quinta-feira, 7 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - NAÇÃO DJEJE-MARIN


Candomblé Jeje, é o candomblé que cultua os Voduns do Reino de Dahomey levados para o Brasil pelos africanos escravizados em várias regiões da África Ocidental e África Central. 

Essas divindades são da rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Os vários grupos étnicos - como fon, ewe, fanti, ashanti, mina - ao chegarem no Brasil, eram chamados djedje (do yorúbà ajeji, 'estrangeiro, estranho', designação que os yorúbà, no Daomé atribuíam aos povos vizinhos. 

Introduziram o seu culto em Salvador, Cachoeira e São Felix, na Bahia, em São Luís, no Maranhão, e, posteriormente, em vários outros estados do Brasil. 

Mitologia 

Na Mitologia Fon os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodun principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. 

Familias Ji-vodun 

Na mitologia fon são os voduns do alto, muito respeitados no panteão vodun por estarem ligados ao ciclo das chuvas que possibilitam as colheitas, e é uma grande família cujo chefe é simplesmente chamado de Sô. 

Sô é filho de Aguê e Mawu e teve como parceira sua irmã gêmea Agbê, da qual nasceram os Sovi (filhos do fogo), os machos Heviossô, Aklonbé, Adjakatá, Gbadé, etc. e as fêmeas Sinmenu-Sogbô, Naeté, Aden, Keli, Gbewessú, etc., e a caçula mimada Avlekete. 

Todos eles representam aspectos da tempestade, produto do turbulento acasalamento concreto entre o fogo e a água. 

Pela ligação com as chuvas, os Ji-voduns participam do ciclo das águas e agrupam também ao redor de si os inúmeros voduns ligados a este elemento, entre os quais o principal e já mencionado Agbê, que é o chefe dos Tó-vodun, os voduns das águas (não confundir com Tô-vodun, ou vodun regional). 

Lissá, o camaleão que puxa os astros no céu com a corda transparente que sai de sua cloaca é também considerado um Ji-vodun. Tô-vodun Existem duas definições para Tô-vodun. Tanto podem ser um vodun cultuado por todos os habitantes de uma localidade, como sendo emblemático daquela localidade, independente dos laços familiares e tribais entre os habitantes; como também podem ser voduns cultuados por praticamente todos os adeptos da religião Fon. 

Neste caso, Legba, Fa, Gu, e talvez Agué, são tô-voduns. Algumas vezes essa atribuição pode ser estendida a voduns populares como Sakpatá, Dan, Lissá e Heviossô. Não se deve confundir Tô-vodun com Tó-vodun, ou voduns das águas, como Agbê, Sinmenu-Sogbô, Naeté, Avlekete, os Tohossu, etc. 

Ayi-vodun 

Os Ayi-vodun são os voduns da terra, considerados de extrema importância na mitologia fon por controlarem a fertilidade da terra, as doenças e a duração da vida, enfim, a própria morte. 

O chefe dos Ayi-vodun é o vodun Sakpatá o Rei do Mundo, senhor da terra e da varíola. 

A família deste vodun é numerosa e seu culto bastante disseminado entre os Ewe-fon, da mesma forma que o culto de Ayizan, também pertencente ao segmento dos Ayi-vodun, como também Dan e Dangbê. 

Aparentemente, os Ayi-vodun são os que tem mais iniciados dentro do culto vodun. Henu-vodun Os Henu-vodun são, segundo o Candomblé Jeje, voduns ligados a linhagens familiares particulares, das quais são considerados ancestrais míticos ou verdadeiros, chefiados por um tóhwyó, ou "patriarca". 

Quase todo Henu-vodun é também um hunvé, e sua iniciação pode ser acompanhada de peregrinações aos locais onde a tradição aponta como sendo onde o vodun passou em vida, aos hunkpame e santuários que quase invariavelmente existem nestes locais. 

A quantidade de voduns desta categoria são muitos, mas cada um possui um número límitado de cultuadores e iniciados, que se limitam aos membros da linhagem. 

Os nènsuhwe, voduns da linhagem real de Abomei, são uma sub-categoria especial de Henu-vodun. Pelo seu caráter muito especial, são poucos os Henu-vodun que chegaram à Diáspora. 

Na Casa das Minas em São Luís do Maranhão, se preservou o culto de vários nènsuhwe, e provavelmente o de Bosíkpón (Bossucó?), um atinmé-vodun tóhwyó da tribo dos ananuvi e dos akosuvi.

quarta-feira, 6 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - OUTRAS NOÇÕES BÁSICAS


Candomblé é uma religião africana trazida pelo Negro que veio para o Brasil como escravo, com suas práticas ritualísticas, seus dialetos, sua visão de mundo, comidas, ritmos, músicas e danças que influenciaram na construção da sociedade brasileira. 

No Continente Africano, o Negro cultua seus Orixás e seus Antepassados (EGUNS) em diferentes áreas e regiões. Chegando ao Brasil, foram agrupados nas senzalas negros de várias nações, como estratégia de dominação plena pelos Senhores de Engenho, dificultando a integração entre os líderes e os sacerdotes que, mesmo assim, com o passar do tempo, conseguiram se reestruturar socialmente, retomando a prática do culto aos seus ORIXÁS

Em todo lugar da África a religiosidade e a espiritualidade, independentes da região, apresentam algumas características comuns: 

Expressão do culto através dos rituais e da dança. O negro dança para tudo: nascimento, casamento e morte, etc. 

É uma religião essencialmente voltada para cultuar a vida e a natureza, a integração da vida no universo e no mundo. Tudo é dinâmico. Tudo tem solução se bem integrado às forças da natureza que nos conduzem. 

É uma religião de transe mediúnico que se manifesta no corpo (incorporação). É uma religião iniciática (preparação do sacerdote). 

Acreditam que todos os homens fazem parte da mesma força universal, fluído cósmico universal e possuem uma energia inteligente protetora que filia e integra ao Cosmo – um ELEDÁ (Orixá) que ilumina no alto do seu Ori (cabeça) auxiliando na evolução espiritual durante essa sua existência no mundo físico. 

É uma religião Oracular e Oral. Oracular por usar vários processos adivinhatórios. Oral, pois a transmissão das tradições e do conhecimento se dá através da vivência, da experiência e da orientação da fala. É participando das obrigações e dos seus rituais que você aprende os fundamentos dos Orixás. 

O Candomblé é uma religião monoteísta, pois seus adeptos acreditam em um DEUS único criador – OLORUM, OLODUMARÉ, ZAMBÍ ou ZAMBIAPONGUE: e nos Orixás que representam as qualidades do Deus Superior. 

RITO ou RITUAIS – desde os XIRÊS (Festas Públicas) até os ritos mais internos, todos com a mesma proposta de integração da vida no sentido de renovação, mobilizando constantemente a comunicação entre os homens e os Orixás, entre o mundo terreno e o mundo espiritual. 

Trabalham com a noção de ÓRUM ou QUATENZALA – o mundo espiritual, espaço dos Orixás e dos Eguns; e a nação de AIYÊ, mundo físico, a vida na terra. Esses dois espaços estão em constante comunicação e intercâmbio e o culto aos Orixás tem a função de viver constantemente à relação entre os dois planos.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - QUEBRA DE TABUS


Projeto Social Reúne Evangélicos e Católicos em um Terreiro de Umbanda 

Um grupo evangélico encontrou Jesus durante um trabalho de umbanda. Feito, inclusive, por eles com católicos e adeptos da religião espírita, com o intuito de interferir na vida de 130 famílias da Zona Oeste. Fiéis a um programa de estágio na Tenda Espírita Caboclo Flecheiro, em Santíssimo, os religiosos gospel contam que sentem a presença de Deus no projeto social. 

- Enxergo Deus e Jesus dentro desse terreiro. Eu precisava de um estágio e, quando fui convidada a participar, corri no banheiro da faculdade (evangélica) e orei: Senhor, entrego em tuas mãos. Vim confiante. O objetivo aqui é só a ajuda ao próximo - elogia Rosemere Mathias, de 48 anos, convertida na igreja Assembléia de Deus Nova Filadélfia. 

