quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

OLHOS DE OXALÁ - PALAVRAS DE PEDRO T' OGUM


Motumbá meus (minhas) irmãos, sejam da UMBANDA SAGRADA ou de nosso amado CANDOMBLÉ. Meus respeitos.

A todos que visitam nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ vai o meu agradecimento particular tanto aos VISITANTES como aos SEGUIDORES, por estarem sempre presentes em nosso meio de comunicação e de se manifestarem de todas as formas possíveis e imagináveis. Pois até meu pelo celular agora estou recebendo mensagens, questionando sobre QUALIDADES, FOLHAS e outros assuntos.

Hoje demos um passo bem grande em nosso BLOG, quanto a questão da COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS. Onde finalizamos esta primeira parte introdutória sobre este assunto e sua ligação. Pois como é do saber de muitos, Exú é o grande Senhor da Comunicação e é justamente ele, que nos fala através do JOGO DE BÚZIOS

Mas jamais podemos nos esqueçer que OXUM, também possui os segredos de IFÁ, através do ITAN, que demonstra da fato sua ousadia ao recorrer à ajuda das YA MI para possuir de Exú, os segredos de Ifá, a ele concedidos. Onde por um encantamento, esta além de conquistar seu objetivo ainda se torna uma das YA MI, como fruto de sua peripécia. 

Claro que ainda temos muito a postar aqui sobre este ASSUNTO, mas como bem sabemos muitas destas coisas, são de fato SEGREDOS da nossa RELIGIÃO e que só compete aos iniciados saberem. Mas o que ainda nos for permitido numa segunda explanação daremos ainda continuidade ao assunto. 

Desta forma, estamos agora caminhando para os ARQUETIPOS DE OXUM, tanto como é sua participação nos FILHOS (HOMENS) DE OXUM, bem como nas FILHAS (MULHERES) DE OXUM. Também iremos nos introduzir nas questões das QUALIDADES DE OXUM e logo em seguida das suas referidas COMIDAS VOTIVAS

Desta forma, meus amigos VISITANTES, SEGUIDORES, AMIGOS E IRMÃOS DE FÉ, não deixem de participar. E dedico todo meu esforço em primeiro instante a Deus que nos renova o viver todos os dias da vida. Agradeço a BABA MY OGUM e BABA MY OXAGUIÃN, por terem me inspirado para construção deste meio de comunicação, que tem como objetivo atingir todos os povos sim. Mas dando sua contribuição na QUALIDADE e não na quantidade. Tanto que para nós da EQUIPE OLHOS DE OXALÁ, já é uma grande vitória ver nosso BLOG ser visitado por uma faixa de 500 a 600 participantes por dia. Poderia ser muito mais? Sim, claro que poderia! Mas isto é prova que só a QUALIDADE é que de fato esta sendo conquistada.

E como não poderia deixar de ser, MEUS RESPEITOS E SUA PRECIOSA BENÇÃO, a meu BABALORIXÁ KLEBER DE OGUM, que a cada dia me inspira ainda mais a ser um FILHO DE SANTO, humilde, guerreiro e que busco sempre ser VERDADEIRO acima de tudo. Sua benção BABA.

A todos os meus sinceros votos de OBRIGADO e que nada disso aconteceria se não fosse VOCÊ, que esta lendo agora estas palavras. É justamente, VOCÊ, que nos inspira cada dia a crescermos mais na fé. Mojubá. 

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - OS DIVERSOS TIPOS DE JOGOS


Métodos de Jogo 

Além dos búzios podem-se utilizar outros objetos para consulta dos Orixás: Obi, Orobô, Alobaça (cebola), Atarê (pimenta da costa), Ossos, Vísceras e outros. 

O jogo com quatro búzios, mais utilizado nos rituais para perguntas, normalmente com caídas que correspondem às caídas do jogo de Obi. A quantidade de búzios pode variar de acordo com a nação, o mais comum é composto de 16 ou 17 búzios, mas o jogo com 21 búzios também é muito comum. 

Alguns métodos, não se baseiam em caídas por Odú como no Merindilogun, usam outras configurações e combinações de búzios abertos e fechados dividindo-os em quatro grupos de quatro búzios (que chamam de barracão) e analisam as quatro caídas e a disposição que elas se encontram, nesse tipo de Oráculo não se fala em Odú. 

Um outro método de jogo, é feito com as Vísceras dos animais oferecidos aos Orixás, e um outro jogo que utiliza ossos de animais unicamente ou em combinação com búzios, em ambos casos também não são orientados por caídas de Odú. 

Em alguns métodos o adivinho senta-se no chão e joga na própria terra, sem toalhas e enfeites como era feito no passado, é um jogo mais simples e rústico. 

Podem ser jogados apenas em uma toalha branca numa mesa, ou num círculo formado por fio de contas (colares) com vários objetos representativos dos Orixás ou numa peneira também com fio de contas e objetos. Existem mesas de jogo simples ou sofisticadas, dependendo das posses podem conter até sinetas e objetos de ouro. Referências estas à ORIXÁ OXUM, Senhora do Ouro. 

É diferente do (Opelé-Ifa), (Opon-Ifa) e Merindilogun que são orientados por caídas de Odú, antigamente mais utilizados pelos Babalawos sacerdotes de Ifá, mas recentemente muitos Babalorixás e Iyalorixás já fazem uso desses oráculos também. 

A consideração entre aberto e fechado do búzio também pode variar, a grande maioria dos Babalorixás utiliza a abertura natural do búzio como sendo o lado "aberto", mas várias mulheres no culto do Candomblé, principalmente na Nação de Keto, acostumaram a jogar como "aberto" o lado em que elas "abriam" o búzio, assim a fenda natural sendo o lado "fechado", afirmando que o verdadeiro segredo em um búzio fica guardado em seu estado natural, este é revelado apenas após sua abertura cerimonial arrancando-se esta parte até então fechada, assim vários Babalorixás e Iyalorixás que aprenderam por este método fazem esta forma "invertida" de leitura, ao apresentado nas imagens. 

A grande verdade é que ao sagrar um formato onde seja considerado aberto/fechado, este sacerdote não mais o inverte e passa aos seus filhos o conhecimento desta forma, assim sendo particular de cada casa o cenário de leitura. 

