sábado, 3 de março de 2012

CANDOMBLÉ KETU

 Candomblé Ketu é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé.

No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yorubá (Ioruba). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, que algumas princesas vindas de Oyó e Ketu, na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana. Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. "Para cada categoria ocupacional, raça, nação, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica".

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato. O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé. O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente freqüentado pelas elites locais. Posteriormente as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte. Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo desgraçadamente demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média, de gosto duvidoso. Saindo para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Odorico Tavares arrisca uma opinião: a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização. Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu. Parece que o “corpus” da irmandade continha variada procedência étnica, já que, fala-se: mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros. Na comunidade existente atrás da capela da confraria foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu que depois se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano para Cachoeira e São Félix para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou, Roça do Ventura.


O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho, sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil, de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.

Casa Branca do Engenho Velho


Ilê Axé Opô Afonjá



Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois

APRENDA A MONTAR UMA FONTE

Motumbá amigos (as) do nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. 

Como é do conhecimento de todos, a algum tempo atrás, nosso BLOG, passou por algumas mudanças na sua estrutura. Nesta mudança algumas postagens foram excluídas e outras salvas e bem guardadas para posteriormente serem postadas conforme o andamento do mesmo. 

Mediante a um pedido para mim, muito especial, feito por uma pessoa muito querida e estimada, esta postagem sobre a montagem de uma fonte, é uma delas que volta ao ar.


Parece tão bobo o assunto, mas nos dias atuais é de supra importância pensar-se a respeito. Não meramente por questões religiosas, mas por questões de saúde devido ao nosso clima tão seco ultimamente vivido por todos. 

Claro que se deve pensar também na questão estética de um ambiente, desta forma é que especialistas recomendam dispor a fonte próxima à parede da porta principal. Outra localização indicada é no canto esquerdo de quem entra na sala.

Além de favorecer a energia da casa, uma fonte é muito útil nos dias de calor, pois a evaporação do líquido cria minúsculas partículas no ar que deixam o ambiente mais fresco e neutralizam poluentes, como a fumaça do cigarro. 

Com tantas qualidades, vale à pena ter uma fonte por perto. No entanto, é preciso tomar alguns cuidados. Depois de instalada, ela jamais deve ficar vazia. "Isso estanca a energia". Atente ainda para o eventual desconforto que o barulho possa provocar em algum dos moradores. 

Nesse caso, vale diminuir o fluxo da água, trocar o motor (por um modelo silencioso) ou colocar pedras para amortecer a queda da água. Se nada surtir efeito, Mariângela (visagista) aconselha deixá-la no jardim ou na varanda. Se você preferir comprar sua fonte pronta. Agora, se você gosta de colocar a mão na massa, confira o passo a passo e crie sua fonte personalizada.

01- Determine o local onde você vai instalar em poucas horas o seu laguinho com ponte, chafariz, cascatinha e iluminação subaquática. Limpe a área retirando entulhos, faremos uma cava de 40 cm de profundidade e na borda, uma virola de 10cm de altura, assim a profundidade total será de 50cm.

02- Quando você marcar o terreno, considere o tamanho da sua Manta de PVC, em "Laguinhos". Cave o buraco, com 40cm, faça uma virolinha de 10 cm acima do nível natural do terreno. Isto fará com que a água da chuva ou do jardim não entrem no laguinho, evitando sujar a água.

03- Retire raizes, pedras, entulhos. Deixe tudo limpo dentro do buraco. Espalhe a Manta. Lave as pedras que você vai usar no laguinho, encha com água a sua manta para que a mesma assente completamente. Coloque as pedras, sem massa, sem cimento, apenas encaixe uma com as outras manualmente. 

04- Uma Ponte pode decorar seu laguinho criando um charme no seu jardim. Instale sua ponte, encaixando as pedras no laguinho com água. Você precisará de 01 ponto de elétrica 110v ou 220v. Precisará também de 01 saída de esgoto, ou um ralo e, 01 entrada de água de 25mm, que pode até ser uma simples torneira de jardim com uma mangueira.