O encontro dos religiosos não tem qualquer vínculo litúrgico. Ao contrário, eles se reúnem apenas para celebrar o aprendizado do curso de Assistência Social, que já chegou ao seu 8 período em uma faculdade cristã. 

- Antes, eu tinha uma ideia horrorosa dos terreiros. Quando era mais nova, achava que tudo era obra do capeta. É que, na concepção de alguns evangélicos, Deus só está na igreja deles. Era falta de conhecimento minha - destaca a estagiária Andreia de Oliveira, de 35 anos, que atualmente procura uma igreja. 

Ação social 

O grupo se reúne no terreiro, a cada 15 dias, para distribuir pepinos às famílias assistidas. E também abacaxis, abóboras e bananas, além de frutas em geral. E, em uma sala, apuram a necessidade de cada uma - 80% delas evangélicas -, orientando-as em casos jurídicos, de saúde e até na retirada de documentos. Fora as palestras educativas sobre câncer de mama, verminoses e o uso de preservativos. E tudo gratuito. 

Uma alegria para a umbandista Meri Silva, de 45 anos, que convidou os amigos de turma para o estágio quando soube da necessidade de mão de obra social no terreiro. 

- No grupo de estágio, temos até um pastor e duas pastoras. Vejo o verdadeiro amor de Cristo neles. Fui cristã dos 9 aos 22 anos. Mas tive decepções e entrei em depressão. Fui acolhida aqui com amor - conta Meri, ex-evangélica. 

O dirigente do terreiro, Marco Xavier, também elogia o projeto “Fé com Atitude”, há um ano com os estagiários. 

- São excelentes religiosos por quebrarem tabus em relação a Umbanda - afirma Marco Xavier.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - NAÇÃO NAGO EGBÁ



Em 1875, Inês Joaquina da Costa (Ifá Tuniké), mais conhecida como Tia Inês, desembarcava em Pernambuco vinda da cidade de Egbá, na Nigéria. Em sua mínima bagagem como por intuição do que estaria por vir, trouxe sementes e materiais usados no culto a Yemonjá, orixá cultuado na sua região, e mais algumas divindades cultuadas no panteão yorubá. 

Com o passar do tempo, ela se estabeleceu em Recife, no bairro de Água Fria, plantou as sementes das árvores sagradas, a exemplo da gameleira e do Baobá. E assim foi nascendo o Sítio de Tia Inês e uma forma de culto conhecida como Nagô Egbá, tendo sua casa matriz o próprio Sítio de Tia Inês, que mais tarde seria conhecido, registrado e tombado como Terreiro Obá Ogunté, estendendo-se então como culto mais conhecido em Recife e sua região metropolitana e como reflexo presente na cultura pernambucana. 

Após a morte da matriarca da nação Nagô Egbá, o Sítio de Tia Inês continuou aos cuidados de seus filhos adotivos e assim a regência passou a ser de pai para filho, causando assim mais uma característica da nação: o patriarcado, como sendo a maneira mais comum de herança. O mais conhecido entre os regentes foi Felipe Sabino da Costa (Ope Watanan), conhecido como Pai Adão, sua figura se mostrou tão popular dentro do culto que a casa passou a ser popularmente conhecida até hoje como Sítio do Pai Adão. 

Boa parte dos barracões, atualmente, é regida por zeladores, porém vale salientar que as casas mais tradicionais e mais respeitadas foram fundadas por mulheres. 

Os papéis do homem e da mulher são bem fixos no culto, os homens ganharam mais espaço e sempre por trás dos zeladores estão elas, as "senhorinhas" zeladoras os acompanhando. Observando conversas entre zeladores percebo certo machismo e muitas zeladoras repelem esses conceitos, arregaçam as mangas e constroem seus barracões, sendo eles regidos por elas e sendo elas auxiliadas pelos seus ogãs e ebamis, mostrando que o futuro poderá refletir novamente o passado. 

O Nagô Egbá se assemelha muito ao Ketu. É uma nação onde suas casas tradicionais mantêm as mesmas formas de culto e conceitos ensinados pelos seus antepassados, daí vem o por quê da quantidade de orixás cultuados, que citarei mais adiante, ser relativamente menor que a de outros cultos 

Como uma nação de origem yorubá, o Nagô Egbá comporta orixás, teorias e histórias mitológicas iguais ou muito próximas da nação Ketu. Além das pequenas diferenças em sua ritualística interna, a diferença mais clara está presente nas festas, nas formas como os orixás se manifestam e dançam durante os xirês. Os instrumentos principais mudam; no lugar do som mais agudo dos atabaques, está o som mais grave e compassado dos ilús. A sequência de orixás cantada durante a roda do xirê é a mesma em todas as casas e a das toadas geralmente também (provável herança da nossa casa matriz). 

Os orixás homenageados em ritual aberto ao público, o toque, são em menor número do que na nação Ketu, como já foi mencionado. São basicamente treze orixás cantados na seguinte sequência: Exu, Ogum, Odé, Obaluayê, Oxumaré, Nanã, Ewá, Obá, Oxum, Yemonjá, Xangô, Oyá e Oxalá. Ossaim tem seu culto e é sempre lembrado e homenageado durante os rituais internos e orôs; Iroko segue lembrado e cultuado nos terreiros na forma da imensa gameleira. 

Sobre o orixá Logum Edé, não há registro no culto Nagô Egbá, nós não negamos sua existência, apenas não há registro histórico sobre o orixá dentro do culto. Porém, há uma peculiaridade em relação a alguns outros cultos: o culto à Orunmilá é muito conhecido e difundido na nação com suas inúmeras cantigas cantadas durante as saídas dos balaios para Oxum e as panelas de Yemonjá, além de ser também lembrado na cerimônia de Bori. 

Houve um tempo, mais precisamente entre 1938 e 1948, em que os terreiros de Candomblé foram perseguidos, fechados e alguns até destruídos. Esse episódio ocorreu em diversas partes do país e não aconteceu diferente em Pernambuco. Muitos zeladores fecharam suas portas, abandonaram a religião, enquanto os que persistiram na sua fé faziam tudo á maneira mais escondida e disfarçada possível. 

"Era 31 de dezembro de 1948 e a comunidade de Água Fria, na Zona Norte de Recife, se aprontava para um ritual que há muito não se via, nem ouvia, a não ser em lugares secretos. Naquela noite poderiam outra vez cultuar seus deuses com o consentimento das autoridades. 

É claro que começou somente com o povo do terreiro do Sítio de Pai Adão. Os filhos e filhas de santo tocavam e dançavam ainda desconfiados; o batuque era discreto. Olhavam pelas janelas para ver se a polícia não apareceria para impedi-los, mais uma vez. As baianas usavam a saia branca do candomblé por cima de vestidos. Ficaria mais fácil de tirá-las caso os perseguidores chegassem de surpresa. Os que não acreditavam no que ouviam, aos poucos, iam se aproximando do salão do terreiro, onde acontecia um toque para Oxalá. 

De repente, um grito ecoa no salão. Era o orixá Ogum, manifestado em França, filha de santo antiga da casa. Os ogãs perderam a timidez; soltaram os braços e o toque se animou; os fiéis passaram a cantar mais alto, os cânticos a Oxalá. E os orixás da casa passaram a "descer". Mãe Joana Batista recebeu sua Iemanjá, e os demais médiuns passaram a entrar em transe e receber seus orixás. Com o passar dos dias, outros terreiros do Recife voltaram a praticar seus rituais de candomblé, livres da perseguição que durou dez anos. O fim do período marcado pelas constantes prisões de babalorixás e filhos de santo, e quebra-quebra da polícia quando encontrava imagens e símbolos africanos nas casas denunciadas, completa hoje sessenta anos." 

Esse episódio significou algumas perdas ao culto, perdas principalmente nos fundamentos de orixás recentemente inseridos ao culto durante aquela época, como Obaluayê, Nanã, Oxumaré, Ewá e Obá e que aos poucos iam sendo conhecidos pelos adeptos. E apenas os orixás mais conhecidos voltaram a ser cultuados, a exemplos: yemonjá, Oxum, Exu, Ogum, Xangô, Oyá e Odé. Com a inserção do ketu e do jeje-nagô em Pernambuco, a troca de informações fez e está fazendo, aos poucos, estes orixás que tiveram seus fundamentos perdidos voltarem a ser não apenas homenageados no xirê, mas também cultuados dentro da nação. 

