segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - PRECONCEITO CONTRA A MINISSÉRIE SEREIA

Religiosos extremistas pegam no pé da sereia


Depois de implicarem com “Salve Jorge”, chegou a vez dos extremistas religiosos apontarem suas críticas à minissérie “O Canto da Sereia”.

Assim como na novela de Gloria Perez, o alvo é a crença de outras religiões. No caso de “Salve Jorge”, acusavam a Globo de fazer uma novela com um santo pagão, e em “O Canto da Sereia” o que é usado como justificativa aos ataques é o candomblé e o bissexualismo da protagonista Sereia (Ísis Valverde).

Em imagens divulgadas no Facebook, fotos dos personagens da trama aparecem ao lado de um texto escrito em WordArt dizendo “Depois de Salve Jorge agora é Oxum ‘O Canto da Sereia’ Isis Valverde será Bissexual”.

Protesto de pastor contra minissérie “O canto da Sereia” é tema de reportagem da Record

No programa Domingo Espetacular 13/01/13 trouxe uma reportagem abordando o protesto do pastor Divino Aleixo Marinho da Igreja Betel Palavra de Fogo, contra a minissérie “O canto da Sereia” que segundo ele foi uma forma de instruir os fieis do que é contra a Palavra de Deus.


O programa da TV Record entrevistou o pastor da Igreja Betel Palavra de Fogo, que criticou a abordagem feita pela Globo em relação às religiões. Para ele, o tratamento é desigual.

“A distribuição em relação à religião que a emissora em si propõe não é muito justa. Quando aborda um assunto religioso, sempre aborda de uma maneira crítica, ou diminuindo a capacidade que os evangélicos têm. Eles consideram a gente como um povo pequeno, um povo sem cultura”, afirma o pastor.

A reportagem repercutiu ainda as manifestações dos autores Glória Perez e Walcyr Carrasco, que através do Twitter, reclamaram dos protestos contra as produções Salve Jorge e O Canto da Sereia, e ressaltou a declaração da criadora da atual novela das nove, que afirmou ter medo do “modo talibã de ser” dos evangélicos que acompanharam os protestos do pastor Marinho.

Em resposta de Marinho às críticas feitas à sua iniciativa, foi baseada nos princípios que o levaram a pedir que os fiéis não acompanhassem a microssérie: “A minha opinião é que, infelizmente, se era intenção dos criadores ou não, eles passam uma mensagem contrária ao que a Bíblia diz”, pontua.

Procurada pela reportagem da Record, a assessoria da TV Globo pronunciou-se dizendo que a emissora é “laica e assim é vista pela maior parte do público brasileiro”, e se negou a comentar a possibilidade de que exista uma personagem evangélica com status de protagonista na próxima novela que for produzida.

A reportagem do programa Domingo Espetacular ouviu ainda os pastores Diógenes Monteiro e Agenor Duque, que criticaram a iniciativa da Globo em tentar se aproximar do público evangélico.

Para Duque, o Festival Promessas, é uma “jogada de marketing”, que não enfatizou a “pregação do Evangelho”. Já Monteiro ressaltou que ao seu ver, a aproximação é uma tentativa de “maquiar uma série de abusos que têm sido cometidos contra a comunidade evangélica”.

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - NOVELA LADO A LADO

João Ximenes Braga defende a tolerância religiosa em Lado a Lado



Autor da novela das seis usa personagem de Jurema para apelar pela liberdade às crenças no país

João Ximenes Braga, autor de Lado a Lado em parceria com Claudia Lage, está fazendo muita gente refletir com a trama de Jurema, personagem de Zezeh Barbosa. Ao assumir sua religião no início do século XX, ela vem enfrentando dificuldades que ainda podem ser vistas nos dias atuais.


A constituição da época já previa liberdade religiosa. Mas havia uma lei que proibia jogos de adivinhação e uso de ervas para ludibriar pessoas. Era uma forma de reprimir credos de origem africana. João explica: "A diferença da época de Lado a Lado para agora é que não há qualquer lei contra, pelo contrário. Mas o preconceito ainda é muito forte. Em novembro, a PUC-Rio divulgou uma pesquisa sobre os templos de religiões afro-brasileiras no estado do Rio. Eles mapearam 847 templos e, segundo a pesquisa, mais da metade já foi vítima de 'algum tipo de ação' que pode ser classificada como intolerância em razão da crença ou culto", diz o escritor.


João Ximenes Braga vê com otimismo a discussão de temáticas religiosas em folhetins, e diz que tem recebido muitas mensagens agradecendo a iniciativa.

Conselho de Promoção de Liberdade Religiosa e Direitos Humanos. O projeto, pioneiro no país, trabalha diretamente no enfrentamento dessas ocorrências e na proteção às vítimas de preconceito de ordem religiosa. Reveja a cena da prisão de Jurema.

Braço da Secretaria de Estado da Assistência Social e Direitos Humanos, o órgão vem promovendo em conjunto com outras secretarias do Estado ações para preparar os funcionários que recebem esse tipo de demanda. Inclusive, há um programa de treinamento especial para o contingente das Polícias Civil e Militar no sentido de prepará-los para proteger as vítimas de agressão.

Claudio Nascimento, Superintendente do Programa de Combate à Intolerância Religiosa, ressalta que todas as crenças merecem respeito e cuidado. “Não são só as religiões de matriz africana que passam por isso. Credos islâmicos, judaicos, kardecistas, entre outros, também são alvos de preconceito. Nossa ideia é mostrar que todas as religiões precisam ser respeitadas. Inclusive, aqueles que não possuem crença alguma” ressalta. Reveja a cena em que Jurema é solta e aclamada pelo povo.


Claudio vê com bons olhos iniciativas como a de Lado a Lado em abordar um tema tão atual e de profunda importância para o crescimento da sociedade. “Acompanho capítulos de Lado a Lado e acho fundamental essa abordagem em folhetins, principalmente das 18h. Esse geralmente é um momento em que as pessoas chegam em casa do trabalho, as crianças voltando das escolas, enfim, é muito importante que eles tenham acesso a esse tipo de discussão. A televisão tem papel transformador na cultura de uma sociedade, e pode traduzir para uma linguagem mais clara temas importantes como a intolerância religiosa.”

João enxerga na televisão um poder de alcance muito grande e espera que quem assistiu à cena da prisão de Jurema pela prática do Candomblé possa, no mínimo, discutir a questão em casa com a família e os amigos, ou até mesmo refletir profundamente sobre o assunto. "Mas não acredito que a novela acabe com o preconceito de uma hora para outra", ressalva.

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - PRECONCEITO AOS ÍNDIOS



É uma pena ainda hoje ver esse tipo de atrocidade preconceituosa de pessoas que nem capacitadas direito para dirigir a Palavra de Deus tem para tentar aniquilar uma crença indígena que esta viva entre gerações mais antigas. Mas que por força das leis dos homens parece que agora todo mundo deve ser evangélico. Fico a me perguntar onde esta ou onde fica o livre arbítrio das pessoas, dos povos e das raças? Fala sério. 