Existe também o método que é dado um significado para cada búzio, e um deles que normalmente é o maior é atribuído a qualidade de representante de Deus, e recebe o nome de Oxalá. Os outros falam através dele. Um exemplo: Depois de lançar as pedras do jogo, o bico do búzio maior (Oxalá) vai verificar quais búzios que caíram em sua direção. Esses que caíram na linha deste búzio que falam no jogo de acordo com a sua característica. Os que caíram atrás do búzio, ou seja, que não estão na frente do bico do búzio, falam pelo passado.

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - OS ODÚS

Odus 


Odus são presságios, destinos, predestinação. Os odus são inteligências siderais que participaram da criação do universo; cada pessoa traz um odu de origem e cada orixá é governado por um ou mais odus. 

Cada odu possui um nome e características próprias e divide-se em "caminhos" denominados "ese" onde está atado a um sem-número de mitos conhecidos como Itàn Ifá. Os odus são os principais responsáveis pelos destinos dos homens e do mundo que os cerca. 

Os Orixás não mudam o destino da vida e sim executam suas funções dentro da natureza liberando energia para que todos possam dela se alimentar, o odu é o caminho, a existência do destino o qual o Orixá e todos os seres estão inseridos. 

Cada pessoa pode ir de encontro ou seguir um caminho alheio ao destino estabelecido, isso nós dizemos que a mesma está com o odu negativo, ou seja: seu destino sua conduta foge as regras siderais (seguiu um caminho negativo dentro do estabelecido). 

Nós quando nascemos, somos regidos por um odu de ori (cabeça), que representa nosso "eu" assim como odu de destino, etc. O destino das pessoas e tudo o que existe podem ser desvendados por meio da consulta a Ifá, o oráculo, que se manifesta pelo jogo. 

Ifá tem seu culto específico e o mais alto cargo do culto de Ifá é o de Oluwô, título concebido a alguns Babalaôs. Ifá é o Orixá da adivinhação e para tudo e deve ser consultado. Existem alguns tipos de jogo: o de Opelé Ifá, o rosário de Ifá, o jogo de búzios, etc. 

No jogo de búzios (Erindilogun) quem fala é Exu. São dezesseis búzios que podem ser jogados também pelos Babalorixás e Ialorixás. A consulta a Ifá é uma atividade exclusivamente masculina, mas as mulheres passaram a poder pegar nos búzios porque OXUM fez um trato com EXU, conseguindo dele permissão para jogar. 

O jogo de Opelé Ifá baseia-se num sistema matemático, em que se estabelece 256 combinações resultantes dos 16 odus usados no jogo de búzios multiplicado por 16. Nada se faz sem que antes se consulte o oráculo, quanto mais séria a questão a ser resolvida, maior a responsabilidade da pessoa que faz o jogo. 

NOTA: no Batuque é comum utilizar o jogo de búzios pelo método de consulta a orixá, utilizando-se um rosário onde se consultam os orixás conforme as caídas dos búzios. Costuma-se jogar com 8 ou 16 búzios para se fazer à leitura. Nada impedindo aos mesmos que utilizem também o jogo pelo método de Ifá, desde que os zeladores conheçam profundamente as caídas de odus, os egbós, fundamentos e segredos referentes a cada odu. 

Calcula-se o seu Odu de placenta somando todos os números da data de nascimento. O resultado desta soma tem a vibração de elementos e orixás determinados, com lendas e arquétipos. 

Por exemplo: uma pessoa que nasceu no dia 28 de dezembro de 1982. 

2 + 8 + 1 + 2 + 1 + 9 + 8 + 2 = 33 ... 3 + 3 = 6 (Obará) 

1. Òkánràn

2. Éjìòkò

3. Étàògúndá

4. Iròsùn

5. Òsé

6. Òbàrà

7. Òdí

8. Ejìoníle

9. Òsá

10. Òfún

11. Òwónrín

12. Ejílàsegbora

13. Ejíologbón

14. Iká

15. Ogbèògùndá

16. Aláfia

OBSERVAÇÃO: A explicação de cada ODÚ é de única e exclusiva responsabilidade de seu BABALORIXÁ ou de sua YALORIXÁ. Desta forma, sugerimos que para saber a continuação desta postagem, questionem os mesmos.

Ainda sugerimos dois livros muito bons para que você possa estudar um pouco mais sobre este assunto. Se já tiver seus SETE ANOS TOMADOS, a sugestão fica maior ainda.




COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - O TESTE DE IFÁ


Apresentamos uma pequena Parábola sobre Òrúnmìlá e Esù, uma delicia de leitura que ajudará a enriquecer nossa cultura. 

Esú, com sua extrema curiosidade, vivia a andar pela Terra, tentando descobrir todos os segredos e mistérios que existiam no planeta. 

Em nome desta ânsia do saber, pediu a seu irmão gêmeo, Ogun, que cuidasse de sua tribo, este, no entanto, recusou-se, argumentando que também não dava a devida atenção a sua própria tribo. Por fim os dois deixaram suas tribos sob os cuidados de sua mãe, Yemanjá, pois ela sempre dava atenção a quem quer que fosse... 

O sol estava no ponto mais alto do céu, fustigando a vegetação, enquanto uma leve e quente brisa soprava o cheiro da mata quase seca. A cada passo, Esù podia sentir o chão seco e a poeira colar em seus calcanhares suados, enquanto pensava em que caminho tomaria, para encontrar algo que saciasse sua sede de conhecimento. 

Embora parecesse absorto em suas divagações, estava sempre alerta a tudo o que acontecia a sua volta, tanto que podia ouvir o bater das asas de uma borboleta, ou o abrir e fechar dos olhos de um macaco à longa distância e distinguir os sons de tal forma, que podia prestar a atenção a tudo. Devido a esta sua capacidade, todos o comparavam ao vento, dizendo que ele estava em todos os lugares. 

Com sua apurada audição, ele sentiu a aproximação de uma desembestada manada de rinocerontes ao longe. Isto se transformou em uma distração, pois acompanhava com os olhos a corrida desorientada dos bichos que, por onde passavam, espantavam pássaros, derrubavam árvores e atropelavam outros animais. De repente a manada virou-se em sua direção e ele, sem querer influir no arbítrio dos rinocerontes, decidiu sair de seu caminho. 

Num salto rápido alcançou o topo de uma grande pedra que estava ali perto, saindo da frente dos animais que levantaram uma imensa nuvem de poeira, que o deixaram sem visão por um instante. 