(Este texto é de minha autoria, foi publicado primeiramente neste blog há anos atrás e agora está voltando à sua casa já que com a dimensão da internet muitos textos são copiados e não têm nem seus autores, nem sua fonte devidamente citadas). 

MENSAGEM RECEBIDA PELO MEU EMAIL PESSOAL MANUFESHOWBOY@YAHOO.COM.BR PELO BLOG O CANDOMBLÉ. 

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - NAÇÃO ANGOLA



*** Nação Angola*** 

A palavra Bantu compreende Angola e Congo, é uma das maiores nações do Candomblé, uma religião Afro-Brasileira. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Quimbundo e Quicongo. 

** Terreiro de Tumba Junsara ** 

O Tumba Junsara foi fundado em 1919 em Acupe, na Rua Campo Grande, Santo Amaro da Purificação, Bahia, por dois irmãos de esteira cujos nomes eram: Manoel Rodrigues do Nascimento (dijina: Kambambe) e Manoel Ciriaco de Jesus (dijina: Ludyamungongo), ambos iniciados em 13 de junho de 1910 por Maria Genoveva do Bonfim, mais conhecida como Maria Nenem (Mam'etu Tuenda UnZambi, sua dijina), que era Mam'etu Riá N'Kisi do Terreiro Tumbensi, casa de Angola mais antiga da Bahia. Kambambe e Ludyamungongo tiveram Sinhá Badá como mãe-pequena e Tio Joaquim como pai-pequeno. 

O Tumba Junsara foi transferido para Pitanga, no mesmo município, e depois para o Beiru. Após algum tempo, foi novamente transferido, para a Ladeira do Pepino nº 70, e finalmente para Ladeira da Vila América, nº 2, Travessa nº 30, Avenida Vasco da Gama (que hoje se chama Vila Colombina) nº 30 - Vasco da Gama, Salvador, Bahia. 

Na época da fundação, os dois irmãos de esteira receberam de Sinhá Maria Nenem os cargos de Tata Kimbanda Kambambe e Tata Ludyamungongo. Manoel Ciriaco de Jesus fez muitas lideranças de várias casas, como Emiliana do Terreiro do Bogum, Mãe Menininha do Gantois, Ilê Babá Agboulá (Amoreiras), onde obteve cargos. Tata Nlundi ia Mungongo teve como seu primeiro filho de santo (rianga) Ricardino, cuja dijina era Angorense. 

No primeiro barco (recolhimento) de Tata Nlundi ia Mungongo, foram iniciados 06 azenza (plural de muzenza). Em sendo o seu primeiro barco, ele chamou o pessoal do Bogum para ajudar. Os 03 primeiros azenza do barco foram iniciados segundo os fundamentos do Bogun: Angorense (Mukisi Hongolo), Nanansi (Mukisi Nzumba) e Jijau (Mukisi Kaviungu), os 03 outros azenza foram iniciados segundo os fundamentos do Tumba Junsara. 

No Rio de Janeiro, fundou, com o Sr. Deoclecio (dijina: Luemim), uma casa de culto em Vilar dos Teles (não se sabe a data da fundação nem a relação de pessoas iniciadas). Dentre as pessoas iniciadas, ainda existe, na Rua do Carmo, 34, Vilar dos Teles, uma delas, Tata Talagy, filho de Sr. Deoclecio . 

Com a morte de Manoel Rodrigues do Nascimento (Kambambe), que assumira sozinho a direção do Tumba Junsara, Manoel Ciriaco de Jesus (Ludyamungongo) assumiu a direção até sua morte, a qual ocorreu em 4 de dezembro de 1965. 

Com a morte de Manoel Ciriaco de Jesus (Ludyamungongo), assumiu a direção do Tumba Junsara a Sra. Maria José de Jesus (Deré Lubidí), que foi responsável pelo ritual denominado Ntambi de Ciriaco, juntamente com o sr. Narciso Oliveira (Tata Senzala) e o sr. Nilton Marofá. 

Deré Lubidí era Mam'etu Riá N'Kisi do Ntumbensara, hoje situado à Rua Alto do Genipapeiro - Plataforma, Salvador, Bahia, e de responsabilidade do sr. Antonio Messias (Kajaungongo). 

Em 13 de dezembro de 1965, após o ritual de Ntambi, Maria José de Jesus (Deré Lubidí) passa a direção do Ntumbensara para Benedito Duarte (Tata Nzambangô) e Gregório da Cruz (Tata Lemboracimbe), e em ato secreto é empossada Mam'etu Riá N'Kisi do Tumba Junsara. 

Maria José de Jesus (Deré Lubidí), em 1924 recebeu o cargo de Kota Kamukenge do Tumba Junçara, e em 1932, o cargo de Mam'etu Riá N'Kisi. Em 1953 fundou o Ntumbensara, na Rua José Pititinga nº 10 - Cosme de Farias, Salvador, Bahia, que em 18 de outubro de 1964 foi transferido para o Alto do Genipapeiro. 

Com o falecimento de Deré Lubidí, assumiu a direção do Tumba Junsara a Sra. Iraildes Maria da Cunha (Mesoeji), nascida aos 26 de junho de 1953 e iniciada em 15 de novembro de 1953, permanecendo no cargo até o presente momento. 

Esta é uma síntese do histórico do Tumba Junsara, com agradecimento especial a Esmeraldo Emeterio de Santana Filho, "Tata Zingue Lunbondo", pelo referente histórico, e também a "Tata Quandiamdembu", Esmeraldo Emetério de Santana, o Sr. Benzinho, pois sem sua colaboração não poderíamos ter chegado a tais fatos. 

** Terreiro do Bate Folha ** 

Terreiro Bate Folha, Mansu Banduquenqué, Sociedade Beneficente Santa Bárbara do Bate Folha, localizado na Travessa de São Jorge, 65 - Mata Escura do Retiro, Salvador, Bahia, foi fundado em 1916 pelo Tata Manoel Bernardino da Paixão e, atualmente, é presidido por Tata Mulandure, Edualino Cipriano de Souza. O terreiro possui a maior área urbana remanescente da Mata Atlântica, aproximadamente 15,5 hectares. Foi tombado pelo IPHAN em 10 de outubro de 2003. 

No ano de 1881, Salvador, Bahia, nasceu Manoel Bernardino da Paixão. Quando já contava 38 anos de idade, Bernardino foi iniciado na Nação do Congo pelo Muxikongo (designação dos naturais do Kongo), por Manoel Nkosi, sacerdote iniciado na África, recebendo então, a dijína de Ampumandezu. 

Depois da morte de Manoel Nkosi, Bernardino transferiu-se para a casa de sua amiga inseparável Maria Genoveva do Bonfim - Mam´etu Tuhenda Nzambi, mais conhecida como Maria Nenem, mãe do Angola na Bahia, onde tirou a Maku-a-Mvumbi (Mão do Morto). 

Maria Nenem era filha de santo de Roberto Barros Reis, escravo angolano, de propriedade da família Barros Reis, que lhe emprestou o nome pelo qual era conhecido. A cerimônia de Maku-a-Mvumbi, à qual Bernardino se submeteu em 13 de junho de 1910, coincidiu com a iniciação de Manoel Ciriáco de Jesus, nascido em 8 de agosto de 1892, também na Bahia, o que ocasionou a ligação estabelecida entre Bernardino e Ciriáco que, anos mais tarde, com o falecimento de seu irmão de santo mais velho, Manoel Kambambi, que na época tinha casa aberta na Bahia, Ciriáco sucedeu kambambi, no terreiro que hoje é conhecido por Tumba Junsara. 

