domingo, 2 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - A MUSICALIDADE



Música 

A música é um componente fundamental da capoeira. Introduzida como forma de ludibriar os escravizadores, fazendo-os acreditar que os escravos estavam dançando e cantando, quando na verdade estavam desenvolvendo e treinando uma arte-marcial para se defenderem. Componente fundamental de uma roda de capoeira, ela determina o ritmo e o estilo do jogo que é jogado. 

A música é criada pela bateria e pelo canto (solista ou em coro), geralmente acompanhados de um bater de palmas. A bateria é tradicionalmente composta por três berimbaus, dois pandeiros e um atabaque, mas o formato pode variar excluindo-se ou incluindo-se algum instrumento, como o agogô e o ganzuá. Um dos berimbaus define o ritmo e o jogo de capoeira a ser desenvolvido na roda. Desta maneira, é a música que comanda a roda de capoeira, não só no ritmo mas também no conteúdo. 


Canções 

As canções de capoeira são divididas em partes solistas e respostas do coro, formado por todos os demais capoeiristas presentes na roda. Dependendo do seu conteúdo podem ser classificadas como ladainhas, chulas, corridos ou quadras. 

A ladainha, ou lamento, é utilizada unicamente no início da roda de capoeira. Parte do longo grito iê, seguido de uma narrativa solista cantada em tom solene. Geralmente é cantada pelo capoeirista mais respeitado ou graduado da roda. Neste momento não existe jogo, não se bate palmas e alguns instrumentos não são tocados. 

A narrativa é seguida pelas homenagens tradicionais feitas pelo solista (a Deus, ao seu mestre, a quem o ensinou e mais qualquer personagem importante ou fator relevante à capoeira, como a malandragem), respondidas intercaladamente pela louvação do coro e pelo início das palmas e dos instrumentos complementares. O jogo de capoeira somente pode iniciar após o fim da ladainha. 

A chula é um canto em que a parte solista é muito mais longa do que a a resposta do coro. Enquanto o solista canta dez, doze, ou até mais versos, o coro responde com apenas dois ou quatro versos. A chula pode ser cantada em qualquer momento da roda. 

O corrido, forma musical mais comum da roda de capoeira, é um canto onde a parte solista e a resposta do coro são equivalentes, em alguns casos o número de versos do coro superando os versos solistas. Pode ser cantado em qualquer momento da roda e seus versos podem ser modificados e improvisados durante o jogo para refletir o que está acontecendo durante a roda, ou para passar algum aviso a um dos demais capoeiristas. 

A quadra é composta de um mesmo verso repetido quatro vezes, seja três versos solistas e uma resposta do coro, seja a parte solista e a resposta intercaladas. Pode ser cantada em qualquer momento da roda. 

As canções de capoeira têm assuntos dos mais variados. Algumas canções são sobre histórias de capoeiristas famosos, outras podem falar do cotidiano da comunidade. Algumas canções comentam o que está acontecendo durante a roda de capoeira, outras divagam sobre a vida ou um amor perdido. 

Outras ainda são alegres e falam de coisas tolas, cantadas apenas por diversão. Basicamente não existem regras e alunos são encorajados a criar suas próprias canções. Os capoeiristas mudam as canções frequentemente de acordo com o que ocorre na roda ou fora dela. 

Um bom exemplo é quando um capoeirista novato demonstra notável habilidade durante o jogo e o solista canta o verso "e o menino é bom", seguido pelo coro com o verso "bate palma pra ele". A letra da música é constantemente usada para passar mensagens para um dos capoeiristas, na maioria das vezes de maneira velada e sutil.

sábado, 1 de dezembro de 2012

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - A RODA DE CAPOEIRA

Dando continuidade ao conteúdo da nossa coleção OXÓSSI E A CAPOEIRA, aqui postamos mais um pouco desta complexa realidade esportiva, que para muitos se trata de um esporte meramente, mas com grandes fundamentos e preceitos de nosso CANDOMBLÉ. Vejamos: 

Roda de capoeira


A roda de capoeira é um círculo de capoeiristas com uma bateria musical em que a capoeira é jogada, tocada e cantada. A roda serve tanto para o jogo, divertimento e espetáculo, quanto para que capoeiristas possam aplicar o que aprenderam durante o treinamento. 

Os capoeiristas se perfilam na roda de capoeira cantando e batendo palmas no ritmo do berimbau enquanto dois capoeiristas jogam capoeira. O jogo entre dois capoeiristas pode terminar ao comando do tocador de berimbau ou quando algum outro capoeirista da roda compra o jogo, ou seja, entra entre os dois e inicia um novo jogo com um deles. 

Em geral, o objetivo do jogo da capoeira não é o nocaute ou destruir o oponente. O maior objetivo do capoeirista ao entrar em uma roda é a queda, ou seja, derrubar o oponente sem ser golpeado, preferencialmente com uma rasteira. 

Na maioria das vezes, entre o jogo de um capoeirista mais experiente e um novato, o capoeirista experiente prefere mostrar sua superioridade marcando o golpe no oponente, ou seja, freando o golpe um instante antes de completá-lo. Entre dois capoeiristas experientes o jogo poderá ser muito mais agressivo e as consequências mais graves. 

A ginga é o movimento básico da capoeira, mas além da ginga são muito comuns os chutes em rotação, rasteiras, floreios (como o aú ou a bananeira), golpes com as mãos, cabeçadas, esquivas, acrobacias (como o salto mortal), giros apoiados nas mãos ou na cabeça e movimentos de grande elasticidade.

O batizado 


O batizado é uma roda de capoeira solene e festiva, onde alunos novos recebem sua primeira corda e demais alunos podem passar para graduações superiores. 

Em algumas ocasiões pode-se ver formados e professores recebendo graduações avançadas, momento considerado honroso para o capoeirista. O batizado parte ao comando do capoeirista mais graduado do grupo, seja ele mestre, contramestre ou professor. Os alunos jogam com um capoeirista formado e devem tentar se defender. 

Normalmente o jogo termina com a queda do aluno, momento em que é considerado batizado, mas o capoeirista formado pode julgar a queda desnecessária. No caso de alunos mais avançados, o jogo poderá ser com mais de um formado, ou até mesmo com todos os formados presentes, para as graduações avançadas. 

