quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T' OGUM

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ

Como tenho feito nas últimas vezes em que estive passando por aqui. Venho novamente nesta manha me direcionar a todos vocês, para de fato agradecer a presença de todos na minha vida, mesmo que para muitos ainda de forma virtual.

Pude perceber que o tema desta nova COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN, foi de fato muito bem visualizada. Mas já deixo claro que ainda hoje vem mais assuntos baseados no mesmo tema, dando uma continuidade.

Claro que para muitos, entre todos, alguns devem ter se perguntado: Mas o que tem haver a ORIXÁ OXUM com a vida de um ABIÃN. Eu posso dizer tem muito haver.

Nunca devemos nos esqueçer que OXUM é a Senhora de todos os RONKÓS, PEJIS, SABEJIS, enfim  seja lá a denominação que este espaço adquiriu na sua nação ou na sua realidade. E mesmo o ABIÃN, ser uma pessoa não iniciada, é justamente OXUM que já vai preparando aquele ser para logo, de acordo com a vontade dos ORIXÁS, seja ele qual for o regente daquele ORI, ela já vai preparando o caminho até o receber em seu útero, no caso o QUARTO DE SANTO.

Jamais podemos esqueçer que enquanto uma pessoa for ABIÃN, por mais que o JOGO DE BÚZIOS, também regido por OXUM e EXÚ, possam ter mostrado de quem será aquele ORI especificamente. Não devemos jamais esquecer que neste processo todas as cabeças são filhas de OXALÁ e de YEMANJÁ ( pai e mãe de todas as cabeças).

Após a pessoa, indivíduo, ter se adentrado no QUARTO DE SANTO e lá o seu ORIXÁ ter nascido. Ai sim, OXUM o entrega nos braços de YEMANJÁ, para que esta lhe direcione no seu destino de forma correta. Não é a toa que todos ao nos iniciarmos passamos pelo BORI, que é justamente a entrega à YEMANJÁ, SENHORA DE TODAS AS CABEÇAS, o destino daquele novo ser espiritual.

Então vemos que desde que o ABIÃN, vai abrindo seus horizontes, discernindo onde permitir o seu passo de INICIAÇÃO, OXUM, vai se fazendo presente. Preparando-o a se modelar para o novo passo de vida que o mesmo vai ter a seguir.

Desta forma, ressalto a todos a acompanharem o andamento desta COLETÂNEA em questão, mesmo que já tenham sido iniciados ou não. Para relembrarem, aos que já foram feitos, E AOS QUE NÃO, que vão se permitindo modelar para um novo processo de vida que é único, especial e marcante.

Lembrando que, como havia anteriormente prometido, hoje estaremos voltando com a postagem MENSAGEM DO DIA, a qual, ajudou muita gente a dar uma repensada nas suas situações de vida e que para muitos ainda acalentou em momentos de fragilidade, ou até, dando um verdadeiro "UP" para fazer da própria vida um pouco melhor.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - INICIAÇÃO RELIGIOSA E SOCIAL


Na história dos cultos afro-brasileiros existe uma categoria de pessoas que são determinadas ou classificadas de abian – uma palavra de origem yorubá que quer dizer Abi= “aquele que” e An= seria uma contração de onã, que quer dizer “caminho”. A junção destas duas palavras formou o termo abian, que quer dizer “aquele que começa um novo caminho”

Ou seja, o abian é aquele que está começando um novo caminho, uma nova vida espiritual. Esse é um momento de uma importância, pois, é nesse período que o noviço ou recém chegado tem contato com os já iniciados passando a observar os vários comportamentos e desempenhar também várias tarefas, sem exercer um maior envolvimento com a religião. 

Desta forma, entendemos que abian é um rito de passagem presente no cotidiano da religião de matriz africana, marcados por cerimônias que dentro do contexto representam igualmente a progressiva aceitação do iniciado e sua participação na comunidade na qual está inserido, considerando tanto o seu valor individual quanto o coletivo. 

Assim, é importante ressaltar as formas organizativas das sociedades africanas e como seu transplante pelo atlântico de forma escravizada enraizou-se na cultura dos povos negros no Brasil. Com isso, teremos a oportunidade de entender as formas de organização, mobilização e resistência dessa cultura nos seus variados aspectos sociais, culturais e educativos. 

Por isso, é importante de buscar na essência dessas culturas “primitivas” o significado histórico de suas organizações, de sua vida social, cultural e do seu processo educativo, para que de forma reflexiva possamos construir uma proposta de transformação social. E ainda o passado dessas culturas, atualizando-as a sua contemporaneidade e solidificando novas significações culturais e educativas tendo como foco uma passagem afirmativa para um futuro de igualdade racial. 

Diante disto, buscamos no rito de passagem de uma das mais antigas culturas africanas no mundo que é o candomblé, um significado do seu processo de iniciação abian, fazendo uma análise comparativa com o processo de ações afirmativas como fonte de educar para a igualdade racial na sociedade atual. No entanto, o processo de iniciação resulta na compreensão, no conhecimento e na prática no seu ciclo de passagem, levando a uma mudança de status e ao mesmo tempo trabalhando a personalidade e a desconstrução de padrões pré-estabelecidos e na construção de novos padrões que nortearão a sua conduta e existência. 

Os ritos de passagem servem como base e fonte de inspiração para uma análise reflexiva da sociedade atual, visto que, torna-se um objeto de variadas abordagens teóricas e possibilita descortinar um panorama muito mais amplo. Pois, suas diversas abordagens teóricas associadas às ações afirmativas como forma de educar para a igualdade racial demonstram a vitalidade da proposta como ferramenta conceitual para nos ajudar a compreender mais determinada sociedade, seus valores pensados e suas vivências. 

Desta maneira, o rito de passagem marca simplesmente a culminância do processo de cerimônia de iniciação, do teor da jornada iniciativa como sujeito de transformação individual e do seu processo de reconstrução da sociedade como forma de reparar prejuízos causados a populações excluídas do processo de desenvolvimento educacional, cultural, social e econômico. 

É neste contexto que fazemos uma relação entre abian, um ritual de passagem para ações afirmativas que visam combater os efeitos acumulados em virtude das discriminações ocorridas no passado e promover a educação para a igualdade racial. Essa relação dar-se através de um processo histórico que se inicia no século XVI, quando da cruzada forçada de milhões de negros pelos colonizadores para o Brasil, para trabalhar como escravos. 

Durante mais de 350 anos, a mão-de-obra escrava constituiu a principal força de trabalho no país e a base de toda atividade econômica. Mesmo após a abolição da escravidão os negros encontram até hoje no século XXI, dificuldade para integrar a sociedade brasileira, visto que, as reformas agrária e educacional não ocorreram e o acesso dos negros a escola e terra tornou-se bastante difícil. 

Compreendendo o significado do rito abian como aquele que tem que nascer de novo, pode-se traçar um paralelo com a história de organização da sociedade brasileira. Uma sociedade que se acostumou a superar obstáculos, a nascer e renascer para criar um novo cenário, por muito tempo escravocrata, dolorosa e inconseqüente. 

Vale ressaltar que a organização dessas sociedades africanas era inicialmente matriarcal e que se prolonga até os dias de hoje em algumas tribos do imenso continente africano. Esse ponto é importante e serve como reflexão da sociedade atual. Esta não se fundamenta no processo de inclusão tanto de gênero quanto de raça. 