Com o passar do tempo, Bernardino já muito famoso, fundou o Candomblé Bate-Folha, situado na Mata Escura, em Salvador, Bahia. O terreno onde está estabelecido o Candomblé, é cercado de árvores centenárias e considerado o maior terreiro do Brasil que, na época, foi presenteado à Bamburusema, seu segundo mukixi, já que o primeiro era Lemba. 

Desta forma fica claro que, pelas origens de Manoel Nkosi, o Bate-Folha é Congo e, mantém o Angola, por parte de Maria Nenem. 

Foi no dia 4 de dezembro de 1929 que Bernardino tirou seu primeiro barco, cujo Rianga (1º Filho da casa) foi João Correia de Mello, que também era de Lemba. 

Por volta de 1930, João Correia de Mello, já então conhecido como João Lessengue (Lesenge), mudou-se para o Rio de Janeiro. 

Ao chegar, Lesenge foi morar na Rua Navarro, no Catumbi, havendo trazido em sua companhia alguns irmãos de santo, dentre os quais, se destaca por sua atuação Mãe Ngukui, componente do terceiro barco de Bernardino. 

Ngukui seria então o braço direito de Joao Lessengue na sua nova empreitada no Rio de Janeiro. Aqui, João Lessengue conheceu outras pessoas de santo em sua maioria oriunda da Bahia, passando então a participar dos rituais das diversas casas de candomblé já existentes na cidade. 

Diversas personalidades importantes do candomblé faziam parte de seu círculo de amizades, como Ebomi Dila, Mãe Agripina do Opo Afonjá, Mãe Teté, Mãe Bida de Iemanjá, Joana Cruz, Joana Obasi, Mãe Andreza, Guiomar de Ogun, Mãe Damiana, Tata Fomotinho, Vicente Bankolê, Ciriáco, América, Adalgisa, Marieta, Tia Marota, Obaladê, Nair de Oxalá, Marina de Ossãe, Nino de Ogun, Mundinho de Formigas, Otávio da Ilha Amarela, Ogan Caboclo, Álvaro do Pé-Grande, Mãe Teodora de Yemanjá, etc. No início dos anos 40, Lesenge comprou um terreno com aproximadamente 5.000 metros quadrados, no bairro Anchieta, fundando ali, o Bate-Folha do Rio de Janeiro. 

Ao longo dos anos João Lessengue tirou doze barcos, sendo o primeiro em 26 de novembro de 1944, e o último em 8 de novembro de 1969.No dia 29 de setembro de 1970, às 23:40hs., morre João Lesenge, o senhor do Bonfim de Anchieta. Após o falecimento de Tata Lesenge em 1970, a roça atravessou um prolongado luto. 

Foi somente em 1972, em ocasião de Luvalu (cerimônia de sucessão), que o Bate-Folha do Rio de janeiro reabriu, sendo ali investida no cargo como Mamétu riá Nkisi (sacerdote chefe), sua sobrinha e filha de santo, Mabeji - Floripes Correia da Silva Gomes), tornando-se, herdeira de seu tio Lesenge em todo o sentido da palavra. 

Mam´etu Mabeji, baiana do bairro da Liberdade, chegou ao Rio de Janeiro para residir com o Sr. João Lesenge em 19 de outubro de 1946 e, iniciou-se no candomblé em 20 de abril de 1947. A partir desta data, Mabeji começa a fazer parte da história do Bate-Folha. 

Por volta dos anos 50, em companhia de um índio Irapuru, chega ao Bate-Folha o Sr. José Milagres. Com o passar do tempo, Milagres casa-se com Mabeji e posteriormente, se confirma na casa como Pokó (sacrificador de animais) passando então a ser conhecido como Tata Nguzu-a-Nzambi, sua dijina. Dai em diante, Tata Nguzu tem sido um guerreiro incansável na preservação da roça em Anchieta. Em virtude da grande obra que está sendo feita, o Bate-Folha não vem proporcionando ao público suas maravilhosas festas, realizando apenas, às obrigações internas. Ressaltando, para que fique explícito às muitas pessoas que, por não terem mais notícias das famosas festas em Anchieta, comentam que o Bate-Folha acabou. 

Ressaltando ainda, que em abril do ano de (1997), o bate-Folha reabriu suas portas para a grande festa do século, ocasião em que foi comemorado os 50 anos de santo de Mam´etu Mabeji, mãe do Kongo/Angola no Rio de Janeiro. 

** Jinkices - Os Deuses Angoleiros ** 

Aluvaiá, Pambu Njila - Intermediário entre os seres humanos e os outros Jinkices. 

Nkoci, Roxi Mukumbe - Jinkice da guerra, senhor das entradas de terra. 

Ngunzu - Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra. 

Kabila - O caçador pastor. É aquele que cuida dos rebanhos da floresta. 

Mutalambô, Lambaranguange - Caçador, vive em florestas e montanhas, Jinkice da comida abundante. 

Gongobila - Jovem caçador e pescador. 

Mutakalambô - Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores. 

Katendê - Senhor das Jinsabas (Folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais. 

Loango - É o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos. 

Kaviungo, Kafungê, Kingongo, Kafundeji - Jinkice da varíola, das doenças e suas curas. 

Nsumbu - Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo Yorubá. 

Hongolo (Masculino) e Hongoloméia (Feminino) - Representado pelo arco-irís e pela cobra que morde o próprio rabo. 

Kindembu - Rei de Angola. Senhor do tempo e das estações. É representado nas casas de Angola por um mastro com uma bandeira branca, chamada de bandeira de Tempo. 

Kaiangô - Senhora do fogo. 

Matamba, Nunvurucemavula - Caminhos de Kaiango. Guerreira, comanda os Nvumbe (Mortos). 

Bambulucema - Senhora das ilhas. 

Kisimbi, Samba Jinkice - A grande mãe, Jinkice dos lagos e rios. 

Ndanda Lunda - Senhora da fertilidade e da lua. 

Kaiutumba, Kokueto - Jinkice dos oceanos e do mar. 

Nzumba - A mais velha das Jinkices, está conectada com a morte. 

Nvunji - O mais jovem dos Jinkices, senhor da justiça. Representa a felicidade da juventude e toma conta dos filhos recolhidos. 

Lemba Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkassuté, Lembá e Gangaiobanda - Conectado á criação do mundo.

terça-feira, 5 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - GALINHA DE ANGOLA



Na semana passada, nosso amado Pai Pecê, falou-nos que tudo do Candomblé está fundamentado nas histórias, cânticos e danças. Dessa forma, hoje, resolvemos publicar uma antiga história Nàgó que explica o surgimento das pintas brancas da Galinha de Angola, explica ainda, porque essa ave é o principal animal da Religião dos Òrìsàs. Isso ratifica que na nossa religião para tudo que fazemos, existe sim uma fundamentação. 

A Galinha de Angola era uma ave muito feia e por isso, afastava as pessoas de perto de si, mesmo sendo muito rica. Ela vivia abandonada em uma grande floresta em meio a sua riqueza. 

Cansada de ser desprezada, resolveu consultar o oráculo sagrado no Palácio de Obatalá. Quando lá chegou, o Sacerdote a colocou para fora, dizendo que ela deveria estar usando um Alá branco para entrar na casa do Grande Deus Funfun. Ainda mais triste, a Galinha de Angola resolveu ir para outra floresta e de uma vez por todas, deixar de conviver perto de tudo e todos. 

Após 21 dias caminhando, a Galinha de Angola parou em uma floresta, sem saber que era sagrada (Igbodu). Lá, ela encontrou um velho maltrapilho gemendo de dores. Esse velho disse: 

“Pare! estou muito doente e não tenho dinheiro para me alimentar, me dê o que comer e beber, por favor,”

A Galinha de Angola pegou tudo o que tinha e deu ao velho homem que, após saciar a sua fome e sede, caiu dormindo em sono profundo. A Galinha de Angola continuou preocupada com o velho e ficou ao seu lado enquanto ele dormia. Ao acordar, o velho perguntou-lhe, porque ainda estava lá, fazendo companhia para aquele velho maltrapilho. 

A Galinha começou a dizer que não poderia abandoná-lo, pois ele estava precisando del, dize sua história ao velho, falando que todos lhe achavam feia, com um aspecto repugnante e que não mais queria viver. 