O apelido 

Tradicionalmente o batizado seria o momento em que o capoeirista recebe ou oficializa seu apelido, ou nome de capoeira. A maioria dos capoeiristas passa a ser conhecida na comunidade mais pelos seus respectivos apelidos do que por seus próprios nomes. Apelidos podem surgir de inúmeros motivos, como uma característica física, uma particular habilidade ou dificuldade, uma ironia, a cidade de origem, etc. 

O costume do apelido surgiu na época em que a capoeira era ilegal. Capoeiristas evitavam dizer seus nomes para evitar problemas com a polícia e se apresentavam a outros capoeiristas ou nas rodas pelos seus apelidos. Dessa forma um capoeirista não poderia revelar os nomes dos seus companheiros à polícia, mesmo que fosse preso e torturado. Hoje em dia o apelido continua uma forte tradição na capoeira, apesar de não ser mais necessário.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - OS MESTRES DA ATUALIDADE

Vamos nos adentrar um pouco mais quanto aos grandes mestres desta prática, que vem desde os tempos primórdios dos escravos negros, como nosso tão amado CANDOMBLÉ veio, superando séculos e lutas sem fim.

Capoeira de Angola


Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha), fundou a primeira escola de capoeira Angola legalizada pelo governo baiano.


Mestre João Pequeno, aluno de Pastinha, é o mais velho e reconhecido mestre da capoeira Angola de Pastinha em atividade.


Mestre João Grande, aluno de mestre Pastinha, um dos mais reconhecidos mestres de capoeira Angola em atividade, comanda ainda hoje seu grupo na cidade de Nova Iorque.


Mestre Nô, (Norival Moreira de Oliveira), fundador dos grupos Retintos, Orixás da Bahia, Capoeira Angola Palmares e da associação Brasileira Cultural de Capoeira Palmares (ABCCP).


Camafeu de Oxóssi, foi um mestre de capoeira e figura de destaque no candomblé baiano. Vide postagem: PERSONALIDADES DE OXÓSSI.


Mestre Burguês, fundador da federação Paranaense de capoeira em 1985. Teve dezenove CDs de capoeira produzidos.


Mestre Camisa Roxa (Edvaldo Carneiro e Silva), aluno de Bimba, grão-mestre do grupo Abadá, divulgador da capoeira no exterior.


Mestre Celso Carvalho Nascimento, mestre carioca, sendo-lhe atribuído um estilo único, um dos mais antigos capoeiristas do Rio de Janeiro em atividade.


Mestre Mão Branca (William Douglas Guimarães), mestre mineiro fundador do grupo Capoeira Gerais, que propaga a capoeira para mais de 22 países.


Mestre Peixinho (Marcelo Azevedo Guimarães), mestre do Rio de Janeiro, fundador do centro Cultural Senzala de capoeira.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - CAPOEIRISTAS HISTÓRICOS

CAPOEIRISTAS HISTÓRICOS


Besouro Mangangá, ou Besouro Preto, capoeirista baiano do século XIX, reconhecido como exímio lutador, imortalizado nas músicas da capoeira e recentemente retratado em um longa-metragem com seu nome.


Manduca da Praia, temido capoeirista no Rio de Janeiro do século XIX.


Madame Satã, polêmico capoeirista do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX, sua vida foi retratada em filme.


Mestre Waldemar, representante da capoeira da periferia de Salvador, foi alvo de vários estudos acadêmicos durante os anos 1950, inventor das ladainhas.


Mestre Adenina, lutou pela libertação dos escravos. Rosa Palmeirão, primeira mulher a adentrar no mundo da Capoeira, conhecida e respeitada capoeirista de Salvador, reconhecidamente hábil e bela. Dela se dizia que numa briga teria derrotado seis homens ao mesmo tempo, que teria escapado doze vezes da prisão e que navegava como um homem.

CAPOEIRA REGIONAL


Mestre Bimba (Manoel dos Reis Machado), criador da capoeira regional.


Mestre Ezequiel, para muitos Mestre Sombra, aluno de Bimba, divulgou a capoeira pelo mundo e foi um de seus maiores cantadores e compositores.


Dr. José Cisnando Lima, vereador e aluno de Bimba, auxiliou o mestre no estabelecimento das bases da luta regional baiana.


Mestre Capixaba, fundador da A.C.A.P.O.E.I.R.A., difundiu e difunde a capoeira nos cinco continentes.


Mestre Suassuna, fundador do Grupo Cordão de Ouro, pioneiro da capoeira Regional em São Paulo. Gravou um dos primeiros discos de capoeira.


Mestre Acordeon, aluno de Bimba, pioneiro da capoeira nos EUA, gravou varios discos de capoeira.


Mestre Camisa, Fundador do grupo A.B.A.D.A Capoeira, um dos maiores divulgadores da capoeira contemporânea.

PEDRO T'OGUM FALANDO SOBRE A COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA


Motumbá meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. Bom dia!!!

Novamente venho até você para agradecer sua presença, através de sua visita ao nosso BLOG. E como   não pude deixar de reparar, ontem ao checar as estatísticas das visualizações pude reparar em plena Quinta-feira, uma pequena queda nas devidas quantidades.

Sei que estamos no meio de uma COLETÂNEA que para muitos, podem claramente estar falando: Mas o que tem haver RELIGIÃO com CAPOEIRA. Válido lembrar que estou me referindo à COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA

Em primeiro lugar é interessante saber que ao estarmos lidando com este tipo de assunto, estamos voltando ao tempo em que nossos irmãos negros, que trouxeram nossa RELIGIOSIDADE e com ELA, nossos ORIXÁS. Trouxeram também suas tradições, costumes. Afinal pode-se mudar de país, e que como no caso destes forçadamente, devido ao tempo da escravidão no BRASIL, mas jamais deixar de lado suas reais ORIGENS.

A CAPOEIRA era parte integrante destas RAÍZES AFRICANAS. Acima de tudo é bom lembrar que naquela época tradicionalmente falando, tanto na ÁFRICA como aqui no BRASIL. Os primeiros membros que CRIARAM, digamos assim, a CAPOEIRA em nossa terra brasileira, eram filhos de OXÓSSI. O mesmo orixá caçador é também aquele que zela por toda a parte de esportes, sejam eles quais forem.

