domingo, 3 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A TROCA DE DIVINDADES


A Troca de Divindades, Muitos Querem Ser do Òrìsà da Moda. 

As questões Éticas do Candomblé, embora abrangentes, estão sendo deixadas de lado por grande parte da população Candomblecista. Por essa razão, nós do Terreiro de Òsùmàrè, resolvemos publicar essa série de postagens, com o objetivo de recordar isso que é tão importante para a sobrevivência da nossa cultura. É ainda, uma forma de interação com os nossos leitores, que há algum tempo, vêm nos pedindo artigos sobre os temas inerentes a Ética Moral e Religiosa do Candomblé. 

Hoje vamos abordar um tema bastante recorrente na última década e, principalmente, nos últimos anos, que é a mudança de Òrìsà de uma pessoa iniciada. 

Há duas molas propulsoras para esse “fenômeno”. A primeira, mencionada em nossa postagem anterior, é o Sacerdote caçador de cabeças, que fala para o iniciado que ele deve mudar de santo, que tudo que fizeram está errado, etc.. A segunda e também em número crescente é o iniciado que almeja trocar de santo – para “passar a ser” do chamado “Òrìsà da Moda”. Em ambos os casos, a Ética é deixada de lado, seja pelo Sacerdote, seja pelo Omo Òrìsà. 

Infelizmente, observamos com pesar que algumas pessoas que foram iniciadas para uma Divindade, muitas vezes por modismo temporal, resolvem esquecer que são dessa Divindade para “passar a ser” do “Òrìsà da Moda” (resumidamente, Yewa, Iroko e Oba), isso se torna ofensivo à Ética Moral, sobretudo quando há Sacerdotes que atestam essa condição. 

Em miúdos, isso significa que, uma pessoa que é filha de Òsun hoje, pode achar que Yewa está mais na moda e procura alguém que lhe “coloque” esse Òrìsà em seu Orì, certificando-a na sala. Aqui, ao invés da busca do Sacerdote em querer valer a sua “autoridade” está a busca pela ascensão financeira. Ou seja, se a pessoa pagar bem, eu digo que ela é do Òrìsà que ela almejar. Novamente a Ética e Moral são deixadas de lado, bem como, a sentido da religião, que é a vontade do Òrìsà. 

Mas porque alguns Omo Òrìsà fazem isso? Em verdade, acreditam que sendo de uma Divindade “da Moda”, terão ascensão religiosa e prestígio. No entanto, se esquecem do Òrìsà que foi cultuado por anos, o que certamente lhe trará prejuízos futuramente. 

Mas onde foi parar a Divindade que ao longo de anos manifestou aquela pessoa que, a partir de agora, diz ser filho de um “Òrìsà da Moda”? Aqui está a parte mais complexa: Será que a Divindade deixou de manifestar aquela pessoa? Será que a “nova” Divindade que manifesta a pessoa, verdadeiramente é a Divindade que eles acreditam ser? Será tratar-se de um Òrìsà? 

O Candomblé é uma religião muito complexa, que muitos podem acreditar conhecer, mas que esconde segredos difíceis de serem compreendidos e assimilados. 

A cabeça do ser humano é algo muito sério, razão pela qual, tudo que é feito na cabeça de uma pessoa deve ser com muito cuidado, atenção e, sabedoria. 

Obviamente, todos, invariavelmente são suscetíveis a erros e falhas, mas as Casas de Candomblé mais antigas precisam se manifestar contrárias àqueles que acreditam estar acima do bem e do mal e, principalmente, àqueles que acreditam estar acima do próprio Òrìsà. 

Não se pode ficar mudando de Òrìsà como se muda de roupa. Òrìsà é o Deus que nos rege, que cuida, que zela por nós. Não se pode descartá-lo. 

É fundamental que a Ética, a Moral e os Valores sejam relembrados, é importante deixarmos de pregar a união, para de fato fazermos a união. O Candomblé não possui um colegiado formal de sacerdotes, mas não duvidem, ainda há um grupo sério de sacerdotes que atentamente está observando com atenção, tudo o que está ocorrendo acerca do Candomblé. 

Que nosso Pai Òsùmàrè Àráká cubra de bênçãos cada pessoa que, verdadeiramente, está voltada para a religião dos Òrìsàs. 

Ilé Òsùmàrè Arákà Asè Ògòdó

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - UM CONTO SOBRE A LÍNGUA



Conta-se que certa vez um homem, rico, ofereceu um banquete com comidas especiais. Chamou seu mordomo cigano e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor iguaria. O gipsye retornou com belo prato. O homem removeu o pano e assustado disse: Língua?! Este é o prato mais delicioso? O cigano, sem levantar a cabeça, respondeu: A língua é o prato mais delicioso, sim senhor. 

É com a língua que pedimos água, dizemos "mamãe", fazemos amigos, perdoamos. Com a língua reunimos pessoas, dizemos "meu Deus", oramos, cantamos, dizemos "eu te amo"

O homem, não muito convencido, quis testar a sabedoria do gipsye, e o mandou de volta ao mercado, desta vez para trazer o pior alimento. O cigano gipsye voltou com um lindo prato, coberto por fino tecido. O homem, ansioso, retirou o pano para conhecer o pior alimento. Língua, outra vez?!, disse, espantado. Sim, língua, respondeu o cigano. É com a língua que condenamos, separamos, provocamos intrigas e ciúmes, blasfemamos. É com ela que expulsamos, isolamos, enganamos nosso irmão, xingamos pai e mãe. 