O Velho respondeu que o seu exterior não importava em nada, pois por dentro, ele era um dos seres mais belos que existia. Disse que aquela era uma floresta sagrada e que na verdade, ele era Obatalá. A Galinha de Angola ficou surpresa com a revelação, pedindo-lhe desculpas por entrar na floresta sagrada. 

Obatalá pegou Efun e começou a pintar a Galinha de Angola, que ficou muito bonita. Além disso, Obatalá disse que, o maior símbolo para os iniciados era o Osu e modelou um na superfície da cabeça da Galinha de Angola, dizendo que, a partir daquele momento, ela seria o Animal mais Sagrado do Culto aos Òrìsàs, pois somente ela, traz o Grande Osù em sua cabeça. 

Essa história é um grande ensinamento, pois mostra que não podemos julgar ninguém por sua aparência, mostra que não devemos jamais negar comida e bebida. Nossa religião oferta, ajuda e acolhe, essa é mensagem que devemos guardar. 

Que nosso Pai Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos. 

Terreiro de Òsùmàrè

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O SIMBOLISMO DA ÁGUIA



ÁGUIA 

A águia em seu simbolismo, representa o espírito da primavera! Ela traz em si a força do espírito, da cura, e da criação. A águia é símbolo do zenith, uma ótima lembrança de sua própria capacidade de alcançar grandes patamares. 

Águias são mensageiros do céu e a personificação do espírito do sol. Aqueles com um totem da águia precisa ter um envolvimento com a criação; uma vontade de experimentar os extremos; uma vontade de usar sua habilidade mesmo que isso signifique ficar "queimada" um pouco como você voa alto; uma vontade de procurar suas verdadeiras emoções. 

Um totem exigente, mas que oferece tanta recompensa no final da viagem. 

Seus pés de quatro dedos lembrá-lo de ficar aterrado foi mesmo voando alto; Suas garras lembrá-lo a entender as coisas da terra; Seu bico afiado mostra-lhe quando falar, quanto e como fortemente. 

Este totem irá mostrar-lhe oportunidades e como montar os ventos para o seu benefício. 

Pessoas de águia podem viver no Reino do Espírito no entanto, continuam a ser conectado e equilibrado dentro do Reino da terra. 

Você deve se tornar muito mais do que você jamais sonhou ser possível.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - O BORI



Ebori ou Bori é um ritual das religiões tradicionais africanas e diáspora africana como culto de Ifá, Candomblé e outras, que harmoniza e diminui a ansiedade, o medo, a dor e a tristeza trazendo a esperança, alegria e a harmonia. É através do jogo de Búzios que o babalorixá recebe as instruções para realizar este ato ritualístico. 

Desta forma, o Bori é uma das oferendas mais importantes que visa o bem estar individual no Candomblé. O Ritual de Bori é muito sério, complexo e profundo. Ori (Yoruba) significa, literalmente, cabeça e é, misticamente, o primeiro Orixá a ser cultuado. Seu objetivo é o de alimentar o Ori Eledá, seja qual for o sexo, raça, profissão, idade, nível social da pessoa. 

Omin e Obi, por exemplo, são elementos indispensáveis no Bori. Omi, a água, representa paz, abundância e fertilidade enquanto o Obi é usado para aplacar a fúria das adversidades, alimentar e agradar as divindades. 

EBORÍ- RITUAL LITÚRGICO OFERTADO AO NOSSO ÓRÌSÀ ORÍ 

ÒRÚMÌLÀ disse que na porta de um quarto deveria haver um “diafragma” na entrada IFÁ, a questão é “Quem entre as divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” 

ÒÒSÀÀLÀ disse que Ele poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. IFÁ perguntou “O que Você fará se depois de caminhar uma longa distancia, andando e andando, e Você voltar à IFON e eles matarem uma galinha choca com seus ovos, e eles lhe oferecerem duzentos ÌGBÍN, temperados com vegetais e melão?” 

ÒÒSÀÀLÀ disse “Depois de comer até estar satisfeito, Eu retornarei para minha casa”. ÒÒSÀÀLÀ disse que Ele não poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. ÒRÚMÌLÀ disse que na porta de um quarto deveria haver um “diafragma” na entrada IFÁ, a questão é “Quem entre as divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” 

ELÉGBARA- ÈSÙ disse que Ele poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. 

IFÁ perguntou “O que Você fará se depois de uma longa caminhada, andando andando, e Você retornar para KÉTU, a casa de seus pais, e eles ofertarem um galo, e uma grande quantidade de EPO PUPA?” 

ELÉGBARA disse “Depois que Eu comer até estar satisfeito, Eu retornarei para a minha casa”. ELÉGBARA disse que Ele não poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. E assim IFÁ pergunta a todos os ÒRÌSÀ, inclusive a ÒRÚMÌLÀ e a resposta foi a mesma que Eles não poderiam acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. 

Então IFÁ pergunta “A questão é quem entre todas as Divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” 

ÒRÚMÌLÀ disse “Desde que a humanidade morre, o ORÍ é separada antes do enterro”. IFÁ disse “É ORÍ, só ORÍ é quem pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar”. “Se eu tenho dinheiro” “É para ORÍ que eu louvarei” “Meu ORÍ é Você” “ Se eu tenho crianças na terra” “É para ORÍ que eu louvarei” “Meu ORÍ é você” “ Todas as coisas boas que eu tenho na terra” “É para ORÍ que eu louvarei” “Meu ORÍ é você” “Você que não esquece o seu devoto” “ Que abençoa o seu devoto mais rápido que os outros ÒRÌSÀ” “Nenhum ÒRÌSÀ abençoa um homem” “Sem o consentimento de seu ORÍ” “ORÍ eu te saúdo” “Você que permite que as crianças sobrevivam” “Uma pessoa cujo sacrifício é aceito pelo seu ÒRÍ” “Deve rejubilar-se extraordinariamente”. 

Este ITÒN do Corpo literário de IFÁ é apresentado por W. ABIMBOLA, em seu livro : IFÁ, an Exposition of Literary Corpus. 

Ele nos fala sobre o nosso ÒRÌSÀ ORÍ, o nosso ÒRÌSÀ interior, em toda a sua essência, força e grandeza. ÒRÌSÀ ORÍ o primeiro a ser louvado, é a representação particular de existência individualizada, é aquele que acompanha o homem do nascimento até a morte, norteando a sua caminhada, e assistindo ao homem no cumprimento do seu IPIN. 

Se o nosso ÒRÌSÀ ORÍ deixar de existir, a ligação entre o plano Divino e o nosso corpo humano também deixará de existir, isto explica o porquê do nosso ÒRÌSÀ ORÍ nos acompanhar até a nossa morte. 

O nosso Orí é o primeiro ÒRÌSÀ a ser louvado ao nascer o dia. O nosso ÒRÌSÀ ORÍ conhece as nossas necessidades em nossa caminhada pela vida, nossos acertos e desacertos, ELE tem os recursos adequados e todos os indicadores que nos permitem a reorganização para que possamos equilibrar a nossa vida com a essência energética positiva dos nossos ÒRÌSÀ ÈLÉÈDÁ. 

Ele tem como essência principal o equilíbrio do ser humano, concretizando assim a harmonia criada por OLÚDÙMARÈ, em sua força detentora e distribuidora de ÀSE. Esta é a razão pela qual o ato ritualístico do EBORÍ, é a forma de Louvação, Reintegração e Fortalecimento que utilizamos para o nosso ÒRÌSÀ ORÍ, quando Ele esta em desarmonia. 

É considerado o primeiro ÒRÌSÀ da existência (a essência real do ser). Deve ser assentado e louvado antes de qualquer outro ÒRÌSÀ, depois de ÈSÙ no ritual do EBORÍ para uma INICIAÇÃO, pois só o nosso ÒRÌSÀ ORÍ permite a compreensão para a nossa Incorporação com o nosso ÒRÌSÀ ÈLÉÈDÁ. EBO- OFERENDA ORÍ- CABEÇA Este ritual deve sempre ser precedido de um “Jogo de Búzios” para que este oriente o Sacerdote ( a) e defina a real necessidade deste ORÍ. 