Isso implica buscar uma análise, diante do propósito de pesquisa, que foca numa confluência de reflexões sobre o não aproveitamento das experiências de organizações sociais de outras culturas, provocando assim, uma construção incompleta de sociedade por conta de uma dicotomia entre sociedade democrática e exclusão da população negra do desenvolvimento social, político, econômico e cultural. Neste sentido, é extremamente relevante conhecer a história da África para o mundo e para a compreensão da sociedade brasileira. 

Devemos pensar que, a história da humanidade tem seu inicio no continente africano, é o que aponta as mais modernas pesquisas antropológicas e arqueológicas, sendo um ponto central a saga dos povos africanos em superar os obstáculos hostis e sua forte ligação com a natureza “criando sociedades resistentes capazes de no decorrer do tempo, suportar as agressões vindas das regiões mais favorecidas”. (SOUZA, 2008, P. 15) 

Com essa perspectiva, é salutar uma reflexão critica como forma de compreender o quanto é importante os estudos sobre a África nas escolas brasileiras e especificamente nas escolas do Estado de Sergipe. 

Um fator importante é a história cultural de matriz africana que traz marcas aprofundadas na formação e no desenvolvimento da sociedade brasileira como forma indelével da nossa identidade. Por isso, a necessidade de estudar a África e inserir como um novo olhar no conhecimento. Não refletindo, uma visão eurocêntrica e utópica como nos primeiros momentos da descolonização, mas sim na aplicação de uma metodologia diversificada e critica da realidade. 

Diante disto, assinalamos como elemento fundamental para o reconhecimento das necessidades históricas da população negra a implementação da Lei 10.639/03, que obriga todos os níveis de ensino ao “estudo da história da África, dos africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra e do negro na formação da identidade nacional.” (MUNANGA, 2006, P. 25). Assim, estabelecemos a Lei como instrumento de ligação entre um processo comparativo do Abian – um ritual de passagem para as ações afirmativas e a educação para a igualdade racial. 

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - CADA COISA AO SEU TEMPO


Amados (as) amigos (as), dentre minha jornada no CANDOMBLÉ fui reparando que existe sim um tempo pra tudo em qualquer situação, não somente na nossa vida pessoal, social ou profissional; mas também dentro de nossa vida religiosa. 

Vejam bem, a vida nos permite coisas as quais, temos de passar por elas sabendo lidar com cada situação de uma forma, jeito e modo diferente. Desde o tempo em que nascemos, passamos pela infância, o primeiro trabalho numa empresa, enfim, cada coisa no seu devido tempo e espaço. 

Sou neto de uma ialorixá, Mãe Rosa de Nanã. Nasci na África em Angola (CASO TENHAM DÚVIDAS TENHO FOTOS DISSO NO MEU FACEBOOK), filho de Maria Irene, filha de Iansã, a qual seria sucessora do Ilê de minha avó, mas que por escolha própria renunciou a esta função, passando para o encargo de meu tio Antonio de Omulu, cujo Ilê esta fincado no RIO DE JANEIRO, na cidade de NITERÓI

Já fui membro ativo no Candomblé, desde meus 11 anos, quando por intermédio das orações e ebós da FALECIDA MÃE CARMEM DE OXUM, Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo, fui curado de uma paralisia nas duas pernas decorrentes de um acidente auto-mobilístico, cujos resultados ainda hoje são desconhecidos da medicina, devido aos ligamentos dos dois joelhos estarem rompidos e ando, corro, pulo e salto. 

Mas mesmo tendo frequentado a casa dela durante 13 anos de minha vida, onde aprendi muitas coisas da RELIGIOSIDADE tanto do CANDOMBLÉ, como da UMBANDA SAGRADA, pois existiam as duas realidades nesta casa. Cuja movimentação era constante naquele barracão - manha, tarde e noite. 

Uma das coisas que mais me chamava a atenção nesta mulher era de fato o amor INCONDICIONAL aos ABIÃNS (carinhosamente chamados NOVIÇOS, por ela). Um carinho onde ela sentava contando suas histórias, colocando todos para estudar e trabalhar para já irem discernindo se seria a vida dentro de um ILE ASÉ, o certo para a vida de cada um deles. E este estágio com ela podia demorar dias, meses, anos. Pois um dos seus ensinamentos era: "TUDO TEM SUA HORA CERTA"

Hoje, após vários anos de seu falecimento, vejo na realidade do CANDOMBLÉ uma pressa de se iniciar logo um ABIÃN. Como se fazer um IAÔ fosse caso de baciada. E a coisa não funciona bem assim não. 

A iniciação é uma coisa séria, que deve ser pensada, avaliada, reavaliada pois é uma posição para a vida toda. Mas não podemos também esquecer que todos os grandes BABALORIXÁS E IALORIXÁS de hoje já foram também um dia ABIÃNS. Mas parece que isto esta caindo um pouco no esquecimento de muitos. 

De ABIÃN, até se chegar ao estágio de "mais velho", leva muito tempo. Mas muito tempo mesmo. Quanto mais para chegar à função de BABALORIXÁ ou IALORIXÁ, cargo este que não é para todo mundo. Existe uma escolha, escolha esta de 1 em 1000. Pois isso vem da escolha dos ORIXÁS e não meramente do nosso "BEM QUERER"

Vamos ver o que uma palavra tirada da BÍBLIA SAGRADA CATÓLICA, nos diz sobre isto. Quem quiser ler depois esta em ECLESIASTES, CAPÍTULO 3, VERSÍCULOS DE 1 ATÉ 8. Vamos lá: 

"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo de nascer, tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo pra rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para tirar pedras, tempo para juntá-las; tempo pra dar abraços, e tempo para apartar-se; tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra e tempo para a paz." 

Ou seja percebemos que de fato, tudo tem o tempo. Não importa se o seu tempo de ABIÃN (caso ainda esteja nesta situação) dure: um dia, uma semana, um mês, um ano ou vários anos. Mas tudo tem o tempo certo de acontecer. Assim como existe o tempo certo para um YAWÔ chegar a ser um EGBOMI

Nada mais são que exatamente SETE ANOS de puro aprendizado. Tempo que hoje, infelizmente, vemos muitos com pressa de chegar. Ao ponto de se atropelar as coisas. Buscando logo mesmo sem ter os seus ditos SETE ANOS seguir-se a fazer coisas como se já fossem os sábios e entendidos. 

Bom existe tempo pra tudo, inclusive de alertar que: "Jesus também falava: O REINO DOS CÉUS NÃO FOI FEITO PARA OS SÁBIOS E ENTENDIDOS. MAS PARA OS PUROS DE CORAÇÃO QUE SABEM OUVIR A VOZ DO MEU PAI"

Então queridos ABIÃNS, um conselho de propriedade própria. Não se da cabeça para qualquer pessoa. É a sua cabeça, a sua vida, o seu destino que esta em risco. Quer vir a ser um Yawô, ótimo seja mesmo. Mas busquemos ser Yawôs que zelem, que saibam esperar os tempos certos, com acima de tudo humildade. 