A própria luta dos negros daquela época em busca de sua liberdade, propriamente dita. Até os dias em que a CAPOEIRA, deixou de ser vista como uma afronta a Sociedade da época, tanto que era tida como crime. E hoje ser reconhecida pelo mundo todo inclusive será inserida nos JOGOS OLÍMPICOS DE 2016, aqui no BRASIL, seu país digamos de ORIGEM. E isto para todos que lutam pelas conquistas das RAÍZES DO POVO NEGRO é e será uma grande vitória também. Ter um esporte que em épocas atras tida como CRIME e hoje ser um orgulho OLÍMPICO para o mundo todo.

Desta forma, a COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA, visa descrever este processo que para a história de nosso BRASIL, bem como a todo POVO NEGRO é de supra importância. Pois esta diretamente ligado a toda RAÍZ AFRICANA de onde nossa RELIGIOSIDADE também surgiu, cresceu e se espalhou de forma bem distribuída pelo mundo todo. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - A LUTA REGIONAL BAIANA


Em 1932, um período em que a perseguição à capoeira já não era tão acentuada, mestre Bimba, exímio lutador no ringue e em lutas de rua ilegais, fundou em Salvador a primeira academia de capoeira da história. Bimba, ao analisar o modo como diversos capoeiristas utilizavam suas habilidades para impressionar turistas, acreditava que a capoeira estaria perdendo sua eficiência como arte marcial. Dessa forma, Bimba, com auxílio de seu aluno José Cisnando Lima, enxugou a capoeira, tornando-a mais eficiente para o combate e inseriu alguns movimentos de outras artes marciais, como o batuque.


Mestre Bimba também desenvolveu um dos primeiros métodos de treinamento sistemático para a capoeira. Como a palavra capoeira ainda era proibida pelo código Penal, Bimba chamou seu novo estilo de Luta Regional Baiana. 

Em 1937, Bimba fundou o centro de Cultura Física e Luta Regional, com alvará da secretaria da Educação, Saúde e Assistência de Salvador. Seu trabalho obteve aceitação social, passando a ensinar para as elites econômicas, políticas, militares e universitárias. Finalmente, em 1940, a capoeira saiu do Código Penal Brasileiro e deixou definitivamente a ilegalidade. Começou, então, um longo processo de des-marginalização da capoeira. 

Em pouco tempo a notoriedade da capoeira de Bimba demonstrou ser um incômodo aos capoeiristas tradicionais, que perdiam espaço e continuavam a ser malvistos. Esta situação desigual começou a mudar com a inauguração do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em 1941, por mestre Pastinha.


Localizado no Pelourinho, em Salvador, o centro atraía diversos capoeiristas que preferiam manter a capoeira em sua forma mais original possível. Em breve, a notoriedade do centro cunhou em definitivo o termo "capoeira angola" como nome do estilo tradicional de capoeira. 

O termo não era novo, sendo, já na época do império, a prática da capoeira apelidada, em alguns locais, de "brincar de angola" e diversos outros mestres que não seguiam a linha de Pastinha acabaram adotando-o. 

Atualmente 

Hoje em dia, a capoeira se tornou não apenas uma arte ou um aspecto cultural, mas uma verdadeira exportadora da cultura brasileira para o exterior. Presente em dezenas de países em todos os continentes, todo ano a capoeira atrai ao Brasil milhares de alunos estrangeiros e, frequentemente, capoeiristas estrangeiros se esforçam em aprender a língua portuguesa em um esforço para melhor se envolver com a arte. 

Mestres e contra-mestres respeitados são constantemente convidados a dar aulas especiais no exterior ou até mesmo a estabelecer seu próprio grupo. Apresentações de capoeira, geralmente administradas em forma de espetáculo, acrobáticas e com pouca marcialidade, são realizadas no mundo inteiro. 

O aspecto marcial ainda se faz muito presente e, como nos tempos antigos, ainda é sutil e disfarçado. A malandragem é sempre presente, capoeiristas experientes raramente tiram os olhos de seus oponentes em um jogo de capoeira, já que uma queda pode chegar disfarçada até mesmo em um gesto amigável. 

Símbolo da cultura afro-brasileira, símbolo da miscigenação de etnias, símbolo de resistência à opressão, a capoeira mudou definitivamente sua imagem e se tornou fonte de orgulho para o povo brasileiro. Atualmente, é considerada patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - A LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS


No fim do século XIX, a escravidão no Brasil era basicamente impraticável por diversos motivos, entre eles o sempre crescente número das fugas dos escravos e os incessantes ataques das milícias quilombolas às propriedades escravocratas. O império Brasileiro tentou amenizar os diversos problemas com medidas como a "Lei dos Sexagenários" e a "Lei do Ventre Livre", mas o Brasil inevitavelmente reconheceria o fim da escravidão em 13 de maio de 1888 com a "Lei Áurea", sancionada pelo parlamento e assinada pela Princesa Isabel. 

Livres, os negros viram-se abandonados à própria sorte. Em sua grande maioria, não tinham onde viver, onde trabalhar e eram desprezados pela sociedade, que os via como vagabundos. O aumento da oferta de mão de obra europeia e asiática do período diminuía ainda mais as oportunidades e logo grande parte dos negros foi marginalizada e, naturalmente, com eles a capoeira. 

Foi inevitável que diversos capoeiristas começassem a utilizar suas habilidades de formas pouco convencionais. Muitos começaram a utilizar a capoeira como guardas de corpo, mercenários, assassinos de aluguel, capangas. 

Grupos de capoeiristas conhecidos como maltas aterrorizavam o Rio de Janeiro. Em pouco tempo, mais especificamente em 1890, a República Brasileira decretou a proibição da capoeira em todo o território nacional, vista a situação caótica da capital brasileira e a notável vantagem que um capoeirista levava no confronto corporal contra um policial. 

Devido à proibição, qualquer cidadão pego praticando capoeira era preso, torturado e muitas vezes mutilado pela polícia. A capoeira, após um breve período de liberdade, via-se mais uma vez malvista e perseguida. Expressões culturais como a roda de capoeira eram praticadas em locais afastados ou escondidos e, geralmente, os capoeiristas deixavam alguém de sentinela para avisar de uma eventual chegada da polícia.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - OS QUILOMBOS


Não tardou para que grupos de escravos fugitivos começassem a estabelecer assentamentos em áreas remotas da colônia, conhecidos como quilombos. Inicialmente assentamentos simples, alguns quilombos evoluíam atraindo mais escravos fugitivos, indígenas ou até mesmo europeus que fugiam da lei ou da repressão religiosa católica, até tornarem-se verdadeiros estados multiétnicos independentes. 