05- Neste caso faremos uma derivação ou seja: da sua Bomba com filtro de perlon, você vai levar com um "T" um ponto de água para a Cascatinha e outro para o Chafariz, assim com o contrôle de um registro de esfera 25mm, escondido entre as pedras, você poderá controlar a água do chafariz e da cascatinha, dosando a água de um só equipamento moto-bomba.

06- Não se preocupe com os canos, é fácil encobri-los com as pedras, mande um pouco de água para a cascatinha e também para o chafariz. Fácil, simples, e assim você poderá controlá-los como quiser!

07- Encaixe o holofote entre as pedras, escolha a cor da lente que você quer, mas lembre-se, só ligue seu holofote estando submerso!

08- Encaixe o bico chafariz e posicione-o como queira, neste caso é o Bico Margarida de 01 estágio com 8.500 litros hora, veja se o mesmo ficou bem aprumado, instale o holofote logo abaixo do bico escolhendo a cor preferida.

09- Encaixe as pedras, plante seu jardim, veja: neste caso é um jardim tropical com bromélias, samambáias, filodendros, aspargos, papiros, helicônias, heras, clorófitos, variegatas, forrações e etc. Abuse da criatividade, busque o equilíbrio e deixe o ambiente com um toque natural e bem pessoal. Jardim ideal é aquele que você se sente bem e de fácil manutenção, onde as plantas compõem com a água, pedras, madeira, iluminação, harmonia e com equilíbrio.

10- Experimente uma e outra forma de encaixar as pedras da cascata, use as próprias pedras para apoiarem-se uma nas outras, nada de massa ou de cimento, realmente não precisa e só vai deixar sua cachoeira com acabamento artificial. Só pedra sobre pedra e pronto! Algumas plantas, bromélias, aspargos....

11- Pronto! É só curtir! Que tal? Fácil? Sem obras, sem complicações.

É válido lembrar que atualmente estamos enfrentando uma grande problemática quanto à saúde, devido essas epidêmias doidas de Dengue para todos os lados. Desta forma, pensando nisso, a fim de contribuir com a divulgação da prevenção desta doença terrível que já prejudicou várias famílias, ressaltamos que para fontes maiores onde tenha lagos é necessário UTILIZAR uma criação mesmo que pequena de PEIXES, para que os mesmos possam eliminar qualquer tipo de larvas que possam vir a aparecer. E nunca deixar a água totalmente parada.

Também lembramos que para a nossa religiosidade, as fontes são pontos de forças muito grandes, as quais podem ser destinadas como pontos para Oxum, Yemanjá, Oxumarê, Logun-Edé. Mas nao seria pecado algum ter uma fonte para homenageá-los. Existem muitas casas de Umbanda e até illês de Candomblé com as fontes devidamente erguidas, feitas e com seus fundamentos e firmamentos bem realizados. Mas nada impede de termos uma fonte residencial como objeto decorativo, lembrando de um Orixá querido, veja os modelos abaixo:









VOTANDO O MEU MELHOR CONVITE DE INICIAÇÃO

Amados amigos (as) e irmãos (ãs).

É com grande prazer que venho me dirigir a todos vocês e de uma forma especial. Pois graças a Oxalá, o dia de minha iniciação esta chegando e em breve vou poder de fato seguir caminhos que a muito tempo já deveria ter sido percorridos.

Frequentei muito tempo a religiosidade, mas nunca tive coragem para dar o passo da iniciação e onde frequentava sempre ouvi que a própria Mãe de Santo em questão não seria a pessoa mais indicada pra isso. Após sua morte, me afastei, e como diz o ditado, "todo filho volta a casa do Pai", resolvi seguir os caminhos de minha avó materna, que era yalorixá em Angola, Africa.

A religião do CANDOMBLÉ, sempre esteve presente na minha vida. Mas as vezes a gente tenta mudar um pouco o rumo das coisas. Hoje convicto do que busco, quero e acredito. A intensidade de felicidade dentro de meu coração é de fato imaginável.