Não importa se você já tenha um dia, cinco anos, ou mais de ABIÃN. O ORIXÁ sabe a hora certa e o lugar certo para ele nascer. Faça essa escolha sabiamente, cautelosamente. Aprenda a namorar o lugar, pois o ORIXÁ vai mostrar de fato o lugarzinho certo para ser iniciado. E se você se sentir apressado, pressionado ou como que empurrado para dar logo seu passo de iniciação; cuidado ALI PODE NÃO SER O SEU LUGAR

Afinal tudo tem seu tempo.

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - O DISCERNIMENTO


( Trechos O Abiyan / O Adosu: Olòrisá) 

(...) O período de Abiyan é de suma relevância, principalmente para os de conta-lavada e o de obrigação de borí. É o período de experiência, digamos assim; podem refletir sobre as responsabilidades do filho de santo, de maneira apurada. Ver se é isto mesmo que desejam. 

Vão conhecendo o Egbé, pensando sobre a hierarquia, vivenciando o dia-dia 
do Ase. Devem observar o comportamento dos mais velhos, e dos Olóyè; falar pouco e abrir os ouvidos. Verificar de adaptam ao Ilê e a Iyálòrisa. 

O tempo mais significativo na vida de um filho-de-santo é este o de Abiyan. É temerário a iniciação imediata de pessoas completamente neófitos sobre a complicada hierarquia do Mundo dos Candomblés. Daí erros, arrependimento e acusações. Hoje em dia tem muita pressa de se infiltrar pelos os corredores de um terreiro, sem qualquer respaldo. 

Há iniciadores que, talvez por inexperiência, ganância e outras diferentes razões, voa logo botando os clientes no Quarto-de-Asé. Na maioria das vezes, isto não dá certo, acaba sendo motivo de arrependimento e frustrações para ambos os lados. 

Têm que haver vivência previa, antes. Em especial as pessoas mais esclarecidas e eruditas. 

No nosso Asé não dispensamos o período de Abiyan, salvo casos extremados, de vida ou morte. Cada caso é um caso... em geral o Orisá espera, se quer o melhor para o seu filho. Não cabe a nós julgar e, sim, orientar. A pressa é inimiga da perfeição. 

(...) Todos os iniciados têm de se conscientizar de que são a essência desta religião milenar, tão deturpada. São sacerdotes de Orisa, seu templo, a religião do Orun com a terra: passado, presente e futuro. (...) O Egbón ou Egbómi, expressão usual está, de direito apto a ser um iniciador, podendo participar do corpo de Olyé do terreiro. O conselho religioso é formado por Egbón, escolhido para o desempenho de determinadas funções. 

As Ojúbóna são Egbón apontadas para criar Iyáwó no Quarto-de-Asé: é importantíssimo o trabalho delas. São as “Mães-Criadeiras” do iniciado, responsáveis pelo aprendizado desenvolvido, em principio dos sete anos. Elas agem como intermediárias entre o Iyáwó e Iyálòrisa. Hierarquia é tudo: princípio, meio e fim. Sem ela, o caos... 

Trevas, desinteligência, falta de comando anarquia. Não é certo, pela hierarquia, que um Olòrisá vá ter com a Iyá, desprezando bons conselhos da Ojúbóna, a menos que esteja havendo alguma coisa terrível, muito errado: se a confiança que Sàngó e sua representante depositaram na mãe pequena do filho não estiver sendo correspondida. Então é preciso acertar tudo, o que é constrangedor e triste. 

Não tem sentido uma Adosu sem educação, ignorante, bruto, de nariz em pé, senhor da situação e da verdade. Existem três tipos de Adosu às avessas: o cabeça dura, o rebelde e o desinformado, mal orientado. O rebelde sofrerá muito vitima de si mesmo entregue a própria sorte. O desinformado poderá está sendo vitima de uma trama diabólica: a sonegação de informações e disciplina, como forma de agressão dos insatisfeitos e falsos, à figura da Iyálasé. 

“Estão vendo os filhos de Fulano? Não tem a mínima educação... por mim... eu mesmo! No meu tempo... e bla ,bla ,bla... “ 

O mais velho irresponsável está entregue à própria sorte. As conseqüências podem ser terríveis para omissão do maldoso ou covarde. Existe um dia, único dia, sem retorno, no qual o Adosu, por mais sábio que seja, depende dos outros... O julgamento é atroz. 

O Iyáwó, alem dos deveres dos filhos-de-santo assentados, é sujeito a outros tantos mais complexo. É necessário que saiba tudo a respeito da vida do terreiro: ciclo de festas, obrigações dos irmãos mais velhos, borí entrada de Iyáwó, asese. Deve participar na medida do possível, de diferentes obrigações, para que aprenda. 

Tem que aprender a dançar, cantar, responder os cânticos, comporta-se com dignidade, consideração, simpatia. Hoje é filho amanhã quem sabe? 

Em iniciação não se queimam etapas. Iyáwó que não viveu a vida de Iyáwó será um Egbón frustrado. Diga-se o mesmo para o Abiyan. (...) É lamentável um Iyáwó isolado dos demais, em virtude de seu comportamento reprovável, em desacordo às condições de Adosu. 

(...) Tudo por disciplina e, mais importante, amor! Talvez nem saibam o ase que adquirem... (...) É o cumulo a falta de traquejo. 

O bom senso é transmitido ou depende da sensibilidade de cada qual? A educação doméstica é trazida “de casa”. O novato sempre é novato na religião, tem que aprender o bê a bá. A hierarquia e a disciplina têm que ser mantida. O respeito aos Àgba é a essência da cultura Yoruba; as mensuras, saudações rituais, etc... quem ama o Ase deve evitar que pereça. Somos responsáveis por nossos atos. 

MARIA STELLA DE AZEVEDO SANTOS, 
EDITORA ODUDUWA, SÃO PAULO, 1993

COLETÂNEA OXUM, NOS CAMINHOS DO ABIÃN - A ESCOLHA CERTA


Tomei a liberdade de pegar uma das postagens do FACEBOOK, que na verdade, não era bem essa que eu queria. Mas como o sentido é o mesmo, esta me da liberdade para abordar este tema, o qual eu prefiro postar com minhas próprias palavras. 

Muitas e muitas vezes, tenho percebido situações quanto a dificuldade hoje em dia de se achar uma casa séria, verdadeira e com Axé. Hoje infelizmente tenho percebido uma grande quantidade de casas abertas, coisa que acho louvável, mas em certo ponto muito triste também e explico o motivo que falo isso. 

Pessoas despreparadas, pessoas sem ter seus anos de santo literalmente completos e se apresentando com a maior cara lavada como BABALORIXÁS ou YALORIXÁS, brincando não somente com a vida das pessoas mas com os ORIXÁS

A procura de uma casa certa, também já foi motivo de vários contratempos até mesmo na minha vida. Onde até comentários de uma pessoa que aprendi a gostar, mas por ver atitudes que não estavam de acordo com meu modo de ser, me entristeceram ao ponto de fazer questão de deletar da minha vida. Me fizeram ouvir este triste comentário: "Como pode uma pessoa viver 15 anos como Abiãn e não se iniciar logo de cara?" 

Bom, eu antes de mais nada, só posso dizer: "QUE PENA SOBRE ESTE COMENTÁRIO". Por que no bem da verdade, podemos ficar o tempo que quisermos como Abiãns. Pois nunca se deve entrar num ILÊ ASÉ, sem ter o mínimo de conhecimento sobre a procedência do local, a procedência do zelador (a) do local, enfim, são vários os aspectos que devemos por na balança para discernir se ali é ou não o local onde deve se dar o processo de iniciação. 

