas em nenhum momento isenta o sacerdote da interpretação.

Acredito de fato que quando alguma coisa deixa de acontecer é um erro de interpretação e nunca um equivoco divino.


Assumir tais erros, é um ato de coragem, e sem dúvida, é uma questão ética, considerando o fato que, além dos interesses envolvidos, houve uma expectativa gerada, nada mais justo que um resultado positivo seja sentido, e a resposta aos questionamentos venha como solução ao problema.

Assumir responsabilidades é um atributo de quem oferece soluções.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - POR QUE OS ANTIGOS VIRAM SEUS COPOS?

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs), saudações e grandes saudades. 

Muitos devem ter se perguntado o motivo de ter demorado de postar algo aqui. Mas o fato é que andamos muito ocupados nestes dias. Com assuntos diversos aqui para serem resolvidos. Mas graças a Deus, Ogum e a Oxaguiãn, aqui estamos novamente para dar andamento ao nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ

Hoje, estamos compartilhando algumas novidades interessantes que achamos convenientes postar aqui para crescimento de todos e claro familiarização com os tempos atuais de nossa RELIGIOSIDADE

Entre elas esta postagem vinda do FACEBOOK, mas que de fato é de grande aprendizado pra todos nós. Tirada do BLOG DA CASA DE OXUMARÊ.


Porque as Pessoas Antigas do Candomblé Emborcam o Copo após Beber? Mania de Gente Antiga, ou Conhecimento da Religião? 

É muito comum, sobretudo em Salvador, observamos os antigos membros do Candomblé emborcarem o copo após terem bebido qualquer coisa. Muitas pessoas acham que é mania de gente antiga, mas porque eles fazem isso? 

Uma antiga história Nago, diz que Ògún viajou por longos sete anos, desbravando novas terras. Ao retornar para a sua cidade, Ire, ninguém o reverenciou, pois estavam em voto de silêncio que durariam sete dias. Além do silêncio, ficariam em jejum, razão pela qual, esvaziaram todas as vasilhas que continham água, para evitar olhar para o líquido, o que lhes daria mais vontade de beber. 

Ogun ficou muito irritado, pois ninguém o reverenciou e, ao ver muitos copos, começou a procurar algo para beber e saciar sua sede. No entanto, todos estavam vazios, afinal toda a população ficaria em jejum por sete dias. Sem conseguir imaginar a razão daquilo, Ogun cometeu um grande ato violento contra aquelas pessoas, dizendo que ninguém o reverenciou e ninguém deixou nada para que ele pudesse beber. 

Seu Pai, ao chegar e ver o que Ogun estava fazendo, o advertiu, lembrando que todos estavam em voto de silêncio, razão pela qual as pessoas não o cumprimentaram e, todas as vasilhas estavam vazias, sendo que eles estavam de jejum. 

Em lembrança dessa história, as pessoas na casa de Candomblé, após beberem, viram o copo, para que Ògún saiba que eles estão vazios, não despertando a sua ira. 

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoado todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - POR QUE JOGAMOS ÁGUA NA RUA?


Porque Jogamos Água à Rua? 

A misteriosa Religião dos Òrìsàs é norteada de costumes e dogmas, um deles é aquilo que chamamos de “despachar a rua”, que condiz em jogar três punhados de água, antes de entrar ou sair de casa. Mas porque fazemos isso? Primeiramente é importante recordarmos da importância da água na nossa cultura. No Candomblé não se faz nada sem água, ela que umidifica, resfria e fertiliza. Nós mesmos, antes de nascermos, no útero de nossa mãe, ficamos o período gestacional na água do ventre materno, somente isso já seria o suficiente para sermos gratos à água diariamente, afinal, sem ela não existiríamos. 

Há muitos momentos em que despachamos a porta. As ocasiões mais comuns são ao acordamos, ao sairmos de casa e ao retornarmos para casa. Mas não são somente nesses momentos. Por exemplo, há determinadas cantigas que retratam um momento de muita turbulência na vida do Òrìsà, podendo despertar sua cólera se entoadas em momentos inoportunos. Nessas situações, o Babalòrìsà ou Ìyálòrìsà, sempre atento, solicita à uma antiga egbon, que jogue água à rua, apaziguando o Òrìsà que foi recordado de um momento adverso em sua vida no Aye. 

Em suma, em todos esses momentos, o objetivo é apaziguar. Há uma frase em yorùbá que diz “Somente a Água Fresca Apazigua o Calor da Terra”. Ao acordamos, despachamos a porta, recitando palavras que tem por objetivo, pedir que aquele dia seja de tranqüilidade e de harmonia. Quando estamos saindo de casa, jogamos água à rua, rogando à Èsù Oná (O Senhor dos Caminhos), que aquela água, apazigúe os caminhos que vamos percorrer e que, sobretudo, não nos deparemos com situações que nos exponha a riscos. 

Ao entrar na Casa de Candomblé, por exemplo, despachamos a rua, pedindo licença aos Donos da Porteira, reverenciando-os sempre. Em muitas casas de Candomblé a porteira está sempre aberta, isso não significa que não há dono, muito pelo contrário. Nesse aspecto, pedimos licença (Ago) aos Donos da Porteira, mostrando nosso respeito e, pedindo que a água resfrie a terra, até o momento em que, vamos nos purificar por meio do Omi Ero ou Omi Agbo, para poder então, partilhar do convívio no Terreiro de Asè. 

Por isso, jamais se esqueçam, apazigúe a terra antes de caminhar sobre ela. 

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoado todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ÁGUA, A FOLHA E A PEDRA

Certamente que encontrar a essência do orisa,não é ir à áfrica,existem várias essências no ritual de culto aos Orisas,nunca deveríamos confundir com ir até as origens.


Durante a iniciação de uma pessoa de Osun , retiramos a água do rio que será usada nos rituais,essa é uma forma de extrair a essência,assim como quando preparamos as folhas maceradas ou calcinadas também estamos extraindo parte do conjunto necessário ao culto do orisa em seu Igba (vasilha de assentamento),no momento que seguramos em nossas mãos um minério de ferro e invocamos Ogun em seu igba sentimos a presença do orisa,mesmo quando uma pessoa retira das águas do rio um okuta (pedra) cor amarelada, que não tem nenhuma rachadura obtemos uma das essências de Osun.

A brancura do okuta de formas delicadas representa certamente um dos princípios de Obatala,mas é com a inclusão de outras essências como o efun e o chumbo e as folhas certas, que formam um conjunto de elementos que caracteriza o início do assentamento, mas o ofo (encantamento sagrado) certo, e o ase (axé) de quem o pronuncia é que vai completar o ritual,a escolha do sacerdote continua sendo o elemento que dá o equilíbrio.

Então a escolha do individuo permanece como o ponto fundamental em todas a situações,o acerto, ou o erro vai caracterizar o sucesso ou o fracasso de uma iniciação.