Do alto da rocha, assim que se dissipou a nuvem poeirenta, ele visualizou ao longe, na vasta savana, um ancião deitado à sombra de um arbusto, parecendo estar dormindo, dada sua inércia. Não precisou pensar muito para ver que a manada estava na direção do pobre velho, que poderia machucar-se muito. 

Vendo aquilo, Esù sentiu-se condoído, não lhe agradava a idéia de que alguém pudesse ter um fim tão trágico. Tentando alertar o ancião, juntou todo o ar que seu pulmão pudesse suportar e gritou. No entanto o velho nem sequer se mexeu. 

Sem atinar se o barulho da manada abafara o seu berro, pensou que o homem pudesse estar ali desmaiado ou doente. Esù sentiu em seu ser que deveria ajudá-lo. Usando de sua fantástica velocidade, ele correu pela savana e, quando alcançou a manada, pulou e andou por sobre o lombo dos rinocerontes num malabarismo fantástico, vencendo um a um. 

Como tinha o poder de encantar qualquer animal, destemido, ele pulou à frente da manada, tomou uma distância segura, ergueu as mãos ao céu num gesto magistral e exalou todo seu poder. Um a um os animais paravam, deitavam-se e caiam em um profundo sono. Toda savana testemunhou um inesquecível espetáculo, tendo como produto final, o que parecia ser um imenso tapete de rinocerontes. Tal foi à força do encanto, que fez calar tudo ao redor, se uma mosca houvera passado por ali, com certeza caíra desfalecida pelo chão árido. 

Depois de afastar o perigo, Esù, cansado pelo grande desprendimento de energia, virou-se e andou em direção ao ancião para ver o que acontecera. 

Quando estava chegando perto, pôde ver o velho levantar-se, tirando o pó das rotas vestes. Era um ser curvado de movimentos lentos, que se apoiava num carcomido cajado. Com os olhos quase cobertos pelas pálpebras, fitou seu benfeitor com candura e um sorriso trêmulo, curvando-se em sinal de agradecimento. O viril pensou que era algum tribal que fora abandonado à sorte pelos seus patrícios. 

Curioso Esù indignado indagou: - Quem é você? O que faz aí, bem à frente de uma desembestada manada preste a ser demolido por completo? 

- Quer saber quem sou? 

Perguntou o velho sorridente, mostrando apenas dois dentes na boca e caiu no chão sobre si, cobrindo-se com seus trapos, parecendo querer esconder-se. 

De repente, uma imensa luz despedaçou os trapos como se fossem de vidro. Neste momento surgiu à frente de Esù um ser que brilhava como o Sol, que chegou a ofuscar seus os olhos de fogo. 

Quando se acostumou com o brilho, ele viu que se tratava de Ifá, um ser de luz, enviado de Olodumarè na Terra, encarregado de ouvir a todos aqueles que buscam ajuda, detentor de segredos e dos mistérios. Perplexo, Esù perguntou. 

- O que aconteceu, para você, um òrìsá, materializado como um velho, estar caído à sombra de um arbusto, esperando ser pisoteado pelos rinocerontes? 

Neste momento Esù percebeu que não estava na savana, mas numa floresta à beira de um rio, o ar era úmido e com um maravilhoso cheiro de verde. O carcomido cajado cintilava e tinha na ponta uma reluzente bola de cristal, que rodava sem parar em volta de seu próprio eixo, ela era como a íris do grande olho que se formou no ponto mais alto do cajado. 

Ifá com voz solene, que parecia ecoar pela floresta, pacientemente explicou:  

- Isto tudo se tratava de um teste, pois, entre os òrìsás corre a história de que você não era capaz de ajudar ninguém, sem querer algo em troca, uma vez que só pensava em si mesmo e em suas descobertas. Mas vejo que todos estão errados e hoje vi com meus próprios olhos que a bondade pode ser despertada em você, uma vez que correu em auxílio de um velho pobre e aparentemente sem nada para dar em troca. 

Frente a isto, quero lhe propor o seguinte: como sei da sua curiosidade, eu lhe darei um modo de saber o presente, o passado e o futuro. 

Ifá debruçou-se sobre o rio, pegou dentre as águas um punhado de conchas e prosseguiu: 

- Tome, estes são meus olhos, dou-lhe estes búzios, um jogo através do qual saberá tudo o que ocorre pelas tribos, com a condição de ajudar a todos que precisem de seu auxílio. 

- Eu aceito seu presente. 

Esù pegou das mãos de Ifá as conchas, enquanto as duas bolas de fogo, seus olhos, brilhavam como nunca, parecendo estarem hipnotizados e continuou: 

- Embora não possa afirmar que correrei atrás de ninguém para ajudar, prometo auxiliar a todos que a mim vierem. 

Assim que terminou de falar, ele levantou os olhos e não viu nem floresta com rio, nem o ser de luz, que havia desaparecido como se tivesse evaporado no ar, encontrava-se à sombra de um arbusto no meio da seca savana. 

Esù sentiu um misto de êxtase e torpor, ao constatar que seu esforço não fora em vão e ao ver que um sentimento tão simples pudesse lhe render tão precioso presente. Essas sensações cruzaram com ele todo o caminho de volta para sua gruta, onde guardou e sempre consultava seu jogo, para saber os acontecimentos e fofocas de todas as tribos, procurando manter em segredo seu valioso presente.

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - ORÁCULO E ODÚ


Oráculo 

O oráculo consiste em um grupo de cocos de dendezeiro ou Búzios, ou réplicas destes, que são lançados para criar dados binários, dependendo se eles caem com a face para cima ou para baixo. 

Os cocos são manipulados entre as mãos do adivinho , e no final são contados, para determinar aleatoriamente se uma certa quantidade deles foi retida. As conchas ou as réplicas são freqüentemente atadas em uma corrente divinatória, quatro de cada lado. 

Quatro caídas ou búzios fazem um dos dezesseis padrões básicos (um odu, na língua Yoruba); dois de cada um destes se combinam para criar um conjunto total de 256 odus. Cada um destes odus é associado com um repertório tradicional de versos (Itan), freqüentemente relacionados à Mitologia Yoruba, que explica seu significado divinatório. O sistema é consagrado aos orixás Orunmila-Ifa, orixá da profecia e a Exu que, como o mensageiro dos Orixás, confere autoridade ao oráculo. 