Não há nada pior que a língua. Depende do modo que a usamos. 

Muitos males têm sido causados por uma só palavra ou frase proferida. Diz um ditado que "falar é prata, calar é ouro". Palavras ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar, geram ódio e muitas vezes quem diz o que quer, ouve o que não quer. Uma palavra, uma frase, pode doer mais que a dor física. A dor física pode cessar com um medicamento, mas a dor provocada por uma palavra ou frase, muitas vezes nem o tempo apaga, e, quando apagada, costuma deixar cicatrizes. 

Use a lingua somente para transmitir o kambulin, paz e felicidade. FAMÍLIA GIPSYE KAMBULIN

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A ÁRVORE DA JUREMA



Desde o século XVI, documentos escritos pelo colonizador e narrativas deixadas por cronistas e viajantes relatam rituais mágico-religiosos encontrados entre populações indígenas do nordeste brasileiro, em que bebiam, fumavam, manipulavam ervas, invocavam seus antepassados. Um desses escritos descreve a santidade do Jaguaripe ocorrida no sertão baiano por volta de 1583, evidencia um processo de religiosidade sincrética nascida no encontro entre missionários e índios e revela relações de dominação-subordinação entre nativos e portugueses. 

O culto aos maracás da santidade reproduz a crença de que os maracás abrigavam os espíritos, sendo adorados e idolatrados através de cantos, danças e do uso do tabaco. Apresenta-se simbolicamente como uma forma de resistência da população indígena contra a colonização portuguesa. 

Um outro documento menciona o falecimento na prisão, em 1758, de um índio da aldeia de Mepibu, no Rio Grande do Norte, preso por ter feito adjunto de jurema, cerimônia coletiva com fins religiosos e terapêuticos, em que dançavam, fumavam cachimbo e bebiam jurema. 

Em 1816, o viajante inglês Henry Koster observa uma dessas cerimônias realizadas nos arredores de Olinda e descreve que havia um grande vaso de barro no centro da cabana em torno do qual dançavam homens e mulheres e o cachimbo era passado entre os participantes. 

A prática da jurema nordestina, também conhecida como catimbó, é parte de um longo processo de transformação e assimilações culturais que se difundem pela região, sendo encontrado nas comunidades indígenas e no interior de diferentes religiões afro-brasileiras, como o candomblé, o xangô e a umbanda. 


A jurema compõe um complexo de concepções e representações em torno da planta jurema e se fundamentam no culto de possessão aos mestres, cujo objetivo é curar os doentes e resolver os problemas práticos da vida cotidiana, como os infortúnios amorosos e profissionais. Como ressalta Roger Bastide, o que conta “são os desejos ou as necessidades individuais, é a vida cotidiana com suas doenças, seus romances de amor, seus ganhos, suas tristezas e seus sonhos de um futuro melhor”. Esse complexo inclui ainda a bebida preparada com a casca da jurema e o uso da fumaça dos cachimbos nos rituais. 

O culto tem por base um sistema mitológico no qual a jurema é considerada árvore sagrada e, em torno dela, dispõe-se o “reino dos encantados”, formado por cidades, que por sua vez são habitadas pelos “mestres”. Uma outra explicação mitológica apresenta uma visão cristã quanto às origens do culto ao afirmar que, antes do nascimento de Deus, a jurema era tida como uma árvore comum, mas, quando a virgem, fugindo de Herodes, no seu êxodo para o Egito, escondeu o menino Jesus num pé de jurema, que fez com que os soldados romanos não o vissem, imediatamente, a árvore encheu-se de poderes sagrados, justificando, assim, que a força da jurema não é material, mas espiritual, dos espíritos que passaram a habitá-la. 

O mestre é a entidade espiritual central da jurema nordestina. Os mestres são falecidos juremeiros que detinham os conhecimentos de sua prática. Segundo Mário de Andrade, no século XVII, em Portugal, os feiticeiros curadores eram chamados de mestres. Nas cerimônias da jurema, também se denomina mestre o dirigente de uma sessão. Os mestres vivos incorporam os mestres mortos que habitam as cidades sagradas da jurema, ligando esses dois mundos por meio do transe. Os mestres seriam espíritos curadores que, em vida, conheceram os segredos das plantas curativas e que são convocados para trabalharem em uma sessão, a fim de aliviar os sofrimentos humanos. 

Cada um tem uma linha, que é representada pelo cântico entoado pelo dirigente da sessão e que precede sua visita a terra. O canto é uníssono e acompanhado pelo maracá. A linha resume a ação sobrenatural, as excelências do poder e a sua especialidade técnica. Com fisionomia própria, gestos, voz, manias, predileções, cada mestre narra as suas aventuras, conta o seu nome e a sua vida. Ele possui a semente, o sinal de sua legitimidade e autenticidade, eficácia e poder sobrenatural. 

Além dos mestres, outra categoria de espírito é significativa, o caboclo, ao qual se atribui identificação indígena e conhecimento de ervas e raízes. São muitas as entidades espirituais cultuadas no universo da jurema, entre elas: Mestre Carlos, Mestre Seu Zé Pilintra, Manoel Cadete, Mestra Faustina, Mestre Germano, Mestra Luziara, Mestra Maria do Acais, Mestre Malunguinho, Mestre Pilão, Negro Gerson, Cabocla Jurema, Caboclinho da Jurema, Caboclo Pedra Preta, Índio Pena Branca, Japiassu, Rei Canindé, Rei de Urubá, Rei Salomão. 