Começando a perceber a minha mediunidade com sete anos de vida, onde por situações diversas neste sentido. Passei por benzedeiras, por mãos de espiritas. Até me lembro do tempo em que era "Católico", chegando a passar por sessões de exorcismos. Fatos de minha vida, jamais esquecidos. 

Mas é como se diz uma vez do Orixá, sempre do Orixá. E graças a Oxalá e a Ogum, meu amor e admiração por cada Orixá, até hoje se faz presente. Seja na admiração de suas danças, nas suas cantigas, no jeito de se vestir. Dos atos, da liturgia em si, enfim um caminho lindo de amor para se seguir. Mas que havia sido interrompido por dois fatores: a morte de minha antiga Mãe Carmem de Oxum no ano de 1989 e todas as pregações e aprendizados dentro do Seminário Católico. 

Hoje eu venho aqui pedir a sua ajuda em escolher o melhor convite para minha SAÍDA DE SANTO. Não coloquei ainda a data do evento, devido a ainda faltarem poucos detalhes sobre o mesmo ato. Bem como as últimas decisões com a pessoa que foi escolhida pra zelar meu Orixá. Afinal, cabeça não se entrega para qualquer um. Não é mesmo?!

Desta forma, partilhando um pouco da minha felicidade neste sentido eu peço votem em qual será mais adequado para a minha INICIAÇÃO. E que Ogum e Oxaguiãn, lhes abençõem grandemente.


CONVITE 1 


CONVITE 2


CONVITE 3

sexta-feira, 2 de março de 2012

SOLICITAÇÃO AOS PARTICIPANTES DO BLOG OLHOS DE OXALÁ

Amados irmãos (ãs), do BLOG OLHOS DE OXALÁ, venho solicitar a todos que enviem neste BLOG, ou por nossos EMAILS, ou até mesmo pelo nosso PERFIL NO ORKUT OLHOS DE OXALA (BLOG), suas sugestões, criticas a respeito de nosso BLOG


Afinal, não busco quantidade de acessos muito menos quantidade de seguidores, mas sim, a qualidade de todo o seu conteúdo. 


Atenciosamente, 
Pedro de Ogum
Criador do BLOG OLHOS DE OXALÁ

A QUESTÃO DO PECADO NO OLHAR DO CANDOMBLÉ – PARTE I


Motumbá irmãos (as), do BLOG OLHOS DE OXALÁ.

Após terminar nosso ESTUDO SOBRE A CRIAÇÃO SOB O OLHAR DO CANDOMBLÉ, dividido em três (3) partes. Estamos agora nos preparando para abordar este novo tema que para os CATÓLICOS tem um peso enorme.

Peso este, já não enxergado da mesma forma pelo CANDOMBLÉ. Estou falando do PECADO ORIGINAL, ou como os protestantes falam, a CULPA ORIGINAL, Gn 3; 1 – 4.


Na BÍBLIA SAGRADA CRISTÃ, o texto se dá em torno de IROKO (ARVORE DO CONHEÇIMENTO DO BEM E DO MAL), e da primeira (1ª) aparição da grande serpente. A mesma que no estudo sobre a criação, destacamos sua importância em maior valor entre os animais rasteiros, por sua astúcia, inteligência e sabedoria; estou me referindo à OXUMARÊ.

Gn 3; 1 diz: “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que Olorum havia formado”. Neste trecho, percebemos claramente a descrição deste Orixá, que não permite que coisas escondidas permaneçam muito tempo, desta forma, colocando tudo as claras.

Por andar entre as ervas, conheceu alguns de seus segredos, exercendo sobre as enfermidades o seu lado curandeiro. Vemos que esta grande serpente mantém um diálogo com a primeira mulher sobre o fato de comer o fruto da arvore do conhecimento do bem e do mal. Fruto este proibido por Olorum de se comer.


O segredo deste dito fruto, que pode conter toda uma simbologia, ao relatar que não seria a morte em si o grande segredo, nele contido. Mas, o fato do homem, vir a conhecer o seu lado divino, discernindo coisas entre o bem e o mal. De fato percebemos que OXUMARÊ, procurou esclarecer fatos escondidos, e colocando de forma clara o que aconteceria.