O sistema inteiro traz uma semelhança superficial com os sistemas ocidentais de geomancia. Suspeita-se que a geomancia ocidental é um empréstimo de um sistema criado pelos Árabes e trazida para o norte da África, onde foi aprendida pelos europeus durante as Cruzadas. Muito embora possua um número diferente de símbolos, o sistema carrega também alguma semelhança com sistema chinês do I Ching

O Babalaô brasileiro William de Ayrá (Mestre Obashanan, discípulo de Mestre Arapiagha) foi o primeiro a realizar um estudo comparativo sério e eficaz entre o Ifá, o I-ching, Geomancia e o cabalismo de diversas culturas, com resultados filosóficos e divinatórios comprovados. 

Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil foram sacerdotes Umbandistas. W.W. da Matta e Silva, conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras. Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo. A tradição africana de Ifá só chegou ao Brasil via africanos e Cubanos muito mais tarde. 

Odu 

Cada odù é formado por um conjunto constituído por duas colunas verticais e paralelas de quatro índices cada. Cada um desses índices compõem-se de um traço vertical ou de dois traços verticais paralelos que o babalawo traça no pó (iyerosun) espalhado sobre um tabuleiro de madeira esculpida (Opon-Ifá) à medida que vai extraindo os resultados pela manipulação dos cocos de dendezeiro ou ikin-ifá

O babalawo detecta esse odù manipulando caroços de dendê (Ikin) ou jogando o rosário de Ifá chamado (Opele-Ifa). Existem 256 odùs, correspondendo cada um a uma série lendas (Itan).

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - FALANDO SOBRE IFÁ


Ifá, é o nome de um oráculo africano. É um sistema de adivinhação que se originou na África Ocidental entre os yorubas, na Nigéria. É também designado por Fa entre os Fon e Afa entre os Ewe. Não é propriamente uma divindade (Orixá), é o porta-voz de Orunmilá e dos outros orixás. 

O sistema pertence as religiões tradicionais africanas mas também é praticado entre os adeptos da Lukumí de Cuba através da Regla de Ocha, Candomblé no Brasil através do Culto de Ifá, e similares transplantadas para o Novo Mundo. 

Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade 

Da Nigéria são dois os listados como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade: O Gelede, que também é praticado no Benin e Togo, e os Ifa Divination System, e em estudo na Nigéria um sistema de Tesouros Humanos Vivos e esforços para salvaguardar o suas línguas ameaçadas. 

África


O babalawo e os aprendizes sempre ao seu lado. O aprendizado começa muito cedo. 

O Orixá Orumilá é também chamado de Ifá, ou Orunmila-Ifa e também é denominado frequentemente Agbonniregun ("Aquele que é mais eficaz do que qualquer remédio"). Em caso de dúvida Ifá é consultado pelas pessoas que precisam de uma decisão, que queiram saber sobre casamentos, viagens, negócios importantes, doenças, ou por motivo religioso. 

Para os yorubas o sacerdote é o babalawo e entre os Fons e Ewes recebe a designação de bokonon, e o sistema de adivinhação é o mesmo. O babalawo (pai do segredo) recebe as indicações para as respostas através dos signos (odù) de Ifá

Origens


Orunmilá é o orixá e divindade da profecia. Ifá é o nome do Oráculo utilizado por Orunmilá. O Culto de Ifá pertence a religião yoruba. 

O culto do vodun Fa é originário de Ile Ifè, e chegou ao antigo Dahomey pelas mãos de sacerdotes imigrados do território yoruba já a partir do século XVII, mas sua instalação oficial como uma das divindades reconhecidas pelo rei de Abomey teria se dado ou através do babalawo Adéléèyé, de Ile Ifè que chegou a Abomey no reinado de Agadjá (1708-1732) , junto com outros (Gongon, Abikobi, Ato e Gbélò), ou pela princesa Nà Hwanjele, mãe do rei Tegbessu (1732-1775), que era de origem yorubá. 

Os sacerdotes de são chamados em fon de bokonon, o correspondente a babalawo dos yoruba. O bokonon da corte de Abomey é um dos dignitários do rei reconhecido na categoria de príncipe e está entre os poucos autorizados a vestir djelaba em público e a permanecer com a cabeça coberta diante do rei e da rainha-mãe. 

Métodos utilizados 

O Babalawo (pai que possui o segredo), é o sacerdote do Culto de Ifá. Ele é o responsável pelos rituais, iniciações, todos no culto dependem de sua orientação e nada pode escapar de seu controle. Por garantia, ele dispõe de três métodos diferentes de consultar o Oráculo e, por intermédio deles, interpretar os desejos e determinações dos Orixás. Òpelè-Ifá, Jogo de Ikins

Opon-Ifá


Opon-Ifá, tábua sagrada feita de madeira e esculpida em diversos formatos, redonda, retangular, quadrada, oval, utilizada para marcar os sígnos dos Odús (obtidos com o jogo de Ikins) sobre um pó chamado Ierosum. Método divinatório do Culto de Ifá utilizado pelos babalawos. Irofá de Orula instrumento utilizado pelo babalawo durante o jogo de Ikin com o qual bate na tábua Opon-Ifá. 

Jogo de Opele


Opele Ifá 

O Òpelè-Ifá ou Rosário de Ifá é um colar aberto composto de um fio trançado de palha-da-costa ou fio de algodão, que tem pendentes oito metades de fava de opele, é um instrumento divinatório dos tradicionais sacerdotes de Ifá. 

Existem outros modelos mais modernos de Opele-Ifá, feitos com correntes de metal intercaladas com vários tipos de sementes, moedas ou pedras semi-preciosas. 

O jogo de Opele-Ifá é o mais praticado por ser a forma mais rápida, pois a pessoa não necessita perguntar em voz alta, o que permite o resguardo de sua privacidade, também de uso exclusivo dos Babalawos, com um único lançamento do rosário divinatório aparecem 2 figuras que possuem um lado côncavo e outro convexo, que combinadas, formam o Odú. 

Jogo de Ikins


O Jogo de Ikin só é utilizado em cerimônias relevantes, só pode ser consultado pelo babalawo

O jogo compõe-se de 21 nozes de dendezeiro Ikin, são manipuladas pelo babalawo com a finalidade de se apurar o Odú a ser interpretado e transmitido ao consulente. Dos 21 Ikins, 16 são colocados na palma da mão esquerda, com a mão direita rapidamente o babalawo tenta retirá-los de uma vez. 