Na minha jornada de 40 anos de idade, já passei por lugares dos mais luxuosos aos mais simples. E no bem da verdade, percebia que não parava em lugar algum e sempre me questionava por isso. Mas os meus questionamentos nunca se preocuparam com isso pois sempre tive na minha concepção de quem escolheria a CASA CERTA, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, SERIA MEU ORIXÁ, no meu caso meu PAI OGUM e MEU PAI OXAGUIAN

Mas por que resolvi partilhar isso com vocês? Por um simples motivo, tenho visto hoje muitas casas apresentarem uma vasta oportunidade "falsa" para se iniciar pessoas para a RELIGIÃO. E isto não procede, pois o ORIXÁ sabe bem quem é que vai seguir o caminho de fato correto na RELIGIOSIDADE. E este ato impensado de forçar uma iniciação não vem de acordo com o que se via e se pratica nas verdadeiras CASAS DE AXÉ. Onde de fato não se visa uma quantidade de pessoas iniciadas (raspadas), mas sim uma QUALIDADE. Coisa que tenho percebido foi meio que colocada de lado. 

Nem todos nasceram para ter funções ou cargos, quanto mais, nem todo mundo nasceu para ser BABALORIXÁ ou YALORIXÁ. Me perdõem os meus mais velhos, MAS QUEM É DE AXÉ DE FATO, SABE MUITO BEM QUE ESTOU FALANDO O CERTO E COERENTEMENTE. Nem todos nasceram para ter uma casa aberta. 

Então meus amados, antes de tomar qualquer tipo de decisão, namorem primeiro muito bem a casa onde você pode estar participando. Analisar situações, ver o comportamento do(a) Zelador (a) e dos filhos da casa, é uma prática louvável. E se algo te incomodou, converse com quem de fato importa suas perguntas. Caso não esteja satisfeito, parta pra outro sem medo de ser feliz. 

Afinal como diz a mensagem, o que não podemos é desistir, pois se na sua vida esta destinado a ser e viver no Axé... pode ter certeza onde você estiver o seu ORIXÁ vai te levar direitinho onde ele quer ser iniciado ou dar sua obrigação. E se já esta numa CASA DE SANTO, seja na UMBANDA OU NO CANDOMBLÉ firme suas raízes, nunca pelas pessoas, mas sim pelo seu ORIXÁ

Afinal tudo que é feito por amor aos ORIXÁS, produz frutos 100 por 1.

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T' OGUM

Motumbá meus irmãos e irmãs do BLOG OLHOS DE OXALÁ.


Bom dia a todos. Com grande alegria venho hoje me dirigir a todos vocês para agradecer não somente a participação através de suas visitas diárias; mas agradecer também os comentários que estão aqui aparecendo relatando o quanto esta sendo bom este meio de comunicação para todos através de suas postagens.

Nada disso estaria acontecendo se não fosse você, que esta lendo estas minhas palavras, neste exato momento. Pois cada postagem, cada artigo ou até cada página foi exatamente pensada e repensada para que de forma clara todos estes assuntos pudessem chegar até você bem objetivamente.

É válido lembrar que muitas das postagens que ainda estamos postando aqui são da grade antiga, antes de darmos o passo de reformular a SEQÜÊNCIA dos assuntos em questão. Lembrando que desde Dezembro do ano passado (2012), até hoje, ainda estamos falando sobre OXUM. Mas seguindo este mesmo tema central estamos acoplando de fato, assuntos que na primeira vez foram esquecidos. 

Mais válido ainda é ressaltar que tudo que temos postado até agora é de uma forma bem básica, pois aprofundamentos mesmo de fato, só compete a cada BABALORIXÁ ou YALORIXÁ em questão para fazê-lo dentro de suas casas de Asé.

Hoje, estamos mais voltados aos assuntos que envolvem a hierarquia. Desde o tempo que todos ainda são ABIÃNS, passando para YAWÔS, até chegarem à idade de EGBOMIS. Buscando ressaltar que cada realidade em anos é um processo lento e que cada coisa no seu devido tempo deve ser seguido e aprendido. Evitando assim, situações como temos visto quanto a muitos quererem pular ETAPAS, que NÃO É E NEM PODE SER correto. 

Pois é válido lembrar que NEM TODOS nasceram para ser BABALORIXÁS ou YALORIXÁS. E muitos hoje em dia nem esperam o tempo devido para receber seus devidos direitos sacerdotais. E nisto o BLOG OLHOS DE OXALÁ, é literalmente contra. Buscando de fato manter, conservar e explicar, que cumprir seus devidos tempos e´de suma importância dentro de nossa religiosidade.

Para ser mais claro, assim como na RELIGIÃO CATÓLICA ou até mesmo na RELIGIÃO PROTESTANTE, para ser um PADRE OU UM PASTOR, o mesmo candidato tem de ter VOCAÇÃO para tão grande grau e função. Na nossa religião é a mesma coisa, cada um tem as suas vocações ou para exercerem cargos SACERDOTAIS ou para serem EGBOMIS. E outros ainda já nascem para serem OGÃNS OU EKEDJIS

Na religião CATÓLICA E PROTESTANTE, são exatamente oito (8) anos para se chegar ao SACERDÓCIO, na função de PADRE (catolicismo) e exatamente de 5 a 7, conforme a denominação religiosa PROTESTANTE, para se chegar ao cargo de PASTOR. Ou seja, tudo tem seu tempo. Na nossa religião é necessário o cumprimento das devidas OBRIGAÇÕES: INICIAÇÃO, OBRIGAÇÃO DE 1 (UM ) ANO, OBRIGAÇÃO DE 3 (TRÊS) ANOS E OBRIGAÇÃO DE 7 (ANOS). Todas devidamente arriadas. E mesmo assim, lembrando que quem escolhe a função ou cargo a ser exercido é o próprio ORIXÁ, através do JOGO DE BÚZIOS OU IFÁ, que determina conforme a sua vocação estabelecida. Nada mais, nada menos.

Então neste dia 15/01/2013, vamos de fato prestar muita atenção nas postagens que vamos aqui postar a fim de compreender melhor e buscar de fato cumprir as regras de acordo com a VOCAÇÃO estabelecida pelo seu ORIXÁ. Lembrando que OXUM, esta de fato, presente neste processo todo desde a INICIAÇÃO, sendo ela SENHORA DO ÚTERO, ou seja, SENHORA DO RONKÓ, SABEJÍ ou como muitos conheçem também chamado PEJI.

domingo, 13 de janeiro de 2013

COLETÂNEA FILHAS DE OXUM - MÃE MENININHA DE OXUM

Maria Escolástica da Conceição Nazaré (Salvador, Bahia, 10 de fevereiro de 1894 - 13 de agosto de 1986), conhecida como Mãe Menininha do Gantois, foi uma Iyálorixá (mãe-de-santo) brasileira, filha de Oxum.



Biografia 

Nasceu em 1894, no dia de Santa Escolástica, na Rua da Assembléia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, tendo como pais Joaquim e Maria da Glória. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria. 