Para os cristãos, a representação desta dita “serpente”, seria na verdade um símbolo bíblico dentro de toda a simbologia teológica. É representado ou indica a “força da tentação” para uns; e do “diabo” para outros, conforme sua crença.

Mas percebemos na verdade a origem do livre arbítrio, pois o fato de comer-se o fruto ou não, poderia ter sido decidido naquele instante. Como de fato ocorreu: "o fruto foi ingerido". Este fato, repetiu-se novamente quando aquela mulher foi oferecer ao homem que podia recusá-lo, mas pelo livre arbítrio, acabou consumindo o fruto também.


Após estes fatos, percebemos outro diálogo entre a criatura (homem), com o Senhor Deus (representado por Oxalufã, que soprou em suas narinas). Diálogo este, que demonstra a consciência do homem que se esconde de Oxalufã, por sua vergonha em estarem nus. Percebe-se que todos os olhos da consciência sobre sua aparência física perante o Orixá, de fato se deu início.


Este fato persiste até hoje, onde cada Abian, yawôs, Egbomi, quem quer que seja o grau sacerdotal que for, não pode entrar de forma inadequada perante o Orixá. Muito menos na CASA DE SANTO, BARRACÃO, ROÇA, TERREIRO, ILÊ, QUARTO DE SANTO, seja o que for.

Prosseguindo o texto bíblico em questão, nos versículos de 11 a 13, do Capítulo 3, Oxalufã, questiona a situação. Como fruto vemos o resultado: a CULPA. Cada um assume  o seu erro, baseado na culpa do outro:
- mulher – culpa a Serpente;
- homem – culpa a Mulher;

Como resultado, OXUMARÊ, recebe como que uma maldição, vindo a andar sobre o seu próprio ventre (rastejar) e torna-se um temível perante as outras criações. Gn 3; 14 – 16.


Nesta situação, a primeira mulher recebe também o fruto de seu ato: o ÓDIO (asco) entre a sua descendência e da cobra. Uma situação física que continua até hoje, através do pavor e receio que o homem tem sempre ao lidar com uma serpente. No seu lado físico, a primeira mulher recebeu as dores de seu parto, de forma multiplicada. Bem como seus desejos perante o homem e sua submissão. Fato hoje ainda presentes no dia a dia da mulher. Bem como nas casas de santo, existem certos preceitos em que a mulher não pode exercer ou participar devido a sua condição do ciclo menstrual ou hormonal.


O homem também recebeu os frutos de seu ato, Gn 3; 17 – 19. A terra, tornou-se um lugar amaldiçoado, onde dela o homem deve tirar o seu próprio sustento, com trabalhos penosos. Ou seja, o homem recebe seu sustento, através do sacrifício no trabalho.

Ao falarmos “a terra seja maldita” faz-se uma ligação clara na MITOLOGIA DOS ORIXÁS, quando NANÃ (Senhora dos pântanos), recebe a incumbência e poder sobre a morte. Bem como, OMULU, nasce com seu corpo coberto pela varíola. Percebemos que neste ato, todo o reino da terra, recebe alterações em seu comportamento. Realidade contida, quando o homem recebe o conhecimento de seu retorno a terra de onde foi criado; Gn 3; 19b.

Mas perante esta situação, percebemos que o homem foi revestido de peles de animais e como as forças da natureza (Orixás), tornou-se conhecedor do bem e do mal. Houve a preocupação de todos sobre o homem, quando OXALUFÃ diz: “CUIDEMOS”,  Gn 3; 22. Ou seja, o homem é então zelado por todos os Orixás, que passam a operar em suas vidas.


Existe acima de tudo uma preocupação para evitar-se que o homem não venha a comer do fruto da árvore da vida, estou me referindo a ODUDUA. Fato que até hoje o seu culto é mais restrito que os outros Orixás. Expulso do dito Ilê, que já sabemos tratar-se de Ifé, começando sua batalha pelo seu sustento.


Assim, espero que esta contribuição tenha sido prazerosa, lembrando que esta parte de nosso ESTUDO, vai ser dividida em duas utilizando outros Capítulos e Livros da Bíblia Cristã, sempre sob o olhar CANDOMBLECISTA.