A prática da jurema continua vivenciando processos de reelaborações, adquirindo outros elementos simbólicos, como na fase atual da umbandização do culto, o que significa, nessa dinâmica, a sua permanência enquanto expressão de grupos sociais subalternos. Mais que isso, no plano ritualístico significa resistência aos modelos de opressão socioeconômica, contribuindo em última instância para a manutenção de um referencial étnico e identitário, sejam nas comunidades indígenas ou nas religiões afro-brasileiras. 


(Fragmentos do texto publicado na Revista História Viva, vol. 6 – Cultos Afro. São Paulo: Ediouro, 2007).

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O SIGNIFICADO DA PALAVRA ASÉ



A palavra Axé é de origem yorubá e é muito usada nas casas de Candomblé. 

Asè significa "força, poder", mas também é empregada para sacramentar certas frases ditas entre o povo de santo, como por exemplo: - "Eu estou muito bem." Outro responde: - "Asè!". Esse "Asè" ai dito equivaleria ao "Amém" do catolicismo (Que Deus permita). 

Mas, o Asè ainda pode significar a própria casa de Candomblé em toda a sua plenitude. Daí uma ìyálòrìsá também ser chamada de Yalaxê (Ìyálasè), ou seja, "Mãe do Asè", ou a pessoa responsável pelo zelo do Asè ou força da casa de Òrìsá. 

Asè também pode significar "Vida". E tudo que tem vida tem origem. Chamar a vida é chamar o Asè e as origens. Os òrìsás são Asè, os òrìsás são vida. Agora, o que seria contra-asè?? O contra-asè são todas as estruturas de opressão e morte que destroem a vida das comunidades. O contra-asè ainda pode ser todas as kizilas e ewós dentro de uma casa de òrísá e também certos tabus que cercam o omo-òrìsá. 

Na tradição dos Òrìsás, Asè também pode significar a "força das águas, do fogo, da terra, do ar, das árvores, das pedras", enfim de tudo que tem vida. Pois, o Candomblé é um culto de celebração à vida e a toda a força que dela advém ou seja, o próprio culto, é o próprio Asé.

sexta-feira, 1 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - QUE FILHO DE SANTO EU SOU?


Irmãos esta postagem eu copiei do perfil de um dos meus amigos do ORKUT. Prefiro não comentar o nome pois é uma pessoa muito conhecida no CANDOMBLÉ da região de CARAPICUÍBA. Mas a medida que formos lendo, além é claro de rir muito, ELA POR SI SÓ NOS FAZ PENSAR MUITO sobre a nossa real posição dentro da RELIGIOSIDADE

Vamos ler com bastante atenção, mas não é proibido rir não, viu!!! 

QUE FILHO DE SANTO EU SOU?
 

FILHO DE SANTO AVESTRUZ: Na hora do vamos ver, sempre se esconde. 

FILHO DE SANTO JIBÓIA: Só vai nas festas para se empanturrar. 

FILHO DE SANTO PITBULL: Não deixa ninguém se aproximar do Pai de Santo. 

FILHO DE SANTO PEQUINÊS: Está sempre lambendo o Pai de Santo. 

FILHO DE SANTO GATO: Dá o tapa e esconde a mão. 

FILHO DE SANTO BICHO PREGUIÇA: Na hora da função, cadê ele? 

FILHO DE SANTO MACACO: Pula de Casa em Casa. 

FILHO DE SANTO HIENA: Está sempre rindo, mas não sabe do que. 

FILHO DE SANTO CAVALO: Só serve pra dar coice, cuidado! 

FILHO DE SANTO CONDOR: Está sempre gemendo nos cantos. 

FILHO DE SANTO GIRAFA: O corpo ta no chão mas a cabeça ta longe. 

FILHO DE SANTO ELEFANTE: Impossível não notar sua presença. 

FILHO DE SANTO URUBU: Só aparece quando a coisa fedeu. 

FILHO DE SANTO ARANHA: Trabalha muito em sua casa, e ainda tem gente que não da valor. 

FILHO DE SANTO VIRA-LATA: Leva Coió, mas sempre volta com o rabo entre as pernas. 

FILHO DE SANTO SAPO: Está sempre cheio de feitiço. 

FILHO DE SANTO PAVÃO: Gosta de aparecer mais que os outros. 

FILHO DE SANTO FRANGO: Novo no Santo, mas gosta de cantar de Galo. 

FILHO DE SANTO MICO: Só serve pra fazer os outros rirem. 

FILHO DE SANTO ZEBRA: Sempre corre do "Leão do Pai de Santo". 

FILHO DE SANTO PEIXE: Todos contribuem com a festa e ele NADA. 

FILHO DE SANTO RINOCERONTE: Debaixo de toda aquela casca dura tem um coração mole. 

FILHO DE SANTO PAPAGAIO: Repete o que o Pai de Santo diz, mas não sabe o que esta falando. 

FILHO DE SANTO CORUJA: Fica só de longe observando. 

FILHO DE SANTO POMBO: Se tiver comida ele vem todo dia. 

FILHO DE SANTO LEÂO: Se você olhar nos olhos dele ele te avança. 

FILHO DE SANTO CABRITO: Quando aparece na Casa, é no Sacrifício. 

FILHO DE SANTO BORBOLETA: Ta sempre voando pro ai, e quando aparece é só pra enfeitar o Salão. 

FILHO DE SANTO GRILO VERDE: Quando aparece é pra dar Sorte. 

FILHO DE SANTO BARATA: Ninguém gosta mas ta sempre na Casa de Santo. 