A vida nos quilombos oferecia liberdade e a oportunidade do resgate das culturas perdidas à causa da opressão colonial. Neste tipo de comunidade formada por diversas etnias, constantemente ameaçada pelas invasões portuguesas, a capoeira passou de uma ferramenta para a sobrevivência individual a uma arte marcial com escopo militar. 

O maior dos quilombos, o Quilombo dos Palmares, resistiu por mais de cem anos aos ataques das tropas coloniais. Mesmo possuindo material bélico muito aquém dos utilizados pelas tropas coloniais e geralmente combatendo em menor número, resistiram a, pelo menos, 24 ataques de grupos com até 3 000 integrantes comandados por capitães do mato. 

Foram necessários dezoito grandes ataques de tropas militares do governo colonial para derrotar os quilombolas. Soldados portugueses relataram ser necessário mais de um dragão (militar) para capturar um quilombola, porque se defendiam com estranha técnica de ginga e luta. O governador-geral da Capitania de Pernambuco declarou ser mais difícil derrotar os quilombolas do que os invasores holandeses.

COLETÂNEA OXÓSSI E A CAPOEIRA - HISTÓRIA E ORIGENS


A capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura arte-marcial, esporte, cultura popular e música. 

Desenvolvida no Brasil principalmente por descendentes de escravos africanos com alguma influência indígena, é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas, joelhadas, cotoveladas, acrobacias em solo ou aéreas. 

Uma característica que distingue a capoeira da maioria das outras artes marciais é a sua musicalidade. Praticantes desta arte marcial brasileira aprendem não apenas a lutar e a jogar, mas também a tocar os instrumentos típicos e a cantar. Um capoeirista experiente que ignora a musicalidade é considerado incompleto. 

A palavra capoeira é originária do tupi-guarani, que significa "o que foi mata", através da junção dos termos ka'a ("mata") e pûer ("que foi"). Refere-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil onde era praticada agricultura indígena. Acredita-se que a capoeira tenha obtido o nome a partir destas áreas que cercavam as grandes propriedades rurais de base escravocrata. Capoeiristas fugitivos da escravidão e desconhecedores do ambiente ao seu redor, frequentemente usavam a vegetação rasteira para se esconderem da perseguição dos capitães-do-mato. 

Outras expressões culturais, como o maculelê e o samba de roda, são muito associadas à capoeira, embora tenham origem e significados diferentes. 

História 

A história da capoeira provavelmente começa com o início da escravidão africana no Brasil. A partir do século XVI, Portugal começou a enviar escravos para as suas colônias, provenientes primariamente da África Ocidental. O Brasil, com seu vasto território, foi o maior receptor da migração de escravos, com quase quarenta por cento de todos os escravos enviados através do Oceano Atlântico. Os povos mais frequentemente vendidos no Brasil faziam parte dos grupos sudanês (composto principalmente pelos povos Iorubá e Daomé), guineo-sudanês, dos povos Malesi e Hausa e do grupo banto (incluindo os kongos, os Kimbundos e os Kasanjes), provenientes dos territórios localizados atualmente em Angola, Congo e Moçambique. 

A capoeira ainda é motivo de controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento e o início do século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis com descrições sobre sua prática. 

Origem 

No século XVI, Portugal tinha um dos maiores impérios coloniais da Europa, mas carecia de mão de obra para efetivamente colonizá-lo. Para suprir este déficit, os colonos portugueses, no Brasil, tentaram, no início, capturar e escravizar os povos indígenas, algo que logo se demonstrou impraticável. A solução foi o tráfico de escravos africanos. 

A principal atividade econômica colonial do período era o cultivo da cana-de-açúcar. Os colonos portugueses estabeleciam grandes fazendas, cuja mão de obra era primariamente escrava. O escravo, vivendo em condições humilhantes e desumanas, era forçado a trabalhar à exaustão, frequentemente sofrendo castigos e punições físicas. Mesmo sendo em maior número, a falta de armas, a lei vigente, a discordância entre escravos de etnias rivais e o completo desconhecimento da terra em que se encontravam desencorajavam os escravos a rebelar-se. 

Neste meio, começou a nascer a capoeira. Mais do que uma técnica de combate, surgiu como uma esperança de liberdade e de sobrevivência, uma ferramenta para que o negro foragido, totalmente desequipado, pudesse sobreviver ao ambiente hostil e enfrentar a caça dos capitães-do-mato, sempre armados e montados a cavalo.

OLHOS DE OXALÁ - PALAVRAS DE PEDRO MANUEL T' OGUM

Motumbá a todos (as) meus (minhas) irmãos (ãs) de nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ. Bom Dia.

Com grande alegria estamos chegando ao final do mês de NOVEMBRO. E graças a Deus, através da força de OGUM E OXAGUIÃN, estamos de fato conseguindo conquistar nosso propósito: renovar a nossa grade de assuntos de nosso BLOG, referentes ao ORIXÁ OXÓSSI.

Nossa preocupação era de fato corrigir a seqüência da grade desde ABRIL para cá, até os dias atuais, pois achávamos que não iriamos dar conta em tempo hábil para as expectativas referentes a todos os assuntos decorrentes ao aprendizado BÁSICO deste ORIXÁ. E conseguimos chegar ao final do mês com 90% das postagens referentes a ele. 

Hoje, estamos finalizando este nosso propósito, totalizando então o dito 100% da mesma. Iremos abordar hoje temas que já foram postados quanto a LIGAÇÃO DE OXÓSSI COM A CAPOEIRA. Um assunto que já foi postado anteriormente e como faz parte da grade iremos postar novamente não permitindo que caísse no esquecimento.

Já estamos preparando o conteúdo para 2013, sobre a COLETÂNEA OXÓSSI APROFUNDAMENTO. Onde iremos falar sobre os PRETOS VELHOS DE OXÓSSI, os ERÊS DE OXÓSSI. Assuntos referentes a este ORIXÁ da CAÇA E DA FARTURA, na NAÇÃO DJEJE. Bem como cultos voltados a este ORIXÁ como as QUARTINHAS DE OXÓSSI, praticado principalmente na nação EFON. Assuntos como a ALVORADA DE OXÓSSI, culto muito efetuado na NAÇÃO KETU e uma vasta seqüência. Mas ainda fará parte deste MÓDULO, as CANTIGAS APROPRIADAS deste ORIXÁ, a fim de conheçê-las ainda mais. 

Esperamos piamente que estejam gostando da nova forma de estarmos abordando os assuntos e que continuem fazendo parte de nossa família.