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - A BELEZA DAS DIVERSAS RAÇAS


Muito se tem falado da beleza num geral. Mas não se tem verificado a verdadeira noção de que cada pessoa tem sua beleza própria, seja oriental, seja europeia, seja ameríndia, seja negra. A beleza é de fato UNIVERSAL


Por vezes existe nas pessoas ou nas coisas um charme invisível, uma graça natural que não pode ser definida, a que somos obrigados a chamar o «não sei o quê» Parece-me que é um efeito que deriva principalmente da surpresa. 

Sensibiliza-nos o fato de uma pessoa nos agradar mais do que deveria inicialmente e somos agradavelmente surpreendidos porque superou os defeitos que os nossos olhos nos mostravam e que o coração já não acredita. 

Esta é a razão porque as mulheres feias possuem muitas vezes encantos que raramente as mulheres belas possuem, porque uma bela pessoa geralmente faz o contrário daquilo que esperávamos; começa a parecer-nos menos estimável. 

Depois de nos ter surpreendido positivamente, surpreende-nos negativamente; mas a boa impressão é antiga e a do mal, recente: assim, as pessoas belas raramente despertam grandes paixões, quase sempre restringidas às que possuem encantos, ou seja, dons que não esperaríamos de modo nenhum e que não tínhamos motivos para esperar. 

Os encantos encontram-se muito mais no espírito do que no rosto, porque um belo rosto mostra-se logo e não esconde quase nada, mas o espírito apenas se mostra gradualmente, quando quer e do modo que quer; pode esconder-se para surgir de novo e proporcionar essa espécie de surpresa que constitui os encantos. 

— com Rusalia Giorgia.

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - PRECONCEITO RELIGIOSO NAS NOVELAS


Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) do BLOG OLHOS DE OXALÁ

Uma das coisas que atualmente tem virado ponto de discussão entre os internautas, membros do FACEBOOK é de fato a questão da NOVELA SALVE JORGE. 

Durante a criação e gravações da mesma, o foco central, como outras quaisquer apresentadas pela REDE GLOBO DE TELEVISÃO é de fato divulgar, apresentar culturas diferentes. E como já conhecemos o trabalho excelente da autora GLÓRIA PERES, que entre seus vários trabalhos destacamos com maior enfoque a novela O CLONE, que na sua época foi um foco central de criticas devido ao tema central abordado. 

Hoje se vive novamente uma questão parecida, pois o intuito da novela, é de fato apresentar a origem da história arqueológica de SÃO JORGE. Um guerreiro muito fervoroso e que lutava para conquistar seus objetivos de acordo com a monarquia de sua época e claro respeitando a sua religião. 

Mas isto hoje em dia não tem sido lembrado para muitos membros das religiões protestantes, devido a SÃO JORGE ser um santo cultuado e votivo dentro da IGREJA CATÓLICA. Bem como ser um Santo muito reverenciado dentro da UMBANDA SAGRADA, tendo seu sincretismo com o ORIXÁ OGUM, de forte atuação também no CANDOMBLÉ

Motivado por este tipo de situação resolvi postar esta colocação de meu amigo DOFONO WALLACE DE YEMONJÁ, que sabiamente foi muito feliz nas suas palavras e na sua pesquisa. 

Divertido é que, se a questão com o S. Jorge é de "evidência arqueológica", então a maioria dos personagens da Bíblia tá lascado... afinal, nunca ouvi dizer de alguém que foi a Jerusalém e tenha visto algum dos restos mortais de Davi, Moisés, Isaías..... 

O blog do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (controladora da Record) chegou a publicar um texto assinado por Vanessa Lampert, que alega que São Jorge sequer teria existido: seria uma lenda de origem babilônica encampada pela Igreja Católica. 

Ela se esquece de que não há provas arqueológicas nem documentais da existência física do Rei Davi: ele só é mencionado no Antigo Testamento. Mas o que importa é inflamar o autodenominado "povo de Deus". 

Quem quiser conferir o Blog do Bispo: http://www.bispomacedo.com.br/

COLETÂNEA LOGUM E O PRECONCEITO - A CULPA SEMPRE CAI SOBRE NÓS


Dia de desordem e destruição em Brejo da Madre de Deus 

BREJO DA MADRE E DEUS – O dia foi de caos ontem no distrito de São Domingos, em Brejo da Madre de Deus, no Agreste. Revoltados com a morte de Flanio da Silva Macedo, 9 anos, assassinado em ritual macabro, moradores da comunidade botaram fogo em pelo menos seis casas de pessoas acusadas de atuar como pai-de-santo. O tumulto tomou conta do distrito e a polícia não conseguiu conter os atos de vandalismo, que atingiu também pessoas que nada tinham a ver com o a morte da criança. A situação só começou a se normalizar no começo da tarde, com a chegada de reforço policial, inclusive o Batalhão de Choque e dois helicópteros. 

Os atos de vandalismo começaram logo cedo, por volta das 7h. Os incêndios aconteceram em sequência e foram causados por centenas de pessoas de todas as idades. Alegando que queriam matar todos os “macumbeiros”, a turba descontrolada tomou as ruas da cidade e incendiou casas em vários bairros. 

Uma das primeiras fica localizada na Travessa São João, no centro do distrito de São Domingos. A pequena residência, de um homem identificado apenas como Vavá, teve os móveis retirados e queimados na frente. O fogo também atingiu o imóvel, que ficou parcialmente destruída. “Muita gente invadiu a tocou fogo. Ele usava coisa de catimbó. O pessoal está tocando fogo em todas as casas dos catimbozeiros”, disse o autônomo Jânio Arruda. Segundo populares, o morador já tinha fugido e a casa estava aberta. Um homem foi detido durante o ato de vandalismo. 

Enquanto a polícia tentava controlar a situação na Travessa São João, recebeu a informação de que a multidão já estava atacando outra residência, desta vez na Rua Francisco Borba Xavier, conhecida como Rua da Lama. Segundo vizinhos, a dona da casa, identificada apenas como Dona Carminha, de 78 anos, morava no local com o marido. A população não colocou fogo na residência, mas quebrou móveis e objetos, entre eles algumas imagens de santos de candomblé. 

Fonte: Jornal do Comercio 

Por desinformação, ignorância e distorção da mídia, religiosos de segmentos espiritualistas e de matriz africana vêm sendo perseguidos e tendo seus centros e terreiros invadidos - e em alguns casos destruídos - em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco. 

Um homem apontado como “pai de santo” é o principal suspeito de ter planejado e participado do crime juntamente com outras quatro pessoas. Diante da atrocidade do ato, a população enfurecida vem cometendo atos durante esta semana contra centros e terreiros. 

O caso, devido à dimensão, tem ganhado bastante espaço na mídia pernambucana e frequentemente cenas típicas de inquisição e intolerância passam nos canais de comunicação e me deixam perplexa diante de tal atitude, de tamanha agressão começando pelo crime e chegando aos atos de destruição e perseguição religiosa na cidade e em localidades vizinhas. 

A falta de informação ainda é a principal causa desse tipo de ato relacionado a nós, praticantes de religiões de matriz africana. Uma mídia que distorce fatos, uma população ignorante e somos lançados a fogueira para sermos dizimados. 