Foi apelidada Menininha, talvez por seu aspecto franzino. “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar… Agora, dançava o candomblé com todos desde os seis anos”

Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê - em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena). Menininha seria sua sucessora na função de Iyalorixá do Gantois. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado. Por um curto período, enquanto a jovem se preparava para assumir o cargo, sua mãe biológica, Maria da Glória Nazareth, permaneceu à frente do Gantois. 

Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras. Sucessora de sua mãe, Maria da Glória Nazareth, foi sucedida por sua filha, Mãe Cleusa Millet. 

"Minha avó, minha tia e os chefes da casa diziam que eu tinha que servir. Eu não podia dizer que não, mas tinha um medo horroroso da missão (...): passar a vida inteira ouvindo relatos de aflições e ter que ficar calada, guardar tudo para mim, procurar a meditação dos encantados para acabar com o sofrimento". 

O terreiro, que inicialmente funcionava na Barroquinha, na zona central de Salvador, foi posteriormente, transferido para o bairro da Federação onde hoje é o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, na Avenida Vasco da Gama, do qual Maria Júlia da Conceição Nazaré sua avó também fazia parte. 

Com o falecimento da iyalorixá da Casa Branca Iyá Nassô, sucedeu Iyá Marcelina da Silva Oba Tossi. Após a morte desta, Maria Júlia da Conceição e Maria Júlia Figueiredo, disputaram a chefia do candomblé, cabendo à Maria Júlia Figueiredo que era a substituta legal (Iyakekerê) tomar a posse como Mãe do Terreiro. 

Maria Júlia da Conceição afastou-se com as demais discidentes e fundaram outra Ilé Axé, o (Terreiro do Gantois), instalando-se em terreno arrendado aos Gantois - família de traficantes de escravos e proprietários de terras de origem belga - pelo cônjuge de Maria Júlia, o negro alforriado Francisco Nazareth de Eta. Situado num lugar alto e cercado por um bosque, o local de difícil acesso era bem conveniente numa época em que o candomblé era perseguido pelas forças da ordem. Geralmente, os rituais terminavam subitamente com a chegada da polícia. 

Em 1922, através do jogo de búzios, os orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê confirmaram a escolha de Menininha, então com 28 anos. Em 18 de fevereiro daquele ano, ela assume definitivamente o terreiro. "Quando os orixás me escolheram eu não recusei, mas balancei muito para aceitar", contava. 

A partir da década de 1930, a perseguição ao candomblé vai arrefecendo, mas uma Lei de Jogos e Costumes, condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas. Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições. "Isso é uma tradição ancestral, doutor", ponderava a iyalorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. "Venha dar uma olhadinha o senhor também". 

Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. "Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas", analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia. 

Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé. 

Aos 29 anos, Menininha casou-se com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendente de escoceses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem. “Meu marido, quando me conheceu, sabia que eu era do candomblé… A gente viveu em paz porque ele passou a gostar de Candomblé. Mas, quando fui feita Iyalorixá, passamos a morar separados. No meu terreiro, eu e minhas filhas. Marido não. Elas nasceram aqui mesmo”.  

Em uma entrevista à revista Isto É, mãe Carmem conta que ela adorava assistir telenovelas, sendo que uma de suas preferidas teria sido Selva de Pedra. Era colecionadora de peças de porcelana, louça e de cristais, que guardava muito zelo. Não bebia Coca-Cola, pois certa vez lhe disseram que a bebida servia para desentupir os ralos de pias, e ela temia que a ingestão da bebida fizesse efeito análogo em si. 

Mãe Menininha do Gantois faleceu em Salvador em 1984 de causas naturais, aos 92 anos de idade.


Homenagens 

O terreiro está localizado na rua Mãe Menininha do Gantois (antiga rua da Boa Vista, renomeada em 1986), no Alto do Gantois, bairro da Federação, em Salvador. Após a sua morte, seus filhos deixaram seu quarto intacto, com seus objetos de uso pessoal e ritualísticos. O aposento foi transformado no Memorial Mãe Menininha e é uma das grandes atrações do Gantois.

COLETÂNEA FILHAS DE OXUM - MÃE NITINHA DE OXUM


Areonithe da Conceição Chagas ou Iyá Nitinha, nasceu na Bahia e é um dos mais tradicionais nomes do Candomblé brasileiro. Filha de Mãe de santo, Mãe Nitinha "fez o santo" aos quatro anos de idade, no tradicional terreiro da Casa Branca, onde nasceu Mãe Nitinha, professora primária e parteira da comunidade, foi Iyakekerê, Iyatebexê, Ojuodé e Iyalorixá em sua casa no Rio de Janeiro, Terreiro de Nossa Senhora das candeias em Miguel Couto na baixada fluminense. 

Em 2005, foi escolhida pelo governo brasileiro como representante do candomblé na comitiva multirreligiosa que participou, em Roma, das cerimônias funerais do Papa João Paulo II. Contudo, não conseguiu embarcar, perdeu o vôo por haver chegado atrasada. 

Mãe Nitinha se casou aos 14 anos, conseguiu que a família composta pelos filhos naturais e de criação, além de 12 netos, aprendesse a compartilhá-la com os fiéis que tanto a respeitavam. 

Em 2000, reconhecida a aposentadoria aos pais e mães de santo, Mãe Nitinha tornou-se a primeira a beneficiar-se com a medida. Morreu em 4 de fevereiro de 2008, quando foi enterrada com as vestes brancas e douradas de Mãe Oxun. 

Quem conheceu Mãe Nitinha diz que ela seguia à risca os passou ditados por Mãe Oxun, seu Orixá, pois cresceu dentro do terreiro, aprendendo orikís e cantigas. Iniciou-se muito cedo, por isso, sabia conduzir um candomblé como ninguém. 

Conheceu o presidente Lula no no Rio de Janeiro e, cerca de dez anos depois, foi escolhida para participar da comitiva ao enterro do Papa João Paulo II. Ao ser perguntada sobre o atraso no vôo, Mãe Nitinha dizia: "O santo mandou ficar"

Em vida, Mãe Nitinha foi mulher ilustre, importante dentro da comunidade e que se relacionava muito bem com outras religiões, sempre lutando pelas "mulheres do santo", tanto que em 2007, recebeu do presidente Lula a "Comenda do Rio Branco"

Mãe Nitinha não era apenas um exemplo de Iyalorixá, tinha poder nas decisões e a magia no olhar, foi incontestavelmente uma das maiores lideranças religiosas no Rio de Janeiro. 

Pesquisa: Revista Cultura Afro-Brasileira " Candomblé"

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T'OGUM

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.


Bom dia a todos. Com grande alegria, venho hoje, nesta manha de Domingo, partilhar com vocês alguns dos motivos que me fizeram ficar um pouco afastado do andamento de nosso BLOG. Mas que com toda a certeza, acredito que irão compreender.

Em primeiro lugar, como é do saber de muitos aqui. No final deste ano de 2012, fui viajar a trabalho, e cujo retorno eu já estaria me preparando para dar alguns passos importantíssimos em minha vida. Tanto na minha vida particular, bem como na vida do meu companheiro, Fernando T' Oxum.

Bom, tem horas que passamos por situações, as quais nos deixam tão chateados e nervosos que parece que hoje em dia ninguém se importa de fato com o ser humano. E sim, somente com uma questão: dinheiro.

Pois é 2012, pra mim, de fato foi um ano que posso dizer com todas as letras de muitas lutas, verdadeiras batalhas e que me trouxeram em algumas delas muitas lágrimas e uma tristeza fora do normal. Principalmente no lado espiritual. 