FILHO DE SANTO GALINHA D’ANGOLA: Cheio de fundamento 

FILHO DE SANTO BEIJA-FLOR: Vem na Casa, fica um pouquinho e vai embora. 

FILHO DE SANTO TAMANDUÁ: Tem a língua maior que a boca 

FILHO DE SANTO UNICÓRNIO: Perfeito, mas todos sabem que não existe. 

Que bicho você é ?????????????????????

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DA CARIDADE - PARTE IV

Hoje muito se tem falado sobre o uso da caridade. Talvez nossa maior dificuldade seja não somente como prática-la, mas também como fazer acontecer. 

A caridade como a própria Bíblia Cristã, utilizada por protestantes e católicos, é apresentada como o maior dom de todos. Pois a caridade nada mais é que colocar o AMOR em prática. 

É muito triste ver hoje em nossa realidade social, várias pessoas, precisando de ajuda, de colaboração; na busca de um dia ainda melhor. Vários sofrendo de males muitas vezes até ignorados pela sociedade em questão. Mas para as famílias que vivem o problema é que sabem de fato o grau de sofrimento que isso gera nas suas realidades em seu dia a dia. 

Muitos em estado de pobreza grotesco, outros acometidos pelo uso de entorpecentes químicos, seja pela droga em si, pelo álcool e tantos outros derivados. Pessoas doentes que muitas vezes por falta de condições melhores, acabam ou jogadas como carne dentro de um açougue nos corredores de um Hospital Público lotado, ou ficam em casa, sem ter de onde tirar seu sustento para manter os seus remédios. 

Uma das coisas que o ESPIRITISMO prega e com louvor é de fato o uso da CARIDADE entre os mais fracos. A UMBANDA SAGRADA, em seus atendimentos, também de alguma forma realiza também laços de caridade, devido ao que os próprios GUIAS buscam sempre mostrar: o uso da CARIDADE, seja nos passes, no atendimento e até por que não dizer em OBRAS SOCIAIS. No CANDOMBLÉ o mesmo acontece, mas não com tanta frequência, quanto deveria. 

Um exemplo que destaco e com louvor em nossa religiosidade CANDOMBLECISTA é de fato o ILÊ ASÉ OPO AFONJÁ, com a criação de sua ESCOLA que atende não somente crianças descendentes do próprio ILE ASÉ, mas também da região onde ele se encontra. São raras as pessoas que se preocupam em arrecadar cestas básicas para a população carente por eles próprios atendidos. Mais raro ainda quanto aos próprios membros em si, que muitas vezes, são cobrados valores absurdicamente autos para iniciar ou zelar por um ORIXÁ de determinado filho (a) de Santo. 

Hoje o que se vê em nossa religiosidade em sua maioria? Um eterno e grandioso desfile de modas, onde os ORIXÁS EM SUA ESSÊNCIA não se encontram mais. Encontra-se hoje ALEGORIAS CARNAVALESCAS. Lembrando que caridade vem da pratica da HUMILDADE. Umas das coisas que todas as suas casas pregam hoje constantemente. Mas que infelizmente com o passar do tempo vemos que isso não se vive. 

ORIXÁ é pé no chão. Primeira coisa que eles fazem ao estar em terra é justamente os pés no chão, descalços. Mostrando de fato o que eles querem para seus filhos. Seus gestos ao abraçar um determinado filho de santo, um ogãn, ou até um zelador(a). É o reconhecimento do amor que os homens e mulheres devem ter por estes que estão aqui para nos ajudar a ser melhores. 

Quantos já tenho visto dizer que fazer SANTO é vir a ter um dia uma boa casa. Ganhar um carro ou ganhar mundos de dinheiro. Onde foi que se aprendeu isso? ORIXÁ é caminhos para você ter força e lutar para conquistar aquilo que for seu por direito. Mas nada cai do céu! Coitado de quem pensa que entrar na RELIGIOSIDADE vai ficar rico. 

O uso da CARIDADE é de fato amar o seu irmão muito mais que a ti mesmo. Mostrando à sociedade e a todos os que abrem as suas bocas indevidamente contra a nossa RELIGIOSIDADE. Pois é aquele negócio falar é muito fácil, fazer ai sim quero ver. E quem faz não precisa brigar por respeito. Pois a própria atitude já fala por si só e acaba até calando a boca de muitos. 

Muitas vezes não se faz nada por falta de coragem e peito. Pois com simples gestos assim, não veremos dizer que suas casas só tem quantidade de pessoas que se encontram de DOIS EM DOIS MESES ou de TRÊS EM TRÊS para se dar um XIRÊ. Quer ter casa cheia mas com QUALIDADE? Faça o que estas fotos podem vir a te ensinar. As vezes arregaçar mangas seja de fato o que esteja faltando no seu ILE ASÉ.

PEDRO MANUEL T'OGUM E ELAINE T' OXUMARE

ROBERTA T' OGUM E ELAINE T' OXUMARE

EQUIPE OLHOS DE OXALÁ EM REUNIÃO

 MATERIAL ARRECADO PARA BAZAR

  SAPATOS ARRECADADOS PARA BAZAR

ELAINE T' OXUMARE, FERNANDO T' OXAGUIAN E ROBERTA T' OGUM, SELECIONANDO OS SAPATOS PARA BAZAR

 UMA DAS SENHORAS QUE VISITAMOS NOS ASILOS

 ADRIANA T' YEMANJÁ NA VISITA AO ASILO

 MARIA T' OXUM, ARRUMANDO O BAZAR

 ROBERTA T'OGUM ATUANDO NO BAZAR

MARIA T'OXUM, DE COSTAS, SUPERVISIONANDO O BAZAR

  FERNANDO T' OXAGUIAN E MARIA T' OXUM, ARRUMANDO MATERIAIS DO BAZAR

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DA CARIDADE - PARTE III

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. Aqui estamos em mais um novo mês, que vem como a vida, acompanhado de muitas surpresas. Novas lutas, novas esperanças, novas conquistas.