Especialmente hoje, por perceber que todos esses atos assustadores têm causas maiores, fixas, e não pontuais, questiono até quando as nossas federações continuarão tão desarticuladas nacionalmente, ainda com pouco grito, ainda com pouca vontade de gritar e se manifestar imediatamente diante desses atos, até quando o povo de terreiro irá se calar e quando a Lei 10.639 será praticada com eficácia nas escolas para construirmos cidadãos menos intolerantes, menos manipuláveis e um pouco mais sensatos. 

Como religiosa me pus no lugar de cada um que teve a sua casa de culto destruída, de cada um que foi agredido e imagino o sentimento de impotência e de falta de proteção que nos cerca. Já está passando da hora de unirmos, meus irmãos. Já está passando da hora da nossa religião se transformar na instituição que naturalmente ela deve ser.


MATERIA ENCAMINHADA AO MEU EMAIL PESSOAL MANUFESHOWBOY@YAHOO.COM.BR PELO SITE: O CANDOMBLÉ.  

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - HOMOFOBIA NA POLÍTICA



Um deputado federal e pastor evangélico fez um chamado no mês de julho de 2012 a todas as denominações evangélicas do Brasil para que se unam contra a criminalização da homofobia e criticou as decisões do Supremo Tribunal Federal “de esquerda” a favor de “tudo que não presta”, incluída aí a “união estável homo-afetiva”

O pastor é longe de ser o único a fazer manifestações públicas desta natureza: basta fazer uma busca em alguns sites fundamentalistas na internet, assistir a determinados programas de televisão e ouvir discursos proferidos por certos parlamentares evangélicos fundamentalistas.

A decisão do STF de reconhecer a união homoafetiva foi uma afirmação da soberania da Constituição no País

Fico me perguntando por que tanto desprezo, tanto ódio, tanta agressão, tanto amedrontamento infundado dos fiéis, tanto anúncio da “catástrofe” por vir que representaria a proteção jurídica dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), e tanta perseguição até contra pessoas que não são LGBT mas que têm manifestado seu apoio à causa da diversidade, vide alguns ataques que já se iniciaram nessas eleições. Nestas posturas, onde está o espírito do cristianismo exemplificado e pregado pelo próprio Cristo? O que aconteceu com o mandamento pregado por ele: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”

A homofobia é pecado, assim como o racismo. Vejam por analogia, quando Tiago relata “Todavia, se estais cumprindo a lei real segundo a escritura: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem. Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores;” e também em Atos: “Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas.” Mesmos fossemos utilizar argumentos de livros sagrados, o que não é o caso, está havendo – sim – acepção da comunidade LGBT.

Querer marginalizar segmentos da sociedade em nome de uma suposta verdade é uma prática perigosa, e também um erro no sentido original da palavra pecar (errar o alvo). A este respeito é impossível não fazer um paralelo com o extermínio nazista de todas as pessoas que – segundo o dogma deles – também “não prestavam”. O resultado disso foi o holocausto. O paralelo também se espelha no seguimento incondicional, cegamente e sem senso crítico, das pregações dos líderes fundamentalistas, até se chegar ao caos irreversível, o verdadeiro inferno na terra: o holocausto no caso do regime nazista; a intolerância e barbárie no caso do islã fundamentalista, por exemplo. Seria imperdoável a religião, no caso o fundamentalismo evangélico no Brasil, errar mais uma vez. 

Os protestantes / evangélicos já sofreram muito no Brasil e em outros países católicos, chegando a ser uma minoria perseguida. Por que então perseguir outra minoria por causa de sua condição sexual? Não se aprendeu nada da triste lição de ser objeto de preconceito, discriminação e até de morte por serem “hereges”, ou terem uma religião diferente da predominante, assim como as pessoas LGBT sofrem hoje por terem uma sexualidade diferente da convencionalmente aceita. Apenas como exemplo, na semana passada publicaram-se os resultados de mais uma pesquisa que apontou que 70% dos gays de São Paulo já sofreram agressão, entre agressão verbal, física e sexual.

Temos plena consciência de que é um erro generalizar e sabemos – de primeira mão – que há muitas pessoas evangélicas que não seguem essas posturas fundamentalistas homofóbicas e, sim, procuram respeitar a todos na profissão e no exercício de sua fé.

Um exemplo é o bispo negro sul africano, Desmond Tutu, da igreja Anglicana, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, que tem se posicionado inúmeras vezes contra a prática de fazer acepção às pessoas LGBT: “Discriminar nossas irmãs e nossos irmãos que são lésbicas ou gays por motivo de sua orientação sexual é para mim tão totalmente inaceitável e injusto quanto o apartheid… Opor-se ao apartheid foi uma questão de justiça. Opor-se à discriminação contra as mulheres é uma questão de justiça. Opor-se à discriminação por orientação sexual é uma questão de justiça. É improvável que o Jesus a quem louvo colabore com aqueles que vilipendiam e perseguem uma minoria que já é oprimida” (tradução minha, fonte). 

Não queremos uma guerra santa ou uma guerra arco-íris, muito menos criar e impor uma “Ditadura Gay” ou um “Império Gay”. Não! Absolutamente! Não queremos ser excluídos das famílias e nem destruí-las, como se alega. Queremos ter a nossa vivência e construir a nossa família da nossa forma, em coexistência pacífica e harmoniosa com as já estabelecidas. A diversidade existe e isso há de ser reconhecido e respeitado. Uma sociedade se faz com toda a diversidade: “Quase sempre minorias criativas e dedicadas tornam o mundo melhor” (Martin Luther King). Não se deve discriminar ninguém, sejam 0,25%, 25% ou 90% da população. Respeitar as minorias é dever de todos, como já diz o grande pacifista Gandhi: “Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias”.

Também há muitas pessoas LGBT que são cristãs e para as quais é dolorido serem taxadas de pecadores e desviantes dentro do seio das igrejas, ao ponto de se sentirem excluídas e desistirem de frequentá-las. Neste sentido, gostaria de citar o primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron (partido conservador) em pronunciamento recente: “Eu sei que isso é muito complicado e difícil para todas as igrejas, mas acredito fortemente que as instituições devem redescobrir a questão da igualdade e as igrejas não devem ser oposição a pessoas que são gays, bissexuais ou transgêneros, que também podem ser membros plenos das igrejas, assim como muitas pessoas com visões cristãs profundamente enraizadas são homossexuais”

A igualdade é uma das questões no cerne deste debate. O Brasil é um Estado laico – não há nenhuma religião oficial, as manifestações religiosas são respeitadas, mas não devem interferir nas decisões governamentais – e o País é regido por uma Lei Magna, a nossa Constituição Federal. E a Constituição garante que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e que não haverá discriminação. Por isso as proposições legislativas que visem a restringir nossos os direitos se veem derrotadas uma a uma.

No caso da população LGBT no Brasil, ainda não temos igualdade de direitos em todos os quesitos, e ainda sofremos muita discriminação. Os dados oficiais do governo federal para o ano 2011, obtidos através do módulo LGBT do serviço telefônico Disque-denúncia, revelam que houve 6.809 denúncias de violações de direitos humanos de pessoas LGBT, representando 18.6 violações por dia. As violências mais denunciadas são as de ordem psicológica (42.5%), por discriminação (22.3%) e a violência física (15.9%).