Neste ano, por resolução própria de Fernando, ele resolveu se iniciar ao Orixá. Quanto a isto fiquei imensamente feliz por este passo na vida dele. Mas por caminhos do destino, o mesmo entreguou sua cabeça a uma pessoa que mal conheçia, acarretando um problema enorme em nossas vidas. Pois de Oxum, ele passou a ser de Oxaguiãn. 

Não estou reclamando do Orixá plantado na cabeça dele, mas sim do modo que tudo foi feito e do que aconteceu com ele e com nossa vida a partir daí. Pois para uma pessoa que tinha todo o enxoval e tudo que era necessário para o Orixá dele. Tudo foi perdido, pois tiveram de assentar Oxaguiãn, como eu mesmo digo nas COCHAS, somente com uma sopeira, uma lasca de cristal, alguns idés e alguns búzios. Tudo tirado de outros Assentamentos de Orixás, que haviam sido desmontados neste dito Ilê Asé.

A partir daí, começou minha corrida contra o tempo para encontrar alguém que de fato pudesse cuidar dele de forma digna. Pois inclusive os atos, foram feitos todos de forma errada e de má fé. Onde a partir daí, Fernando começou a se tratar com uma pessoa que para mim era de suma credibilidade. Onde neste ano de 2013 o mesmo seria recolhido novamente para se concertar o que fora errado e assentar Oxum, a fim de ainda dar caminhos para a vida dele. Pois tudo a partir deste ocorrido ficou fechado.

Para minha surpresa, esta mesma pessoa que eu acreditava piamente, mudou literalmente seu modo de ser ao ponto de excluí-lo sem motivos aparentes do Ilê Asé. Desta forma, mais uma vez, a corrida contra o tempo aconteceu. E com isso, neste final de semana, após tantas lágrimas, batalhas, corridas contra o tempo. Fernando tem novamente seu ORIXÁ ascentado, comendo dignamente, através das Águas de Oxalá, pelas mãos de Mãe Ana de Ogum. Tornando-se de fato FERNANDO T' OXAGUIÃN.


Por estes motivos, é que venho aqui não somente partilhar estas situações. Mas aproveitar para pedir minhas mais sinceras desculpas por ter permitido o atraso das postagens do mesmo BLOG, em questão. Mas hoje, posso levantar minhas mãos aos Céus e agradecer do coração a Deus primeiramente, à Baba My Ogum e Baba My Oxaguiãn, que nunca me desampararam, mesmo quando o céu parece escurecer e não achar, digamos assim, uma luz no final do túnel.

Tenho ciência, que isto foi somente o primeiro passo de uma nova jornada. Afinal como ele bem já sabe, muitas outras coisas serão necessárias para corrigir o que fora feito de errado. Mas pelo menos, já é meio caminho andado.

Posso dizer que o problema pode ser grande sim, mas perder a esperança da vitória, nunca! E se você ao ler este depoimento, perceber que sua vida não está lá aquelas maravilhas. Eu posso dizer com todas as letras: NÃO DESISTA NUNCA! Pois a resposta, mais hora menos hora, ela chega.

Desta forma, meus irmãos. Aqui estamos novamente de fato, para dar andamento ao BLOG OLHOS DE OXALÁ, e que neste ano de 2013. Muitas vitórias, ainda possam vir e serem conquistadas.

Pedro T' Ogum.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

COLETÂNEA LENDAS DE OXUM - OXUM YPONDÁ E OPARÁ


Outra lenda conta: 

“Ypondá e Opará disputavam o mesmo amor. Em um determinado dia, Ypondá deu-se conta de que os olhos de Opará brilhavam muito quando avistava Erinlé, o Odé preferido de Ypondá. 

Ypondá muito faceira e perigosa, andava sempre armada com seu par de fisgas (espécie de arpão), chamou Opará até próximo a ela e pediu que se ajoelhasse Opará sem entender cumpriu o que a Osun mais velha solicitou, nesta fase Opará era uma espécie de dama de companhia de Ypondá. 

Opará muito jovem e bela sempre afoita e guerreira ficava sempre sentada aos pés de Ypondá ao abaixar-se Ypondá fisgou-lhe as duas vistas e arrancou fora tornando-se então Opará a Osun cega por isso dentro de seu Igbá põe-se um par de olhos. 

Onira revoltada com tal situação tenta comprar a briga de Opará, lançando raios contra Ypondá, e queimando os pés de minha senhora, Ypondá por sua vez muitíssimo inteligente mira o abebé dela contra os raios de Oyá e a cega também desde então Opará e Oyá guiam-se uma a outra, fazem companhia, sao inseparáveis. 

A esta Oya damos o nome de Onira que é uma Oya Olodo (ou seja das águas) mas veja bem existem dois caminhos de Opará: 

Opará Hubjebé a que vem com Oyá Opará Akurálonà, a que vem com Ogun.

COLETÂNEA LENDAS DE OXUM - OXUM ROUBA O SEGREDO DE EXÚ SOBRE IFÁ


Filha de Oxalá, Oxum sempre foi uma moça muito curiosa, bisbilhoteira, interessada em aprender de tudo. Como sempre fora mimosa e manhosa, além de muito mimada, conseguia tudo do pai, o deus da brancura. Sempre que Oxalá queria saber de algo, consultava Ifá. O Senhor da adivinhação, para que ele visse o destino a ser seguido. Ifá, por sua vez, sempre dizia à Oxalá: 

- Pergunte a Exu, pois ele tem o poder de ver os búzios! 

E este acontecimento se repetia a cada vez que Oxalá precisava saber de algo. Isto intrigou Oxum, que pediu ao pai para aprender a ver o destino. E Oxalá disse à filha: 

- Oxum, tal poder pertence a Ifá, que proporcionou a Exu o conhecimento de ler e interpretar os búzios. Isto não pode lhe dar! 

Curiosa Oxum procurou, então, uma saída. Sabia que o segredo dos búzios estava com Exu e procurou-o para lhe ensinasse. 

- Ensina-me, Exu! Eu também quero saber como se vê o destino. 

Ao que Exu respondeu: 

Não, não! O segredo é meu, e me foi dado por Ifá. Isso eu não ensino! 

Exu estava intransigente. Oxum sabia disso e sabia que não conseguiria não conseguiria nada com ele. Partiu, então, para a floresta, onde viviam as feiticeiras Yámi Oxorongá. Cuidadosa, foi se aproximando pouco a pouco do âmago da floresta. Afinal, sua curiosidade e a decisão de desbancar Exu eram mais fortes que o medo que sentia. 

Em dado momento deparou-se com as Yámi, empoleiradas nas árvores. Entre risos e gritos alucinantes, perguntaram À jovem Oxum: 

- O que você quer aqui mocinha? 

- Gostaria de aprender a magia! Disse Oxum, em tom amedrontado. 

- E por que quer aprender a magia? 

- Quero enganar Exu e descobrir o segredo dos búzios! 

As Yámi, há muito querendo “pegar Exu pelo pé”, resolveram investir na jovem Oxum, ensinando-lhe todo o tipo de magia, mas advertiram que, sempre que Oxum usasse o feitiço, teria que fazer-lhes uma oferenda. Oxum concordou e partiu. 