Axé. 

PÁGINA DOS PAÍSES VISITANTES - ATUALIZADA

Queridos (as) amigos (as) do nosso BLOG. 

Na página PAÍSES VISITANTES DE NOSSO BLOG OLHOS DE OXALÁ, vamos encontrar, representados pelas respectivas bandeiras nacionais, todos os países em que nosso BLOG têm alcançado. 

Agradeço de fato antes de mais nada a Olorum por ter nos dado inteligencia de criar um meio de comunicação tão importante como a INTERNET. Depois agradeço a Ogum e a Oxaguiãn, por terem permitido que nosso meio de comunicação ultrapassasse os limites do mar, da terra e do ar. Alcançando assim povos nunca por mim imaginados. 

Agradeço por todos que ainda acompanham o nosso BLOG, mesmo as vezes não deixando nenhuma critica ou comentário sobre sua apresentação ou sobre os temas postados. Mas que nunca deixaram de participar visualizando o nosso conteúdo. 

Espero que mesmo com as mudanças na estrutura do BLOG em si, cada vez mais possamos de fato levar a nossa religiosidade, seja na realidade do CANDOMBLÉ, onde participo, bem como da UMBANDA SAGRADA, onde meu lado espiritual começou e nunca vou deixar de frequentar também.  

Aproveito para anunciar que logo teremos mais novidades, pois estou prestes a dar um passo grande e novo na minha vida com minha iniciação de Santo. Onde OGUM E OXAGUIÃN, terão de fato o seu direito em minha vida mais que do que já têm. Aguardem maiores informações, pois vai ser bombastico. 

Axé. 

EVENTO - 1ª HOMENAGEM AOS CABOCLOS BRASILEIROS

quinta-feira, 1 de março de 2012

GRUPO ADE OBA PARAMENTOS DIVULGANDO CONOSCO

Buscando fazer deste BLOG OLHOS DE OXALÁ, um verdadeiro meio de comunicação e divulgação, venho apresentar mais alguns trabalhos super legais do Grupo Ade Oba Paramentos. Que com amor e primazia fazem bonito seus produtos em relação aos nossos queridos Orixás



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CANDOMBLÉ

Um mundo que para muitos é desconhecido. Desconhecido por sua vasta realidade que a abrange: mistérios, Orixás, espiritualidade, modo de se portar dentro de um Ilê. Com linguagem clara e objetiva, visamos tocar em assuntos que fazem parte do dia-a-dia nesta religião, pura, pois provém da natureza.

Sua origem, sua tradição, sua magia. Com a intenção de divulgar a grande religiosidade que envolve o Candomblé. Que para muitos que por falta de conhecimento denegridem sua realidade dizendo que é uma coisa maligna ou proveniente dos Infernos. Mas que na realidade é pura como o ar que respiramos, transparente e límpida como a Água que bebemos.

Um conjunto onde todos os elementos da natureza: Terra, Fogo, Água e Ar se encontram. Suas cores, suas folhas. Suas danças enfim tudo da o sinal que abrange esta realidade tão verdadeira e presente na vida de cada um. Candomblecista ou não todos estão mergulhados nas fontes provenientes da Natureza.


Assim como o Girassol é uma flor de Oxalá, que este mesmo girassol faça deste site sob o olhar de Oxum, seja uma fonte de conhecimento para cada um de nós.

ESTUDO SOBRE A CRIAÇÃO SOB UM OLHAR CANDOMBLECISTA – PARTE III

Autor: José Pedro Manuel

Motumbá amigos (as), deste BLOG.


Com alegria venho novamente dar continuidade ao nosso estudo. Nunca esquecendo que a diferença é estarmos confrontando realidades contidas na Bíblia Sagrada Cristã, onde vemos claramente a presença do Candomblé, representados nos Orixás. Sabendo que estamos lidando com uma religião muito mais antiga que o cristianismo.

Nas partes anteriores, devemos nos recordar na criação do mundo através de Olorum, que se preocupou em criar as forças da Natureza, que nada mais são que os Orixás na sua forma mais pura.