Este quadro, e incluindo também o elevado nível de assassinatos, se repete todos os anos no Brasil. Apesar disso, o Congresso Nacional tem sido omisso e em 11 anos não aprovou nenhuma proposição em resposta a esta situação. Esta omissão é mais um sinal de desrespeito aos preceitos constitucionais da igualdade, da não discriminação, da dignidade humana, entre outros e, acima de tudo, um sinal claro do desrespeito e da indiferença quanto à situação vivida pela população LGBT. Diante disso, não podemos mais ficar de braços cruzados e aceitar o descaso. Buscamos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) a possibilidade do reconhecimento de nosso direito à proteção jurídica contra a violência e a discriminação homofóbica, como já existe em 58 países. 

Isso não é uma ameaça à liberdade de expressão, e nem à liberdade de crença. A nossa iniciativa não é um ataque frontal voltado para as igrejas. Defendemos intransigentemente essas liberdades, contanto que não sejam utilizadas como salvo-conduto para ataques à nossa cidadania, e nos defenderemos com todas as armas políticas e jurídicas disponíveis – incluídos aí o Ministério Público e o Judiciário, sempre.

O mandado de injunção apresentado ao STF é uma tentativa de reverter o comprovado quadro de violência e discriminação que nós, cidadãs e cidadãos LGBT brasileiros, vivenciamos nos mais diversos campos, mas que – ao contrário do racismo, por exemplo – não é punido por legislação específica, de modo a incentivar e perpetuar a impunidade de quem pratica esses crimes.

A decisão de 5 de maio de 2011 do STF em reconhecer a união estável homoafetiva foi uma afirmação da soberania da Constituição em nosso País e da indivisibilidade da igualdade dos direitos. Isto quer dizer que não há mais direitos para alguns setores da sociedade, e menos para outros, mas que os direitos são iguais, ou pelo menos deveriam ser, no dia-a-dia da sociedade brasileira. Enquanto o Legislativo Federal persiste em não reconhecer isso, a mais alta instância do Judiciário foi firme e unânime em fazer valer os preceitos constitucionais indiscriminadamente. Que o mesmo exemplo seja dado em relação à criminalização da homofobia.

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T'OGUM - COLETÂNEA PRECONCEITO

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.


Mais uma nova semana se inicia, e com ela novas lutas, histórias, fatos, conquistas, talvez algumas derrotas, mas nada que não se encaixe perfeitamente na grande escola que se chama vida. 

Dentro desta escola, nada se nasce sabendo ou conquistando. A cada dia, uma nova batalha se inicia e com ela temos erros e acertos. Verdadeiras situações que nos fazem de fato amadurecer como pessoas, indivíduos e até seres melhores sociáveis.

Estamos num tempo em que vivenciamos a alegria do Carnaval, onde por breves períodos de tempo,  esquecemos problemas, situações desagradáveis da vida. Até vários problemas são postos de lado e vivemos uma alegria que explode de fato com o som dos tambores. E claro, nesse interim,  outras coisas vão acontecendo.

Dentro de nossa realidade BLOG OLHOS DE OXALÁ, não poderia deixar de ser igual. Situações que envolvem família, amigos, e até o próprio dia a dia. E como temos visto estamos dentro da seqüência central abordada, ser referente a LOGUN-EDÉ, temos visto outras coisas que podem ser abordadas perfeitamente; mesmo não fazendo coligação direta ao mesmo. Como estamos fazendo agora abordando o tema PRECONCEITO RELIGIOSO.

E falar de PRECONCEITO RELIGIOSO é de fato complicado devido a sua vastidão de assuntos e fatores. Afinal de contas, ao analisarmos as questões que envolvem LOGUN-EDÉ, é de fato um ORIXÁ, que traz consigo muitas contradições, entre elas muitos tabus e até preconceitos também.

É preconceitos na própria questão da opção religiosa que cada um escolhe. É preconceitos de Nação para Nação. Preconceitos ligados entre como uma falsa disputa entre membros do CANDOMBLÉ e da UMBANDA SAGRADA

São fatos de preconceitos ligados à credos, raças, sexualidades, enfim vastos assuntos que estão de fato inseridos nestas realidades. E isto acontece conosco também, como um fato que aconteceu atualmente referente a minha pessoa JOSÉ PEDRO MANUEL T'OGUM, com uma pessoa que até alguns dias atrás era tida como AMIGA mas com os fatos, pude ver que de amiga, esta mesma pessoa não sabe em hipótese alguma o real significado da mesma palavra. Mas enfim.

Com a busca de cada vez fazer este meio de comunicação ficar melhor, além dos assuntos que vamos hoje abordar aqui, vou por conta e risco abordar um tema que foi uma verdadeira bomba atômica em nossa realidade social e religiosa. E que logo cedo a própria televisão já tem relatado, chegado aos meios de comunicação mundiais, espalhados pela INTERNET. Estou me referindo à RENUNCIA DO PAPADO DO PAPA BENTO XVI, líder religioso da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

Mas mediante todas estas realidades, reforço meu convite e todos (as) vocês: SEGUIDORES,  VISITANTES, AMIGOS, que continuem acompanhando nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, que trata-se de um serviço de informação a todos que fazem parte de nossa RELIGIOSIDADE, seja ela da UMBANDA SAGRADA, bem como do CANDOMBLÉ.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - DIREITO DOS SACERDOTES


Dessa forma, é importante que todas essas notas sejam visualizadas, propagadas e compreendidas pela maioria, sendo que, constituem uma importante ferramenta de defesa e luta à busca liberdade de crença. Todas fazem parte da campanha promovida no passado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade.

É fundamental que, cada dia mais, nós estejamos aptos para nos defender de possíveis ataques. Aproveitem!!!

Os direitos do Ministro Religioso (Sacerdote/Sacerdotisa)

Cada religião tem o direito de preparar e nomear seus sacerdotes e sacerdotisas de acordo com seus padrões de costumes.

A lei não exige nem pode exigir que uma pessoa tenha cursado faculdade para tornar-se um Ministro(a) Religioso(a).

Perante a lei, todos os sacerdotes e sacerdotisas são chamados de Ministro Religioso e todos gozam dos mesmos direitos.

Para que uma pessoa se torne um Ministro Religioso ela precisa ser indicada por uma autoridade religiosa ou ser nomeada ou eleita por uma associação religiosa, legalmente constituída. A nomeação deve constar em ata e ser registrada em cartório.

Os Ministros(as) Religiosos (as) possuem vários direitos, entre eles:
• Ser inscrito como Ministro Religiosos na previdência social (para fins de aposentadorias, benefícios, etc.);
• Celebrar casamento e emitir o certificado de realização da cerimônia;
• Ter livre acesso a hospitais, presídios e quaisquer outros locais de internação coletiva, visando dar assistência religiosa;
• Ser preso em cela especial até o julgamento final do processo;
• Ser sepultado no próprio templo religioso;
• Ao Ministro Religiosos estrangeiro é assegurado o direito de visto temporário.

O templo Religioso

O templo religioso é o espaço físico, a edificação, a casa destinada ao culto religioso, na qual são realizadas as cerimônias, práticas, ritos e deveres religiosos (Constituição Federal, art. 150, inciso VI, alínea “b”).