O ato do EBORÍ é utilizado nas seguintes situações: - Como um processo de religação do ORÍ com o seu IPIN. 

Como ritual do processo Iniciático. - Como resposta á condições de stress ou fragilização das estruturas psicológicas da pessoa resultantes de situações particulares da vida. 

Como ritual complementar a um EBO. Como extrema necessidade resultante de forças energéticas negativas adquiridas. 

Como anual agrado a ÁJÁLÀ MÒPÍN OBS. O Culto a ÁJÁLÀ foi trazido pelos nossos Ancestrais, a mais de 460 anos, época dos escravos. 

Muito importante lembrar sempre que o uso e a combinação a serem utilizados, os Sacerdotes (a) devem levar conta qual é a situação real deste ÒRÌSÀ ORÍ, ou seja, se Ele esta GUN ( nervoso demais) ou ÈRÒ ( calmo demais), para que se possa manipular os elementos corretos. Manipulamos também para este ato ritualístico do EBORÍ o ÈJÈ PUPA e o ÈJÈ FUNFUN. 

O EBORÍ com o ÈJÈ PUPA é usado quando estamos com muitos problemas na vida como perda de empregos, miséria, brigas, perigos, descontrole emocional, depressão ou doenças. O EBORÍ com o ÈJÈ PUPA dá força física, restabelece a energia vital e fortalece a ÈSÙ. O EBORÍ com o ÈJÈ FUNFUN é usado quando existem muitos perigos na vida, brigas, perigo de prisão, morte ou desequilíbrio total. O EBORÍ com o ÈJÈ FUNFUN, acalma e restabelece a essência vital. 

Temos em geral neste ato do EBORÍ um ritual básico a ser seguido, e este ato pertence às Nações KÉTU- NÀGÓ, ÈFÓN e IJÈSÀ, sendo por isto necessário que louvemos ÁJÁLÀ neste ato. ÁJÁLÀ MÒPÍN como já descrevi, é louvado dentro da cerimônia do EBORÍ, sendo um ÒRÌSÀ que pertence aos Cultos de origem YORÙBÁ. 

Cabe alertar que este ato Ritualístico do EBORÍ que temos dentro do Culto aos ÒRÌSÀ pertence “SOMENTE” aos seguimentos de Matriz Africana. Alguns Africanos YORÙBÁ possuem o hábito de fazer a cada quatro dias uma oferta ao seu próprio ORÍ, de certos elementos num ato simples como: OMI, OTÍ ÒIBÓ, EFUN, ÒRÍ VEGETAL, OBÌ ÀBÁTÁ e ORÓGBÓ. 

Esse ato de adoração é para proteção e agradecimento, é um EBORÍ no Culto à ORÍ. Aqui no Brasil temos duas cerimônias que usamos para a harmonização do ÒRÌSÀ ORÍ como Transmissão e Veiculação de ÀSE e como estabilização energética: - EBORÍ completo com todos os elementos ritualísticos que usamos como variadas oferendas alimentares, animais, bem como os Objetos símbolos sacralizados para o momento. OBÌ neste ato são manipulados em quantidade menor os elementos ritualísticos. 

O que realmente importa é oferecer exatamente o que este ORÍ esta necessitando para a sua HARMONIZAÇÃO como VEICULAÇÃO E TRANSMISSÃO do Verdadeiro ÀSE Também tenho que abordar mais um grande "ERRO” que ainda persiste em ser transmitido de nossa Liturgia Ritualística “o EBORÍ é oferecido ao ÒRÌSÀ ORÍ e não há ÒRÌSÀNLÁ ou YEMONJA". 

Cultuar o ÒRÌSÀ ORÍ é um direito de qualquer ser humano não há nada que impeça isso, mesmo que a pessoa seja um ÀBÍON. 

O IGBÁ ORÍ é o nome do assentamento sagrado do ÒRÌSÀ ORÍ. Cada IGBÁ ORÍ é uma representação material e espiritual dos OMO ÒRÌSÀ KON, captando constantemente as ENERGIAS VITAIS provenientes de OLÓDÙMARÈ – OLÓÒRUN. 

A iniciação no Culto ao ÒRÌSÀ significa o nascimento do ORÍ- INÚ. Sendo assim a partir da Iniciação, o ÀBÍON nasce para a Religião, como também para o SAGRADO; com a confirmação do seu ORÍ- INÚ, que passará a ter representação física no ÀIYÉ. O ÒRÌSÀ ORÍ é quem individualiza o ser humano, como no caso das impressões digitais, ninguém tem um ORÍ igual ao de outra pessoa, cada ORÍ é único e exclusivo. 

Por isto é que devemos ser criteriosos quando escolhemos o nosso BÀBÁLÓÒRÌSÁ ou a nossa ÌYÁLÓÒRÌSÀ, pois são eles que vão fazer com que a Essência, Transmissão e Veiculação de Àse em nosso ORÍ esteja presente em nossas VIDAS. 

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A IMPORTÂNCIA DO EBÓ


FOTO ILUSTRATIVA - INDICAÇÃO DE LIVRO 

A Grande importância do EBÓ 

Antes de fazer qualquer tipo de ebó, sempre consulte um Babalorisá, uma Yalorisá ou um babalawo e consulte o jogo para saber qual é o ebó adequado a seu problema. 

Importante em um ebó a saber: 

Dia - cada dia tem um orisá regente. 

Hora- a horários inapropriados para alguns tipos de ebó. 

Lua - todas as fases da lua trazem um significado para certos ebós. 

Oficiante - quem pode fazer ( indicado a Babalorisás Yálorisas e Babalawos ) 

Local a ser arriado - Consultar o jogo e as determinações dos orixas para o local. Nunca faça nada sem consultar o jogo ou alguém serio. Ebó é sagrado! 

Os Ebós são uma série de rituais que visam corrigir várias deficiências na vida de um ser humano (saúde, amor, prosperidade, trabalho profissional, equilíbrio, harmonia familiar, etc.). 

A composição de cada ebó depende de sua finalidade e seus componentes irão desde bebidas, frutas, folhas, velas, adornos, alimentos secos, mel, dendê, louças, artefatos de barro ou ágata. 

Os EBÓS têm grande importância para o ALTO CANDOMBLÉ. Eles são como uma súplica para se alcançar uma graça. Mesmo os EBÓS mais simples de serem feitos envolvem um profundo conhecimento dos fundamentos do ALTO CANDOMBLÉ, pois absolutamente nada pode sair errado ou desconsiderado. 

É de total obrigação de uma GUARDIÃ DE ORIXÁ dever neste momento saber escolher e adquirir os alimentos e presentes que compõem o EBÓ

Fora isso, quando uma GUARDIÃ DE ORIXÁ está na cozinha do santo (que deverá estar muito limpa e na mais perfeita ordem) a GUARDIÃ deverá estar completamente vestida de branco, cabeça coberta, preparando os alimentos no mais profundo silencio, e sem nenhum tipo de interrupção. 

Na cozinha impecavelmente limpa, a Guardiã de ORIXÁ está em um momento “especial”, focada no seu trabalho e nos fundamentos específicos do Candomblé para o correto preparo daquele prato, sempre em posição de total respeito ao ORIXÁ

Muitas vezes também acontece do próprio ORIXÁ que vai receber aquele EBÓ “encostar suas energias” na Guardiã e solicitar alguma alteração em determinada preparação. 

Mas o maior problema está na hora de “arriar um EBÓ”, pois esta é uma ação ritualística, um processo detalhado de aproximação e de maior troca de energias com o ORIXÁ. Somente as pessoas iniciadas na religião é que podem e devem fazê-lo pois arriar um EBÓ envolve um conhecimento muito profundo do lugar, do dia e da hora que isso deve ser feito. 