E como temos visto a COLETÂNEA O CANDOMBLÉ, tem vindo cheia de novidades, HIERÁRQUIAS,  MATRIARCADOS, ATITUDES DENTRO DE UMA CASA DE ASÉ. Enfim, vários e vários assuntos. Não deixando de ser, desta forma, aqui estamos dando a seqüência de mais um tema bem atual, interessante e pouco usado: O USO DA CARIDADE

Vamos ver o que temos por aqui: 

Novamente voltando a dar seqüência a esta coletânea sobre O USO DA CARIDADE NO CANDOMBLÉ, vamos partir do ponto lógico para darmos continuidade ao assunto em questão. 

E para isso vamos tentar compreender melhor o seu CONCEITO, o que vem a ser de fato a dita CARIDADE, que todos comentam, falam e ainda se dizem fazer.


CONCEITUANDO CARIDADE 

Este ponto é muito interessante, visto que, existe uma aceitação muito forte de que caridade significa ter piedade de alguém, quer dizer, dar alguma coisa para que alguém sane sua fome, ou mate sua sede, ou se agasalhe, como fazem as pessoas todos os dias, quando passam por alguém que pede nas ruas. 

O simples ato de pedir muitas vezes não é para matar a fome de alguém, pode-se dizer que seria até um mau costume que se adquiriu na infância que dificilmente se libertará, haja vista que, este vício tem proliferado muito, nas grandes e médias cidades. 

Observe que é lucrativo pedir, quando as doações são feitas em dinheiro, e é o que costumeiramente acontece, obviamente, no final do dia, ou do mês, a soma arrecadada de um pedinte sempre ultrapassa os ganhos forçados de quem ganha um salário mínimo, ou rendimentos advindos da roça. 

Muitas pessoas vêem caridade como uma passagem para se conseguir o reino celestial, como coisa que uma esmola que se dê a alguém possa transformar o interior do ser humano que continua a praticar todo tipo de iniqüidade, e transtornos para com todos que estão ao seu lado. 

Matar a fome de um ser que passa em sua residência, com um convite para um almoço, deixando-o saciado dessa dificuldade, é uma ajuda, entretanto, deve-se ficar claro que aquela refeição não é o bastante para toda uma vida.  

O mais desgastante, é que, a humilhação de pedir venha sempre com a resignação de quem está sofrendo por qualquer ato praticado no passado, e necessita suportar tais tipos de coisas para que se trabalhe alguma inferioridade que de livre e espontânea vontade, que não conseguiu se libertar. 

A ajuda mútua, ou doações às pessoas que pedem não constituem caridade, mas, um dever como ser humano que deve ter sempre dentro de si o princípio de cooperação, de irmandade, de amparo, àqueles que se encontram no caminho do sofrimento, e da dor material com fome e frio. 

Sabendo-se que todos têm a obrigação natural como ser social a ajudar a todos que o cercam, constitui uma obrigação que todos têm e não podem fugir, porque o princípio do amor, da felicidade, da benevolência deve estar sempre aflorando no coração de todos. 

A esmola que muitas pessoas dão, tem imediatamente a exigência de que tal fato seja convertido em caridade, cujos impulsos normalmente, são reclamações do passado que as pessoas não entendem, mentalizando que a prática de ajudar ao próximo seja fazer caridade. 

Muitas pessoas dizem: olha, quando eu passo por perto de um pedinte que não dou esmola, fico apavorada, volto e faço a minha doação àquele irmão que pediu tão humildemente, e a pessoa quando faz isto, realmente deve estar precisando muito. 

Veja que algumas outras pessoas, passam, jogam qualquer quantia no prato do mendigo, e continuam sempre arrogantes, imaginando que já fizeram a sua caridade, ao aliviar a dor de um irmão que não precisa somente de comer e sanar seu frio, que é uma constante; todavia, muitos outros problemas que não são esmolas, que vão resolver a contento as suas dificuldades, por toda a vida real, que é a que continua. 

Muitos seres humanos foram enquadrados para virem na forma de pessoas miseráveis, para tentar se libertar da prepotência, do egoísmo, ou de algo semelhante, mas não suportam. 

A caridade ultrapassa a tudo isto que foi colocado, não é esmola, não é doação de comida, não são doações de restos de roupas e cobertores que vão caracterizar uma caridade, que a humanidade ainda não compreendeu o seu real significado. 

A caridade é benevolência, é amor, é simplicidade, é misericórdia, e são todas as coisas que servem para a evolução do espírito que precisa ser testado em sua trajetória de evolução; não um teste pejorativo de querer derrubar o mais próximo, mas de sentir que tem condições de caminhar sozinho. 

A caridade é sentir e respeitar as fragilidades dos outros, na medida do possível orientando e auxiliando, para que haja a felicidade entre todos que precisam de luz e amparo nas suas vivências materiais e espirituais. 

As pessoas surgiram no planeta para viverem, e viverem muito bem, quer estejam no mundo espiritual, quer estejam no mundo material, não devendo existir a preocupação de quando estiver no mundo espiritual, e nem tão pouco quando estiver no mundo material. 