Para funcionar legalmente o templo religioso necessita de alvará de funcionamento expedido pela Prefeitura do município onde esteja localizado (Lei n. 3.193, de 04 de julho de 1957). Apenas, e tão somente a prefeitura tem poderes para expedir o alvará de funcionamento e nenhum outro documento substituí o alvará.

O imóvel pode ser próprio ou alugado.

De acordo com a Constituição federal, o tempo religioso é isento do pagamento de qualquer imposto, a exemplo do IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano (Lei n. 8.245, de 18 de outubro de 1991, art. 53). No caso de São Paulo, uma lei municipal isenta os templos do pagamento de taxas de conservação e de limpeza pública (Lei do Município de São Paulo, n. 11.335, de 30 de dezembro de 1992).

Lembrem-se, é importante sempre estarmos informados acerca das leis que nos protegem!!!

Amanhã, vamos recordar sobre: O Casamento Religioso e a Escolha do nome de filhos de acordo com a religião dos pais.

Que Òsùmàrè proteja todos de qualquer tipo de preconceito e discriminação.

Casa de Òsùmàrè

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - LIBERDADE DE CULTO


Em continuidade a COLETÂNEA iniciada, vamos publicar importantes excertos da lei brasileira, que salvaguardam os nossos direitos. Dessa forma, é importante que todas essas notas sejam visualizadas, propagadas e compreendidas pela maioria, sendo que, constituem uma importante ferramenta de defesa e luta à busca liberdade de crença. Todas fazem parte da campanha promovida no passado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade.

É fundamental que, cada dia mais, nós estejamos aptos para nos defender de possíveis ataques. Aproveitem!!!

Liberdade de culto e dos locais de culto.

Liberdade de reunião, de culto e de liturgia são direitos previstos na Constituição Federal (Constituição Federal, art. 1º, caput; art.5C, incisos II, IV, XV e XVI; art. 220, § 2º).

Respeitando-se a Lei, todos podem reunir-se pacificamente para manifestar sua crença, sem qualquer tipo de obstáculo do Poder Público ou de particulares (Lei de introdução do Código Civil, art. 2º).

O culto pode ser realizado em locais fechados ou abertos, ruas, praças, parques, praias, bosques, florestas ou qualquer outro local de acesso público.

Segundo a Constituição Federal existem apenas três casos em que o culto pode ser proibido: quando não tiver caráter pacífico; se houver uso de arma de fogo ou se estiver sendo praticado um ato criminoso (Lei n. 1.207, de 25 de outubro de 1950). Fora disso, é permitido tudo aquilo que a Lei não proíbe. Não podemos esquecer, no entanto, que as leis sobre vizinhança, direito ao silêncio, normas ambientais, etc. devem ser sempre respeitadas.

O Código Penal proíbe a perturbação de qualquer culto religioso e a lei de Abuso de Autoridade pune o atentado ao livre exercício do culto (Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, art. 18 – Convenção Americana de Direitos Humanos, art. 12 – Declaração para Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e de Discriminação baseada em Religião ou Crença, art. 6º - Código Penal, art. 208 e seguintes – Lei de Abuso de Autoridade, n. 4.898, de 09 de fevereiro de dezembro de 1965).

A Associação Religiosa 

Para que uma comunidade religiosa tenho existência legal ela precisa estar organizada em uma associação, com ata e estatutos registrados em cartório.

Esta associação e denominada a social religiosa (lei n. 173, de 10 de setembro de 1893).

Registrados os estatutos, a comunidade religiosa passa a ser reconhecida legalmente e pode exerce os direitos a segurados a todas as religiões (Constituição Federal, art. 5º, incisos XVII, XVIII, XIX, XX e XXI; art. 30, inciso I – Código Civil, art. 53 e seguintes).

Vale lembrar que nenhuma lei, estatuto ou autoridade civil pode influenciar no funcionamento interno das confissões religiosas.

Isto que dizer que o estatuto deve ser adaptado aos rituais e preceitos de cada religião; e não ao contrário (Lei de registros Públicos, art. 114 e seguintes – Decreto-Lei n. 1.051, de 21 de outubro de 1969 – Decreto do Município de São Paulo, n. 2.415, de 25 de fevereiro de 1954 – Decreto do Município de São Paulo, n. 3.052, de 29 de dezembro de 1955 – Lei do Município de São Paulo, n. 5.082, de 19 de novembro de 1956 – Decreto do Município de São Paulo, n. 8+979, de 4 de setembro de 1970).

Vejamos alguns dos direitos que as associações religiosas possuem: 
• Preparar, indicar e nomear seus sacerdotes ou sacerdotisas de acordo com os padrões de cada religião ou crença;
• Manter locais destinados aos cultos e criar instituições humanitárias ou de caridade;
• Criar e manter faculdades teológicas e escolas confessionais;
• Ensinar uma religião ou crença em locais apropriados;
• Escrever e divulgar publicações religiosas;
• Solicitar e receber doações voluntárias;
• Criar cemitérios religiosos; construir jazigos (criptas) no próprio templo religioso, para o sepultamento das autoridades religiosas (Código Penal, arts. 209, 210, 211 e 212 – Lei das Contravenções Penais, Art. 67).

Lembrem-se, é importante sempre estarmos informados acerca das leis que nos protegem!!!

Amanhã, vamos recordar sobre: Os Direitos do Ministro Religioso (Sacerdote/Sacerdotisa) e o Templo Religioso

Que Òsùmàrè proteja todos de qualquer tipo de preconceito e discriminação.

Casa de Òsùmàrè

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, UMA TRISTE REALIDADE


Na história dos 512 anos do Brasil, 388 foram construídos com base no sistema escravocrata, que transformava negros em meras mercadorias. A religião foi um dos mecanismos que permitiu que esses homens e mulheres, que foram arrancados das suas terras e coisificados, mantivessem uma ligação com o seu continente de origem, a África. 

E foi justamente nos primeiros anos da colonização do país que começou a busca incessante dos senhores de engenho, os escravocratas em criminalizar e demonizar toda e qualquer manifestação de matriz africana. Foi assim com a capoeira, com o maculelé e não seria diferente com o candomblé. 

Para isso, foram disseminados vários conceitos equivocados a respeito da religiosidade e cultura dos negros. Esses equívocos permanecem até os dias de hoje. 

Quem já leu a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos (católicos e protestantes) sabe muito bem que era natural o sacrifício de animais para saudar o Deus supremo. Desde a Grécia antiga se realizava esses rituais. 

Esta na hora de extinguir definitivamente com a falta de respeito contra as religiões de matriz africana, e principalmente erradicar os conceitos preconceituosos e estereótipos relacionados ao candomblé. Neste sentido segue nosso desabafo: 

No candomblé não sacrificamos seres humanos, pois não nos alimentamos desta carne. 

No candomblé não sacrificamos gato, pois não nos alimentamos desta carne. 

No candomblé não sacrificamos cachorro, pois não nos alimentamos desta carne. 

No candomblé não sacrificamos cavalo, pois não nos alimentamos desta carne. 