Eu sempre costumo dizer que “arriar um EBÓ” significa perpetuar a troca do AXÉ entre os dois mundos, o sagrado e o profano. É a parte dinâmica das transferências entre o ORIXÁ e a pessoa que necessita aquele EBÓ

By BABALORIXÁ PAULO DE OMULU. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A CASA DE OXUMARÊ


Amados amigos esta postagem foi retirada do BLOG OFICIAL DA CASA DE OXUMARÊ, no endereço: http://www.casadeoxumare.com, datado em 19/05/2012. Onde vemos de fato que a importância de conhecermos a família a quem pertencemos e juntos contribuir com um verdadeiro CANDOMBLÉ, nos faz crescer em graça e união. 

Ontem, 18 de maio de 2012, Babá Pecê de Oxumarê, acompanhado de comitiva integrada por Mae Tânia de Oxossi, Babá Egbé Leandro de Oxumarê, André Luis Nascimento, Ogã de Xangô, Edelamare Melo e Frederico Lacerda, respectivamente Yaôs de Xangô e Oxaguiã, procederam à entrega oficial da atualização do laudo antropológico do ILÉ ÒSUMÀRÉ ÁRAKÀ ÀSÈ ÓGÓDÓ, a Casa de Oxumarê, a Dr. Carlos Amorim, Superintendente Regional do IPHAN na Bahia. O laudo é assinado pelo renomado antropólogo Ordep Serra, einstruído com Parecer Jurídico de Willis Santiago Guerra Filho, jusfilósofo e professor titular da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da PUC de São Paulo, além de arquivo digital do acervo da Casa. 

A desafiadora tarefa que envolveu esta produção bibliográfica foi possível graças a todos os filhos e filhas de Santo da Casa de Oxumarê e do apoio técnico-financeiro do IPHAN no contexto do Projeto "Memória e História da Casa de Oxumarê: Tradição Ancestral e Saber ", objeto do CONVÊNIO IPHAN N.º752168/2010, Processo nº. 01450.013541/2010-42. 

Produção bibliográfica única que, de forma inovadora e criativa própria da maestria de Ordep Serra, lança mão da utilização complementar de fontes escritas e orais, o que permite afirmar a presença de uma verdadeira e concreta interface entre história e etnografia que, cruzadas de forma crítica, permitiu a abertura de caminhos para compreensão da história do ILÉ ÒSUMÀRÉ ÁRAKÀ ÀSÈ ÓGÓDÓ e do seu legado material e imaterial para a preservação da história e cultura de África que não seriam possíveis a partir da utilização exclusiva da fonte documental. 

A Casa de Oxumarê se constitui em um importante templo religioso de matriz africana no qual se professa a religião do candomblé que, diferentemente do cristianismo, com a bíblia, e do islamismo com o Corão, não possui um livro revelado por Deus para ser utilizado como guia para os seus fieis. 

O candomblé é uma religião de transmissão oral do sagrado cujo conhecimento de seus segredos e preceitos, desde a sua origem,é reservado e transmitido a poucos que os merece receber, por suas qualidades ou designação dos Orixás, circunstância que, uma vez mais, sob o influxo inexorável da força do tempo, conduz à possibilidade de existência de dessemelhança entre o passado e o presente, o que contribui para a construção de um patrimônio cultural, material e imaterial único e marcado pela diversidade que afirma a sua identidade e a marca essencialmente plural na qual é construída a unidade do ILÉ ÒSUMÀRÉ desde a sua fundação. 

A atualização do laudo antropológico da Casa de Oxumarê teve como objetivos Mapear, sistematizar e preservar a memória, a história e os saberes detidos pela secular comunidade religiosa da Casa de Oxumarê e instruir o processo de tombamento n° 1498-T2, em curso no IPHAN há quase dez anos...o que nos remete à importância do fator tempo que, nas palavras de Caetano, é o "compositor de destinos e tambor de todos os ritmos", em especial do ritmo da existência e da vida das pessoas que formam parte da Associação Cultural e Religiosa São Salvador, personificação jurídica do secular Terreiro 

Tempo de existência do ILÉ ÒSUMÀRÉ com seu quase bicentenário histórico de luta e resistência em defesa do direito de professar com liberdade o candomblé, religião de matriz africana de culto aos orixás e voduns que tantas alegrias e dores trouxe a nossos ancestrais Talabi, Salakó, Antonio de Oxumarê, Cotinha de Ewá, Simplícia de Ogum, Nilzete de Yemanjá e, hoje traz a Babá Pecê de Oxumarê, e aos filhos e filhas de santo de ontem e de hoje.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A NAÇÃO KETU


*** Nação Ketú *** 

Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, uma das Religiões afro-brasileiras. 

No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes. 

** Casa Branca do Engenho Velho ** 

Casa Branca do Engenho Velho, Sociedade São Jorge do Engenho Velho ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká é considerada a primeira casa de candomblé aberta em Salvador, Bahia. Constituído de uma área aproximada de 6.800 m², com as edificações, árvores e principais objetos sagrados. É o primeiro Monumento Negro considerado Patrimônio Histórico do Brasil desde o dia 31 de maio de 1984. 

Segundo os historiadores a princesa fundadora do Ilê Asé Ìyá Nassô Oká foi Ìyá Nassô vinda do reino de Alaketú. Ìyá Nassô foi pega e vendida como escrava pelos seus inimigos de outro reino. Ìyá Nassô foi trazida para Salvador - Bahia - Brasil, onde ela conseguiu se libertar e fundou o Ilê Asé Ìyá Nassô Oká que funcionava em uma roça na Barroquina. 

Ìyá Nassô foi iniciada para o culto, ainda na África por um velha escrava de seu reino (Não se sabe o nome). 

O Terreiro é de Oxóssi e o Templo principal é de Xangô. O Barracão que tem o nome de Casa Branca, é uma edificação alongada com várias divisões internas que encerram residências das principais pessoas do Terreiro, como também espaços reservados aos quartos de Òríxà, quarto de Axé, Salão onde se realizam as festas públicas, bem como a cozinha onde se preparam as comidas sagradas. Uma bandeira branca hasteada no Terreiro indica o carater sagrado deste espaço. No telhado do Barracão, símbolos de Xangô identificam o Patrono do Templo. 

** Terreiro dos Gantois ** 

Essa é outra casa de candomblé Djeje-Nagô, que também nasceu da Casa Branca do Engenho Velho, foi fundado por Maria Júlia da Conceição em 1849. 

O nome Gantois veio de um flamengo, originário de Gand que era o dono do terreno, onde o templo religioso foi consturído. O que diferencia o Gantois de outros terreiros tradicionais da Bahia, como o Ilê Asé Opô Afonjá, Casa Branca do Engenho Velho, Terreiro do Bogum e outros, é que a sucessão se dá pela linhagem e não através de escolha do jogo de búzios. 

O Gantois é um Candomblé familiar de tradição herefitária consanguinea, em que os reagentes são sempre do sexo feminino. 

A Ìyáloríxá mais conhecida dos Gantois foi a Mãe Menininha dos Gantois. Foi a quarta Ìyáloríxá do Terreiro dos Gantois e com certeza a mais famosa de todas as Sacerdotizas do candomblé Brasil. Foi sucessora de sua mãe Maria da Glória Nazarethe e foi sucedida por sua filha Mãe Cleusa Millet. 

** Ilê Asé Opô Afonjá ** 

Ilê Axé Opó Afonjá, (Casa de Força Sustentada por Afonjá), fundada por Eugênia Ana dos Santos. 

A história do Terreiro do Axé Opô Afonjá (outros Nomes: Terreiro de Candomblé do Axé Opô Afonjá; Ilê Axé Opô Afonjá) assim como a do Terreiro do Gantois, está intimamente vinculada ao Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho. 

Este é o terreiro mais antigo de que se tem notícia e o que, segundo vários autores, serviu de modelo para todos os outros, de todas as nações. Um grupo dissidente do Terreiro da Casa Branca, comandado por Eugênia Anna dos Santos, fundou, em 1910, numa roça adquirida no bairro de São Gonçalo do Retiro, o Terreiro Kêtu do Axé Opô Afonjá. 

A organização espacial do Axé Opô Afonjá mantém as caracteríticas básicas do modelo espacial típico do terreiro jejê-nagô. Esses mesmos elementos, são também encontrados nos terreiros da Casa Branca e do Gantois, apenas com uma diferença: no Axé Opô Afonjá o barracão é uma construção independente, ao passo que nos dois outros terreiros ele está incorporado ao templo principal.