A determinação do Odú é a quantidade de Ikin que sobrou na mão esquerda, o resultado seja qual for, terá que ser riscado sobre o ierosun que está espalhado no Opon-Ifa, para um risco usa o dedo médio da mão direita e para dois riscos usa dois dedos o anular e o médio da mão direita. 

Deverá repetir a operação quantas vezes forem necessárias até obter duas colunas paralelas riscadas da direita para a esquerda com quatro sinais, se não sobrar nenhum ikin na mão esquerda, a jogada é nula e deve ser repetida.

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - ORUNMILÁ


A importância de Orumilá é tão grande que chegamos a concluir que se um homem fizer algum tipo de pedido ao todo poderoso Olorum (Deus, o Senhor dos Céus), esse pedido só poderá chegar até Ele através de Orumilá e/ou Exú, que são somente eles dois dentre todos os OrixáS os que têm a permissão, o poder e o livre acesso concedido pôr Olorum de estar junto a Ele, quando assim for necessário. 

Ainda vale ressaltar que somente Orumilá e Exú possuem para si um culto individual, onde são feitos adorações totalmente específicas para os mesmos, também são eles os únicos que podem possuir para somente o seu culto um sacerdote específico. 

Isso só é possível pôr causa dos poderes delegados pelo todo poderoso a eles, pois os demais OrixáS são totalmente dependentes de Ifá e Exú, enquanto que eles não dependem de nenhum dos Orixás para desenvolverem sua própria evolução, ou seja, o culto à Ifá e Exú não dependem do culto aos OrixáS, entretanto o culto aos OrixáS dependem totalmente de Ifá e Exú. 

Orumilá é o senhor dos destinos, é quem rege os o plano onírico (sonhos), é aquele que tudo sabe e tudo vê em todos os mundos que estão sob a tutela de Olorum, ele sabe tudo sobre o passado, o presente e o futuro de todos habitantes da Terra e do Céu, é o regente responsável e detentor dos oráculos, foi quem acompanhou Odudua na criação e fundação de Ilé Ìfé, é normalmente chamado em suas preces de: 

Elérí Ìpín – “o testemunho de Deus” 

Ibìkéjì Olódúmarè – “o vice de Deus” 

Gbàiyégbòrún – “aquele que está no céu e na terra” 

Òpitan Ìfé – “o historiador de Ìfé” 

Acredita-se que Olorum passou e confiou de maneira especial toda a sabedoria e conhecimento possível, imaginável e existente entre todos os mundos habitados e não habitados à Orumilá, fazendo com que desta forma o tornasse seu representante em qualquer lugar que estivesse. 

Na Terra Olorum fez com que Orumilá participasse da criação da terra e do homem, fez com que ele auxiliasse o homem a resolver seus problemas do dia a dia, também fez com que ajudasse o homem a encontrar o caminho e o destino ideal de seu orì. 

No Céu lhe ensinou todos os conhecimentos básicos e complementares referente todos os OrixáS, pois criou um elo de dependência de todos perante Orumilá, todos devem consultá-lo para resolver diversos problemas, com pôr exemplo, a vinda de Oxalá à terra para efetuar a criação de tudo aquilo que teria vida na mesma, porém o grande Orixá não seguiu as orientações prescritas pôr Ifá, e não conseguiu cumprir com sua obrigação caindo nas travessuras aplicadas pôr Exú, ficando esta missão pôr conta de Odudua. 

Também Orumilá fala e representa de maneira completa e geral todos os Orixás, auxiliando pôr exemplo, um consulente no que ele deve fazer para agradar ou satisfazer um determinado Orixá, obtendo desta forma um resultado satisfatório para o Orixá e para o consulente. 

Orumilá sabe e conhece o destino de todos os homens e de tudo o que têm vida em nosso mundo, pois ele está presente no ato da criação do homem e sua vinda a terra, e é neste exato instante que Ifá determina os destinos e os caminhos a serem cumpridos pôr aquele determinado espírito. 

É pôr isso que Orumilá tem as respostas para toda e qualquer pergunta lhe é feita, e que ele têm a solução para todo e qualquer problema que lhe é apresentado, e é pôr esta razão que ele têm o remédio para todas as doenças que lhe forem apresentadas, pôr mais impossível que pareça ser a sua cura. 

Todos nós deveríamos consultar Ifá antes de tomarmos qualquer atitude e decisão em nossas vidas, com certeza iríamos errar menos, os Iorubás consultam Ifá antes de tomarem qualquer decisão, com pôr exemplo, antes de um casamento, antes de um noivado, antes do nascimento e até mesmo na hora de dar o nome a criança, antes da conclusão de um negócio, antes de uma viagem, etc. 

Além disto tudo, Orumilá é também quem tem a vida e a morte em suas mãos, pois ele é a energia que esta mais atuante e mais próxima de Olorum, podendo ele ser a única entidade que tem poderes para suplicar, pedir ou implorar a mudança do destino de uma pessoa. 

Não é Orixá, encontra-se num plano místico e simbólico superior ao dos outros orixás. Se Olorum é o ser supremo dos Iorubás, o nome que dão ao Absoluto, Orumilá é a sua emanação mais transcendente, mais distanciada dos acontecimentos do mundo sub-lunar. 

Na tradição de Ifé é o primeiro companheiro e “Chefe Conselheiro” de Odudua quando da sua chegada à Ifé. Outras fontes dizem que ele estava instalado em um lugar chamado Òkè Igèti antes de vir fixar-se em Òkè Itase, uma colina em Ifé onde mora Àràbà, a mais alta autoridade em matéria de adivinhação, pelo sistema chamado Ifá. É também chamado Àgbónmìrégún ou Èlà. É o testemunho do destino das pessoas. 

Os babalaôs (pais do segredo), são os porta vozes de Orumilá. A iniciação de um babalaô não comporta a perda momentânea de consciência que acompanha a dos orixás. É uma iniciação totalmente intelectual. Ele deve passar um longo período de aprendizagem, de conhecimentos precisos, em que a memória, principalmente, entra em jogo. Precisa aprender uma quantidades de Itans (histórias) e de lendas antigas, classificadas nos duzentos e cinqüenta e seis odú (signos de Ifá), cujo conjunto forma uma espécie de enciclopédia oral dos conhecimentos do povo de língua Iorubá. 