Vimos a criação de cada parte que compõe hoje o mundo em que vivemos, mas devemos lembrar que cada Orixá tem seu elemento próprio que o separa até mesmo em Reinos. Reinos, estes que vamos falar a frente, pois é referente aos seis (6) dias da criação.


Hoje vamos falar da criação do homem, o ser, criação à imagem humana de Olorum como ele mesmo diz: “A sua imagem e semelhança” Gn 1; 26. Com a função de reinar, sobre os seres por Olorum criados: peixes, flora, animais, aves, a própria terra.

O mesmo que foi posto como parte fundamental do grande paraíso, o primeiro Ilê formado na terra, o grande Ifé.

Vemos que nesta criação houve a grande necessidade e participação de Oxum. Conforme vemos em Gn 2; 5 – 6, a criação não estava crescendo, pois não chovia. Mas que da terra subia um vapor que regava à superfície. Percebemos então que a realidade da presença fundamental de Oxum, como relata a MITOLOGIA DOS ORIXÁS é de fato concreta, para que a vida fosse gerada.


Mas não podemos nos esquecer do valor do elemento terra em tudo que se refere à vida também. Vemos este assunto tendo início em Gn 1; 26 – 28, mas de fato os detalhes desta criação esplêndida, ganham destaque em: Gn 2; 7 “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem tornou-se um ser vivente.”

Neste versículo bíblico, analisando mais profundamente percebemos três realidades reais que talvez nunca tivéssemos parado para pensar:

  • ·            A ligação real do homem com Olorum, que se preocupou em criá-lo à sua imagem e semelhança; mostrando sua predileção.

  • ·           A ligação do homem com o reino da terra: uma ligação clara e óbvia, que todos nós temos com Omulu, Senhor da Terra. Aquele a quem recorremos nos momentos de enfermidade e qualquer tipo de assuntos relacionados à saúde. Pois vemos claramente, que fomos modelados da Terra.

  • ·          A ligação total com o Reino do Ar, onde Oxalá sopra nas narinas do homem de barro o sopro da vida. Razão esta, que se aplica: “Oxalá é Pai de todas as cabeças”; pois é ele que sopra em nós o ar da vida.


Outra realidade que percebemos na paisagem que o texto nos demonstra é um jardim, muito bonito, cheio de todas as espécies de árvores, plantas, ervas e flores por onde o homem passeia. Bem como aos seus cuidados estão os peixes das águas salgadas e doces, os animais das matas e dos campos. Gn 2; 8 – 9.

Mas percebemos outra realidade, de supra importância, que aconteceu neste fato bíblico muitas vezes já lido por muitos, mas que nem se deu a devida importância, Gn 2; 9: “A arvore da vida e do conhecimento do bem e do mal, plantada na parte central do jardim”. A primeira roça de Candomblé.


Esta árvore central que me refiro concretamente é o grande Orixá do conhecimento do bem e do mal. Estou falando de Iroko. Que até hoje, sua presença em qualquer roça de Candomblé, fica exatamente na parte central da Roça.

Outra realidade constante neste Capítulo da Bíblia Sagrada Cristã é novamente a presença de Oxum, representada por quatro rios, que correm o jardim irrigando toda a terra. Um dos quais, percorre uma região determinada com grande presença de ouro. Gn 2; 11.

Existe na verdade uma coligação muito forte entre o primeiro homem e o Orixá Ogum. Um dos orixás que já foram viventes na terra e que morreram se tornando depois um ser divinizado (Orixá).


No versículo 15, deste capítulo 2, percebemos que foi conferido a este mesmo homem o dever de cultivar e guardar o grande jardim. Ou seja, vemos que para exercer estas duas funções, ele devia criar armas de defesa bem como instrumentos de trabalho para cultivar a terra; condições claras do Senhor do Ferro, que confecciona estes tipos de ferramentas.