Resumindo... No candomblé e em tantas outras religiões espalhadas pelo mundo (sacrifício de animais também faz parte das culturas, como exemplo a judaica e islâmica). No candomblé entendemos que tudo é sagrado, a existência da vida deve ser respeitada desde a de um vegetal quanto a de um animal. O sacrifício é a retomada da ligação o Orixá, como no Judaísmo, o sacrifício é conhecido como Korban, palavra oriunda do hebreu karov, que significa "vir para perto de Deus"

Para as celebrações de nossos Orixás, que são regadas de banquetes compartilhados com a comunidade, somente são aceitas carnes que foram abatidas respeitando a vida e energia existente em cada animal e seu sofrimento sendo obrigatoriamente o mínimo o possível. 

Ofertamos aos nossos Deuses, os alimentos que ele nos proporciona em nosso cotidiano. Pode ser uma galinha, uma cabra, um bode. Animais que fazem parte da nossa ceia. E após ser sacrificado, tudo, exatamente tudo é aproveitado. A carne alimenta a comunidade, o couro fazemos os nossos instrumentos. 

O animal não morre em vão. A energia e essência de vida existente no animal é manipulada para beneficiar os adoradores de Orixá e esses rituais ainda são concluídos com cerimônias que visam justificar a necessidade humana de se alimentar da carne. 

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO - INTOLERÂNCIA, BASTA!


Existem leis que protegem os Povos Tradicionais de Terreiro? 

As leis existem, mas o povo do Axé precisa conhecê-las e ser um ativista da causa do Orixá, Vodum, Nkisi. 

Somos uma identificação de religião negra que resiste ao tempo e aos odiosos religiosos, portanto iremos nos unir e juntos exterminar o câncer do preconceito 

Por: Oluandeji 

SECRETARIA DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 

NOTA DA SECRETARIA DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, SEPPIR / PR, ciente do documento intitulado ‘Comunicação Interna da Vigilância Sanitária e Ambiental de Petrolina, No. 003/2012’, que resultou no processo investigatório do Ministério Público de Pernambuco e na admoestação pela ilustre representante do PARQUET estadual à senhora Renilda Bezerra, apresenta o que se segue: 

1. AUSÊNCIA DE ABATE CLANDESTINO E MAUS TRATOS DE ANIMAIS – deve-se considerar que as Casas Tradicionais de Matriz Africana criam pequenos animais, para uso doméstico, na sua relação com o sagrado e também para a alimentação humana, e não para o comércio, não configurando abate clandestino. E, também, que em nenhuma parte do texto do documento constam quaisquer relatos ou identificação que consubstancie tal denúncia; 

2. PROIBIÇÃO DA SACRALIZAÇÃO DE ANIMAIS - é importante frisar que quaisquer impedimentos ao abate de animais nas práticas tradicionais de matriz africana significam um constrangimento de seus adeptos à renúncia de sua crença, o que ensejaria evidente infringência aos preceitos constitucionais, e de outros marcos legais, que garantem os direitos fundamentais. O abate dos animais nas Casas Tradicionais de Matriz Africana é feito com base nos ritos tradicionais pertinentes, portanto estão protegidos: 

. pela Constituição Federal, que no artigo 5º, inciso VI, estabelece a inviolabilidade da liberdade de consciência e crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a sua liturgia. Além disso, cabe destacar o que explicita o artigo 19, inciso I, o qual veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, EMBARAÇAR-LHES o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança. 

. pela Convenção 169 da OIT, aprovada em 1989, instrumento internacional vinculante, supralegal, que trata especificamente dos direitos dos povos tradicionais no mundo, do qual o Brasil é signatário; 

. pela Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, de 2005, aprovada pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo no 485, de 20 de dezembro de 2006; 

. pela lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, SISAN, com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências, que protege as práticas alimentares tradicionais; e 

. pelo Decreto 6040, de 2006, que estabelece a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais, que em seu artigo 3º, inciso I , estabelece como “Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica,utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”; 

3. SAÚDE E COSTUMES ALIMENTARES TRADICIONAIS - Há que se considerar ainda que a Política Nacional de Saúde e a Política Nacional de Vigilância Sanitária são constituídas a partir de indicadores epidemiológicos concretos. Não existem indicadores que apontam dados sobre a morbidade e a mortalidade resultantes dos costumes alimentares tradicionais de matriz africana nas pesquisas que tratam de saúde e adoecimento. Podemos aferir daí que não é possível criminalizar e proibir uma prática tradicional sem ferir os direitos fundamentais assegurados pelo Estado Democrático de Direito, e sem configurar ato de racismo, em função do histórico de negação e violência contra a ancestralidade africana no país. 

COLETÂNEA LOGUN E O PRECONCEITO RELIGIOSO


A LEI NOS PROTEGE PARTE I: A IGUALDADE DE TODAS AS RELIGIÕES PERANTE A LEI

Atualmente não existe religião oficial no Brasil. Desde a primeira Constituição brasileira, de 1981, a ideia de religião oficial deixou de ter respaldo legal (Decreto n. 119-A, de 07 de janeiro de 1890 – Constituição de 24 de fevereiro de 1981, art.11,§ 2º; art. 73, parágrafos 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 28º e 29o).

O Estado não apoia nem adota nenhuma religião. A lei proíbe de eleger esta ou aquela religião como verdadeira, falsa, superior ou inferior; daí porque se diz que o Estado brasileiro é um Estado laico.

A constituição vigente, de 1988, não deixa dúvidas quanto a isso: todas as crenças e religiões são iguais perante a lei e todas devem se tratadas com igual respeito e consideração.

A própria Constituição não permite nenhum tipo de aliança entre Estado e religião, e, ao mesmo tempo, proíbe a imposição de obstáculo a qualquer culto ou religião.

Além disso, a legislação garante ampla liberdade de crença e de culto, bem como proíbe discriminação baseada em credo religioso.
A associação religiosa, o culto, o templo, os ministros religiosos e os fiéis são protegidos por uma série de leis (Constituição Federal – CF, art. 1º, incisos III e V; art.3º, incisos I e IV; art.4º, inciso II; art.5º, incisos VI e VIII; art. 19, inciso I).

Discriminação religiosa é crime. Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso (CF, art. º, incisos VIII e XLII;).

No acesso ao trabalho, à escola, à moda, à órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião.

O mesmo se aplica ao uso do transporte público, prédios residenciais ou comerciais, bancos, hospitais, presídios, comércio, restaurantes, etc.

A mais alta Corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal, já decidiu que a discriminação religiosa é uma espécie de prática de racismo (Lei 7.71, de 05 de janeiro de 1989).

Isto significa que o crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) é imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo). A pena para o crime de discriminação religiosa pode chegar a cinco anos de reclusão (Código de Processo Penal, art. 5º, inciso I, § 3º e art. 301). 

No caso de discriminação religiosa, a vítima deve procurar uma delegacia de polícia e registrar a ocorrência. O delegado de polícia tem o dever de instaurar inquérito, colher provas e enviar o relatório para o judiciário, a partir do que terá início o processo penal (Supremo Tribunal Federal – STF, Hábeas Corpus nº 82.424, Relator Ministro Moreira Alves).

Lembrem-se, é importante sempre estarmos informados acerca das leis que nos protegem!!!

Que Òsùmàrè proteja todos de qualquer tipo de preconceito e discriminação.

Casa de Òsùmàrè

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T'OGUM - BLOG OLHOS DE OXALÁ


Motumbá, meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. Bom dia, Bom Domingo e Bom Carnaval é claro, com saúde, discernimento e muita proteção!!!