Cada indivíduo nasce ligado a um Odu, que dá a conhecer sua identidade profunda, servindo-lhe de guia por toda vida, revelando-lhe o Orixá particular, ao qual deverá ser eventualmente dedicado. Ifá é sempre consultado em caso de dúvida, antes de decisões importantes, nos momentos difíceis da vida. 

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COLETÂNEA OXUM E OS JOGOS DE BÚZIOS - PALAVRAS DE PEDRO T' OGUM



Motumbá meus (minhas) amigos (as) do BLOG OLHOS DE OXALÁ

Muitos dos que nos acompanham desde a criação deste BLOG perceberam que muita coisa mudou na estrutura em si deste meio de comunicação. 

Assuntos variados e com páginas referentes aos assuntos mais importantes de nossa religiosidade, a fim de facilitar ainda mais o acesso de todos, através das grades correspondentes ao assunto central de cada mês. Nesta semana resolvemos retomar a alguns assuntos do tempo inicial do BLOG antes de suas mudanças estruturais.  

Mas o tempo passa e como não é de minha pessoa jamais abaixo a cabeça para uma dificuldade. Sendo assim em reunião foi de comum acordo a retomada destes assuntos referentes à ORIXÁ OXUM, e sua coligação direta ao estudo básico sobre o que vem a ser o JOGO DE BÚZIOS, ou mais conhecido JOGO DE IFÁ

Um ato onde tudo se inícia. Pois é no jogo de Búzios, ou Ifá, corretamente conhecido (devido a ser um ato decorrente do serviço do Orixá Ifá, o Orixá da Adivinhação), que podemos ter noção sobre o que o destino pode nos apresentar, o que pode ser feito para melhor ser modificado, onde discernimos nossos Orixás de Ori e outras coisas decorrentes. 

Deixo claro que os Segredos de Ifá não serão postados aqui, pois isto compete unicamente aos Babalorixás ou Yalorixás, cuja função é essa de explanar melhor este assunto. Assim já deixamos claro que é um assunto abrangente e de suma importância dentro de nossa realidade. 

Isto respeitando claro todos os fundamentos referentes ao mesmo, pois todos da nossa RELIGIOSIDADE, sabem muito bem que para se ter um bom jogo coerente, todos os atos e fundamentos referentes ao mesmo, devem ser realizados. Não é meramente comprar uma mesa de Ifá e sair por ai jogando e colocando aquilo que se acha melhor interpretar. 

O JOGO DE BÚZIOS tem fundamentos, tem segredos, tem atos para seu uso e aplicação. Tanto que muitos entre os mais antigos ainda se preocupam em se dirigir à Africa e tomar sua iniciação em Ifá, de tão grande importância que este ato possui dentro de nossa fé.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - O JOGO DE BÚZIOS

O JOGO DE BÚZIOS


O jogo de búzios é uma das artes divinatórias utilizado nas religiões tradicionais africanas e na religiões da Diáspora africana instaladas em muitos países das Américas. 

Existem muitos métodos de jogo, o mais comum consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adotam ao cair sobre ela. 

Neste ato, o Babalorixá ou Yalorixá, antes de iniciar o jogo faz as rezas saudando todos os Orixás e durante os arremessos, vai conversando com as divindades fazendo-lhe perguntas. Considera-se que as divindades afetam o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

Búzios


Búzio, concha de praia de vários tamanhos, utilizada como objeto de adorno nas roupas dos Orixás onde são aplicados formando desenhos, em colares chamados de fio de contas onde são colocados como fecho ou como Brajá, ou ainda totalmente feito de búzios imitando as escamas de uma cobra, como objeto de comunicação com os Orixás nas consultas ao jogo de búzios e Merindilogun. 

O búzio tem uma abertura natural e uma parte ovalada, a maioria dos adornos e jogos de búzios, são feitos com os búzios abertos, onde é tirada a parte ovalada do mesmo. Existindo muita discussão sobre qual seria o aberto e o fechado, por esta razão, alguns sacerdotes jogam com os búzios inteiros nesse caso o aberto é a abertura natural do búzio. 

No Brasil os búzios (conchas de praia), cawris na África, usados como dinheiro sendo moeda corrente; são usados pelos Babalorixás e Iyalorixás para comunicação com os Orixás, nas consultas ao jogo de búzios ou Merindelogun. Através deles pode-se consultar o futuro, de acordo com a religião Batuque, Candomblé, Omoloko, Tambor de Mina, Umbanda, Xambá, Xangô do Nordeste ou como adorno em roupas dos Orixás e para confecção de alguns fios de contas. 

Também é usado em outras religiões afro-descendentes em vários países. Sua origem é médio-oriental, mais precisamente a região da Turquia. Penetrando na África junto com as invasões daqueles povos aos africanos. 

Adotado pelas mulheres pelo fato de que o Opele-Ifa e Opon-Ifa (jogos divinatórios originalmente africano) é destinado somente aos homens. Entrou na vida e na cultura Yoruba e enraizou-se tão profundamente que hoje o Merindilogun (jogo de buzios) é mais conhecido que o verdadeiro oráculo dos Babalawos (o Opele-Ifa e Opon-Ifa) também o mais utilizado aqui no brasil. 

No entanto, segundo algumas correntes e crenças nem todas as pessoas podem ler buzios. Esta prática está destinada apenas a pessoas com uma forte espiritualidade. De forma geral estão pré destinadas às Mães, Pais, ou filhos de Santo após a obrigação de sete anos com o recebimento dos direitos, autorização e ensinamentos dado pela mãe ou pai de santo. 

Algumas destas informações tirei deste livro o qual eu indico para que você possa ter um pouco mais de exclarecimento neste assunto:


Mas não deixo de recomendar este outro livro, que é bem antigo, mas de profundidade enorme: Jogo de búzios - Um encontro com o Desconhecido - José Beniste.

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - OS IORUBÁS E AS ADIVINHAÇÕES


Os iorubá têm o hábito de propor adivinhações - àlo e citar provérbios - òwe. Ambos são simbólicos e se baseiam na experiência. O àlo propõe um raciocínio, e o òwe é um exemplo de vida. Como exemplo de àlo temos: 

Á dúró, ó dúró, a bere, o bere, a lé e, lé e, kò lo. Ìdahún: òjìji (Nós paramos, ela pára, nós abaixamos, ela abaixa, nós mandamos embora, ela não vai. Resposta: a sombra). 