Outra questão interessante é o termo que ainda hoje escutamos em algumas casas de santo: “Bolar no Santo”, ou “Sono do Orixá”. Uma realidade que também ocorreu neste capítulo da Bíblia Sagrada, no versículo 21, do Capítulo 2: “Então, o Senhor Deus, mandou ao homem um sono profundo”. Deste sono, retira-se uma costela daquele primeiro homem, para criar outra criatura para lhe fazer companhia; neste caso a primeira mulher.


Vemos que hoje, este mesmo profundo sono em certas ocasiões acontece, mostrando a necessidade de permitir o nascimento de uma nova criatura. O famoso nascimento do Orixá.

Espero que estejam gostando deste estudo e que não deixem de acompanhar cada parte.

Axé.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Conheçendo mais o Candomblé


Candomblé é uma religião panteísta onde se cultuam os orixás. Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá, México, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.

Cada nação africana tem como base o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas nomeavam um zelador de santo também conhecido como Babalorixá no caso dos homens e Yalorixá no caso das mulheres.

A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/ Inquices/ Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.

 Clarival do Prado Valladares diz em seu artigo: "A Iconologia Africana no Brasil", na Revista Brasileira de Cultura (MEC e Conselho Federal de Cultura), ano I, Julho-Setembro 1999, p. 37, que o "surgimento dos candomblés com posse de terra na periferia das cidades e com agremiação de crentes e prática de calendário verifica-se incidentalmente em documentos e crônicas a partir do século XVIII". O autor considera difícil para "qualquer historiador descobrir documentos do período anterior diretamente relacionados à prática permitida, ou subreptícia, de rituais africanos". O documento mais remoto, segundo ele, seria de autoria de D. Frei Antônio de Guadalupe, Bispo visitador de Minas Gerais em 1726, divulgado nos "Mandamentos ou Capítulos da visita".

Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião. Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, (Universidade Federal da Bahia) Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador.

Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitos povos de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.

O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda, Macumba e/ou Omoloko, outras religiões afro-brasileiras com similar origem; e com religiões afro-americanas similares em outros países do Novo Mundo, como o Vodou haitiano, a Santeria cubana, e o Obeah, em Trinidade e Tobago, os Shangos (similar ao Tchamba africano, Xambá e ao Xangô do Nordeste do Brasil) o Ourisha, de origem yorubá, os quais foram desenvolvidas independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.

Axé

Axé (Asé, em yorubá, "energia", "poder", "força"). No contexto do Candomblé axé representa um poder de força sobrenatural. A palavra também pode ser usada para se referir ao terreiro, Ilê Axé (Casa de Axé).


Ritualística

No ritual original do Candomblé (toque, festa), há duas partes: a preparação, que começa uma semana antes de cada festa, com muita gente na casa lavando, passando, cozinhando, limpando e enfeitando. Quando você entra no barracão e vê as bandeirinhas no teto da cor do Orixá que está sendo homenageado, alguém teve que comprar, cortar e colar as bandeirinhas e colocá-las no lugar para que o barracão fique bonito. Durante a semana diversas obrigações são feitas, de acordo com a determinação do jogo de búzios, animais são sacrificados a Exu, Eguns e aos Orixás homenageados (revigorando o Axé). Os animais, devem ser limpos e preparados, pois serão servidos: uma parte (Axé) para os Orixás e outra parte para todos os presentes na festa. Na "parte pública" que é a festa, os filhos-de-santo (iniciados) dançam e entram em transe com seu Orixá. O Babalorixá evoca cantigas que lembram os feitos do Orixá e este executa uma dança simbólica recordando seus atributos. A cerimônia termina com um banquete onde será distribuído o Axé em forma de alimento entre todos os presentes. 

Oralidade


A manutenção da oralidade em algumas religiões afro-brasileiras é fundamental. Mesmo fazendo uso da escrita ela não poderá ser abandonada, uma vez que o Axé também é transmitido através da palavra, do hálito e da saliva. Portanto, o silêncio nas casas de candomblé e outras religiões afro-brasileiras, são imprescindíveis. A palavra tem força dinâmica, dependendo do momento que for pronunciada a palavra pode ter a força sagrada ampliada de mobilização.