Deixamos aqui um grande agradecimento ao nosso querido amigo BABALORIXÁ KLEBER DE OGUM, que com seu exemplo de humildade e de amor aos ORIXÁS, nos inspirando a cada vez mais buscarmos fazer a coisa certa.

Pedro Manuel de Ogum.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COLETÂNEA OXÓSSI CONHECIMENTOS GERAIS - A MORTE DE OXOSSI

Oxóssi morto por Oxumaré


Outra lenda de Oxóssi, conta que numa de suas inúmeras caçadas, sem que tivesse consultado antes Ifá, encontrou uma cobra no mato – Oxumarê. 

Ela lhe diz que não pode ser morta por ele, pois não é um bicho de penas, ele pouco se importou com o aviso, e matou-a com a lança, cortando-a em diversos pedaços e levando para casa para ele mesmo preparar um guisado, com o qual se refastelou. 

No dia seguinte, Oxum, sua esposa, prevendo muitas catástrofes, por causa da quebra de tantos tabus, encontra Oxóssi, deitado no chão morto e rastros de cobra que iam em direção a floresta. Oxum chorou tanto e tão alto que Ifá, condoído pela sua dor, fez Odé, o caçador, renascer sob a forma divina de Oxóssi.

COLETÂNEA OXÓSSI CONHECIMENTOS GERAIS - OXÓSSI É ENFEITIÇADO

Oxossi é enfeitaçado por Ossãe 



Oxóssi, em uma de suas caçadas, teria sido enfeitiçado pelo seu irmão Ossãe, apesar dos avisos de sua mãe Yemanjá, para que tivesse cuidado. Afasta-se da família até que o encanto seja quebrado, quando volta, encontra Yemanjá ainda irritada pela atitude do filho em não tê-la ouvido. Oxóssi volta a floresta sob a influência de Ossãe o que faz com que Ogum se rebele contra a própria mãe.

Este aprendeu todos os segredos da mata com seu irmão Ossãe e é ele quem defende o acesso às plantas, dificultando a penetração no mato daqueles que não tem o preparo devido.

COLETÂNEA OXÓSSI CONHECIMENTOS GERAIS - O CAÇADOR DE UMA FLEXA

OXÓSSI, O ORIXÁ DE UMA FLECHA SÓ 


Em tempos distantes, Odùdùwa, Obà de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura. 

De repente, um grande pássaro, (èlèye), pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando fardas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as Àjès (feiticeira, portadoras do pássaro), personificando seus poderes atravez de Ìyamì Òsóróngà. 

Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Oba então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. 

Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. 

Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. 

Por fim, já com todos sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha. 

Sua mãe Yemonjá, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, vez que três dos melhores caçadores falharam em suas tentativas. Indo se consultar com Ifá para Òsotokànsosó. 

Foi consultar os Bàbálàwo. Eles disseram que fizesse algumas oferendas. Que preparase um pouco de ekùjébú (grão muito duro) naquele dia. Como também tenha um frango òpìpì (frango com as plumas crespas). Com èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira). Nesta oferenda tinha de ter seis kauris. 

Yemonjá faz então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção. Isto deveria ser oferecido numa estrada, e que fosse recitado o seguinte: “Que o peito da ave receba esta oferenda”

Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abria sua guarda recebendo a oferenda ofertada por Yemonjá, recebendo também a flecha serteira e mortal de Òsotokànsosó. 

Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: “òsóòsì! òsóòsì!” (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje.

COLETÂNEA OXOSSI CONHECIMENTOS GERAIS - OXÓSSI APRENDE A ARTE DA CAÇA

Oxóssi aprende com Ogun a arte da caça 


Oxóssi é irmão de Ogum, tendo, pelo irmão, um afeto especial. 

Num dia em que voltava da batalha, Ogum encontrou o irmão temeroso e sem reação, cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras. Ogum vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança. Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos. Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer. 

Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranqüilizou com sua proteção. Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxiliá-lo. Ogum então ensinou Oxóssi a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas. 

Oxóssi aprendeu com o irmão a nobre arte da caça, sem a qual a vida é muito mais difícil. Ogum ensinou Oxóssi a defender-se por si próprio e o ensinou a cuidar da sua gente. Assim, Ogum, podia voltar tranquilo para a guerra. Ogum fez de Oxóssi o provedor. 

Oxóssi é o irmão de Ogun. 

Ogum é o grande guerreiro. 

Oxóssi é o grande caçador. 

Osòósì mata o grande pássaro.

COLETÂNEA OXÓSSI CONHECIMENTOS GERIAS - O CONSELHO ARAMEFA



Bom Dia, Arole Kole !! 

ARO LE KOLE! 

Hoje homenageio a este conselho sagrado de pai odé. 

Me refiro ao "arámefá", conselho constituído por 6 pessoas que zelam e cuidam do ile odé em uma casa de axé. Toda casa com algum tempo de aberta deve possuir tal conselho com toda clareza e certeza. Odé exigirá isto do babá ou yá. 

Tais cargos e pessoas que cuidam de toda preparação dos objetos pessoais de culto a Odé no ile como tocar alvorada, enfeitar o ile odé e zelar pela caça do grande rei. 

O POSTO DE QUE LEVA A CAÇA A ODÉ NO QUARTO DE SANTO CHAMA-SE: ÁLÁJOPÁ. CARGO DE QUE SO SE DA A ALGUÉM DE MUITÍSSIMA CONFIANÇA DO ORIXA ODÉ. 

Ele é responsável por uma das partes mais importantes do ritual do grupo aramefá encarregado de zelar e perpetuar o culto de Odé. 

LEMBRANDO QUE POSTO NÃO E TRANSITÓRIO SE JA DEU SÓ SE SUBISTITUI APÓS A MORTE DA PESSOA!! Boa tarde povo dom bem; oke aro! 

Odé, hoje me deixou inspirado. Babalorisa Kleber Ti Ogum.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

COLETÂNEA FILHOS DE OXÓSSI - PAI KABILA DE OXÓSSI



Wladimir de Carvalho, o Pai Kabiladeji de Oxóssi, (São Paulo, 7 de julho de 1950) é um babalorixá do Candomblé de São Paulo, pertence ao Axé da Casa de Oxumare, Salvador, Bahia que, segundo os historiadores, possui mais de dois séculos de existência. Filho-de-santo da Iyalorixá Mãe Nilzete de Iemanjá e neto de santo de Mãe Menininha do Gantois.


História

Nasceu em São Paulo no dia 07 de Julho de 1957, recebendo o nome de batismo de Wladimir de Carvalho, neto de imigrantes italianos e portugueses recebeu educação religiosa Católica até seus doze anos de vida, pois desde os seus seis anos de idade Pai Kabila, já começou a sentir o dom da espiritualidade que veio em forma de alteração em sua saúde, não havendo na época remédio que pudesse resolver seu problema. Sua mãe, muito católica relutou em levá-lo para uma benzedeira para olhar o problema, onde foi detectado seu dom espiritual.

Esta senhora que era conhecida por todos do bairro de Vila Isabel em Osasco, São Paulo, era iniciada na religião do Candomblé de Angola e era filha do Orixá Xangô, tinha sua dijína de Oba Tunké, foi ela que levou Pai Kabila pela primeira vez em uma casa de Candomblé em uma festa para crianças (Ibeji) no mês de setembro, onde Pai Kabila se sentiu muito mal e desmaiou (bolar no santo) como se dizia na época.

Assim Dona Lindaura (Obatunke) falou para a mãe de Pai Kabila a Senhora Dona Yolanda que ele tinha dom espiritual e que era preciso iniciá-lo na religião do Candomblé; Dona Iolanda desconhecendo a religião logo foi dizendo um “não”; não quero meu filho envolvido nessas coisas de macumba. Assim Pai Kabila continuou sofrendo por mais um ano com sua doença, vendo que remédios não faziam o menor efeito para a cura de Pai Kabila, ela então resolveu encaminhá-lo para que se pudesse fazer então a iniciação no Candomblé para que ele pudesse ser curado.

Sendo assim, aos treze anos de idade Pai Kabila foi levado para uma casa de Candomblé na cidade de Osasco no Bairro do Jardim Oriental e foi iniciado pela Iyalorixá Sambauê de Oxum, filha do saudoso Pai Olegário de Omolú do Recife, de raiz do sítio do Pátio do terço da nação de Angola, sua iniciação se deu para o mundo do Candomblé no dia 19 de fevereiro de 1970, onde recebeu dijína de Kabiladegy, que com o passar do tempo passou a ser chamado por Pai Kabila.

Como tinha que ser e já estava escrito em seu destino Pai Kabila com uma vidência anormal começou a desenvolver o seu dom, falando para as pessoas o que via e sentia até que se manifestou seu caboclo “Pena Verde”, com quem começou a atender o público no ano de 1974, todas as, quinta-feira e sábados, a fila de pessoas querendo se consultar com o caboclo Pena Verde era enorme, e era feita em sua casa, pois não existia um local específico para o atendimento do grande público, e não podia ser diferente, pois Pai Kabila ainda era muito novo na religião do Candomblé e não jogava Búzios, pois esse ritual somente pode ser realizado por Babalorixás ou Iyalorixás, “pessoas com mais de sete anos de iniciados”.

COLETÂNEA FILHOS DE OXÓSSI - CAMAFEU DE OXÓSSI



Ápio Patrocínio da Conceição mais conhecido como Camafeu de Oxóssi - (Salvador, 4 de outubro de 1915 - 1994), filho de Faustino José do Patrocínio e Maria Firmina da Conceição, nasceu no bairro do Gravatá, em Salvador, Bahia. 

Mestre de capoeira, foi presidente do Afoxé Filhos de Gandhi no período de (1976 a 1982) e Obá de Xangô, Osi Obá Aresá no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, ao lado de Carybé, Dorival Caymmi e Jorge Amado, tinha três barracas no Mercado Modelo, ganhou o restaurante de presente do então prefeito Antônio Carlos Magalhães.


História do apelido

Uma História Oral do povo de Candomblé e de Salvador: "Um camafeu era e ainda é uma jóia usada pelas senhoras da sociedade para prender a gola de seus vestidos. Geralmente esse broche tinha como principal atrativo uma figura em relevo do rosto de uma senhora ou do seu esposo. Havia um comerciante que se chamava Ápio, que era filho-de-santo do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, e era de Oxóssi, no sincretismo religioso o orixá da caça, da mata e da fartura. Era então conhecido como tal. Um dia passeando com amigos pelo Pelourinho, tropeçou e quando caiu viu um broche lindo, o tal camafeu. Gostou tanto que os amigos o apelidaram de Camafeu de Oxóssi e assim surgiu o nome do seu restaurante o bom e agradável Camafeu de Oxóssi, cozinha típica e internacional, hoje de outro comerciante, mas mantendo sempre a tradição baiana."

Quando Camafeu de Oxossi morreu em 1994 no seu enterro estavam presentes Mestres de Capoeira, muitos babalorixás e iyalorixás do Candomblé, ele era Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, cargo honorífico dado a pessoas especiais. Entre os babalorixás presentes estava Luís da Muriçoca cantando cantigas fúnebres em yorubá.

COLETÂNEA FILHOS DE OXÓSSI - MÃE STELLA DE OXÓSSI


Maria Stella de Azevedo Santos - Iya Odé Kayode - nasceu no dia 2 de maio de 1925, na Ladeira do Ferrão, no Pelourinho, na cidade de Salvador. Seus pais se chamavam Thomazia de Azevedo e Esmeraldino Antino dos Santos. Como ficou órfã bem cedo, ela foi adotada por uma irmã de sua mãe (Archanjá de Azevedo), que era casada com José Carlos Fernandes, um abastado tabelião, proprietário de um cartório na Bahia. Formada em enfermagem, pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, com especialização em Saúde Pública, Stella exerceu a profissão durante trinta anos.

Ela foi iniciada no candomblé por Mãe Senhora, em setembro de 1939, quando tinha apenas catorze anos. Mãe Senhora foi a mãe religiosa de Mãe Stella e esta lhe acompanhou durante décadas, na casa-de-santo Ilê Axé Opô Afonjá, até 1967, ano em que a ialorixá faleceu. Ondina Valéria Pimentel (Mãezinha) assumiu, então, o Opô Afonjá e, um ano após sua morte (em 1976), Stella foi escolhida por Xangô e pelos búzios para ser a ialorixá do terreiro de São Gonçalo do Retiro. Nessa época, ela tinha quarenta e nove anos e havia se aposentado como enfermeira.

O terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, por sua vez, teve seu início com Mãe Aninha, que instaurou no Brasil a tradição dos doze Ministros de Xangô, osobás, seis à mão direita e seis à mão esquerda; cada obá com dois substitutos, o otum e o ossi. Após a morte de Mãe Aninha, Mãe Senhora (Dona Maria Bibiana do Espírito Santo) assumiu a direção do Axé, dando-lhe muito prestígio.

Mãe Stella viajou várias vezes para a África, visando aprofundar os conhecimentos sobre a cultura iorubá (que é, basicamente, oral), e conseguiu transformá-la em uma herança escrita. Isto possibilitou uma maior divulgação dos cultos africanos e da religião dos orixás, em todo o país. Na década de 1980, ela participou de vários congressos nacionais e internacionais sobre os cultos afro-brasileiros, escreveu artigos, foi entrevistada por jornais e revistas, deu conferências, e publicou dois livros - o primeiro deles, em co-autoria com Cléo Martins, sua filha, que se intitula. E daí aconteceu o encanto; e, o segundo, Meu tempo é agora. Stella foi a primeira ialorixá a escrever livros e artigos sobre sua religião. Ela combateu, ainda, o sincretismo entre o candomblé e o catolicismo, ressaltando que a fusão de elementos culturais distintos descaracterizava as duas religiões, e pre ju dicava a religião dos oprimidos.

Neste sentido, ela declarou:

O que nós pregamos, sempre, é o respeito mútuo. O importante é que não existam agressões. O entrosamento não tem muita importância porque são religiões paralelas. O importante, eu volto a afirmar, é que exista o respeito. Existem pessoas que freqüentam o terreiro e que vão à igreja, e isso é normal. Quando falei da questão do sincretismo, me referia ao fato de não se misturar as obrigações. Como, por exemplo, fazer sua obrigação para o orixá e ir à igreja porque sincretizou o orixá com um santo. Não sou contra a Igreja Católica e, sim, contra o sincretismo. A nossa maior preocupação é que o ser humano se sinta bem, se realize. Se isso acontece freqüentando as duas crenças, melhor para ele.

As atividades religiosas do Ilê Axé Opô Afonjá iniciam em setembro, começando com as Águas de Oxalá, e se estendem até a doação de presentes para Oxum e Iemanjá, ocasião em que as pessoas-de-santo depositam as oferendas no mar. Durante o culto, no terreiro, é revivido um ritual: o orixá que habita o iniciado no momento do transe se materializa e penetra no corpo dos participantes, através dos ritos de possessão. Neste sentido, Stella declara:

Quem pratica e crê, presencia e sente. A fé abarca a pessoa em sua totalidade. Não se chega a ela pelo intelecto. Também ao Orixá só se chega pelo coração... Nós não escolhemos o Orixá. é ele quem nos escolhe, o mesmo acontecendo, creio eu, em todos os tipos de sacerdócio e em todas as religiões. O importante é que o amor toma conta de nossas vidas.

Ao se identificar com o orixá, segundo a filosofia africana (na qual o candomblé se baseia), o iniciado ganhará uma nova identidade e, em decorrência disso, transformar-se-á noutra pessoa, com nome e comportamentos diferentes, tudo isso para ser ela mesma. Os orixás, que são entidades transcendentais, se comunicam com os fiéis por meio da mãe-de-santo. Tudo o que for feito no espaço sagrado do candomblé representa uma parte importante dos rituais: cozinhar para o santo, receber o santo, cuidar dos animais, dar banho em cabras e bodes, ou cuidar das oferendas. 

A mãe-de-santo é a líder religiosa, cultural e social da comunidade, aquela que transmite conhecimentos aos seus auxiliares, dirige os cultos, garante a correção dos ritos, consagra sacerdotisas e sacerdotes, e possui autoridade suprema e absoluta para exercer qualquer função dentro do terreiro, tais como substituir o sacrificador, colher plantas sagradas ou consultar o oráculo.

Em 1981, Maria Stella criou o Museu Ohun Lailai, auxiliada pela psicóloga Vera Felicidade de Almeida Campos. Trata-se do primeiro museu aberto em uma casa de candomblé. Nele, entre tantos objetos, é possível se apreciar a roupa que ela colocou, quando assumiu o Opô Afonjá; vestimentas de ex-mães-de-santo; cadeiras e ferramentas usadas por orixás; antigas panelas utilizadas por filhas-de-santo para preparar comidas saborosas; uma pedra na qual se ralava milho (para se fazer pamonha, canjica, e outros pratos); folhas sagradas com seus nomes em iorubá; e atabaques. Em uma das salas do museu é possível observar, inclusive, as lembranças que são oferecidas aos orixás.

Em homenagem aos sessenta anos de iniciação de Mãe Stella, oInstituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em novembro de 1999, através do Ministério da Cul tu ra, tombou o Ilê Axé Opô Afonjá, declarando-o patrimônio cultural brasileiro.

Sacerdotisa de vanguarda, Mãe Stella é respeitada por suas idéias no País e no exterior, sendo uma referência em termos de diálogo inter-cultural e inter-religioso. Como defensora da cultura negra e cidadã do mundo, elarecebeu vários prêmios, homenagens e condecorações, dentre os quais o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (ao completar oitenta anos), o troféu Esso para escritores negros, a comenda Maria Quitéria, o troféu Clementina de Jesus, a comenda da Ordem do Cavaleiro (pelo Governo do Estado da Bahia), e a comenda do Mérito Cultural (pela Presidência da República). Na Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), contra o racismo e a intolerância, ocorrida em Durban, em agosto de 2001, ela foi uma das mais fortes lideranças brasileiras. Em 2001, na condição de fomentadora de cultura, ganhou ainda o prêmio jornalístico Estadão.

Mãe Stella de Oxossi foi uma das primeiras vozes do candomblé a condenar o sincretismo, um sistema que associa as divindades africanas aos santos católicos, confundindo santos e orixás, ritos de candomblé e ritos cristãos, em decorrência da proibição dos cultos dos orixás, por parte dos colonizadores portugueses. Ela afirma que Iansã não é Santa Bárbara, recusa a idéia de que o candomblé é uma seita sincrética, e declara que ele possui parâmetros de iniciação e liturgia próprios, defendendo sua condição de religião brasileira. A religiosa tem lutado, também, pela democratização cultural, combatendo a discriminação dos negros, das mulheres, entre outras camadas sociais marginalizadas.

No que diz respeito ao candomblé, ela Stella declara:

Nós conseguimos impor a crença trazida pelos escravos, pelo respeito humano que sempre guiou nossas ações. Por isso, hoje, brancos e negros, pobres e ricos se unem aqui em busca de paz e equilíbrio. Somos a tradição e o novo.

Artistas de renome, a exemplo do compositor Dorival Caymmi, do pintor Caribé e do falecido escritor Jorge Amado, entre tantas personalidades ilustres, foram ou ainda são membros do Opô Afonjá e sempre reverenciaram Mãe Stella. Mãe Menininha do Gantois era, também, sua amiga e admiradora.

“Baluarte de sua fé, profundamente enraizada na tradição religiosa, consistente e disciplinada, Mãe Stella mudou a percepção que o negro iniciado tinha dele próprio, mudou a maneira de se perceber o candomblé, mostrou que não éramos uma ilha, conseguindo, assim, através da estruturação de atitudes de aceitação do que se é, do que se tem, do que se faz, transformar um terreiro de candomblé em um pólo de individualidade cultural, conseguindo também – sem nem pensar nisto, mas é o resíduo estruturado, constituir-se em um marco: candomblé, religião africana no Brasil, já tem um nítido parâmetro cultural/social: antes e depois de Mãe Stella” (CAMPOS, 2000).

Em suma, foi através de Mãe Stella de Oxossi que o candomblé se tornou uma religião respeitada e adaptada à realidade do País. Ela tornou possível uma síntese entre cultos, crenças e ritos, oriundos de diversas etnias africanas, e colocou em evidência a importante tradição dos antepassados na vida das pessoas. Por meio de sua força, ternura, carisma e competência, a ialorixá sedimentou a religião dos afro-descendentes, defendendo a concepção de que os negros precisam ser considerados elementos relevantes da sociedade brasileira, assim como agentes ativos, de uma história que está, permanentemente, em processo de edificação.

COLETÂNEA FILHOS DE OXÓSSI - ARITANA DE OXÓSSI, UM EXEMPLO DE VIDA

A COLETÂNEA FILHOS DE OXÓSSI, é mais uma fonte de conhecimento. Pois através dela vamos de fato visualizar através dos EXEMPLOS de vida,  destas grandes personagens da história de nosso CANDOMBLÉ ou até da UMBANDA SAGRADA, fortes inspirações para que possamos nos espelhar e ser mais canais de força para levar o AXÉ a todos que de fato precisam.

Vamos conhecer um pouco de sua história:

Ex-evangélico, o médium Aritana de Oxóssi disse ter recebido o chamado do "Índio" para fazer trabalhos que envolvem previsão e prevenção para problemas espirituais. 

Embora não tenha revelado quais são seus clientes, o consultor espiritual afirma ter alertado Kelly Cyclone sobre os perigos que corria poucos dias antes de sua morte, além de achar que o problema que envolveu a banda New Hit poderia ser evitado. “Foi em um dia em que ele [o dono da banda, Jorge Sacramento] não estava com a banda, pois pelo que eu conheço dele, ele é muito rígido”, relata Aritana, que disse ter certeza sobre o vencedor da eleição pela prefeitura de Salvador e alerta que a magia negra no Esporte Clube Bahia foi responsável pelo baixo rendimento do clube em campo nos últimos anos. 

“Há muitos anos o Bahia já teve um chamado embaixo do pé de templo de magia negra. Com isso se o Bahia ganhar hoje amanhã perde”. O médium disse não frequentar mais festas de candomblé porque muitas pessoas lhe pedem para tirar foto para se promover em cima de sua imagem, mas não vê contradição em frequentar igreja evangélica e diz que os orixás estão hierarquicamente abaixo de Deus. “Os evangélicos têm um carinho incrível por mim”, garante.

Não é a toa que muitas vezes não sabemos como ajudar a quem precisa. Achamos que não temos saída e que até a sociedade que nos rodeia não muda nunca. Mas... se nunca tirarmos de nosso olhar, o medo que nos assola, nunca iremos fazer nada e com isso nossa religiosidade fica cada vez mais guardada no bolso. 

Tomemos por exemplo deste homem que fez de seu exemplo de vida um verdadeiro mudar e botar a religiosidade em prática.


OLHOS DE OXALÁ - PALAVRAS DE PEDRO DE OGUM

Motumbá a quem é de motumbá, Meu Kolofé a quem é de Kolofé e meus mais respeitosos Saravás, a quem é de Saravá. Bom dia.

Com grande alegria aqui estou novamente chegando até você, para agradecer toda a alegria que tenho recebido ao entrar aqui no BLOG OLHOS DE OXALÁ, para verificar as estatísticas de visualizações deste instrumento de comunicação virtual. 

Um instrumento que com apenas OITO MESES de vida. Já tem alcançado a muitos e cada dia que passa me surpreendo mais com as histórias que chegam ao meu conhecimento de alguns amigos pessoais e até seguidores parabenizando este trabalho. Poder lembrar de tudo que já passei para manter este BLOG no ar. Criticas e até uma sugestão de uma antiga dita zeladora que para não prejudicar o BLOG do filho que era da mesma linha de trabalho, o BLOG OLHOS DE OXALÁ fosse tirado do ar. Ai de mim se o fizesse, estaria cego.

E de fato, esta família que se reúne em qualquer horário do dia ou da noite para verificar cada postagem nova, ou até mesmo as antigas, é o meu motivo maior de continuar com ele sempre. Buscando cada vez mais melhorar no que for necessário.

Finalizamos no dia de ontem as postagens referentes à COLETÂNEA OXÓSSI NA UMBANDA, onde nos aprofundamos nas questões dos CABOCLOS e dos BOIADEIROS DE OXÓSSI. Muito bem visualizados e para minha surpresa compartilhados por alguns membros do BLOG em questão, tanto no FACEBOOK, como no ORKUT e para minha surpresa o número de compartilhamentos no GOOGLE+ de fato meu surpreendeu. 

Isto antes de mais nada agradeço a Deus por estar acontecendo. Em segundo lugar a OXÓSSI, foco central desta nova reformulação. Agradeço a todas as ENTIDADES por estarem de fato abrindo caminhos. Mas nunca esquecer de OGUM e de OXAGUIÃN, que estão no meu ORI fazendo toda a diferença. 

Então que as próximas postagens, sejam como estas de fato inspirações de conhecimento e aprendizado mutuo. Um grande abraço a todos. 

Pedro Manuel T'Ogum.