Neste Domingo, as 10:01hs, dia da Abertura dos Desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro. Pois aqui em São Paulo, terminaram nesta manha os desfiles das Escolas de Samba do Bloco Especial. E venho aproveitar exatamente neste dia para novamente dizer tomem cuidado, pois brincar o Carnaval é muito legal e prazeroso sim, mas quando o fazemos cientes de que estamos ali para curtir SADIAMENTE

Hoje, infelizmente o nível de violência, ainda continua grande pelas grandes e pequenas cidades de nosso País. Muitos ainda se esquecem que CERTAS DOENÇAS ainda continuam por ai fazendo suas vítimas, por tanto na hora de curtir um bom SEXO,  vamos sim nos precaver o uso da CAMISINHA ta ai, justamente pra isso.

Acredito que muitos ao lerem estes parágrafos acima vão se perguntar, mas o que tem haver um BLOG destinado a falar da RELIGIOSIDADE, esta abordando estes temas? Bom, minha resposta não podia ser diferente. Podemos sim ser um BLOG, cuja meta seja a RELIGIOSIDADE, tento do CANDOMBLÉ, como da UMBANDA SAGRADA, SIM! Mas em momento algum devemos esquecer que nossa META é levar a verdade e bem sabemos que NOSSOS CORPOS SÃO TEMPLOS DE DEUS. E como tal, temos de cuidá-lo dignamente para a ESPIRITUALIDADE.

E ainda digo mais SE BEBER, NÃO DIRIJA. Isso é fundamental!

Mas não podia deixar de vir aqui hoje para novamente dizer que após alguns dias sem internet, em nosso escritório. Aqui estamos novamente. Bem como acolher a todos os SEGUIDORES, que estão juntamente conosco, e até os novos, com suas adesões, mostrando com  elas que acreditam que nosso BLOG tem de fato levar a frente uma RELIGIOSIDADE PURA, REAL E VERDADEIRA.

Tenho visto também, uma diminuição das visitações a respeito das postagens feitas sobre LOGUN-EDÉ. Até posso supor algumas das respostas sobre esta realidade. Mas como nossa meta é passar o que é correto, não estamos aqui preocupados com as QUANTIDADES E SIM COM AS QUALIDADES. Desta forma, agradeço também a todos que ainda tem acompanhado nossas postagens sem esmorecer.

Aproveitando o tempo que estamos vivendo hoje em dia atualmente, vamos dar um pequeno espaço para alguns temas que abordam em muito uma realidade que ataca de fato surpreendente, dentro de um país livre e laico, nossa religiosidade. Estamos falando de PRECONCEITO

Um assunto que tem em muito com nosso ORIXÁ LOGUN-EDÉ. Já que sobre ele pesam muitas dúvidas, principalmente sobre sua sexualidade. Por ser um ORIXÁ ENCANTADO, também são vastas as discussões quanto a sua personificação na terra. Digo a respeito de feitura, quantidade dentro de um ILÊ ASÉ e qualidades. Ou seja, um ORIXÁ que por si só, já traz consigo uma grande quantidade de preconceitos sobre ele próprio.

Assim daremos, após um período de acontecimentos tristes que estão acontecendo em nosso País, como o que aconteceu com nossos jovens lá em SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL. E agora esses ataques violentos que já aconteceram tanto em SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO e atualmente em SANTA CATARINA. Vamos lá minha gente, lutar pelo nosso PAÍS e principalmente pela nossa , na RELIGIOSIDADE que acreditamos e pertencemos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA COMIDAS DE LOGUN-EDÉ - PEIXE

 
Ejá ti Logun-édé

Material necessário:
 

1 Peixe dourado ou namorado grande,

1 litro de dendê,

4 cebolas grandes raladas ou trituradas e descascadas,

500g de camarão graúdo seco,

sal a gosto.
 
Um peixe Namorado ou dourado grande, escamado e limpo sem ser cortado, sem retirar as barbatanas, retirando alem das escamas a parte interna as víceras.
 
Depois lavar bem lavado. Fazer uma mistura de cebola ralada com camarão seco. Rechear o peixe com esse tempero e passar o resto desse tempero em todo peixe.
 
Coloca-lo em uma assadeira sem dobrado sobre algumas rodelas de cebolas cruas para não agarrar na assadeira. Pegar um copo americano com água e sal para regar o peixe inteiro e depois regar com o azeite de dendê de acordo com o tamanho do peixe. Levar ao forno e deixar assar, depois esfriar é retirado da assadeira e colocado em uma bela travessa. E esta pronto.
 

PEIXE PARA LOGUN
200gr de milho vermelho cozido
200gr de feijão fradinho cozido
azeite-de-dendê
1 bagre
pó de camarão seco
sal a gosto
1 cebola grande ralada
folhas de bananeira.

Tempere o peixe com dendê, cebola e pó de camarão.
 
Enrole em folha de bananeira e asse no forno.
 
Refogue a cebola no azeite e o pó de camarão. Misture o feijão e mexa.
 
Arrume o peixe assado no centro do prato de barro, ao lado coloque o refogado de feijão e do outro lado o milho.


COLETANEA COMIDAS DE LOGUN-EDÉ - OMOLOKUM



Vejamos aqui como se preparar uma comida para o Orixá Logun edé (Cultuado no Candomblé). Qualquer ato que envolve o termo COMIDA é também chamado de Adimu, Ajeun, Oferenda.

O nome da comida de Logun é Omolokum para Logunedé;


Vejamos aqui os Ingredientes para o preparo da comida de Logun:

- 500g. de feijão fradinho
- 500g. de milho
- 01 cebola
- 4 ovos
- azeite de oliva;

Agora aprendendo como preprar a comida do
Orixá Logun:

Modo de Preparo: Coloque o feijão fradinho para cozinhar com cebola e azeite de oliva. Em outra panela cozinhe o milho. Depois do feijão fradinho cozido amasse-o bem até formar uma pasta. Em uma travessa coloque o omolokum (massa do feijão fradinho) de maneira que ocupe a metade da travessa e na outra metade coloque o milho cozido, regue com oliva e enfeite o omolokum com os quatro ovos cortados em quatro, e o milho enfeite com côco cortado em tirinhas.
 
Outra receita, também aceita para Logun-Edé
 
Axoxó ti ómólokum

 Material necessário:

 1 kg de feijão fradinho,
400g de camarão seco triturado,
4 cebolas grandes raladas ou trituradas
500ml de azeite de dendê,
sal a gosto
6 ovos cozidos e sem estarem feridos depois de descascados,
1 kl de milho vermelho,
1 coco,
sal a gosto.

Modo de preparar:
Cosinhar o feijão fradinho em água ate ficar quase seco, depois refogar com azeite de dendê,camarão seco pilado ou triturado, cebola e sal a gosto, depois misturar o refogado no feijão fradinho e ir acrescentando aos poucos o azeite de dendê até que fique cozido e pegue o gosto dotempero.
 
Segunda etapa, cosinhar em água e sal o milho vermelho (mais conhecido como milho degalinha) depois de cozido escorrer e deixar esfriar.Pegar uma vasilha de louça colocar no ladoesquerdo a vasilha o feijão já pronto e frio e na mesma vasilha do lado direito colocar o milho já proto e frio de forma que fique arrumado uniformemente.
 