ESTUDO SOBRE A CRIAÇÃO SOB UM OLHAR CANDOMBLECISTA – PARTE II

Autor: José Pedro Manuel

Vimos na parte anterior as diversas origens das denominações da pessoa divina de Deus Criador, conforme a sua crença especifica. Bem como as forças da Natureza, divinizadas.


E como disse, teremos como ponto de partida o texto Bíblico de Genesis, Capítulo 1 que diz: “No principio, Deus criou os céus e a terra”.

Como disse anteriormente, sabemos que Deus na origem africana recebe o nome de Olorum.

Neste versículo vemos claramente a criação dos Céus e da terra: o masculino e o feminino na criação. O elemento ar presente nos Céus, vindo na pessoa de Oxalufã. E o elemento terra informe, prestes a receber e gerar toda a variedade de formas de vida; este elemento claramente representado pela Orixá mais velha, falamos de Nanã Boroke.

Conforme o seguimento do texto bíblico, percebemos nos versículos de 3 – 5, a criação do dia e da noite, relacionados ao movimento da terra; estamos falando de Exú, que se movimenta em todo o andamento da criação.

Nos versículos de 6 – 8, vemos que Olorum criou um firmamento chamado Céus, diferente dos Céus presente no versículo 1, pois este é o que separa a atmosfera das águas, representado claramente por Oxaguiã, o Oxalá mais novo.

Dos versículos 9 – 10, percebemos a grande separação do elemento árido (terra) do elemento água. Estamos falando de Omulu e Yemanjá, que se repararmos bem, dentro de todas as lendas dos Orixás, estes estão sempre juntos, até mesmo na grande criação.

Dando seqüência nos versículos, percebemos uma grande preocupação na criação do planeta, de todas as espécies frutíferas ou não presentes nos versículos de 11 – 13, referentes a criação de Ossain.

Em todo o andamento, vemos dentro de uma das lendas dos Orixás, um deles ser chamado de “O grande Sol”. Um luzeiro que foi criado nos versículos compreendidos entre os versículos 14 – 19, estou me referindo a XangôMas se prestarmos atenção neste trecho também a presença de Yansã, que fez referencia a Lua nos Céus, como consta algumas histórias na Mitologia dos Orixás, referencias desta ligação e da Orixá Ewá, representada pelas estrelas.

Nos versículos de 20 – 22, percebemos uma grande preocupação central na procriação de seres marinhos e das águas doces, bem como de animais e aves do céu, ao falar no versículo o verbo “frutificai”, e “enchei as águas”, já se faz perceptível a criação da Orixá Oxum, a mãe da procriação, da maternidade. Referente aos animais e aves, neste mesmo sentido, vê-se claro a criação de Logun Edé. Ao falarem “Pululem os rios de peixes”, percebemos claramente a criação de Obá, na junção das águas doces com águas salgadas.

Vimos que se deu principal importância à procriação representada nestes três orixás, para depois se relatar a própria criação da vida animal, através da fartura de seres vivos presentes no Orixá Oxóssi. Como vemos nos versículos 24 – 25.

Mas percebe-se nitidamente uma maior importância com os seres rastejantes em especial, falo de Oxumarê, que tem especial participação com o homem, em capítulos posteriores devido a sua astúcia e sua sabedoria.


Ao criar o homem e a mulher, à sua imagem e semelhança, criou o Orixá mais humano possível. Aquele, que vai a frente, que forja os utensílios para trabalhar a terra, as armas para caçar, para construir. Estamos falando de Ogum, o Orixá guerreiro, que batalha por todos nós, abrindo nossos caminhos ao trabalho, presentes nos versículos 26 – 30.

Ao falar de Iroko, a grande árvore da sabedoria e do conhecimento, estamos adentrando no Capítulo 2 de Genesis da Bíblia. Quando relata o Paraíso. A grande árvore no centro do Paraíso, do conhecimento do bem e do mal, cujo fruto era proibido de se comer. Interessante esta ligação, mas justamente quando se fala de Iroko, ele esta sempre presente no meio de uma roça de Candomblé (Ilê), protegido e respeitado, pela sua onipotência.

No próximo estudo, vamos nos aprofundar mais um pouco nesta questão.