A vida deve prosseguir em qualquer estágio, é claro, observando sempre os princípios de amor, de paz, de felicidade, sem se macular por ser espírito inferior, pois as inferioridades que são imanentes, devem ser esquecidas, dando lugar a tudo de bom que existe. Entretanto, sinta que vibrando no que é bom, tudo muda em seu modus vivendi; a paz conta para o equilíbrio interior, e os trabalhos cotidianos fluem com mais acertos, mais cooperação, e fraternidade entre todos que aceitaram em seu coração um viver correto e salutar para sempre. 

As substâncias materiais não criam transformações por si só, para evolução da vida, entretanto, o seu uso é de grande importância para que as pessoas possam compreender o porque das dores e dos sofrimentos, como algumas derrocadas que as pessoas passam e não sabem porque estão naquela situação. É aí onde entra a caridade, devido o uso de tudo que a matéria utiliza sem consistência, a não ser que se tenha como ajuda a todos aqueles que necessitam de tais esclarecimentos para a compreensão de seu processo de evolução em toda a sua trajetória. 

Compreendendo as relações existentes entre as pessoas e espíritos, é que se pode praticar a caridade em seu real sentido, e não da forma como se utiliza normalmente, como uma compra de um cantinho no céu, como coisa que a moral das pessoas se comprasse com qualquer ínfima doação monetária. 

Em mensagem da irmã FRANÇA (1862) , que consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, há uma explicação bastante interessante quando revela que, deveis amar os infelizes, os criminosos como criaturas de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como a vós mesmos, pelas faltas que cometeis contra sua lei. Pensai que sois mais repreensíveis, mais culpados que aqueles aos quais recusais o perdão e a comiseração, porque freqüentemente, eles não conhecem Deus como vós o conheceis, e lhes será pedido menos que a vós. 

Esta explanação mostra a todos, o mais completo conceito de caridade, quando conclama a todos para que se desperte para este conhecimento que se inicia com aqueles que perseguem e maltratam, mas que devem ser compreendidos pelos sábios. 

Aquilo que se sente de piedoso, de vontade de ajudar e de um sofrer, por ver alguém com dificuldade, não constitui bondade interior, nem tão pouco é caridade que se tem para com os demais ao suprir deficiências que alguém por ventura venha a ter em sua caminhada. Esses sentimentos podem ser uma resposta do passado quando se praticou nos outros quaisquer tipos de sofrimento, cujas insistentes remorsos que aparecem, naqueles que estão com tais sintomas, é uma lembrança forte do que fez no passado ou praticou com algum em seu pretérito. 

A caridade se apresenta de maneira simples, onde qualquer benevolência que se exercite, não tenha o sentido de recompensa, nem tão pouco do sentimento porque alguém está sofrendo a dor da fome e frio, porém, a necessidade de mãos amigas para o progresso secular. 

Um outro exemplo de caridade vem de LAMENNAIS (1862), citado também no Evangelho Segundo o Espiritismo, quando ele pergunta se um homem muito ruim, vai morrer, pode escapar, e voltar para praticar muito outros crimes; você o salvaria dessa morte? 

Veja que para as pessoas que não têm consistência na sua evolução espiritual é uma situação difícil de ter uma resposta, mas esse irmão diz que a morte, talvez, chegue muito cedo para ele; a reencarnação poderá ser terrível; lançai-vos, pois, homens! vós a quem a ciência espírita esclareceu; lançai-vos, arrancai-o à sua condenação, e então, talvez esse homem que morreria vos insultando, se atirará em vossos braços. Todavia, não é preciso perguntar-vos se o fareis ou não, mas ide em seu socorro, porque salvando-o, obedeceis a essa voz do coração que vos diz: 'Tu podes salvá-lo, salva-o!'  

Em verdade, a morte não elimina a idiossincrasia de um ser humano, em seus momentos de prática do mal; ela apenas adia a oportunidade de aprendizado em um corpo físico para acumular alguns conhecimentos em seu progresso. 

Aí está a caridade que sobrepõe a uma simples pena de uma fome, de um frio, ou de qualquer sofrimento que estar servindo para uma melhora de uma consciência, sem masoquismo, nem auto-flagelo que muitas pessoas praticam sem entender o seu porque verdadeiro. 

A caridade é está em frente a um desafeto, e aceitá-lo tal qual ele é, sem nenhum tipo de rancor, nem mágoa, pois, muitas pessoas dizem perdoar o seu irmão, mas não desejam nunca o ver, que ele fique para lá, e eu para cá, e aí não há caridade, nem tão pouco o perdão. 

Neste contexto, não houve caridade, porque caridade é amor, é benevolência e é, sobretudo, esquecimento do passado, como também a certeza de somente fazer o bem em todos os instantes, na busca de que todos sintam amor e felicidade numa linha de progresso. 

As pessoas caridosas não têm dentro de si, nenhum tipo de discriminação, tal como existe no mundo inteiro do branco contra o negro, ou vice versa, das mulheres bem casadas contra as prostitutas, dos homens contra os homossexuais, do pobre contra o rico, enfim, dos seres humanos que devem ser vistos dentro de uma situação qualquer. 

Enquanto isto perdurar, não haverá como se exercer a caridade, nem tão pouco o amor uns para com os outros, e a guerra vai continuar alimentando as ignorâncias individualizadas por muitos e muitos séculos. Finalmente, a caridade começa e termina na máxima que atribuem a JESUS, quando foi claro ao pronunciar: amemo-nos uns aos outros e façamos a outrem o que quereríamos que nos fosse feito.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DA CARIDADE - PARTE II

Muitas vezes amados (as) amigos (as) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, vemos o CANDOMBLÉ ou até mesmo a UMBANDA SAGRADA, se fechando única e exclusivamente aos ORIXÁS ou das ENTIDADES e a coisa não é bem assim. 