Depois em cima do feijão colocar os ovoscozidos descascados sem estarem feridos e frios com a ponta mais fina virado para baixo, e colocar o coco cortado em tiras em cima do milho arrumado uniformemente.Depois de frio esta pronta.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL - AVISO IMPORTANTE

Motumbá minha gente, irmãos e irmãs, de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.
 
Estou vindo aqui, pois estamos enfrentando um problema com nossa ascesso a internet. Desta forma, estamos aqui explicando a todos, o motivo de não estarmos postando nada. Mas podem ter certeza qeu de alguma forma nosso BLOG ainda esta chegando até vc, transmitindo o que de melhor podemos passar para todos vocês.
 
Aproveitamos para exclarecer que demos inicio às postagens sobre LOGUN - EDÉ, mas para nossa surpresa não temos visto a mesma quantidade de acesso das pessoas, que são visitantes e seguidores. Mas acreditamos que logo isso vai melhorar.
 
Um grande abraço a todos.
 
Pedro Manuel T'Ogum.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

COLETÂNEA LENDAS DE LOGUN-EDÉ - LOGUN, ROUBA SEGREDOS DE OXALÁ


Logun-ede era um caçador solitário e infeliz, mas orgulhoso. Era um caçador pretensioso e ganancioso, e muitos os bajulavam pela sua formosura. 

Um dia Oxalá conheceu Logun Edè e o levou para viver em sua casa sob sua proteção. 

Deu a ele companhia, sabedoria e compreensão. Mas Logun Edè queria muito mais, queria mais. E roubou alguns segredos de Oxalá. Segredos que Oxalá deixara à mostra, confiando na honestidade de Logun. 

O caçador guardou seu furto num embornal a tiracolo, seu adô. Deu as costas a Oxalá e fugiu. 

Não tardou para Oxalá dar-se conta da traição do caçador que levara seus segredos. Oxalá fez todos os sacrifícios que cabia oferecer e muito calmamente sentenciou que toda a vez que Logun Edè usasse um dos seus segredos todos haveriam de dizer sobre o prodígio: "Que maravilha o milagre de Oxalá!"

Toda a vez que usasse seus segredos alguma arte não roubada ia faltar. Oxalá imaginou o caçador sendo castigado e compreendeu que era pequena a pena imposta. 

O caçador era presumido e ganancioso, acostumado a angariar bajulação. Oxalá determinou que Logun Edè fosse homem num período e no outro depois fosse mulher. 

Nunca haveria assim de ser completo. Parte do tempo habitaria a floresta vivendo de caça, e noutro tempo, no rio, comendo peixe. Nunca haveria de ser completo. Começar sempre de novo era sua sina. 

Mas a sentença era ainda nada para o tamanho do orgulho do Odè. Para que o castigo durasse a eternidade, Oxalá fez de Logun Edè um orixá.

COLETÂNEA LENDAS DE LOGUN-EDÉ - LOGUN, É SALVO DAS ÁGUAS


Logun Edè era filho de Oxóssi com Oxun. Era príncipe do encanto e da magia. 

Oxóssi e Oxum eram dois Orixás muito vaidosos. Orgulhosos, eles viviam às turras. A vida do casal estava insuportável e resolveram que era melhor separar. 

O filho ficaria metade do ano nas matas com Oxóssi e a outra metade com Oxun, no rio. Com isso, Logun se tornou uma criança de personalidade dupla: cresceu metade homem, metade mulher. (Mas, isto não indicava que era homossexual como muitos pregam.)

Oxun proibiu Logun Edè de brincar nas águas fundas, pois os rios eram traiçoeiros para uma criança de sua idade. Mas Logun era curioso e vaidoso como os pais. Logun nào obedecia à mãe. Um dia Logun nadou rio adentro, para bem longe da margem. 

Obá, dona do rio,para vingar-se de Oxum, com quem mantinha antigas querelas, começou a afogar Logun. Oxum ficou desesperada e pediu a Orunmilá que lhe salvasse o filho, que a amparasse no seu desespero de mãe. 

Orunmilá que sempre atendia à filha de Oxalá, retirou o príncipe das águas traiçoeiras e o trouxe de volta à terra. 

Então deu-lhe a missão de proteger os pescadores e a todos que vivessem das águas doces. 

Dizem que Oiá quem retirou Logun-Edè da água e terminou de criá-lo juntamente com Ogun. 

[ Lenda 66, do Livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi ]

COLETÂNEA LENDAS DE LOGUN-EDÉ - O NASCIMENTO

Já temos visto que na nova fase da grade de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, buscamos de fato dar uma continuidade de forma sequencial, a fim de não nos desviarmos do assunto central, muito menos, misturando assuntos. 

Para darmos continuidade aos estudos sobre o ORIXÁ LOGUN-EDÉ, vamos nos dedicar a esta nova fase da COLETÂNEA LENDAS DE LOGUN-EDÉTeremos outras fontes para partilhar com todos vocês como: CANTIGAS, a visão da UMBANDA SAGRADA, em relação a este ORIXÁ ENCANTADO e muitas novidades para o maior conhecimento de todos nós.

1-Nascimento de Logun-ede


No início dos tempos, cada orixá dominava um elemento da natureza, não permitindo que nada, nem ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a um tesouro. 

É nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxun, e o grande caçador Odé. Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos reinados, que eram muito próximos. 

Odé ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta. Oxun argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de Olorun. Odé não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação. 

Olorun resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados, para tentar apaziguá-los. A floresta de Odé logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas. A vegetação, que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil. Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras. 

Odé não se desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar. Oxun, por sua vez, sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia de seus filhos peixes para confortá-la. Odé andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em lugar algum. 

Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada.Desesperado, foi até Olorun pedir ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O maior sábio de todos explicou-lhe que a falta dágua estava matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez foi necessário para acabar com a guerra. A única salvação era a reconciliação. 

Odé, então, colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxun, propondo a ela uma trégua. Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa. Oxun queria que Odé se desculpasse, reconhecendo suas qualidades. Ele, então, compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a benção de Olorun. Dessa união nasceu um novo orixá, um orixá príncipe, Logun-Edé, que iria consolidar esse "casamento", bem como abrandar os ímpetos de seus pais. 

Logun sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde havia uma vegetação abundante. Sua intervenção era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a fertilidade. 

Conta uma outra lenda que as terras e as águas estavam no mesmo nível, não havendo limites definidos. Logun, que transitava livremente por esses dois domínios, sempre tropeçava quando passava de um reinado para o outro. Esses acidentes deixavam Logun muito irritado. 

Um dia, após ter ficado seis meses vivendo na água, tentou fazer a transição para o reinado de seu pai, mas não conseguiu, pois a terra estava muito escorregadia. Voltou, então, para o fundo do rio, onde começou a cavar freneticamente, com a intenção de suavizar a passagem da água para a terra. 

Com essa escavação, machucou suas mãos, pés e cabeça, mas conseguiu fazer uma passagem, que tornou mais fácil sua transição. Logun criou, assim, as margens dos rios e córregos, onde passou a dominar. Por esse motivo, suas oferendas são bem aceitas nesse local.