Òwe - (Provérbios) 

Os provérbios iorubá só podem ser ditos pelos mais velhos, pois é necessário muita experiência para saber qual provérbio se aplica a uma situação. Se uma pessoa disser um provérbio na frente de outra pessoa mais velha, imediatamente pede desculpas e a mais velha faz uma prece desejando-lhe longa vida para poder dizer muitos provérbios. 

Em geral provérbios são conselhos sobre a conduta das pessoas em determinada situação. Uns são auto explicáveis, porém em sua maioria são ditos de forma simbólica, tirados de fábulas. Há dois tipos de provérbio, os que fazem afirmações sobre a vida, como "O orgulho vem antes de uma queda", e os que generalizam experiências particulares, como "Você pode levar um cavalo até à água, mas não pode fazê-lo beber". 

• Exemplo de provérbios: 

Enia lásán po ju igbe; enia rere han jú ojú. 

(As pessoas más são comuns como os arbustos, mas as boas são raras como os olhos.) 

Nwon ní kí arúgbó gbà omo pon ó ní sebí nwon mo pé on kò ni ehín. Nwon ní kí ó pa omo je ni? 

(Pediram à velha para ajudar a carregar a criança às costas. Ela respondeu: Mas vocês sabem que não tenho dentes. Alguém lhe pediu para comer a criança?) 

Eniti kò ní ìyàwó kò mbí àbikú. 

(Aquele que não tem esposa não sofrerá a perda dos filhos.) 

Oran se ni wò, kò a mo enití ó fe ni. 

(Quando temos problemas é que sabemos quem gosta de nós.) 

Orí tí yio je Ogedesùn kò ngbá. Bí nwon ngbé igba iyan bo a fun un, yio fo dandan ni. 

(Se alguém está destinado a comer bananas, certamente as comerá. Se lhe trouxerem purê de cará a vasilha se quebrará, de qualquer forma, no caminho.) 

Olówó pè ìlù o kò jó, ojo wo no o máa rí owó pè tire? 

(O rico paga uma orquestra, e você não dança. Mas quando você terá dinheiro para pagar uma?) 

A maioria dos provérbios iorubá fala das relações familiares, da posição de destaque dos mais velhos no grupo e das obrigações do indivíduo para com a sociedade. 

Alguns costumes e o provérbio correspondente: 

- A família é muito organizada, cada membro tendo seus direitos e deveres, até mesmo uma criança é tratada com respeito. Cada um tem seu lugar no grupo. 

Owo omode kò tó pepe, t'àgbalágbà kò wo kèrègbè. 

(A mão pequena da criança não pode alcançar a prateleira alta; a mão grande do adulto não pode penetrar no orifício estreito da cabaça.) 

- Como qualquer sociedade, os iorubá não estão livres dos maus sentimentos, como a inveja. 

Opekete ndàgbà, inú adámo mbàje, mo dì baba tán inú mbí won. 

(O crescimento da pequena palmeira evita que se lhe corte a palma. Eu me tornei pai e eles têm inveja.) 

- Como a mortalidade infantil é muito grande, há um medo constante de que o filho morra jovem. 

Omo kò áyolé, eni omo sin l'ó bi mo. 

(Só o homem cujo filho sobrevive tem netos.) 

- Uma criança é respeitada pela posição ou virtudes do pai. 

Ola baba ní ímú ni yan gbendeke. 

(É a honra do pai que permite ao filho caminhar com orgulho.) 

- O amor e a devoção da mãe são muito exaltados. 

Abiyamo se owo kòtu lù omo re. 

(A mãe bate em seu filho com a mão em concha.) 

- A posição mais importante é a dos velhos. 

Àgbà kò sí ìlú bàje 

(Quando não há velhos, a cidade se arruina.) 

- Uma das virtudes mais importantes é o tato. 

A kìí se ojú oníka mesan kà a. 

(Nunca seja visto contando os dedos de um homem que só tem nove.) 

- Os jovens devem ser humildes e admitir suas faltas. 

Elejo kì ímo ejo ro l'ebi k'ó pe lorí ìkúnle. 

(Aquele que admite suas faltas não as paga por muito tempo.) 

- Os presentes devem ser aceitos sempre de bom grado. 

Àwà-yó fi ara re gbodi. 

(Aquele que diz: Não queremos mais comida! torna-se impopular.) 

- A moderação é uma das virtudes mais elogiadas. Quem aspira alto demais é muito censurado. 

Nwon fi o je oba, o nwe Àwúre; o fe je Olorun ni? 

(Tendo-se tornado um rei você fica orgulhoso. Você quer tornar-se Deus?) 

- Visão é outra qualidade elogiada. Os provérbios criticam aqueles que não podem prever as conseqüências de suas ações. 

Obe nké ilé ara re ó ní oùn mba àko je. 

(A faca está destruindo sua própria casa, e você pensa que está simplesmente cortando um telhado velho.) 

Exemplos de Provérbios Africanos: 

"O tolo têm sede no meio de água." 

"Uma mentira estraga mil verdades." 

"O coração do homem sábio encontra-se quieto como a água límpida." 

"Até que os leões tenham as suas histórias, os contos de caça sempre glorificarão o caçador." 

"Depois de uma ação tola vem o remorso." 

"É a água calma e silenciosa que afoga um homem." 

"Um inimigo inteligente é melhor que um amigo estúpido." 

"Quando o rato ri do gato há um buraco perto." 

"Se você está construindo uma casa e um prego quebra, você deixa de construir, ou você muda o prego?" 

"Para quem não sabe, um jardim é uma floresta." 

"Uma vaca tem que pastar aonde está amarrada." 

"Como a ferida inflama o dedo, o pensamento inflama a mente." 

"Quem casa com a beleza casa-se com um problema." 

"Quando não existem inimigos interiores. Os inimigos exteriores não nos podem ferir." 