Como vimos na postagem anterior com o mesmo tema "O USO DA CARIDADE NO CANDOMBLÉ", que nada mais é que uma das inúmeras coletâneas que estamos trabalhando em cima, para melhor lhes atender no quisito informação. 

Vimos sim que inúmeras pessoas por si só, ou em forma de ASSOCIAÇÕES (vide documentos de estatutos para associações aqui no BLOG), conseguem não meramente atender de forma grandiosa às pessoas que vivem em seu redor. Como também tem conseguido seus objetivos como: ampliação de seus ILÊS ASÉS; criação de novos projetos como: escolas, creches, asilos ou até mesmo locais próprios para restaurar vidas acometidas por entorpeCentes (vugo - drogas). 

Sempre tendo em uso a CARIDADE, ao irmão mais carente. Vamos ver como a CASA DE OXUMARÊ procede nesta questão, bem como postaremos algumas fotos sobre alguns tipos de ações de caridade de outros irmãos em suas casas de Axé.

Fundado no final do século 18, a entidade é considerada uma das casas mais antigas no culto afro baiano. 

Cerca de 150 famílias e 600 crianças e adolescentes do bairro da Federação, em Salvador, participam de ações sociais promovidas pelo Terreiro Ilê Axé Oxumarê. Os beneficiados recebem cestas básicas, colchões e cobertores. Além disso, a entidade oferece cursos profissionalizantes, como dança afro, bordados, capoeira, informática, corte e costura, penteados afro, confecção de atabaques e percussão. 

De acordo com o líder religioso do Terreiro, Babá Sivanilton , Pai PC, a casa de santo luta pelo reconhecimento do trabalho que realizam. “O nosso compromisso ultrapassa a porteira do candomblé. O foco da instituição é a inclusão social dos nossos vizinhos e, para isso, precisamos superar alguns desafios, dentre eles, a ausência dos poderes públicos na assistência aos moradores da localidade”, pontua Sivanilton. 

Podem participar da ação tanto os filhos de santo da casa, como também a população do bairro. Os interessados devem preencher um cadastro com dados pessoais e de renda, que será submetido à análise. “O projeto já existe há 12 anos e já passaram por aqui aproximadamente três mil pessoas”, conta o babalorixá. 

Participação das crianças – Na religião de matrizes africanas, as crianças recebem um tratamento especial, porque elas são consideradas como a perpetuação do legado de uma tradição religiosa. Isso ocorre também nesse projeto, que prioriza meninos e meninas em situação de risco social. Os coordenadores buscam manter sempre viva a beleza da cultura secular nos ensinamentos para essa nova geração, que contará a história das nações do candomblé, a exemplo do Keto, Angola, Jejê etc. 

Dona Odília, mãe Sidney da Mata, um dos adolescentes beneficiados, não esconde a sua satisfação em ver o filho aprender a tocar um instrumento musical. “Fico muito feliz por saber que meu filho está aprendendo uma profissão, porque não tenho recurso para oferecer um curso de qualidade e saber que ele está no caminho certo livre das drogas e das más companhias. Isso para mim é muito gratificante tendo o apoio do terreiro aqui no bairro”, afirma a moradora da Federação. 

Disciplinado, Sidney conta que graças ao projeto já sabe qual profissão seguir. “Quero ser músico, gosto muito do som do atabaque, não falto uma aula e meu professor é meu mestre”, destaca Mata, aluno do curso de percussão. 

A educadora Thaís Carvalho, que fez parte das ações sociais, reconhece a importância do seu crescimento profissional dentro da instituição. “Fui aluna dos projetos aqui do terreiro e hoje sou educadora. Foi aqui que aprendi a ser gente, conquistei o meu espaço e repasso a minha experiência para os meus alunos dizendo que o amanhã pode ser diferente, só depende da nossa vontade de mudar”, destaca Carvalho. 

Atualmente, muitos jovens que participaram do projeto do Terreiro são bolsistas do curso de percussão realizado pela UFBA (Universidade Federal da Bahia). O que é motivo de orgulho para a comunidade. “O programa mostra que podemos mudar a realidade desses jovens e que os projetos sociais contribuem para cidadania, igualdade e acrescenta valores morais e de respeito ao próximo, promovendo assim futuros profissionais na construção de uma sociedade melhor para todos”, finaliza Babá Sivanilton. 

Se você quer conhecer as obras assistenciais do Terreiro Ilê Axé Oxumarê entre no site: www.casadeoxumare.com.brcasadeoxumare.blogspot.com ou ligue (71) 3237-2859. 

Vimos este grande exemplo do Ilê Asé Casa de Oxumarê, mas muito mais pessoas tem feito isso em prol dos mais necessitados, dando um mar de orgulho aos MEMBROS DO CANDOMBLÉ, devido a tantas criticas que outras religiões têm se preocupado em fazer contra nossa fé.

YÁ LURDES MATTOS CALDEIRA




É exatamente assim, com estes exemplos que temos a seguir que vamos de fato não somente encontrar nosso lugar de reconhecimento diante de todas as outras religiões que nos julgam. Como também podemos fazer a cada dia mais nossos ILÊS ASÉS CRESCEREM MAS EM QUALIDADE E NÃO EM QUANTIDADE.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O USO DA CARIDADE - PARTE I

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs), bom dia!!! 