COLETÂNEA O CANDOMBLÉ - A HIERARQUIA NO KETU

Como dei início com minhas palavras na postagem anterior, vamos de forma mais clara conhecer a HIERARQUIA existente nas casas de NAÇÃO KETU, seus nomes recebidos e o que fazem cada uma delas, para melhor compreensão de cada uma.


Hierarquia no candomblé Ketu

Iyá / Babá: significado das palavras iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai. 

Iyalorixá / Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira. 

Iyaegbé / Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia. 

Iyalaxé (mulher): Mãe do axé, a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual. 

Iyakekerê (mulher): Mãe Pequena, segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados. 

Babakekerê (homem): Pai pequeno, segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados. 

Ojubonã ou Agibonã: É a mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação. 

Iyamorô ou Babamorô: Responsável pelo Ipadê de Exu. 

Iyaefun ou Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iaôs. 

Iyadagan e Ossidagã: Auxiliam a Iyamorô. 

Iyabassê: (mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as comidas-de-santo. 

Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. 

Iyatebexê ou Babatebexê: Responsável pelas cantigas nas festas públicas de candomblé. 

Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas. 

Aiybá: Bate o ejé nas obrigações. 

Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê. 

Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya. 

Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar recolhido. 

Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé. 

Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hierarquia. 

Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Trabalha em conjunto com Iyalorixá / Babalorixá, iniciados e Ogans. Não pode errar. (não entram em transe). 

Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. (não entram em transe). Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. No Candomblé Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc. 

Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe). 

Ebômi ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho). 

Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. (em edição) 

Iaô: filho-de-santo (que já foi iniciado e entra em transe com o Orixá dono de sua cabeça), nem todo Iaô será um pai ou mãe de santo quando terminar a obrigação de sete anos. Ifá ou o jogo de búzios é que vai dizer se a pessoa tem cargo de abrir casa ou não. Caso não tenha que abrir casa o mesmo jogo poderá dizer se terá cargo na casa do pai ou mãe de santo além de ser um egbomi. 

Abiã ou abian: Novato. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação. 

Sarepebê ou sarapebê: é responsável pela comunicação do egbe (similar a relações públicas).

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T' OGUM - A HIERÁRQUIA

Motumbá meus irmãos e irmãs, bom dia e bom início de semana.


Sei que temos andado meio que afastados um pouco do BLOG, que implicou em algumas visitas constantes de nossos seguidores ou até pessoas que vêem aqui diariamente na expectativa de encontrar  sempre postagens novas e ter se deparado com dias em que não colocamos nada.

De fato nestes últimos dias estávamos meio que corridos atendendo um de nossos visitadores, que nos  solicitou a entrega de LEMBRANCINHAS para uma festa de 7 ANOS DE NANÃ, foi de fato corrido sim, mas ficamos felizes em atingir nosso objetivo que é de fato atender de acordo sempre com aquilo que nos solicitam e como é nossa meta: buscamos de fato e conseguimos fazer.

Mas neste período tenho sido levado a analisar uma realidade que tem acontecido aqui no BLOG é interessante como de uma hora pra outra a estatística de visitas diárias diminuiu; mas por sua vez o número de SEGUIDORES aqui do BLOG OLHOS DE OXALÁ aumentou.

Mas o que isto tem haver com o tema que buscamos nos adentrar no dia de hoje? Pois estaremos falando de HIERARQUIAS: CARGOS, FUNÇÕES e até posicionamentos que nos ligam diretamente a um ILÊ ASÉ em comum.

É interessante que esta diminuição tem acontecido tão logo após a exclusão de um dos CO-AUTORES de nosso BLOG, o qual particularmente, prefiro não citar nomes. Mas de fato eu me questiono, até quando temos de realmente OBEDECER a dita HIERARQUIA?

Bom a principio e pela lógica isto é de fato uma OBRIGATORIEDADE, mas toda lei e toda regra possui suas contradições. Pois a partir do momento em que você adentra uma família de asé, acredita-se em fatores que te levaram a procurar determinado ILÊ ASÉ para ali fazer morada de seu ORIXÁ, isto é fato. 

Mas acima de tudo, para permitir-se ser um "FILHO DE SANTO" de alguém, aquela pessoa ali seja no cargo de BABALORIXÁ ou YALORIXÁ; ou ainda "OGÃNS" que nasceram "pais" por escolha divina. Ou ainda "EKEDJIS", também já presenteadas pelos mesmos ORIXÁS, para exercer tal função, devem por OBRIGATORIEDADE darem testemunho de vida, fé e perseverança.

Tenho ouvido muito em se dizer, dita pessoa não para em casa alguma. Ou ainda, se você não se achar logo num ILÊ ASÉ isso acabará prejudicando seu CURRICULUM. Agora eu me questiono: entramos num ILÊ ASÉ para ter CURRICULUS ou para fazer unica e exclusivamente a vontade dos ORIXÁS?
Estamos dentro de uma CASA DE SANTO para apresentar um exemplar desfile de alegorias e fantasias, ou para aprender que ORIXÁ É PÉ NO CHÃO, na simplicidade, na obediência, na caridade e na devoção?

Eu mesmo, não fico numa dita CASA onde os seus dirigentes não seguem de fato o que se exige no mínimo que é dar exemplo de vida, devoção, amor e acima de tudo se querem submissão que se tornem submissos aos seus que usaram em seus ORIS o poder de suas NAVALHAS.

O BLOG OLHOS DE OXALÁ, como muitos já sabem busca de fato, antes de mais nada, ser instrutivo e levar até VOCÊ a realidade verdadeira do que vem a ser a nossa RELIGIOSIDADE. Mas nunca em defender ou admitir coisas erradas como temos visto hoje em dia, para denegrir a imagem seja do CANDOMBLÉ ou da UMBANDA SAGRADA.

Temos visto hoje em dia fotos e mais fotos de ORIXÁS com sapatinhos nos pés. Já vi, a foto de um ODÉ, coitado do ODÉ nessa hora, de chupeta na boca e ainda por cima todo paramentado. ORIXÁ, cortando bolo ou oferecendo cerveja, E DITO VIRADO NO SANTO. Já tenho visto principalmente no FACEBOOK, cenas onde POMBA GIRA vai no SHOPPING CENTER, fazer compras. Gente, até quando vou ver cenas deste tipo denegrindo a nossa RELIGIOSIDADE?

Bom ai entramos num outro assunto: de quem é a culpa? EU TE DIGO, dos BABALORIXÁS E YALORIXÁS

Primeiro pelo fato de quererem logo seus 7 anos completos, até alguns pulando etapas, para ter o status de ter esse cargo na cabeça. Muitas vezes, nem preparado ele(a) esta e se começa a fazer loucuras. Outros ainda buscam submissão dos que a ele(a) são confiados, mas submissos aos seus superiores nem são ou ainda nem sabem de que asé são. Uns dizendo que são ASÉ OXUMARÊ, outros dizendo que são ASÉ MURITIBA, mas já ouvi e isso não é raro, dizendo: sou ASÉ OXUMARÊ, mas com raízes do CANTUÁ. Gente que mistureba, é um perfeito furduncio o que estamos vendo hoje em dia.

Existem, pelo que eu saiba fundamentos que devem ser feitos com a pessoa presente: leitura de jogo de búzios, tirar um Ebó, dar um presente para seu ODÚ, ou ainda fazer um OBARA. Mas o progresso hoje em dia é tanto que se faz tudo a distância, via internet ou até via telefone. E isso é de fato obedecer TRADIÇÕES. Me desculpem os mais sábios, mas isto não esta de acordo com as TRADIÇÕES, quando mais em relaçaõ às HIERARQUIAS.

Mas enfim, estamos em tempos modernos. Mas sinceramente estou e sempre serei de acordo com as TRADIÇÕES antigas. Assim como o BLOG OLHOS DE OXALÁ, também. Por isso, que eu sempre falo, NÃO VISAMOS AQUI QUANTIDADES; MAS QUALIDADES.