Em seu reino, Oxalá já se preocupava com a demora da filha que, ao chegar, foi diretamente ao encontro de Exu. Ao encontrar-se com este, Oxum insistiu: 

- Ensina-me a ver os búzios, Exu? 

- Não e não! Foi sua resposta. 

Oxum, então, com a mão cheia de um pó brilhante, mandou que Exu olhasse e adivinhasse o que tinha escondido entre os dedos. Exu chegou perto e fixou o olhar. Oxum, num movimento rápido, abriu a mão e soprou o pó no rosto de Exu, deixando-o temporariamente cego. 

- Ai! Ai! Não enxergo nada, onde estão meus búzios? Gritava Exu. 

Oxum, fingindo preocupação e interesse em ajudar, perguntou a Exu: 

- Eu os procuro, quantos búzios, formam o jogo? 

- Ai! Ai! São 16 búzios. Procure-os para mim, procure-os! 

- Tem certeza de que são 16, Exu? E por que seriam 16? 

- Ora, ora, porque 16 são os Odus e cada um deles fala 16 vezes, num total de 256. 

- Ah! Sei. Olha, Exu, achei um, ele é grande! 

- É Okanran! Ai! Ai! Não enxergo nada! 

- Olha, achei outro, é menorzinho. 

- É Eji-okô, me dê, me dê! 

- Ih! Exu,. Achei um compridinho! 

- E Etá-Ogundá, passa para cá.... 

E assim foi , até chegar ao ultimo Odu, Inteligente, oxum guardou o segredo do jogo e voltou ao seu reino. Atrás de si, deixou Exu com os olhos ardidos e desconfiados de que fora enganado. 

- Hum! Acho que essa garota me passou para trás! 

No reino de Oxalá, Oxum disse ao seu pai que procurara as Yámi, que com elas aprendera a arte da magia e que tomara de Exu o segredo do Jogo de Búzios. Ifá, o Senhor da adivinhação, admirado pela coragem e inteligência de Oxum, resolveu dar-lhe, então, o poder do jogo e advertiu que ela iria regê-lo juntamente com Exu. 

Oxalá quis saber ao certo o porquê de tudo aquilo e pediu explicações à filha. Meiga, Oxum respondeu ao pai: 

- Fiz tudo isso por amor ao Senhor, meu pai. Apenas por amor! 

“Ora Yê Yê, amor.... Ora Yê Yê, Oxum..."

COLETÂNEA LENDAS DE OXUM - A DESAVENÇA DE OXUM COM OBÁ


Oxum, Iansã e Obá eram esposas de Xangô. 

Muitos dizem que Oxum enganou Obá e a induziu a cortar a orelha e colocá-la no amalá de Xangô, criando, com isso, uma grande desavença entre ambas. Mas, na verdade, Obá apenas cortou sua orelha para provar seu amor a Xangô. Muitos difundiram este mito porque Oxum é a orixá da beleza e da juventude, ao passo que Obá tem mais idade e protege as mulheres dignas, idosas e necessitadas, além de trabalhar com Nanã. 

Quem afirmar que há uma desavença entre Oxum e Obá e que esta é a menos amada por Xangô está totalmente enganado, porque Obá é aquela mulher que fica ao lado do marido e que mais recebe o amor dele. 

Quanto ao fato de algumas qualidades lutarem entre si, não é por causa da "desavença", que nem é verdadeira, e sim porque as qualidades fazem uma representação de conflitos e guerras do tempo em que tais qualidades estavam na Terra. 

Do mesmo jeito que, se houver uma qualidade de Iansã que, quando viveu na Terra, teve uma guerra com Ogum, quando ambos incorporarem, representarão uma luta entre si, para mostrar que possuíam certa desavença, e um pouco da história do mundo. Vale lembrar que estamos falando dos ORIXÁS OBÁ E OXUM, e não de suas qualidades (caminhos)

Os orixás tiveram uma história aqui na Terra, e as qualidades, outra. Então, se Iansã tiver um conflito com Ogum, não podemos dizer que a Iansã (ORIXÁ) tem conflito com o Ogum (ORIXÁ), porque quem tem a desavença são suas qualidades, e não os orixás entre si.

COLETÂNEA LENDAS DE OXUM - OXUM E O CONSELHO DOS ORIXÁS


A lenda conta que: “Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. 

Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam em suas assembléias. 

Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhes então que, sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. 

De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que ela acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados”.

sábado, 5 de janeiro de 2013

CURSO DE DANÇAS AFRICANAS


POSTAGEM FEITA POR BABALORIXÁ EDSON DE OXUM 

Curso direcionado as pessoas do Axé interessadas em aprender ou se aprimorar nos toques de louvação e invocação do Candomblé: Oguêra - Agueré – Oguelê – Alujá – Igexá e vários outros que compõem o vasto repertório da musicalidade ritualista de Matriz Africana. 

As inscrições estão abertas e o início das aulas esta previsto para janeiro 2013 conforme a formação dos grupos (Terça - Sábado). As vaga são limitadas e para efetivar sua participação o interessado deverá efetuar o pagamento da taxa de inscrição de R$ 100,00. 

O curso completo tem duração de aproximadamente 10 meses - conforme a dedicação e desempenho do próprio aluno. (mensalidade R$ 80,00 incluso material, apostila e uso do atabaque). 

Na conclusão do curso os aprovados serão diplomados e receberão certificado de participação emitido pela ABRATU-Associação Brasileira dos Templos de Umbanda e Candomblé. 

Ministrante do Curso: Ogan Cris D´Omulu - Iniciado em 1998 no Ilê Axé Oxum Opara, ramificação do Ilê Alaketu Axé Ayrá (Axé Batistini). 

Supervisão: Babalorixá Edson D´Oxum - iniciado em 1986 do Axé Alaketu Ilê Owo Ponda filho do Ilê Alaketu Axé Ayrá (Axé Batistini). 

CONTATO: (11) 3453-6175 / 3895-1948 / 3895-1778 / abratu@abratu.com.br 

LOCAL DO CRUSO: RUA DOS SOROCABANOS 407 - IPIRANGA PROXIMO AO MUSEU 

DATA LIMITE PARA INSCRIÇÃO ATÉ DIA 15 DE DEZEMBRO OU CONFORME LIMITE DAS VAGAS. 

Liderenças Religiosas Guerreirasdoaxe 

RUA DOS SOROCABANOS 407 IPIRANGA-SP, São Paulo 

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T'OGUM

Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) do nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.


Com grande alegria estou de volta a São Paulo, depois de ter passado as festividades de final de ano, em São Lourenço, Minas Gerais. Mesmo que trabalhando pude ter oportunidade de passear um pouco, espairecer um pouco e me desligar das loucuras de um ano intenso trabalhando, mesmo que indo para esta cidade ainda a trabalho.

Como já havia comunicado a todos, ainda em viajem, pedi perdão pela demora e atraso de postar algo a respeito da continuidade das COLETÂNEAS, principalmente das QUALIDADES DE OXUM. Mas com alegria, pude fazer isto hoje.

Em relação à postagem sobre a DIVULGAÇÃO DO CURSO DE DANÇAS AFRO, por BABALORIXÁ EDSON DE OXUM. A mesma foI excluída, até este momento em que estou me direcionando a vocês, posicionando-os a respeito dos motivos da ausência de novas postagens. Mas assim que esta postagem chegar até você tenham certeza, de que, as mesmas voltarão ao ar. Bem como o vídeo de BABALORIXÁ KLEBER DE OGUM, com o mesmo tema, sobre as previsões para 2013.