Como de costume, só temos a agradecer as visitas, participações, seguidores, mensagens e comentários. Isso mostra que de fato de alguma forma, nosso serviço e preocupação de postar coisas de fato importantes na RELIGIOSIDADE, tanto do CANDOMBLÉ em si como da UMBANDA SAGRADA

Estamos nos adentrando em mais uma semana que se inicia e com ela hoje somos levados a meditar em algumas práticas muito louváveis de algumas CASAS DE SANTO, sejam elas do CANDOMBLÉ como da UMBANDA. Práticas estas que nos dão uma nova abertura de visão e que na realidade são de fato fundamentais para o crescimento de nossas CASAS DE SANTO. Estamos falando do USO DA CARIDADE

Para isto vamos buscar entender o quem a ser isto: 

Caridade é um sentimento ou uma ação altruísta de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa. A prática da caridade é notável indicador de elevação moral e uma das práticas que mais caracterizam a essência boa do ser humano, sendo, em alguns casos, chamada de ajuda humanitária. Termos afins: Amor ao próximo; bondade; benevolência; indulgência; perdão; compaixão.




Segundo o Protestantismo (Evangélicos) 

Orígem do latim CARITAS = estima; afeto e do latim CARUS = de alto valor; caro, digno de apreço; querido, agradável. 

“Caridade” (amor agape), o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca, conforme a Bíblia Sagrada, única Regra de Fé dos protestantes evangélicos: 

João 3:16 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". 

Marcos 12:30-31 - "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes". E mais: (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).




Segundo o Catolicismo 

A doutrina católica classifica a caridade como uma das virtudes teologais e uma das sete virtudes. Tem o mesmo significado que o Ágape. É um sentimento que pode ter dois sentidos, o sentimento para si mesmo, e ao próximo. 

O Cristianismo afirma que a caridade é o "amar ao próximo como a si mesmo". E afirma que se uma pessoa não se amar adulterando e mentindo a si mesma sobre as coisas que a rodeia, defendendo somente o seu ponto de vista sem pensar no ponto de vista divino, pode estar "amando" o seu próximo, mas da sua maneira, pois quanto mais buscar o esclarecimento divino sobre como amar a si mesma, maior poderá ser o amor desta pessoa pelo seu próximo. 

E afirma que nos dias atuais muitos estão buscando a Cristo, mas da sua "maneira", não procurando arrepender de suas ações, pois em si mesmos não acham culpa alguma, pois defendem os seus próprios pontos de vista. 

Esquecem-se que o salário de pecado é a morte, e quem não se ama (caridade) peca, pois quem exerce a caridade, não peca, pois acaba amando à Deus mais do que a si mesma, ouvindo assim a sua voz e colocando em prática a Verdade que recebe. Dizendo, que quem ama a Cristo, confirma também o Senhorio de Cristo sobre a si mesma, abandonando tudo por Ele, pois um Servo abandona tudo pelo seu Senhor, vivendo somente para ele. 

Aliás, Jesus Cristo ordenou: "Amar a Deus sobre todas as coisas", isto para os cristãos constitui a parte fundamental da caridade. 

Quem tem o amor, prova, não somente com palavras mas sim com ações. Abrindo mão dos costumes dos gentios por amar a Deus sobre todas as coisas, seguindo a sua voz e os seus mandamentos. 

Resumindo e usando as palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» (1 Cor 13,1-3)"

São Paulo disse que, de todas as virtudes, "o maior destas é o amor" (ou caridade). O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar".




Segundo o Espiritismo 

A doutrina espírita entende a caridade como um dever moral de todo homem e que não se resume apenas ao auxílio material. No Livro dos espíritos, item 886, Allan Kardec pergunta aos espíritos superiores: 

"886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas." 

A caridade, portanto, reflete o princípio cristão fundamental de amor mútuo entre todos, independentemente da situação em que se encontrem, tendo aplicação no âmbito moral e material. 

O Espiritismo tenta, pela demonstração ao homem de sua condição de espírito imortal, impulsioná-lo à doação de si próprio ao bem daqueles que dele podem obter auxílio. Quando o homem enxerga a vida como algo que se definha, efêmera, ao passar do tempo, o seu instinto natural de conservação lhe impulsiona ao egoísmo. 

De modo contrário, para o que vislumbra a imortalidade, o tempo deixa de ser algo a temer e o foco da vida passa a ser o presente. A caridade, neste caso, é como um mero trabalho que um trabalhador executa, sabendo que é necessário ao fim pretendido pelo seu senhor, que lhe dará o seu salário. 

Para este, considera Allan Kardec: 

"A importância da vida presente, tão triste, tão curta, tão efêmera, se apaga, para ele, ante o esplendor do futuro infinito que se lhe desdobra às vistas. A conseqüência natural e lógica dessa certeza é sacrificar o homem um presente fugidio a um porvir duradouro, ao passo que antes ele tudo sacrificava ao presente"

O diferencial proposto pelo Espiritismo é conceber a caridade como um dever natural decorrente da própria natureza e da ordem das coisas ao invés de mais um ensino moral. Entendendo o espírito que já passou e passará pelas mais diversas situações em diferentes encarnações no caminho da evolução, qualquer prejuízo que gere a outrem será um prejuízo causado contra si; de forma contrária, qualquer auxílio prestado a outrem será também um auxílio prestado a si. 

Todos estes exemplos mostram que a caridade forma um ciclo virtuoso de progresso geral e traz para o campo científico-filosófico o que era apenas matéria religiosa.