Fonte: CULTURA IORUBÁ - Costumes e Tradições
Maria Inez Couto de Almeida - Ifatosin

COLETÂNEA OXUM E O JOGO DE BÚZIOS - O ALICERCE DA FILOSOFIA

TEXTO CRIADO POR BABALORIXÁ MAURO DE OXUM


O alicerce da filosofia de Ifá é de que todos nós nascemos bons e abençoados e que somos seres divinos em uma jornada humana. A jornada humana é simbolizada pelo mercado e pela viagem em si. O mercado é um local onde o bom e o mal podem ser feitos, onde roubos e verdades se misturam. A viagem em si significa um movimento de um lugar para outro, onde no entremeio o inesperado pode ocorrer. Ifá diz que no final de qualquer viagem bem feita, há uma cama de paz e tranquilidade para aqueles que utilizaram iwá rere (bom caráter) como suas bússolas nesta viagem. 

Ifá ensina que a criação foi causada pelo o sonho da luz que se tornou visível no odu Eji Ogbè, que significa a elevação de ambas as mãos em direção ao céu – pois com o nascimento da luz veio também o seu contraste, Òyèkú méjì, que significa escuridão, o fim dos ciclos e a inalação que faz de Ogbè ativo. A idéia de levantar ambas as mãos ao céu implica em aceitar inícios e fins, luz e escuridão, com igual reverência e gratidão. 

O omo odu Ogbè’wori fala da necessidade de transformação no mundo, sobre como não podemos reconhecer a doçura do mel a menos que também tenhamos sentido a amargura do orogbo (o amargor da noz da cola). Um dos versos nos conta: 

Ogbè’worí 

B’áye wón ba ndùn 

B’áye wón bá ndàra 

Ìwá ibàjé wón nhú 

Tradução: 

Quando a vida é doce para eles 

Quando a vida é boa para eles 

É quando eles começam a se comportar mal 

O infortúnio e as complicações não são necessariamente a mesma coisa; uma complicação pode se tornar um infortúnio se abordarmos com resistência e negatividade. Quando assim o fazemos, alimentamos a complicação em nossa vida com orações pedindo para que mais complicações sejam trazidas para nós. No entanto, se abordarmos com interesse e tranquilidade, alimentamos as complicações com luz e bondade. 

Ifá é inflexível quanto a importância da ancestralidade; na verdade, todo o corpo de Odu Ifá é a sabedoria dos ancestrais. Ao tomar consciência das situações no passado e suas soluções, podemos efetivamente transformar situações indesejáveis em prosperidade, as complicações em abundância. 

Outro verso no livro de Ogbé fala sobre como o próprio Orunmila saiu em viagem encontrando o infortúnio, e não a abundância que ele procurava. O verso conta como ele saiu das águas de sua confusão emocional e pediu em lamento aos ‘dezesseis donos do mercado’ pela ajuda do pássaro chamado Agbe (Touraco Musophagidae). 

O pássaro azul Agbe é um anunciador de boa fortuna e diz-se expor os tesouros escondidos de Olokun, o dono do Oceano, quando a ele é solicitado. O verso também fala sobre como Orunmila fez o sacrifício apropriado, neste caso uma mudança de atitude, onde sua consciência errática foi acalmada e neste calmo estado de espírito ele foi capaz de lembrar da longa corrente de vitoriosas conquistas que o levaram a este momento difícil. 

O ensinamento é que as complicações em nossa jornada rumo à abundância também convidam a uma oportunidade ímpar para outras formas de vitória - enquanto nos aproximarmos com interesse e não com resistência, pois em cada dificuldade reside a promessa da vitória. De certo modo podemos dizer que Ifá vê complicações e dificuldades apenas como uma situação – a coloração é dada pela forma que abordamos a situação.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXUM E AS YA MI - A FEITIÇARIA


Oxum é a divindade africana mais ligada às Yámi Oxorongá, feiticeiras, bruxas. Com elas aprendeu a arte da magia. Por isso, os filhos de Oxum são tão poderosos nesta arte.

O QUE É IYAMI OSORONGA?


Iyami Osoronga são entidades femininas que possuem algumas energias especiais tanto na forma positiva quanto na negativa.

Iyami Osoronga é uma convicção, freqüentemente herdada, e às vezes adquirida por atributos orgânicos de uma pessoa. Este atributo faz com que a pessoa tenha poderes que podem prejudicar ou ajudar outros, a uma distância e através de meios de descuido. Mais adiante, a mesma convicção é que uma pessoa pode ter este poder, mas desde que ele não sinta motivos hostis contra outros, permanece dormente e não os afeta. Inveja, fúria, ódio, malícia são os tipos de sentimentos viciosos em que se fixam o poder de bruxaria, se a pessoa possuí-los isto deverá ser trabalhado.

Acredita-se que uma pessoa pode ter este poder e não ter conhecimento disto, até que os sentimentos viciosos dela seja fixados para trabalhar contra os outros. Em alguns casos, bruxaria é a expressão de tensão ou o mecanismo de conflito entre duas pessoas. Então, bruxaria é um conflito de interesse entre o acusador em uma mão, e o acusado na outra.

Como dito anteriormente, os Yorubás acreditam que todos os destacamentos das coisas devem-se à própria essência delas. Para afetar uma pessoa ou situação, feiticeiros, herboristas, Babalawo, etc., extrai a essência por rituais.

domingo, 9 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXUM E AS YÁ MI - O MITO DO OVO



O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e èbós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. 

Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”, com o 1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo, com o 2º deu origem a Ògún a forma, o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja, mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida. 

O Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo: 

O ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares

O ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz

E finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural

Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. 

Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ que foi cortejada pelo vento = ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ

O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem). 

O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário. 

O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubà, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. 

A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubà principalmente no culto de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ, ÒSÚN, IYEWÁ, OYÀ, ÒMÒLÚ e etc... 

Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida à clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéia de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo

Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja, não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave. 

Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, o qual faz o ovo um elemento de muito Àsé (poder realizador). 

O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. 

O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em èbós de seu a ÌYÀMI-ÒSÒRÓNGÀ

O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “EKURU” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agradar os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà, Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa. 

O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranqüilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. 

Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. 

Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores). 

Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. 

Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrificatórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin (caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase, com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. 

Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. 

Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa. 

Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. 

Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú. 

Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè. Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) encima de seu Okuta. 

Por motivo não admiti a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé. Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental. Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé. 

Classificação dos Ovos: 

Ovo de galinha cru – purifica e tranqüiliza. 

Ovo de galinha cozido – tirar doenças. 

Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia. 

Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas. 

Ovo de codorna – Neutraliza feitiço. 

Ovo de pombo - propicia traquilidade e fertilidade. 

Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios. 

TEXTO COLABORADO POR Baba Oju Omy.