COLETÂNEA QUALIDADES DE OXUM - OXUM IPETU


YEYE PETU (IPETU) é uma Oxum de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Ossaiyn e principalmente a Oyá dada a sua ligação com Egun.

Qualidade de Oxum que divide o mesmo Ori com Yansã. Gosta do cobre. Encaminha a Olorum os eguns dos afogados usando a coluna de água formada pelos ventos de sua porção Yansã.

Senhora do ibossé. Tem o domínio sobre o odor físico e material. Tem como símbolo o cheiro de abô e odores em geral.

COLETÂNEA QUALIDADES DE OXUM - OXUM KARÊ


Oxum nesta fase está ligada na interação de Ode Ibualamo, seu pai, o grande caçador, e sempre o acompanha nas caças pelas selvas. Karê é uma Oxum jovem, também ligada a Logunede, seu meio irmão.

Ela usa dois keles, um dourado e outro azul claro de Oxóssi e como detalhe um ofá pequeno, junto com braceletes, idés, búzios ...

Sua origem:

Kare é filha de Yemanjá com Odé Ibualamo, porém antes de se casar com Yemanjá, Ybualamo viveu com Oxum Yponda e deste casamento nasceu Logum Ede, porém existem também outras iton que contam que tanto Oxum Karê como Odé Karê seriam filhos somente de Yemanjá, nascidos de uma jogada errada de um obi.

Vamos ao iton:

Iyemanjá passeava pelas matas quando avistou de longe o pequeno Logun Edé. Ela ficou por horas admirando a beleza do pequenino. 

Foi até Orumilá, dizendo que queria ter um filho que fosse tão belo quanto ele. O sábio lhe disse que a criança era mágica e encantada, pois era fruto da união e do amor de seus pais. 

Da mesma forma Iyemonjá estava enlouquecida querendo ter um filho com tal encanto. Orumilá lhe disse que ela deveria pegar um obi, passá-lo no ventre e logo após jogar nas águas. E assim a rainha do mar foi até as águas mais belas e límpidas, passou o obi em seu ventre, mais na hora de jogar na cachoeira, ela atirou errado e o obi caiu em cima de uma pedra, que o dividiu ao meio, metade aindo nas águas e a outra metade no mato. 

E passando – se 9 meses, Iyemanjá deu a luz a um casal de gêmeos, e deu- lhes o nome de Oxum Karê e Odé Karê, e ambos eram tão belos e encantados como Logun Edé. 

As crianças cresceram travessas, Oxum se vestia como Odé, e Odé como Oxum, e por isso ninguém nunca sabia quem era quem. Aprenderam a arte da caça, por isso ambos levam o ofá ( arco e flecha ). 

Em sua aldeia, quando estava na temporada de caça, Oxum Karê ao invés de ficar lá com as mulheres preparando a colheita e a lenha, ela ia para as longas caçadas com seu irmão e com os demais caçadores de sua aldeia. 

Odé ao invés de caçar apenas nas matas com os outros, passou a se embrenhar pelos rios e cachoeiras se tornando junto dela um ótimo pescador... 

Assim o desejo de yemonjá se realizou, pois Orumilá lhe deu dois encantos caçadores das águas! Até hoje muitos acreditam que certa vez houve uma grande seca, acabando com os rios e animais, e por tamanha tristeza os Karê’s tornaram-se um só, juntando assim o obi novamente... Por isso os filhos de Karê são doces como Oxum e destemidos como Oxossi, por que são orixás individuais, mais quando necessário tornam – se uma só força, uma só magia, um só encanto!

COLETÂNEA QUALIDADES DE OXUM - OXUM ODO


Este tipo de OXUM, reina nas nascentes dos rios. A yawô dessa qualificação deve ser coberto com Alá e dentro do seu ibá cinco ovas de peixe. No fim do Orô, lava-se imediatamente o yawô ainda virado. Essa demarcação tem kizilas de ejé. 

É a Mãe das Ancestres; sendo muito parecida com Yemanjá. Veste branco e azul. Come com Oxalá e Yemanjá. Senhora dos perdões. Nas nascentes dos rios reside Yèyé Odó.

COLETÂNEA QUALIDADES DE OXUM - YPONDÁ (PONDÁ)



Yeye Yponda 
(esposa de Oxóssi Ibualama, guerreira e porta um leque) 

Rainha na cidade de Pondá, dona do rio Pondá, Yeye Ipondá rivaliza com yeye Opará quando seus rios se encontram. 

Yeye Ipondá é guerreira, vaidosa ao excesso, aponta sua espada para qualquer um e desafia o intruso. Muito ligada a Owárìs e Igbòálàmà, adora roupas douradas c/ branco e não responde no jogo mais de uma vez, ou seja, se ela responder entenda rápido pois ela não repetirá o que já respondeu. Se irrita ao ser puxada numa roda de candomblé, gosta de ser a primeira se tiver outra Oxum na sala e conte com ela sempre quando se tratar de uma criança. Não perdoa um filho que não respeita ou quebra os seus preceitos e sua liturgia. 

Ponda ou Ypondá ou Pandá: Esposa de Oxossi Ibualama. Porta um leque. É Mãe de Logun-Edé e com sua espada guerreia bravamente. Vive no mato com seu marido. Veste amarelo-ouro e azul-claro na barra da saia. Relacionada ao fogo e aos cemitérios, tem ligação com Egun. A pata é a sua maior quizila, seu bicho de fundamento é a tartaruga. É uma jovem da cidade de Iponda. Tem ligação com Ogum, Oyá, Oxossi e Oxaguiã. Come com Iyemonjá e Oxalá. Alguns dizem ser companheira de Omulu, muito feiticeira tendo ligação com o fogo.


sábado, 29 de dezembro de 2012

PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T'OGUM

Motumbá meus irmãos e irmãs. Bom dia.

Sei que para muitos é estranho estes dias todos sem uma postagem nova dando sequencia aos nossos estudos sobre MAMÃE OXUM. Mas aqui estou hoje, aqui, num leve espaço de tempo para lhes dar uma satisfação.

Estou atualmente em Minas Gerais, na linda cidade de São Lourenço, numa viajem de serviço. Como o tempo aqui é corrido entre treinamentos, férias de funcionários, workshops, ficou de fato difícil de entrar aqui para realizar qualquer tipo de postagem referente a sequencia de nosso tema central - OXUM.

Mas logo tudo voltará ao normal e espero piamente que vocês compreendam esta minha atual realidade. Tão logo eu retorne para meus afazeres normais garanto que tudo voltará ao normal. Mas assim que for tendo um tempinho mais livre eu venho aqui e posto alguma coisa sem fugir de nossos temas fundamentados na pessoa mágica de nossa tão amada Yabá Oxum.

Espero claro que todos tenham tido um Santo e abençoado Natal, mas espero também que o Ano de 2013 que se aproxima rapidamente, seja de fato uma nova chance de mil vitórias na vida de cada um.

É o que desejo carinhosa e respeitosamente a todos os amigos, EQUIPE OLHOS DE OXALÁ, CO- AUTORES, visitantes, seguidores de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ.